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	<title>Arquivos Ano 003, N 086 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A MORTE PELO EPISTEMICÍDIO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[Construção de Identidades]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemicídio]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologia Universal]]></category>
		<category><![CDATA[extermínio da população indígena]]></category>
		<category><![CDATA[extermínio da população negra]]></category>
		<category><![CDATA[Morte Simbólica de Povos]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[Silenciamento de Minorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Você conhece o termo “epistemicídio”? </p>



<p>Apesar de próxima do termo “genocídio” (que estamos lendo com tanta frequência), a palavra <em>epistemicídio</em> só apareceu em minhas leituras mais recentes &#8211; e prontamente chamou minha atenção.</p>



<p>Se buscarmos entender e contextualizar o termo por sua origem, muitos poderão dizer que se trata da morte do conhecimento &#8211; o que é verdade. Mas para que a questão se aprofunde e para que não façamos o mau uso desse termo tão importante, proponho uma análise mais ampla: que tipo de conhecimento está morrendo?</p>



<p>O conceito de epistemicídio é do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que, ao tratar da questão da expansão europeia e da colonização, pontuou o seguinte: “eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho, e eliminaram formas de conhecimento estranho porque eram sustentadas por práticas sociais e povos estranhos”. A autora brasileira Sueli Carneiro também desenvolveu estudos sobre o tema, e nos ensina que <strong>o epistemicídio é um verdadeiro processo de assassinato, pelo grupo racial hegemônico, de saberes dos povos negros e indígenas, como uma política de genocídio e dominação</strong>.</p>



<p>E por que ele é tão grave, tão perigoso? Justamente por ser mais vasto e frequente que o genocídio, uma vez que ocorre sempre que se pretende subalternizar, subordinar, marginalizar, ou ilegalizar práticas e grupos sociais que poderiam constituir uma ameaça à expansão do grupo considerado superior (a epistemologia branca, europeia, cristã e heteronormativa, por exemplo). É um movimento contra a história dos trabalhadores, dos indígenas, dos negros, das mulheres e das minorias em geral (étnicas, religiosas, sexuais); assim que o epistemicídio costuma ser considerado como “a morte antes do tiro” ou “a morte da mente antes do corpo”. Quando silenciamos as epistemologias, os saberes de parteiras, de povos originários, a prática médica de povos colonizados e impomos uma epistemologia universal, nós estamos literalmente silenciando esses sujeitos e desqualificando suas histórias.</p>



<p>A inviabilização de saberes não-hegemônicos nos encontra desde bem cedo: quando aprendemos História no ensino fundamental, muito se fala do Ocidente e seu desenvolvimento, enquanto o Oriente aparece como lugar de passagem. Aprendemos sobre as grandes conquistas europeias e nada sobre os reinos africanos. Lemos que os povos indígenas trocavam, negociavam terras e riquezas por quinquilharias, e não que tiveram seus corpos explorados, violados e escravizados.</p>



<p><strong>A forma principal em que a morte simbólica desses povos se materializa é através do apagamento de referenciais dos saberes africanos, afro-brasileiros, ameríndios e afins. </strong>É uma representação clara de nossos preconceitos e do racismo estrutural na produção intelectual, responsável por negar a capacidade dos povos não brancos de produzir saber.</p>



<p>Para estudiosos do tema, como Djamila Ribeiro, a epistemologia dominante seria aquela imposição de um conhecimento universal que reflete os interesses políticos e econômicos específicos do grupo social dominante &#8211; geralmente de uma sociedade branca, colonial, patriarcal e cristã. Mas não é só isso: essa sociedade é quem estaria produzindo o conhecimento considerado como “verdadeiro”. Esse processo resulta não só na desqualificação de conhecimento dos povos dominados, mas também na desqualificação coletiva e individual desses sujeitos enquanto sujeitos que pensam.</p>



<p>E o que o epistemicídio faz na prática é um estrago grotesco: o embrutecimento das pessoas que estão fora do grupo dominante faz com que a ascensão social delas fique cada vez mais distante. O sistema é programado para absorver esses indivíduos como mão de obra mais barata, para trabalhos mais rústicos, ou para mero entretenimento e aparição no meio artístico ou esportivo (os que têm sorte), enquanto os demais caem no desemprego, na marginalidade, ou em outras esferas em que seus corpos são alvos fáceis para serem exterminados.</p>



<p>E qual seria um caminho inicial para quebrar esse ciclo? Ora, seria preciso desestabilizar e transcender a autorização discursiva branca, masculina cisgênera e heteronormativa. A partir disso, debater como as identidades foram construídas nesses contextos.</p>



<p>A exclusão de corpos subalternizados dos espaços de poder político e econômico é apenas resultado de um processo de exclusão que começou lá atrás, nos espaços de produção de conhecimento. No caso do Brasil, em especial, é até difícil mensurar o quanto as coisas seriam diferentes se valorizássemos os saberes das mulheres de terreiro, dos indígenas, das Babalorixás, das mulheres do movimento de luta por creches, das irmandades negras, dos movimentos sociais encabeçados pela comunidade LGBTQIA+, entre tantos outros. Torçamos para que esse movimento seja feito a tempo, e que pessoas brilhantes, como foi Carolina Maria de Jesus<a href="#_ftn1">[1]</a>, passem a ser lidas, respeitadas e apreciadas enquanto ainda estão vivas.</p>



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<p>[1] Carolina Maria de Jesus foi uma escritora negra, mãe, catadora de papel, moradora da favela e com pouquíssima escolaridade formal. No dia 25 de fevereiro de 2021, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu a Carolina o título de Doutora&nbsp;<em>Honoris Causa</em>, reconhecimento oferecido a pessoas com contribuições decisivas para a arte, a ciência e a cultura brasileiras. A autora morreu em 1977.</p>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>SANTOS, Boaventura de Sousa. <strong>Pelas mãos de Alice (1995).</strong></p>



<p>BORGES, Pedro. <strong>Epistemicídio, a morte começa antes do tiro.</strong> Alma Preta. Disponível em: &lt;<a href="https://almapreta.com/sessao/cotidiano/epistemicidio-a-morte-comeca-antes-do-tiro">https://almapreta.com/sessao/cotidiano/epistemicidio-a-morte-comeca-antes-do-tiro</a>&gt;.</p>



<p>SILVA, Vinícius da. <strong>Perspectivas conceituais: o que é o epistemicídio? </strong>Disponível em: &lt;<a href="https://viniciuxdasilva.medium.com/perspectivas-conceituais-o-que-%C3%A9-epistemic%C3%ADdio-70267bd3954">https://viniciuxdasilva.medium.com/perspectivas-conceituais-o-que-%C3%A9-epistemic%C3%ADdio-70267bd3954</a>&gt;.</p>



<p>PESSANHA, Eliseu Amaro. <strong>Do Epistemicídio: as estratégias de matar o Conhecimento Negro Áfricano e Afrodiaspórico.</strong> Disponível em: &lt;https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/problemata/article/download/49136/28617/&gt;.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="709" height="709" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=709%2C709&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13636 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?w=709&amp;ssl=1 709w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>D</strong><strong style="font-weight:bold">éborah Silva </strong>é advogada, especialista em Direito Constitucional e pós graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global.</p>
</div></div>



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		<title>IN-CORPORAÇÕES: AS DORES DO MUNDO EM MIM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
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		<category><![CDATA[política social de afetos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[silenciamento de corpos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Micael Correia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Meu corpo também guarda o gesto contrário</em><br><br><em>Francisco Mallman</em></p>



<p>Richard Sennett nos conta uma história em que ele e um amigo assistiam a um filme num cinema de Nova York. Esse amigo era um ex-soldado que tivera a mão esquerda amputada por ocasião da Guerra do Vietnã e usava uma prótese mecânica, com dedos de metal, que lhe permitia segurar alguns objetos e digitar. Durante o filme – um <em>sangrento épico de guerra</em> –, o amigo permaneceu impassível, emitindo somente alguns comentários técnicos. Ele relata:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“À saída, fumando, aguardávamos outra pessoa que viria ao nosso encontro. Ele acendeu seu cigarro sem pressa, segurando-o com sua garra [&#8230;] O público acabara de enfrentar duas horas vendo corpos dilacerados, aplaudindo com o maior entusiasmo os lances mais violentos e a carnificina. Passando por nós, as pessoas observavam inquietas a prótese de metal e se afastavam rapidamente. Logo, éramos uma ilha no meio delas”¹.</em></p>



<p>Esse tipo de caso parece ilustrar muito bem o que o próprio Sennett chamou de “<em>passividade </em>do corpo”, em sua busca por apontar uma tendência de experimentação anestesiante do (ausente) contato entre os corpos <em>na </em>cidade, onde os meios de comunicação e a geografia urbana servem para falsear a violência e insensibilizar o público ante à dor <em>real</em>. Daí que as pessoas, observando aquele corpo ativo, <em>marcado </em>por circunstâncias reais, se sentiram mais incomodadas que em duas horas assistindo a cenas cruéis de guerra.</p>



<p>Mas, e se esse pequeno caso nos revela não somente um <em>empobrecimento da experiência sensível do corpo</em> devido à ordem dispersiva e tecnológica de nossos contatos? E se evidencia traços de uma política social de afetos cujas individualidades dependem do aspecto <em>desencarnado</em> e irreal de seus dramas para continuar “funcionando”?</p>



<p>Uma teoria psicanalítica dos afetos poderia nos ajudar numa primeira reação a essa questão. Não é que simplesmente existem pessoas mais afetáveis e outras menos afetáveis à dor e ao sofrimento; a questão é que <strong><em>não existe um corpo político-social que não produza seu circuito de afetos</em></strong>². Cada corpo, com seu sistema de referências, é afetado de uma forma. O modo como sentimos o mundo a nossa volta passa por esse sistema. É o que leva Safatle (2019) a dizer que uma política liberal, que compreende o <em>indivíduo</em> como fundamento para relações de reconhecimento, só pode ter como afeto político central o <strong>medo</strong>. É o medo que, de certa forma, favorece o não-contato, já que o outro é sempre visto como “invasor” potencial e concorrente econômico. Aqui, a garra metálica do homem fumando é mais do que uma condição física &#8211; é uma ameaça ao meu senso pessoal.</p>



<p>O desdobramento dessa questão nos leva a uma segunda reação: para que nosso corpo seja afetado de outra forma pelos objetos que nos tocam, é fundamental saber <em>se aquele outro, externo a mim, é realmente reconhecido [por nós] como alguém</em>; se a condição daquele corpo passa pela inteligibilidade do regime de reconhecimento em que estou inserido. Não podemos deixar de lembrar que as lutas por reconhecimento são fontes contínuas de sofrimento social para aqueles que não são inscritos em tal gramática de legibilidade. É o que Frantz Fanon exprime quando diz: “peço que me considerem a partir do meu Desejo. Eu não estou apenas aqui-agora, encerrado na <em>coisidade</em> [&#8230;] luto pelo nascimento de um mundo humano, isto é, <strong>um mundo de reconhecimentos recíprocos</strong>”³. A arte de reconfigurar nossas normas de reconhecimento nos coloca em direção ao outro-corpo e seus modos de sofrimento, até então calados e marginalizados.</p>



<p>Por fim, podemos concluir dizendo que <strong>não se alcança o gesto contrário de uma presença corpórea transformadora sem uma encarnação radical</strong>. Uma terceira reação em favor da destituição de uma determinada política de afetos consiste em reiterar-se daquilo que Lacan chamou de <em>corpo vivo</em>, aquele corpo afetado mais-além das palavras, afetado pelo gozo. Convém aceitar o convite a uma experimentação na carne, o empirismo que nos torna descentrados e abertos a reciprocidade. A <em>in</em>-corporação, o sentir <em>dentro</em>, é coisa que só pode ser feita assim, desde um reconhecimento postulado pela carne:</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ó meu corpo, faz sempre de mim um homem que questiona</em></p>



<p class="has-text-align-center">&#8211; <em>Frantz Fanon</em></p>



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<p>REFERÊNCIAS</p>



<p>¹SENNETT, R.<em> Carne e Pedra </em>(2008).</p>



<p>² SAFATLE, V. <em>O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo </em>(2019).</p>



<p>³ FANON, F. <em>Pele negra, máscaras brancas</em> (2020).</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9d309-micael-correia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14286 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Micael Correia&nbsp;</strong></strong></strong>tem 22 anos e é um escritor não-autorizado. Faz graduação em Psicologia e nutre interesse por Psicanálise, Cultura e Religião.</p>
</div></div>



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		<title>#ALÔFAMÍLIA &#8211; MASCULINIDADE TÓXICA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[Alô Família]]></category>
		<category><![CDATA[como o machismo afeta os homens]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade tóxica]]></category>
		<category><![CDATA[relações de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“Menino não chora.”; “Seja forte.”; “Você é um homem ou é um rato?”; “Isso é coisa de mulherzinha!”; “Prendam suas cabritas, porque meu bode está solto”.</em></p>



<p>É bem provável que todo brasileiro já tenha ouvido pelo menos uma ou duas dessas frases. Também é bastante provável que boa parte de nós, homens e mulheres, já tenha repetido alguma delas, achando que estava ajudando na educação de alguém ou, pior, que era apenas uma brincadeirinha inofensiva.</p>



<p>Infelizmente, não é bem assim. Para deixar isso claro logo de cara, vou usar um dado estatístico muito triste: no mundo todo, <a href="https://www.acessa.com/saude/arquivo/setembroamarelo/2020/09/02-relacao-entre-suicidio-genero/">o número de homens que tira a própria vida é, em média, três vezes maior do que o de mulheres</a>. Os dados são da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). </p>



<p>Pois é. Muitos de nós, homens cisgênero, fomos levados a acreditar que precisávamos necessariamente ser, o tempo todo, insensíveis, fortes, corajosos, viris; que era importante não deixar ninguém confundir nosso comportamento com o de uma “mulherzinha” (termo horroroso, diga-se de passagem). Muitos de nós acreditamos de verdade nisso tudo e, por acreditar nessas bobagens, ficamos envergonhados em diversas situações: quando uma tristeza bateu, ou uma força maior se impôs, ou o medo chegou, ou aquela brochada evidente e inesperada aconteceu. Ficamos envergonhados e, como “timidez é coisa de menininha, porque menino não se esconde”, escondemos também nossa vergonha, cumprindo o famoso “engole o choro”.</p>



<p>Acontece que, um dia, essa conta chega &#8211; e, com frequência, nos pega desprevenidos (ou, continuando com a lista de expressões populares sexistas, nos pega “com as calças na mão”). E estamos desprevenidos porque fomos enganados a vida inteira. <strong>Não nos ensinaram o óbvio incontestável: dor, fragilidade, medo e impotência fazem parte da natureza humana</strong>. Esses são atributos de todos os seres humanos, não só das mulheres. É tolice pensar nessas sensações e sentimentos como se estivessem diretamente ligados ao nosso sexo biológico. Homens que ainda não se deram conta disso acabam, muitas vezes, se tornando ainda mais vulneráveis ao adoecimento emocional que pode levar ao estresse, à ansiedade, à pressão alta, à depressão, ao AVC, ao infarto&#8230; à morte, enfim.</p>



<p>A crença equivocada em que existam “coisas de homem” e “coisas de mulher” é “tóxica”, ou seja, envenena, faz mal. Por isso chamamos de “masculinidade tóxica” esse conjunto de ideias tortas, a camisa de força que amarra tantos de nós – sobretudo os homens, claro, mas as mulheres também – numa lógica que, por ser maluca, acaba nos enlouquecendo e, muitas vezes, nos matando. Os números estão aí para provar isso.</p>



<p>Não falo só das estatísticas de suicídio entre homens, mas também das taxas de violência contra as mulheres, por exemplo. A masculinidade tóxica faz mal aos homens até na hora de fazer seguro de automóveis, que são mais caros para nós, porque, como somos “destemidos e arrojados”, nos envolvemos mais frequentemente em acidentes de trânsito. Em suma: masculinidade tóxica é, sob todos os aspectos, só prejuízo. </p>



<p class="has-text-align-center"><em>“E aí? Vai ficar aí parado? Homem que é homem corre atrás do prejuízo”.</em></p>



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<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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		<title>[PODCAST] NÃO EXISTE AMOR EM MARTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ingenuity]]></category>
		<category><![CDATA[Marte]]></category>
		<category><![CDATA[Missão Nasa]]></category>
		<category><![CDATA[Orson Welles]]></category>
		<category><![CDATA[Perseverance]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p>No episódio de hoje o Fred traz questões sobre a missão inédita da NASA de colocar o Rover mais moderno já produzido em solo marciano em busca de vestígios de vida no planeta. A Perseverance foi utilizada pra apontar reflexões no campo da cultura, usando como pano de fundo o conhecimento da arte e sua história.</p>



<p>Siga a Trama Bodoque nas redes sociais e na sua plataforma de streaming favorita!</p>



<p>Então já sabe! Coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



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<p>Ouça no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Spotify Embed: Não existe amor em Marte" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/15sJnq2AJl3EqMtl2fk4Gx?si=gMnXMhyOSD-C3mnCvpvEuw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption><em>Texto, apresentação e edição: Frederico Lopes</em></figcaption></figure>



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<p><strong><strong>O Bodoque ArteCast</strong></strong> é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>ONU DIREITOS HUMANOS E ONU MULHERES PEDEM INVESTIGAÇÃO RIGOROSA AO ATAQUE CONTRA ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES  MUNDURUKU WAKOBORÛN</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/11/onu-direitos-humanos-e-onu-mulheres-pedem-investigacao-rigorosa-ao-ataque-contra-associacao-das-mulheres-munduruku-wakoborun/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 18:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[direitos da população indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Invasões a Terras Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Lideranças Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Munduruku Wakoborûn]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (9), os Escritórios&nbsp;da ONU Direitos Humanos para a América do Sul e da ONU Mulheres para Américas e Caribe alertam para os ataques contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil, especialmente contra lideranças indígenas.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>As Organizações lembram que os crescentes relatos de invasões às terras indígenas durante a pandemia têm impactado negativamente a vida destas comunidades. E pedem a prevenção da invasão dos territórios, além da integridade física do povo Munduruku.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>A nota pede urgência em medidas efetivas para proteger os direitos do povo Munduruku, com a responsabilização dos agentes envolvidos no ataque ocorrido à sede da Associação de Mulheres na cidade de Jacareacanga, no Pará.</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/120f8-capaonu.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15092" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Mulheres indígenas têm estado na linha de frente da defesa dos direitos humanos dos seus povos<br>Foto | Karina Zambrana/ONU Brasil</figcaption></figure></div>



<p><em>Os Escritórios da ONU Direitos Humanos para a América do Sul e da ONU Mulheres para Américas e Caribe receberam com preocupação as informações, pela imprensa e pelas lideranças atingidas, sobre o ataque ocorrido em 25 de março contra a sede da Associação de Mulheres Munduruku Wakoborûn, na cidade de Jacareacanga, no sudoeste do estado do Pará.</em></p>



<p><em>Relatos de ataques contra defensoras e defensores de direitos humanos têm sido cada vez mais frequentes no país, especialmente contra lideranças indígenas. Da mesma forma, crescem os relatos de invasões às terras indígenas no país, sobretudo durante a pandemia de COVID-19. A mineração nas terras indígenas, como proposto pelo projeto de lei 191/2020, e a redução da fiscalização das leis ambientais, que tem levado ao aumento do garimpo ilegal, geram um impacto negativo direto nos modos de vida dos povos indígenas, incluindo sua cultura, alimentação e saúde, especialmente sobre os direitos das mulheres e das crianças.</em></p>



<p><em>As mulheres indígenas têm estado na linha de frente da defesa dos seus territórios e dos direitos humanos dos seus povos e, por isso, sido especialmente visadas por ameaças, intimidações, tentativas de criminalização, entre outras formas de violência. Nesse sentido, é representativo o fato de a associação das mulheres indígenas Munduruku tenha sido o alvo deste ataque.</em></p>



<p><em>“Temos observado com preocupação o que vem acontecendo em termos de ameaças e violências sofridas por mulheres defensoras de direitos humanos. Em ONU Mulheres prestamos especial atenção aos diferentes tipos de ameaças sofridos por homens e mulheres que atuam na defesa dos direitos humanos. No caso das mulheres, além de ameaças físicas e de morte, vemos com frequência ataques à sua dignidade, inclusive atentados e ameaças que remetem à violência sexual”, afirma Maria Noel Vaeza, diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe.</em></p>



<p><em>Ataques como o ocorrido contra a sede da Associação de Mulheres Munduruku Wakoborûn são, muitas vezes, declarados antecipadamente. No entanto, os esforços do estado, em seus diferentes níveis, não têm sido suficientes e eficazes para evitá-los. É preciso prevenir a invasão dos territórios, coibindo as práticas ilegais, e proteger a integridade física do povo Munduruku.</em></p>



<p><em>“Em tempo em que manifestamos nossa solidariedade ao povo indígena Munduruku, instamos as instituições do estado brasileiro a proteger os povos indígenas contra invasões aos seus territórios e a garantir que defensoras e defensores dos direitos humanos possam continuar fazendo seu importante trabalho”, afirma Jan Jarab, Representante Regional para América do Sul da ONU Direitos Humanos.</em></p>



<p><em>Os Escritórios da ONU Direitos Humanos para a América do Sul e da ONU Mulheres para Américas e Caribe instam o Estado brasileiro a adotar com urgência medidas efetivas para proteger os direitos à saúde, à vida e à integridade pessoal do povo Munduruku e responsabilizar agentes envolvidos no ataque ocorrido recentemente, reiterando que não há espaço para a violência e invasões a terras indígenas, sobretudo durante a grave crise sanitária que acomete o país.</em></p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/124386-onu-direitos-humanos-e-onu-mulheres-pedem-investigacao-rigorosa-ao-ataque-contra-associacao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 09/04/2021 – Atualizado em 09/04/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] DIGITAIS</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/11/exposicao-virtual-digitais/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento pela arte]]></category>
		<category><![CDATA[exposição virtual]]></category>
		<category><![CDATA[Ilustração digital]]></category>
		<category><![CDATA[Jhonyson Nobre]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=15111</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Jhon Nobre</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A série “DIGITAIS” remete às linhas únicas que carregamos na nossa pele, que vemos nas entrelinhas da natureza. O toque, a pele, as digitais. Sentimos no carinho, no afeto, no afago. A gente vive, a gente sente, a gente aprende a amar e, nos amando, aprendemos o que somos e como somos únicos. Nessa nossa unicidade, é livre a oportunidade de ser quem a gente é. Nossas marcas, nossas histórias, nosso jeito de olhar o mundo, a forma de sentir, a forma de agir, o jeito de vestir, falar e de rir. As digitais que registram a nossa passagem única por aqui.</p>



<p>“Digitais” é uma série de desenhos digitais que mostra em um olhar macro as marcas que deixamos para serem vistas por um olhar observador.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f69a3-imagem-png-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15114" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Sem título, 2020 | Desenhos Digitais</strong></figcaption></figure>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0b2cd-imagem-png-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15115" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Vendedor de Sonhos, 2020 | Desenhos Digitais<br>Baseado na fotografia do fotógrafo Luiz Braga, intitulada de “Vendedor de Amendoim.”</strong></figcaption></figure>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fafe2-imagem-png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15116" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Retrato do Van Gogh, 2020 | Desenhos Digitais<br>Inspirado no autorretrato do Van Gogh (1887)</strong></figcaption></figure>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/db2f7-linhas_marcas_e_outras_vivencias_a3-certo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15160" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Linhas, Marcas e Outras Vivências, 2020 | Desenho Digital</strong></figcaption></figure>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a8049-vendedor-de-dimensoes-certo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15161" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Vendedor de Dimensões, 2020 | Desenho Digital</strong></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c9ac5-jhonyson-nobre.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15125 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Jhonyson Nobre</strong> é artista visual, poeta, pesquisador e estudante de direito na cidade de Maceió. Seu trabalho se destaca pelo uso da poesia e das linhas que envolvem a pele, realçando as marcas que carregamos e, assim, enfatizando a importância de temas como autoconhecimento, a unicidade dos corpos e dos sentimentos que nos permeiam.</p>
</div></div>



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		<title>VOCÊ QUER CASAR COMIGO?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Convivência entre casais]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento à distância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eles não haviam se conhecido da forma tradicional; o mundo era moderno naquele momento. Tudo estava diferente: as mulheres não ficavam mais casadas com o namoradinho da adolescência; as meninas já não se casavam virgens; nem todos os casais decidiam ter filhos; a concepção de família era diferente. Era a tecnologia, o que chamavam de futuro. Passou a ser comum, casais que se conheciam pela internet. Eram muitos os sites de relacionamentos&#8230; Sim, havia pessoas que nunca eram como diziam; mas havia quem estivesse, apenas, querendo encontrar alguém legal. </p>



<p>Eles se conheceram por e-mail. Ela havia recebido um daqueles e-mails com milhares de destinatários e resolveu analisar cada um dos nomes. Gostou de um dos e-mails que viu. Não sabia o motivo, mas achou interessante.</p>



<p>Por várias vezes lhe escreveu algo, mas apagou. Um dia, decidiu não apagar. Escreveu rápido, pediu desculpas pelo inconveniente, mas falou que estava querendo fazer amigos. E esperou para ver. Achou que ele não iria responder. Afinal, quem responderia o e-mail de uma completa desconhecida? Não tardou e a resposta chegou. Ele foi tão doce! Disse que ela não havia sido inconveniente e que seria ótimo serem amigos.</p>



<p>Ele perguntou como ela estava. De onde era. O que fazia. Queria ter perguntado mais, mas preferiu ir devagar. Ela estava bem e respondeu imediatamente: &#8220;Sou de Maceió&#8221;. E falou um pouco de si. Fez as mesmas perguntas e mais algumas. Ele não demorou, novamente, e respondeu. Era de Curitiba. E-mail vai, e-mail vem, eles foram se conhecendo cada vez mais. Passavam noites mandando e respondendo e-mails um do outro.</p>



<p>Já se falavam há uns meses quando resolveram migrar para o WhatsApp. Era uma forma mais instantânea de conversar. Conheciam-se um pouco a cada dia, a cada conversa. Passavam horas conversando. Já haviam declarado que não queriam estar com outras pessoas de suas cidades, que estavam apaixonados um pelo outro e que queriam estar juntos. Certo dia, resolveram fazer a tão sonhada chamada de vídeo. E foi ótimo poderem se ver.</p>



<p>Estavam juntos havia seis meses quando decidiram se encontrar pessoalmente. Nenhum deles tinha muito dinheiro: ela, auxiliar de enfermagem; ele, estagiário de um escritório. Mas desde que perceberam que, de fato, queriam estar juntos um do outro, começaram a juntar as economias. Assim que pode, ele pediu uns dias de folga e voou até o Nordeste. Ela estava ansiosa naquele aeroporto, e o recebeu numa felicidade tremenda.</p>



<p>Passaram dez dias juntos. Tudo pareceu tão maravilhoso! Perceberam que o que sentiam um pelo outro poderia ser ainda maior. Amaram-se antes da primeira vista. E, após o primeiro beijo, amaram-se ainda mais. Não queriam que aqueles dias acabassem. Numa das manhãs, ela lhe disse: &#8220;não saberei viver longe de você. Como vou fazer sem teus beijos?&#8221;. Ele a abraçou, beijou-a intensamente e continuaram deitados.</p>



<p>Chegada a hora, foram até o aeroporto. Ele estava prestes a embarcar. Haviam se beijado e se despedido. As lágrimas caiam de seus olhos, quando o percebeu voltando da porta, antes mesmo de entrar. Correu e o abraçou ainda mais forte. Ele a separou do seu corpo, olhou-a profundamente nos olhos e disse: &#8220;Você quer casar comigo?&#8221;. Ela ficou em choque; afinal, eram os primeiros dez dias que passavam juntos.</p>



<p>&#8211; Por que você quer casar comigo?, foi tudo que conseguiu responder.</p>



<p>&#8211; Para poder beijá-la a hora que eu quiser.</p>



<p>As lágrimas, que ainda não haviam secado, caíram ainda mais. Não conseguia controlar, mas conseguiu responder que sim. Ele embarcou. E ela ainda ficou, por alguns minutos, parada e olhando para a porta que, há pouco, havia se fechado. Voltaram a se falar pelos e-mails, pelas conversas e pelo telefone. O sentimento era mais forte, mais intenso. Havia mais certeza de que queriam estar juntos.</p>



<p>Decidiram juntar ainda mais as economias. Queriam se casar, estar juntos e mais nada. Em cerca de um ano, eles já estavam com uma boa quantia para começarem juntos. Ela iria morar em Curitiba, pois o emprego dele era mais certo, apesar de ser estagiário. Alugariam uma casa. Nada muito grande, já que era apenas para os dois. Não queriam luxo, queriam apenas estar juntos. Muitos não os entendiam. Mas eles já haviam desistido de serem entendidos.</p>



<p>Ela viajou para lá. Precisavam conversar mais algumas coisas, resolver outras. Quando começaram a conversar, perceberam que nem tudo era tão fácil como queriam. As dificuldades começaram a aparecer. Havia uma conta aqui, outra ali. Os vinte dias não foram exatamente um paraíso como os outros dez. Apesar de serem muito parecidos, havia algumas diferenças. Coisas que incomodavam. Coisas da convivência.</p>



<p>Faltavam dois dias para ela ir embora, e eles não sabiam mais se haveria casamento. Em momento algum pensaram em festa ou qualquer outra coisa grandiosa: queriam apenas estar juntos um do outro. Queriam não precisar mais de passagens para se ver, não estarem sempre com os dias contados. Queriam acordar um ao lado do outro. Mas, quando perceberam a realidade e as dificuldades, tudo pareceu tdistante e impossível.</p>



<p>Pouco antes de irem até o aeroporto, sentaram para uma última e definitiva conversa. Ele disse que não poderia lhe dar a vida que ela merecia. Ela disse que merecia estar ao seu lado e só. Que não queria mais nada. Que queria começar com ele uma vida, para juntos enfrentarem todas as dificuldades. Ele a olhou sem entender, meio tímido e sem jeito, e perguntou:</p>



<p>&#8211; Por que você quer ficar casada comigo, afinal?</p>



<p>&#8211; Para poder beijá-lo a hora que eu quiser.</p>



<p>Eles se abraçaram. Foram até o aeroporto, e foi a última vez que ela voltou para Maceió. No mês seguinte, mudou-se para Curitiba. Alugaram uma casa pequena, mas faziam planos para uma casa maior; afinal, as crianças precisariam de espaço&#8230;</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] OB-SUBJETIVO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento pela arte]]></category>
		<category><![CDATA[exposição virtual]]></category>
		<category><![CDATA[João Munhoz]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Munhoz</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Embrenhar-se em um espaço particular e nele encontrar outras cores, formas e mundos. Esbarrar com seres que existem alhures ou tipos totalmente inventados; e, não menos, sussurrar elementos reais<br>e trechos da vida cotidiana -a cidade, o sertão, o mar, o mundo.</p>



<p>Por meio de alegorias, ficções e também pedaços da realidade, João Munhoz tece um ambiente próprio, habitado por criaturas reais ou imaginadas, em um jogo que borra os limites entre narrativas ficcionais e documentais. À realidade ela mesma, Munhoz adiciona o imaginativo, acrescentando nuances e tonalidades, afim de fazer nascer o novo, ver borbulhar alternativas. E se às vezes Munhoz grita através da força de cores em acrílica, para implodir nosso caminho diário de certezas, às vezes também silencia e nos convida para dançar em aquarela. Tem momentos, ainda, em que incorpora as linhas da cidade com nanquim, fazendo novas leituras sobre o caos e o concreto dos nossos dias.</p>



<p>Conforme navegamos pelas obras, a afirmação criativa de Munhoz torna-se mais evidente, pouco a pouco: descrever o mundo é enxergar a partir de lentes. É trazer subjetivo e objetivo enlaçados, a revelarem heranças culturais, sociais, familiares, íntimas, poéticas &#8211; que podemos observar, como testemunhas de uma cartografia única, no conjunto a seguir.</p>



<p><em>(clique em cada obra para vê-la em tamanho completo)</em></p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:30.36674%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/b4bbe-joao-munhoz-vinte-e-poucas-partes-de-serenidade-2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/b4bbe-joao-munhoz-vinte-e-poucas-partes-de-serenidade-2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/b4bbe-joao-munhoz-vinte-e-poucas-partes-de-serenidade-2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/b4bbe-joao-munhoz-vinte-e-poucas-partes-de-serenidade-2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 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<p><strong>João Munhoz</strong> é artista latino-americano, brasileiro, homem cis, branco e gay. Iniciou o caminho nas artes em 2017, ao acaso, quando morava em Buenos Aires. Em 2020, já de volta ao Brasil, estruturou um trabalho mais vigoroso e constante, sobretudo em tela e tinta acrílica. Pesquisas em torno de questões de identidade têm destaque em seu trabalho, que também abarca experimentações em textura, cor e contraste.</p>
</div></div>



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