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	<title>Arquivos processo artesanal - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Pão Nosso de Cada Dia</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 20:58:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Felipe Rocha</p>
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<p class="has-drop-cap">A culinária, assim como a arte, compartilha o mito do dom natural, aquela capacidade especial que alguns indivíduos aparentam possuir desde o nascimento para a realização de certos ofícios.  Ainda hoje é comum a valorização daquele profissional que nunca frequentou cursos ou escolas, mas que, mesmo assim, foi capaz de exercer a atividade com certa precisão.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">O problema é que este tipo de raciocino parece ignorar as muitas tentativas do artista/cozinheiro para chegar até a elaboração de um resultado satisfatório, ou seja, o seu estudo não é valorizado como estudo.</p>



<p>Mais do que uma aptidão natural, estas atividades só se tornam frutíferas, graças ao esforço e vontade de quem se dedicou ao seu aperfeiçoamento. O desenvolvimento da atividade, mesmo sem a presença de um tutor, só se dá mediante a criação de um método, que pode ser exclusivo e individual, ou então herdado de outra pessoa, e até mesmo uma combinação das duas condições anteriores.</p>



<p>O preparo do pão de fermentação natural exemplifica bem essa condição. Embora não seja tão antigo como os desenhos encontrados nas grutas de Altamira, o pão vem acompanhando o processo evolutivo da humanidade desde os seus primórdios. O abandono de um estilo nômade de vida, permitiu o desenvolvimento do pão juntamente com a agricultura e seus diferentes tipos de grãos.</p>



<p>A princípio, o uso alimentício dos grãos como a aveia, a cevada, o trigo, dentre outros, foi feito por meio da moagem com as pedras, e resultou em uma farinha que podia ser consumida na forma de mingau ou então cozida, mas que ainda não era fermentada e por isso resultava em um pão extremamente duro. A descoberta do pão fermentado foi atribuída aos egípcios, mas o aprimoramento da técnica foi realizado pelos gregos, que aumentaram a diversidade dos sabores ao adicionarem outros ingredientes, como o óleo, o mel, o vinho e o leite. Trajetória semelhante é encontrado ao iniciar o estudo a história da arte, que compartilha as mesmas localizações como ponto de partida.</p>



<p>A principal diferença entre o pão de fermentação natural e pão comumente encontrado nas padarias é a utilização da massa madre, também conhecida como levain, que é a base da massa do pão e agente realizador do crescimento do mesmo. Embora seja composto majoritariamente por apenas 3 ingredientes (a farinha, a água e os microrganismos), os resultados obtidos mudam conforme a temperatura, o tempo de descanso, os microrganismos locais e a sua manipulação. E, assim como em um processo artístico, também é permitido ao seu realizador a experimentação por meio da adição de outros materiais e também a variação das condições expostas para a obtenção de novos resultados.</p>



<p>A comida satisfaz uma necessidade básica, primária, que é a fome, podendo ser julgada conforme o gosto, mas ela também permite uma ampliação da sua experiência pelo o amadurecimento do indivíduo, que pode buscar por experiências novas para o paladar. O resultado da experiência artística não se diferencia muito, só satisfaz um outro tipo de fome.</p>



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<p><strong>Felipe Rocha</strong> é bacharel em educação artística e confeiteiro em formação.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/buscar?q=CLÁSSICO"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/CLÁSSICO.png?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1770" /></a></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1382a-foto-carol15.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1698" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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