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	<title>Arquivos Umbanda - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Fé Urbana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 046]]></category>
		<category><![CDATA[Barbara Dias]]></category>
		<category><![CDATA[fé]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Umbanda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bárbara Dias</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>África, misteriosa África</em><br><em>Magia, no rufar dos seus tambores se fez reinar</em><br><em>Raiz que se alastrou, por esse imenso Brasil</em><br><em>Terra dos santos que ela não viu</em><br>[Acadêmicos do Grande Rio, (1994),<br>Os Santos que a África não viu G.R.E.S.]</p>



<p>Logo no começo do livro &#8220;Fogo no Mato &#8211; A ciência encantada das macumbas&#8221;<a href="#_ftn1">[1]</a>, de Luiz Antônio Simas e Luiz de Rufino, esse samba-enredo da Acadêmicos do Grande Rio de 1994 &#8211; &#8220;Os Santos que a África não viu&#8221; &#8211; é colocado como ponto de início para os autores construírem sua busca pelos &#8220;santos que aqui baixam&#8221;.</p>



<p>E os autores seguem pontuando, em cada canto, cada ser encantado e ancestral que aqui &#8220;baixa&#8221; em nosso país, fruto do &#8220;cruzo&#8221; de várias culturas e religiões (eles preferem uso desse termo a &#8220;sincretismo&#8221;). Sabemos que a contribuição das culturas africanas, indígenas e europeias na religiosidade do povo brasileiro é inquestionável. Em maior ou menor grau, isso é proveniente do próprio desenvolvimento histórico da formação do nosso povo.</p>



<p>Fotografar a fé, para mim, se tornou um caminho inevitável desde quando me posicionei como fotógrafa e umbandista no mundo. Coincidentemente ou não, as duas coisas aconteceram quase na mesma época, no início dos anos de 2010. A busca por imagens que revelassem esse &#8220;cruzo&#8221;, tanto dentro de espaços de terreiros como fora deles, é um caminho que tenho feito, então, com olhar de alguém de dentro da religião. Este ensaio é um registro desta fé que me atravessa.</p>



<p>A fotografia retornou à minha vida através de um reencontro com uma velha câmera analógica do meu pai, uma Zenit 12XP, em 2012. Minha trajetória com a ela sempre foi inconstante, por vários motivos; lembro de ter tentado entender fotometria, na dinâmica entre ISO, velocidade e abertura de diafragma, quando mais nova, e não ter conseguido. Já com quase 30 anos, eu retomei e até que enfim, consegui me apropriar da técnica &#8211; primeiro na analógica, depois na digital.</p>



<p>Um pouco antes, mais ou menos nessa mesma época, eu me reconectei com a religião que eu pratico hoje em dia: a Umbanda. Lembro de ter participado pela primeira vez de uma &#8220;gira&#8221; (sessão onde se manifestam os espíritos nos praticantes da religião) quando eu tinha entre 10 ou 11 anos. &nbsp;A Umbanda é a religião praticada por parte da minha família, e isso fez eu frequentar, então, o terreiro que minha mãe e tios frequentam, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, desde muito nova.</p>



<p>Ervas, pontos cantados e riscados, tambores e atabaques, defumações, pemba, fundanga, guias, festas, comidas e roupas de santo, velas, pito, cachimbo, marafo, doces, padês&#8230; Cresci participando disso tudo e vendo minha mãe envolvida em todos esses rituais e objetos sagrados, típicos da Umbanda.</p>



<p>Quais os santos que África não viu? Certamente, os que nós vemos em todos os espaços sagrados, das religiões de matriz africana; e isso não se limita ao terreiro, roça ou barracão. Praias, matas, cachoeiras, pedreiras, ruas, encruzas, calunga pequena, em festas profanas de santos e de orixás: em tudo, a macumba está&#8230;</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Os santos que por aqui baixam praticaram o cruzo, são macumbeiros, arrastam multidões em suas companhias, vadeiam nos sambas de roda, nas capoeiras, riem nos versos improvisados, bebem cerveja, correm atrás de doce, festejam a virada do ano com batuques na beira do mar [&#8230;] São santos, orixás, encantados, mestres ajuremados, compadres, comadres, eguns da diáspora, fiéis amigos, malungos, apostadores do mesmo jogo, homens e mulheres de corpo fechado. </em><br><em>(Simas &amp; Ruffino.&nbsp; Fogo no mato &#8211; A ciência encantada das macumbas, ed Mórula Editorial. Edição do Kindle (2019).</em></p>



<p>Seja no silêncio da reza solitária à beira do mar ou na aglomeração para louvar Jorge-Ogum numa Igreja católica; nos sambas de enredo e desfiles das escolas de samba; nas esquinas das grandes cidades e na linha do trem que leva o trabalhador; nas imagens de santos católicos sincretizados em orixás africanos, nos patuás, nas rezas e festas sagradas e profanas da cidade.</p>



<p>Tentar traduzir essa diversidade de manifestações ancestrais e sagradas, é uma busca que teve um início, porém, certamente não terá um meio e nem um fim. É um projeto e um processo, que venho realizando desde que mirei minha vida e minha câmera para a fé.</p>



<p>As fotografias desse registro documental não se restringem apenas a fotos de terreiros de Umbanda. Elas se misturam em outros espaços, como o Candomblé e Igreja Católica. Abarca também outros espaços sagrados e profanos onde a fé e a religiosidade são percebidas, incluindo os momentos de luta pela sobrevivência aos ataques dos intolerantes religiosos &#8211; como é o caso da já importante Caminhada pela Liberdade Religiosa, que acontece todo ano na orla de Copacabana.</p>



<p>&#8216;Fé Urbana&#8217; são fotos que perpassam por tudo isso. São recortes e fragmentos da religiosidade carioca, em sua maioria oriundas dos subúrbios. Um amálgama desta religiosidade composta por múltiplos territórios, personas, caminhos e narrativas. A universalidade da fé revelada na singularidade de quem a professa.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> Simas, Luiz Antonio; Rufino, Luiz,&nbsp; Fogo no mato &#8211; A ciência encantada das macumbas, ed. Mórula Editorial. Edição do Kindle.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/00183-barbaradias1-capa.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9772" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Mulher caracterizada com sua roupa de santo saudando Yemanjá em frente ao mar.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/112f1-barbaradias2-1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9774" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Imagens de dois Exús em um assentamento.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/6351e-barbaradias3.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9775" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Tambor, instrumento usado nos rituais para invocação de entidades espirituais e orixás.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/5ff59-barbaradias4.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9776" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&nbsp;Mulher incorporada com um caboclo, entidade de Umbanda.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/0ad52-barbaradias5.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9777" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Homem na Igreja de São Jorge acendendo uma vela, durante a pandemia da COVID-19.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/27d4d-barbaradias6.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9778" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Casinha com imagens de São Jorge no Morro da Providência.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/827eb-barbaradias7.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9783" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Menino e imagem de Yemanjá, durante as festas de fim de ano.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/cadf3-barbaradias8.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9781" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Mulher participando da Caminhada pela Liberdade Religiosa em Copacabana.</figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>B</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>árbara Dias </strong>é fotógrafa independente, com base no Rio de Janeiro. Atua na área de fotojornalismo e fotografia documental. Fotografa, desde 2014, temas relacionados a direitos humanos e movimentos sociais, e se interessa também por manifestações culturais, populações tradicionais e religiosidade brasileira.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/inspireoutras/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/11626-camile-3.png?w=950" alt="" class="wp-image-9827" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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