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	<title>Arquivos Ano 003, N 075 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Vírus que mata a Cultura</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/questao-de-saude-questao-de-cultura-e-se-o-coronavirus-matar-tradicoes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[COVID 19]]></category>
		<category><![CDATA[Deborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Extinção de Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[População Indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Povos originátios do Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As populações indígenas estão lutando bravamente contra a expansão do Coronavírus em suas aldeias e tribos; mas até o dia 10/01/2020, conforme dados da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), já são 161 povos atingidos, 44.680 indígenas confirmados e 915 indígenas falecidos. Questões imunológicas, o compartilhamento de utensílios domésticos e a dificuldade geográfica de atendimento em saúde são fatores que contribuem para a disseminação da doença. Ainda assim, não houve movimentação governamental para amenizar esse cenário caótico entre os povos originários.</p>



<p>A pandemia gerou a suspensão de rituais importantes, festas e até velórios &#8211; atingindo frontalmente a cultura, para além da saúde. Compromissos habituais que os povos assumiam fora das aldeias, como palestras e apresentações de dança, também foram cancelados para reduzir os riscos de contágio. A renda da maioria dos indígenas que trabalham viajando ou com a venda de artesanatos secou com o isolamento social, e muito da alimentação e até mesmo materiais de proteção e higiene estão chegando às aldeias por meio de doações, vaquinhas online e campanhas. Muitas etnias também precisaram, por conta própria, montar barreiras sanitárias que impedissem a entrada de garimpeiros ou pessoas que pudessem levar o vírus. E, ao colocar em xeque principalmente a vida dos indígenas mais velhos, o vírus ameaça a transmissão de conhecimentos e tradições, que podem desaparecer para sempre.</p>



<p>Inclusive, foi diante da inércia e da falta de respostas do governo durante o período de disseminação do vírus nas aldeias que, por meio da ADPF 709, a APIB associou-se à Clínica de Direitos Fundamentais da UERJ e a seis partidos políticos para lidar com a omissão do governo federal no combate à pandemia e cobrar providências quanto ao risco de genocídio de diversas etnias.</p>



<p>Um dos pontos dessa decisão retrata um problema já conhecido: o caráter incompleto do atendimento, já que os indivíduos não atendidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena sofrem discriminação institucional nas demais áreas do SUS. Existe a premissa colonialista de que os indígenas merecedores de atendimento diferenciado seriam apenas os aldeados, desconsiderando a identidade daqueles que vivem nas cidades e ignorando a vulnerabilidade a que estão submetidos. Outros tópicos importantes nesse contexto são a precariedade do atendimento e a carência de profissionais capacitados nas questões tradicionais. A pandemia tornou mais claro como os indígenas não recebem efetivamente uma atenção diferenciada que leve em conta suas peculiaridades socioculturais.</p>



<p>Contudo, o que mais chama atenção é a dificuldade na concretização do diálogo intercultural e do respeito à medicina tradicional, o que nos mostra como há ainda um longo caminho a se percorrer para o efetivo respeito à Constituição. As comunidades tradicionais desejam ser ouvidas pelos órgãos públicos para veicular demandas e insatisfações com as posturas do Poder Executivo e, ao mesmo tempo, tentam encontrar soluções para enfrentar a pandemia por meio do debate público e do acesso à justiça. A ação veio como uma esperança, ainda que mínima, da consolidação de uma estratégia voltada ao aprimoramento da participação democrática e de um pouco de proteção durante esse período tão difícil.</p>



<p>Contudo, parece não existir, até hoje, uma movimentação concreta para tornar isso possível. Isso porque, até então, a maioria das aldeias têm feito as barreiras sanitárias e controlando o isolamento sozinhas. Mesmo com medidas de contenção e conscientização, algumas notícias mostram que a situação só se agravou desde o começo da pandemia.</p>



<p>Se existiam dúvidas sobre a existência de um plano anti-indígena em curso no Brasil, os vários vetos que o Presidente da República fez na Lei 14.021/2020 (que dispõe sobre medidas de combate à COVID-19) deram bons indícios da reposta.&nbsp; Como se não bastasse, um documento da Secretaria Especial de Saúde Indígena, publicado no dia 08/01, afirmou que o governo não pode garantir que os testes de COVID voltem aos territórios indígenas nos quais foram feitos, por razões de logística.</p>



<p>Diariamente, os povos originários lidam com grileiros, fazendeiros, garimpeiros e tantas outras ameaças. A essa altura, já não restam dúvidas de que a pandemia será mais uma tragédia.</p>



<p>Resta um desafio complexo para as gerações que hoje ocupam espaços privilegiados junto a universidades, a grupos políticos e à sociedade civil como um todo: construir, decidida e organizadamente, resistência frente a este plano genocida. Para além do maquinário neoliberal que enxerga apenas as cifras que podem render terras indígenas, há um infinito de saberes e usos da natureza que compõem patrimônio de toda a nação brasileira. O atual governo possui data para terminar, mas não pode levar com ele a precária estrutura que foi edificada até aqui em defesa de nossos povos originários.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="709" height="709" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=709%2C709&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13636 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?w=709&amp;ssl=1 709w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>D</strong><strong style="font-weight:bold">éborah Silva </strong>é advogada, especialista em Direito Constitucional e pós graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global.</p>
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		<title>O Sadismo a troco do Paraíso &#8211; Parte I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[Busca pelo Paraíso]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia cristã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Escrevi um texto sob mesmo título em 2018. Na época, estava começando a externar alguns incômodos quanto a algumas narrativas dentro da bolha cristã evangélica. Articulando algumas leituras (incluindo a bíblia), apontei para o machismo no espaço da igreja. No entanto, eu não estava considerando o fato de que o meu incômodo tomaria maiores proporções. Dito isso, atento para o sadismo como <em>modus operandi </em>e/ou como intermediação hermenêutica para se ler e interpretar a Bíblia (manual de fé que, para muitos, gera vida; mas, para outros, tem gerado morte).</p>



<p>Ao falar de sadismo, lanço mão de seu sentido mais amplo: a rigor, do prazer na dor alheia justaposto, neste texto, aos aspectos ou mecanismos sob os quais alguns grupos operam, sobretudo no que tange às variáveis do poder dentro da sociedade &#8211; ou seja, na política, nos templos religiosos, nos tribunais, etc. Pensar nessa natureza de operação dentro da trajetória de um indivíduo que, segundo o que crê, tem como fim <em>o paraíso</em> (dentro da teleologia cristã), é pensar nas construções narrativas que validam alguns ideais compartilhados por grupos que operam dentro de uma máquina do ódio. Nisso, o machismo percebido por mim nos templos seria apenas a expressão de uma estrutura hermenêutica tradicional, que vem se redimensionando através dos séculos para permanecer vigente no espaço da igreja.</p>



<p>Na cultura cristã, o termo &#8220;Paraíso&#8221; possui algumas diferenças semânticas quando usado no Antigo e no Novo Testamento. No Antigo, há um vínculo mais forte com a noção de &#8220;jardim&#8221;; o Jardim do Éden seria uma espécie de paraíso. Já no Novo, é atribuída uma perspectiva escatológica ao termo, que indica um lugar que é fim de todas as coisas; por exemplo, Jesus em seu diálogo com o ladrão crucificado ao seu lado: <em>&#8220;- E disse {o ladrão} a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.&#8221; (Lucas 42:43)</em>. Nesse contexto, Jesus delimita que seu reino é o paraíso; portanto, a palavra carrega sentido que confere a noção de fim, o destino pós morte daqueles que assim pedem a Ele.</p>



<p>Me interessa avaliar os mecanismos de operação em que alguns grupos se apoiam como forma de alcance a essa natureza além do <em>destino comum</em> — nesse caso, a morte. Se a doutrina é fruto de construção humana, logo, ela é um indicativo do que o homem compreende sobre o seu caminho para o paraíso.</p>



<p>Se em 2018 eu estava inconformada com o machismo existente nos centros que deveriam construir igualdade, no mesmo ano assisti a membros do corpo da Igreja Institucional alinharem-se a um projeto de governo liderado por um entusiasta da tortura, da ditadura, da educação obsoleta que privilegia uma masculinidade tóxica; que rompe totalmente com a lógica de um ambiente pacífico e de bem-estar político, declarando guerra às ideologias e a toda sorte do que constitui, de fato, política. Posteriormente, declarariam: &#8220;o estado é laico, mas o governo é cristão&#8221;.</p>



<p>Nessa trajetória, há muito o que se apontar de inconsistente em tal declaração. Basta olharmos para a pasta do meio ambiente: se o manual de fé cristão orienta a preservação (já que &#8220;teologicamente foi dada, ao ser humano, a responsabilidade de administrar a terra através do exercício da mordomia. Nesse sentido, o ser humano executa a <em>Missio Dei, </em>isso é, a missão de Deus.&#8221; (MARINGOLI, 2019, P.96) ), o plano de ação do atual governo é subserviente às lógicas agropecuária, do garimpo, da especulação imobiliária. É o oposto.</p>



<p>É possível apontar muitas inconsistências também no cenário internacional; assisti, atônita, a um grupo conservador invadir o Capitólio sob a retórica de &#8220;Make America Great Again&#8221;, baseada em uma política de intolerância com aqueles que discordam. Grupo, este, instigado pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump &#8211; que recebeu, em ambas as corridas pela presidência, o apoio cego de parte do corpo da Igreja Institucional. Estamos falando de campanhas de oração em prol de sua vitória, de mobilizações nos púlpitos para a pregação de uma doutrina conveniente à retórica trumpista. Pensar que o combustível para tais ações é a busca pela trajetória terrena rumo ao paraíso consiste em deslocar reflexões para uma estrutura ainda mais profunda &#8211; a saber, a noção comportamental aliada à ideia de &#8220;moral&#8221;, que serviria como chave para o paraíso pós-morte e para o paraíso na terra; afinal, muitos encontram prazer e felicidade em submeter o outro à sua opinião.</p>



<p>A busca pelo paraíso tem se desencontrado de uma teologia saudável, verossímil e justa; por isso, a dificuldade do diálogo. O prazer daqueles que oprimem em nome de um cristianismo vil reside no caráter que atribuem a sua fé: a de detentora de certezas. Portanto, sua constância ativa nos espaços de poder é um elemento inegociável; afinal, essa é a única manifestação possível e visível de que estão certos. Nada os aprova: são pessoas esvaziadas de testemunho, que encontram sentido em estarem certas com atestado público. É, de fato, a depravação dessa busca existencial que faz com que ela deixe de depender da existência da fé em um Criador, e passe a creditar a sua verdade na mentira; a sua guerra justa na violência; a sua teologia no &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;; e assim vai.</p>



<p>Pensar, porém, que essa trajetória dos indivíduos para o paraíso &#8211; marcada pelo ódio, pela violência, pela mentira &#8211; é apenas fruto de uma teologia ruim é inocente. No atual governo brasileiro, cristãos estão presentes nos ministérios com uma perspectiva teológica rebuscada e complexa. Por hoje, cabe destacar que os rumos indicam novos cultos &#8211; o que sugere, pelo que vimos até agora, uma nova ameaça aos espaços de poder. Afinal, buscar-se-á o paraíso em vida a todo custo.</p>



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<p>BIBLIOGRAFIA<br><br>MARINGOLI, Ângela.&nbsp;<strong>Teoambientologia</strong>: Um desafio para a Educação Teológica. São Paulo: Recriar, 2019.<br><br>ONTIVEROS, Eva. <a>&#8220;&gt;Mutilação genital feminina: o que é e por que ocorre a prática que afeta ao menos 200 milhões de mulheres</a>. <strong>BBC News</strong>. 2019. Acesso em: 23 janeiro 2021.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
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		<title>É a triste realidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[cultura das redes]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[rebelião das máquinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Essa fala, em geral, vem acompanhada de um ar de pesar ou de conformismo: não tem jeito, é a triste realidade, isso não vai mudar…</p>



<p>Será?!</p>



<p>Me chamou a atenção uma postagem na internet: uma pessoa em situação de rua se encontrava com um ferimento infeccionado em uma de suas pernas. No texto, a postagem falava sobre natal, ano novo e o cuidado e a compaixão com o próximo.</p>



<p>Necessário, clichê, &#8220;só discursos&#8221;. A definição dessa postagem a você, leitor, pode parecer familiar ou estranha, mas fato é: atos de bondade são escassos e têm sido retratados como atos heroicos.</p>



<p>Em contrapartida, quando alguém se posiciona com um ato honesto, fala-se sobre a necessidade de uma postura contínua, que o ato em questão é o mínimo e não passa da obrigação do indivíduo contribuindo para uma sociedade mais justa, etc.</p>



<p>No ano em que tivemos nossa civilidade confrontada não apenas por um inimigo invisível, mas também por nós mesmos e por nossos pares, a frase &#8220;é a triste realidade&#8221; é dolorida de se ler.</p>



<p>A triste realidade é que estamos tão cansados que já não somos capazes, em nossa grande maioria, de externar boas ações aleatoriamente.</p>



<p>Somos seletivos, cuidamos dos nossos: aos conhecidos, o mundo; aos desconhecidos talvez algumas moedas, um prato de comida. Mas penso que isso, em si, não é tão culpa nossa…</p>



<p>Somos condicionados a acordar cedo, dar conta de tudo, suportar pressões, metas, desprezo e irrelevância. Isso tudo nos consome a &#8220;civilidade&#8221;. Mas o que é civilidade, afinal?</p>



<p>Em uma rápida pesquisa no Google, civilidade é: <em>o conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração.</em> Em uma pesquisa menos rápida, já ligando a &#8216;civilidade&#8217; à &#8216;civilização&#8217;, temos que, de acordo com Johan Huizinga, existem três pilares a serem percebidos quanto a constituição de uma civilização:</p>



<ul type="1"><li>Certo grau de domínio da natureza física através de boas técnicas científicas e industriais.</li><li>Um indispensável equilíbrio entre o progresso técnico e o domínio do homem sobre a natureza física, e um correspondente progresso moral e o domínio do homem sobre a sua própria natureza espiritual.</li><li>A existência de um ideal comum, como característica da feição espiritual de uma época ou de um povo.</li></ul>



<p>A partir daí: a quantas andamos, como civilização?</p>



<ul type="1"><li>De fato, temos dominado &#8211; e devastado &#8211;&nbsp; a natureza física através de técnicas científicas e industriais questionáveis.</li><li>Não temos equilíbrio entre nosso progresso técnico. A maneira como dominamos a natureza hoje é questionável, vide as diversas crises ambientais e acidentes que causaram danos irreversíveis (ou longos demais) ao ecossistema afetado por nossa segura e ultramoderna tecnologia. Além de todo esse caos físico, será se temos tido avanços notórios no progresso moral e nossa natureza espiritual?</li><li>Em um mundo globalizado, nosso ideal comum é quase inexistente, e tem sido combatido com força por aqueles que não acreditam em um mundo “Global”.<br></li></ul>



<p>Voltando ao início: ainda me dói lembrar dos textos enormes de pessoas que justificam a negativa em ajudar o próximo. Percebi que as pessoas, ao darem esmolas ou ao contribuírem com alguma casa de caridade, esperam que seu dinheiro seja como os feijões mágicos. Desejam que o efeito da ação seja instantâneo, livre de trabalho, de desgastes. Tem que haver uma solução mágica, para que o resultado caiba nos 15 segundos do <em>stories</em> do Instagram.</p>



<p>Passamos os dias nos questionando sobre os modelos de produção, sobre o desgaste da produtividade, vendo colegas com sofrendo com <em>burnout</em> e outros reflexos da nossa exaustão; mas na hora de sermos diferentes de todo o processo &#8211; que nos torna insensíveis como as máquinas -, repetimos o que nos foi imputado desde nossos primeiros passos.</p>



<p>Parece estranho, mas se observarmos bem, nos tornamos máquinas repetidoras dos atos que nos sufocam. Ecoamos, então, esse sufoco aos marginalizados, àquelas pessoas que perderam alguma oportunidade ou que tiveram uma vida toda longe de qualquer chance de “ser um contribuinte do sistema”.</p>



<p>Após cada texto longo comentando a foto sobre “experiências de um dia” em clínicas de reabilitação, culpando sempre o indivíduo que possui alguma dependência química, vinham muitos com a frase mais mortal, fria, desrespeitosa e que acena para uma civilização não tão civilizada: “É a triste realidade”.</p>



<p>Como podemos questionar o processo de alguém que não mude da noite para o dia?! Nós mesmos temos o problema de repetir os mesmos erros ao longo da vida com diversas pessoas diferentes. Ainda assim, achamos que estamos melhorando e nos libertando de algum “defeito”.</p>



<p>Parece que, em dias tão sombrios, quem tem apertado o gatilho nas linhas de frente não são os opressores, somos nós. Temos nos rendido à indiferença e ao instantâneo.</p>



<p>Parece que nos tornamos máquinas, achando que somos nossos smartphones e, assim, basta baixar uma atualização ou desinstalar um aplicativo para nos tornarmos melhores. A verdade, porém, é que todos nós sentimos as dores do crescimento: os dentes caindo, os joelho ralados grudando nas calças. Todas essas dores nos lembram de que a vida é um processo demorado; ou você parou de andar de skate, de subir em árvores, de descer a ladeira de rolimã depois do primeiro acidente?</p>



<p>Pessoalmente, eu não tenho problemas com a tecnologia; ao contrário, gosto muito. Através de dispositivos que possuo, eu conheci pessoas incríveis que têm mudado a minha maneira de enxergar a vida, me ajudado a ser uma pessoa melhor, a superar medos, a pensar e assumir formas de ajudar pessoas que tem sofrido dores inimagináveis dentro de seus próprios lares. Porém, isso tudo parece, por vezes, só um jogo que desinstalamos de nossa interface quando cansamos. Máquinas cansam?! </p>



<p>Cada vez mais, sinto que somos a própria rebelião das máquinas, onde aquele que demonstrar empatia será crucificado por não ter feito mais do que a sua obrigação, enquanto permanecemos alimentando algoritmos e apedrejando os diferentes até que não exista diversidade.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13642 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?w=3000&amp;ssl=1 3000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?w=2850&amp;ssl=1 2850w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
</div></div>



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		<title>Retrato de uma senhora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[anciã negra]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Cerqueira]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carolina Cerqueira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Benedito José Tobias, nascido em 1894, se dedicou ao exercício de retratar. Rejeitando exclusão, a mulher negra e idosa é sujeito de sua obra pictórica.</p>



<p>O Brasil, marcado por desigualdades, desenha, em um caminho biológico natural, velhices distintas. Envelhecer pode significar, mais uma vez, frente a depreciação social, se tornar, cada vez mais, invisível.</p>



<p>No retrato de título desconhecido de 1962, óleo sobre madeira aglomerada, temos no primeiro plano a figura de uma mulher de idade e, variando do recorrente fundo monocromático das pinturas de Tobias, no segundo plano observamos o que parecem ser folhas de bananeiras. A mulher retratada está inteiramente vestida de branco, – seria uma sexta-feira? – brincos perolados nas orelhas, um olhar cansado, talvez pelo exercício característico do trabalho doméstico ou do cuidado com as crianças.</p>



<p>A leitura que faço é a de que essa senhora representa conhecimento, carregado por anos, e ela também representa a potência de os transmitir para as próximas gerações, sem deixar, não só nossas histórias, mas nossas crenças, entendimento de mundo, morrerem. Para além de “mãe preta”[1] ou de “tia Nastácia”[2], podemos interpretar a pintura como uma concepção do saber empírico, fruto do conhecimento da vida, pelo seu exercício real.</p>



<p>Antítese da branquitude e da masculinidade, essa anciã é a excelência da beleza das formas e dos traços do tempo, por fora e por dentro.</p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e8978-titulo-desconhecido-1962.jpg?resize=568%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13626" width="568" height="760" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Benedito José Tobias, título desconhecido, 1962.<br>Óleo sobre madeira aglomerada, 41 x 32 x 3,3&nbsp;cm. <br>Fonte: <a href="http://www.museuafrobrasil.org.br/acervo-digital/acervo">Acervo digital Museu Afro Brasil</a><br>Acesso: 17 de maio de 2020.</figcaption></figure></div>



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<p>[1] Um dos estereótipos dos escravizados, a “mãe preta” era imaginada como uma negra dócil, “domesticada”, corpulenta, supersticiosa, a ama-de-leite de índole fiel.</p>



<p>[2] Personagem da série de livros infantis de Monteiro Lobato, <em>Sítio do Pica-Pau Amarelo</em>, publicados entre 1920-1947. Nas próprias palavras do escritor, a Tia Nastácia era “a negra de estimação” da família que morava no Sítio. (LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Círculo do livro, 1986.)</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="555" height="555" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?resize=555%2C555&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13629 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?w=555&amp;ssl=1 555w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-carol-cerqueira.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 555px) 100vw, 555px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Carolina Cerqueira </strong></strong></strong></strong></strong>é artista visual e pesquisadora. Doutoranda em Artes, Cultura e Linguagens pela UFJF.</p>
</div></div>



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		<title>Professores são aliados fundamentais para o fim da violência contra a mulher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Violência contra a Mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>O Banco Mundial, a Câmara dos Deputados, o Facebook e o Instituto Avon organizaram o concurso de vídeo Lei Maria da Penha para estimular jovens de 14 a 18 anos a pensarem em maneiras de identificar relacionamentos abusivos e mudarem esta situação.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Dos&nbsp;70 vídeos enviados sobre o tema, foram premiados cinco (um de cada região do Brasil), todos com até um minuto e escolhidos em votação popular pela internet.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>As professoras que orientaram os vencedores do concurso apostam no audiovisual e na criatividade para conscientizar adolescentes sobre relacionamentos abusivos e suas possíveis consequências.</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="516" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b4677-bm.png?resize=950%2C516&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13655" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b4677-bm.png?w=1650&amp;ssl=1 1650w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b4677-bm.png?resize=300%2C163&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b4677-bm.png?resize=1024%2C556&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b4677-bm.png?resize=768%2C417&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b4677-bm.png?resize=1536%2C834&amp;ssl=1 1536w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Cena do vídeo Isso não é Amor, de Sofia Rambo &#8211; um dos vencedores do Concurso Lei Maria da Penha.<br>Foto | Sofia Rambo</figcaption></figure>



<p>O&nbsp;<a href="https://www.worldbank.org/pt/news/feature/2021/01/14/brasil-concurso-video-violencia-genero-jovenes">Banco Mundial</a>, a Câmara dos Deputados, o Facebook e o Instituto Avon organizaram o concurso de vídeo Lei Maria da Penha para estimular jovens de 14 a 18 anos a pensarem em maneiras de identificar relacionamentos abusivos e mudarem esta situação.</p>



<p>Dos&nbsp;70 vídeos enviados sobre o tema, foram premiados cinco (um de cada região do Brasil), todos com até um minuto e escolhidos em votação popular pela internet.</p>



<p>Quando um relacionamento se torna abusivo, como perceber isso e romper o ciclo de violência? Se a pergunta é desafiadora para adultos e especialistas – tanto em comportamento quanto em segurança pública –, que dirá para quem está recém começando a vida amorosa e tem milhares de dúvidas e anseios.</p>



<p>Saber respondê-la, no entanto, pode significar a diferença entre a vida e a morte – ou entre uma adolescência divertida ou traumática – em um país como o Brasil, onde as jovens estão todos os dias expostas à violência de gênero.&nbsp;<a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2020/10/anuario-14-2020-v1-interativo.pdf">Segundo o Anuário Brasileiro da Segurança Pública</a>, as mulheres de 15 a 19 anos corresponderam a 7% das vítimas de feminicídio no Brasil em 2019. Além disso, para as mulheres, o auge da vitimização por estupro ocorre aos 13 anos: são 12% das vítimas, segundo a mesma publicação.</p>



<p>Os vídeos do Concurso Lei Maria da Penha foram apresentados na forma de dramatização e poesia, ora em formato de animação, ora com atores amadores, mas sempre de forma clara e didática. Conheça os vencedores do Concurso:</p>



<ul><li>&#8220;Primeiro, ele vai te tratar como uma rainha. Depois é que começam as agressões&#8230; Você normalmente começa a ser agredida psicologicamente&#8221;, descreve a aluna Sofia Rambo, de Pareci Novo, Rio Grande do Sul, em&nbsp;<a href="https://www.facebook.com/276347279132497/videos/239026910454977">Isso não é Amor</a>.<br></li><li>&#8220;Ele não me deixava sair com minhas amigas&#8230; Não me deixava conversar com minha mãe nem minhas irmãs&#8230; Me proibia de vestir as roupas que eu queria&#8230; Não me deixava pegar no meu celular&#8230; Me xingava&#8230;&#8221;, contou a moça entrevistada por Carmo dos Santos Sousa, de São Julião, Piauí, no minidocumentário&nbsp;<a href="https://www.facebook.com/276347279132497/videos/2687982294588558">Estudar + Trabalhar = Empoderar</a>.<br></li><li>&#8220;Ele fala: &#8216;Amor, eu nunca mais vou fazer isso&#8217;; e você, boba de amor, acredita”, disse a jovem do vídeo&nbsp;<a href="https://www.facebook.com/276347279132497/videos/591009124792118">1, 2, 3&#8230;</a>, de Lucas Henrique Costa, da zona rural de Bonito, Mato Grosso do Sul.<br></li><li>&#8220;Desde muito meninas, ouvimos que quando o garoto da escola chega e puxa o nosso cabelo ou implica com a gente o tempo todo, faz isso porque gosta da gente. E taí: aprendemos errado desde o começo&#8221;, refletiu uma das participantes do vídeo&nbsp;<a href="https://www.facebook.com/276347279132497/videos/2252372388400096/">Prelúdio</a>, de Sofia Borodiak, de Sorocaba, São Paulo.<br></li><li>&#8220;A mim resolvi amar / Antes que minha vida findasse, às mentirosas juras pus fim / E um canto de liberdade ecoou dentro de mim&#8221;, concluiu de modo poético o vídeo&nbsp;<a href="https://www.facebook.com/276347279132497/videos/196380804792444/">Dona de Mim</a>, dirigido por Mary Lene Santos, de Manaus, Amazonas.</li></ul>



<p>Para levar a reflexão a cantos tão diferentes e distantes do país, uma figura é fundamental: a dos professores, não importa a disciplina que ensinem. Outro papel importantíssimo cumprido por eles e pela comunidade escolar em geral é identificar e evitar relacionamentos abusivos entre os próprios jovens, segundo as professoras que orientaram os vencedores do concurso.</p>



<p>“No primeiro dia em que abordei o tema na turma, uma aluna me procurou após a aula e contou que vivenciou uma relação abusiva, e dessa relação teve uma filha. Conversei com ela sobre a chance de tornar o trauma sofrido uma oportunidade de aprender, ensinar e alertar outras jovens sobre o relacionamento abusivo. Pedi a ela que escrevesse sua história e pensaríamos numa forma de contá-la. Assim, eu e a pedagoga reunimos o grupo e começamos a buscar a melhor forma de conseguir fazer o vídeo”, recordou a professora de artes e orientadora do vídeo Dona de Mim, Ivane Mariano dos Santos.</p>



<p>“Muitos adolescentes e crianças veem a escola como seu único espaço seguro e têm os professores como os únicos adultos que escutam de fato e estão ali para apoiar”, comentou a professora de história Milene Martinez, orientadora do vídeo Prelúdio e vencedora do concurso pela segunda vez (a primeira foi em 2014). Atuando na mesma escola há oito anos, Milene se define como feliz e orgulhosa por ter a confiança dos colegas, dos alunos e dos pais, mas reconhece que nem todos os professores contam com as mesmas liberdade ou estrutura para trabalhar o tema em sala de aula.</p>



<p>O obstáculo principal de um trabalho desses, muitas vezes, são os preconceitos e resistências dos próprios alunos, ainda mais numa fase da vida em que eles costumam desafiar a autoridade dos professores.</p>



<p>“Já enfrentei resistência de alunas que se achavam merecedoras de uns tapas dos namorados, pois acreditavam que estavam erradas e eles poderiam puni-las”, lembrou a professora de biologia, química, física e português e orientadora do vídeo 1, 2, 3&#8230;, Jaqueline Aparecida dos Santos.</p>



<p>A professora de português e literatura brasileira, Lidiane Chagas de Carvalho, que coordenou o vídeo Estudar + Trabalhar = Empoderar, tem uma experiência semelhante. “Em temas delicados como relacionamentos abusivos e agressão, noto que às vezes alguns alunos não dão a devida importância: levam na brincadeira, não refletem nem participam, como se o assunto fosse fora da realidade”. Ela continua o trabalho mesmo assim e acredita que, com acesso a metodologias melhores, seria possível sensibilizar ainda mais os alunos.</p>



<p>Na falta dessas metodologias, Lidiane e outros profissionais apostam no audiovisual e na criatividade para criar confiança entre os alunos e se conectar com eles.</p>



<p>“Ser professores vai além de ensinar a matéria na qual somos formados; também devemos estar atentos para questões das culturas juvenis”, refletiu a professora de matemática e física e orientadora de Isso não é Amor, Maria Eduarda Götz. O vídeo começou como projeto de três alunas – que já tinham levado o assunto para uma feira de ciências em 2019 – e acabou envolvendo toda uma turma de 1º ano do ensino médio.</p>



<p>“Nós, como docentes, temos que pensar em diferentes estratégias para abordar situações que estão presentes no cotidiano deles. Além disso, como os índices no Brasil continuam altos, é importante que ocorram debates, reflexões e projetos que promovam a educação no combate à violência contra a mulher”, concluiu a professora.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/ataques-a-jornalistas-sao-ataques-contra-toda-a-sociedade-civil-diz-bachelet/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 22/01/2021 – Atualizado em 22/01/2021.</em></strong></p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
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		<title>“Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Vida e Morte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Diego Neves</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer”.</p>



<p>Gilberto Gil me traduz, me rabisca, me versa, expressa o medo em mim como se fosse ele mesmo minha própria voz. Talvez seja isso que defina um compositor: a habilidade de palavrear pessoas, amplificando<br>os sentimentos que guardamos em gavetas e potes dentro da cabeça ou do coração. Em minhas gavetas, eu guardo esse medo. Esse medo jocoso, que causa um risinho de canto de boca, bem debochado, que se borda nos rostos cosidos em ironia fina e pura.</p>



<p>“Qual seria a diferença, você há de perguntar. É que a morte já é depois que eu deixar de respirar. Morrer ainda é aqui; na vida, no sol, no ar. Ainda pode haver dor ou vontade de mijar”. A morte já é, morrer está sendo. É devagar, pouco a pouco, a cada mililitro e a cada miligrama. A morte é o destino. Alguns são Amelie Poulain e entendem esse destino como fabuloso, enquanto outros o descrevem como uma incógnita ou um fim. Morrer é o processo, o caminho, a trilha que nos entrega ao destino.</p>



<p>Em 14 de Fevereiro de 1990, a sonda espacial Voyager 1 fotografou a Terra a uma distância próxima dos 6 bilhões de quilômetros. A distância fez nosso planeta parecer um pálido ponto azul. Carl Sagan batizou seu livro, lançado quatro anos depois da fotografia, com esse título: “Pale Blue Dot”. Ele reflete sobre o lugar que chamamos de casa e diz que esse pálido ponto azul é o único lugar que conhecemos como lar. Todo covarde, medroso, herói, filantropo, altruísta, egoísta, toda mulher ou homem, cada pessoa nesse ponto azul o conhecem como lar. Mas, além desse fato, outra coisa também é comum a todos os andantes da Terra: a morte. Alguns morreram antes de nós; outros vão morrer ao mesmo tempo que eu ou você; outros morrerão depois de nós. Uns terão sua morte dada como precoce; outros, “já vão tarde” &#8211; mas de Jeff Bezos ao sujeito mais miserável do qual jamais ouviremos falar, isso é certo: todos vão morrer.</p>



<p>Cada milhão na conta é estar morrendo, como cada centavo perdido também. Todo amor vivido é estar morrendo, assim como toda rejeição. Não há clero, leigo, santo, pecador, louco ou são que não esteja morrendo. É dessa inevitabilidade que eu tenho medo, porque, como dito popularmente, “pra morrer, basta estar vivo”. Morrer é agora, morrer é doído, morrer é estar indo, mas ainda é estar aqui. Morrer é surpresa. Por mais que se saiba que a morte pode estar na virada da próxima esquina, jamais se soube a hora exata e em qual esquina ela está. Quando ela quer, aparece &#8211; como quem é vivo, que dizem, sempre dá as caras uma hora também. Mas até que o encontro com a distinta senhora aconteça, é preciso passar pelo processo. E é desse medo que nasce minha pergunta: como estamos morrendo?</p>



<p>Acumulamos porres, contas, vontades, reclamações. Queremos calor no frio, queremos o inverso, depois queremos o “avesso do avesso do avesso”. Uns querem a razão, outros a felicidade, outros querem a felicidade de ter a razão e uns querem a racionalidade de ser feliz. Não importa, as coordenadas no GPS existencial continuam nos conduzindo, recalculando rotas, virando direitas e esquerdas rumo ao inevitável. Enquanto você morre, deixa eu te perguntar: quantos abraços você já entregou, já recebeu, já deixou pelo caminho? Quantos nãos você já disse? Quanta gente você já precisou despedir, deixar ir e quantas outras você tomou pra si? A quantas já se deu?</p>



<p>Essas perguntas são pertinentes; afinal, a morte é solitária, mas morrer não. A gente não morre &#8211; ou não deveria morrer &#8211; sozinho. Estamos todos morrendo juntos. Você tem morrido junto de quem? O desejo de ser lembrado após a morte, de deixar lembranças e legados é bem comum, mas há uma ideia de que seremos dignos de lembrança pelo modo como vivemos. Pois é, talvez por isso tanta gente queira dar rumos extraordinários à vida, como se a vida fosse um imperativo de ação sem qualquer negatividade, falha ou falta.</p>



<p>Alguns querem apagar de suas trajetórias todas essas inglórias, esses nãos, essas ausências. Talvez seja isso que nos confunda tanto quanto ao sentido da vida. Queremos que a vida tenha sempre um sentido pleno, um grande propósito, um ideal digno dos memoráveis, mas não levamos em conta que os dias a mais são dias a menos. Enquanto a gente morre, a gente muda. O grande propósito de hoje pode ser uma piada amanhã. As pessoas mudam, os rumos mudam, os conceitos mudam, a vida muda. O que não muda é que estamos morrendo &#8211; e enquanto morremos, damos forma à nossa memória. Se vivemos para os propósitos gigantescos destinado aos grandes, perdemos a graça do morrer enquanto mudamos os planos. Casar aos 26, ter filhos aos 27, se aposentar aos 65. Aí os anos vão embora e a gente está solteiro aos 34, não planeja filhos e nem sabe se vai conseguir se aposentar. Interpretamos a vida como um horizonte, sempre dois passos distante a cada dois passos, porque entendemos por vida uma construção contínua do futuro no agora, tendo o que já se foi como parâmetro.</p>



<p>Morrer é diferente. Morrer, a gente morre um pouquinho a cada agora, sofre e ama como se o tempo fosse uma massa de bolo: açúcar, ovo, farinha, fermento, leite. Uma vez batidos, são todos uma coisa só. Passado, presente, futuro são exatamente assim. A diferença é que quando vemos que o tempo não é uma sequência de minutos que vão me dar a fortuna da vida amanhã, a gente se permite sofrer agora, chorar agora, mas ser feliz e amar agora também. Eu poderia morrer enquanto culpo o mundo por minhas mazelas, poderia escolher caras para apontar dedos e despejar mais culpas. Eu poderia morrer enquanto xingo meu clube de futebol favorito, enquanto odeio meu chefe ou enquanto desejo o insucesso de um desafeto. Nada indigno nisso; afinal, somos pessoas e, assim como pensamos e sentimos, também morremos diferente. Mas eu prefiro morrer nos abraços, nos beijos. Prefiro morrer enquanto transo, enquanto gozo, enquanto como e bebo, enquanto sou todo ouvidos e colo ou enquanto eu preciso de ouvidos e colo. Morrer nos atrasos, nos encontros em ponto, nos minutos a mais de sono, nos tapas no despertador ou no acordar afoito antes que o alarme toque.</p>



<p>Eu quero morrer entre amigos, sendo amigo. Eu quero morrer enquanto celebro a minha cama arrumada, minha comida, meu conforto mínimo conquistado com meu esforço. Quero morrer na distância dos ou nos carnavais, no desarrumar das camas ou comendo um fast-food. Porque eu tenho medo de morrer trilhando o chão da solidão, da dor, do desafeto, da distância imposta pela desavença. Da morte, eu não tenho medo; mas tenho medo de morrer. Talvez, na verdade, eu tenha medo da sensação de estar morrendo errado. Sim, morrendo errado. Deixando que os dias passem somando desventuras e desamores bem mais que os pequenos afetos, colhidos no pé de relacionamentos, como acerolas maduras. Morrer errado é quando o viver certo significa ego acima de tudo e o eu acima de todos.</p>



<p>Não, não proponho aqui reflexões rasas sobre o eu e o ego. Não falo do egoísmo de se pôr em primeiro como cuidado, mas como merecedor de toda benesse. O eu antes do outro que significa vida a mim, morte ao outro. Eu não quero morrer sabendo que deixei um rastro de desapontamentos porque não<br>respeitei meu limites e quis me dar quando já não me tinha, ou quis ganhar aquilo tudo que não dei. Eu quero o amor que se realiza no me contemplar como pessoa que se ama, que assim se permite trocar com o outro, que se recebe de volta a partir do outro. Não quero do outro o que já tenho, mas quero o que nele é sim e em mim é não. Quero a negatividade, o negativo em mim que se equilibra no positivo dele, e quero retribuir com o mesmo. Me construir inteiro, para que assim não sejamos metades, mais dois inteiros se fazendo nós. Eu quero morrer fazendo nós, desatando nós, quero morrer eu, me reconhecendo em nós.</p>



<p>“Não tenho medo da morte, mas medo de morrer sim. A morte é depois de mim, mas quem vai morrer sou eu”. Até que a morte nos separe, quero seguir morrendo vivo. Quero todos os brindes e lutos, baques e lutas, sortes e surtos que me couberem. E continuar rumando o inevitável, até que chegue o momento derradeiro. “Aí nesse instante sim, sentirei quem sabe um choque. Um piripaque, um baque um calafrio ou um toque. Coisas naturais da vida, como comer, caminhar… Morrer de morte matada, morrer de morte morrida. Quem sabe eu sinta saudade, como em qualquer despedida.&#8221;</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Diego Neves</strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>
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		<title>Um Mapa para Isabela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabe, minha filha, o mundo é um lugar incrível. Mas viver, em regime de exclusividade, é duro. Você vem vindo de tão longe, e é preciso que saiba das coisas daqui. Te conto não para que se lembre, mas para que se esqueça e, nessa coisa mágica que é se lembrar ao contrário, suspeite do que fazer. Se ainda assim não souber, tudo bem; quase ninguém sabe, meu amor, mas poucos conseguem assumir.</p>



<p>Eu gostaria de ver como são as coisas aí, onde você está. Não sei, tenho que ser honesto, mas suspeito de muita coisa. Deve ser quentinho, macio e aconchegante. Mil vozes do lado de fora dizendo bênçãos cada vez que você chega perto, além daquelas mãos atrevidas que te apalpam o quarto. Gosto de imaginar que você enxerga tudo pelo olho mágico do umbigo. Tenho dúvidas se gosta; mas sei que acaba ficando no centro do mundo todo &#8211; e de fato, de alguns mundos, você é.</p>



<p>Acredito que você vai nascer no dia 12 de abril, mas não me pergunte o motivo; só sei que sinto assim &#8211; e tenho muitas chances de errar. Mas se acertar, serei insuportável! Desde que descobri que viria, sempre te soube, Isabela, e linda, e forte, e corajosa. Penso nas histórias inventadas que desejo contar a você, mas acabo me emocionando. Como eu poderia inventar uma coisa pra te contar, se na verdade sinto que vou sendo inventado com cada coisinha que descubro, dia a dia, preparando o planeta para você desabrochar?</p>



<p>É preciso, no entanto, que eu seja forte o suficiente para dizer a verdade, filha. A vida é injusta. Não basta o sonho. Quase sempre, ser seu próprio patrão é só uma forma romântica de explorar a si mesmo. O trabalho tem se tornado uma doença para a qual se fabricam remédios que nem são coloridos, e que servem apenas para que se durma, se coma e se sinta feliz. Te daria minha vida se pudesse, meu amor, mas no melhor dos seus dias, ainda sobrará, de esgueio atrás da porta, essa nesga de tristeza boa. Enquanto você sente, sabe que é gente, esse é o segredo.</p>



<p>Em abril, o Brasil continuará sob o comando do pior presidente de sua história democrática. Peço a Deus que isso seja uma onda ruim, e que você, quando crescer, apenas se lembre desse homem pelos livros de história que estudará no pré-vestibular. Compensando a situação, existe bastante açúcar aqui, e poucas coisas são tão boas quanto açúcar. Sou viciado! Mas também temos livros, camas e gatos.</p>



<p>Existe uma coisa no mundo que é poderosa. Ela se chama solidão, e é como a sensação de estar desamparado e sem pessoas à sua volta. Acho que todos sentem mais ou menos o mesmo desde que saem da barriga de alguém. Não é algo que se resolva com mais gente, é uma coisa de alma. O pai te escreve hoje sozinho. Algumas vezes, a sensação é de que se fica pequenininho e tudo em volta é grandão. Aí parece que uma pessoa invisível segura o nosso coração dentro do peito com uma luva fria e azul. Como se a gente esperasse o momento em que alguém chamasse para voltar para casa. A solidão é um tipo de estrangeirismo. Mas isso não importa agora, meu amor, não é época para tanto.</p>



<p>Fundamental é que você olhe. Olhe para cima e para os lados. Descubra o céu com calma e com método. Um minutinho é o tempo todo da vida se a gente se lembra só depois de que não chegou a fazer o que deveria porque estava distraído olhando para baixo. Pelo ângulo certo, você poderá ver que Molejo é bem melhor que Beatles, ou que existe mais Deus no erro sincero dos homens comuns do que na maioria das igrejas. Isso é coisa de ver, e bem visto. Quero te contar uma confidência: te vi antes de todas as pessoas, no semblante de sua mãe, enquanto qualquer assunto bobo ocupava nossa conversa. Me orgulho disso pra sempre!</p>



<p>Prove também. Coloque na boca tudo o que quiser, desde que exista pelo menos um adulto por perto até que você complete 12 anos. Açúcar é bom, de verdade. Eu não deveria dar a você; provavelmente, isso te causará qualquer doença que exija ou psicólogos ou comprimidos. Mas te darei açúcar, sim, e te darei café e cupuaçu. Se me puxar, irá se apaixonar; se não, pelo menos vai comer de vez em quando lembrando de mim. O que já basta para que eu me encha de minha satisfação esganada.</p>



<p>Quando começar a andar e a falar, te mandaremos para escola, e peço desculpas por isso. Você deveria estar dentro de casa com alguém te cuidando, mas adultos precisam trabalhar e ganhar um pouco dinheiro, porque, infelizmente, quando for tempo de você vir, ainda viveremos nesta porcaria de vida mecânica. Prometo buscar você, e se alguma vez suspeitar que não irão na hora da saída, esqueça disso, meu bem. Mil loterias não valerão as dobrinhas assadas das suas pernocas gordinhas. Na escola, acima de tudo, desobedeça o quanto puder e conseguir. Te dirão que fique quieta; só cale se estiver tudo bem! Mandarão que abaixe a cabeça, e você não faça isso, senão diante de sua mãe, e de suas avós e de todas as mulheres fortes que te fazem a linhagem! Aí está sua grandeza, na capacidade de ventar e domar o mundo! Isso dará muito errado,&nbsp;Isabela, eu sei, mas estaremos do seu lado.</p>



<p>O amor, filha, é estranho, mas é lindo. O mundo não está pronto para você e para mim juntos. É como se nascêssemos juntos. Barriga afora de sua mãe, e seremos três novos seres. Nunca vivi um só dia até agora, e nas fotos de 93, em Cabo Frio, olho para mim com medo do mar e vejo só você ali. Assim como na caricatura que mamãe guardou, nos bigodinhos brancos da Tashi e no silêncio vazio e triste do meu apartamento.</p>



<p>Você está em mim, filha.</p>



<p>Que coisa boa é isso tudo.</p>



<p>Suspeito de muita coisa, mas não tenho certeza de quase nada. É provável que este mapa te leve a lugar nenhum. Mas quando chegar, seu pai estará logo lá. O resto acontece; mais importante é você vir.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vinícius Lara&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



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		<title>&#8220;Bom dia, o sol já nasceu lá na fazendinha&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem missionária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Mariana Sanches</p>
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<p>Ainda estou dormindo, e uma música animada invade meu sonho como se fosse parte dele. Alguns minutos depois, percebo que é o despertador. Quem nunca passou por isso? </p>



<p>O despertador em questão é uma caixa de som deixada estrategicamente na porta do quarto tocando &#8220;Fazendinha&#8221;, do Mundo Bita (nosso despertador em 95% dos dias).</p>



<p>Abro os olhos e, por um segundo, acho que vou acordar no meu quarto, até me ambientar e lembrar que na verdade estou num colchão no chão, enrolada em um saco de dormir, outras três pessoas em volta de mim. &#8220;Caramba, eu estou na África&#8221;; foi esse meu pensamento em todas as manhãs que acordei lá.</p>



<p>A música não para enquanto restarem pessoas deitadas; assim, só me resta levantar logo. O mau-humor que surgiria por ser acordada cedo com uma música alta dá lugar à alegria saudar as pessoas que estão nessa aventura comigo: um bom dia cheio de carinho, amor e entusiasmo.</p>



<p>Os líderes do grupo já estão de pé, preparando o café da manhã. Não podemos começar o nosso dia sem comer o tradicional &#8220;kuduro&#8221;: um pão parecido com uma baguete, mas mil vezes mais gostoso. Como o pão tem que estar na mesa quando todos acordam, é preciso ir comprá-lo bem cedo. Assim, só consegui ir comprá-lo em um dia durante a viagem: ainda com muito sono e de estômago vazio, me lembro de entrar no carro com o sol bem baixo, mas forte. É inesquecível a sensação gostosa de acordar cedo o suficiente para ainda estar frio, apesar de o sol já estar brilhando. A padaria não ficava muito longe da casa; mas para alguém extasiada com a experiência, o caminho pareceu prazerosamente longo.</p>



<p>A padaria é um barraco bem precário, como muitas construções de Bissau. Dentro do barraco, não há nada além de um grande forno feito diretamente no chão, como um iglu de terra. Como chegamos relativamente tarde, não tinha mais pão fresco; então, escolhemos os pães que foram deixados para trás pelos outros compradores. A vitrine para escolher os pães? Um saco no chão com todos os pães em cima. Se você desse sorte, você pegava um kuduro sem o &#8220;tempero especial&#8221; da poeira.</p>



<p>Antes de tomar café, todos os voluntários devem estar praticamente prontos para enfrentar o dia, de banho tomado e a roupa do dia. Quando todos estavam prontos, era hora de alimentar a alma e mente antes do corpo &#8211; numa missão humanitária, corpo, mente e alma trabalham juntos o tempo todo.</p>



<p>Todas as manhãs, fazíamos nossa reunião. Sentávamos juntos, presentes no momento, sem distrações; apenas a atenção plena no que estava acontecendo. Era quando nós conversávamos sobre como seria o dia, fazíamos nossa oração para que tudo ocorresse bem e cantávamos nossa música. Cada dia era uma: em alguns dias, músicas em crioulo (idioma nativo de Bissau); em outros, músicas do Brasil. A que mais me marcou foi &#8220;A Começar em Mim&#8221;, da banda Vocal Livre; impossível ouvir sem sentir saudade.</p>



<p>Orações feitas e barriga cheia, era hora de fazer o que fomos para lá fazer: ajudar as pessoas.</p>



<p>Por mais que cada um tivesse sua função bem esclarecida, cada dia era uma surpresa. Nunca sabíamos se o dia seria incrível ou muito difícil; e, na maioria das vezes, era ambos. Para aqueles que nunca foram voluntários, pode ser difícil entender como alguém consegue se sentir tão realizado em meio a tanta precariedade, mas eu posso explicar. O que dá energia para que os voluntários se levantem todos os dias durante uma missão com um sorriso no rosto e nada mais do que amor no peito: a felicidade das pessoas que são ajudadas.</p>



<p>Não importa qual seja sua função em uma missão, você sempre estará em contato com pessoas. Seres humanos, como nós, que não possuem nada além de gratidão para dar em troca dos nossos serviços.</p>



<p>Essa gratidão chega a nós através de sorrisos, carinhos, brincadeiras e até mesmo favores. Se eu aprendi uma coisa sobre Bissau e missões é que as pessoas que estão com você (e que entendem o real propósito de uma viagem missionária) nunca vão medir esforços para te ajudar e fazer a viagem ainda mais especial. Foram incontáveis as vezes que alguém me agradeceu, mesmo que só com um sorriso.</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="1426" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34559-mari1.png?resize=950%2C1426&#038;ssl=1" alt="" data-id="13721" class="wp-image-13721" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34559-mari1.png?w=959&amp;ssl=1 959w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34559-mari1.png?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34559-mari1.png?resize=682%2C1024&amp;ssl=1 682w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34559-mari1.png?resize=768%2C1153&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2720e-mari2.png?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" data-id="13720" class="wp-image-13720" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2720e-mari2.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2720e-mari2.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2720e-mari2.png?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2720e-mari2.png?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="1426" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1114a-mari3.png?resize=950%2C1426&#038;ssl=1" alt="" data-id="13719" class="wp-image-13719" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1114a-mari3.png?w=959&amp;ssl=1 959w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1114a-mari3.png?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1114a-mari3.png?resize=682%2C1024&amp;ssl=1 682w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1114a-mari3.png?resize=768%2C1153&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42acf-mari4.png?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" data-id="13718" class="wp-image-13718" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42acf-mari4.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42acf-mari4.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42acf-mari4.png?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42acf-mari4.png?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



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<p>Quando fomos à Ilha de Galinhas, não nego: fiquei apavorada. A viagem durou três horas, com apenas um motor no barco, sem rádios para comunicação, nem um teto para nos cobrir do sol. Mas quando chegamos à ilha, vi os moradores pegando todas as nossas coisas (malas pesadas, cadeiras odontológicas, até mesmo geradores), colocando tudo em cima do ombro e carregando tudo para nós. Eu desci do barco sem nada nas mãos, pois eles fizeram questão de nos ajudar.&nbsp;</p>



<p>Assim que chegamos mais perto da praia, uma imagem que me encheu de alegria: crianças correndo em nossa direção, cada uma procurando uma mão para segurar e nos levar até a terra, com seus baldes cheios de caranguejos capturados por elas mesmas. A alegria no rosto delas é indescritível. Elas nem nos conheciam e já nos amavam, assim como nós amávamos a elas. Fazer missão é isso: aprender que o amor pode ser instantâneo e espontâneo.</p>



<p>Passar três dias numa ilha onde nenhum missionário pisava há dois anos pode parecer aterrorizante. Mas, em missão, as pessoas fazem qualquer coisa tornar tudo melhor.</p>



<p>Nossa casa não tinha luz, nem chuveiro, nem torneiras, e mal tinha janelas. Era uma casa de concreto, sem acabamento, sem piso ou forro no teto, no meio do mato. Ao lado, um poço, de onde nós tirávamos nossa água para tudo. Quando cheguei à casa, foi um choque; para nossa sorte, havia uma casa vizinha onde moravam várias crianças, que faziam nossa alegria todos os dias.</p>



<p>Fazer uma missão em outro continente pode ser assustador. Eu enfrentei muitos medos que sempre tive. Porém, aprendi a valorizar coisas básicas do nosso dia-a-dia que sempre passaram batido &#8211; desde a água quente do meu chuveiro até o sorriso e o carinho que nós temos pelas pessoas que vivem com a gente. A gente pode não perceber, mas tudo o que nós temos nessa vida são as pessoas que nos cercam. Os bens materiais vêm e vão; como a gente interage com os outros, como nós vamos tocar a vida daquela pessoa é o que realmente faz a diferença, porque o ser humano é mutável, nos construímos todos os dias a partir das nossas experiências. Se eu puder fazer uma pessoa melhor, que seja só dando um bom dia, eu vou fazer, porque foi isso o que eu aprendi. Aqui ou na África, missionária: é isso que eu sou.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="452" height="454" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/03e97-mariana-sanches.png?resize=452%2C454&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13663 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/03e97-mariana-sanches.png?w=452&amp;ssl=1 452w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/03e97-mariana-sanches.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/03e97-mariana-sanches.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 452px) 100vw, 452px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Mariana Sanches </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é jornalista, fotógrafa e escritora por amor.</p>
</div></div>



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		<title>Tempo perdido por pessoas negras tentando explicar a pessoas brancas sobre o racismo</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Lorraine Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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<p><strong><strong>Lorraine Mendes</strong></strong> é professora substituta da EBA-UFRJ, Doutoranda em Artes, Cultura e Linguagens pelo IAD-UFJF, artista e tatuadora.</p>
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