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	<title>Arquivos Ano 003, N 107 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O GLOBO EM PERIGO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Nov 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[José Aravena Reyes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  José Aravena Reyes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nestes dias o <em>Mundo</em> se reuniu para discutir o planeta <em>Terra</em>. Curiosamente, Terra e mundo parecem estar de lados opostos. Homens aqui, natureza lá. O mundo inclui a Terra, mas sabemos que não haveria mundo sem ela. A invenção do mundo é recente e remete à cultura, ao homem e seus feitos; raramente colocamos a natureza como mundo, ao contrário, a natureza é Terra, é Gaia, é Medéia. A separação homem-natureza permite ao homem ser o centro da terra e do mundo; faz-nos flutuar sobre tudo o que há, dispondo e significando o fora, o alheio, o exterior, ao mesmo tempo em que nos permite preservar um lugar privilegiado de observação e ação: separados e autônomos, somos sujeitos <em>na</em> terra e <em>no</em> mundo. Jamais Terra, jamais mundo. No universo, somos planeta entre muitos outros azuis, vermelhos ou cinzas. A cisão fundamental homem-natureza organizou nossa racionalidade e nos outorgou o título de seres racionais, de <em>homo sapiens</em>.</p>



<p>O outro nome que damos à Terra é <em>Globo</em>, como se a forma esférica fosse mais importante que o relevo que pisamos. O globo, na verdade, permite construir uma relação equidistante ou matemática de todas as vidas em relação a um centro, também matemático. O globo interessa por esse cálculo, que por sua vez é o procedimento que serve tanto para calcular os deslocamentos dos homens ao redor da Terra quanto das suas mercadorias. Seres viajam de um lugar a outro fazendo geodésicas na sua superfície; encomendas também as fazem. As rotas fazem marcas imaginárias em um globo imaginado.</p>



<p>A esfera como tal – diz Peter Sloterdijk – sempre fascinou e foi palavra sábia. Dos geômetras em diante, a esfera sobe e se alça como a forma própria da perfeição, da totalidade, da unidade, do mundo ou do cosmos. Tudo que deve constituir uma singularidade encontra na esfera um <em>rátio</em>, uma racionalidade centrada, onde qualquer caracterização é remetida de forma equidistante ao centro substancial; a razão é neutra, é verdade, está despida das variações do espírito; o homem é universal, o tempo e o espaço, dois <em>a priori</em>. Cientes do poder da escrita e do registro neutro, evoluímos procurando o verdadeiro sentido para nos situar de forma equidistante aos fatos que povoam o mundo.</p>



<p>Nós, simples peripatéticos, deambulamos na superfície – também apropriada pelos geômetras – do mundo através das rotas da cidade e do espírito. Ruas e avenidas nos ensinam as formas de deslocamento na superfície terrestre. Livros e filmes nos conduzem pelas geodésicas do tempo da razão. Os outros, igual que nós, flutuam na diversidade das cópias imperfeitas do <em>rátio</em> civilizatório que nos identifica.</p>



<p>Esta superfície – que também chamamos de solo – está exatamente embaixo dos nossos pés e foi por ela que chegamos a provar que estamos sobre a crosta do globo. Os experimentos de <em>Eratóstenes</em> deram uma formulação concreta ao raio da esfera terrestre e a exatidão dos seus cálculos inaugurou um ponto de observação para tudo que há no solo e em torno dele. Nem os recentes terraplanistas tiveram força intelectual para produzir uma nova razão, desta vez não esférica. A perfeição da esfera coloca todos os pontos da Terra de forma equidistante ao centro substancial. Seu núcleo se estabelece pela intenção universalizante; dos Direitos Humanos aos Direitos da Terra, se trata de um raio único para todos os seres e para todos os propósitos. Mas, o <em>rátio</em> é sempre referido a algo, a um sistema de referencia, de pensamento. Talvez por isso a síntese do globo reúna a totalidade da esfera em relação a um centro equidistante: há uma razão, e como tal, os seres da razão que habitam o planeta se reúnem constantemente para definir o centro, o raio e, consequentemente, o que está dentro ou fora da totalidade esférica.</p>



<p>Recentemente, Bruno Latour comentou sobre os bem intencionados seres racionais que pretendem deixar a esfera para ver de longe como ela sucumbe à crise planetária, tal qual se fez um tempo atrás quando se afastou o sujeito do seu mundo-objeto. Os requintes midiáticos de turismo espacial não são suficientes para eliminar a compreensão de que, perante a crise, alguns afortunados – com suas bilionárias fortunas – possam ver desde cima os infortúnios dos mais pobres, na crosta de um globo que se deteriora irremediavelmente.</p>



<p>Dos porões dos laboratórios (e daqueles que os financiam) sabemos muito pouco. De fato, foi pela mídia jornalística e não nos congressos científicos que ficamos sabendo dos embriões humanos produzidos a partir de células tronco de macacos e humanos. Portanto, não devemos estranhar a possibilidade real de estarem sendo desenvolvidas clandestinamente formas de sobrevivência de longo prazo fora da crosta terrestre e também não devemos estranhar que essas formas técnicas possam ser utilizadas para fugir de um planeta em crise. A alarmante situação da crosta terrestre parece não encontrar saída nela mesma e por tal motivo, muitos afortunados querem se alinhar a um modelo político e econômico que transite entre um discurso de cuidados planetários ao mesmo tempo em que viabilizam opções de sobrevivência para salvaguardar suas particulares versões da espécie humana. A Terra está sob crescente risco de colapso ambiental; digamos, risco de que colapse aquilo que está fora, afetando-nos irremediavelmente. O colapso ambiental é o colapso da Terra. Ela é hoje elevada à condição de organismo para nos fazer ver que se defende do <em>homo sapiens</em> e de sua vertiginosa corrida à plenitude, como sujeito contaminante que ainda flutua sobre ela. A preocupação com o colapso da Terra nos faz articular toda a racionalidade planetária para pensar o impensável, para promover o impossível com o intuito de criar uma deriva filogenética que não seja nociva para a Terra.</p>



<p>Porém, a degradação planetária não define seu <em>rátio</em> exclusivamente sobre a crosta terrestre; o raio que define o mundo sequer repousa sobre a ideia de uma natureza que equidista do substancial ser humano que a gera, pois ao mesmo tempo, esse humano a corrompe. O mundo – essa invenção recente que destaca as virtudes de um sujeito que flutua sobre a crosta danificada sem assumir nenhuma responsabilidade – inclui a Terra e também se corrói, contaminando as relações e as mentes. A degradação planetária também eleva a temperatura dos conflitos, provoca situações extremas de vida e morte, oferecendo à razão opções necropolíticas tão justificáveis como foram Auschwitz e Hiroshima para as outrora injustificáveis versões da racionalidade humana. Além da degradação ambiental, o mundo que institui nossa sociedade e cultura vive processos de degradação psíquica e social. Por um lado, as sínteses tecnológicas e os algoritmos de recomendações substituem nosso contato com o real provocando os meios propícios para a governança algorítmica, por outro, o cenário se complica à luz da manipulação comercial do desejo, das identidades e do ódio à alteridade.</p>



<p>Na vida coletiva, negar o outro nunca foi tão lucrativo como hoje; as <em>fake news</em> não são o puro resultado do confronto entre pensamento moderno e pós-moderno, nem uma luta entre diferentes bolhas de narrativas próprias. A própria noção de pós-verdade atualizou algo similar ao que há muito tempo já fora denunciado e atacado na figura do relativismo. Mas, se <em>nunca fomos modernos</em>, como diz Latour, também nunca a verdade foi um absoluto. Ela sempre se ergueu como o instrumento de poder dos donos das meta-narrativas. Ao atualizar o poder político das narrativas menores no contexto comercial das bolhas virtuais, a virada pós-moderna mostrou que o diferente ainda incomoda; mostrou como é simples produzir ódio ao diferente, e finalmente, mostrou como é lucrativo o ódio. O deterioro social se produz recolhendo as identidades fragmentadas e confrontando-as em uma economia tanatológica, porque de certa forma ela é uma das expressões econômicas da necropolítica contemporânea.</p>



<p>Na dimensão psíquica, Bernard Stiegler nos alerta sobre a <em>proletarização cognitiva</em>, um fenômeno que se ergue sobre a incapacidade de criar opções de vida perante a voluminosa oferta de modos de vida de prateleira que oferece o capitalismo. Sem produzir a vida, só escolhemos as formas de vida que nos oferecem. A velocidade de produção técnica da economia da cultura antecipa o desejo sem dar chances para que a dinâmica social reflita e absorva as transformações operadas pela técnica no conjunto de vidas do corpo social. Com isso, estamos sempre à deriva, sendo conduzidos pelas novas versões de tecnologias que operam na camada da libido, tornando-nos verdadeiros seres sem condição coletiva estável. Parece-nos que todos nossos desejos já são conhecidos pelos produtores da tecnologia e confiamos cega e ingenuamente nos objetos que nos disponibilizam. Sem pensar, sentimos e agimos intuitivamente em um campo onde sentir e intuir está completamente mapeado, impedindo que nosso cérebro faça os exercícios neuronais necessários para reconhecer a manipulação capitalista. Chegamos ao ponto de consolidar uma subjetividade obediente e limitada que acaba defendendo como verdadeiras as únicas formas de vida nas quais somos envolvidos. Essa dinâmica atrofia o desejo, a mente e produz o rebanho, o gado, enquanto os pastores da identidade e da manipulação do desejo enchem seus bolsos de dinheiro. Cada membro do rebanho tem seu pastor e cada pastor, seus interesses. Atrofiado, o rebanho serve de matéria prima para o lucro, a identidade se transforma em uma mercadoria e, como sempre acontece no capitalismo darwiniano, sobrevivem os mais aptos: novamente a necropolítica se encarrega de dar condições para extrair lucro até do último suspiro do homem obediente: o ódio e a morte se tornam espetáculo.</p>



<p>De tanta degradação pairando na Terra, a crosta terrestre não é mais um lugar seguro.</p>



<p>De tanta manipulação política e economia do desejo, o mundo que reside sobre essa crosta também não é.</p>



<p>Será que o globo pode promover um novo e seguro <em>rátio</em>, uma nova razão salvadora?</p>



<p>Poderíamos dizer que alguns pensam que sim, desde que exista tempo. E mais ainda, eles pensam que são uns poucos os que se devem salvar da catástrofe planetária.</p>



<p>O desenvolvimento tecnológico que avança nos porões dos laboratórios sempre está disposto a caminhar na direção do capitalismo. Se agora se trata de uns poucos afortunados que podem flutuar por longos períodos de tempo em uma órbita segura – e ainda assistir de camarote a crise planetária – sem dúvida financiamentos serão direcionados para isso. A mesma velocidade da máquina de morte da segunda guerra pode ressurgir para acelerar a construção das naves dos afortunados. Mesmo assim, a questão continua a ser se haverá tempo suficiente, pois na singela vida dos peripatéticos humanos, os riscos da degradação planetária podem obriga-los a tomar medidas extremas, e sabemos que uma multidão faminta, raivosa e decidida, não é tão controlável assim, de modo que antes das privilegiadas naves sair voando a ocupar a arquibancada orbital da tragédia humana, os irrelevantes, os famintos, os excluídos, os obedientes, podem se deslocar sem rumo, derrubando tudo que estiver ao seu passo; inclusive os afortunados e suas tecnologias de sobrevivência podem ser pisoteados pela multidão desorientada.</p>



<p>Neste trágico contexto, parece que nenhum lugar é seguro, nenhum tempo é suficiente e nenhum homem quer reconhecer a situação de modo a evitar o pânico que pode influenciar a multidão desorientada. Talvez a mais lúcida de todas as interpretações desse momento seja da gigante Greta Thungber, que sem meias palavras denuncia a surdez dos governantes e a displicência com que eles tratam nosso degradado planeta. Para ela, falsas promessas fazem parte do roteiro do G20 e Bruno Latour já nos alertou para esse engodo: nem humanismo de esquerda nem liberalismo de direita. Enredados nessa disputa binária, devemos superar as dicotomias e caminhar para uma <em>política terrana</em> que se distancie radicalmente do antropocentrismo humanista e liberal que até hoje não conseguiu reunir aquilo que com tanto orgulho separou séculos atrás. No horizonte da fuga promovida pelos afortunados do capitalismo, com menos possibilidades de salvar a espécie se anuncia o novo homem do transumanismo. O homem melhorado parece só aprimorar aquilo que o capitalismo considera necessário para o próximo passo evolutivo. Seja qual for o pós-homem projetado e produzido pelo transumanismo, o tempo é mais curto ainda, pois os problemas pipocam por todos os lados e logo os corpos chegarão aos porões dos laboratórios, e quem sabe, essa multidão de corpos ditos obsoletos e desorientados erguerá a estupidez como a nova condição evolutiva para consagrar a necropolítica como a única e necessária política de fim do mundo como conhecemos hoje. Junto com o pós-humano deverá se erguer outro mundo, o <em>pós-mundo</em> desse pós-humano, a partir de uma estirpe engajada na necropolítica que irá usar eficientemente uma razão bastante flutuante e manipulável para produzir a evoluída e necessária condição de atrofia mental que abrirá passo à nova geração.</p>



<p>Aqui no Brasil sabemos como isso faz parte de um verdadeiro projeto político. Orgulhoso da sua estupidez, nosso representante maior pretende erguê-la como antidoto a uma razão planetária corroída por uma globalização predatória tentando disfarças os interesses do seu clã sobre a Amazónia; percorre as ruas da Itália para instituir uma imagem usável nos círculos toscos das esferas identitárias do seu clã, que espera orgulhosa a nova montagem que justifica seus atos. Orgulhosos da estupidez, alguns já se exercitam em ginásticas físicas, dando a entender que perante o fracasso do <em>rátio</em> humanista é necessário criar outra esfera que abrigue outro mundo, o qual será erguido controlando tudo e descartando muitos modos de existência alternativa para assim afirmar um único e hegemônico modo de vida; um modo de vida que insiste em dominar tudo: homens e natureza; insistem em um modo de vida onde o consumo é ingenuamente elevado como valor fundamental do sujeito livre, mas que materialmente é nada mais do que veículo e expressão do seu próprio processo de extinção. Mal sabem esses guerreiros que caminham orgulhosamente para uma morte sem honra.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8d08b-jose-aravena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15522 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>José Aravena Reyes</strong> é natural de Santiago de Chile. Músico popular e canta-autor na época, veio para o Brasil a cursar pós-graduação em <em>Engenharia Oceânica</em>. <em>Professor Titular</em> da Faculdade de Engenharia desde 2018, fez pós-doutorado em <em>Filosofia da Técnica e da Tecnologia</em> na <em>Pontifícia Universidade Católica do Paraná</em>. Atualmente ministra aulas de <em>Engenharia e Sociedade</em> e <em>Gerenciamento de Projetos</em> na UFJF. Na sua vida pessoal, é discotecário de músicas do mundo. Membro do grupo de <em>Maracatú Estrela na Mata</em>, divide suas pesquisas de Filosofia da Tecnologia com suas outras pesquisas musicais em discos de vinil do mundo que utiliza em suas mixagens e produções autorais de música eletrônica.</p>
</div></div>



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		<title>A CIDADE É NOSSO TERRITÓRIO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[José Aravena Reyes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  José Aravena Reyes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos dias de hoje, observamos estupefatos os acontecimentos de uma guerra que leva mais de quinhentos anos: o sequestro da terra por parte da máquina global dominante.</p>



<p>Nessa operação global, o dever que nos foi dado agora é de ser o celeiro do mundo, de alimentar os povos do planeta. Cultivamos, colhemos e exportamos como bons cidadãos visando o reconhecimento do importante papel econômico que nos cabe na divisão internacional do trabalho, mediante a qual se distribuem as tarefas da Aldeia Global.</p>



<p>A ideia de que somos de um país de grande relevância na tarefa de alimentar mundo é uma grande e silenciosa armadilha na que alguns desavisados caíram, se investindo de um abecedário pragmático recolhido de uma pseudo-erudição econômica que todos conhecemos: o neoliberalismo. É ele que seduz-nos a pensar só a partir dos resultados de um processo que, no longo prazo, traz consequências preocupantes para todas as vidas do planeta.</p>



<p>Sem muito esforço, ficam expostos os interesses: de um lado a exploração predatória da Terra cujo efeito no deterioro planetário não entra na conta dos ganhos imediatistas de um <em>agrobusiness</em> que não tem nada de <em>pop</em>; de outro, um horizonte onde sequer os trabalhadores são objeto da exploração, pois já se visualiza a marcha alegórica e cibernética das máquinas com as quais o próprio homem se tornará, aos poucos, irrelevante.</p>



<p>Dos muitos que se querem apropriar da Terra para a tarefa de alimentar o mundo sem pensar nas consequências nocivas ao planeta, só resta a ingênua perspectiva de que os lucros realizados lhes permitiram usufruir de outras mercadorias que acalmarão o vazio de um ser que <em>consome e se consome</em> nelas. Quando a redonda Medéia passar a conta, a elite abastada não poderá pedir clemencia a essa mãe que não aceita desculpas.</p>



<p>Enceguecidos, patrões e trabalhadores dançam ao ritmo de uma banda que toca uma música muito diferente daquelas que mobilizaram as revoluções e os grandes negócios do capitalismo industrial. A alienação não é mais do esforço humano. A alienação contemporânea extrapola em muito a força de trabalho humana, pois se instala na manipulação direta dos desejos, os quais estão constantemente sendo rescritos mediante o decalque grosseiro de uma intimidade de prateleira.</p>



<p>Acreditamos que nosso íntimo está sob nosso controle, que somos nós os donos das marcas do nosso corpo e nossa mente, porém, se bem não somos uma tábula rasa, de certa forma somos uma tábula editável, que opera de forma similar aos dispositivos de armazenamento digital os quais, a qualquer momento podem regravar, recodificar ou reiniciar suas mídias. A nossa mente racional só recebe os sinais escuros e criptografados dessa lógica que inscreve na nossa intima deriva libidinal aquilo que toma conta das nossas preocupações diárias: temos tarefas a cumprir e como bons cidadãos, postergamos todo o prazer para o final da jornada. Até Rubén Blades<a href="#_ftn1">[1]</a> escreveu <em>estude, trabalhe, seja gente primeiro, eis ai a salvação</em>, nos indicando o caminho do reconhecimento e das obrigações como passo anterior ao usufruto livre da vida.</p>



<p>Para o cidadão médio, há deveres a cumprir antes de dançar a <em>dança cósmica</em> que tanto recomenda nosso querido Ailton Krenak. Para muitos desses abnegados cidadãos, olhar o céu e dançar no meio da semana, movidos pelo simples desejo de agradecer ao cosmos pela alegria de estarmos vivos usufruindo de cada segundo que dura o tempo, é coisa de desocupados, de gente que não trabalha, que não produz, por que antes de dançar é preciso produzir: temos que ser <em>gente</em> primeiro.</p>



<p>Chega-se a pensar que a defesa dos territórios indígenas é assunto de folgados, não de gente que produz, de gente que entende àquele que produz e defende uma vida produtiva como exemplo de virtude, inclusive – sejamos compreensivos com os ingênuos – chegando a pensar que as máquinas do agro produzem e por isso toda a cadeia técnica merece nossa irrestrita confiança. Mas essa ingenuidade já fora desvendada por Max Webber quando mostrou que o discurso de que <em>só o trabalho dignifica</em> também foi uma armadilha para aquele que se sente culpado por ter nascido e que em função dessa culpa adere à ética do acúmulo; esse asceta que quer mostrar, orgulhoso, que está no pleno controle do desejo de dançar livremente as segundas ou terças-feiras ou de simplesmente dançar outra dança que não seja a dança do acúmulo. Esse controle não só aliena o resultado do trabalho como também aliena o desejo e a vontade de viver.</p>



<p>Os pecadores arrependidos consomem e não gostam de dançar a dança cósmica por que ela os leva ao deterioro inevitável dos alicerces do hegemônico modelo da sociedade capitalista ocidental, pois se a nossa responsabilidade é produzir antes de dançar, <em>dançar antes de produzir é um risco</em> na vida serena de quem escuta o jornal mais do que escuta o próprio corpo.</p>



<p>O trabalho alienado já cobrou seu preço e a alienação está em outro patamar; é a própria vida que não nos pertence mais. Fomos distanciados do mundo real para retornarmos a ele de outra forma. Aproximamo-nos aceitando as recodificações que foram feitas durante nosso distanciamento. O melhor exemplo disso está nas mídias que recortam o real e nos oferecem sínteses do mundo, e assim, vivemos uma vida pela metade onde a fotografia da Amazônia verde parece mais real que o seu próprio desmatamento. Na verdade, só queremos representações de um real manipulado que, transitando entre o hipnótico e o gratificante, nos usurpa o desejo e o reconduz na direção dos interesses da economia libidinal.</p>



<p>Amazônia fica longe e o direito dos povos originários de reivindicar os compromissos constitucionais também soa distante. De fato, estamos muito longe de poder sentir e compreender essa forma de se relacionar com a Terra. E não só isso. O ruído das folhas secas da cidade, o amarelo da grama e o cheiro da queimada não parecem nos afetar diretamente. Esses fatos parecem não estar vinculados ao dia a dia de andar de ônibus, de trabalhar o dia inteiro e depois voltar para casa para descansar do eterno ciclo semanal, mensal, anual dessa roda que gira e gira e que em algum momento nos dá um respiro para deixar que nos sentemos diante do prato de comida que merecemos. O chamam de <em>meritocracia</em>, porém é nada mais do que o outro rosto da alienação.</p>



<p>Se a Amazônia parece estar longe, a cidade também. O asfalto quente do verão – que é o mesmo asfalto esburacado que vemos no inverno – também nos parece um simples pedaço operacional do mundo: um elemento a mais da bricolagem urbana. Fomos disciplinados para viver burocraticamente a cidade: as paredes descoloridas dos edifícios e os telhados marrons formam perspectivas quase descartáveis da nossa trajetória diária. Só nos chama a atenção o que nela se destaca: os textos, as mensagens. Somos capturados pela linguagem dos cartazes (de vez em vez, talvez, por algum rosto amigável), pois em geral, são os letreiros os que nos atraem com a mesma força que um imã atrai o pó de ferro. Almoçamos entre televisores, tomamos cerveja assistindo programas bem conhecidos ou jogos de futebol sempre cativantes. Os cabos desordenados da energia e da telefonia se tornam rabiscos inconvenientes do horizonte, mas não porque interrompem um contínuo perfeito que não requer mais formas do que as nuvens e a chuva, senão porque nos remetem a um problema que já foi resolvido: o mundo sem fio do próximo fone de ouvido. Toda a sinalização da cidade deflagra um hábito enraizado em procedimentos de vida ou morte: sinais verdes ou vermelhos, faixas de pedestres, marcas de estacionamento: <em>mind the gap</em>! Cada passo que damos entre transeuntes se divide entre o avançar destemido ou uma manobra de <em>skatismo</em> humano: há que se decidir rápido entre um desvio eloquente ou um pedido de desculpas por esbarrar com outro corpo que também caminha com a urgência de produzir.</p>



<p>Essa é a nossa selva, nosso território; e, como membros originários, parecemos indefensos perante o avanço da maquinação urbana que nos usa para gerar sua mais-valia. Somos invadidos no nosso íntimo e parece que toda defesa é ilusória: adaptamo-nos rapidamente à norma.</p>



<p>Não temos muito mais poder sobre as ruas, praças e avenidas, pois essas não são mais o lugar de todos dado que todo lugar com seu movimento dentro da cidade se encontra codificado. Todos os comportamentos estão moldados mediante motivos e procedimentos predefinidos. Não temos uma trilha para poder nos perder à vontade. Até os desvios foram impedidos; sequer podemos desejar desvios, atalhos ou demoras, não podemos experimentar solidões nem encontros sob outras premissas que não sejam a de viver de acordo com códigos obrigatórios.</p>



<p>O asfalto é nosso território, porém todo dia é palco de um novo traçado, onde se jogam as sementes de um mesmo axioma: produzir e fazer aos outros produzirem esse mesmo mundo que nos obriga. A alegria é só permitida em migalhas carnavalescas, em pacotes de férias, todos eles adaptados ao tempo e aos negócios do entretenimento. Toda a liberdade do corpo está confinada a esse outro negócio que envolve comer, beber e dançar no limitado tempo do descanso da máquina produtiva.</p>



<p>Claro, não se pode fazer qualquer coisa na cidade, mas entre isso e a forma normativa que impõe a lógica do asceta urbano, há muita distância. Se há uma diretriz ética para nosso território, ela poderia ser a de <em>não limitar a deriva das vidas que a cidade acolhe a título de manter uma única e hegemônica forma de habitar a cidade</em>. Os modos de vida são muitos e todos eles formam a paisagem urbana. A defesa do nosso território consiste em nada mais do que dar garantias para a possibilidade real de poder acolher de todos os modos de vida que nela se expressam. A dinâmica do nosso território exige isso: toda vida vale, todo desejo tem direito a promover seus agenciamentos. A vida que resulta da monocultura do nosso território pode ser nociva para a maioria dos seus habitantes. O que se requer então, é um amplo diálogo, um diálogo com todos os atores, com todas as migrações que conduziram até aqui, com todo os fluxos que vieram se enredar nesse lugar. A identidade da cidade não pode ser um instrumento para garantir a hegemonia de um único modo de existir: ela deve se abrir à dinâmica nômade de todas as vidas e construir assim um fluxo identitário, uma sempre nova forma de afirmar quem somos nós. Não há motivos para que uma forma de existir tenha prioridade perante outra, menos ainda aniquilando as suas expressões. Todas as vidas da cidade são pertinentes para a expressão da sua totalidade.</p>



<p>E perante o sempre possível desejo de não querer que nada mude, para aquele que resiste à expressão das outras vidas, ainda vale a pena perguntar: quem diz que uma muralha cinza tem mais razões de existir que um grafite? Quem diz que um carro tem mais razões para ocupar o asfalto que uma bicicleta? Quem diz que a cidade silenciosa e organizada tem prioridade sobre o barulho e alegria das almas?</p>



<p>Para que ninguém seja surpreendido, saibam que o asfalto, as ruas, as galerias e os parques, são de todos: a cidade é nosso território, nela cultivamos e colhemos nossas existências.</p>



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<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> Músico panamenho, candidato à presidência desse país em 1994.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8d08b-jose-aravena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15522 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>José Aravena Reyes</strong> é natural de Santiago de Chile. Músico popular e canta-autor na época, veio para o Brasil a cursar pós-graduação em <em>Engenharia Oceânica</em>. <em>Professor Titular</em> da Faculdade de Engenharia desde 2018, fez pós-doutorado em <em>Filosofia da Técnica e da Tecnologia</em> na <em>Pontifícia Universidade Católica do Paraná</em>. Atualmente ministra aulas de <em>Engenharia e Sociedade</em> e <em>Gerenciamento de Projetos</em> na UFJF. Na sua vida pessoal, é discotecário de músicas do mundo. Membro do grupo de <em>Maracatú Estrela na Mata</em>, divide suas pesquisas de Filosofia da Tecnologia com suas outras pesquisas musicais em discos de vinil do mundo que utiliza em suas mixagens e produções autorais de música eletrônica.</p>
</div></div>



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		<title>UM HISTORIADOR, UM DETETIVE E UM PSICANALISTA NOS FAZENDO PENSAR SOBRE BRASIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em fins do século XIX, apareceu uma série de artigos sobre a pintura italiana. Sob o pseudônimo de &#8220;Ivan Lermolieff&#8221;, Giovanni Morelli desenvolveu um método para atribuir quadros antigos ao verdadeiro dono, a rigor, fazer uma leitura minuciosa a ponto de caracterizar o estilo do artista o reconhecendo, portanto, em sua obra. Seu método consistia na observação de detalhes que passavam despercebidos, tal como lóbulo de orelhas, formas de dedos, enfim. Do mesmo modo compreendemos, quase nos mesmos anos, a busca pelos pormenores no trabalho atribuído ao famoso detetive Sherlock Holmes por seu criador, Arthur Conan Doyle. No ensaio &#8220;<em>O Moisés de Michelangelo</em>&#8221;&nbsp; (1914), Freud escreveu: &#8220;Muito tempo antes que eu pudesse ouvir falar de psicanálise, vim a saber que um especialista de arte russo, Ivan Lermolieff [<em>nosso Giovanni Morelli</em>] (&#8230;) havia provocado uma revolução nas galerias da Europa realocando em discussão a atribuição de muitos quadros a cada pintor, ensinando a distinguir com segurança entre as imitações e os originais, e construindo novas individualidades artísticas a partir daquelas obras que haviam sido liberadas das suas atribuições anteriores.&#8221;</p>



<p>O que perpassa a metodologia de Morelli, Holmes e Freud? A atenção para os resíduos que são considerados reveladores do próprio espírito humano. Assim, são os sintomas para Freud, o indícios para Holmes e os signos pictóricos para Morelli. Ao fim e ao cabo, são dados indiciários que formariam sobre a ciências humanas em fins do século XIX um paradigma baseado na semiótica. É nesse sentido que Carlo Ginzburg tentou compreender como, historicamente, surgiram disciplinas centradas na decifração de signos variados, dos sintomas às escritas. Em digressão, apresenta mais uma analogia: o homem caçador. Ginzburg irá considerar que, talvez, este seja o mais antigo gesto da história intelectual do gênero humano, em suas palavras, <em>o do caçador agachado na lama, que escruta as pistas da presa</em>.</p>



<p>A decifração do outro não é possível quando há um apagamento dos traços individuais que o diferencia, ou seja, a observação das individualidades é diretamente proporcional ao rigor ou qualidade do resultado obtido em uma pesquisa para o historiador, uma sessão para o psicanalista e uma investigação para um detetive. Esse tipo de conhecimento, a medida em que é desenvolvido, vai se especificando e se distanciando, por consequência, de uma perspectiva generalizante. Dentro dos métodos da História, existe uma via chamada &#8220;micro história&#8221; e que tem, como um de seus expoentes, o próprio Carlo Ginzburg que buscou,&nbsp; nos processos de Inquisição do século XVI e XVII, por exemplo, dados indiciários e, com isso, descobriu o moleiro Menocchio perseguido pela Inquisição por desenvolver uma cosmogonia que consistia na união de terra, ar, água e fogo que formavam uma massa (o moleiro fez a analogia com o processo do leite para se tornar queijo) e, como os vermes surgiam no processo do leite-queijo, assim surgiam os anjos, por exemplo. Nisso, foi acusado pelo crime de heresia. Esse tipo de pesquisa, além de trazer rupturas com ideias generalizantes tal como a homogeneidade atribuída a &#8220;sociedades da modernidade&#8221;, demonstra uma individualidade construída e influenciada pelos processos do cotidiano, dos afazeres do dia a dia.</p>



<p>O impacto dessa opção metodológica nas produções historiográficas brasileiras, por exemplo, tem surtido efeito na retomada de memórias outrora marginais pois busca a trajetória de sujeitos e grupos que não eram contemplados dentro do que se entendia por uma &#8220;história oficial&#8221;, desenvolvida nos séculos XIX/XX para a construção do ideal de <em>nação</em> no Brasil. Desenvolver um olhar para a individualidade em um país que, em determinada medida, foi educado dentro do mito da democracia racial soa até mesmo como uma tendência que nos empurra na contramão dos traços de individualidade. Não apenas no campo das profissões que aqui foram utilizadas como analogia, mas nos próprios pronunciamentos dos ministros do atual governo, enxergamos a sugestão e tendência de uma sociedade brasileira homogeneizada, assim, tudo que é considerado <em>diferente</em>, se torna apenas exceção, o que abre prerrogativa para as falas preconceituosas, classistas, a rigor, a sugestão do atual Ministro da Educação sobre a retirada de pessoas com deficiência das salas de aula com pessoas sem deficiência sob o argumento de que, essas primeiras, atrapalham o processo de aprendizagem; mais, a fala do atual Ministro da Economia ironizando o aumento da conta de luz e questionando &#8220;qual o problema da energia ficar um pouco mais cara?&#8221; ignorando, portanto, o fato de que 11 milhões de brasileiros nem mesmo acesso a energia elétrica possuem.</p>



<p>É certo que esse tipo de fala e atitudes levadas a cabo pelo governo federal desde o seu início, fazem parte de um plano muito mais amplo e complexo, no entanto, se fundamenta no egoísmo e, num Brasil com Brasis, é impossível governar olhando para o próprio umbigo. Por isso, acredito que o presidente é o próprio golpe e, enquanto ocupar tal posto, continuará golpeando todos os brasis que não cabem em seu ­minúsculo espírito.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
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		<title>HISTÓRIA DO BRASIL PELO MÉTODO CONFUSO, DE MENDES FRADIQUE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Das minhas mais tenras e incipientes experiências com o acervo da Biblioteca do Museu Mariano Procópio, lembro-me perfeitamente do primeiro contato com a obra <em>História do Brasil pelo método confuso, </em>sobre a qual o recém-egresso da graduação nunca ouvira sequer algum comentário. A obra é de autoria de Mendes Fradique, que mais tarde descobri se tratar do pseudônimo de José Madeira de Freitas (1893-1944). O exemplar do Museu é a quarta edição da obra, realizada no Rio de Janeiro pela Livraria Leite Ribeiro, em 1922. E, originalmente, é parte integrante da coleção bibliográfica de Alfredo Ferreira Lage (1865-1944), o fundador da instituição.</p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-full"><img decoding="async" width="496" height="345" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94a30-1.jpg?resize=496%2C345&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-17869" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94a30-1.jpg?w=496&amp;ssl=1 496w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94a30-1.jpg?resize=300%2C209&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94a30-1.jpg?resize=138%2C96&amp;ssl=1 138w" sizes="(max-width: 496px) 100vw, 496px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Antes de se tornar livro, porém, essa publicação já havia alcançado grande sucesso na revista carioca <em>D. Quixote</em>, fundada em 1917 pelo humorista Bastos Tigre. Publicada primeiramente em folhetim, a obra de humor apresentava ao público uma paródia da história oficial brasileira, dessacralizando os manuais de história do Brasil e as narrativas cívico-nacionais, difundidas por escritores como Rocha Pombo, Afonso Celso, dentre outros. Este último, a propósito, escreveu <em>Porque me ufano do meu país, </em>publicado no início do século XX, para difundir o sentimento patriótico aos estudantes e à população em geral. Na Biblioteca do Museu Mariano Procópio, curiosamente, há uma versão em braile desse título, cujo conteúdo está distribuído em quatro volumes. Tanto a versão impressa, de 1901, quanto a traduzida para o braile, pertenceram à Viscondessa de Cavalcanti. A doação à instituição foi realizada por um professor do Instituto de Cegos Benjamin Constant, em 1946, segundo relatório institucional da ex-diretora, Geralda Armond, datado do mesmo ano.</p>



<p>Abertos e fechados os parênteses, voltemos agora ao método confuso… Nesse livro, D. João VI é chamado “D. João Cesto”, uma alusão à fama de “comilão” e “glutão” do monarca. D. Pedro I é representado como um menino de calça curta. E Pedro Álvares Cabral passeia de automóvel pelas ruas brasileiras. A obra, portanto, apresenta uma série de deslocamentos temporais e espaciais, bem como diálogos com os hábitos banais do cotidiano, para produzir efeitos de humor através dos personagens “célebres” da história.</p>



<p>Considerando que o auge de circulação dessa obra ocorreu no início do século XX, vale destacar que muitas das sátiras nela veiculadas estavam na contramão das representações nacionais construídas por ocasião dos eventos oficiais de celebração do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. A exemplo de diversos periódicos humorísticos em circulação nessa época, o tom do discurso era de crítica ao “Brasil imaginário”, que, para se sobrepor ao “Brasil real”, apresentava um “simulacro” de modernidade e cosmopolitismo. Uma imagem baseada no lema positivista da bandeira nacional (“Ordem e Progresso”) e nos preceitos civilizatórios europeizantes, mas que não se sustentava diante dos contrastes sociais, das desigualdades e das mazelas políticas que nos assolavam.</p>



<p>José Madeira de Freitas, nascido em 1893 e falecido em 1944, era natural do Espírito Santo. O escritor chegou ao Rio de Janeiro para cursar medicina em 1910, profissão que exerceu ao lado de suas facetas artísticas. Estabelecido em terras cariocas, residiu em pensão na Lapa. Foi apresentado às rodas literárias pelo famoso humorista Emílio de Meneses, na Confeitaria Colombo, hoje considerado uma das grandes atrações turísticas do Rio de Janeiro. Com forte inclinação para o desenho, vivenciou o “período de ouro dos caricaturistas”, chegando a desenhar diversas caricaturas para periódicos da capital.</p>



<p>O pseudônimo Mendes Fradique – que é uma inversão do nome de um dos mais conhecidos personagens de Eça de Queirós, o Fradique Mendes – alçou Freitas ao <em>status</em> de celebridade nas revistas humorísticas e na imprensa periódica, tendo com este codinome assinado diversos textos.</p>



<p>Não obstante a irreverência e o humor de sua produção, muitos especialistas consideram seu perfil intelectual conservador. Suas sátiras se voltam contra diversos aspectos da modernidade e manifestações culturais, como o maxixe e os movimentos de vanguarda artística, como o cubismo e o expressionismo, por exemplo, considerados por ele expressões da “degeneração humana”.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:29.74517%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/5b15d-2.jpg?w=950?strip=info&#038;w=495 495w" alt="" data-height="289" data-id="17863" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17863" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4cbd-2.jpg" data-width="495" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/5b15d-2.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:26.87325%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/8db2d-3.jpg?w=950?strip=info&#038;w=498 498w" alt="" data-height="322" data-id="17864" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17864" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d9829-3.jpg" data-width="498" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/8db2d-3.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:21.4695%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/3e533-4.jpg?w=950?strip=info&#038;w=496 496w" alt="" data-height="402" data-id="17865" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17865" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e2a8d-4.jpg" data-width="496" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/3e533-4.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:21.91208%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/bbaca-5.jpg?w=950?strip=info&#038;w=500 500w" alt="" data-height="397" data-id="17866" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17866" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16767-5.jpg" data-width="500" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/bbaca-5.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Charges do livro &#8216;História do Brasil pelo Método Confuso&#8217;.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Outro ponto importante sobre a trajetória intelectual do escritor: atribui-se a ele a autoria da frase “país da piada pronta”, imortalizada no imaginário brasileiro, para se referir à tênue relação entre realidade e humor em nossa sociedade. Para argumentar a respeito, o escritor do “método confuso” utilizou vários exemplos, como o pitoresco caso envolvendo a construção de uma grande avenida no Rio de Janeiro, na qual o único prédio que ruiu por erro técnico foi o do Clube de Engenharia.</p>



<p>No final da década de 1920, Freitas simpatiza-se com as ideias integralistas, tornando-se um ativista desse movimento conservador de extrema-direita, que arregimentou enorme contingente de brasileiros ao longo da década de 1930. Na medida em que se arraigava a essa ideologia, o pseudônimo Mendes Fradique foi sendo gradualmente deixado de lado, vindo a prevalecer seu nome de batismo, José Madeira de Freitas.</p>



<p>Para os leitores de hoje, parece inevitável o seguinte questionamento: não seria paradoxal a adesão de José Madeira de Freitas ao integralismo, tendo em vista que a ideologia desse movimento conservador de extrema-direita propagava ideais nacionalistas que, aparentemente, estavam na contramão de suas paródias dessacralizadoras? Para refletir sobre essa pergunta, sugiro a leitura de duas pesquisas que divergem sobre o assunto: de um lado, a dissertação de mestrado e o livro da historiadora Isabel Lustosa, publicado em 1993<em>; </em>de outro, a tese do pesquisador em estudos literários, Cleverson Ribas Carneiro, defendida em 2008, na Universidade Federal do Paraná.</p>



<p>Isabel Lustosa estabelece uma dicotomia entre a personalidade do autor, José Madeira de Freitas, e a do narrador-personagem ou pseudônimo, Mendes Fradique: para a autora, Freitas pensava de modo conservador e Fradique sentia a realidade à sua volta a partir dos pressupostos estéticos modernistas, afeitos à parodização dos costumes sociais e da história oficial. Cleverson Ribas, por sua vez, não enxerga essa polarização ou contradição: a paródia, não sendo sinônima de modernismo, não raramente desempenhou, ao longo da história, papéis moralizantes. Para Ribas, portanto, autor e pseudônimo são duas faces de uma mesma moeda. A paródia, nesse caso, ao invés de se mostrar sintomática de uma adesão quase que natural ou inconsciente à estética modernista, seria o recurso utilizado para ridicularizar as ameaças da modernidade aos princípios civilizatórios clássicos e europeizantes, considerados tão caros à visão de mundo do escritor, que evocava, assim, seu inconformismo diante da “tragédia” da mudança e ou da “decadência” dos valores ditos “universais”.</p>



<p>Lustosa e Ribas, a partir de concepções e momentos distintos, conseguiram sustentar suas perspectivas através de argumentos devidamente fundamentados na pesquisa histórica. Convido-lhes a conhecerem os trabalhos de ambos, e do próprio autor de <em>História do Brasil pelo método confuso</em>, para que tirem suas conclusões. Boa leitura!</p>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>CARNEIRO, Cleverson Ribas. <strong>Mendes Fradique e seu método confuso:</strong> sátira, boemia e reformismo conservador. Tese de doutorado em Estudos Literários, Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Paraná, 2008. Disponível em: <a href="https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/13871/Cleverson1-def.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y">Acervo Digital UFPR</a></p>



<p>LUSTOSA, Isabel. <strong>Brasil pelo método confuso:</strong> humor e boemia em Mendes Fradique. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="599" height="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=599%2C601&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13196 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?w=599&amp;ssl=1 599w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></strong></strong></strong> é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.</p>
</div></div>



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		<title>O CANTO DA URBE</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Rebeca Soares</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A sonoridade de uma cidade a desenha. É através dos sons de uma cidade que percebe-se quem são as pessoas que ali vivem, quais são os seus hábitos, os seus afetos e desafetos. Porém, a globalização faz com que os sons tornem-se muito semelhantes em um mesmo momento histórico e em diversas partes do mundo. </p>



<p>Partindo desta ideia, podemos notar que a urbe hoje veste uma espécie de uniforme, onde o fluxo da cidade parece sempre estar carregado de sons de buzinas, sirenes, máquinas, motores, fábricas e outras sonoridades comuns a diversos locais, sons estes mais relacionados com o tamanho da cidade do que com sua localização geográfica. No entanto, é possível ainda acreditar que ainda há particularidades na paisagem urbana moderna que podem desenhar uma determinada cidade. Diante disto, nos interrogamos: quais sonoridades são comuns a muitos lugares do globo? e quais podem ser específicas de uma determinada cidade?</p>



<p>Neste caso, analisamos a cidade de Viçosa, localizada na zona da mata, interior de Minas Gerais. Com aproximadamente 79.388 habitantes (segundo o senso do IBGE de 2020), a cidade-universitária já dá sinais de que tem mais carros do que realmente poderia comportar. Apesar do crescimento da cidade nos últimos anos, Viçosa tem em sua identidade sonora fortes manifestações interioranas, como o ressoar de sinos de igrejas, uma diversidade de cantos de pássaro, louvores em procissões católicas e outras peculiaridades sonoras. A tentativa de mapear estes sons nos leva a uma cartografia sonora e sensível a fim de encontrar as especificidades desta cidade através de seus sons e suas paisagens sonoras. Esta cartografia sonora permite adentrar no tempo-espaço que essas sonoridades ocupam, afinal os sons encontrados na cidade ali estão por algum motivo, e cabe a essa pesquisa observar como a chamada paisagem sonora (Schaefer, 1991) compõem-se na cidade de Viçosa.  A cartografia aqui é também um método de pesquisa já que, segundo Costa (2014), as cartografias são também possíveis nos territórios subjetivos, afetivos e estéticos.</p>



<p>O caminho dessa procura perpassa pelos entres, pelos ouvidos atentos ao espaço e ao que o compõe. A cartografia a qual me proponho entende o pesquisador como parte do campo e busca o processo ao invés do resultado. É importante destacar que, nesta investigação, interessa-me cartografar não somente as sonoridades, como também o simbolismo destas juntamente com o desenho que elas trazem para a cidade. Assim, entendemos os sentidos como modo de experienciar o contexto social, político e filosófico, pois acreditamos nas sonoridades como campo de estudo e investigação. É necessário observar a paisagem sonora em suas nuances, mutações e singularidades para que se saiba em que tempo-espaço está e por isto, procurar as brechas entre as diferenças e semelhanças sonoras na urbe me parece ser um caminho para compreendê-la.</p>



<p>*<em>Orientação e coautoria de Flávio Schiavoni</em>.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="361" height="361" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de780-rebeca-lima-soares.png?resize=361%2C361&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-17857 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de780-rebeca-lima-soares.png?w=361&amp;ssl=1 361w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de780-rebeca-lima-soares.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de780-rebeca-lima-soares.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de780-rebeca-lima-soares.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 361px) 100vw, 361px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Rebeca Lima Soares</strong> é mestranda em Artes, Urbanidades e Sustentabilidade pela UFSJ, e pesquisa com ênfase na arte que acontece na cidade, nos encontros, desencontros e poéticas da urbe. Bacharela e licenciada em Dança pela UFV, trabalhou com arte-educação, educação em sistema prisional, performance e direitos humanos, dentre outras questões do corpo e das possibilidades desse. Fazedora das multiplicidades em arte, seu caminho perpassa pela dança, fotografia, texto, performance e audiovisual. Além disso, faz um bolo de cenoura ótimo, atua como produtora cultural e pesquisadora-curiosa do samba jazz.</p>
</div></div>



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		<title>[PODCAST] Porque tornamos pessoas medíocres famosas?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas medíocres]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[pseudo celebridades]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  ARTEcast Bodoque</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator" />



<p>Sejam bem-vindas e bem-vindos ao nosso podcast!</p>



<p>O episódio de hoje é polêmico e <strong>não tem ponto pacífico!&nbsp;</strong></p>



<p>Em um mundo onde a beleza, o talento, a inteligência, a felicidade e as relações são tremendamente superficiais, por que será que nos incomoda tanto ver inúmeras pessoas medíocres famosas, com dezenas de milhares de seguidores e muito dinheiro, enquanto tantas outras pessoas lutam em seus trabalhos no dia-a-dia para ter o mínimo de dignidade e retorno financeiro suficiente para manter o sustento da própria família?</p>



<p>Essa pergunta e muitas outras foi o tema do bate-papo do Fred com o artista, ilustrador e músico Beto Martins para o nosso ARTECAST!</p>



<p>Então já sabe, coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



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<p>Ouça no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Porque tornamos pessoas medíocres famosas?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/4Qytel0g1PvLdZiYnlGVrG?si=F8z1Zbm6QreXkaTcnG9eEg&#038;dl_branch=1&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O ARTECAST Bodoque</strong></strong> é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>CONHEÇA RALPH BUNCHE, O PRIMEIRO HOMEM NEGRO A GANHAR O NOBEL DA PAZ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Andrew Young, o primeiro homem negro a virar embaixador da ONU, conquistou seu lugar na história, mas ele credita a Ralph Bunche sua inspiração.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bunche, que faleceu há 50 anos, foi o primeiro afrodescendente a ganhar o  Prêmio Nobel da Paz e a desempenhar um papel importante nos primórdios da ONU.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ele recebeu a honraria por ter intermediado um cessar-fogo entre israelenses e árabes durante a guerra que se seguiu à criação do estado de Israel, em 1948.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>O artigo a seguir faz parte de uma série de recursos multimídia publicados como parte das comemorações adjacentes do vigésimo aniversário da Declaração de Durban da ONU, considerado um marco histórico no combate global contra o racismo.</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8dd63-ralph-bunche.jpeg?resize=900%2C600&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-17964" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8dd63-ralph-bunche.jpeg?w=900&amp;ssl=1 900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8dd63-ralph-bunche.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8dd63-ralph-bunche.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8dd63-ralph-bunche.jpeg?resize=144%2C96&amp;ssl=1 144w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>O embaixador Andrew Young, presidente do Conselho de Segurança, é visto enviando convocando uma reunião sobre a África do Sul. (Março de 1977)<br>Foto: © Yutaka Nagata/Nações Unida</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>m conversa com a&nbsp;<a href="https://news.un.org/en/story/2021/08/1098722">ONU News</a>&nbsp;em julho de 2020, Andrew Young, o primeiro embaixador afro-americano das Nações Unidas, compartilhou suas lembranças de Ralph Bunche, e explicou por quê sua influência continua a ser sentida no combate contra o racismo. Bunche recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1950 pelo seu trabalho no fim da década anterior ao mediar os conflitos na Palestina em nome da ONU.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“Ralph Bunche foi um dos meus heróis de infância. Pensava nele como meu pai porque ele já havia feito tudo o que eu estava tentando fazer, 40 anos antes mais cedo!”, recorda Andrew Young.</em></p></blockquote>



<p>Ralph deixou a Universidade Howard, uma das primeiras universidades historicamente negras, em 1939, para realizar um tour na África. Ele trabalhou desenvolvendo a inteligência militar no continente para os esforços estadunidenses na Segunda Guerra Mundial.</p>



<p>Na missão, Ralph chegou em um bote ao Marrocos, Tunísia e Egito, e em seguida, no Canal de Suez no Quênia e África do Sul. O ex-embaixador da ONU relata que ele era a única pessoa nas forças armadas americanas que realmente sabia qualquer coisa a respeito do continente, em termos de inteligência militar. &#8220;Muitas das doutrinas da ONU sobre descolonização, manutenção da paz, imigração, refugiados e asilo vieram, acredito, de estudos que ele realizou durante este período&#8221;, disse.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Ralph Bunche: Hero for Justice" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/PDNgN6RXG2E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Leia na íntegra o relato de Andrew Young sobre a carreira de Ralph Bunche:</p>



<p><em>Durante a era dos direitos civis, e mesmo sendo um alto funcionário da ONU, e não estar diretamente envolvido com Martin Luther King, ele não hesitou ao aconselhar e encorajar King.&nbsp;</em></p>



<p><em>Ele até mesmo chegou a marchar com King em Selma [cena das marchas dos direitos civis de 1965 feita por atividades não violentos, demonstrando a repressão deles quanto ao direito constitucional do voto], mostrando que, além de ser um acadêmico internacionalmente reconhecido, mantinha uma conexão direta com a comunidade negra e os líderes dos direitos civis: ele não veio como um funcionário das Nações Unidas, ele queria estar lá simplesmente como um cidadão americano, marchando pela liberdade em seu país.</em></p>



<p><em>Quando conheci Bunche na ONU, em 1967, acompanhando Martin Luther King, ele afirmou que não desejava criticar King por sua postura a respeito do Vietnã, com a qual concordava [Martin Luther King foi firme na oposição ao envolvimento da América na guerra do Vietnã], mas ele disse que odiava ver King envolvido com ambos, o movimento pelos direitos civis e movimento pela paz, ao mesmo tempo porque isso o deixou demasiado exposto.</em></p>



<p><em>King respondeu que não queria se envolver, mas não tinha escolha: “não quero me envolver com isso, mas não posso fugir. Não consigo segregar minha consciência. Não posso ser a favor da não-violência entre raças e classes no mundo e endossar a violência em conflitos internacionais”.</em></p>



<p><em>Esta reunião ocorreu um ano antes de King ser assassinado. É quase como se Bunche estivesse prevendo que a variedade de papéis que King estava desempenhando era imprudente, e ele o estivesse aconselhando a desacelerar um pouco e durar um pouco mais.</em></p>



<p><strong><em>Mestre dos jogos de bastidores &#8211;&nbsp;</em></strong><em>Ralph Bunche sempre foi muito racional e lógico, e resistiu a todos os tipos de políticas emocionais e de raiva que pudessem existir entre as raças, ou entre os mundos desenvolvidos e menos desenvolvidos.</em></p>



<p><em>Ele era um mestre da mediação, com uma mente fria, lógica e analítica, que aplicou a assuntos emocionais voláteis. Ele não acreditava em sigilo, mas acreditava que a diplomacia depende de um certo nível de confiança privada: há um jogo de bastidores constantemente acontecendo na ONU.</em></p>



<p>Este artigo faz parte de uma série de recursos multimídia publicados como parte das comemorações adjacentes do vigésimo aniversário da Declaração de Durban da ONU, considerado um marco histórico no combate global contra o racismo.</p>



<p><strong>&nbsp;Mais fatos sobre Ralph Bunche:</strong></p>



<ul><li>As realizações de Ralph Bunche são difíceis de avaliar. Em uma fase de pronunciada desigualdade racial nos Estados Unidos, Bunche tornou-se o primeiro afro-americano a obter um doutorado vindo de uma universidade americana na década de 1930. Após servir seu país na Segunda Guerra Mundial, na inteligência militar, trabalhou em dois dos documentos fundamentais da ONU: a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.</li><li>Bunche tornou-se subsecretário-geral da ONU, auxiliando os esforços dos povos colonizados para alcançar a liberdade e a independência no Conselho de Tutela e mediando o armistício de 1949 entre Israel e os países árabes vizinhos, pelo qual foi premiado com o Prêmio Nobel da Paz em 1950.</li><li>Bunche foi o arquiteto e diretor das subsequentes operações de manutenção da paz das Nações Unidas e liderou, pessoalmente, a maior e mais desafiadora delas, a operação da ONU de 1960, no Congo.</li><li>Apesar de Bunche ter deixado a ONU na época em que Andrew Young se tornou o primeiro embaixador afro-americano dos Estados Unidos da organização em 1977, ambos se conheceram anteriormente, durante a década de 1960. Young acompanhou Martin Luther King em sua visita à Sede da ONU em 1967, no auge do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos.</li><li>Para obter uma descrição mais detalhada a respeito das realizações de Bunche na ONU e de suas qualidades pessoais, leia&nbsp;<a href="https://news.un.org/en/spotlight/character-sketches-ralph-bunche-brian-urquhart">este artigo</a>&nbsp;de outro membro fundador do Secretariado da ONU, Brian Urquhart.</li></ul>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/141501-concurso-convida-fotografos-compartilhar-trabalhos-sobre-o-impacto-do-comercio-na-inclusao">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 24/08/2021 – Atualizado em 24/08/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] BOLO DE COCA COLA (OU VOCÊ JÁ TENTOU COLORIR MEMÓRIAS?)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Borsatto</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Essa série de trabalhos se desenvolve a partir dos apagamentos oriundos da dinâmica entre memória e afeto. A série se apropria de diversos elementos extraídos de arquivos familiares, pois busca neles conteúdos com os quais o público possa se identificar. O objetivo é dar corpo a novas memórias que sejam, simultaneamente, alheias e comuns a todos.</p>



<p>Os trabalhos se referem à efemeridade das nossas memórias afetivas, que tão facilmente são contaminadas pela nossa história e estado mental ao longo das nossas vidas e à medida<br>em que envelhecemos.</p>
</div>
</div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:26.58732%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/759a8-balanco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/759a8-balanco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/759a8-balanco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/759a8-balanco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/759a8-balanco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/09/759a8-balanco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="4032" data-id="17876" 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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="336" height="336" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c07-guilherme-borsatto.png?resize=336%2C336&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-17874 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c07-guilherme-borsatto.png?w=336&amp;ssl=1 336w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c07-guilherme-borsatto.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c07-guilherme-borsatto.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c07-guilherme-borsatto.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 336px) 100vw, 336px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Guilherme Borsatto</strong> nasceu em 1991 em São Paulo, onde reside e trabalha. Tendo percorrido, desde muito jovem, questões identitárias de gênero dentro de uma família fragmentada, o artista explora a identidade e a memória familiar a partir de suas fragilidades, pois acredita serem elas catalisadoras de experiências coletivas. Seus<br>trabalhos costumam se apropriar de elementos extraídos de arquivos<br>familiares diversos, e se desenvolvem em diversas linguagens como a<br>pintura, a instalação, a cerâmica e o livro de artista.</p>
</div></div>



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		<title>EU GOSTAVA MAIS QUANDO VOCÊ TRABALHAVA SÓ NO TRABALHO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Iverson Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi direta e objetiva, enquanto pedia minha atenção pela milésima vez (e não é uma hipérbole!).</p>



<p>Eu estava entre e-mails, correções, anotações em planilha… de um cargo; E, ao mesmo tempo, resolvia questões sobre o funcionamento, reunião e formação&#8230; de outro; Entre isso tudo, ainda, havia almoço, rotina da casa e atividades escolares das meninas…</p>



<p>Estávamos isolados dentro do isolamento: Eu, as meninas e Tamara, que acabara de ser diagnosticada com Covid.</p>



<p>Era um cenário incerto, sentíamos na pele o medo da perda ou da contaminação de nossos pais. Tamara sentia as dores e angustias; as meninas esboçavam preocupação; eu não conseguia lidar com todas as preocupações e emoções.</p>



<p>Naquele cenário erámos só nós, a fé e a esperança.</p>



<p>E o trabalho? Não parou. Até hoje não sei por quê.</p>



<p>“Por que você também não pegou um afastamento?” me questionou uma colega de trabalho.</p>



<p>Talvez porque o home office criou uma falsa ideia de que não estamos trabalhando. Quando na verdade trouxemos de forma involuntária e inconsciente o conceito das empresas com atendimento 24h.</p>



<p>Já me peguei de madrugada gravando podcast com explicação para alunos, porque era o horário do silêncio ou fazendo cursos de aprimoramento para adequação do trabalho (fora do horário do trabalho)&#8230;</p>



<p>Outros colegas mergulharam de cabeça em grupos de atendimento em whatsapp, sem hora e sem dia…</p>



<p>Normalizamos uma sobrecarga que tem afetado saúde e relacionamentos.</p>



<p>E ela, com sete anos, havia entendido uma lógica e me alertava: no trabalho presencial (geralmente), o trabalho é limitado a um espaço-tempo determinado.</p>



<p>No remoto não!</p>



<p>Ele invade tempos e espaços naturalizando sobrecarga e pressões.</p>



<p>(Pois, há “fiscais de posturas” que internalizaram tanto esse modelo em suas rotinas, que querem todos no mesmo frenesi desvairado.)</p>



<p>Foi então que, (in)conscientemente, a mais nova colocou meu celular no microondas.</p>



<p>Às vezes, é necessário distância do abismo para compreender o risco.</p>



<p>Não se sobrecarregue.<br>Não se pressione.<br>Não se cobre.</p>



<p>Lembre-se: tempo, além de dinheiro, é vida, saúde e amores.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="256" height="256" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=256%2C256" alt="" class="wp-image-17619 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?w=256&amp;ssl=1 256w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 256px) 100vw, 256px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Iverson Silva </strong></strong></strong></strong></strong>é professor de História da Rede Pública, Historiador e Escritor.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] SENSAÇÕES OCULTAS EM CORES, EXPRESSÕES E MOVIMENTOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 107]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Borsatto</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>A ausência materna na infância, as paixões conturbadas, amores despedaçados e carência passando pela triste realidade contemporânea na personificação de um cenário cada vez mais comum abrangendo feminicídio e materialismo. É neste contexto de revolta com a sociedade, com a falta de compaixão, as exorbitâncias de interesses materiais que nos atormentam, a dor da perda, enfim; uma série de sentimentos distintos que me incitam inspiração para esta série.</p>



<p>Utilizei papel Paraná em vez de tela convencional e me apropriando de uma técnica que começou com óleo passando por acrílico e foi se tornando mista aos poucos, com uso de giz pastel, tinta óleo, acrílica, carvão vegetal, gesso e massa acrílica.</p>



<p>Falar do processo de criação de meus trabalhos é basicamente delinear o momento de maior relevância, instante em que busco evidenciar sentimentos diversos. Depois de criar o desenho, deixo-me seduzir por letras e canções que de alguma forma aludem ao que estou tentando, demonstrar. Variegando sentimentos às letras, que na maioria das vezes são tristes, mas de alguma forma harmonizam entre si; as cores e expressões, revelando através do movimento uma série de sensações ocultas.</p>



<p>Alguns de meus trabalhos são marcados por instantes de alienação, em que não me importa saber o que acontece ao meu redor, eu apenas estou mergulhado num sorvedouro de sentimentos e deles quero extrair o melhor e o pior de mim, tudo o que se mantém oculto aos olhos de outrem. Estar inspirado é trazer à tona uma infinidade de sensações que através das cores se tornam visíveis, onde eu procuro revelar o obscuro, com a intenção de não ser encontrado, tampouco desvendado. O verdadeiro sentido está intrinsicamente representado em figuras efêmeras com rostos melancólicos e movimentos singulares que conseguem exteriorizar uma linguagem distinta e profunda. Penso que através do meu estilo indefinido; que se pode chamar de expressionismo contemporâneo, sou capaz de transmitir aquilo que não sei falar, tampouco explicar. &nbsp;Acredito que minha intenção é provocar a mente humana através de cores, expressões e movimento, fazer me reconhecer pelo ato de externar aquilo que muito se faz questionar, mas que poucos conseguem interpretar, a alma.</p>
</div>
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<p><strong>Carlos Alexandre Machado</strong> é artista plástico, criado na cidade de Santa Cruz do Sul (RS) e residente em São Paulo. </p>
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