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	<title>Arquivos relações de gênero - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>#ALÔFAMÍLIA &#8211; POLÍTICA</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabe a trilogia de “O poderoso chefão”, obra-prima de Francis Ford Coppola, estrelada por Marlon Brando e Al Pacino? Então: para falar um pouco sobre “política”, quero usar umas coisas que a gente aprende com aquela maravilha do cinema. E, pra ir direto ao centro da questão, vou expor de uma vez o que importa saber: <strong>política é poder</strong> sobre a vida e sobre a morte das pessoas; logo, fazer política é gerenciar esse poder que é, ao mesmo tempo, vital e mortal. Isso fica muito claro na trilogia de Coppola.</p>



<p>“O poderoso chefão” conta, em três filmes, a história da família Corleone (mafiosos de origem italiana, mas que viviam nos EUA) e de seus principais chefes (os “padrinhos”): o primeiro, Don Vito (interpretado por Marlon Brando), e o segundo, seu filho Michael (o protagonista da série, interpretado por Al Pacino). Os filmes mostram os caminhos que trouxeram o menino Vito da Sicília (na Itália) a Nova Iorque (nos EUA); fizeram com que ele se tornasse o primeiro “padrinho” da família Corleone; depois levaram Michael a assumir o lugar do pai e a estender mundialmente o poder da organização; até, enfim, o declínio de Michael e o fim de seu ciclo de influência mundo afora.</p>



<p>Quem presta atenção nos filmes percebe rápido uma coisa muito, muito importante pra entender o tipo de poder de que eles dispõem: mais do que dinheiro, a moeda de troca dos mafiosos são os favores. Don Vito entende isso ainda muito jovem, e cedo começa a resolver os “problemas” de seus amigos e vizinhos. Quem tem seus “problemas” resolvidos fica em dívida, e, quanto mais gente lhe deve gratidão, maior é a influência de Don Vito. Como todo mundo tem problemas e “de grão em grão a galinha enche o papo”, não demorou muito até que o primeiro Corleone tivesse em suas mãos uma quantidade enorme de gente de todo tipo: pequenos e grandes comerciantes, juízes, políticos, policiais&#8230; e muitos assassinos.</p>



<p>Michael, o segundo chefe da dinastia mafiosa, segue e aprimora a cartilha do pai: compra cassinos e senadores, manipula diretores de cinema e autoridades religiosas, extermina inimigos e dá presentes generosos para aqueles de quem quer se aproximar. Assim, ele consegue espalhar a influência dos Corleone primeiro por todo o território norteamericano, depois até à Europa. E é lá, na Europa, que finalmente o poder e a habilidade de Michael Corleone encontram um inimigo à altura.</p>



<p>Fiz esse pequeno resumo da trilogia de “O poderoso chefão” para mostrar (e deixar à vista de quem quiser olhar com calma e ver) o que é a política e como ela se faz. E é quase simples entender do que estamos falando aqui. Olha só:</p>



<ol type="1"><li>todo mundo tem alguma vontade não satisfeita, algum desejo não realizado, alguma necessidade pessoal que parece maior do que nossas próprias forças, e por isso vira um “problema”;</li><li>existem pessoas (e instituições) que prometem resolver nossos problemas, e às vezes cumprem de fato a promessa, outras vezes só nos dão a sensação de ter cumprido, o que&nbsp; quase sempre já nos alivia;</li><li>nossa tendência “natural” (ou, pelo menos, mais frequente) é ficarmos gratos a quem nos aliviou dos problemas, e, em nome dessa gratidão, damos apoio a essa pessoa (ou instituição) frente a seus próprios problemas;</li><li>quanto mais gente dá apoio a uma pessoa (ou instituição) mais poderosa essa pessoa (ou&nbsp; instituição) é, ou seja, maior sua capacidade de também atender aos interesses dos outros, e, portanto, maior sua influência entre outras pessoas (ou instituições);</li><li>muita influência é muito poder, e fazer política, a gente já viu, é gerenciar poder.</li></ol>



<p>Por isso, afirmo: política é poder. Ela vai muito além da dinâmica das eleições, da existência dos partidos políticos, da disputa entre eles por cargos nos vários governos. Política é muito mais que isso e está à nossa volta o tempo todo!</p>



<p>A relação doméstica entre pai e mãe frente aos filhos é uma relação política: o estabelecimento de quem manda mais, como manda, por que manda, define, de maneira geral, quem é mais bajulado, por quê, por quem, para quê e, principalmente, até quando – sim, porque todo poder um dia esbarra em outro maior. No trabalho é a mesma coisa, na igreja e no clube também: sempre existe um lugar de mando ocupado por alguém a ser seguido, agradado ou combatido; sempre há aliados e opositores, mesmo que nem sempre esses papéis sejam desempenhados de maneira explícita, de forma a todo mundo saber quem é quem, muito menos o que está em disputa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Isso acontece porque, no final das contas, onde houver pessoas, o que está em disputa é sempre a mesma coisa: o poder de definir os contornos da vida e da morte dessas pessoas. Quem merece viver bem, quem não merece? Quais vidas devem ser preservadas, quais podem ser sacrificadas? Quem pode ou tem que morrer? É esse, no fim de tudo, o grande poder político. Não querer saber dele é perigoso e absolutamente inútil.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13201 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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		<title>#ALÔFAMÍLIA &#8211; MASCULINIDADE TÓXICA</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[Alô Família]]></category>
		<category><![CDATA[como o machismo afeta os homens]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade tóxica]]></category>
		<category><![CDATA[relações de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>“Menino não chora.”; “Seja forte.”; “Você é um homem ou é um rato?”; “Isso é coisa de mulherzinha!”; “Prendam suas cabritas, porque meu bode está solto”.</em></p>



<p>É bem provável que todo brasileiro já tenha ouvido pelo menos uma ou duas dessas frases. Também é bastante provável que boa parte de nós, homens e mulheres, já tenha repetido alguma delas, achando que estava ajudando na educação de alguém ou, pior, que era apenas uma brincadeirinha inofensiva.</p>



<p>Infelizmente, não é bem assim. Para deixar isso claro logo de cara, vou usar um dado estatístico muito triste: no mundo todo, <a href="https://www.acessa.com/saude/arquivo/setembroamarelo/2020/09/02-relacao-entre-suicidio-genero/">o número de homens que tira a própria vida é, em média, três vezes maior do que o de mulheres</a>. Os dados são da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). </p>



<p>Pois é. Muitos de nós, homens cisgênero, fomos levados a acreditar que precisávamos necessariamente ser, o tempo todo, insensíveis, fortes, corajosos, viris; que era importante não deixar ninguém confundir nosso comportamento com o de uma “mulherzinha” (termo horroroso, diga-se de passagem). Muitos de nós acreditamos de verdade nisso tudo e, por acreditar nessas bobagens, ficamos envergonhados em diversas situações: quando uma tristeza bateu, ou uma força maior se impôs, ou o medo chegou, ou aquela brochada evidente e inesperada aconteceu. Ficamos envergonhados e, como “timidez é coisa de menininha, porque menino não se esconde”, escondemos também nossa vergonha, cumprindo o famoso “engole o choro”.</p>



<p>Acontece que, um dia, essa conta chega &#8211; e, com frequência, nos pega desprevenidos (ou, continuando com a lista de expressões populares sexistas, nos pega “com as calças na mão”). E estamos desprevenidos porque fomos enganados a vida inteira. <strong>Não nos ensinaram o óbvio incontestável: dor, fragilidade, medo e impotência fazem parte da natureza humana</strong>. Esses são atributos de todos os seres humanos, não só das mulheres. É tolice pensar nessas sensações e sentimentos como se estivessem diretamente ligados ao nosso sexo biológico. Homens que ainda não se deram conta disso acabam, muitas vezes, se tornando ainda mais vulneráveis ao adoecimento emocional que pode levar ao estresse, à ansiedade, à pressão alta, à depressão, ao AVC, ao infarto&#8230; à morte, enfim.</p>



<p>A crença equivocada em que existam “coisas de homem” e “coisas de mulher” é “tóxica”, ou seja, envenena, faz mal. Por isso chamamos de “masculinidade tóxica” esse conjunto de ideias tortas, a camisa de força que amarra tantos de nós – sobretudo os homens, claro, mas as mulheres também – numa lógica que, por ser maluca, acaba nos enlouquecendo e, muitas vezes, nos matando. Os números estão aí para provar isso.</p>



<p>Não falo só das estatísticas de suicídio entre homens, mas também das taxas de violência contra as mulheres, por exemplo. A masculinidade tóxica faz mal aos homens até na hora de fazer seguro de automóveis, que são mais caros para nós, porque, como somos “destemidos e arrojados”, nos envolvemos mais frequentemente em acidentes de trânsito. Em suma: masculinidade tóxica é, sob todos os aspectos, só prejuízo. </p>



<p class="has-text-align-center"><em>“E aí? Vai ficar aí parado? Homem que é homem corre atrás do prejuízo”.</em></p>



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<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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