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	<title>Arquivos Ano 003, N 120 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>MEMENTO MORI: EXCURSOS PANDÊMICOS [2]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Micael Correia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A descoberta da nova variante da covid-19, denominada Omicron, é também o signo de uma outra fase desse circuito pandêmico que parece se atualizar mais uma vez. O ocaso desse momento reflete tanto a persistência de uma realidade que há pelo menos dois anos anuncia sua irreversibilidade, nos convidando a afirmar que os esforços de tratar toda equilibração sanitária como um “novo normal” se tratam, na verdade, de um <em>memento mori</em>, uma simbolização tardia de um mundo que já morreu; tanto quanto a incapacidade a nível global de dar o passo urgente para o descaminho também global: uma tomada de posição radical ante ao sistema-mundo que se globalizou, a saber, a forma hegemônica do capitalismo. Se a máxima benjaminiana está certa, de que a revolução é o freio de mão da história, somos como pilotos ingênuos, crentes no poder historicista da Graça – de que a história por sua boa vontade irá nos poupar da condenação e criar pontes para que cheguemos seguros do outro lado.</p>



<p>Mas assim como qualquer filme de ação em que os pilotos enfrentam aquilo que seria a corrida decisiva ou a disputa final da competição, que coloca a prova a própria vocação daqueles que ali participam, há sempre uma trilha sonora que controla a percepção do espectador – o detalhe importante é que se essa trilha não existisse para nós, isto é, se assistíssemos à cena tal como ela estaria sendo realizada em plano real, a cruel dureza daquele momento provavelmente destituiria a percepção a-histórica e crente com que acompanhamos o evento. É a trilha sonora que nos protege do Real acontecimento de que ali provavelmente não há um desfecho narrativo, mas apenas um amontoado de contigências, uma série de improvisos existenciais desorquestrados. Proporei aqui um ensaio advertido dessa informação. Aqui nossa trilha sonora serão os acontecimentos tal como conformados pela mídia e seu correlato real ou desencantado será a decadência evidente do estado de bem-estar mítico, uma espécie de Bolero de Ravel no qual o caráter do andamento vai se estreitando até seu aspecto máximo, mantendo a mesma instrumentação, ritmo e melodia.</p>



<p><strong><em>§ moderato affetuoso</em></strong> As primeiras reações à variante consistiram em denunciar sua origem “terceiro mundista”, já que o continente africano – o continente com maior número de países com baixíssimas taxas de vacinação populacional – seria o local-sede dessa mutação viral, que já se confirma como mais transmissível do que a variante Delta, por exemplo.</p>



<p>O insight desse acontecimento é mais previsível do que parece: fomos informados que antes que a África do Sul pudesse confirmar a presença da variante no continente, ela aparecera antes na Holanda, com cerca de 15 dias de antecedência. Esse pode ser mais um caso de <em>sujeito-suposto-contaminar</em> &#8211; que já tínhamos visto em sua versão pandêmica no ataque ideológico viral contra a China no início de 2020 &#8211; em que não é o conteúdo da realidade que informa sobre os acontecimentos, mas a estrutura da informação já é impressa no formato ficcional da suposição da realidade; pois ainda que fosse confirmada a veracidade de uma variante africana, a suposição de contaminação estaria (discriminatoriamente) comprometida.&nbsp;</p>



<p><strong><em>§ moderato com fuoco</em></strong>. Embora no Brasil, o discurso anti-vacina tenha obtido uma adesão abaixo do esperado, se considerarmos o empenho de comunicadores alinhados ao governo em propagar toda sorte de informações com alto teor conspiratório e o avanço da vacinação no país, a realidade em muitos países da Europa tem sido ostensivamente resistente ao apelo das autoridades de saúde em prol da vacina. As manifestações antivax já agregam milhares de cidadãos que defendem sua liberdade de escolha frente à imunização, forçando agora medidas mais severas por parte dos governos na exigência de conformação desses sujeitos às medidas preventivas. Até a trágica imunização por indução forçada do vírus tornou a aparecer como alternativa desses grupos que já não se eximem de organizar protestos em favor do “meu corpo, minhas regras”. Acontece que para chegar nesse nível de contradição, o conceito mesmo de liberdade precisou entrar num curto-circuito que expõe a contradição do uso inadvertido da ideia de liberdade presente em discursos muito comuns nos movimentos de esquerda.</p>



<p>Talvez o questionamento leninista é adequado para essa situação: “liberdade para quem?” ou, parodiando Adorno, “liberdade para quê?”. Afinal, a máxima da liberdade como significante vazio faz acontecer aqui a inversão totalitária do par lacaniano de S1(significante-mestre, organizador de um regime simbólico)-S2(o saber por excelência, a performance a posteriori ao S1): a liberdade vira saber “louco”, contra o qual não há escrúpulo nem defesas mediante o fracasso instaurativo do S1. O revés da “liberdade louca” é que ela pode ser liberdade, inclusive, para condenar outros corpos à morte.</p>



<p><strong><em>§ moderato con brio</em></strong>. O imbróglio desse contexto nos leva a reconsiderar a dimensão teológico-política incutida no cerne da ética com que buscamos conter a contraforça que parece ter se aliado ao vírus e explicitou o caráter político e sistêmico de uma pandemia. Quero dizer que, não é por acaso que essa guerra passou a ser traduzida em termos de “luzes” contra as “trevas”, “conhecimento científico” contra “ignorância paranoica”, ou simplesmente “esclarecidos” contra “negacionistas”. A parte curiosa desse embate é a estrutura estritamente religiosa desse antagonismo, há muito já fornecida pelos teóricos frankfurtianos na “A dialética do esclarecimento”, pois nessa ocasião a tese de que o mito se convertia e esclarecimento e o esclarecimento em mito é porque uma posição refém dessa dialética acabaria por servir aos encantos que levaram a mitificação da razão científica. Mas de que forma aqueles que assumem o caráter salvador da ciência encontrariam seu reflexo oposto, os terríveis seres não-esclarecidos anti-ciência e anti-vacina que se espalham mesmo nas sociedades tidas como mais democráticas e educadas?</p>



<p>Um encaminhamento para essa questão é que a ciência, como a dupla Adorno e Horkheimer acertadamente nos mostraram, nunca foi, nem será o horizonte de redenção de nossa experiência humana. Retomar o debate a esses termos talvez seja sinal de que ainda não nos livramos dessa crença. A(s) ciência(s), na medida em que são por excelência (auto)crítica e descentrada não poderia se comprometer a tal tarefa. Na verdade, a questão ética dessa discussão é saber: se sabemos do benefício probabilístico atual desse ou daquele método de promoção de saúde, por que optaríamos pelo risco da morte, pela deriva destrutiva de um vírus?</p>



<p>§ <strong><em>moderato risoluto</em></strong>. O último momento dessa reflexão aqui é pensar no presente pelo qual estamos lutando atualmente. Se a pandemia provocou uma transformação que não permitiu com que nos mantêssemos os mesmos até aqui, por que não levar essa decisão adiante, assumindo a tarefa de que não é possível caminhar na mesma direção que a tentação midiática insiste em disseminar, de que estamos voltando a um estado de coisas “normal”? Por que diante da demonstração explícita da fragilidade de um sistema como o nosso, não apostar no “pior”, isto é, na destituição da forma de vida que bancamos até este momento? Afinal, se termino aqui com uma pergunta, é porque a necessidade de uma revolução radical passa diretamente pelo enfrentamento daquilo que fonte de resignação para nós mesmos.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> BENJAMIN, W. Experiência e pobreza (1933).</p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9d309-micael-correia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14286 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Micael Correia&nbsp;</strong></strong></strong>tem 23 anos e é um escritor não-autorizado. Tem experiência em Psicologia Clínica e se interessa pelas áreas de Psicanálise, Filosofia e cultura popular.</p>
</div></div>



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		<title>&#8220;ESCREVER É MUITO DIFÍCIL&#8221;: ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE A MITIFICAÇÃO DA ESCRITA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Saul Gomes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas classes com as quais já trabalhei, do Ensino Fundamental à Graduação, “Escrever é muito difícil&#8230;” sempre foi a enunciação mais frequente. Nessa frase, concentra-se a descrença do aluno na própria capacidade de produzir um texto consistente.&nbsp;</p>



<p>Embora diversos fatores contribuam para essa dificuldade de escrever – tais como a prática restrita da leitura e a falta de uma cultura da pesquisa no Brasil – acredito que um deles é&nbsp;essencial para que os estudantes concebam a produção textual como uma atividade extraordinariamente difícil: a mitificação da escrita.&nbsp;</p>



<p>A essa mitificação, dirigem-se as reflexões<a href="#_ftn1">[1]</a> de Maurizio Gnerre: a aquisição da escrita seria o passo definitivo para que grandes massas mergulhadas nas culturas orais abandonassem valores e forma de comportamento “pré-industrial”, tornando-se mais disponíveis para processos de industrialização e cooperando, decisivamente, para a melhoria da sociedade.</p>



<p>A mitificação da escrita encontra suas raízes no papel assumido, no decurso histórico, por essa modalidade linguística: contribuir para a sistematização do saber. A escrita, cuja função primordial foi a preservação dos traços iniciais de produção científica, vem sendo sublimada em decorrência da própria sublimação da ciência, promovida a sustentáculo da sociedade contemporânea (portadora da qualificação precisa de <em>sociedade científica</em>), que elegeu a escrita como o prestigioso meio de conservação dos produtos da atividade científica. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A atuação de um grupo específico de profissionais é determinante para a mitificação dessa modalidade linguística. Em determinados aspectos, o discurso desse grupo – composto por advogados, jornalistas e professores (principalmente, os de Português) – associa-se à concepção da escrita como um “patrimônio de iluminados”. Ao disseminar tal concepção, esse grupo de profissionais contribui para que não se perceba no aprendizado da escrita uma certa naturalidade que lhe é intrínseca. Como ocorre com várias outras atividades humanas, o aprendizado da escrita requer, fundamentalmente, concentração e exercício regular.&nbsp;</p>



<p>Quando se mitifica o ato de escrever, essa visão objetiva do aprendizado da escrita é substituída pela crença de que escrever é para alguns iluminados, de que a produção textual cabe àqueles ungidos com o “dom de escrever”. A consolidação dessa visão mítica da escrita ocorre nas aulas de Língua Portuguesa, nas quais ainda se confunde a escrita proficiente com a escrita artística.&nbsp;</p>



<p>É necessário esclarecer: ninguém precisa escrever literariamente para escrever bem. Os recursos para se elaborar um texto consistente estão desvinculados das estratégias de produção literária. Ao pronunciarem a célebre frase “Será que nessa classe há um novo Machado de Assis?”, os professores de língua materna reforçam a mitificação da escrita, mostrando-se desatentos aos alunos que escrevem proficientemente sem recorrer a meios de expressão literária.</p>



<p>Também sou professor de Português. Não quero depreciar a classe, já suficientemente submetida aos olhares severos de vários segmentos da sociedade. Estou, apenas, propondo um exercício de autocrítica, que nos leve a reconhecer nossa contribuição para que a escrita seja aprisionada numa “torre de marfim”, aprisionamento que dificulta consideravelmente o aprendizado da elaboração textual.  Não precisamos de novos Machados de Assis (um só já foi suficiente para revolucionar a literatura brasileira, nivelando-a com a melhor produção de Shakespeare, Dante, Cervantes, Goethe, Balzac e Tchekhov). Precisamos de professores que estejam dispostos a adotar uma nova mentalidade, que estejam determinados a difundir uma visão mais ampla da língua e a desmitificar a escrita.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> Cf. GNERRE, Maurizio. <strong>Linguagem, escrita e poder</strong>. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-17786 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?w=3096&amp;ssl=1 3096w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?w=2850&amp;ssl=1 2850w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Saul Cabral Gomes Jr</strong>.<strong> </strong>nasceu em Belém (PA) e graduou-se em Letras (Licenciatura em Português e Inglês) pela Universidade da Amazônia (2001). Possui mestrado (2006) e doutorado (2011) em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Em 1998, obteve o 4º lugar no Concurso Nacional de Contos &#8220;Cidade de Araçatuba&#8221;. A produção do ensaio <em>O romance regionalista: do panorama ao perfil</em> lhe valeu o prêmio &#8220;Carlos Nascimento&#8221;, concedido pela Academia Paraense de Letras em 2002. Em 2020, publicou o livro <em>Entre a História e o discurso: olhares sobre a obra de Gladstone Chaves de Melo</em>.</p>
</div></div>



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		<title>NOS TEMPOS DA CALIGRAFIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fora Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lavou as mãos]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>D. Pedro II, ou aquele quase sempre chamado – equivocadamente – de pai de Pedro I, teve uma educação bastante disciplinada e rígida na infância. Na sua rotina diária, muitos exercícios de caligrafia. Num deles, repetia a frase: &#8220;A felicidade é um hábito&#8221;.</p>



<p>Menino de infância simples e educado na roça, estive longe, é claro, de receber uma educação próxima àquela recebida pelo &#8220;Pedrinho&#8221; na infância. Mas lembro-me perfeitamente bem da professora da antiga primeira série do primário pegando no meu pé por causa dos meus garranchos: &#8220;Sua letra está uma negação&#8221;. Depois, vieram os carimbos &#8220;meigos&#8221;: um coração chorando e dizendo &#8220;Estou decepcionado&#8221;. Pra completar, não consegui me alfabetizar na primeira série. Consequência: fui reprovado. Um fato frustrante, mas que me impulsionou a caminhar depois, apesar de me cobrar demais em vários aspectos. E a primeira cobrança era a caligrafia, a famigerada caligrafia. Sempre ela. Cresci me cobrando pra ter uma letra elogiada. Mas, se de um lado, a professora me constrangia por talvez não saber lidar com a situação, por outro lado, eu tinha em casa uma pessoa que me inspirava a ser melhor naquilo que tanto me frustrava: mirava-me na linda letra da minha irmã mais velha, a Aninha, professora de Língua Portuguesa.</p>



<p>Depois de formado em História, quando comecei a trabalhar com documentos da Família Imperial no Museu Mariano Procópio, lembro-me de ter ficado impactado com a letra de d. Pedro II aos 7 anos de idade. Certa vez, numa palestra que proferi na Estácio, ao mostrar no datashow a reprodução de um exercício de caligrafia do futuro imperador do Brasil, um rapaz me perguntou: &#8220;isso é impressão?&#8221;, tamanha a simetria da letra. Na época em que ainda havia a <em>Revista de História da Biblioteca Nacional</em>, que até hoje é muito usada pelos professores de educação básica pelo país afora, resolvi publicar, em parceria com a minha amiga Priscila Pinheiro, um artigo sobre os exercícios de caligrafia de d. Pedro e sua rotina de estudos. Foi meu primeiro artigo pra essa revista, que chegou a ser utilizado, inclusive, por colegas professores pra tratar de aspectos relacionados à formação de um menino que se preparava para ser imperador.</p>



<p>Pode parecer algo fútil, mas a questão das caligrafias continuou me perseguindo. Em minhas pesquisas sobre literatos brasileiros da virada do século XIX para o XX, dentre eles o Belmiro Braga, seus comentários sobre a caligrafia continuaram me chamando atenção. Nas memórias de Belmiro, por exemplo, ele enfatiza os benefícios que o investimento na caligrafia lhe trouxe, fazendo-o conquistar o respeito dos professores na escola e abrir portas no comércio, na parte de escrituração mercantil. Detalhe: o vate se tornou tabelião. O tabelião que, inclusive, em 1910, lavrou a escrita do sítio que meus tataravós portugueses compraram no distrito de São Pedro de Alcântara (atual Simão Pereira). O contrário ocorreu com o colega Lima Barreto, que tinha fama de “ostentar” uma letra que mais parecia uma barata passeando sobre uma folha em branco, após mergulhar-se na lata de tinta. Letrinha complicada mesmo! Fiquei horas pra decifrar uma carta sua. Inclusive, a historiadora Lília Schwarcz afirma, no livro <em>Lima Barreto: triste visionário</em>, que Lima quase perdeu a vaga de amanuense no Ministério da Guerra por conta da nota ruim que tirou na prova de caligrafia. Se a prova de conteúdos foi um sucesso, a de caligrafia foi uma lástima.</p>



<p>Um amanuense com letra &#8220;disforme&#8221; e desarmônica é um paradoxo, assim como ter um Lima Barreto trabalhando no Ministério da Guerra. Mas está aí uma prova de que letra não é sinônimo de inteligência. Não mesmo! Mas que eu continuo sendo um cultor da &#8220;boa forma&#8221;. Ah! Continuo! Mesmo em tempos tecnológicos, continuo me esforçando pra ter uma letra, digamos, harmônica. Vixe! Talvez eu não tenha conseguido resolver o trauma da infância&#8230; Talvez esse seja um dos meus traços conservadores&#8230; Talvez seja essa uma habilidade dita &#8220;feminina&#8221; que eu tenho&#8230; Mas que comentário machista, hein?! Por que só se espera que as meninas tenham letra bonita? Talvez isso tenha a ver sobre o quanto as mulheres sofrem por serem mais cobradas do que os homens quando o assunto é estética. Mas, afinal, o que é o &#8220;belo&#8221;? Pergunta difícil, né?! Recuso-me a respondê-la nesse momento. Nem o teclado do computador, muito menos a velha e boa caneta deslizando sobre o papel me encorajam a verbalizar uma resposta. A letra me tem saído tremida ultimamente. Sempre desconfiei que a caneta é a impressora de nossa alma&#8230; O fato é que continuo sem saber se a felicidade é, realmente, um &#8220;hábito&#8221; – como repetia o “órfão da nação” num de seus monótonos exercícios caligráficos. Mesmo sendo traumático, ou exatamente por isso, o primeiro ano escolar habitou e habituou minha memória. E, de certa forma, talvez isso me tenha &#8211; para o bem ou para o mal &#8211; feito me cobrar na busca de uma utópica e ilusória perfeição, de uma beleza talvez inalcançável.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="599" height="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=599%2C601&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13196 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?w=599&amp;ssl=1 599w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></strong></strong></strong> é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.</p>
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		<title>SOBRE A EFEMERIDADE DAS RELAÇÕES</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Camila Wendling</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A palavra efêmero, de acordo com o dicionário, significa tudo aquilo que é breve, passageiro, transitório ou temporário. Originário do grego &#8220;ephḗmeros” o termo significa &#8220;o que dura um dia&#8221;. Bom, sabemos que um dia é o equivalente a 24h, o que para alguns pode significar muito tempo e para outros o mesmo que um sopro. Mas, afinal de contas, quanto tempo é tempo o bastante?<br><br>Existe uma antiga lenda da mitologia japonesa que conta a história de Konohana Sakuya Hime, conhecida também como a Deusa do Monte Fuji. Segundo a história, Sakuya era dona de uma beleza inigualável e sua figura é acompanhada por um vasto simbolismo de cura, longevidade e compaixão.</p>



<p>Mas, para além disso, a deusa também representa o efêmero e tem como um de seus principais símbolos a flor de cerejeira, famosa por sua floração que dura apenas uma semana após germinar. Há várias histórias envolvendo a flor de cerejeira e em sua maioria elas falam sobre a importância de se aproveitar as experiências da vida de forma intensa, sempre destacando a efemeridade das relações.<br><br>Desde sempre, os contos de fada e os filmes românticos nos contam histórias que tendem a terminar com o famoso &#8220;e viveram felizes para sempre.&#8221; Nos é vendida uma ideia de que grandes amores duram anos e enfrentam as barreiras do tempo. Eu poderia discorrer sobre a ingênua ideia de felicidade eterna, como se a felicidade significasse uma constante e não um sentimento que vai e volta, e vai novamente. Mas eu gostaria de me atentar para a ideia do &#8220;para sempre&#8221;, o conceito de eternidade que em sua grandeza é tão superestimado, como se um grande período de tempo fosse sinônimo de qualidade.</p>



<p>A volatilidade das situações muitas vezes reforçam a necessidade, que acreditamos ter, de que algo em nossas vidas dure para sempre. Dessa forma, nos apegamos a ideia de eternidade porque em algum âmbito ela pode ser reconfortante.<br><br>Por exemplo, os amores ao meu redor sempre foram transitórios, nunca duraram tempo o suficiente, pelo menos, não pra mim. Mas às vezes eu penso que esse sentimento, de que nada dura tempo suficiente, é fruto de uma construção do eterno que faz parecer que o tempo que temos nunca é o bastante e que sempre precisamos de mais. É engraçado pensar que muitas vezes vivemos a vida buscando por algo eterno, sendo que a própria vida não passa de uma fração.</p>



<p><br>Por outro lado, eu sempre fui fã de grandes histórias, de amores que duram uma vida, de amores que dão significados a vida, mas a noção do efêmero, tão poético em seu dizer, ressignifica o conceito do amor, sendo assim, um tipo de benção amaldiçoada que ao mesmo tempo que encanta dói.</p>



<p>Na maioria das vezes não é fácil se despedir de alguém que durante um tempo foi tanto em nossa vida, não é confortável reaprender uma rotina que não envolve mais esse outro, tampouco é agradável deixar partir.&nbsp; Ao mesmo tempo é incrivelmente bom se permitir ao novo, se abrir para novos toques, novas formas de sentir e quem sabe, até mesmo amar. O efêmero é um dos deuses do tempo e talvez ele seja um dos mais complexos, pois ele permite que sejamos junto com o outro mas que continuemos a ser quando estamos sós, pois nós também somos momentos.<br><br>É um deus que se manifesta entre um encontro e outro, sempre nos ensinando que tudo é passageiro. O efêmero é a única certeza que temos antes da morte e tentar negá-lo, é de certa forma, negar a vida que acontece ao longo dos nossos encontros e desencontros.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="423" height="423" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72a46-camila-wendling.png?resize=423%2C423" alt="" class="wp-image-19300 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72a46-camila-wendling.png?w=423&amp;ssl=1 423w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72a46-camila-wendling.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72a46-camila-wendling.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72a46-camila-wendling.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 423px) 100vw, 423px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Camila Wendling </strong></strong>tem 24 anos, é redatora e graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Amante dos romances e das boas histórias.<strong><strong> </strong></strong></p>
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		<title>&#8216;OUÇA AQUELA CANÇÃO&#8217;: SOBRE AS DUALIDADES DO AMOR</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Leticya Bernadete]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[Orgulho LGBT+]]></category>
		<category><![CDATA[Pablo Abritta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Leticya Bernadete</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dos poetas aos estudiosos da mente humana, todos dizem: o amor é um sentimento contraditório. É passar por altos e baixos a todo instante e, quando um relacionamento acaba, é tentar esquecer, mas continuar revivendo as memórias; é tentar superar, mas querer estar junto. Toda essa dualidade após o término é traduzida no novo single do cantor e compositor Igor Silveira, “Ouça aquela canção”. Lançada em 26/11, a música traz um dos lados difíceis do amor: a dificuldade de lidar com o processo de desapego.</p>



<p>“É sobre o constrangimento de estar sozinho após um longo período junto com alguém; alguém que se faz presente em cada detalhe do cotidiano e que a memória faz questão de manter vivo. A música narra uma crise, um ponto de vista egoísta e contraditório sobre querer estar sozinho, mas ainda estar conectado àquela pessoa”, explica o artista.</p>



<p>Esta ideia sobre o amor também estará representada no videoclipe de &#8220;Ouça aquela canção&#8221; &#8211; ainda a ser lançado &#8211; de uma maneira irônica, cômica e dramática: Igor performa a música enquanto está em uma banheira cheia de doces. &#8220;Essa ironia está no fato da gente estar fazendo um mal para a gente dentro do ambiente onde deveria estar fazendo bem. É essa vontade de tentar suprir um vazio emocional com algo que é um prazer físico, que seria o prazer da comida.&#8221;</p>



<p><em>Composição em parceria</em></p>



<p>O novo single do cantor faz parte do seu primeiro álbum de estúdio, que será lançado em 2022. A canção foi feita em parceria com seu amigo e também compositor, Pedro Soares (DOM PEDRO), após ambos demonstrarem interesse em trabalhar juntos com criação musical. A colaboração foi concretizada no início da pandemia, quando começaram a escrever a música à distância.</p>



<p>“Eu escrevia a letra dos versos e mandava para o Pedro em áudios, que me respondia com mais uma ideia e eu escrevia o refrão. E, assim, vários áudios voaram para dentro e fora dos nossos celulares num processo de brainstorming e de estruturação das ideias, até concluirmos o que viria a ser a música, de fato”, conta Igor.</p>



<p><em>Inspiração nos anos 2000</em></p>



<p>Para a tristeza dos millennials, o final da década de 1990 e início dos anos 2000 já virou vintage e tem sido revisitado constantemente pela cultura pop. Não apenas a sonoridade musical, mas o clipe de “Ouça aquela canção” trará referências à estética deste período, mas, principalmente, por ter grande influência no trabalho de Igor Silveira como compositor e produtor.</p>



<p>“A música pop dos anos 2000 tem sido, sem dúvida, minha maior influência de composição nos últimos tempos. Não propositalmente, pela volta da estética ao mainstream, mas porque, de fato, é essa a música que foi a trilha sonora da minha infância”, explica o cantor.</p>



<p>A música brasileira também está entre as principais referências musicais de Igor. “Na hora de pensar a produção de ‘Ouça aquela canção’, busquei muita referência no som da música brasileira dos artistas pop da cena atual, que eu acho que têm feito os melhores trabalhos do país hoje em dia, como, por exemplo, Duda Beat, Gilsons, Lagum e Jovem Dionísio. São artistas que mesclam uma estética eletrônica atual com o indie que vem do estrangeiro, sem perder os traços característicos da MPB.”</p>



<p><em>Desafio de composição no Instagram</em></p>



<p>Desde o final de 2020, Igor Silveira mantém um projeto de desafio que reúne composição e parceria com seus seguidores no Instagram (<a href="https://www.instagram.com/igrsilveira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@igrsilveira</a>). Semanalmente, o artista pede sugestões de gêneros musicais e palavras para escrever canções. Ao final, elas são publicadas nas redes sociais do cantor. “Foi uma forma que eu encontrei de me conectar com as pessoas que gostam do meu trabalho, e também de ter uma troca artística. É algo que tem me influenciado e tem, de certa forma, me impulsionado a criar.”</p>



<p>Como compositor, Igor vê no desafio um incentivo a escrever e trabalhar com os mais variados gêneros, que vão desde samba, folk, indie, funk, ou mesmo “popzinho axé Duda Beat”, uma das sugestões favoritas que já recebeu. “O que muitos artistas fazem é se deixar guiar pelo momento de inspiração, quando vem uma ideia. Criar uma rotina de trabalho para poder me conectar com minha audiência faz com que eu tenha um compromisso artístico com esse ofício de composição. Eu sinto que, cada vez mais, eu tenho me tornado um compositor melhor, algo que antes eu não conseguia me identificar.”</p>



<p><em>Sobre o artista</em></p>



<p><a href="https://www.flowcode.com/page/igorsilveira" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Igor Silveira</a>&nbsp;é cantor, produtor e compositor de Santos Dumont, Zona da Mata Mineira. Seu primeiro EP, “Sozin”, foi lançado em 2019. Desde então, o artista já produziu diversos singles e, atualmente, trabalha em seu primeiro álbum de estúdio, cujo lançamento está previsto para ocorrer em 2022.</p>



<p>“Ouça aquela canção” já está disponível nas&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://onerpm.link/326962003497" target="_blank">principais plataformas de música</a>&nbsp;e no<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/user/IgorCamposSilveira" target="_blank">&nbsp;canal no YouTube</a>&nbsp;do cantor Igor Silveira.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Igor Silveira - Ouça Aquela Canção" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/1q7qkg6bFHM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<p><strong>Leticya Bernadete </strong>é <span>graduada em Jornalismo pela UFJF, já atuou na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Juiz de Fora e foi repórter da Tribuna de Minas. Atualmente, cursa Mestrado em Comunicação pelo Ppgcom-UFJF. É baterista&nbsp;do girl-power-trio Inoutside.</span></p>
</div></div>



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		<title>Em roda de diálogo contra a violência, mulheres com deficiência pedem por mudanças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, ativistas e profissionais discutiram sobre capacitismo, estigma e violações cometidas contra mulheres e meninas com deficiência. A roda de diálogo foi promovida pelo Fundo de População da ONU (UNFPA) e contou com a exposição de três ativistas e pesquisadoras, além dos depoimentos de participantes.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;Para o Fundo de População da ONU, a garantia dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente das mulheres com deficiência, é essencial&#8221; disse a representante auxiliar do UNFPA, Júnia Quiroga.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Entre as soluções apontadas como necessárias estão a necessidade de uma campanha de comunicação que combata estereótipos e dê visibilidade aos horrores das violências cometidas contra mulheres com deficiência; canais de denúncia e proteção acessíveis, além de apoio para mães com deficiência e vítimas de violência.</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c05-nathan-mcdine-cbmas4r0mn4-unsplash.jpg?resize=900%2C600" alt="" class="wp-image-19305" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c05-nathan-mcdine-cbmas4r0mn4-unsplash.jpg?w=900&amp;ssl=1 900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c05-nathan-mcdine-cbmas4r0mn4-unsplash.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c05-nathan-mcdine-cbmas4r0mn4-unsplash.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c05-nathan-mcdine-cbmas4r0mn4-unsplash.jpg?resize=144%2C96&amp;ssl=1 144w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>O evento contou com a exposição de três ativistas e pesquisadoras dos direitos das pessoas com deficiência<br>Foto: © Unsplash</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Em roda de diálogo promovida pelo Fundo de População das Nações Unidas (<a href="https://brazil.unfpa.org/pt-br/news/em-roda-de-di%C3%A1logo-contra-viol%C3%AAncia-mulheres-com-defici%C3%AAncia-compartilham-experi%C3%AAncias-e-pedem">UNFPA</a>) no último&nbsp;<a href="http://www.onumulheres.org.br/areas-tematicas/fim-da-violencia-contra-as-mulheres/">Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher</a>, 25/11, ativistas pelos direitos das pessoas com deficiência discutiram as vivências, os estigmas e as graves violações sofridas por mulheres com deficiência. O debate levantou questões como o peso do capacitismo na sociedade, as dificuldades de acesso a direitos, incluindo os direitos sexuais e reprodutivos, e a dura realidade da violência de gênero entre este grupo populacional, que é completamente invisibilizada. O grupo pediu por mudanças urgentes.</p>



<p>O evento foi mediado pela voluntária do Sistema das Nações Unidas em atuação junto ao UNFPA, Siblya Gomes, e contou com a exposição de três ativistas e pesquisadoras dos direitos das pessoas com deficiência, além dos depoimentos emocionantes de várias participantes.</p>



<p>A exposição da doutora em antropologia social pela Universidade de Campinas e pesquisadora Adriana Dias abriu o evento discutindo como a sociedade ignora e naturaliza as violências cometidas contra essas mulheres. “É quase impossível uma mulher com deficiência intelectual não sofrer um abuso sexual ao longo de sua vida, no Brasil. É um escândalo. É um escândalo há 20 anos, data desses dados, porque a sociedade naturaliza e esteriliza o corpo das mulheres com deficiência e não se fala nisso. O corpo das mulheres com deficiência está dado. Estou cansada”, desabafou.&nbsp;</p>



<p>Ela acrescentou, ainda, as dificuldades de serem vistas pela sociedade e terem seus direitos assegurados. “Se uma mulher com deficiência precisa de algum cuidado ou serviço especial, a sociedade a vê como um problema. Absolutamente nada é pensado para nós”, afirmou. “Mas os nossos corpos são um ato de rebeldia, revolução e solidariedade”, concluiu.</p>



<p>Jéssica Mendes de Figueiredo, graduada em fotografia e coordenadora do Grupo Nacional de Autodefensoria da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, expôs algumas das legislações e canais de apoio a pessoas com deficiência e ressaltou as dificuldades sofridas em termos de acessibilidade, para que mulheres com deficiência que sofreram algum tipo de violência tenham formas de denunciar. “É preciso ter acessibilidade na delegacia, no Judiciário, com linguagem simples”, disse.</p>



<p>A fundadora do Coletivo Feminista Helen Keller de Mulheres com deficiência e bacharela em serviço social, Carolini Constantino, complementou argumentando que, para muitas mulheres com deficiência, existe um grande dificuldade até de se perceber como mulher, algo que também aconteceu em sua experiência pessoal. Para Carolini, as violências sofridas por essas pessoas são somatizadas. “É de extrema importância reforçar que a violência se acentua a cada marcador social. A culpa não é dos nossos corpos, mas do sistema que nos coloca em situação de vulnerabilidade”, afirma.&nbsp;</p>



<p>Mas, segundo ela, isso não exime as pessoas, além dos formuladores de políticas públicas, da responsabilidade. “A reprodução de estigmas e preconceitos por parte da sociedade fazem parte da violência. Os mitos se materializam na realidade. Mitos de que as mulheres com deficiência não podem ser mães, de que são assexuadas ou hipersexualizadas. Existe até mesmo uma grande dificuldade de acessar direitos, como os direitos sexuais e reprodutivos, ter acesso a ginecologistas e a contraceptivos”, pontuou.</p>



<p>&nbsp;<strong>Soluções e estratégias &#8211;&nbsp;</strong>Entre as soluções apontadas como necessárias pelo grupo, estão: a necessidade de uma campanha de comunicação com informações que combatam estereótipos e deem visibilidade aos horrores das violências cometidas contra mulheres com deficiência; canais de denúncia e proteção acessíveis e apoio para mães com deficiência e vítimas de violência.&nbsp;</p>



<p>A representante auxiliar do Fundo de População da ONU, Júnia Quiroga, acompanhou a discussão e agradeceu a oportunidade de participar. “Aprendi e me emocionei ouvindo os relatos. Para o Fundo de População da ONU, a garantia dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente das mulheres com deficiência, é essencial. O evento nos trouxe provocações que serão muito úteis para o avanço dessa agenda no futuro. Para além de toda a complexidade multidimensional colocada pelas participantes, chamo a atenção que para atuar no fenômeno é preciso enfatizar a importância de identificar e caracterizar esse grupo populacional de maneira mais eficiente do que as nossas pesquisas permitem hoje, pois isso é essencial para garantir o seu acesso a direitos e serviços bem como para atuar na prevenção e atenção da violência contra as mulheres com deficiência ”, afirma.</p>



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<p><span><i style="font-weight:bold">Matéria originalmente publicada em<strong> </strong></i><a href="https://brasil.un.org/pt-br/161430-em-roda-de-dialogo-contra-violencia-mulheres-com-deficiencia-pedem-por-mudancas"><strong>Nações Unidas Brasil</strong></a></span><strong> <em>em 02/11/2021 – Atualizado em 02/11/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>DIAS DE CÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Fernanda Zeloschi</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto finalizo os preparos do almoço, Zinha cochila ao lado da geladeira. Consigo ouvir suas respirações mesmo com o feijão borbulhando enfurecido no fogão. Não sei bem se o que a desperta é o cheiro de carne recém cozida ou o barulho das tampas das panelas anunciando o meio do dia.</p>



<p>Ela se põe nas quatro patas quase peladas e orienta seu caminhar pela minha voz. Seu pêlo caiu há quase um ano, quando um fungo tornou preta sua pele e a fez usar os caninos para tentar solucionar as coceiras. Numa noite foi impossível dormir porque o som de suas mordiscadas rápidas e ritmadas nas patas martelavam minha cabeça. Seu cobertor parecia feito de espinhos.&nbsp;</p>



<p><em>Venha, cachorrinha, hora de comer.</em> Ela se senta ao meu lado e fareja o ar quente do almoço. Entre uma garfada e outra, atiro a ela um pedaço de gordura. Ela abaixa a cabeça e mira o chão com o focinho, tentando se guiar pelo aroma temperado. O petisco finalmente encontra sua boca, mas é engolido sem deixar rastro de gosto, sem sequer fingir ter sido mastigado.</p>



<p>Quando me levanto para servir a ração de Zinha, sinto seu caminhar desengonçado atrás de mim, girando o corpo enrugado e tentando não me perder em seus desequilíbrios. Ela enfia o focinho no pote antes que toque o chão. Se engasga uma, duas vezes. Eu puxo um banquinho e me sento longe do alcance dos giros de seu rabo. Me preparo para caso precise realizar alguma manobra de socorro, mas não acontece. Seria a terceira vez na semana.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A louça se acumula na pia para mais tarde. Escovo os dentes e me deito na cama. Zinha tenta se lançar ao colchão, batendo a cabeça na estrutura de madeira e sendo arremessada de volta ao piso. Para pegá-la no colo, preciso colocar as luvas que já ficam penduradas na cabeceira. Espero um pouco até decidir ajudá-la. Quando nos encostamos, sinto seus ossos salientes e ignoro seu rosnado rouco. Os dentes que ainda não desistiram dela tentam cravar em meu polegar por baixo das camadas de tecido, mas se soltam quando suas patinhas tocam a cama. Enquanto ajeito os travesseiros, ela me encara lambendo os beiços.</p>



<p><em>O que foi? Sofia não está mais aqui para tratá-la com regalias</em>. Foi para Londres viver nos pubs. Nos dias em que a chuva se espreme nas telhas e inunda a varanda com goteiras, Zinha cola o corpo na porta de entrada e tenta pegar no sono. Poderia esperar até às dez da noite para ouvir a chave girando na fechadura e comemorar a chegada das canelas finas e coxas nuas de sua dona. Agora, sempre digo a ela que ninguém virá. Desconfio que Zinha esteja começando a acreditar.</p>



<p>Naquela época, eram raras as vezes em que trocávamos olhares. Quando eu tinha algum tempo entre as fornadas de bolo durante o dia e a procurava, ela era um borrão no quintal, cortando o vento na direção de algum pássaro pousado na grama. Tal qual um cão de caça. Trazia para o sofá algum animal morto no entardecer e Sofia escondia a cara de nojo para acariciá-la em agradecimento. As duas entravam para o box e tomavam banho juntas — só faltava usar pijama essa cadela. Depois que ficamos só nós duas, Zinha passou a direcionar a mim os olhos se manchando de branco. Parece que ficou cega de propósito — arrumou um jeito de não me ver.</p>



<p>Não faz nenhuma sala: logo desvia a atenção, enrosca o corpo ao lado do meu tornozelo e dorme. Acordamos por volta das cinco com uma ligação de Sofia. Ela abre a câmera e pergunta da cachorra.</p>



<p>— Cadê minha velhinha preferida?</p>



<p>Zinha ouve sua voz e dá um pulo em direção ao celular na mesma velocidade que eu gostaria que viesse quando preciso saber se ela ainda está viva em algum canto da casa. Enfia o focinho no aparelho: as duas conversam e choram.</p>



<p>— E você, mamãe? Como está? — Sofia segue focada nos bigodes brancos de Zinha. — Vivendo dias de cão, minha filha.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/73656-fernanda-zeloschi.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14057 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Fernanda Zeloschi </strong></strong>é estudante de Psicologia, escritora teimosa e acredita nas faíscas do afeto através do @<a href="https://www.instagram.com/fazerafetar/">fazerafetar</a></p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] MÁSCARAS DE MARAGOJIPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Bulhões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marco Bulhões</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>As máscaras sempre estiveram presentes na vida do homem, tanto as máscaras objetos, utilizadas em festas, cerimônias e cultos sagrados, como as máscaras sociais, estas, empregadas nas relações entre as pessoas, como forma de comportamento e de adaptação ao meio.</p>



<p>No município de Maragojipe, localizado a cerca de 130km de Salvador, o carnaval teve início no final do século XIX, num estilo semelhante ao do carnaval de Veneza. Sempre contou com a participação dos mascarados, uma tradição que, segundo fontes de pesquisa do IPAC, já atravessou gerações, pois, segundo registro em jornal local, a festa já era celebrada desde 1897 (PITA, 2009).&nbsp;</p>



<p>As praças e ruas da cidade de Maragojipe se transformam em palcos, e os moradores, em atores, durante os três dias de festa. O carnaval é comemorado segundo a tradição com blocos, ricamente ornamentados e mantidos em sigilo durante todo o ano, segredo este que só é quebrado no primeiro dia de carnaval. “Uma festa de essência, mascarada e de rua, segundo o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia” (IRDEB) (CARNAVAL DE MAROGOJIPE, 2006).</p>



<p>Os mascarados e caretas são personagens tradicionais que traduzem todo o apelo estético europeu misturado à cultura africana, presente em instrumentos, ritmos, coreografias e músicas. A beleza das fantasias chama a atenção e demonstra, através da arte, todo o amor dos carnavalescos pela cidade e sua tradição (MARAGÓS, 2008).</p>



<p>Com mais de cem anos de festividade, a pedido dos moradores do município, através de uma pesquisa feita, em 2007, por historiadores, sociólogos, antropólogos e museólogos da Gerência de Pesquisa do IPAC, através do processo nº 008/2008, a Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural do CEC, propôs o registro da festa no Livro Especial de Eventos e Celebrações. O evento foi considerado, oficialmente, como patrimônio imaterial”, recebendo o título de “Patrimônio Cultural e Imaterial da Bahia” por decreto do governo estadual, publicado no Diário Oficial do Estado (CASTRO, 2008). Com todas estas qualidades inseridas nas máscaras de Maragojipe, o artista, que vivenciou esta tradição, se sentiu incomodado, no sentido de materializar esta memória através de diversas pinturas, que foram inseridas no “Memorial das Máscaras”, implantado pelo artista no ano de 2016, na Casa da Cultura do Município, local onde passou a ser um ponto de referência, material e imaterial, desta cultura centenária.</p>
</div>
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<p><strong>Marco Bulhões</strong> nasceu em Salvador, onde se graduou em Desenho e Plástica pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. É Mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFBA e cursou duas disciplinas de Doutorado como aluno especial em Artes Visuais (UFBA). Ganhador de quatro prêmios artísticos, sendo um prêmio nacional e três prêmios estaduais, fundou o <strong>MEMORIAL DAS MÁSCARAS </strong>na Cidade de Maragojipe/BA &nbsp;&nbsp;</p>
</div></div>



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		<title>SOBRE MÃES E DOBLÔS VERMELHAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Valentina Prado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A minha mãe sempre gostou de Doblôs &#8211; aquelas famosas minivans que a gente vê na estrada ora ou outra. Quando ela avistava uma percorrendo o horizonte trêmulo, dizia: “um dia a gente vai ter uma Doblô, tu vai ver”. Depois dessa frase, seguia-se um monólogo sobre os benefícios que a Doblô poderia trazer para nós, desde viajar em família até esfregar na cara dos vizinhos o fato de termos um carro decente (por que não?). Só havia um detalhe: tinha que ser da cor vermelha. Era isso, ou nada feito. Assim, eu me colocava a sonhar com a promessa de felicidade sobre quatro rodas: um quadradão vermelho ambulante, sete assentos (dois deles reclináveis), faróis maiores polielípticos de dupla parábola e muitos outros artifícios que só amantes de carros poderiam explicar.</p>



<p>Não pude evitar toda essa lenga-lenga saudosista para dizer que há umas duas semanas eu estava andando de carro com a minha mãe, as duas absortas em seus mundinhos imaginários, quando vi uma Doblô passar do nosso lado. Primeiro senti nostalgia, depois decepção: ela estava suja de lama seca, parecia cair aos pedaços, não suscitava encantamento e, por último, mas não menos importante, era verde-musgo; completamente ordinária. Essa percepção poderia ter sido facilmente descartada nos meandros da minha mente se não fosse pela memória da minha mãe falando sobre Doblôs vermelhas.</p>



<p>Nós duas jamais tivemos a maldita minivan, muito pelo contrário, continuamos com um Palio Weekend de 2008 que precisa de reparos todo mês (sem exceções). Nós não viajamos para lugares incríveis; nada mudou. Nada, exceto pelo fato que os anos nos passaram para trás, nossos rostos marcados pelo peso das memórias, e, como a Doblô verde-musgo, nos sujamos e nos machucamos. Nunca foi sobre carros, até porque eu não entendo de carros. Mas sobre a minha mãe eu sei um pouco.</p>



<p>A minha mãe era uma sonhadora um tanto ingênua, que transplantava as suas idealizações para dentro do meu coração, e, assim eu fui crescendo, meio bitolada. Acontece que em dado momento da vida você percebe que a sua mãe não tem mais ambições e a história da Doblô fica no passado, imaculada. Você percebe que sua mãe é um indivíduo como qualquer outro, com falhas e desvios de caráter. Você percebe a distância que lhe separa da sua mãe, embora estejam no mesmo aposento. “Um dia a gente vai ter uma Doblô, tu vai ver”; a frase ecoa no recôndito do seu cérebro. Um dia a minha mãe vai morrer e eu não vou poder compartilhar o silêncio com ela e gritar com ela e odiar ela e querer matar ela e dizer o quanto eu a amo apesar de tudo. Como a porra de um carro ia nos proteger das inevitabilidades da vida?</p>



<p>O motor dos automóveis pifa, o coração das pessoas para de bater e eu tento, inutilmente, segurar tudo e todos com uma barragem invisível. Nós queremos ser a Doblô vermelha, imponente e promissora, mas acaba que somos frágeis e falhos feito a Doblô verde-musgo, que em questão de tempo será descartada nas profundezas abissais dos carros obsoletos. Será que as pessoas sentem falta dos seus carros obsoletos? (Ou seriam os sonhos obsoletos?) Um dia a gente precisa se despedir da mãe, dos velhos amigos e dos carros que cruzam a avenida. Talvez não haja dor maior que a impermanência, com a única constante sendo o “adeus”. A visão da Doblô real contrastando com a Doblô idealizada; adeus. A minha mãe envelhecendo; adeus. A vida nos passa para trás como carros cortando o horizonte; restam as reminiscências idílicas.</p>



<p>Seria bonito encerrar este texto dizendo que no futuro eu vou ter uma Doblô vermelha para levar a minha mãe a passeios durante seus últimos sopros de vida, pois, dessa forma, eu levaria os leitores à loucura e eles pensariam: “isso foi <em>emocionante&#8230;</em>”, mas seria mentira, afinal eu sou escritora e provavelmente não terei um puto para comprar uma minivan, assim, o máximo que posso fazer é criar a imagem da Doblô por meio da grandiosa arte da literatura. Ao longo do texto, eu disse que a única constante era o “adeus” e eu não quero retirar isso, entretanto, acrescento que escrever é uma maneira de perpetuar o efêmero na sua própria redoma de eternidade. É contraditório, se fosse diferente não seria real. Para dar conta do real e do ilusório, surge isto aqui que eu não sei dizer se é uma crônica ou um amálgama de divagações sem sentido, mas sei que fala sobre mães e Doblôs vermelhas.</p>



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<p><strong><strong>Valentina Prado </strong></strong>é escritora desde os 12 anos de idade, embora só tenha se assumido como tal em 2021, durante o curso de Escrita Criativa na PUCRS. A autora é paulistana, nascida em 2003, e vive em Porto Alegre desde 2017. Ama livros, filmes, pinturas e tudo o que a arte pode oferecer. Escrever a assusta, mas a necessidade de se expressar fala mais alto.</p>
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