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	<title>Arquivos resiliencia - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Crescer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Jun 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 166]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luana Katsumata </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em uma quinta-feira em São Paulo, ao som de buzinas, ônibus e notificações do trabalho, escrevo no pior dia da semana. No dia das aulas de química no colégio, dos piores treinos na academia e das notícias mais tristes, segundo minha própria opinião. Escrevo porque meus pensamentos e sentimentos não parecem ligar para o dia da semana, se bem que devo a eles um certo mérito, o turbilhão de pensamentos chegou a mim <em>ontem</em>, me alcançando em uma velocidade muito superior à do metrô em que estava. </p>



<p><em>O dia de ontem explicitou algo em mim, depois de dias procurando um norte para minha vida, uma direção do que seguir como próximos passos, o que correr atrás e como ocupar os próximos anos, lá, na linha lilás do metrô, entendi o porquê de todos os caminhos parecerem tão difíceis, tão cansativos como as baldeações de Pinheiros e da Consolação.&nbsp;</em></p>



<p><em>Percebi que sinto saudades constantes, todos os dias. De quem fui, de quem vi e do que senti. Saudades do que passou e do que está para passar. Talvez seja culpa da nostalgia impregnada na minha geração ou talvez a percepção dura e cruel que os meus 20 e poucos anos me trazem, de que tudo, absolutamente tudo, passa e escapa entre os meus dedos antes de sequer eu ter a chance de segurá-lo. Passa como se nunca tivesse sido meu e me deixa à deriva no mar de lembranças e saudades, desnorteada demais para de fato entender algo.</em></p>



<p><em>Então tenho saudades. Saudades da certeza de que era a personagem principal de qualquer coisa além da minha própria história, dos sonhos irreais e desejos insanos, da sensação de conforto e segurança daquele abraço, da coragem e convicção que poderia me guiar pelos caminhos mais tortuosos e escuros. Saudades de querer tão desesperadamente liberdade que poderia gritar para que me deixassem ir. Até que me deixaram ir, só não me avisaram que eu não voltaria, não como antes, que a casa teria um cheiro diferente, que o até então meu quarto pareceria menor, que os anos passariam e que as pessoas mudariam, envelheceriam, se tornariam mais frágeis do que pareciam ser, que a minha casa não teria mais o sentimento de casa e que eu não me encaixaria ali como uma vez fiz.</em></p>



<p><em>Eu não esperava perder tão intensamente o brilho ofuscante que tinha nos meus olhos, não esperava perceber a minha insignificância tão cedo, não esperava sofrer tanto por conquistar o que desejava. Não esperava estar onde estou.</em></p>



<p><em>E agora? E agora? E agora?</em></p>



<p><em>Não sei, não sei e não sei. Saber, também, é algo que tenho saudades.</em></p>



<p>Dessa forma cheguei em casa, mais esgotada pelos meus pensamentos, sentimentos e reflexões, do que pelo trabalho do dia. Querendo apenas desacelerar um pouco que seja, para buscar ar, paciência e refúgio em algum canto da minha mente que não estivesse tomada pelo vazio da saudade, para preencher o meu redor com distrações e não ter que lidar com tudo, para que a noite me acolhesse como uma amiga na terra dos sonhos e, me guiasse até a manhã seguinte.</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p> </p>



<p><strong>Luana Katsumata</strong> é uma jovem comunicadora formada em Relações Públicas, ex-atleta profissional de tênis de mesa e aspirante a escritora desde criança. Já integrou a primeira revista feminista e colaborativa de Bauru, no interior de São Paulo, a Revista Helenas, e, atualmente, trabalha com marketing digital.</p>
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		<title>Paulo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 May 2023 18:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 164]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[recomeçar]]></category>
		<category><![CDATA[resiliencia]]></category>
		<category><![CDATA[superação]]></category>
		<category><![CDATA[vida nova]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ana Claudia de Jesus Santos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era tudo mentira? Essa frase ecoava em minha mente naquele quarto frio e vazio, que um dia havia sido lugar de aconchego e calor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Essa história não é apenas mais um romance feliz, mas um capítulo enlouquecedor de uma história que precisa ser contada.&nbsp;</p>



<p>Estava quase acabando a faculdade quando o conheci. Era um dos novos professores daquele lugar. Era tão novo que mais parecia um aluno. Àquela época, pensei que teria uns 23 anos. Porém, depois olhando as redes sociais, descobri que tinha 30. Ele era perfeito! Alto, branco, de cabelos castanhos claros e o sorriso mais lindo do mundo.&nbsp; Aquelas aulas nunca mais seriam as mesmas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Embora fosse 6 anos mais velho, fui me aproximando, era inevitável me aproximar&#8230; ele era tão feliz e receptivo com aquele sorriso aconchegante. Eu tinha certeza de que aquilo nunca passaria de um amor platônico (jamais olharia para mim como eu o olhava), e fui me conformando em admirá-lo à distância.&nbsp;</p>



<p>Certa tarde, enquanto corria, o encontrei. Parecia meio perdido e triste tomando um café. Criei coragem e me aproximei.&nbsp;</p>



<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Professor! &#8211; Sorri meio sem graça e olhando para o chão.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Oi, Caroline! Não sabia que você era atleta! – cumprimentou sorrindo.&nbsp;</p>



<p>Eu ri e me despedi, mas, para minha surpresa, ele convidou-me para sentar. Eu não sabia se seria correto aceitar seu convite. Porém, se eu não me sentasse, talvez nunca mais teria outra oportunidade de saborear aquela companhia.&nbsp;</p>



<p>Foram 3 meses de pura amizade. Acho que ele temia ter algo mais por ser sua aluna. No entanto, quando não estávamos perto um do outro, parecia que havia algo faltando. E, para minha surpresa, em um dos nossos encontros, finalmente aconteceu, desde o primeiro beijo até a nossa primeira vez. Desse dia em diante, estávamos cada vez mais juntos e não pudemos esconder. Então decidimos assumir o romance e fomos morar juntos. Tudo parecia perfeito&#8230; tão perfeito que chegava a ser doloroso pensar que aquilo tudo um dia pudesse acabar.&nbsp;</p>



<p>Não esperava que naquele outono viessem cair tantas lágrimas quanto folhas, mas vê-lo daquela forma acabou comigo.&nbsp;</p>



<p>Em 20 de março de 2015, o sorriso de Paulo foi parcialmente apagado pela depressão. Quanto mais eu me aproximava, mais ele se afastava, e então o que eu mais temia me sobreveio como uma bomba em um país em guerra&#8230; uma tentativa de suicídio. Ele não morreu biologicamente, mas, infelizmente, não estava mais ali. E, em uma de nossas discussões, afirmou nunca ter me amado, talvez para afastar-me (como prefiro acreditar), mas até hoje não sei ao certo se era tudo mentira ou uma dura verdade. Provavelmente, nunca saberei, pois Paulo partiu desse mundo em uma manhã fria de inverno, jogando-se em um lago tão frio quanto a dor que o consumia.&nbsp;</p>



<p>Quanto a mim, acordo, ando, como, sorrio falsamente e choro todas as noites. Dizem que toda dor uma hora passa. Enquanto não passa, escrevo sobre ele, falo sobre ele, e o vivo dentro de mim.&nbsp;</p>



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<p><strong>Ana Claudia de Jesus Santos</strong>, 28 anos, poetisa Sergipana, acadêmica de Ciências Biológicas, autora de diversos livros ainda não publicados. Possui poemas publicados nos livros: Antologia poética sobre todas as coisas que não digo em voz alta e Miscelânea Mulher um verso de amor. Além de ser apaixonada pela fé, Ciência, astronomia e natureza. A riqueza de suas obras está em sua criticidade e racionalidade com fundo romântico. Acredita que escrever poesias é imprimir a alma em um papel. Escrever ficção é abrir portas para outros mundos.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/claudia.santos.jcs/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@claudia.santos.jcs&nbsp;</a></p>
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		<title>Brasil acolhe mais de 9,4 mil pessoas indígenas &#8211; refugiadas e migrantes</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/04/30/brasil-acolhe-mais-de-9-mil-pessoas-indigenas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Apr 2023 18:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 161]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[acolhimento]]></category>
		<category><![CDATA[ajudar]]></category>
		<category><![CDATA[alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
		<category><![CDATA[resiliencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Cinco etnias oriundas da Venezuela somam o contingente de pessoas indígenas refugiadas e migrantes no Brasil, cujos dados e informações de perfil podem ser conferidos no&nbsp;<a href="https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiMjlmNzdiODctYjMwZC00NjkzLWI0YzctY2VmZDdjYzJmMDQxIiwidCI6ImU1YzM3OTgxLTY2NjQtNDEzNC04YTBjLTY1NDNkMmFmODBiZSIsImMiOjh9">Painel de Perfil Populacional Indígena</a>.</strong></p>



<p><strong>Em termos numéricos, a etnia mais expressiva é a Warao (67%), seguida dos Pémon (28%), E’ñepá (2%), Kariña (2%) e Wayúu (1%), todas oriundas da Venezuela.</strong></p>



<p><strong>No Brasil, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atua na proteção da população indígena refugiada e migrante e tem oferecido uma resposta adaptada às particularidades étnicas e culturais desta população.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="635" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?resize=950%2C635&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-30045" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?resize=1024%2C684&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?resize=768%2C513&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?resize=1536%2C1026&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?resize=600%2C401&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/04/ACNUR_Klewerson_Lima.jpg?w=1650&amp;ssl=1 1650w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: Gardênia Warao em sua formatura do curso de Empreendedorismo Digital, direcionado a indígenas inseridos na cadeia produtiva do artesanato, em Belém do Pará.<br>Foto: © Klewerson Lima/ACNUR.</figcaption></figure>



<p>Dados coletados pelo ACNUR, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome indicam que a população indígena refugiada e migrante no Brasil é formada por 9.474 pessoas de 3.402 grupos familiares.</p>



<p>Gardênia é uma dessas pessoas. Da etnia Warao, ela teve que deixar o povoado em que vivia em 2019, deslocamento ocasionado pela invasão externa a seus territórios e outras dificuldades adicionais para o sustento de suas vidas. Desde então, passou com a família por Boa Vista (RR) e Manaus (AM), tendo se estabelecido na comunidade&nbsp;<em>Warao Janoko</em>, ou “Casa dos Warao” em português, localizada em Belém (PA).</p>



<p>Quando chegou ao Brasil, Gardênia não acreditava que poderia acessar direitos como saúde, educação, trabalho e moradia, por ter nascido em outro país. O pensamento mudou depois de capacitações oferecidas pelo ACNUR e parceiros em Belém.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Hoje, sinto-me uma mulher que pode requerer seus direitos, questionar e dar conselhos a outras pessoas.” &#8211; Gardênia Warao.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p>Gardênia integra o&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/2022/12/29/protecao-de-base-comunitaria-incentiva-autonomia-de-indigenas-warao-no-para/">Conselho Warao Ojiduna</a>, organização criada pelos indígenas refugiados e migrantes no Pará com o objetivo de uni-los e representá-los na busca por participação e direitos. Estima-se que 1.300 pessoas indígenas da etnia Warao, oriundos da Venezuela, vivam atualmente no Estado, majoritariamente nos municípios de Belém e Ananindeua.</p>



<p>O sonho de Gardênia é proporcionar espaços culturais, de saúde e educação para seus irmãos Warao no Brasil:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Admiro muito a luta dos indígenas brasileiros, e como liderança espero que muitas outras pessoas tenham essa mesma atitude e força para dialogar e levantar sua voz, falando pelos direitos de todos, crianças, adolescentes, idosos.”</p>
</blockquote>



<p><strong>Painel de Perfil Populacional</strong></p>



<p>De acordo com os dados do&nbsp;<a href="https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiMjlmNzdiODctYjMwZC00NjkzLWI0YzctY2VmZDdjYzJmMDQxIiwidCI6ImU1YzM3OTgxLTY2NjQtNDEzNC04YTBjLTY1NDNkMmFmODBiZSIsImMiOjh9">Painel de Perfil Populacional Indígena do ACNUR</a>, cerca de 37% (4.220) da população indígena refugiada e migrante no Brasil tem necessidades específicas de proteção, e 47% (4.465) são crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos. Da população total de indígenas venezuelanos, 3.814 estão incluídos no CadÚnico do governo federal, que permite identificar e dar visibilidade às famílias em situação de vulnerabilidade social. Há famílias em todas as regiões do país, sendo que a maioria reside no Norte e Nordeste.</p>



<p>No Brasil, o&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/acnur-no-brasil/">ACNUR</a>&nbsp;atua na proteção da população indígena refugiada e migrante e tem oferecido uma resposta adaptada às particularidades étnicas e culturais desta população.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“A partir da experiência das operações de campo, interlocução com a população indígena, universidades, gestores públicos e organizações parceiras, o ACNUR trabalha para garantir que essa população tenha acesso a seus direitos no Brasil, tendo em conta sua identidade, cultura e autodeterminação.&#8221; &#8211; Pablo Mattos, oficial associado de proteção do ACNUR.</p>
</blockquote>



<p>Entre os serviços ofertados pelo ACNUR à população indígena refugiada e migrante estão abrigos adaptados às necessidades culturais, como cozinhas comunitárias, espaços para promoção cultural, entrega de kits de higiene e de limpeza, mobilização com autoridades locais para capacitar equipes de atendimento, apoio no acesso à documentação, no desenvolvimento de artesanato a nível nacional, além de produção de materiais multilíngues com enfoque intercultural no atendimento das comunidades.</p>



<p>Nesta semana, o ACNUR apoia a participação de 10 indígenas refugiados e migrantes, das etnias Warao, Pémon-Taurepang e E’ñepá, no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, um dos eventos mais importantes do movimento indígena brasileiro.</p>



<p>As diferentes etnias indígenas refugiadas no Brasil estão descritas em uma&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/etnias-indigenas/">página especial</a>&nbsp;do ACNUR Brasil. Complementarmente, uma série de&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLj7uhvBH1_qvXg6SiLPsToe6oP9vep9q0">cinco episódios apresenta a cultura imaterial Warao,</a>&nbsp;reforçando os diferentes saberes e conhecimentos que as populações indígenas agregam para diversificar ainda mais a sociedade brasileira.</p>



<p>A atenção do ACNUR aos povos indígenas refugiados e migrantes dialoga com os&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/sdgs">Objetivos de Desenvolvimento Sustentável</a>&nbsp;das Nações Unidas, em especial sob os recortes da erradicação da pobreza em todas as formas e em todos os lugares (ODS 1); da garantia de acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas as pessoas (ODS 4); e da redução das desigualdades (ODS 10).</p>



<p><em>Artigo Publicado Originalmente  na página da <a href="https://brasil.un.org/pt-br/229292-brasil-acolhe-mais-de-94-mil-pessoas-ind%C3%ADgenas-refugiadas-e-migrantes" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ONU Brasil </a>no dia 27/04/2023</em></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/7EC7yPVRK5Zra9LrSTb1wL?si=qoJJIBynQ_2pOfYDqgBZrQ"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-29026" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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		<title>VIOLÊNCIAS EM VIOL(AÇÕES): VIDAS NEGRAS SUPORTAM?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/06/12/violencias-em-violacoes-vidas-negras-suportam/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 18:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 124]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[resiliencia]]></category>
		<category><![CDATA[resistencia]]></category>
		<category><![CDATA[vidas negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Henry</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/06/12/violencias-em-violacoes-vidas-negras-suportam/">VIOLÊNCIAS EM VIOL(AÇÕES): VIDAS NEGRAS SUPORTAM?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h3 class="wp-block-heading"><strong>VIDA NEGRA: A ESCOLHIDA</strong></h3>



<p>“A Escolhida” (2020), filme de Gerard Bush e Christopher Renz, é um longa-metragem que retrata a experiência de uma escritora famosa que dialoga com duas linhas temporais distintas, uma na época da escravização e outra na contemporaneidade.</p>



<p>Assim, no primeiro bloco, o da Escravização, o espectador observa diretamente a vinculação do sofrimento das populações negras diante de uma fazenda escravista, onde qualquer ação pode levar a castigos físicos ou à morte. Tudo, nesse cenário, é o retrato de um verdadeiro horror coletivo e subjetivo. Há, juntamente com o desespero intrínseco e explícito, o constante contato com a necessidade e elaboração de um projeto de fuga.</p>



<p>Já no segundo bloco, o filme muda completamente de perspectiva e passa a desenvolver a mesma personagem que viveu o bloco anterior, só que diante da contemporaneidade. Assim, a protagonista se apresenta como uma inflluencer global, que se depara com uma centena de relações inter-raciais e, consequentemente, situações de racismo transparente e velado.</p>



<p>É nesse ponto que os dois blocos se unem, quando um grande teatro alimentado pela raiva e pelo medo, faz com que uma mulher e seu grupo de colaboradores sequestrem a protagonista e a levem até à fazenda que aparece no bloco inicial do filme. Ou seja, o tempo todo os dois cenários do filme estavam interligados!</p>



<p>Portanto, o que ocorre é que a protagonista passa a ser submetida a uma situação forjada semelhante à da escravização, como uma centena de outras pessoas negras. Ao fim da trama, ela e os outros conseguem empreender uma fuga.</p>



<p>Nesse sentido, a finíssima crítica de “A Escolhida” se alimenta de uma perspectiva a- histórica que denuncia, sem remediação, uma espécie de passado que nunca passa: são os</p>



<p>mesmos corpos negros, antes escravizados e punidos, que seguem sendo alvos de perseguição, trabalhos forçados, ódios, violências sistemáticas e subjetivas de todos os tipos, sustentando os pilares de uma sociedade contemporaneamente escravista.</p>



<p>Para Beatriz Nascimento (2021), a relação com as populações negras, no Brasil, se dá no sentido da tolerância. A vida negra, para ela, tem um espaço e uma dimensão simbólica muito particular que é aceita apenas em determinada medida nos ciclos sociais da branquitude, arquitetando os jugos do preconceito racial. Assim, as manifestações do racismo na consciência nacional continua permeando toda uma cultura da excludência que esses sujeitos, negros, continuam sendo tratados como se ainda vivessem sob os paradigmas do escravismo.</p>



<p>Há, aliado a isso, para a autora, uma mistificação em torno da cultura negra que a subordina e relega o lugar do folclórico, do imagético. Nesse sentido, tudo que permeia o sentido da razão, da intelectualidade, do concreto, passa a ser designado única e exclusivamente à cultura europeia.</p>



<p>É nesse sentido que se pode perceber um paralelismo entre a abordagem de Nascimento (2021) e a obra de Bush e Renz (2020), em ambas as cenas, no real e no fictício, a vida negra é aquela escolhida para ser subalternizada, para sofrer o processo cruel de diáspora que arrancara das populações negras sua humanidade e relegará a elas o determinismo social da animosidade. Nesse sentido, na perspectiva europeia, o que não é humanizado pode ser escravizado.</p>



<p>Portanto, o racismo se apresenta enquanto uma estrutura transhistórica, que sustenta as bases das sociedades mundiais, do passado à contemporaneidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O COLONIZADOR E O ESCRAVIZADO: DOIS ESTRANHOS</h3>



<p>O curta-metragem “Dois Estranhos” (2020), dirigido por Travon Free e Martin Desmond, se baseia em um estilo de filme vai-e-volta, em que a personagem principal revive seu dia várias e várias vezes. Contudo, o trabalho desses diretores ultrapassa os clichês desses filmes, uma vez que eles utilizam de uma realidade crua e de recorrência cotidiana para retratar apenas o real: ainda que a personagem principal seja a mesma, revivendo um mesmo dia diversas vezes; na nossa sociedade, o sujeito que a representa, o negro-único, reflete essas dores dia após dia, como se fosse a primeira (ou última) vez.</p>



<p>No filme, que remete ao assassinato de George Floyd, o personagem principal é um homem negro que é submetido a uma serie de violências policiais gratuitas, descabidas, desproporcionais e absurdas. Essas situações, comuns nos EUA e no Brasil, são dirigidas para as comunidades negras que vivem um processo notório de segregação racial.</p>



<p>Além disso, o filme também toca na questão da romantização das atitudes de pessoas brancas, quando faz com que o policial branco compreenda a situação do protagonista negro, lhe dê uma carona para casa (desde que no banco de trás da viatura, atrás das grades), mas quando eles saem do carro, o policial branco explica que precisa atirar nele. E assim o faz.</p>



<p>O filme se encerra de maneira espetacular, a última morte do protagonista carrega consigo o peso de mais de quatro séculos de diáspora: o sangue que é derramado, seu sangue de revolta, tem o formato de África.</p>



<p>É um filme que dura cerca de 30 minutos; são trinta minutos de um homem negro sendo morto por um policial branco. Se fosse feito no Brasil, duraria 23 minutos. Se fosse mesmo só um retrato da realidade, ainda não teria fim.</p>



<p>Para Santos (2020), todas as relações raciais que se forjam nas sociedades contemporâneas são herança do colonialismo-escravocrata. Assim, a violência aparece como o alicerce dessa tradição colonial.</p>



<p>Ser negro é ser violentado de forma constante, contínua e cruel, sem pausa ou repouso, por uma dupla injunção: a de encarnar o corpo e os ideais de eu do sujeito branco e a de recusar, negar e anular a presença do corpo negro. (SANTOS, 2020, p.11 apud SOUZA, 1983, p.2)</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>POLÍTICA DE BRANQUEAMENTO: CORRA!</strong></h3>



<p>O longa-metragem produzido por Jordan Peele, em 2017, “Corra!”, retrata uma sucessão de fatos na vida de um fotógrafo bem sucedido, que viaja com sua namorada para a fazenda da família dela a fim de conhecer seus pais.</p>



<p>Contudo, o enredo que parece simples, se apresenta perante uma complexidade socio- racial lançada logo de início: o rapaz é negro e sua namorada e família, branca. Assim, o filme escancara situações de racismo velado das quais as populações negras são vítimas e os sujeitos brancos praticantes e/ou telespectadores mudos.</p>



<p>Logo no início da obra, o protagonista alerta que não se sentiria confortável de aparecer na casa da família da namorada sem que eles tivessem conhecimento da cor de sua pele. Ela, contudo, tenta convencê-lo de que não há nenhum problema nisso, argumentando que o pai dela votaria no primeiro presidente negro do país, Obama, pela terceira vez, se fosse preciso.</p>



<p>Logo nessa cena é possível perceber uma situação de racismo velado através da explicação de que a ausência do preconceito racial se justifica uma vez que o sujeito que a defende já manteve, mantém ou manteria relações com aquela raça. Assim, o que se coloca é</p>



<p>que não há, de antemão, uma relação de humanidade horizontalizada na perspectiva do indivíduo branco, mas o sujeito negro é visto como aquilo que não é humano, mas que poderia, eventualmente, ser aceito nos ciclos sociais de uma comunidade pura e civilizada.</p>



<p>Os pais da namorada do rapaz se referem ao relacionamento deles como “coisa” e os interpelam questionando há quanto tempo a sustentavam, mais uma vez explorando a visão de anormalidade perante relações afetivas, não meramente sexuais, estabelecidas com pessoas negras.</p>



<p>O ponto chave da trama reside no fato de que as personagens negras são mantidas em situação semelhante à da escravização naquela família, que mantém essa tradição de hegemonia branca secular após um processo de hipnose que converte os sujeitos negros em subservientes irreverentes. Aliado a isso, a configuração arquitetônica da fazenda dessa família remete a uma estrutura escravista americana, fazendo mais uma vez alusão ao processo de diáspora, escravização e extermínio dos povos negros.</p>



<p>Logo é possível perceber que aquela residência é um local conhecido pelo sumiço de pessoas negras, casos que nunca foram solucionados pela polícia, nitidamente por falta de interesse da mesma. Mais uma vez, é possível perceber a crítica social voltada às ações da vida civil, onde a cor da pele determina a importância de uma vida.</p>



<p>Assim, o protagonista descobre que também foi propositalmente levado, por sua namorada, à fazenda dos pais para ser submetido à uma espécie de leilão do seu corpo – mais uma vez, remetendo à Escravização &#8211; que o engabelaria na realização do procedimento de hipnose. Durante todo o procedimento, há a transmissão das sensações de angústia, terror e desespero por parte da personagem.</p>



<p>Contudo, o fotógrafo consegue empreender uma fuga daquela situação de horror, acreditando que enfim encontrará a liberdade. No ápice da fuga, o que se vê é a aproximação de um carro da polícia local, o que causa ainda mais medo no rapaz, pois este poderia ser facilmente retirado arbitrariamente de seu local de vítima por quem saísse da viatura.</p>



<p>Veja, nesse instante, Jordan Peele viveu o que acredito ter sido um dos maiores dilemas da sua carreira: o final surpreendente de “Corra!” seria um soco no estômago ou um suspiro de alívio? Poderia sair da viatura de polícia, como ocorre em nossa sociedade, um policial qualquer que veria um homem negro, símbolo da marginalidade, diante de uma situação de latrocínio e o apreenderia &#8211; na melhor das hipóteses!? Ou de lá sairia, por sorte de um destino nunca justo, um rosto amigo que poderia lhe salvar de tudo aquilo?!</p>



<p>Peele optou pelo segundo final. Mas, e a nossa sociedade, também optaria!?</p>



<p>Conceição (2020), em sua obra “Branquitude: Dilema Racial Brasileiro”, descreve o processo de dominação racial no pensamento social brasileiro e revela que a branquitude é uma espécie de ideologia que pretende transformar o branco em tipo-ideal, mesmo diante de uma nação formada majoritariamente por negros. É nesse processo que emerge a política do branqueamento.</p>



<p>Assim, a política do branqueamento se ergue em meio à exclusão, a humilhação e a morte. Conceição (2020) evidencia também de que modo as relações de gênero e classe estão relacionadas com a questão da raça. Para o autor, a branquitude é uma ferida narcísica que ergue as hierarquias sociais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">SOLIPISMO BRANCO: O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA</h3>



<p>O enredo fílmico de “O ódio que você semeia” (2018) é inspirado no livro escrito por Angie Thomas e baseado na história real de Oscar Grant, um homem negro de 22 anos, morto em 2009 em uma (viol)ação policial. O filme se propõe a abordar o preconceito racial e demonstrar de que maneira o racismo estrutural faz parte das sociedades contemporâneas.</p>



<p>Durante a história, a protagonista, uma adolescente negra, presencia a morte de seu melhor amigo, também negro, durante uma violenta abordagem policial, após sair de uma festa. Ela foi a única pessoa que observou o ocorrido e, por isso, passou a testemunhar em diversos espaços, disciplinares e midiáticos, exigindo justiça pelo assassinato do amigo.</p>



<p>A jovem vivia em um bairro perigoso, nos EUA, mas as condições econômicas de seus pais a possibilitavam estudar em um colégio local de classe média-alta. Dessa forma, motivada por pressões externas, a menina se sentia compelida a se comportar do jeito mais parecido possível com seus colegas (brancos), para não correr o risco de ser discriminada.</p>



<p>Desse modo, o que é possível observar na obra é que esta demonstra, além de seu caráter profundamente atualizado, diversas problemáticas que envolvem as experiências práticas e subjetivas cotidianas das populações negras, profundamente atravessadas por violências e violações racistas, que impactam negativamente toda a estrutura das suas vidas comuns.</p>



<p>Além disso, o filme apresenta também um viés denunciatório ao postular que muitas vezes tais violências acabam não ganhando ou perdendo a visibilidade de que precisam para serem combatidas. Por fim, mas não menos importante, a película instiga o leitor a refletir sobre quais são suas atitudes individuais que podem estar servindo para endossar o racismo estrutural e aponta para a urgência das denúncias, por parte de todos e todas, diante de qualquer situação discriminatória.</p>



<p>Para Fanon (2008), o processo de colonização determinou que o indivíduo negro possui duas características comportamentais distintas: o trato com o homem negro e o trato com o homem branco. Com o segundo, o tratamento é pautado em uma linguagem de autodiminuição, assumindo uma posição de inferiorização que advém do processo do escravismo.</p>



<p>Fanon (2008) irá defender que esse processo de inferiorização irá ocorrer por parte dos brancos e ser interiorizado por parte dos negros independentemente da quantidade de sujeitos negros que ocupem o espaço, posto que o branco questiona a humanidade do outro apenas porque ele existe. Assim, tendo sua humanidade furtada, o negro tenta se igualar ao branco para ter sua humanidade reconhecida. É daí que advém o solipismo branco: as populações brancas só veem humanidade entre os seus iguais.</p>



<p>Além disso, nessa sociedade profundamente racializada, para o negro não há espaço para a mediocridade. Assim, é possível perceber que no âmbito da construção de uma subjetividade profundamente marcada pelos signos do racismo, nascem atravessamentos que configuram um sujeito que não reconhece a si mesmo como parte de um todo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>ÚLTIMAS PALAVRAS (OU UMA EPÍGRAFE)</strong></h3>



<p>[&#8230;]</p>



<p>Existe um corpo que é imã de bala Ou é só o ódio que quer lhes matar?</p>



<p>Submetem essas carnes como produtos Motivados pelo denuncismo</p>



<p>Nos deram 23 minutos</p>



<p>Para enfrentar a estrutura do racismo 12 mortos no Cabula,</p>



<p>80 tiros deflagrados, Sua última piada chula</p>



<p>Faz de você um dos culpados.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h3>



<p>A ESCOLHIDA. Gerard Bush; Christopher Renz. EUA: Paris Filmes, 2020.</p>



<p>CONCEIÇÃO, William Luís da Silva. Branquitude: Dilema Racial Brasileiro. Rio de Janeiro: Papéis Selvagens, 2020.</p>



<p>CORRA!. Jordan Peele. EUA: Universal Pictures, 2017.</p>



<p>DOIS Estranhos. Travon Free; Martin Desmond. EUA: Netflix, 2020.</p>



<p>FANON, Frantz. Pele Negra, Máscaras Brancas. 1ª edição. Brasil: Ubu Editora, 2008.</p>



<p>NASCIMENTO, Maria Beatriz. Uma História Feita Por Mãos Negras. 1ª edição. Brasil: Companhia das Letras, 2021.</p>



<p>O ÓDIO Que Você Semeia. George Tillman. EUA: 20th Century Studios, 2018.</p>



<p>SANTOS, Kwame Yonatan Poli dos. Relações raciais: uma questão para</p>



<p>psicanálise?. PORTO ARTE: Revista de Artes Visuais, Porto Alegre, RS, v. 25, n. 44, dez. 2020. ISSN 2179-8001. Disponível em: &lt;https://seer.ufrgs.br/PortoArte/article/view/109897/59824&gt;. Acesso em: 02 dez. 2021.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Victória Henry</strong></strong></strong></strong></strong> é graduanda no Interdisciplinar em Humanidades pela UFBA, digital marketer, bolsista UFBA no projeto &#8220;Da Monocultura à Pluricultura do Conhecimento: Ciência e Saberes Tradicionais de Cura e Cuidado na Formação em Sáude&#8221;, pesquisadora em Ciências Sociais e poetisa.&nbsp;</p>
</div></div>



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									VIOLÊNCIAS EM VIOL(AÇÕES): VIDAS NEGRAS SUPORTAM?
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