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	<title>Arquivos Thomas Frizero - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Fresta na Janela</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Thomas Frizeiro</p>
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<p class="has-drop-cap">É difícil voltar a dormir depois de olhar para a fresta na janela. Aquela, no meio das duas partes da cortina, que dirige um feixe de luz em direção à cama pela manhã. Ela bate em cheio, bem no rosto, dissipando o sono. Você se vira para o outro lado, mas a memória da luz já não pode ser esquecida. É nessa hora que você fecha os olhos e tenta voltar a dormir, mas não consegue: a mancha da luz permanece nos olhos e o mantém acordado, como a fome daquelas crianças na rua e dos mendigos que se encontram apagados todas as noites nas marquises da esquina da avenida paralela. Realmente é de se perguntar como essas crianças dormem a noite. Se é que dormem. Todo mundo sabe como é difícil dormir com a barriga vazia. Você rola para a direita, depois para a esquerda e a fome incomoda enquanto luta contra ela. De repente você desiste, se levanta e vai à cozinha. Abre a geladeira, monta um sanduíche rápido, para não perder muito tempo de sono, e volta. Mas não aquelas crianças, elas não têm o que comer a noite. Os mendigos da esquina da avenida paralela também não, a não ser que alguém os dê um pouco de comida ou algo assim, até porque já viu né? Se der dinheiro gasta tudo com cachaça e crack. Algumas pessoas do prédio até dão comida de vez em quando, até você dá um pouco às vezes, quando vai até a padaria e esquece de prestar atenção nos pedidos. É nesse momento que você rola para o lado na cama e dá de cara com a fresta na cortina pela segunda vez: mas que porra, tinha esquecido dessa merda. Você vira rápido para fugir daquela luz, mas já é tarde demais. Novamente o sono que já estava quase chegando vai embora. E você, que já estava quase se esquecendo do feixe de luz, é obrigado a se lembrar novamente e ficar com aquela mancha gravada na memória ocular. Sem contar a palpitação, causada pela raiva e pela virada brusca, que te impede de retomar sua concentração para o sono. A raiva talvez seja pela frustração da perda, algo seu por direito, tomado assim de você por causa do descaso com a fresta na cortina, que na noite anterior era totalmente inofensiva. É uma raiva muito mais forte até do que aquela causada pelo&nbsp;<em>Vazou o áudio daquele senador lá, viu? Uma vergonha, não?</em>,<em>&nbsp;Realmente, uma vergonha, mas fazer o que, político não presta</em>…&nbsp;<em>aqui vou lá, estou bem atrasado, acho que vou ter que pedir um Uber, até!</em>&nbsp;É uma raiva diferente essa, na cama, daquela, na rua. Talvez porque a raiva de perder o sono seja culpa sua, afinal quem deixou a cortina aberta foi você, já essa conversa de política não, é tudo culpa de quem não sabe votar&#8230; não tem nada a ver contigo… agora, depois desses vinte minutos tentando dormir, você percebe que é impossível voltar a dormir depois que se olha para a fresta na janela.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/P_20190405_160623.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3761" /><figcaption><strong><em>Fotografia: Luana Sofiati<br></em></strong></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Thomas Frizeiro</strong> é mestre em Estudos Literários pela UFJF e graduado em Letras (português e literaturas) pela mesma instituição.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p style="background-color:#886400" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3552a-julia-sa-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3413" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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