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	<title>Arquivos Ano 003, N 077 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Gota D&#8217;água: Um show de Opressões Escancaradas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[BBB 21]]></category>
		<category><![CDATA[Bifobia]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opressões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
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<p>Treze dias. Foram necessários apenas treze dias para que a crueldade extrema de um grupo de pessoas fizesse com que um rapaz jovem, preto, bissexual e periférico sucumbisse. </p>



<p>O ambiente de um reality show como o Big Brother, penso, consiste em um microcosmo construído de forma a potencializar os traços que já nos permeiam enquanto sociedade &#8211; as &#8220;tretas&#8221; que dão audiência nada mais são do que os tópicos em voga no momento, exacerbados e pessoalizados ao máximo.</p>



<p>Com um elenco muito mais diverso que os das edições anteriores, fomos inocentes em pensar que a dinâmica interna entre os participantes do programa fosse ser mais &#8220;justa&#8221;, na falta de palavra melhor. Enquanto tivemos a vitória de uma mulher branca racista em 2019, em 2021 temos um elenco composto em quase equilíbrio de brancos e pretos. Participantes assumidamente LGBT+ compunham o chamado &#8220;elenco mais gay&#8221; de toda a história do programa. Treze dias atrás, tudo isso parecia promessa de um ambiente mais consciente; porém, ao mesmo tempo que questões como o racismo, o machismo e a LGBTfobia substituíram as &#8220;tretas&#8221; de cunho narcisístico mais comuns nas edições anteriores, os níveis de crueldade e falta de empatia também chegaram ao seu máximo. O cancelamento e a lacração se tornaram regra em um ambiente de pessoas reais. </p>



<p>Pessoalmente, eu tentei me manter longe das notícias do reality; após uma semana do início da exibição, eu já me sentia saturada. Porém, os ocorridos mais recentes não me deixaram opção senão utilizar do meu espaço de fala &#8211; este texto, nesta revista &#8211; para tentar discutir o show de horrores que vem sendo exibido em rede nacional no horário nobre.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O Caso Lucas</h4>



<p>O mote para a existência do presente texto tem nome e sobrenome: Lucas Penteado. Alguém muito diferente de mim; mas, também, muito parecido. Ainda que eu e ele não tivéssemos nada em comum, me indignaria a situação pela qual ele passou no programa; porém, os ataques aos nossos traços em comum (especialmente o da noite passada) tornam o meu silêncio pessoal impossível. Em nossas similaridades, tomo a liberdade de assumir protagonismo; em nossas diferenças, às quais não quero deixar de me endereçar, busco apoio na visão de amigas que as compartilhem com o rapaz (e com outras pessoas presentes no reality) para discorrer.</p>



<p>Lucas é um homem negro e periférico. Isso quer dizer que os quase 24 anos de existência que compartilhamos, em um mesmo território nacional, nos fazem muito pouco próximos. O fato de sermos ambos bissexuais, também, não nos aproxima tanto: homens bis passam por questões diferentes de mulheres bis, e não é como se fosse possível separar a orientação sexual de Lucas de seus outros traços identitários &#8211; sua negritude, sua origem periférica. A bifobia que Lucas sofre acaba por ser, em muitos casos, também racista e também classista, a depender de quem a profere; a análise interseccional, aqui, se faz essencial.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Bifobia</strong></h4>



<p>Na noite passada, em uma festa, Lucas beijou Gilberto. O primeiro beijo entre dois homens na história do reality; e, talvez, não sabemos, o primeiro beijo de Lucas com um outro homem.</p>



<p>Entender-se enquanto componente da comunidade LGBT+ não é um processo simples para ninguém; e para nós, bissexuais, é ainda menos simples. O principal motivo deve ter ficado bem claro para todes que assistiram à cena prévia à desistência de Lucas, ontem: nem mesmo a própria comunidade LGBT+ nos acolhe no momento de nossa descoberta. O rapaz ouviu de lábios lésbicos que sua expressão de sexualidade era &#8220;estratégia&#8221;.</p>



<p>Se fosse fora do reality, em vez de ser acusado de &#8220;estratégia&#8221;, Lucas provavelmente seria apontado como &#8220;indeciso&#8221;; mas, definitivamente, seria invalidado. Essa é a realidade de todos nós, bissexuais; e enquanto homem preto bissexual, oh Lucas, só lhe cabe o não-lugar.</p>



<p>Em uma outra questão, cabe também mencionar a intolerância com o momento de Lucas. Ora. Quantos de nós, LGBTs, já não tivemos terror das possibilidades, caso nos assumíssemos? Quantos de nós levamos anos e anos para conseguirmos nos compreender desviantes em um sistema de sociedade que impõe a heteronorma como possibilidade única? Qualquer idade é tempo de se descobrir; a sua bissexualidade ser assumida há mais ou menos tempo não interfere no quão válida ela é. Nem diminui a validade da expressão de outro, assumido há menos tempo &#8211; ou mesmo não assumido.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Violência psicológica</strong></h4>



<p>Enquanto a bifobia foi a gota d&#8217;água final, a violência psicológica já estava ali há bem mais tempo.</p>



<p>Tudo começou assim: Lucas ficou bêbado em uma festa, disse muitas coisas ruins, o que fez com que muita gente dentro da casa se sentisse ofendida. Agiu de forma baixa, ao acusar levianamente outra participante de racismo em situação percebida após como inadequada. Tentou manipular diversos outros participantes a fazerem o jogo dele de forma escancarada, o que irritou muita gente. <em>[talvez o erro dele tenha sido a forma, já que a premissa base do Big Brother é a de que o vencedor é aquele que melhor manipula o clima na casa em favor próprio&#8230; mas isso não vem ao caso, agora.]</em> Pois bem, as pessoas não começaram a desgostar dele de forma gratuita; porém, a partir de erros (nada inocentes, porém erros), instituiu-se um cenário no qual Lucas foi ostracizado. Ele foi impedido de falar; de se sentar à mesa para comer na presença de outras pessoas; de participar de etapas do programa comuns a todos os participantes. Ele foi verbalmente agredido, foi alvo de falas intolerantes ameaçado de agressão física e desrespeitado em sua existência. Ficam os questionamentos: Quantos de nós aguentariam esse tipo de situação, por mais culpa que carregássemos em nós? E, mais ainda: o que toda essa violência sendo veiculada enquanto entretenimento e sendo consumida ostensivamente diz sobre quem nós somos enquanto sociedade? Qual é o valor de uma vida frente aos lucros e ao engajamento? Quando foi que nós começamos a achar esse tipo de coisa aceitável?</p>



<p>A principal agente desse ostracismo foi, talvez, a cantora Karol Conká: mulher, preta e bissexual. Em uma situação clássica de &#8216;seu mestre mandou&#8217;, Conká conseguiu &#8211; ao contrário de Lucas &#8211; fazer com que a maioria dos outros participantes ficassem ao seu lado, apoiando (ou, minimamente, não questionando) seu comportamento abusivo em relação a Lucas. Bem, é decepcionante, para dizer o mínimo, ver que alguém com vivências de opressão tão intensas, com conhecimento de causa sobre a dor de ser oprimida, é capaz de oprimir outra pessoa ao extremo a ponto de chegar a uma situação criminosa; pois, sim, as injúrias que Karol direcionou a Lucas são crimes, sendo transmitidos ao vivo no horário nobre em rede nacional. E frente à permanência da exibição, à falta de ação dos produtores do programa em relação a impedir essas situações, eu me pergunto: onde é que vamos chegar, com tudo isso?<br><br>E me faço essa pergunta novamente, ao pensar em um outro aspecto de tudo isso: se Conká fosse branca&#8230; será que a vida dela fora do programa estaria sofrendo as consequências de suas ações no reality da mesma forma?</p>



<h4 class="wp-block-heading">Racismo</h4>



<p>Bem, o histórico do Big Brother contribui e muito para me fazer acreditar que não. Se Conká fosse branca, muitos de seus contratos cancelados ainda estariam vigorando. Se Lumena fosse branca, suas palavras duras e acusações injustas seriam relevadas com muito mais facilidade. Nenhum de seus erros as perseguiria para além do tempo do programa.</p>



<p>Muitos dos que me leem e que estão indignados com as situações pelas quais Lucas passou irão pensar que Conká, Lumena e aquelas que as apoiaram não são dignas de defesa. E eu concordo; nenhuma agressão ou injustiça se justifica, independente do gênero, da cor, da orientação sexual. Mas penso que cabe a nós, público, percebermos os pesos e medidas diferentes que utilizamos para tratar violências equivalentes, quando cometidas por pessoas pretas ou por pessoas brancas. Em especial se você, como eu, também é branco; porque é bem fácil se justificar nas más ações de pessoas pretas para expressar o racismo que mora em nós, aquele que já não recebe mais esse nome, mas que ainda pesa no julgamento. Se a ideia é não passar pano, é pra não passar pano pra ninguém; inclusive pra nós mesmas, que estamos aqui de fora, cheias de certezas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Outras questões importantes</h4>



<p>O show de horrores que está sendo o Big Brother Brasil 2021 não se resume às questões apontadas até agora, claro. Temos as questões de classe, de território, de educação formal &#8211;  muito bem representadas por Conká (que já direcionou falas problemáticas sobre os trejeitos nordestinos de Juliette, em sendo sulista) e Lumena (que está sempre lá dando carteiradas de que sabe mais que os outros), mas que se estendem a outros participantes como Nego Di, que não perde uma oportunidade de ser ofensivo e já conta com um histórico extenso de falas xenófobas, coloristas e desmoralizadoras.</p>



<p>Todas essas questões precisam ser pensadas e questionadas com urgência. Se o escancaramento de tudo isso em rede nacional serve de algo, é para que a gente tome consciência da sociedade que somos, que estamos construindo através de cada fala e ação individuais. Se estamos todas, todos e todes embasbacadas com o que está acontecendo na TV, é sinal de que não estamos percebendo isso acontecer na vida real &#8211; e acontece, o tempo todo. Mantenho a percepção que apresentei nas minhas considerações iniciais: o Big Brother consiste em um microcosmo construído de forma a potencializar os traços que já nos permeiam enquanto sociedade; e cabe a cada um de nós transformar esses traços.</p>



<p>Pessoalmente, eu prezo para que esse Big Brother sirva de lição a cada um de nós enquanto sujeito social. Cabe a nós, cada um, que o sofrimento público de um jovem preto bissexual periférico em rede nacional não seja em vão. </p>



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<p><em>Meus agradecimentos pessoais às mulheres incríveis que me ajudaram, com suas opiniões e informações, na escrita desse texto: Lorraine Mendes, Lauana Coutinho, Luciana Rodrigues. E à Danielle Rocha, que para além disso, me lembrou da minha obrigação enquanto jornalista e editora em tratar dos acontecidos recentes, ainda que eu estivesse fugindo do Big Brother com o máximo das minhas forças.</em></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8a636-carolcad-bio-2-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12212 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Carol Cadinelli</strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong>é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora, colunista e repórter na Trama. </p>
</div></div>



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		<title>A Política da Vacinação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A corrida da vacina, especialmente para nós brasileiros, vem sendo acompanhada de polêmicas envolvendo o governo; entre elas, uma notícia: a possível abertura para a comercialização dos imunizantes por clínicas privadas. Essa última escancarou mais um confronto público, evidenciando as desigualdades econômicas e sociais do nosso país.</p>



<p>O que sabemos até agora é que, para funcionar, a vacinação precisa ser pensada no seu sentido geral, coletivo, porque só estaremos protegidos se as outras pessoas também estiverem. Não adianta vacinar só as pessoas que moram em uma casa, ou os funcionários de uma determinada empresa.</p>



<p>Desse modo, o setor público deve controlar a aquisição e a aplicação gratuita de imunizantes nos países, e nesse momento não há espaço para o setor privado comercializar as vacinas, porque as autorizações emitidas pelas agências reguladoras até agora são para uso emergencial. E como não há oferta suficiente, a prioridade é suprir a demanda do setor público.</p>



<p>A vacinação nacional é urgente, inclusive para frear o avanço das mutações do vírus Sars-Cov-2, mas por enquanto, toda vacina que for para o setor privado está tirando uma vacina do público. Isso porque não se trata ainda de um imunizante com ampla disponibilidade, as vacinas ainda estão sendo produzidas e dependem do envio de insumos, de um plano bem estruturado, de testes e relatórios de eficácia, de materiais necessários para aplicação, etc.</p>



<p>Mas além dessas questões, os especialistas vêm argumentando que, se a vacina for comprada pela rede privada antes de ser amplamente ofertada no SUS, estaríamos criando um problema político, gerando uma enorme desigualdade ao disponibilizar a vacina primeiro para quem tem recursos.</p>



<p>Vejamos pela lógica: os que puderem pagar vão pagar mais caro para tomar a melhor vacina. Mas quais os grupos correm os maiores riscos de contaminação? São os trabalhadores essenciais, moradores das favelas, famílias de classe baixa e baixíssima que dependem diariamente do trabalho no comércio, do uso de transportes públicos superlotados.</p>



<p>Ainda, pelo SUS existe uma ordem prioritária de saúde, como já sabemos, começando pelos profissionais do próprio sistema de saúde, pessoas idosas, e caminhando progressivamente para os outros grupos. No caso da comercialização ser autorizada, cada clínica privada vai organizar a oferta como quiser.</p>



<p>Os médicos apontam também outro problema: a maior parte das vacinas só tem a eficácia esperada com duas doses, e pode ser difícil conseguir a garantia de uma segunda dose no setor privado. Qualquer atraso em tomar a segunda dose ou diferença no tipo de vacina pode afetar o resultado, e o efeito no corpo não será aquele esperado em porcentagem de eficácia.</p>



<p>Os defensores da liberação da vacina argumentam que a venda das vacinas na rede particular poderia ajudar a desafogar o SUS, tirando do sistema os custos de vacinar essas pessoas que vão tirar do próprio bolso. Contudo, esse raciocínio não contribui para o combate à pandemia, porque apenas uma pequena parte da população tem acesso à rede privada.</p>



<p>Devemos deixar claro que essa coluna não se destina a criticar aqueles que torcem pela comercialização da vacina e aqueles que comprariam o imunizante caso pudesse. É óbvio que as ações de saúde exigem coordenação de Estado, e quando ele não age a sociedade acaba buscando formas de responder, ainda mais em um período totalmente novo que vem causando tanto sofrimento, tantas perdas e não temos uma previsão de melhora.</p>



<p>Nós temos um presidente que desacredita a vacinação como estratégia e um Ministério da Saúde que tem reduzido sua capacidade sanitária e capacidade de coordenação, o que contribui para uma pandemia mais alongada, com reflexos negativos não só na saúde, mas na educação, na economia, etc.</p>



<p>Mas ainda assim, pensar na rede privada como a solução ainda é um erro, e o problema não é propriamente a presença da vacina em clínicas privadas, mas sim a falta de ações coordenadas do governo associada à falta de uma vacina amplamente disponível.</p>



<p>A vacina não pode ser olhada como algo individual. Estamos falando de um bem comum e um bem coletivo, porque ela só funciona bem com esse sentido de coletividade. Uma vacina não vai se mostrar minimamente eficaz, principalmente as que estão sendo cogitadas no Brasil, quando existir certa porcentagem da população vacinada.</p>



<p>Muitos brasileiros lidaram com a pandemia sem o menor senso de coletividade e responsabilidade sanitária, participando de diversas aglomerações, incentivando o uso de medicamentos sem comprovação científica e desrespeitando o luto de mais de 200.000 famílias. Pressionar a venda das vacinas nesse momento seria mais um ato que comprova nosso individualismo e nossa irresponsabilidade cívica em &#8211; ao menos tentar &#8211; garantir que todos tenham um direito constitucional concretizado.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>Denise Garrett: “Toda vacina contra covid-19 que for para o setor privado hoje será tirada do setor público”. Disponível em: &lt;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-08/denise-garrett-toda-vacina-que-for-para-o-setor-privado-sera-tirada-do-setor-publico.html">https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-08/denise-garrett-toda-vacina-que-for-para-o-setor-privado-sera-tirada-do-setor-publico.html</a>&gt;.</p>



<p>Vacinar primeiro quem pode pagar abre desafio ético e de saúde pública no Brasil. Disponível em: &lt;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55554353">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55554353</a>&gt;.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="709" height="709" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=709%2C709&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13636 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?w=709&amp;ssl=1 709w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>D</strong><strong style="font-weight:bold">éborah Silva </strong>é advogada, especialista em Direito Constitucional e pós graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global.</p>
</div></div>



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		<title>Acorrentados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[cultura das redes]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Umas duas semanas atrás, em meio ao horário de almoço no trabalho eu me deparei com uma notícia chocante; fazia 20 anos que o SBT tinha realizado a casa dos artista, o clássico clichê de &#8220;após 20 anos, veja como estão os participantes da Casa dos Artistas&#8221;.</p>



<p>É de fato uma nostalgia das mais peculiares, afinal, naquela casa cheia de artistas, tivemos os barracos convencionais de realitys e outros mais, alguns que só estão sendo barracos hoje.</p>



<p>Talvez a casa não tenha acabado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp; &#8211; Não, essa não é uma coluna de fofoca ou de&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; curiosidades sobre realitys, peço que tenha esperança e fé diante do raciocínio deste jovem proletário com TDAH que vos escreve. &#8211;</p>



<p>A casa de fato não acabou, ela sempre existiu nos relatos de datas comemorativas onde juntamos as famílias, afinal, os barracos e dramas ali sempre foram cinematográficos. Mas se não o foram na sua família, com certeza você ficava sabendo dos relatos de alguns amigos quando você retornava à escola.</p>



<p>É curioso pensar na trajetória dos realitys no brasil, porque se formos avaliar, claro, da época que me entendo por gente, o primeiro programa nesse contexto de isolamento era o No Limite lançado pela Rede Globo (2000), logo depois tivemos o Acorrentados no Caldeirão do Huck (2001) e no mesmo ano um outro que veio na época a causar muito com sua proposta de pegar participantes “inusitados”, a A Casa dos Artistas lançada no brasil pelo SBT foi de fato uma proposta ousada e que em minha opinião não fazia tanto sentido em tê-la na época.</p>



<p>Prova disso é que a proposta de confinar famosos só ganhou força em um período de maior acessibilidade e voz a todo consumidor através dos telefonemas para votações, mas principalmente porque a internet proporcionou um acompanhamento em pay-per-view (pago ou pirateado) para todos que tivessem o mínimo de acesso a uma banda larga velox e outros concorrentes.</p>



<p>Evidente que o peso da transmissão da Globo era mais expressiva e gerava mais comentários no Big Brother, afinal o No Limite era um programa mais na linha das competições de programas de auditórios como o Domingão do Faustão e os que o originaram principalmente no continente asiático onde ainda se tem um grande apreço pelas competições diárias e semanais em programas de auditório, diferente das competições estadunidenses e européias que se baseiam em temporadas (cativar e gerar expectativa para a próxima temporada é um tato que aTV ensinou muito bem aos serviços de <em>streaming</em> e aos estúdios produtores de seriados).</p>



<p>Se existe uma identificação de nós os “reles mortais” diante das novelas, filmes, cantores, bandas e séries, esse evento de confinamento se assemelha então a uma construção de “esperança” para cada um de nós em alcançar um “Oto Patamar”.</p>



<p>O efeito é de opióide? Sim, mas de certa forma, nós, seres humanos, quando gostamos de algo, nos apegamos, queremos experimentar mais e mais. Seria correto afirmar que existem opióides bons e ruins? Talvez?</p>



<p>Refletindo um pouco sobre essas trajetórias, me lembro de ver pessoas criticando, como um programa que causaria a ruína da sociedade, algo que nos levaria à ruína civilizatória, lembro de igrejas e pastores fazendo campanhas contra esses programas e apenas alguns sensatos compreendendo que o programa, era um programa e não uma tentativa de algum grupo específico de destruir e dominar o mundo.</p>



<p>Pensando no formato e no quanto as pessoas gostam de acompanhar (confesso que vi as duas primeiras do BBB e algumas coisas de outras edições e programas, mas sempre procuro saber o que tá rolando) acho válido me atentar ao que tem fomentado discussões e reflexões sobre nossos comportamentos e posturas.</p>



<p>Alguns dirão que esses realitys não representam a sociedade, ok, posso concordar em parte, afinal, me parece que eles podem refletir em diversos aspectos, o que nós também sentimos no dia a dia e por vezes o que pensamos e fazemos também.</p>



<p>Esse não é o mérito em si da questão do texto, na verdade o que me prende nessa análise é entender o quanto a privação do outro nos é apetitosa em diversos graus, o cárcere que vivemos está aqui, nessas telas desses programas, nos nossos empregos, nos nossos relacionamentos sejam eles de qualquer instância.</p>



<p>Olhe bem, se entendermos que o poder de um Big Fone, se assemelha ao poder das estruturas governamentais e que nossos votos nas ligações e sites estão relacionados aos posicionamentos no legislativo e no executivo, tudo isso, é uma mera simulação do confinamento de todos nós.</p>



<p>&nbsp;Entender que a privação seletiva e voluntária de alguns tem nos sido apetitosa, reflete o quanto pensamos sobre a estrutura política e também sobre o sistema prisional. Somos conduzidos diariamente a ter medo do governo, a temer a polícia, o estado nos enxerga como inimigos, inimigos que pagam tributos para que não nos levem ao cárcere.</p>



<p>Antigamente, havia o crime de vadiagem, ou seja, um crime para quem tinha tempo vago. O engraçado é que nas classificações do IBGE, podemos encontrar o termo “Vago” como pessoas sem emprego com CLT ou estudantes, isso nos diz sobre como o estado nos considera. Se você não é patriota, não adora a bandeira, a nação e não trabalha na formalidade, você é alguém que não contribui para a construção dessa nação.</p>



<p>É a mesma relação no BBB, nos tornamos o reflexo da mão do estado, julgamos quem não contribui para as equipes, colocamos abaixo e não repensamos o pós jogo.</p>



<p>Alguns participantes desses realitys conseguem continuar em voga e levar suas vidas, outros, estão num ostracismo, intencional mas por outras vezes,por falta de opção, porque são descartados.</p>



<p>Um relato angustiante relatado por Vicente Concilio em seu livro: Teatro e Prisão: Dilemas da Liberdade Artística,&nbsp; o autor conta sobre sua experiência trabalhando ao lado de Jorge Spínola no Carandiru através do COC (Centro de Observação Criminológica) através das artes cênicas.</p>



<p>Dentro do Carandiru, haviam as detenções convencionais e o COC, lugar onde os sentenciados que recebiam tratamento especial do sistema, sobretudo por correrem risco de vida em um tratamento penal comum, encontram ferramentas que outros blocos não tinham, o acesso à educação, trabalho, reabilitação.</p>



<p>O projeto do COC era simples, Jorge Spínola apresentou textos teatrais e propôs dinâmicas inusitadas para que todos pudessem opinar sobre quais as peças seriam escolhidas para apresentar os demais individuos encarcerados ali no Carandiru.</p>



<p>Os textos de inicialização foram O Auto da Compadecida e A Pena e a Lei ambos de Ariano Suassuna e que colocaram a equipe teatral do COC &#8211; Carandiru em um patamar de subcelebridades.</p>



<p>Após o fechamento do Carandiru em 2002, parte da equipe se desfez, mas ainda com o trabalho sendo realocados para Penitenciária do Tremembé, José Spínola é convidado junto de sua equipe a apresentar um texto que havia tempos ensaiavam, O Rei da Vela de Oswald de Andrade para os participantes de um seminário realizado pelo IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais) contando com mais de 200 participantes no luxuoso Hotel Maksoud Plaza.</p>



<p>O fato marcante é, após a belíssima apresentação, a platéia que com medo de qualquer reação, sentou nas fileiras do meio para os fundos do teatro, aplaudiu vagamente enquanto um forte esquema policial já invadia o teatro para algemar os atores antes mesmo do abaixar das cortinas.</p>



<p>O que brevemente entendemos? Que, independente do que façam, pessoas que foram presas por quaisquer coisa, jamais serão vistas como alguém novamente “limpo”, afinal, se um indivíduo paga sua pena, ela então está consumada, e diante dos demais, não deveriam haver vírgulas que os impedissem de galgar e ascender em quaisquer lugares que os fosse desejado.</p>



<p>Algo semelhante podemos ver nos processos que ocorrem dentro dos realitys, as pessoas que foram esquecidas, abatidas, estigmatizadas por quaisquer posturas, são devoradas pelo nosso senso de justiçamento, sem nenhum olhar pedagógico.</p>



<p>Cabe a pergunta final, um reality qualquer, deve continuar mesmo diante das violências verbais, psicológicas e até física (se ou quando ocorrerem)?</p>



<p>Não vimos tamanha acidez em outras edições e talvez por isso, precisamos como sociedade legislar sobre o confinamento de entretenimento? Deveríamos nos questionar sobre a necessidade de continuar com um evento ou se vamos acabar com ele e reorganizar novas diretrizes? O problema não é um reality A ou B, o problema está na continuidade de um deles mesmo diante de agravações seríssimas diante da violação do espaço de um indivíduo. Nos assemelhamos aos juízes que assistem pavorosos, distantes, com a força bruta ao seu favor ou nos posicionamos e buscamos a desconstrução e RECONSTRUÇÃO de programas que valorizem a vida, a diversidade, o indivíduo diferente?</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
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		<title>A Opressão e a Emancipação no Ensino de HIstória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[cultura das redes]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma reflexão importante a ser considerada sobre o ensino de história, é que este tem uma estrutura limitada, que foca na história das elites (sejam elas burguesas ou monárquicas), e afasta a massa popular do protagonismo histórico, fazendo com que os alunos não se sintam parte de processos históricos.</p>



<p>Este tipo de modelo educacional, além de ser prejudicial para a construção de uma educação emancipadora, também mantém estruturas sociais opressivas, pois ao barrar o questionamento histórico-social, não é possível que hajam discussões que possam modificar problemáticas de caráter opressor. Um exemplo que caracteriza a falta de questionamentos sobre eventos históricos, que de certo modo mantém presente uma ideologia opressora, é o acontecimento denominado “Descobrimento do Brasil”.</p>



<p>Veja que, a primeira questão considerada é a chegada de Pedro Alvares Cabral em 1500. E por mais simples que possa parecer, tal colocação, caracteriza o evento não apenas enquanto um feito glorioso aos portugueses, mas como fator de necessidade tanto aos europeus, quanto aos povos indígenas, que já habitavam terras brasileiras. Portanto, a premissa passa a ter como base a colonização como processo civilizador, o que desconsidera particularidades étnico-culturais de povos originários. E desta forma, a história “oficial” transformou povos indígenas em subgrupos, que por consequência não foram analisados, estudados, ou apresentados em meios de divulgação científica oficiais do Estado.</p>



<p>Levando em consideração que a produção historiográfica incorporada no Brasil tem raízes francesas, é importante pontuar que a história passou a ser propagada de maneira opressiva, pois sua produção partiu de grupos privilegiados, com enfoque limitados sobre concepções de tempo e espaço, sem que houvesse possibilidade de questionamentos profundos sobre determinadas realidades, de modo que a história passou a ser produzida tendo como base a delimitação de datas, nomes e feitos, que por sua vez representavam somente um grupo social especifico, a elite branca europeia.</p>



<p><strong>A História científica</strong></p>



<p>A construção de um modelo de produção historiográfica padrão, que é o caso do modelo francês metódico/positivista do século XIX, construiu problemáticas, e a principal delas&nbsp; está relacionada a construção de uma história oficial (aquela que é elaborada e reproduzida pelos meios oficiais do Estado, tornando-se a história conhecida. Também conhecida como história metódica/positivista.), é que esta passa a ser a base dos estudos histórico-sociais de forma geral.</p>



<p>Deste modo, torna-se necessário contextualizar o desenvolvimento dos estudos históricos e os debates que podem ocorrer acerca deles. É comum em reflexões historiográficas, questionar a história oficial, pois apesar deste modelo de produção ter sido organizado para estabelecer uma linhagem historiográfica de caráter científico, em razão da necessidade temporal de construções imagéticas ligadas ao nacionalismo, elaborações que valorizassem apenas grandes datas, feitos e nomes, passaram a ganhar espaço, de modo que o conceito de “o que é história”, foi relacionado apenas a estas questões.</p>



<p>Por outro lado, durante o século XX, houve necessidade de construções historiográficas que valorizassem processos históricos, não enquanto eventos isolados, mas como estopins de diversos acontecimentos, que podem ter origem social, cultural, econômica, dentre outros. Deste modo, com o passar do tempo, novas Escolas Históricas se propuseram a analisar os micro campos da história, dando espaço a estudos que deram protagonismo as minorias, que é o caso das produções realizadas acerca dos povos originários, ou o papel das mulheres em determinados processos históricos, por exemplo.</p>



<p><strong>O ensino de história no Brasil</strong></p>



<p>Deste modo, deve-se questionar: Se existe uma historiografia problematizadora, por que na prática escolar ela não é aplicada?</p>



<p>A resposta desta pergunta, está na análise realizada acerca da história da educação brasileira, que desconsiderou aprendizados indígenas e africanos, e impôs uma educação jesuíta europeia logo no período colonial, passando por uma fase imperialista, que valorizou a educação para a corte portuguesa/brasileira, e que no período republicano teve como base, uma grande onda de autoritarismo, dando a educação brasileira, uma perspectiva limitante de aprendizagem, sem espaços para questionamos sociais e políticos.</p>



<p>Desta maneira, no Brasil poucas escolas aderiram a modelos educacionais que rompessem com o que Paulo Freire chamou de Educação Bancária (Aquela que não ensina, apenas transmite informação de maneira limitada e impositiva.), fazendo com que processos educacionais verdadeiramente construtivos e emancipadores não ocorram com facilidade, principalmente em ambientes desfavorecidos, como nas periferias.</p>



<p>Um documento que exemplifica a abordagem limitante do ensino de história do Brasil, é a Base Nacional Comum Curricular, que funciona como um currículo escolar, e foi proposta pelo governo federal para parametrizar a educação de forma “homogênea” em território nacional. Claro que, diversificações socioeconômicas deixaram de ser consideradas pelo Ministério da Educação, que não questionou a necessidade de implantação de educações diferenciadas para grupos sociais diversos.</p>



<p>Esta problematização seria necessária, pois um molde educacional urbano não pode ser aplicado em comunidades ribeirinhas, por exemplo, considerando que a estrutura educacional, e realidade de vida dos alunos são diferentes, de modo que, quando há uma parametrização generalizada, por consequência, há defasagem no ensino, principalmente na rede pública escolar.</p>



<p>Outro reflexo encontrado na imposição da uma história de caráter positivista na educação, é a falta de questionamentos que esta introduz nas escolas, pois ao limitar o assunto dos professores apenas para eventos considerados importante (O que no ponto de vista eurocêntrico significa apenas marcos de povos brancos, e majoritariamente europeus, na história), é realizada uma reação em cadeia que tira o aluno do protagonismo em processos históricos, tornando a história enquanto uma ciência distante das realidades de vida dos alunos, caracterizando-a enquanto a “ciência do passado”, o que limita estudos historiográficos.</p>



<p><strong>O professor historiador</strong></p>



<p>Assim, quando estas problemáticas são consideradas, pode-se entender porque a produção de uma história oficial, sem questionamentos profundos em relação a processos históricos, pode ser tão problemática. Tornando inevitável que professores da educação básica e acadêmicos, passem a questionar os padrões educacionais em que estão inseridos.</p>



<p>Claro que, como qualquer outro processo enraizado, este encontra dificuldades para ser modificado, pois funciona justamente para garantir padrões sociais pré-estabelecidos.</p>



<p>Portanto, o papel do professor enquanto historiador, é apresentar mais do que eventos históricos, o que significa que há necessidade de explicar os processos em que tais eventos estão inseridos. Pois, expor acontecimentos históricos de forma isolada em sala de aula, é como exibir aos alunos uma resposta, sem que perguntas tenham sido realizadas, o que faz com que o ato de ensinar perca o sentido.</p>



<p>Os alunos precisam adquirir conhecimento de forma questionadora, ainda que não sejam realizadas problemáticas muito profundas, para que eles também questionem, não apenas sua história, mas suas realidades. E deste modo, torna-se inegável afirmar, que a história deve ser representativa e estar em todos os espaços, deve significar as lutas presentes, e não apenas memórias passadas, que representam somente “grandes homens”, empunhando espadas sob falsos cavalos de batalha.</p>



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<p>Referências</p>



<p>BARROS, José D’Assunção. O campo da história: especialidades e abordagens. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.</p>



<p>BORGES, Vavy Pacheco. O que é história? São Paulo: Brasiliense, 1981.</p>



<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2002.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Lauana Coutinho</strong></strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong>é casada com a História e amante da música. É historiadora pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), pesquisadora do período que vigorou a Ditadura Militar no Brasil e escritora sensível no pouco tempo que sobra.</p>
</div></div>



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		<title>[Podcast] PEDRO CARCERERI &#8211; CULTURA, TRABALHO E AUDIOVISUAL</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[audiovisual]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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<p>No episódio de hoje do nosso podcast o produtor audiovisual Pedro Carcereri conversa um pouco com o Fred sobre seu trabalho cultural, desde duas escritas, curadorias à produção de curtas e documentários. </p>



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<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
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		<title>Segunda edição do Festival de Cinema da OMS recebe mais de mil inscrições</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema Saúde para Todos]]></category>
		<category><![CDATA[OMS]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>A segunda convocatória da Organização Mundial da Saúde (OMS) para inscrições no Festival de Cinema Saúde para Todos recebeu 1.175 inscrições de 110 países.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mais de 40% dos curtas-metragens apresentam temas relacionados à COVID-19, revelando as consequências generalizadas e universais da pandemia.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>As inscrições vieram de países como Argentina, Austrália, Bangladesh, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Irã, Itália, Quênia, Malásia, México, Nigéria, Filipinas, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos, Rússia, África do Sul, Espanha, Suíça, Turquia e Uganda.</em></p>



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<p>A segunda convocatória da Organização Mundial da Saúde (OMS) para inscrições no Festival de Cinema Saúde para Todos&nbsp;<a href="https://www.paho.org/pt/noticias/5-2-2021-oms-recebe-cerca-12-mil-inscricoes-para-segunda-edicao-do-festival-cinema-saude">recebeu</a>&nbsp;1.175 inscrições de 110 países. Mais de 40% dos curtas-metragens apresentam temas relacionados à COVID-19, revelando as consequências generalizadas e universais da pandemia.</p>



<p>As inscrições vieram de países como Argentina, Austrália, Bangladesh, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Irã, Itália, Quênia, Malásia, México, Nigéria, Filipinas, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos, Rússia, África do Sul, Espanha, Suíça, Turquia e Uganda.</p>



<p>Lançado em 2020, o Festival tem como objetivo alimentar uma nova geração de inovadores em filmes e vídeos com foco em temas de saúde. A OMS se envolveu com cineastas independentes, produtoras, ONGs, comunidades, estudantes e escolas de cinema para garantir uma&nbsp;participação diversificada.</p>



<p>“Contar histórias é tão antigo quanto a civilização humana. Ajuda a inspirar, motivar, construir empatia e compartilhar problemas para que possamos encontrar e compartilhar soluções juntos. Tudo o que a OMS faz é sobre histórias porque tudo o que fazemos é sobre pessoas&#8221;, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.</p>



<p>&#8220;Estamos entusiasmados com a quantidade e a qualidade das inscrições no Festival de Cinema Saúde para Todos deste ano. Em última análise, esperamos que o festival não seja apenas uma forma de contar histórias, mas de mudar o arco das histórias das pessoas ao redor do mundo, em direção a uma saúde melhor”, complementou o dirigente.&nbsp;</p>



<p>As categorias do Festival são:</p>



<ul><li>Cobertura universal de saúde: filmes sobre saúde mental, doenças crônicas não transmissíveis, principais doenças transmissíveis, serviços de saúde inovadores e outras histórias de cobertura universal de saúde que não fazem parte de emergências;</li><li>Emergências de saúde: filmes sobre emergências de saúde, como COVID-19 e ebola, bem como respostas de saúde no contexto de crises humanitárias e ambientes afetados por conflitos;</li><li>Melhor saúde e bem-estar: filmes sobre os determinantes ambientais e sociais da saúde, como nutrição, saneamento, poluição e/ou filmes sobre promoção ou educação em saúde.</li></ul>



<p>A OMS também planeja conceder três prêmios especiais: um para filme produzido por estudantes, um para filme educacional sobre saúde voltado para jovens e um para vídeo desenvolvido exclusivamente para plataformas de mídia social.&nbsp;As inscrições&nbsp;incluíram curta-documentários, filmes de ficção (3 a 8 minutos de duração) ou filmes de animação (1 a 5 minutos).</p>



<p>A composição do júri do festival será anunciada nas próximas semanas e incluirá uma série de artistas aclamados pela crítica da indústria cinematográfica e musical, juntamente com especialistas da OMS. O júri recomendará os vencedores ao diretor-geral da OMS, que tomará a decisão final. As listas iniciais de cada categoria, compreendendo 15 filmes por categoria, serão anunciadas em março.</p>



<p>Richard Curtis, diretor de cinema e escritor do Reino Unido,&nbsp;membro do júri de 2020, disse que o trabalho foi &#8220;profundamente gratificante&#8221;. &#8220;Tantos assuntos que eu não sabia&nbsp;ganharam vida no trabalho de alguns cineastas notáveis. E o&nbsp;dia do julgamento foi emocionante &#8211; pontos de vista realmente variados e apaixonados&nbsp;no painel. Foi um verdadeiro prazer e um verdadeiro privilégio&#8221;, afirmou.</p>



<p>Wagner Moura, ator e cineasta brasileiro, declarou que foi uma honra participar como jurado da primeira edição do festival. “Os filmes que vi me educaram muito sobre diferentes questões de saúde em todo o mundo e quero encorajar todas as pessoas interessadas a continuar fazendo esses filmes, a continuar falando sobre suas comunidades, a continuar expondo as vulnerabilidades das comunidades filmadas. Este é o momento perfeito para elogiar o trabalho de&nbsp;voluntários, médicos e trabalhadores do setor de saúde, que sacrificaram suas vidas pelos mais vulneráveis”.</p>



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<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/110825-segunda-edicao-do-festival-de-cinema-da-oms-recebe-mais-de-mil-inscricoes" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 05/02/2021 – Atualizado em 05/02/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>Projeto Fotográfico &#8211; Los Amantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[Arte drag]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Mogi das Cruzes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Chavedar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kaiwany Matias</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O isolamento social nos privou do desfrute de sensações humanas básicas, gerando sentimentos de clausura, de melancolia, de saudade. Estes, são estados de consciência da maioria; reconhecer isso já facilita o processo. </p>



<p>O projeto fotográfico <em>“Los Amantes”</em> nasceu daí. Ele foi desenvolvido em Abril de 2020, no período de início de pandemia. As fotos que o compõem são expressões visuais sobre o sentimento de sufocamento presente nesse momento: o estar perto de forma distante transformou a forma de absorção das nossas relações sociais.</p>



<p>Inspirado no quadro “Os Amantes”, do artista belga René Magritte, a recriação fotográfica foi influenciada visualmente por elementos da obra. Os tecidos envoltos no beijo, hoje, são alusão às máscaras. A arte tem essa função de recriação e reinterpretação, como se transformasse a cada olhar, interpretada individualmente em períodos diferentes com percepções e experiências distintas. A singularidade disso é o que salva, é o que é mais belo.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3482a-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13918" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4e1c2-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13919" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/47a2b-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13920" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc35f-kaiwany-matias.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13923 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Kaiwany Matias </strong></strong>é cidadã do mundo, inquieta sobre o viver e o estar. Formada em Publicidade e atuante no meio fotográfico artístico desde 2013, acredita que a comunicação é uma das formas mais belas de se expressar. Encontra muito sentido no critério da busca por meio da troca de experiências e tem a certeza absoluta de que a arte salva.</p>
</div></div>



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<p></p>
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		<title>Milimétrico em Demarcações do Corpo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[Maricilde Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Deitou ao meu lado e disse que era
Muié
e antes disso
Menina
E antes de ser menina já sabia portar-se como uma muié
Nos cruzados de pernas sai aprovações e
sentando-se torto o mundo rebela-se.

Sabe ser muié, mas não ainda não jamais não mais menina

Quem gritou NÃO?!

Quem soltou em nossa mão as expectativas do mundo?

Quem debruçou em nossos pés a balança e o PESO de sermos
m i l i m e t r i c a m e n t e calculadas?

Quem deitou na nossa cama negações aos sonhos que tivemos?

Quem calou a nossa boca e baixou a nossa voz?

Uma muié é uma muié e ponto.
Três pontos.
Cinco pontos se for muito grave.
Não cabe reticências.
DEVOLVA!
Tira as mãos da minha boca AGORA!
Sim, eu sei falar.
Não há licença
Com jogo e tons e vozes muitasmuitasmuitas.

Pode ser menina, minha criança, não há problema
O nosso mundo tem espaço para a sua idade
E sua idade cabe aqui
Em você e na sua roupa
Qual roupa?
A que quiser no azul mais profundo com marcas de menino
Sua idade cabe aqui
Será muié e um dia entenderá o que bem quiser entender
Sua idade cabe aqui
E sem ameaças
Em cem ameaças.</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/81a19-maricilde-pinto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13970 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Maricilde Pinto </strong></strong></strong></strong></strong>é uma poetisa maranhense, contista e redatora. Estudante de Psicologia pela Universidade Federal do Maranhão, é autora do livro “<a href="https://www.amazon.com.br/Retalhos-que-ser-humano-sentimentos-ebook/dp/B085ZBXTPY/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&amp;dchild=1&amp;keywords=retalhos+do+que+é+ser+humano&amp;qid=1612714465&amp;sr=8-1">Retalhos do que é ser humano</a>” e o livreto &#8220;O amor há de sobreviver&#8221;, ambos publicados em e-book pela Amazon. A escritora tem amor à arte e deseja levar ao mundo o que há de mais urgente na palavra.</p>
</div></div>



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<p></p>
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]]></content:encoded>
					
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		<title>Exposição Fotográfica &#8211; Retratos de Auschwitz: A Arte em Busca da Paz</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/07/exposicao-fotografica-retratos-de-auschwitz-a-arte-em-busca-da-paz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[arte em busca da paz]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Príamo]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Retratos de Auschwitz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kaiwany Matias</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/07/exposicao-fotografica-retratos-de-auschwitz-a-arte-em-busca-da-paz/">Exposição Fotográfica – Retratos de Auschwitz: A Arte em Busca da Paz</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“Parecia que a SS</em><a href="#_ftn1"><em><strong><sup>1</sup></strong></em></a><em> iria entrar pela porta e ordenar minha execução”.</em></p>



<p>Foi assim que descrevi minha visita aos campos de concentração de Auschwitz I e II (Birkenau).</p>



<p>Era uma manhã de outono na Polônia. Tudo era cinza, e o frio castigava os inúmeros visitantes. Olhei para cima tentando fazer a leitura da luz e observei que o céu chorava; as lágrimas em forma de garoa fina, deixando a paisagem ainda mais pesada. Respirei fundo e me coloquei a fotografar…</p>



<p>Através das lentes de minha câmera, o filme de horror nazista se repetia em silêncio. A emoção me arrebatava a cada click; sentia uma angústia profunda, e as lágrimas não demoraram a cair (como aquela garoa lá fora). Era como se cada um dos (milhares de) mortos naquele local tentasse me pedir ajuda. Uma sensação horripilante e amedrontadora.</p>



<p>Ao empunhar a câmera para registrar tudo, sabia que minhas imagens repetiam algo visto e compartilhado pelos quatro cantos do planeta. Mas minha missão ali era nobre: levar um grito de <strong>paz</strong> através das fotografias. Dizer <strong>BASTA</strong> a todo tipo de injustiça e intolerância. Queria, naquele momento, colocar em cada foto toda minha indignação e meu repúdio à violência, fazendo com que minhas imagens clamassem por justiça; anexando, a cada uma delas, a bandeira com o pedido de <strong>paz</strong>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> <em>organização paramilitar ligada ao partido nazista e a Adolf Hitler</em></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.771050800278%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/5f1b2-auschwitz1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/5f1b2-auschwitz1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/5f1b2-auschwitz1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w" alt="" data-height="800" data-id="13930" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13930" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b7695-auschwitz1.jpeg" data-width="1200" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/5f1b2-auschwitz1.jpeg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div 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<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2a5bb-fernando-priamo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13928 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><span><strong style="font-weight:bold">Fernando Priamo,</strong> ítalo-brasileiro, nascido na cidade de Juiz de Fora/MG, cursou fotografia em São Paulo, especializando em fotografias de moda e fine art. Em 1999, inicia sua trajetória no fotojornalismo, sendo convidado para compor a equipe do Jornal Tribuna de Minas, onde em 2016 se torna Editor de Fotografia. Prestou serviços para diversas agências de publicidade, empresas das mais diversas áreas, além de prestar serviços como Freelancer para vários jornais e revistas do país.</span></p>
</div></div>



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		<title>Sintonia Humaniversal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[Cleverson Borges]]></category>
		<category><![CDATA[conexão]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Cleverson Borges</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">é como experimentar o doce sabor da alegria
enxergar o mundo todo através da poesia
é sentir-se ligado com mundo
conectar-se com o Universo
e ser grato por tudo

é tudo questão de conectividade
entrega
partilha
fazer parte

é perceber a sua insignificância
confundida com sua grandeza
e descobrir que tudo isso não passa
de uma simples questão de energia

quem dera eu poder transcender
e meu corpo se conectar com o universo
minha mente se expandir todo dia
e enquanto humano, poder vivenciar
essa perfeita
sintonia</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/426c1-cleverson-borges.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13914 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Cleverson Borges </strong></strong></strong></strong>é bacharel em Direito e dedica parte do tempo livre na produção de poesias. Acredita que sua paixão pelas palavras pode servir de inspiração e conforto àqueles que se dispuserem a se deliciar na leitura. Conheça mais do trabalho do autor no <a href="https://www.instagram.com/ceborgs/">Instagram</a>.&nbsp;</p>
</div></div>



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