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	<title>Arquivos retrato - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Natureza Humana &#8211; Exposição Virtual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>
		<category><![CDATA[Rosemberg Prado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  R. Prado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A natureza nos ensina, a cada dia, como devemos ser em nosso estado natural: belo, delicado, generoso, abundante, agradável, carinhoso, acolhedor, puro. Porém, ela funciona também como um espelho, refletindo em si o que somos, e não o que ela é em sua forma pura; assim, por muitas vezes, a natureza não é tão bela, e o reflexo nem sempre é agradável. Em qualquer de suas expressões, contudo,&nbsp;ela nos ensina sobre&nbsp;o que somos e sobre no quê nos transformamos.</p>



<p>Através dessa leitura e de referências do impressionismo e do realismo, busco, em meus trabalhos, retratar não apenas a natureza bela, mas também o reflexo da humanidade através dela. Retratar paisagens e figuras humanas &#8211; tanto nas telas que apresento aqui, quanto nos desenhos e nos murais &#8211; é a forma que penso ser a melhor para apresentar o amor incondicional que a natureza nos oferece, como uma mãe.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3c6bc-rosemberg1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14411" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>&#8216;Reflexo&#8217;<br>Tinta Acrílica sobre Lonita<br>100&#215;80<br>2021</p>



<p>Ao refletir o que nós, enquanto humanidade, nos tornamos, a natureza mostra facetas menos belas de sua realidade. Cabe a cada um de nós entender esse reflexo e modificar o que somos.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/83154-rosemberg2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14413" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>&#8216;Vítimas&#8217;<br>Acrílica sobre tela / espátulas e pincéis<br>80&#215;100 cm<br>2021</p>



<p>Esta obra é uma homenagem a todas as vítimas da COVID-19. Às pessoas que morreram&nbsp;lutando, asfixiados, agonizando por falta de oxigênio; e às crianças e aos adultos que ficaram órfãos de pai, mãe, entes queridos, amigos, além de ficarem reféns de governos corruptos e da ganância, que isenta de culpa aqueles que investem em ganhar dinheiro com a morte de seres humanos, de uma forma tão cruel e desprezível.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/06a4f-rosemberg3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14415" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&#8216;Sonho&#8217;<br>Acrílica sobre tela<br>80&#215;100 cm<br>2021</p>



<p>Esta obra se originou de um sonho que minha esposa teve: uma Índia mergulhada até o pescoço, em meio a vitórias régias, de costas para a mata em chamas, olhando de forma enigmática e fixamente para frente; talvez, em busca de um sonho de uma terra melhor e mais humana.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/498f5-rosemberg4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14418" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&#8216;Perseverança&#8217;<br>Tinta Acrílica sobre Lonita<br>100&#215;100<br>2018<br>Manaus &#8211; AM&nbsp;</p>



<p>Desde jovem, minha avó teve uma vida sofrida. Vinda de família pobre do interior do Maranhão, ela sempre lutou para ganhar a vida honestamente. Aos 35 anos de idade, ela sofreu um acidente de carro; teve um braço e uma perna amputados, e várias outras sequelas. Porém, ela nunca desistiu da vida, e hoje, aos 77 anos, permanece junto a nós. <br><br>Na tela, ela protagoniza uma cena que vi quando eu tinha 17 anos: numa manhã, acordei e me deparei com minha avó sentada, descascando uma laranja. No ato, fiz o esboço gestual da cena, que tenho a honra de eternizar em tela.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/99d64-rosemberg5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14422" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&#8216;Guerreiro&#8217;<br>Acrílica sobre tela<br>100&#215;100 cm<br>2018<br><br>Esta tela foi pintada em homenagem ao meu sogro, Raimundo Salustiano da Silva, retratado saindo da mata com um cacho de açaí no ombro esquerdo e um facão na mão direita. Ele é um homem simples, do Interior do Amazonas, que criou 10 filhos com muita honra, trabalho pesado e suor, junto de sua esposa, Maria Martins da Silva. Hoje, em 2021, estão em ambos plena ativa ambos, aos 75 anos de idade.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4ea6d-rosemberg-prado.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14409 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Prado</strong> é paraense vivendo em Manaus. Atua como cabo da Polícia Militar do Amazonas, mas é artista plástico por vocação, já tendo participado de diversos salões de artes plásticas em Manaus, bem como da exposição internacional Dias de Reclusão.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>Retrato de uma senhora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[anciã negra]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Cerqueira]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carolina Cerqueira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Benedito José Tobias, nascido em 1894, se dedicou ao exercício de retratar. Rejeitando exclusão, a mulher negra e idosa é sujeito de sua obra pictórica.</p>



<p>O Brasil, marcado por desigualdades, desenha, em um caminho biológico natural, velhices distintas. Envelhecer pode significar, mais uma vez, frente a depreciação social, se tornar, cada vez mais, invisível.</p>



<p>No retrato de título desconhecido de 1962, óleo sobre madeira aglomerada, temos no primeiro plano a figura de uma mulher de idade e, variando do recorrente fundo monocromático das pinturas de Tobias, no segundo plano observamos o que parecem ser folhas de bananeiras. A mulher retratada está inteiramente vestida de branco, – seria uma sexta-feira? – brincos perolados nas orelhas, um olhar cansado, talvez pelo exercício característico do trabalho doméstico ou do cuidado com as crianças.</p>



<p>A leitura que faço é a de que essa senhora representa conhecimento, carregado por anos, e ela também representa a potência de os transmitir para as próximas gerações, sem deixar, não só nossas histórias, mas nossas crenças, entendimento de mundo, morrerem. Para além de “mãe preta”[1] ou de “tia Nastácia”[2], podemos interpretar a pintura como uma concepção do saber empírico, fruto do conhecimento da vida, pelo seu exercício real.</p>



<p>Antítese da branquitude e da masculinidade, essa anciã é a excelência da beleza das formas e dos traços do tempo, por fora e por dentro.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e8978-titulo-desconhecido-1962.jpg?resize=568%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13626" width="568" height="760" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Benedito José Tobias, título desconhecido, 1962.<br>Óleo sobre madeira aglomerada, 41 x 32 x 3,3&nbsp;cm. <br>Fonte: <a href="http://www.museuafrobrasil.org.br/acervo-digital/acervo">Acervo digital Museu Afro Brasil</a><br>Acesso: 17 de maio de 2020.</figcaption></figure></div>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p>[1] Um dos estereótipos dos escravizados, a “mãe preta” era imaginada como uma negra dócil, “domesticada”, corpulenta, supersticiosa, a ama-de-leite de índole fiel.</p>



<p>[2] Personagem da série de livros infantis de Monteiro Lobato, <em>Sítio do Pica-Pau Amarelo</em>, publicados entre 1920-1947. Nas próprias palavras do escritor, a Tia Nastácia era “a negra de estimação” da família que morava no Sítio. (LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Círculo do livro, 1986.)</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="555" height="555" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?resize=555%2C555&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13629 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?w=555&amp;ssl=1 555w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 555px) 100vw, 555px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Carolina Cerqueira </strong></strong></strong></strong></strong>é artista visual e pesquisadora. Doutoranda em Artes, Cultura e Linguagens pela UFJF.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>A PINTURA, O ARTISTA E O RETRATO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/07/08/a-pintura-o-artista-e-o-retrato/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2019 17:09:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 004]]></category>
		<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Melich]]></category>
		<category><![CDATA[história da arte]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/07/08/a-pintura-o-artista-e-o-retrato/">A PINTURA, O ARTISTA E O RETRATO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Muito se fala academicamente nos desdobramentos da pesquisa no campo das artes visuais enquanto campo do conhecimento. Indagações como de que maneira a proliferação de metodologias de pesquisa podem ampliar &#8211; em termos de produção e teorização artística &#8211; a investigação das diferentes manifestações e movimentos nas Artes. Neste texto, pretendo abordar rapidamente o caso do retorno à pintura (especialmente do retrato) na pintura contemporânea a partir do estudo de obras da coleção do Museu de Arte Murilo Mendes (UFJF) (cujo acervo data, predominantemente, do período modernista) pelo artista Guilherme Melich.</p>



<p>Dentre as obras que compõem o acervo de artes visuais que pertenceu ao poeta, destacam-se retratos elaborados por diversos artistas, brasileiros e europeus, tais como Arpad Szenes, Maria Helena Vieira da Silva, Guignard, Flávio de Carvalho, Ismael Nery, entre outros. Ao visitá-lo e recriar o imaginário artístico no qual o poeta juizforano estava inserido, o artista Guilherme Melich produziu uma série de quadros retratando os artistas autores dos retratos de Murilo. As pinturas, esboços e desenhos elaborados por Guilherme vão compor a exposição <strong>Olhar A(r)mado &#8211; na galeria Retratos-Relâmpago do MAMM, no segundo semestre de 2019</strong>, além de originarem a publicação de um livro com o resultado da pesquisa, contendo artigos e imagens das obras produzidas.</p>



<p>A reflexão sobre as possibilidades e limites da representação que atravessa a arte a partir do séc. XX, encontra interpretações particulares na pintura, sobretudo nos retratos. É certo que, ao longo da história da Arte, na pintura, o retrato se estabelece como gênero no século XIV, associando sua elaboração à representação de figuras ilustres, mas, sobretudo,&nbsp;<strong>construindo narrativas e arquétipos identitários.&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/Van_Eyck_-_Arnolfini_Portrait-1.jpg?fit=606%2C830&amp;ssl=1" alt="" data-id="433" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=433" class="wp-image-433" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"><em>O Casal Arnolfini</em>, de Jan Van Eyck. 1434.</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/dama-com-arminho-1.jpg?fit=606%2C824&amp;ssl=1" alt="" data-id="432" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=432" class="wp-image-432" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"><em>A Dama com Arminho</em>, de Leonardo Da Vinci. 1485-1490</figcaption></figure></li></ul></figure>



<p>Entretanto, nos meandros da subjetividade da pintura, sempre houve, para além da representação, certa adulação dos atores representados, especialmente por conta da necessidade econômica do artista &#8211; importante fator para manter sua produção e sustento. Por este motivo, os cânones que se estabeleceram ao longo das distintas temporalidades históricas desenvolveram um&nbsp;<strong>encolhimento do espaço para busca de outras possibilidades para a pintura.</strong></p>



<p>Na modernidade, o advento da fotografia se apresenta como a maneira mais adequada e verossímil de representação,&nbsp;<strong>inaugurando uma disputa nos diversos campos semânticos das artes</strong>, oportunizando novos meios de se pensar o retrato. Hoje, ao voltarmos nosso olhar para os diversos movimentos artísticos modernistas, podemos observar a busca por protagonismo na exploração dos limites conceituais das definições no campo das artes como tônica principal, dilatando repertórios estéticos e libertando os artistas da hegemonia dos cânones acadêmicos vigentes. Por outro lado, com a&nbsp;<strong>intensa hibridização das definições conceituais nas artes</strong>, bem como com a eclosão da criação de novos aparatos tecnológicos, a arte contemporânea passa a explorar novas maneiras de se pensar e propor arte, dando lugar a performances,&nbsp;<em>happenings</em>, instalações, fotografia, video-arte, deixando, de certa forma, a pintura, e o retrato, na periferia das temáticas e técnicas abordadas.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" width="950" height="1102" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=950%2C1102&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-434" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?w=1820&amp;ssl=1 1820w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=259%2C300&amp;ssl=1 259w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=882%2C1024&amp;ssl=1 882w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=768%2C891&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=1324%2C1536&amp;ssl=1 1324w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=1765%2C2048&amp;ssl=1 1765w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e9971-retrato-murilo-por-guinard.jpg?resize=83%2C96&amp;ssl=1 83w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Retrato de Murilo Mendes,</em> por Guignard.</figcaption></figure>



<p>O trabalho de Melich propõe investigar o&nbsp;<strong>recente retorno à pintura na contemporaneidade</strong>, mais especificamente o retrato &#8211; partindo do exercício da pintura, após análise e pesquisa do acervo de artes visuais do poeta Murilo Mendes, alocado no MAMM/UFJF. Deste modo, propondo retratar os artistas que retrataram Murilo, Guilherme constroi narrativas visuais que <strong>buscam dialogar com os atores que orbitavam o circulo de convivência de Murilo Mendes</strong>, procurando trazer para o espectador a experiência do seu processo criativo, explorando a pintura como ferramenta para manipulação da matéria pictórica, fazendo da tinta substrato para modelagem dos retratos sobre a tela.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/dfccbn.png?fit=606%2C798&amp;ssl=1" alt="" /><figcaption>Murilo Mendes, OST. 2019.</figcaption></figure>



<p>Em sua pesquisa e busca por uma estética pictórica visceral,&nbsp;<strong>o amadurecimento da técnica na pintura levou o artista a entender a importância do processo criativo,&nbsp;</strong>desde a escolha das imagens de referência como a utilização da cor para definir as formas, onde as pinceladas generosas distribuem uma paleta exaustivamente trabalhada e promovem a criação de imagens instáveis,&nbsp;<strong>onde a distância que separa o espectador do quadro também separa a representação da abstração</strong>.</p>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.333333333333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/85dfb-sdggrt.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/85dfb-sdggrt.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/85dfb-sdggrt.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=942 942w" alt="" data-height="1240" data-id="438" data-link="https://bodoqueonline.art.blog/2019/07/08/a-pintura-o-artista-e-o-retrato/sdggrt/" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8b727-sdggrt.png" data-width="942" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/85dfb-sdggrt.png?w=950&#038;ssl=1" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.333333333333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/185dd-hghghh.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/185dd-hghghh.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/185dd-hghghh.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=942 942w" alt="" data-height="1240" data-id="436" data-link="https://bodoqueonline.art.blog/2019/07/08/a-pintura-o-artista-e-o-retrato/hghghh/" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d1ba3-hghghh.png" data-width="942" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/185dd-hghghh.png?w=950&#038;ssl=1" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.333333333333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/0ed7d-hftgh.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/0ed7d-hftgh.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/0ed7d-hftgh.png?w=950&#038;ssl=1?strip=info&#038;w=942 942w" alt="" data-height="1240" data-id="437" data-link="https://bodoqueonline.art.blog/2019/07/08/a-pintura-o-artista-e-o-retrato/hftgh/" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/30665-hftgh.png" data-width="942" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/0ed7d-hftgh.png?w=950&#038;ssl=1" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p>Neste exercício do olhar sobre o processo da pintura, diante das obras do acervo, fica clara a intenção do artista de se inserir no circulo de amizades do poeta, fantasiando cada personalidade em conversas com os retratos em construção. A inquietação do artista exprime a necessidade de colocar na tela e devolver para o mundo o produto de sua percepção, revelando, na busca por um resultado cromático digno de adentrar no território das artes visuais, a&nbsp;<strong>tentativa de deixar rastros de sua existência.&nbsp;</strong>Nesse sentido, ao olhar para o mundo com perplexidade e registrar o produto de sua percepção, Melich pavimenta o caminho que permite que seus pensamentos se desloquem para a materialidade do mundo, o que, de certa forma, acaba revelando a centelha mais curiosa e contemplativa do ato criador: o olhar do artista.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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