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	<title>Arquivos Sciencia Sexualis - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Sexualidade, sexo e cultura: esses termos podem andar lado a lado?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Ars Erotica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Rodrigues]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciana Rodrigues</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/31/sexualidade-sexo-e-cultura-esses-termos-podem-andar-lado-a-lado/">Sexualidade, sexo e cultura: esses termos podem andar lado a lado?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos tempos, falar sobre sexualidade e sexo tem sido um grande desafio. Muitas vezes, parece que ensaiamos um retorno à Era Vitoriana, no qual o ato sexual só não era visto como imoral se fosse para fins reprodutivos. E tudo relacionado a isso que fugisse da heteronormatividade focada para fins biológicos era um problema &#8211; ou, ainda, doença.</p>



<p>Estamos vivenciando uma forte onda de conservadorismo, a qual ganhou muito fôlego nos últimos anos. Isso reforça, justamente, essas questões &#8211; seja em seus discursos, seja por meio de políticas institucionais para este fim (tal como não promover a educação sexual e de sexualidade para jovens). Por isso, dentro deste contexto, pode parecer estranho propor que sexualidade é, também, um traço da cultura; pois bem, a verdade é que a última influencia consideravelmente a primeira.</p>



<p>Afinal, sexo, sexualidade e cultura podem andar lado a lado? A resposta é: sim. </p>



<p>E, se isso é um choque, não é sem razão: são muitos anos pensando que sexo e sexualidade estavam ligados estritamente a questões biológicas. E, pior ainda: associando sexualidade obrigatoriamente aos atos sexuais. Perceber o que poderia ser &#8220;óbvio&#8221; pode realmente nos tirar do lugar comum e nos fazer repensar, até mesmo, nossas próprias convicções sobre esses conceitos.</p>



<p>Se nem mesmo as concepções sobre sexo são idênticas, variando culturalmente, imagine quando falamos sobre vivências de sexualidade (incluindo aqui a assexualidade, ainda é vista em nossa cultura como distúrbio ou patologia).</p>



<p>Esses temas, bem como o erotismo, estão presentes não apenas nas áreas de medicina, psicologia e biologia; mas também nas artes, na cultura e na política. Eles, de fato, perpassam nossa vida em diversos aspectos.</p>



<p>Por isso, a ideia aqui será abordar a sexualidade enquanto traço cultural, com curiosidades, histórias, reflexões e proposições que nem sempre serão confortáveis. Porém, elas são necessárias para que possamos compreender como estamos inseridos nisso e como as questões não são tão &#8220;naturais&#8221; como pensamos. Quer entender a dimensão disso? Veja a seguir alguns pontos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Não-monogamia</h3>



<p>Exceto nas discussões suscitadas no ambiente acadêmico e pelos adeptos da não-monogamia, pouco falamos sobre a monogamia não ser algo “natural”, mas sim uma criação que surgiu há cerca de 20 mil anos. Nesse período, deixamos de ser uma espécie nômade e passamos a nos fixar em propriedades, ado a monogamia como estrutura de relacionamento prioritária – e que vigora até os dias atuais.</p>



<p>Poucas espécies são, de fato, monogâmicas (apenas 5% dos mamíferos). O argumento é de que os primatas (entre eles, nós, humanos) temos proles muito frágeis e que exigem cuidados por muitos anos; assim, seria importante que indivíduos mais velhos zelassem pelo desenvolvimento do filhote. Contudo, para este fim, a poligamia não consistiria em empecilho. Por que, então, migramos para a estrutura monogâmica?</p>



<p>Os elementos culturais, econômicos e políticos têm uma força muito grande aqui. Afinal, os seres humanos são a única espécie que, culturalmente, geram herança de propriedade &#8211; ou seja, os bens dos pais passam para as gerações seguintes. A monogamia, assim, permitia facilitar o processo sucessório da propriedade privada (e reforçou, também, o surgimento da sociedade patriarcal, já que a sucessão era feita em torno dos bens do elemento paterno da família). Com o tempo, isso foi sendo reforçado através da moralidade judaico-cristã e da legislação criada com foco na economia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><em>Ars Erotica</em> e <em>Sciencia Sexualis</em></h3>



<p>Outro ponto que evidencia a intersecção entre sexualidade e cultura consiste das diferentes perspectivas que perpassam esses temas quando delimitada a separação Ocidente-Oriente. No Ocidente, sexualidade e sexo são fortemente associados &#8211; sendo, este último, composto por atos que envolvam genitálias (já que ele é, &#8220;naturalmente&#8221;, para fins reprodutivos). Por aqui, o conceito é encarado por um viés que dialoga com os conceitos de biologia e perpetuação da espécie (<em>Sciencia Sexualis</em>) &#8211; ou seja, como se o ato sexual fosse apenas para fins reprodutivos. Nesse contexto, o que foge desse objetivo final é “diferente”, “desviante”, “patológico” (vide o fato de que o fetichismo, a homossexualidade, a transsexualidade, entre tantos outros, estiveram presentes no CID-10 e DSM-4 por tantos anos). Sexo e sexualidade soam praticamente como sinônimos, limitando potencialidades libidinosas, além de excluir dessa área aqueles que não tenham desejo por sexo (tal como concebemos tradicionalmente), ou seja, a comunidade assexual (ace).</p>



<p>No Oriente, essa associação entre sexualidade e sexo já não é tão direta. Como Foucault aponta em sua obra &#8220;História da Sexualidade I: A Vontade do Saber&#8221;, nas culturas Orientais, predomina a noção de <em>Ars Erótica </em>(arte erótica), na qual compreende-se o sexo como uma forma de transcendência &#8211; muito mais ligada ao prazer, genuinamente falando, sem um interdito moral sobre o ato. Essa visão torna coerente encontrarmos, no Oriente, elementos como o Kama Sutra (que consiste em literatura religiosa hindu) e o Tantra (tradição do hinduísmo e do budismo, no qual as práticas sexuais possuem funções ritualísticas, como meio de transformação da divindade interior, colocando o sexo como um dos muitos aspectos da vida, indo além da procriação).</p>



<p></p>



<p>Esses foram dois exemplos simples para introduzir os temas que serão abordados aqui nas próximas edições. Precisamos encarar a sexualidade como um traço cultural &#8211; e, como uma influencia a outra, precisamos também enxergar as construções culturais sobre a sexualidade enquanto o que são, e não enquanto aspectos &#8220;naturais&#8221; da biologia humana.</p>



<p>Por muitas vezes, este é um caminho espinhoso; por outras, é libertador. O peso de não estar “adequado” ao “natural” imposto pela sociedade pode ser um sofrimento constante. E, por isso, estamos aqui para discutir e tentar desconstruir questões dolorosas para nós e para tantos outros. Vamos juntos nisso?</p>



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<p><strong><strong>Luciana Rodrigues </strong></strong>é doutoranda em Ciências Humanas e Sociais e defensora de uma educação sexual consistente e responsável. Idealizadora do projeto Hacking Sex (<a href="https://hackingsex.medium.com">Medium</a> e <a href="https://www.instagram.com/hackingsex/">Instagram</a>).</p>
</div></div>



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