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	<title>Arquivos Reflexão poética - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>&#8216;COMO SE FAZ PARA DAR AS MÃOS?&#8217;: SOBRE A &#8216;CRIAÇÃO DE ADÃO&#8217;, MICHELANGELO BUONARROTI E SUAS PERIPÉCIAS</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/08/22/como-se-faz-para-dar-as-maos-sobre-a-criacao-de-adao-michelangelo-buonarroti-e-suas-peripecias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Aug 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 105]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Nathaly Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão poética]]></category>
		<category><![CDATA[Ressignificação de Momentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Nathaly Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dizem que Michelangelo foi anatomista, escultor, poeta, arquiteto e pintor – esse último ofício ele fazia meio que com o nariz torcido, mas nada comparado a torção do nariz de seus ajudantes por causa do seu mau cheiro, informação raramente mencionada. Fato é que os dizeres mais ditos construíram a imagem de um Michelangelo impecável, virtuosíssimo e genial, que tem espaço no altar artístico do subconsciente de muitos como um dos maiores artistas do dito renascimento italiano.&nbsp;</p>



<p>Nasceu em Caprese, perto das redondezas de Florença, com pai de família aristocrática e com uma inclinação artística divina, dizem também. Mais tarde, virou protegido do Lorenzo de Medici, banqueiro e mecenas podre de rico, e não só dele, à medida que foi ganhando cada vez mais fama e notoriedade. Certo dia, em 1508, o Papa Júlio II o encarregou de pintar a abóbada da Capela Sistina e ele, apesar de torcer muito o nariz, pintou os episódios do Gênesis, dentre eles:&nbsp;<em>&nbsp;A criação de Adão</em>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="442" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a672b-1280px-god2-sistine_chapel.png?resize=950%2C442" alt="" class="wp-image-17698" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a672b-1280px-god2-sistine_chapel.png?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a672b-1280px-god2-sistine_chapel.png?resize=300%2C140&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a672b-1280px-god2-sistine_chapel.png?resize=1024%2C477&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a672b-1280px-god2-sistine_chapel.png?resize=768%2C358&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a672b-1280px-god2-sistine_chapel.png?resize=206%2C96&amp;ssl=1 206w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>O afresco pintado retrata o momento em que Deus dá origem à humanidade, simbolizada no Adão, segundo os textos bíblicos, primeiro homem. O ponto central para o qual é conduzida nossa visão é o ato do toque iminente entre o dedo de Deus e de Adão, o presente divino: a centelha da vida.&nbsp; E aqui descemos dos esplendores celestiais onde habitam as histórias renascentistas de Michelangelo em seu altar e chegamos ao chão dos dias de nossa enfadonha e epidêmica realidade. Poderíamos continuar nesta análise formal calorosa, citar a influência humanista e antropocêntrica na retratação de Adão e, possivelmente, na anatomia cerebral no manto de Deus e teorizar sobre a Eva ser a figura representada ao seu lado e coisas mais, mas isso tudo também muitos já disseram demais. Vamos, a partir&nbsp;daqui, deixar&nbsp;de dizer um pouco o que dizem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A obra se imortalizou como um clássico, e como todo clássico foi alvo de muitas releituras, alvo da reprodutibilidade e, consequentemente, da mercantilização com nossa astuta indústria cultural. No meio de tanta repetição, eu torci o nariz feito o Michelangelo para a ideia de desenvolver um trabalho inspirado nessa pintura. Todavia, esse famoso gesto do toque divino me foi tão oportuno quanto a vacina nessa pandemia. Seu conceito coube certo; completamente contraposto do hoje. Adoro contrapostos.&nbsp;&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>INSPIRAÇÕES E ASPIRAÇÕES: PENSAMENTO E PROCESSO ARTÍSTICO</strong>&nbsp;</h4>



<p class="has-text-align-right"><em>“Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria.”</em>&nbsp;<br><em>A paixão segundo G.H, Clarice Lispector</em>&nbsp;</p>



<p>“Como se faz pra dar as mãos?”. De imediato, essa é uma pergunta aparentemente simples, com uma resposta aparentemente simples, mas ela assume uma alta carga de complexidade quando a transferimos para os tempos de pandemia, de ensino remoto, de interatividade digital e modernidade líquida. Os milímetros que separam o toque parecem ter ganhado quilômetros inteiros. Os&nbsp;contatos deixaram de ser ato, têm se transformado em números e não se sabe bem se são as telas nossos novos muros ou janelas. Será que o toque pós-contemporâneo só é passível de existir sendo&nbsp;<em>touchscreen?&nbsp;</em>A iminência do toque não parece mais tão certa, a duração virou anos, e não se pode dar bem certeza quanto a aproximação das mãos, não se pode mais dar bem certeza de nada, elas bem podem estar em movimento de afastamento ainda maior. Quem sabe. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7aeb0-img_20210806_080506.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-17699" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>A obra foi feita sobre papel manteiga, por uma busca do reflexo da fragilidade e volatilidade das relações físicas pós-contemporâneas. As mãos foram pintadas com tinta à óleo, com o máximo da estética realística que minhas limitadas habilidades me permitiram reproduzir, na busca da representação de uma fisicalidade real em contraposição à artificialidade digital ao fundo. O toque, o presente divino representado na pintura, hoje, no atual contexto pandêmico, pode ser convertido em danação; o toque não é mais símbolo de passar a centelha da vida, mas do vírus, uma centelha da morte.</p>



<p>Por fim, agora dirijo a palavra, sem nenhum decoro, ao ocupante do altar artístico do subconsciente dos amantes da renascença: &#8211; Deus, Michelangelo, essa figura vigorosa que você pintou é um gozador: criou a humanidade com o mesmo gesto que hoje pode causar sua extinção.&nbsp;&nbsp;</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2034a-nathaly-rocha-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15871 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Nathaly Rocha</strong></strong></strong></strong></strong> é mineira de berço e guarulhense de coração. É artista desde sempre. Atualmente, cursa Artes Visuais na UNESP. Acompanhe o trabalho da artista pelo <a href="http://instagram.com/p_arte__">Instagram</a>.</p>
</div></div>



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		<title>VIVA O REI MORTO</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 105]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Nathaly Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão poética]]></category>
		<category><![CDATA[Ressignificação de Momentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Priscila Pinheiro</p>
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<p>Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga tornou-se o segundo imperador do Brasil com apenas cinco anos de idade, após a abdicação do trono brasileiro por seu pai, d. Pedro I, ocorrida em 1831. Com a antecipação de sua maioridade, d. Pedro II governou o país de 1840 até 15 de novembro de 1889, quando a república foi instaurada no Brasil e a família imperial exilada na Europa. Lá, o imperador destituído se identificava como d. Pedro de Alcântara. Sua nova rotina envolvia leitura e escrita, visita a instituições, encontros com amigos e intelectuais. Banido do território brasileiro, faleceu no Hotel Bedford, em Paris, na madrugada do dia 05 de dezembro de 1891, em decorrência de uma pneumonia aguda no pulmão esquerdo.</p>



<p>A morte do ex-imperador teve grande repercussão no Brasil e no mundo: milhares de telegramas e centenas de coroas de flores foram enviados ao hotel. A imprensa estrangeira publicou artigos elogiosos a sua figura. No Brasil, apesar do silêncio do regime republicano, casas comerciais fecharam as portas, sinos anunciaram seu passamento, tarjas pretas se fizeram presentes nas roupas, bandeiras foram hasteadas a meio pau, missas realizadas e necrológios publicados. Os funerais, que aconteceram em Paris e Lisboa, foram minuciosamente acompanhados pela imprensa nacional.</p>



<p>O Arquivo Histórico do Museu Mariano Procópio possui alguns exemplares do convite para as exéquias de d. Pedro, que aconteceram na igreja de Madeleine, em Paris, no dia 09 de dezembro de 1891. O convite, escrito em francês, possui as armas imperiais e uma margem preta, em referência ao luto. Impresso pela <em>Maison Henri de Borniol</em>, casa funerária ativa ainda hoje, apresenta d. Pedro como “Sua Majestade O Imperador do Brasil”. No canto inferior esquerdo consta a informação por onde os convidados deveriam entrar para tomar seus lugares. No canto inferior direito, o nome de quem convidava, conde de Aljezur, camareiro da Corte Imperial.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15077-convite_versao-1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-17712" data-recalc-dims="1"/><figcaption>Convite para as exéquias de D. Pedro II. Acervo do Museu Mariano Procópio. Juiz de Fora &#8211; MG.</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A distribuição dos convites obedeceu um rigoroso protocolo, que levou em consideração o <em>status</em>&nbsp; do convidado. Conhecidos em diferentes cores, as quais indicavam o lugar do indivíduo na igreja, foram enviados às personalidades arroladas pelo Serviço de Protocolo do governo francês em acordo com a princesa Isabel. Tais convites são raros, pois poucos exemplares foram conservados.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:48.91406%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="2697" data-id="17709" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17709" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg" data-width="3825" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d418e-convite_versao-2.jpg" data-amp-layout="responsive"/></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:51.08594%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="2609" data-id="17710" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17710" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg" data-width="3865" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9041b-convite_versao-3.jpg" data-amp-layout="responsive"/></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Outras versões do convite para as exéquias de D. Pedro II. Acervo do Museu Mariano Procópio. Juiz de Fora &#8211; MG.</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A cerimônia fúnebre mobilizou grande parte da realeza europeia e representantes de diversas nações. Além disso, contou com a presença de intelectuais e acadêmicos. A França, símbolo da república, homenageou o ex-imperador americano concedendo-lhe um funeral pomposo: como titular da Grã-Cruz da Legião de Honra, d. Pedro recebeu tratamento e honras militares.</p>



<p>As exéquias em Paris foram acompanhadas por uma multidão que ocupou a <em>Place de la Madeleine</em>, bem como as ruas e avenidas adjacentes, apesar da chuva e do vento frio. Dali partiu grande cortejo que, ao som da Marcha Fúnebre de Chopin, acompanhou o féretro até a estação de Austerlitz. Os restos mortais de d. Pedro seguiram de trem até Portugal. O bilhete para o trem fúnebre, também impresso pela <em>Maison Henri de Borniol</em>, segue o padrão do convite para as exéquias: encimadopelas armas imperiais e tarjado de luto, refere-se ao monarca destituído como “Sua Majestade O Imperador do Brasil Dom Pedro II”. O monarca exilado foi vestido, velado e enterrado como imperador brasileiro. Adornado com os símbolos pátrios &#8211; a Ordem da Rosa, a Ordem do Cruzeiro do Sul, duas bandeiras brasileiras e um pacote com terra do Brasil &#8211; foi consagrado na morte. Suas falhas foram esquecidas; suas qualidades, exaltadas. Nessa ocasião, segundo Lilia Schwarcz, “morre o homem e nasce o mito”.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33973-bilhete-trem.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-17707" data-recalc-dims="1"/><figcaption> Bilhete para o trem fúnebre. Acervo do Museu Mariano Procópio. Juiz de Fora – MG. </figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Os despojos mortais dos ex-imperadores d. Pedro II e d. Teresa Cristina permaneceram no jazigo da família Bragança, em Portugal, até 1921, quando foram transladados para o Brasil, no contexto das comemorações do centenário da independência. Esse momento foi caracterizado pela criação de um novo “panteão de heróis”, composto por monarquistas e republicanos. Sob tais circunstâncias, o herói popular d. Pedro II se transfigura num herói nacional. A imagem de um monarca enfraquecido, difundida nos últimos anos do império, foi olvidada. Em seu lugar, surge a imagem de um grande brasileiro, que muito contribuiu com o país.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d14f0-cartao.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-17705" data-recalc-dims="1"/><figcaption> Cartão em comemoração à inauguração do mausoléu imperial em Petrópolis. Acervo do Museu Mariano Procópio. Juiz de Fora &#8211; MG. </figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Em 1939, com a presença do presidente Getúlio Vargas, os restos mortais dos antigos monarcas brasileiros foram transferidos para o mausoléu da Catedral São Pedro de Alcântara, localizada em Petrópolis. Esse evento, que representou o desfecho de um processo de conciliação entre o passado monárquico e a república brasileira, também é narrado pelo acervo documental do Museu Mariano Procópio. Durante uma visita à instituição, d. Pedro de Orléans e Bragança, neto de d. Pedro II, ofereceu a Alfredo Ferreira Lage, fundador do museu, um cartão produzido para a inauguração do mausoléu imperial. Nele consta um trecho do soneto de autoria do seu avô, intitulado “Terra do Brasil”, no qual d. Pedro escreve que sereno aguardaria no seu jazigo “a justiça de Deus na voz da história”. O conteúdo do cartão e sua incorporação ao acervo do Museu Mariano Procópio, assim como os documentos referentes às exéquias do ex-imperador, proporcionam reflexões sobre a história brasileira do final do século XIX e início do XX. Oportunizam, ainda, reflexões sobre a memória imperial – e institucional – narrada pelo museu.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>CARVALHO, José Murilo de. <em>D. Pedro II</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.</p>



<p>FAGUNDES, Luciana Pessanha. Nos funerais de D. Pedro II: batalhas e incertezas na escrita da memória e da história da monarquia. In: <em>Anais do XIV Encontro Regional da Anpuh-Rio</em>, jul. 2010. Disponível em: &lt;http://www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1276724881_ARQUIVO_TextocompletoAnpuhRegional2010.pdf&gt;. Acesso em: jul. 2021.</p>



<p>SCHWARCZ, Lilia Moritz. <em>As barbas do imperador:</em> D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Priscila da Costa Pinheiro </strong></strong></strong></strong></strong>é graduada e mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professora da Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora. Atua como historiadora na Fundação Museu Mariano Procópio, dedicando-se à pesquisa e difusão do acervo arquivístico e bibliográfico da instituição.</p>
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		<title>A IRONIA DE VER NA VISÃO DE UM POMBO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/13/a-ironia-de-ver-na-visao-de-um-pombo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jun 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 095]]></category>
		<category><![CDATA[Nathaly Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão poética]]></category>
		<category><![CDATA[Ressignificação de Momentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Nathaly Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ironia e, talvez desejo íntimo, de um pássaro ver um humano preso em sua gaiola. Não um, mas dois pombos me espreitavam, olhando pela janela de meu quarto como se cochichassem sobre mim e rissem de minha condição, de meu cárcere com janelas e porta da qual possuo a chave. Olhavam dobrando o pescoço, virando a cabeça em tom de me ver em todos os ângulos &#8211; ou de conseguir me ver em algum ângulo? Há algo, certo ângulo, certa forma de ver em nós, que condiz com a identidade inteira. Há algo em nós que só há em nós &#8211; em mim, em cada um &#8211; será isso essência? Artistas tem dom de enxergar essências. &#8211; mas não se engane!, enxergar não é tarefa fácil ou encantadora &#8211; Não, não é ascese, Platão. Enxergar é quase como tomar tudo quanto viu como alucinação. E poucos conseguem suportar o peso de ser esquizofrênico de visão.., há muita relutância à loucura, relutância a defrontar-se com a irracionalidade do mundo, e, sobretudo, de si. Um pássaro se foi? Se cansou de procurar em mim ângulo de identidade que mostrasse por esgueira minh&#8217;alma particular e definida e se foi. Mas a visão dos pombos é de potência enorme: veem a vida de cima, o retrato da cidade e suas misérias ao lado de suas riquezas e edificações que desedificam humanidade e desalojam corpos humanos e ainda assim &#8211; continuam vendo. Terá sido eu imagem tão miserável quanto essa para que esse pombo não me suportasse ver? E eu, me suporto ver? Talvez só me suporte ver ao espelho porque não tenho capacidade de ângulos. Ou será que esse pássaro, inconformado em me encarar de todos os ângulos sem me ver, houvesse desistido?, desistido de procurar em mim um ângulo particular e essencial que lhe permitisse ver, ainda que por esgueira, minha espécie de alma? Não tenho ângulo particular, só ângulos indistintos?, só tenho generalidades? Não., um pombo continua a me meditar, segurarei minha esperança em um pombo num fio de poste. A esperança é sempre uma equilibrista numa corda bamba. Mas neste meu caso, o cair da esperança me seria mais consolador do que se voasse por imediato &#8211; morta ao quente do asfalto eu poderia me seguir a crer que talvez tenha um Eu em mim, só não pôde ser visto porque, de súbito, a pomba caíra. Agora, se voasse, era a desistência da segunda em encarar o vazio de meu ser. Mas ainda estava lá, e era o que me bastava para manter-me respirando minhas crenças; É o que quase todos, para manter respiração, necessitam: acreditar que alguém está olhando por ti. No meu caso, meu ser misericordioso era um pombo., iluminado, ao sol. Enquanto estava eu na sombra.</p>



<p>Em um alongar de penas e pernas, mal acompanhando meu espanto, ele fez o movimento que daria nó nas tripas de meu estômago e na corda bamba de minha ingênua e vulnerável esperança: Não, não voou nem caiu do fio do poste. Lhe disse, lhe disse; foi pior, peor &#8211; porque foi um pior que eu nem mesmo imaginara a possibilidade, um pior que não conhecia: foi peor. Após seus movimentos pausados, o alongamento dos pés, das asas; meu pombo se virou. Deu meia volta passando um pé pelo lado do outro e me deu as costas. Como eu poderia respirar agora o ar gelado e seco de minha vida dentro de minha gaiola de tijolos se esse, que olhava por mim, a quem eu havia equilibrado minhas esperanças e sustentado minhas frágeis crenças, agora havia me dado as costas?, mirado os olhos para o outro lado das vidas amontoadas na cidade? Foi minha penumbra., foi meu vazio escuro que essa criatura enxergou quando tentou ver meu ângulo de alma e aura. Até as telhas, enfileiradas &#8211; uma a uma- tem aura visível para os pombos.? Óbvio. Mesmo elas têm o aqui e o agora; fazem parte de uma casa num sistema de telhado &#8211; fazem parte de algo. E estão nesse momento ao sol de Agora do dia que lhe ilumina cor. Sim, o pombo nem conseguiu ver minha cor na penumbra de meu sarcófago minuciosamente arquitetado para abrigar corpo e manter vida, mas que não passa de crença tão antiga quanto a de vida pós-morte enquanto eu tento me ater à crença da existência de vida pré-morte e morte pós vida. Mas num súbito, num átimo de minha divagação.; meu pombo voou. E pura e simplesmente entrou dentro do azul sem nuvem. Desapareceu. Tal como acontece com as convicções quando se enxerga: elas esvoaçam num ato de alucinação. É por essa razão que ver é uma tal desorganização e uma desilusão. E certifique-se que suporte &#8211; Édipo não suportou ver-se e furou os olhos – certifique-se que suporte ver o que vou dizer que vi, nesta manhã, com o pombo deixando de ver-me: ver é finalmente deixar o que se viu.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Nathaly Rocha</strong></strong></strong></strong></strong> é mineira de berço e guarulhense de coração. É artista desde sempre. Atualmente, cursa Artes Visuais na UNESP. Acompanhe o trabalho da artista pelo <a href="http://instagram.com/p_arte__">Instagram</a>.</p>
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		<title>Desatar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 May 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 093]]></category>
		<category><![CDATA[Nathaly Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão poética]]></category>
		<category><![CDATA[Ressignificação de Momentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Nathaly Rocha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A mão da mãe apertava-lhe os dedos miúdos com proteção e medo maternal. A outra ia a conduzir o carrinho de supermercado em sintonia com a direção dos olhos: macarrão, feijão, arroz. Já os olhos do pequeno não se limitavam às coisas da lista, esvoaçavam pelas prateleiras cheias de cores, algumas das quais ainda nem aprendera o nome, e todas a acompanhar preços com números e letras e símbolos dos quais ainda nem entendia o significado &#8211; conferidas assim, de certa graça pueril, por cheiro bom de novidade. A cabeça girava todos os graus para o panorama do supermercado, ia indo, indo, indo para trás até deitar a cabeça por completo, com a boca entreaberta e a visão mal alcançando o fim vertical da prateleira.<br>&nbsp;Ele via e saltitava, num desassossego de infância. Estendia o bracinho curto na direção oposta pela qual puxava a mãe o outro braço, queria apontar, tocar, sentir o mundo que se desvendava diante dele e que é todo de fabulação nos primeiros anos de idade. Havia até se esquecido da cena vista naquela manhã: dura, de morte. A sua primeira consciente. Perguntou a mãe o que era, pelo que ela respondeu:<br>&nbsp;&#8211; Morte, meu filho, é quando se perde a vida e se encontra a Deus.<br>&nbsp;As palavras ficaram lhe ecoando na cabeça, junto com outras do mesmo dia que escutou: &#8220;Foi uma perda irreparável&#8221;, &#8220;Uma fatalidade&#8221;. Todas como emaranhado de nós para ele ir desatando, o que nem sempre é estarrecedor, pois desatar de nó resulta em linha vazia. Agora estava naquele mundo cheio de produtos para distrair das linhas e nós, produtos para perder e perder-se de vista. O mundo era grande, feito pro perdimento, foi então que notou mesmo que se perdera da mãe. Veio um pequeno sobressalto e gelor no peito; o coração, respondendo ao gelor, desatinando a bater, e a respiração mal dando conta de acompanhar o desatino. Olhou em volta sem ver as prateleiras, correu pelos corredores compridos, conferiu os rostos dos adultos. E suas mãos? Elas agora estavam a segurar parte da frente do casaquinho, amarrotando-o, numa busca desesperada por correspondência, por segurança. Todos procuram na vida o que segurar para se segurar na vida: pessoas, ciência, religião, arte&#8230; Ele tinha a mão da mãe, agora, sem ela, não aguentaria a liberdade das suas, então precisava segurar com força o casaco. As cores, os produtos e as prateleiras, todos a se impor em vão, ele não mais os notava, não mais se distraía. Foi dando conta que a vida sem distração era insuportável. Os pensamentos da manhã vieram voltando, se misturando com os do presente e resultando em um grito uníssono: perda. Tudo aquilo foi lhe inundando o peito, subindo a superfície do rosto e transbordando pelos olhos sobre as bochechas e escorrendo pelo nariz sobre a boca, a qual emitiu um choro tímido soluçado. A cabeça cheia de nós misturados com sentimentos que ele mal descobria, mas já desatava.&nbsp;<br>&nbsp;Explicou à mãe que a morte é perder os outros e a vida é perder a si.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Nathaly Rocha</strong></strong></strong></strong></strong> é mineira de berço e guarulhense de coração. É artista desde sempre. Atualmente, cursa Artes Visuais na UNESP. Acompanhe o trabalho da artista pelo <a href="http://instagram.com/p_arte__">Instagram</a>.</p>
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		<title>UMA TEORIA SOBRE FOTOGRAFIAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 May 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 091]]></category>
		<category><![CDATA[Nathaly Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão poética]]></category>
		<category><![CDATA[Ressignificação de Momentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Nathaly Rocha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A verdade é que acreditar é mais uma vontade que uma racionalidade. Olhar para trás e ver convicções e imagens erguidas se desmancharem e momentos se remontarem&nbsp;é bem doloroso. Sinto que é como rasgar fotografias impressas no coração. E essas são infinitamente mais importantes que as materiais.</p>



<p>Primeiramente, porque as materiais têm cópias: uma revelada no papel, outra na memória, outra no coração. Quando se rasga a cópia do papel, não se perde a eternização do momento.</p>



<p>Todavia, quando se rasga a do coração, se parte todas as outras, não há mais cópias. As fotografias impressas no coração são únicas. Esse rasgo gera rupturas sentimentais e memoriais irreversíveis. Ainda que se tenha tal fotografia materializada, em mãos, ela se modifica; sofre ação da visão de dentro e assume cores distintas.</p>



<p>Ainda que se tenha a memória do momento fotografado, tal lembrança se transforma; se remonta com os novos pedaços do presente, com novas relações de parte de dor e afeto.</p>



<p>Rasgar fotografias impressas no coração é uma perda eterna e irreparável.</p>



<p>Me rasgaram.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Nathaly Rocha</strong></strong></strong></strong></strong> é mineira de berço e guarulhense de coração. É artista desde sempre. Atualmente, cursa Artes Visuais na UNESP. Acompanhe o trabalho da artista pelo <a href="http://instagram.com/p_arte__">Instagram</a>.</p>
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