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	<title>Arquivos vírus - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Oscar e seu tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 031]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
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<p class="has-drop-cap">A premiação do Oscar em 2019 foi repleta de filmes de conteúdo, grosso modo, antissistêmicos, desde o popular Coringa até o azarão Parasitas, passando pelos documentários American Story, o vencedor da categoria, e Democracia em Vertigem, representante brasileiro na edição. Interessante notar o quanto o famoso evento norte-americano, que muitas vezes prima pelo alinhamento ideológico do momento nos Estados Unidos e tem lá seus pules de dez (os sempre franco favoritos filmes de holocausto, monarquia inglesa, cinebiografias de personalidade, dentre outros), dessa vez embrenhou-se na crítica à sociedade capitalista, em suas mais diversas variações.</p>



<p>Ocorre que o campo das artes, ainda que os mais conservadores segmentos voltados simplesmente ao entretenimento do público, oscila em seu humor conforme o tempo, em decorrência de reações e interações que denotam um dado “espírito do tempo”. Hoje, diante de um capitalismo claudicante que produz, em suas bases majoritária, mais exploradas e menos esclarecidas, excrecências políticas como Donald Trump e Jair Bolsonaro, não há caminho no meio artístico que não conduza a uma crítica às aberrações que o capitalismo produziu para sobreviver.</p>



<p>Vale lembrar que dois fatos históricos, um distante, relativamente a outro mais recente, retratam o quando o atual momento político internacional é desdobramento de uma crise no capital. Nos anos 1930, tempos de depressão econômica tanto nos Estados Unidos do pós-crise de 1929 quanto na Europa do pós-guerra de 1914-1918, a ascensão de regimes autoritários na Europa (ainda, à época, o centro do capitalismo neocolonial nascido no século XIX), mais notadamente na Alemanha e na Itália.&nbsp;</p>



<p>Por sua vez, antes justamente dessa nova ascensão acrítica ultraconservadora que ameaça o mundo social e ambientalmente, o capitalismo vinha de uma crise bancária e imobiliária que levou Estados europeus à bancarrota, um banco norte-americano à falência e o Governo norte-americano a um novo vexame como o da derrota no Vietnã, nos anos 1970, desta vez deixando a contragosto a chamada Guerra ao Terror (em outras palavras, ocupações coloniais no Iraque e o Afeganistão visando ao controle do petróleo no Oriente Médio). Em suma, nova derrota. Poucos anos depois, o monumento anticapitalista Ocupe Wall Street assombrou o grande capital.</p>



<p>Por isso, a solução novamente encontrada pela burguesia foi o ataque ideológico simplificador, com apelo à ordem e identificação de um inimigo em comum, tal qual ocorrera 70 anos antes na Europa. Estados Unidos, a principal potência mundial, e Brasil, o mais frágil dos emergentes em termos de poderio militar e segurança informacional, foram os alvos encontrados. Um, necessário, os Estados Unidos. Outro, de ocasião, o Brasil e sua classe média ressentida com a ascensão social dos mais pobres e os avanços identitários em benefícios das minorias.</p>



<p>Tendo isso em vista, há de se lembrar do pensamento do filósofo Martin Heidegger (ironicamente, adepto do nazismo, o que nunca penetrou sua produção intelectual) sobre Ser e Tempo, nome de sua obra magna. Nesta, Heidegger defende que o ente só existe quanto ser. Trocando em miúdos, nós só existimos na medida em que nos sentimos presentes, em parte por meio do logos exaltado por Descartes, em parte via experiência ante os fenômenos. Ou seja, o que há é o “ser no mundo”, aquele que ocupa e “é” na medida de sua experiência e referência no espaço, interagindo com outros entes que também “são”; e “ser no tempo”, na medida em que este “ser” identifica-se junto (em conformidade ou contra, não importa) ao espírito do tempo, ou “zeitgeist”, termo original do alemão (o conjunto coletivo de pensamentos e paradigmas hegemônicos numa sociedade, num dado tempo), em que “é”.</p>



<p>Esse processo, de construção da identidade por meio do sentido produzido pela angústia humana em um dado espaço e tempo, Heidegger nomeia “ser-aí”, ou “dasein”. Em sendo assim, é natural que o “ser aí” das artes e de seus trabalhadores num tempo de negação à subjetividade e reflexão, seja defensivo, convergindo todos os artistas para um “dasein” que manifeste a contestação a este “zeitgeist”.&nbsp;</p>



<p>Todos os caminhos conduzem a Roma, no campo da intelectualidade e das artes, numa queda-de-braço hoje desigual nos campos político e simbólico.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong></strong></strong></strong> </strong></strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg20-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6951" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Por que voltamos a ser afetados?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Feb 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 031]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
		<category><![CDATA[economia mundial]]></category>
		<category><![CDATA[vírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/09/porque-voltamos-a-ser-afetados/">Por que voltamos a ser afetados?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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<p class="has-drop-cap">Aqueles um pouco mais velhos, recém passados dos trinta ou com um pouco mais, hão de lembrar de quando o Brasil quebrou duas vezes, nos anos 1990, primeiro em consequência da crise nos países emergentes asiáticos, como Coréia do Sul e nas áreas chinesas de economia capitalista, Taiwan, Macau e Hong Kong, e uma segunda quando a Argentina veio à sua pior bancarrota após a dolarização da economia. Na ocasião, por duas vezes o país teve que recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e multiplicou sua já alta dívida externa, que só veio a ser paga em 2006 pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT, 2003-2010).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pois agora, depois de anos superando com suavidade as crises econômicas decorrentes de problemas nos países desenvolvidos ou vizinhos, o Brasil volta a sofrer com a conjuntura internacional, dessa vez com o coronavírus que já adoeceu mais de 30 mil pessoas e vitimou fatalmente quase 800. Não tanto pelas vidas perdidas, que não importam muito no capitalismo, mas mais pelo temor pela desaceleração da economia chinesa devido aos esforços estatais e privados pela contenção da disseminação do vírus, os mercados vêm abaixo há três semanas e inevitavelmente vão afetar a expectativa de crescimento do Brasil, que já estava relativamente baixa, em 2,5%.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale lembrar que esses 2,5% previstos por Governo e analistas, geralmente, não passam de iscas do mercado para o consumidor e os investidores mais modestos, ao lançarem um número mais alto que, ao longo do ano, vai se deteriorando com as intempéries da economia. Tudo afeta a economia, desde o prefeito eleito de uma grande cidade (e suas expectativas de privatização, por exemplo, que atraem mercados privados sedentos de novos negócios), até uma doença que se espalha num dos países dos quais o Brasil é maior exportador e importador. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Para onde vão a soja e os minérios brasileiros se os chineses estiverem investindo em pesquisa e remédios? Eis aí a questão, que é acompanhada de outras como de onde o Brasil vai tirar os seus microchips para montagem de peças e assessórios de informática.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acontece que, se há muitos anos não vivíamos tão fortemente o impacto da economia internacional, por que estamos passando por isso agora? A resposta está na desindustrialização e no resfriamento do mercado interno, graças a incontáveis medidas adotadas desde o Governo Michel Temer (MDB, 2016-2018) que reatrelaram o Brasil de forma pouquíssimo soberana ao mercado internacional (privatizações, fragilização das leis do trabalho, etc). Sem produção e consumo internos, o país perde a sua principal âncora econômica, que o ajudou a passar por uma turbulência mais grave, por exemplo, em 2008.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A própria China está enfrentando a doença com canalização de esforços estatais e de sua indústria privada interna para construção de estruturas públicas (um hospital foi erguido em questão de dias) e recrutamento de profissionais e insumos de saúde com suporte do dinheiro do Estado. Ou seja, a segunda economia mundial só vai sobreviver graças à sua produção e mercado internos, e ainda pode salvar a economia dos países do terceiro mundo que lhe são dependentes, caso passe por esse problema rapidamente.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não restam dúvidas de que, caso ocorresse no Brasil a epidemia do coronavirus, em tempos inclusive de esvaziamento do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil ficaria de pires na mão à mercê de ajudas internacionais. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) provavelmente soltaria sua pirotecnia a respeito de uma ajuda qualquer de Israel, mas na verdade sofreríamos porque estaríamos privados da ajuda de Cuba.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong></strong></strong></strong> </strong></strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg20-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6951" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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