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	<title>Arquivos Resistência Feminina - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>[CAÇADORA DE HISTÓRIAS] ELZA SOARES: RENASCER PARA VIVER</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Elza Soares]]></category>
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		<category><![CDATA[Resistência Feminina]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A gente caminha, um passo após o outro, sem saber bem ao certo onde vai chegar.</p>



<p>Quando olhamos para trás, percebemos que essas pegadas marcadas na terra são escolhas e renúncias que, juntas, formam a vida. Há pegadas do pé nu, sentindo o frescor daquele terreno irrigado pela mata silvestre; há pegadas que pouco aparecem, tamanha a velocidade em que passamos, correndo. Mas sempre haverá marcas. Feridas cicatrizadas. Feridas que ainda sangram.</p>



<p>Tudo isso nos forma enquanto seres humanos. E, na história de hoje, mais precisamente, enquanto mulher, pobre, preta e sonhadora.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-medium"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/10d1d-cacadora1-edited.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14533" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Arquivo Nacional</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Elza Gomes da Conceição, por mim e por ti mais conhecida como Elza Soares: uma mulher de pegadas fortes. Uma mulher-fênix. Cantora, compositora, voz de muitas mulheres invisibilizadas pela cortina de desigualdade da sociedade brasileira.</p>



<p>Em 1999, Elza foi eleita a Cantora Brasileira do Milênio pela Rádio BBC de Londres; mas sua vida nem sempre foi repleta de reconhecimento e prestígio.</p>



<p>Nasceu no Rio de Janeiro, em 1930, a uma família muito humilde, de dez irmãos na favela da Moça Bonita (Vila Vintém), no&nbsp;bairro&nbsp;de&nbsp;Padre Miguel. Ainda pequena, se mudou para um&nbsp;cortiço&nbsp;no bairro da&nbsp;Água Santa, onde foi criada. Na infância, brincava na rua, soltava pipa, piões de madeira, e brigava muito com os meninos. Era uma vida&nbsp;pobre, mas feliz para uma criança, apesar de ter que ajudar a mãe nos serviços domésticos, levando latas d&#8217;água na cabeça.</p>



<p>Mais tarde, por volta de seus 13 anos de idade, foi obrigada a se casar com Lourdes Antônio Soares, um amigo do seu pai conhecido como Alaordes, que havia tentado abusar de Elza. (O pai acreditava que &#8220;a honra da filha só estaria restaurada com o casamento&#8221;). Elza sofreu muito neste matrimônio forçado por conta da&nbsp;violência doméstica&nbsp;e&nbsp;sexual que constantemente sofria. Um ano mais tarde, deu à luz seu primeiro filho.</p>



<p>Quando completou quinze anos, Elza passou por outro grande trauma: seu segundo filho morreu de&nbsp;fome. Com o marido&nbsp;tuberculoso, passou a trabalhar como encaixotadora e conferente na&nbsp;fábrica&nbsp;de&nbsp;sabão&nbsp;Véritas, no&nbsp;Engenho de Dentro. Também trabalhou em um manicômio, o Instituto Municipal Nise da Silveira (atual&nbsp;Museu de Imagens do Inconsciente), onde conseguia um salário e um bocado de comida que furtava pouco antes do local ser fechado e os funcionários voltarem para casa.<br>Com a recuperação do marido, um ano depois, Elza foi proibida de trabalhar fora e voltou a servir ao lar.<br>Aos dezoito anos, oficializou seu casamento, passando a assinar Elza da Conceição Soares &#8211; que viria a ser seu sobrenome artístico &#8211; e aos vinte e um, ficou&nbsp;viúva, pois o marido teve uma nova tuberculose e não resistiu.</p>



<p>No ano de 1950, sua filha recém nascida, Dilma, foi&nbsp;sequestrada pelo casal que tomava conta da menina enquanto Elza trabalhava. Durante 30 anos, Elza sofreu a ausência de informações sobre o paradeiro da filha. Sempre angustiada e triste, somente reencontrou a filha já adulta, que não sabia de nada. Com o tempo, se aceitaram como mãe e filha. Como o crime prescreveu, o casal não foi preso e, mesmo sentindo tanta revolta e dor, Elza perdoou os sequestradores de sua filha, já que a criaram da melhor forma possível.</p>



<p>Mais tarde, em 1962, conheceu Garrincha e iniciaram um romance enquanto ele era casado. Passado um ano, ela pediu que ele tomasse uma decisão: Ou a assumiria, ou tudo estaria terminado. Garrincha escolheu Elza.</p>



<p>Iniciaram sua vida juntos, e, quando a esposa anterior de Garrincha faleceu, Elza decidiu adotar as seis filhas do jogador &#8211;  que passaram a morar com ela, Garrincha e seus filhos. Elza engravida e, em&nbsp;9 de julho&nbsp;de&nbsp;1976, nasce Manoel Francisco dos Santos Júnior, apelidado de Garrinchinha &#8211; que, nove anos depois, faleceu fatalmente em um acidente de carro.</p>



<p>Ao todo, seu corpo gerou oito filhos, todos nascidos de&nbsp;parto normal, no Rio de Janeiro. Seus dois primeiros filhos, meninos, que não tinham nome pois não foram registrados, morreram recém-nascidos com poucas semanas de vida, devido à desnutrição. E então, João Carlos, Gerson (que precisou entregar para adoção por falta de condições para criá-lo), Gilson (morto em 2015, aos 59 anos), Dilma (sequestrada em 1950, e reencontrada somente em 1980), Sara e &#8220;Garrinchinha&#8221;.</p>



<p>Depois de tantas doenças, dores e perdas, Elza Soares deu a seguinte declaração:</p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;A única coisa do passado que ainda me machuca é a perda dos meus quatro filhos. O resto, tiro de letra. Mas filho é uma ferida aberta que não cicatriza. Estará sempre presente.&#8221;</em></p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3797e-cacadora2-1.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14538" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Arquivo Nacional</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Elza buscou conforto no ilusório submundo dos remédios controlados e drogas, enfrentou problemas graves de saúde e se recuperou de todas essas enfermidades.</p>



<p>Começou cantando na rádio e sua voz carregada de autenticidade e de uma dor que inspirava vontade de viver, desabrochou pela América Latina e mundo afora. Elza gravou mais de 30 discos e levou para casa dezenas de prêmios nacionais e internacionais.</p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d0a9e-cacadora3.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14540" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Twitter</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A gente não pode romantizar a história e jornada de Elza. </p>



<p>Foi difícil. Foi duro. Foi, muitas vezes, desumano. Mas Elza é a prova viva, florescida e cantante de que as adversidades vêm e a gente consegue superar.</p>



<p>Elza. Frida.</p>



<p>Maria. Francisca. Ordália. Regina.</p>



<p>Eu, tu.</p>



<p>Nossas histórias se costuram e se encontram, sempre, em algum ponto.</p>



<p>Falar de mulheres e suas potencialidades, falar de mulheres pretas e sua luta, falar de empatia é uma prática diária da minha vida, da Trama e desejo que da tua também. Mas trago Elza, nessa terça-feira pós &#8220;Dia Internacional da Mulher&#8221; pra te lembrar do que nunca pode ser esquecido.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>Queridas e queridos leitores!</p>



<p>Aqui, quem te escreve é Victória: Escritora, idealizadora do projeto Caçadora de Histórias e colunista da Revista TRAMA.</p>



<p>Começamos esse ano cheio de páginas em branco escrevendo a nossa e trazendo a coluna de maneira ainda especial, porém renovada. Aqui conecto minhas palavras com a arte que a revista respira e traremos, quinzenalmente, histórias de artistas de todos os vieses como literatura, música, cinema,<br>dança e muitos outros, ajudando a reforçar e relembrar o quanto somos bordados e perfumados por toda essa pluralidade.<br><br>Com carinho, esperança e muita fé,<br>Victória Vieira</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/53a4f-victoria-vieira.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15537 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Victória Vieira</strong> </strong></strong></strong></strong>é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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