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	<title>Arquivos pós-modernidade - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Nossa Versão de Tudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[obra de arte]]></category>
		<category><![CDATA[pós-modernidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">De Cristo a Krishna. Da partícula de Deus à Mercúrio retrógrado. Em cada penitência cumprida e em cada blasfêmia o ser humana desenvolve explicações para tudo. Aparentemente, existe uma força torrencial em cada indivíduo que os impele a emitir suas opiniões ou juizo de valor sobre cada evento, objeto, sujeito e conceito. Principalmente quando falamos de arte.</p>



<p>Devo adimitir, realmente a arte tem lá seus delírios e excentricidades. No entanto, a dimensão de entendimento sobre <strong><em>o que é</em></strong>? (enquanto campo do conhecimento), e <strong><em>o que fazer</em></strong>? (da experiência diante da obra de arte), está incrivelmente distante de seu aspecto social digamos&#8230; &#8220;popular&#8221;. </p>



<p>Enquanto linguagem, para o grande público, uma noção antiga, revista e reforçada pela filosofia iluminista, alimenta o ideário de que a Arte <strong>é algo que atinge um mérito estético, técnico, primorosamente executada e extasiante</strong>. É como se a essência de um trabalho artístico estivesse contida apenas na capacidade técnica de um indivíduo reproduzir uma paisagem, um retrato ou alguns objetos corriqueiros. Eu sei, isso é arte sim. Mas devo dizer que <strong>a arte não se restringe a essa concepção.</strong></p>



<p>Por outro lado, vemos grupos pseudo imbuídos de arquétipos do fazer artístico pós-moderno, descobrir,<strong> na inteligência das artes, uma ferramenta de distinção social</strong>.  Talvez seja uma debilitadade decorrente da precoce e constante exposição a tecnologias como a internet e as midias socias, mas o ponto é que, obras contemporâneas cuja valoração encontra-se nas minúscias que perpassam os discursos, são utilizadas para hierarquizar um complexo sistema de castas intelectuais, do tipo: </p>



<p>&#8211; <em>Nossa, você não entendeu a performance da Marina Abramovic? Eu sei, é difícil mesmo. Eu adoro as performances dela!</em></p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Marina Abramovic on performing &#039;Rhythm 0&#039; 1974" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/kijKz3JzoD4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><em><strong>Rhythm 0</strong></em>. Marina Abramovic &#8211; 1974.</figcaption></figure>



<p>Veja bem, o ponto aqui não é você achar que arte é só a pintura clássica e o barroco, tampouco adorar de maneira excêntrica a obra da Marina Abramovic. O fato é:  <strong>você realmente entende como a proposição contribuiu para o campo da arte?</strong> E se entende, o que isso te proporciona como <em>ser</em> no mundo? O questionamento em si é especificamente com a necessidade de criar explicações e emitir opiniões parcamente embasadas para todas as situações. E se citarmos o mercado da Arte então&#8230; podemos dizer que as distâncias ficam ainda maiores.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37a9b-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5917" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em><strong>Comedian</strong></em>. Maurizio Cattela &#8211; 2019.</figcaption></figure>



<p>Enfim, nos casos citados, podemos enxergar exemplos de como há <strong>uma progressão acadêmica nas discussões artísticas que não inclui o indivíduo comum. Pelo contrário, o coloca na condição de estrangeiro no território das artes, enquanto ele acredita estar apto a usar um repertório escasso para emitir suas opiniões e construir suas noções sobre arte e cultura.</strong> E este é um fenômeno que contribui para que leituras equivocadas sobre a função social de um artísta construam as narrativas pitorescas que ocupam uma parcela hegemônica no pensamento do senso comum. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Por isso é importante discutirmos essas questões. Essa percepção de massa influencia diretamente na criação de políticas públicas voltadas para o fomento de ações culturais e artísticas, precarizando as condições de trabalho de milhares de artístas, além de contribuir para que práticas de demonização da categoria sejam cada vez mais frequentes, especialmente quando houver performances com nudez, ou referência religiosa, por exemplo.</p>



<p>É preciso ter em mente que a arte é um campo do conhecimento complexo e ambíguo, que deve ser tratado com seriedade e comprometimento. Da mesmo forma que não vemos ninguém questionar à um engenheiro se um edifício é de realmente um edifício, podemos supor que, se as pessoas não se amotinassem escandalizadas em boicotes por virem algo que não consideram arte, seria pelo fato de termos socializado os debates e reduzido o enrigecimento desse <em>status quo</em>. </p>



<p>Talvez nesse dia, as nossas versões de tudo sejam construídas de maneira mais tolerante, crítica, acessível e solidária.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador, encadernador, escritor e violonista. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Into the Wild: A Liberdade Está Aqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2019 21:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 012]]></category>
		<category><![CDATA[BAUMAN]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Into the Wild]]></category>
		<category><![CDATA[Na natureza Selvagem]]></category>
		<category><![CDATA[pós-modernidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/01/into-the-wild-a-liberdade-esta-aqui/">Into the Wild: A Liberdade Está Aqui</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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<p><em>Contém spoilers.</em></p>



<p class="has-drop-cap">Christopher Mccandless foi um viajante norte-americano que morreu dentro de um ônibus abandonado no parque nacional de Denali, no Alaska, depois de caminhar por dois anos sozinho na selva da região ,com pouca comida e quase nenhum equipamento.</p>



<p>Essa é a primeira frase na Wikipedia que pretende descrever o jovem que teve sua vida retratada no filme: <em><strong>Into the Wild</strong></em>, de Sean Pen, inspirado na obra literária homônima do jornalista <strong>Jon Krakauer</strong>. O texto, traz, de maneira resumida, a biografia de Chris e a influência que sua figura como Alexander Supertramp deixou como legado. A bem da verdade, o  verbete basicamente aponta sua trajetória como <strong>irresponsável, egoísta e superficial,</strong> contrapondo com alguns lampejos de inspiração, denotando uma visão conservadora do autor deste pequeno texto na wikipedia em relação à vida de Chris.</p>



<p style="background-color:#936d05" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Bem, se você já viu este filme, é provável que tenha uma visão contrária, inspiradora e revolucionária de Chris, e, talvez, até perceba em sua trajetória como Supertramp, o despertar para questões que se acomodaram em nossa sociedade. Pois então, vamos confrontar as duas visões?</p>



<p>Não pretendo aprofundar os conceitos tratados pelos autores citados para que o texto não seja mais denso do que o habitual, no entanto, tratando-se de cultura, na pós-modernidade, cabem algumas considerações de alguns autores.</p>



<p>De acordo com Bauman (1925 &#8211; 2017), citando um argumento de Levinas (1906-1995) em <em><strong>Vida para Consumo &#8211; a transformação das pessoas em mercadoria</strong></em>, <strong>(2007)</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;a sociedade é vista basicamente como um dispositivo para reduzir a responsabilidade pelo outro, essencialmente incondicional e ilimitada, a um conjunto de prescrições e proscrições mais de acordo com a capacidade humana de se arranjar.&#8221;</em></p></blockquote>



<p>Pode parecer complexo em uma leitura despretensiosa, mas veja bem, o que realmente está sendo tratado aqui é que <strong>existe uma tendência humana a se arranjar socialmente dentro de suas limitações para sobreviver, e que, assim, a sociedade é uma ferramenta que tem a finalidade de reduzir nossas responsabilidades individuais sobre os outros através de, digamos, regras de convivência.</strong> Isso para um filósofo de meados do séc XX. O que é ruim.</p>



<p>Por outro lado, Bauman diz que este argumento teve sua credibilidade solapada pelo consumismo exagerado no século XXI. Ele argumenta que, entre outras coisas, <strong>existe um processo em expansão que libera, cada vez, mais algumas parcelas da sociedade (que optam por outras possibilidades de explorar a conduta humana), da padronização, da supervisão, e do policiamento explicitamente sociais</strong>. Este processo acaba relegando um conjunto crescente de responsabilidades antes socializadas ao encargo de indivíduos. De maneiras diferentes, mas pela mesma razão. O que me lembra Marcuse. E é ainda pior.</p>



<p style="background-color:#b58500" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Sendo assim, além de sermos coagidos a adotar alguns comportamentos, somos, ainda, estimulados a adotar tantos outros, <strong>como se essas escolhas fossem realmente nossas.</strong> Como se a luta para desmantelar o sistema, não fosse uma estratégia do próprio sistema para fazer você acreditar que não está contribuindo para que ele se mantenha fortemente estabelecido.</p>



<p>Eu sei, parece uma coisa meio &#8220;conspiracionista&#8221;. Mas voltemos para o filme.</p>



<p>Em <strong><em>Into the Wild</em></strong>, ou no bom português, <strong><em>Na Natureza Selvagem</em></strong>, Chris abandona sua família (exemplo perfeito da família nuclear moderna) e embarca em uma aventura de auto-conhecimento, em busca da experiência mais verdadeira de liberdade e felicidade.</p>



<p>Acontece que, em sua trajetória &#8211; inspirado, entre tantas outras coisas, pela leitura de clássicos como Jack London, Henry David Thoreau e Tolstoi &#8211; Chris encontra várias outras pessoas com as quais se identifica, e nessas amizades,  a semente da grande conclusão final é plantada. </p>



<p>Então, muito distante dessas pessoas e da sociedade, ele se percebe igualmente distante da verdadeira felicidade, e a fatídica frase: <strong><em>a felicidade só é real compartilhada</em></strong>, é escrita por suas mãos fracas nas entrelinhas de um dos livros que o inspirou, denotando a profundidade do entendimento que a liberdade o ofereceu.</p>



<p class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Mas essa não é a parte mais importante do filme para mim.</p>



<p>Nas cenas finais, o filme retrata Chris refletindo sobre sua trajetória por meio de uma cena que apresenta, para mim, a parte mais importante do complexo raciocínio.</p>



<p>Na beleza da epifania da vida diante da morte, Mccandless encontra o que realmente procurava, e, antes de abandonar a existência, após concluir que a felicidade só é real compartilhada, podemos entender que <strong>Chris percebeu que muitas vezes nossas buscas são esvaziadas de sentido quando nos damos conta daquilo que realmente importa para nós.</strong></p>



<p>Imaginando-se retornando para casa e encontrando seus pais, uma emblemática frase pleiteia a dúvida sobre as suas acepções de liberdade e felicidade na esfera individual.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Se eu estivesse sorrindo, e correndo para seus braços, vocês poderiam ver, o que vejo agora?&#8221;</p></blockquote>



<p>Assim, a liberdade se torna o caminho mais eloquente em busca daquilo que é verdadeiro e profundo na existência humana. Que ademais da regulação normativa e de todas as estratégias sistêmicas de coagir e estimular nossas ideologias e modos de viver, existe algo que é essencial à cada ser humano, que pode ser encontrado nos confins remotos da natureza em uma experiência solitária, mas que, na realidade, muitas vezes não precisamos ir tão longe para perceber o que de fato é real, profundo e verdadeiro para experimentarmos o que é a felicidade de fato.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/03ca9-into-the-wild.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1969" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Gostou do texto? Cadastre-se gratuitamente e receba as próximas edições da Trama por e-mail!</p>





<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/06d43-lacunas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1764" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem e acesse nossa loja virtual.</em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de720-foto-carol8.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1651" data-recalc-dims="1" /></figure>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/01/into-the-wild-a-liberdade-esta-aqui/">Into the Wild: A Liberdade Está Aqui</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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