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	<title>Arquivos Criatividade - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Amor incondicional: uma viagem de volta ao coração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2024 18:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 192]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Monica Prado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2024/04/07/amor-incondicional-uma-viagem-de-volta-ao-coracao/">Amor incondicional: uma viagem de volta ao coração</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Amar incondicionalmente é real, um ato de cura que nos leva a expandir e regozijar na alegria de uma forma inexplicável.</p>



<p>Estava visualizando as mensagens no meu celular pela manhã, como de costume após o café, atualizando-me sobre notícias, informação sobre algum acontecimento, um fato ou novas mudanças; foi quando abri a mensagem de uma grande amiga, poeta e musicista que me fez um pedido muito especial, sugerindo que eu escrevesse ou promovesse uma palestra sobre o tema &#8220;amor incondicional&#8221;. A princípio, fiquei em silêncio e muito reflexiva, porque escrever sobre um tema desse gabarito exige a capacidade de olhar além. Mesmo assim, enquanto conversávamos, em alguns instantes decidi escrever para que, através da extensão do amor, possamos começar o exercício para descobrir coisas de nós mesmos e desenvolver a compaixão benevolente.&nbsp; <strong><em>Mas o que</em></strong> <strong><em>seria esse amor incondicional</em></strong>?&nbsp; <strong><em>Será que realmente existe?</em></strong> Sim, existe, não é o amor carnal, não tem nada a ver com o corpo nem a mente, não é emoção e nem reação, é o amor divinal. Não é uma questão de dever e de troca porque se torna o amor condicional que exige concessões, portanto, é preciso transcender e entrar em ressonância e ter sabedoria de como direcionar essa energia que nos move. <strong><em>Será que o mundo está preparado para o amor em sua forma mais ampla? Como viver numa sociedade desprovida de amor?</em></strong></p>



<p>O coração é um órgão inteligente que guarda os segredos da vida. É muito mais que um órgão, é um processamento de informação complexo, que transcende as fases de nascimento e morte. Você está ciente de que o seu coração tem cerca de 40 mil células? É o nosso lar, um campo eletromagnético, um espaço sagrado, uma forma de comunicação que ultrapassa as fronteiras das palavras. Essa viagem de volta ao coração é solitária, pessoal, individual, não é algo que seja ensinado, essa transformação tem que acontecer em cada um de vocês, basta querer e se entregar.</p>



<p>Essa força extraordinária que irradia uma alegria e que nos mantém conectados com o desconhecido e nos mantém vivaz. Isso significa que precisamos retornar à inocência e compreender a grandiosidade que somos. Nós somos amor, mas não conseguimos ter uma clareza dessa compreensão. O amor permeia todas as coisas, mas para isso deve-se remover nossas limitações mentais e emocionais impostas por nós mesmos e não há como explicar a magnitude dessa expansibilidade. A experiência é única, singular.&nbsp; Depois disso, comecei a refletir que a grande maioria das pessoas ainda não encontrou o espaço sagrado dentro do coração. Talvez isso seja uma forma de chamar a atenção.</p>



<p>.</p>



<p><strong>Quando eu era criança, eu falava como criança, me sentia como criança, pensava como criança. Agora que me tornei um homem, eu deixei de lado as coisas infantis.</strong></p>



<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Corintios13;11</strong></p>



<p>Eu vou contar uma história. Eu estava lendo um livro na varanda do meu apartamento quando algo me chamou a atenção e decidi interromper a leitura. Imediatamente olhei para o céu e percebi a beleza da natureza. Pense&nbsp;em como você se sente quando vê o sol se despedindo do dia. E as nuvens tênues no céu límpido começaram seu espetáculo naquela atmosfera virginal, a se formar e desformar, fazendo movimentos, desenhando sua arte majestosamente.</p>



<p>Apreciei até o momento em que o sol se recolheu e lá no horizonte as nuvens desapareceram, descendo a escuridão.</p>



<p>Ao terminar o espetáculo, nesse momento percebi uma fantástica vibração e agradeci pelo poema de cores que entrelaçava umas nas outras. Ah, deixando de presente uma felicidade inexprimível. Enquanto eu apreciava essa viagem, logo senti uma resposta visceral. Tudo sou e tudo está em mim. <strong><em>Como não achar que fazemos parte desse planeta que envolve tudo ao nosso redor? O amor está nas nuvens, na chuva, na tempestade, nos raios da manhã, no crepúsculo, são os sinais da contração do parto quando a mãe se preparar para dar à luz a criança, está no entardecer… A princípio parece difícil, como falei, sentir o amor incondicional que nos invade e nos deixa totalmente absortos (num estado de êxtase inexplicável). Não há como decifrar através da intelectualização (compreender através da mente lógica o que não tem explicação).&nbsp;</em></strong></p>



<p>Existe um fator de suma importância e quero dividir com vocês, lembra do livro que li na varanda? Todos os sentimentos e emoções ficam guardados no coração. Mas infelizmente as pessoas estão afastadas desses sentimentos. A observação relatada neste livro é que pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos no coração, especialmente os homens, descarregam suas emoções por meio de lágrimas, um choro contido e copioso, liberando o que foi guardado por um longo período.&nbsp; Após a liberação, a recuperação é imediata, trazendo a saúde de volta. Quando compreendemos todo esse processo de sofrimento estaremos prontos para uma abertura do coração sem nenhuma condição. E só assim estará pronto para o dar e receber incondicionalmente.</p>



<p><strong><em>Uma grande experiência você concorda?</em></strong></p>



<p>Onde eu não encontro o amor?</p>



<p>Não há lugar onde não possa achar o amor</p>



<p>Porque ele é a única coisa que existe&nbsp;</p>



<p>Ele é a grandeza do que realmente sou&nbsp;</p>



<p>Ele é tudo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isha</p>



<p>Para seguir em frente, é necessário desfazer as malas, liberando as cargas (os ressentimentos, dores crônicas, desapontamentos, decepções, egoísmo e a ganância).&nbsp;Lembra o que mencionai sobre as sobrecargas pesadas que ficam no coração depois que foram liberadas após a cirurgia? Sou fã de livros e com eles aprendo mais do que com outras formas, é transformador como cada palavra impressa ajuda a nos tonar seres humanos, melhores, basta querer. <strong>Cada indivíduo tem suas particularidades e preferências</strong>, e pode ter certeza de que, por meio desta jornada, é possível alterar o rumo e descobrir o mundo interior de cada um, compreendendo o significado, aceitando a todos sem julgamentos ou crenças, e, acima de tudo, a gratidão é fundamental para estabelecer o amor. Se você souber amar a si próprio, terá a capacidade de amar de forma incondicional. Você pode ser um canal de comunicação para o mundo e ser uma fonte de cura para si e para os outros, o que o beneficiará de forma mais favorável.&nbsp;</p>



<p>Deixe esse amor lhe ensinar amar verdadeiramente.&nbsp; Quando você sentir essa vibração descomunal explodindo, expandindo pelo seu coração e por todo seu corpo pode ter certeza o amor chegou. Afinal, todo ato de cura tem uma ressonância para o coletivo, todo ato de amor que você praticar aumenta a energia de amor para o planeta. É importante porque vocês estão criando uma ponte em direção a isso. O amor está presente em tudo.</p>



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<p><strong>Moni Prado,</strong> escritora, jornalista, colunista e também uma das autoras da revista Trama, foi agraciada com um convite especial para participar do prestigiado evento literário Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Ela será coautora no lançamento da antologia &#8220;Café, Pão e Poesia&#8221;, publicada pela Lura Editorial, que ocorrerá no dia 11 de setembro às 19h. Além disso, também participará como coautora do livro &#8220;Ser de Luz&#8221;, lançado pela Nabi Editora, com evento marcado para o dia 14 de setembro. “Estou simplesmente transbordando de gratidão, infinitamente grata por essa oportunidade ímpar, é tão empolgante receber o convite para ser coautora de um livro que se aproxima do seu lançamento. É uma oportunidade ímpar, a concretização de um sonho de compartilhar minha trajetória, junto a outras coautoras inspiradores. A felicidade que me invade por fazer parte desse projeto vai muito além de simplesmente ter meu nome em um livro. Trata-se da realização de um sonho, fruto de muita dedicação e esforço na minha caminhada como escritora, e que, espero, seja apenas o começo de muitos outros! Ser coautora me permite conectar-me e contribuir de alguma forma para um rico mosaico literário, repleto de vozes, e vivências diversificadas. É uma experiência que enriquece meu repertório e abre as portas para outros universos e futuras parcerias.”<br>.<br>O convite especial da autora Noêmia Alves para coautoria deste livro, SER DE LUZ, traz uma revelação impressionante sobre uma verdade ancestral capaz de iluminar sua trajetória em busca do entendimento de seu propósito e do real significado da vida. Noêmia destaca que por meio de pesquisas, visões e encontros misteriosos, foi conduzida a investigar o enigma da centelha divina. Durante sua caminhada espiritual, ela se depara com desafios significativos e descobre aliados surpreendentes. Cada dificuldade se transforma em um passo vital para a iluminação, desvelando a verdadeira força e o propósito que ela possui.</p>



<p>Convido a todos para não ficarem de fora desse evento incrível e para mergulharem no mundo da literatura. A Bienal do Livro oferece uma ótima chance de interagir com autores renomados, conhecer obras novas e celebrar o amor pela leitura. Não deixe passar essa oportunidade!</p>



<p>Vendas dos ingressos @bienaldolivrosp www.bienaldolivrosp.com.br<br>Acompanhe a jornalista e escritora nas Redes Sociais:<br>Instagram: @monipraddo/ @monicah_prado<br>Facebook: monicah prado</p>
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		<title>O Matrimônio do Céu e do Inferno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jun 2023 18:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 169]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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		<category><![CDATA[pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[refletir]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: DŒLUCCA</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pesquisa dx DŒLUCCA é baseada na ressignificação do termo “sacrifício” formulada pelo escritor francês, Georges Bataille (1897 &#8211; 1962). A exposição foi idealizada com base nos textos como <em>A estrutura psicológica do fascismo </em>e Documents do escritor e traz a concepção de “fé” como uma cortina de dominação dos instintos. O estudo de Bataille utiliza a sociologia de Durkheim, a fenomenologia alemã e a psicanálise freudiana para entender como se forma uma superestrutura social, religiosa, política – cujo teor, no entanto, é psicológico, e como combatê-la. As obras buscam na teoria batailleana da transgressão de interditos, o questionamento sobre as ideias como “pecado”, “valores” e “tradição”. Até hoje, essas terminologias continuam como uma forma de dominação da sexualidade, liberdade e igualdade de gênero. Há também uma busca na subversão de nomenclaturas da cristandade – opondo-se a seu significado usado pela religião para dominação de instintos. Há de salientar a série de obras multimídia/multilinguística intitulada “O teatro das sangrias e purgações”, que buscou no estudo sobre as práticas rituais do internamento psiquiátrico do século XVI-XVIII (referidas no livro: História da Loucura de Michel Foucault). Essas práticas tinham como função a reforma moral através de experimentos ritualísticos cristãos e do trabalho em prol de um apego mais fiel de uma “verdade” econômica.</p>



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<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="534" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?resize=950%2C534&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31542" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?resize=600%2C338&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?resize=1200%2C675&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/1.png?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="wp-element-caption">FLEUMÁTICO</figcaption></figure>



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<p><strong>DŒLUCCA</strong> é um artistx brasileirx pós-graduadx em Arte: Crítica e Curadoria (2021) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, vem desenvolvendo uma pesquisa sobre as artes do corpo nas linguagens da arte sacrificial. Nos últimos 5 anos, x artista trabalha com ações em vídeo, fotografia, performance e pintura performática focando no desenvolvendo da pesquisa de uma arte cruel. Na qual, a ideia principal é a imagem de um corpo martirizado, que rompe laços de dominação e subordinação durante pequenos momentos de sofrimento resultando em transmutações de valores. &#8220;Minhas ideias vão desde a leitura de pensadores como Nietzsche e Bataille às influências na cultura popular e ritos religiosos. A busca é sempre pela transcendência como forma de criação de imagens de protesto contra o dogmatismo.&#8221; &#8211; DŒLUCCA, 2021.</p>
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</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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		<title>A presença da ancestralidade no caminhar da menina a mulher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Mônica Praddo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p> Ao começar a escrever este artigo, refleti sobre a sensibilidade, conexão com a natureza, e na força sutil, porém inabalável da mulher e na sua essência. Todas as nossas memórias guardadas, incluindo as estações e a colheita das sementes em que cada ciclo foi espalhado, o maternar que se inicia no gestar e vai construindo seres humanos para  torna-los um só nessa jornada.</p>



<p>Com a capacidade de ir moldando caminhos e histórias com uma sabedoria, simplesmente honramos o templo sagrado feminino, conectamo-nos com nossas  raízes internas e conscientizamo-nos de que a mulher é cocriadora do nascimento da humanidade, uma espécie de grande mãe universal, com receptáculo gerador da vida, abraçando a humanidade dentro de si.</p>



<p> A velha emoção de perturbação, o velho sofrimento,  violência,  abusos,  cobranças,  dores e  fardos ainda são acumulados, perpetuados e muito vívidos, tornando mais árdua e sofrível a  longa peregrinação, e nessas ondulações entre os hormônios, fases da lua,  a menstruação e a menopausa com a finitude do possibilidade de se multiplicar,  os aspectos femininos vão operando de forma a abrir  um  grande portal dimensional. Assim deixa a mulher ser somente fértil e passa a ser fértil de uma forma metafisica.</p>



<p>É importante não esperar que o mundo compreenda seus momentos, mas que você possa fazer o movimento e a reconexão consigo mesma ,se curando, conectando com o seu corpo, no seu próprio ritmo aceitando todas as fases até o envelhecer, da forma como dizia Bert Hellinger, “quando curamos o nosso presente, protegemos nossos descendentes”.</p>



<p>A mulher deu um grande salto, a ascensão meteórica das suas conquistas com sua força sinérgica inconfundível passou da que antes se preocupava somente com a procriação, alimentação e a educação, e viu a situação mudando rapidamente, se tornando desbravadora, protagonizando múltiplos papéis, enxergando o mundo no ponto de vista peculiar, com histórias marcantes de tantas lutas que foram e continua sendo desafiantes , mergulhada em seus meandros e surpreendente sentimentos enigmáticos que só ela sabe decifrar.</p>



<p> A terra, a luz, a raiz, o corpo, as mãos, a sombra, a mensagem, o sinal, a nota musical e uma veia criativa latente, é a representatividade feminina. São processos que fazem parte da transmutação, ciclos que se revelam: nascer, morrer e renascer. E assim celebramos a energia feminina, principalmente nesse mês, já que ela nos impulsiona a fazer o contato com a nossa linhagem matriarcal (mães, bisavós, tias, avôs, tataravós, tias, avôs, primas&#8230;) todas essas fazem parte da construção de uma identidade que vem de uma estrutura familiar secular, que antecedem nossas vivências ao longo da vida. Tudo que passamos faz parte de um processo sutil e multidimensional e por isso é de suma importância fazer a imersão no mundo interior e se autoconhecer.</p>



<p>Falar sobre o feminino também é perceber que cada um dos ritos de passagem é celebrado de uma forma peculiar. Quando se trata de um ritual, deve-se celebrar, vivenciar e compreender todas as etapas, testemunhando-as e, sobretudo, aceitando-as com plenitude.</p>



<p><strong>Quais as lições estão aprendendo agora?</strong></p>



<p>O desenvolvimento será um passo importante que irá ajudar entrar em contato com os sentimentos mais  profundos, por isso, a importância das interrogações que vai contribuir para uma atitude meditativa.               As mulheres são generosas, líderes que inspiram, empreendedoras, precursoras, inovadoras, heroínas, multíplices e plurais, construindo um novo modelo de libertação, são as novas “EVAS” que deram um salto significativo e conseguiram impulsionar mudanças relevantes, uma nova consciência materna, um olhar acolhedor, ressignificando, vencendo barreiras e retomando a herança ancestral de mulheres milenares, estabelecendo e exigindo a respeitabilidade.</p>



<p><strong>Mas o que significa ancestralidade feminina? O que é ser ancestral?</strong></p>



<p>Ser ancestral é ser mulher e ter vivenciado o nascimento da sua existência, é esse elo que faz parte de toda criação, que está nas memórias celulares, reconhecendo quantas mulheres vieram antes de você. E essa informação é transmitida através da genética (DNA) porque está inserida a história de um povo, a cultura, história familiar ajudando a se autoconhecer.</p>



<p>Com a finalização desse artigo, deixo esse pequeno trecho de Nina Zobarzo, que reafirma todo o respeito à ancestralidade, tudo aquilo que foi passado de geração em geração:</p>



<p><em>“Vem, filha&#8230;Senta aqui&#8230;Pare de se doar um pouquinho. Hoje, você não está pra ninguém, hoje, é você quem vai receber. Vem, filha, senta aqui&#8230;Hoje, formamos um círculo ao seu redor, hoje, você está sob nossos cuidados, nossos <strong>rezos </strong>(Os são saquinhos de tecidos preenchidos com fubá, cada um com uma intenção rezada criando uma ligação energética entre o pensamento e a ação numa interconexão com o Grande Espírito, garantindo o equilíbrio para compreender e conduzir., nossa energia. Hoje, neste círculo, quem recebe a cura é você. Vem, filha, senta aqui&#8230;Somos suas avós, bisavós, tataravós&#8230;E as que vieram antes delas&#8230;Somos tantas, somos muitas, somos o feminino, raízes da árvore. Que hoje você representa em flor&#8230; E celebramos sua voz, que fala por nós&#8230;Sua atitude, que nos liberta&#8230;Seu sentimento, que é nossa Alma&#8230;Suas palavras, que são nossa Sabedoria&#8230;Sua coragem, que é nossa continuidade&#8230;Hoje, deixe-se abraçar&#8230;Vem, filha, Senta aqui&#8230;Somos as anciãs. Feche os olhos&#8230;Receba.&#8221;</em></p>



<p><strong>Qual seu propósito de vida?</strong></p>



<p>Reescreva sua história pessoal, recosturando, curando a alma,  assumindo seu poder e transcendendo a sacerdotisa do seu sagrado templo interior, permita a liberação emocional, a gratidão e a transformação. As respostas estão dentro de você. Seja sempre sua fonte de empatia, e que através desses grandes aprendizados, haja um florescer e o despertar para o autoconhecimento, autocuidado e amor. </p>


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<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Mônica Prado </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é Empresária na área de moda, produtora de moda, consultora de moda, jornalista, radialista , comunicadora , jornalista de moda&nbsp; Bacharel em Musicoterapia pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL) com especialidade na área geriátrica, neurológica e gestacional &nbsp; palestrante, com mais de 26 anos de experiência&nbsp; clinicando como Terapeuta. Escritora autodidata, colunista da Revista Metropolitana, Jornal do Povão (SE), Jornal do Povão ( MG), além da participação semanalmente do programa de rádio com abordagens e temáticas diversas sobre bem estar, comportamento, consciência , espiritualidade, saúde psicoemocional, dualidade, autoconhecimento entre outros.&nbsp; criadora do método Modaterapia em que no campo da terapia observa e&nbsp; percebe a ótica da imagem e o comportamento das pessoas em relação à moda. Transcreve conhecimentos e experiências dos atendimentos em consultório&nbsp; ajudando no empoderamento feminino, elevando a auto estima da mulher,&nbsp; fertilizando a vida através das suas experiências singulares, o bem estar e aceitação de si mesma. <strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></p>
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		<title>O que um relógio conta,ora?!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2023 18:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 154]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Juiz de Fora, 21 de janeiro de 2023.   Esse relógio é daqueles objetos biográficos que carregam parte da essência de quem nos presenteou. Minha irmã, além de me legar vários livros, legou-me essa joia, que ela comprou há mais de quinze anos, quando ainda morávamos juntos na rua Espírito Santo, no Centro de Juiz … </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right">Juiz de Fora, 21 de janeiro de 2023.</p>



<p class="has-text-align-left">&nbsp;</p>



<p>Esse relógio é daqueles objetos biográficos que carregam parte da essência de quem nos presenteou. Minha irmã, além de me legar vários livros, legou-me essa joia, que ela comprou há mais de quinze anos, quando ainda morávamos juntos na rua Espírito Santo, no Centro de Juiz de Fora. Em 2014, quando me mudei de apartamento, insistiu para que o levasse comigo, como uma espécie de amuleto de “boa sorte”. Talvez seja um “mimo” de irmã mais velha, preocupada em preencher o “oco” e o “vazio” do novo ambiente com a sua “presença ausente”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;<br>Como historiador que trabalha em museu, acredito muito na força da trama poética dos objetos e na capacidade que eles têm de mediarem nossos afetos e memórias. Os objetos não apenas são afetados pela biografia de seus proprietários, como possuem suas próprias biografias. Por isso, sempre acho que precisamos respeitá-los.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;<br>Quando se destrói um objeto motivado pela raiva e pelo simples prazer da destruição, vidas e memórias são afetadas e violentadas. Comparo essa reflexão pessoal com a que Peter Stallybrass faz em seu livro <em>O casaco de Marx</em>, no qual o autor analisa a relação de Marx com seu casaco. Uma relação que transcendia o mero interesse no lucro. Marx, apesar de precisar penhorar seu único casaco &#8220;chique&#8221; no verão, com o objetivo de juntar algum dinheiro com o qual pudesse sobreviver, sempre o resgatava no inverno, não apenas para protegê-lo do frio, mas para preservar seu significado simbólico e sua memória. Stallybrass, assim, chama atenção para a relação das roupas com nossos corpos e vice-versa. Ao final do livro, o autor menciona uma emblemática e impactante situação: o momento do ritual de passagem de um presidiário, ao ter suas roupas arrancadas e sua identidade sequestrada pelo poder coercitivo, que lhe impõe rótulos e o obriga a habitar a condição de um ser desprovido de liberdade, subjetividade e individualidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em níveis maiores ou menores, a relação do ser humano com os objetos é uma relação sentimental. Quando perdemos algo, não lamentamos apenas o prejuízo financeiro, a perda do tempo e do trabalho despendidos na sua aquisição. Também sofremos pela perda da matéria que serve de suporte para edificar nossas memórias e existências. No conto “O Espelho: esboço de uma nova teoria da alma humana”, de Machado de Assis, publicado na <em>Gazeta de Notícias</em> (RJ) em 8 de setembro de 1882, o narrador-personagem, Jacobina, já dizia que “[&#8230;] cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro&#8230; [&#8230;] A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; &#8211; e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.”&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Deixando de lado a ironia e a crítica machadianas presentes nesse fragmento do conto, não é nenhum exagero considerar que a afirmação de Jacobina seja a mais genuína e sublime percepção do “materialismo”. Equivoca-se quem pensa que o capitalismo seja materialista. Este é, na verdade, desmaterializante em sua essência, pois tem o poder de tornar tudo efêmero, descartável, e de substituir o fetiche do objeto pelo ato de comprar: o consumismo. O consumista ostenta o poder de compra de um objeto cobiçado. Prende-se à pulsão incontrolável de colecionar atos de compras, mas não está nenhum pouco interessado na perenidade daquilo que comprou. Não permite que os objetos envelheçam junto com ele e assumam, simbioticamente, características e vestígios de sua existência. É a lógica inversa do marceneiro que não consegue trabalhar sem o martelo com que o avô lhe ensinou o ofício desde a mais tenra idade, do músico que não se desprende de seu violão, etc.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>2023 começou me trazendo essa reflexão. Certamente, não é uma elucubração fortuita. Refletia sobre isso enquanto faxinava minha casa numa tarde de sábado, em janeiro, e higienizava cada peça do pequeno relógio de madeira com que minha irmã me presenteara. Não por acaso, foi na semana em que certo homem, possuído de seu instinto animalesco, destruiu uma grande relíquia em Brasília, no Palácio do Planalto. Valendo-se de um pequeno e grandioso artifício responsável pela evolução de nosso aparato civilizatório – que é a capacidade de fazer pinça com a junção do polegar com o dedo indicador –, aquele homem atentou contra a civilização. Metáfora melhor para os tempos distópicos que estamos vivendo, marcados pela negação da história, não há. Mas o que são a história e seus objetos para os contagiados pela sanha fascista que transborda pela “Terra plana”? Para muitos, nada de errado nisso. Está tudo bem&#8230; Aliás, tudo joia! E, por falar em joia&#8230;&nbsp;&nbsp;</p>



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<p><strong>Sérgio Vicente</strong></p>



<p>Doutorando e mestre em História, Cultura e Poder pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Bacharel e licenciado em História pela mesma universidade. Dedica-se a estudos na área de história social da cultura no período correspondente à segunda metade do século XIX e às décadas iniciais do século XX, com ênfase nos seguintes temas: associativismo, sociabilidades, trajetórias, história intelectual, história social da literatura, memória, arquivos e coleções bibliográficas e documentais. Professor efetivo de História da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora (MG). Desenvolve pesquisa histórica, processamento técnico de acervo e difusão cultural em museus &#8211; como curadorias de exposições e mostras, palestras, minicursos e oficinas. É colaborador da revista “Trama” desde 2020.&nbsp;</p>
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		<title>Imaginar no escuro</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/03/05/imaginar-no-escuro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Mar 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 153]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Rafaela Stein</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quantas coisas podem existir na escuridão?&nbsp;</p>



<p>Uma floresta fechada, suas árvores disputam espaço pela luz solar. Ao olhar para cima, galhos, folhas, copas altas e robustas cobrem boa parte do céu. A frente troncos e galhos se entrelaçam entre arbustos. As plantas pequenas e árvores novas buscam espaço entre as veteranas. Não há horizonte, apenas mata. O chão é repleto de folhas secas e&nbsp; é possível perceber pequenos brotos aflitos por luz, grandes raízes e fungos. Há alguns cogumelos entre o mato e o pouco espaço para ficar de pé. Aos poucos, descobrimos os insetos e os animais que ali vivem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>É uma bela mata, foi criada para este texto, para impulsionar o florestamento de novas matas em pensamento. Mas para que estas matas vivam, precisamos usar a fantasia. Algo que, a partir de nossos desejos, perpassa o nosso presente, passado e futuro. O imaginar nos permite criar, (re)inventar, (re)significar as coisas do mundo, a partir das referências guardadas, da nossa memória, das nossas necessidades, vontades, ideias, entre outros impulsos que fertilizam o solo da nossa imaginação criadora. Momentaneamente criamos a nossa mata, esta representa a realização, e, de certa forma, a satisfação, dos desejos, ideias, lembranças, entre outras questões do criar, do plantio, do cuidado da mata que imaginamos, que coexiste ao real, assim como os sonhos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A pequena descrição de floresta fechada, que inicia este texto, condiz com a minha imaginação de mata fechada. Mas cada um que a lê, imagina a sua mata a partir da descrição. Ela brota, surge e cresce com novas referências, memórias e desejos, de sujeitos em seus tempos presentes, seu momento de leitura talvez. Aqui gostaria de fazer uma pausa, na verdade uma reflexão sobre a sua imaginação de mata, me intrometo a perguntar :&nbsp;</p>



<p>Ao fechar os olhos consegue visualizar a mata descrita? consegue projetar a imagem da mata na sua mente?&nbsp;</p>



<p>Talvez você visualize a mata como uma espécie de filme na mente, um grande telão no escuro; Ou pareça imagens estáticas e retangulares, como uma fotografia não muito nítida ou com tamanha nitidez a ponto de ser possível dar zoom em algum ponto específico; Talvez tão minuciosa quanto um simulador de realidade ou lembre o modo como sonhamos; Quem saiba possa sentir a mata que imaginou, seu frescor, o seu cheiro e até mesmo o vento, como se estivesse lá; Talvez consiga sentir enquanto projeta a imagem da mata na mente; Ou então está lendo isso e pensando que a única coisa que visualiza é o escuro da sua pálpebra ao fechar os olhos, isto enquanto imagina a sua mata a partir da descrição, mas sem visualizar nada.&nbsp; Independente de como imagina a sua mata, os estudos sobre a capacidade de visualizar ou não imagens na mente são muito recentes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><em>Aphantasia é </em>a condição de pessoas incapazes de visualizar imagens mentalmente. O termo surgiu em um estudo de 2015,&nbsp; conduzido por Adam Zeman, neurologista e professor da Universidade de Exeter na Inglaterra. Acredita-se que cerca de 2,5% da população mundial tem <em>Aphantasia</em>, ou seja, nasceram com a “cegueira dos olhos da mente”. Para essas pessoas é impossível visualizar memórias afetivas, rostos ou imaginação na mente. Isso porque a formação de imagens voluntária é ausente ou muito reduzida, mas a involuntária, gerada nos sonhos, é preservada.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>É sabido que cada um tem uma forma única de lembrar, pensar e imaginar, mas que os modos como vivemos essas ações podem ser radicalmente diferentes, para mim, foi um choque. A primeira vez que entrei em contato com este termo e com estas diferenças foi em um vídeo corriqueiro na internet e logo perdi um bom tempo de criação de “imagens involuntárias&#8221; a noite, as únicas que consigo projetar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Além de procurar sobre o assunto, passei a imaginar como seria projetar imagens na mente, claro sem ver nada, com grande interesse em me aproximar das vivências do mundo de quem visualiza. Questionava como era visualizar e do mesmo modo fui questionada sobre a tal “cegueira dos olhos da mente”. Minha irmã, por exemplo, disse ser capaz de projetar imagens na mente e, com pouco mais de esforço, projetar objetos na realidade, de olhos abertos. Para mim que já pensava ser inimaginável projetar imagens na mente, na realidade então me parece(u) quase um super poder. Ouvi sobre quem podia visualizar memórias com perfeição, anotações em caderno, cenas de filmes e até folhas de livros. &#8211; “Então ao ler você não imagina a história, os lugares?” &#8211; “Eu imagino, mas não visualizo, consigo criar os lugares na mente, tenho a ideia das coisas e crio coisas, mas sem projetar a imagem delas”. Logo o contar carneirinhos pulando cerca fez mais sentido, assim como as cenas de memória em filmes, que deixaram de ser “ilustrativas” do que foi recordado. Passaram a significar a projeção fílmica, de uma projeção mental da memória recordada pela(o) personagem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Agora imagino como serão as projeções de imagens criadas a partir da descrição de mata do início do texto, e as ideias de mata, sem visualizar ou projetar imagens. As diferentes florestas mentais.&nbsp;</p>



<p>Minha imaginação de floresta fechada, por exemplo, vive na escuridão. Relembre a sua mata (caso visualize) a deixe em uma noite sem lua e sem estrelas, talvez devido ao céu nublado. Uma escuridão total. Embora você tenha deixado de ver a mata, tudo ainda está lá. Falta “luz” para &#8220;enxergar&#8221;, mas as coisas não deixam de existir no escuro. Não deixamos de criar, de imaginar, pela “falta de luz”, de imagem.&nbsp;</p>



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<p><strong>Rafaela Stein</strong> é artista brasileira residente em Marechal Floriano, Espírito Santo. Suas produções transitam em diversas linguagens artísticas como o vídeo, o desenho, a pintura e a escrita. Explorando temáticas que atravessam o cotidiano e impulsionam a produção, seja por meio de vivências, leituras, pesquisas, filmes, etc. Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, atualmente a artista é integrante do projeto de extensão “escrita em artes” PROEX-UFES, dedicado a experimentar e partilhar produções, leitura e escrita na área de artes visuais.</p>
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<p></p>
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		<item>
		<title>INCOERÊNCIA, PRECONCEITO E IGNORÂNCIA</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/incoerencia-preconceito-e-ignorancia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22144</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Iverson Silva</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Véspera das eleições.</p>



<p>No status, uma frase associava o EU com aqueles que sofrem algum tipo de preconceito e/ou exclusão. Propondo que o voto se tornasse pessoal, íntimo, inclusivo, solidário, equitativo, a favor do todo.</p>



<p>Não demorou mensagens de alertas: “cuidado com as ideologias de esquerda, elas não são bíblicas”.</p>



<p>Educadamente, pedi para mostrarem qual frase. Sem responder, afirmavam a necessidade de propostas e candidatos condizentes com um “pensamento cristão”.</p>



<p>Sem sinalização de partido no post, mostrei que cada frase chamava atenção para se votar pensando nas necessidades imediatas do meu próximo (mais bíblico impossível!), mesmo que ele não seja do mesmo gênero, religião, condição social…</p>



<p>Ninguém é livre sem extensão de direitos e oportunidades para toda sociedade. Se meu voto não expressa isso, defendendo apenas aqueles que considero iguais a mim, estarei sendo mais um algoz.</p>



<p>Paralelamente em um grupo alguém postou um vídeo de um pastor falando da incoerência de se orar por cristãos perseguidos pelo mundo e, aqui, votar na esquerda.</p>



<p>A foto de uma das candidatas a prefeitura local visitando um “Terreiro” inflamou o discurso religioso.</p>



<p>“Aliança diabólica!”, ouviu minha mãe de uma de suas conhecidas orientada por algum pastor.</p>



<p>Liberdade religiosa só é válida quando me é conveniente?</p>



<p>Acostumados a verem o diabo em tudo, alguns não percebem quando ele vem vestido de ignorância, incoerência e preconceito.</p>



<p>Religião e política, historicamente, quando se juntaram produziram tragédias. No presente não tem sido diferente.</p>



<p>Falta de conhecimento, de estudo e exploração do medo.</p>



<p>O pensamento laico, a separação da religião e da política, será ilusória enquanto os interesses pessoais e a falta de coerência moral/religiosa forem avalistas de projetos que ampliam os abismos sociais, educacionais e relacionais.</p>



<p>Se a religião corrobora a exclusão dos que pensam e são “diferentes”, ela será apenas reflexo da sociedade “demoníaca” que combate e não de seus valorosos princípios, como diz. Alguns religiosos não entenderam que CIDADANIA não depende de fé, mas de caráter!</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Iverson Silva </strong></strong></strong></strong></strong>é professor de História da Rede Pública, Historiador e Escritor.</p>
</div></div>



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		<title>UMA RELIGIÃO SEM DEUS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 121]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Terceira carta para Isabela</em></p>



<p>Minha filha, quero escrever para você a respeito do Natal. Jesus não nasceu em dezembro; tudo indica que tenha nascido entre março e maio, na verdade. Sei que essa, às vezes, é uma informação que pode parecer um tanto sem sentido, mas preciso dizer pra você desde já que esse Jesus do Natal não existe. O homem inventa seu deus, para que este invente um homem que dá conta de viver com menos sofrimento e tendo sempre um colinho de pai ou de mãe para se aninhar quando as coisas ficam duras demais.</p>



<p>Isso não quer dizer que um outro Jesus não tenha vivido no mundo. O que o pai está tentando falar é que aquele para quem você olha e sorri, no quadro pendurado no quarto de sua avó, loiro, de olhos azuis, ele não é real. Houve, sim, um galileu que encarnou os valores mais importantes de que tenho notícia, meu amor; que respeitou pessoas, ofereceu escuta, cuidado, afeto, ira. Um homem que ensinou sobre a revolta de viver numa realidade tão castigada pela dor e pela morte. Um homem que quebrou templos e acolheu prostitutas. Esse Jesus não era loiro; provavelmente era negro. Um homem entre tantos homens, como eu, seu avô, seu bisavô, com a única diferença de que foi transbordante de coragem. O que fizeram dele é outra história, porque, da cura, transformamos Jesus em veneno, pintando sua face de gente com o pó dos templos e das formalidades. Seu pai, Isabela, acredita num Cristo que dança, bebe, fala alto e tropeça na rua.</p>



<p>Te digo essas coisas para que você saiba que a vida precisa de pessoas assim como ele. Seus olhos são azuis, e desde cedo, mesmo que você não se lembre, essa cor no olhar te dá um privilégio tremendo no nosso país. Por isso, desejo que você seja forte e destemida para fazer da sua vida uma constante carta de indignação contra os excessos que separam pessoas pelo tom da pele, pelo tipo de cabelo, pela cor dos olhos, pela forma de amar e ser amado. Existe uma comunhão muito grande e bonita no mundo quando o <em>outro</em>, esse grande desconhecido, pode sentar-se na mesa conosco sem precisar ser adversário. Desejo que possamos nos lembrar sempre disso, porque do contrário, qualquer Jesus será só um enfeite inútil.</p>



<p>Também vou te falar um pouco a respeito da minha vida. Veja só um paradoxo, desses que deixam a existência irremediavelmente humana. O ano de 2021 seria um daqueles que, caso pudesse, eu apagaria do calendário. Tantas mortes, um tirano no poder, amigos que sempre considerei parte da minha alma demonstrando como são feitos de interesse, de covardia e de julgamentos, enfim, um ano que poderia ser perdido, não fosse a sua presença nele. Ter seu corpinho nos meus braços, e seu calor, são coisas que não consigo descrever sem me emocionar. Seu pai escreve esta carta no dia 19/12/2021, um domingo. Ontem você comeu ovo e passou mal; vomitou, ficou prostrada, abatidinha&#8230; daí fui ver você. Foi só chegar na sua casa &#8211; sua casa n°01, porque você precisa saber que a minha também é sua &#8211; e logo pulou para o meu colo, se aninhou, me vomitou inteiro e dormiu por quase duas horas. Naquele tempo, tudo podia acontecer; eu era seu abrigo e seria capaz de te proteger de qualquer coisa. Fica sempre na minha mente uma fotografia de como se sente segura em mim e, aí está o mistério.</p>



<p>Que me respeitem os religiosos e os tradicionalistas, inclusive, que me compreenda Jesus, mas meu Natal não cai em dezembro; ele acontece de agora em diante todo dia 14 de abril. Você é minha religião, filha, do Gênesis ao Apocalipse. Talvez seja difícil para alguém que não tem filhos entender esse sentido de coisas, porque não é sentimento. Um rasgo no tecido do tempo, e de dentro dele, saltando como se fosse uma represa de vida que rompe a casca do ventre da mãe, nasceu um pequeno tesouro. Nessa parte estou incluído também, porque me sinto o próprio Sísifo, rolando uma pedra gigante e rindo de orelha a orelha, já que quando ela desce a montanha faz o barulho do seu sorriso, e eu posso sentir suas mãozinhas fazendo carinho na minha nuca.</p>



<p>Já fui muito mais crente, Bebela, o que não desautoriza minha forma desconjuntada de olhar para cima. Talvez seu pai seja atualmente o ateu mais crente do mundo, ou o crente mais cético que você vai encontrar &#8211; o que só te apresenta mais uma das tantas contradições a meu respeito com as quais terá que lidar; mas não se preocupa, o amor de verdade torna todos os loucos mansos. Desse lugar em que brigo com deus por permitir no mundo tanta desgraça, ao mesmo tempo em que tento disputar com ele a função de olhar só para a frente, espernear e dizer “<em>deus, você é péssimo!</em>”, também me faz bem imaginar que ele gosta de mim, e de festa, e de cerveja, e de Gabriel Garcia Marquez. Seu pai, vê só, acha que deus é um grande histérico, e que coisa fantástica! O mundo se colore com ele, o que torna mais fácil para que as pessoas sejam só elas mesmas. Fuja de uma ideia de sagrado que te diga que você está salva, meu amor; ou nos salvamos todos, ou esse salvador é só mais um iludido.</p>



<p>Ainda assim, penso em José da Galileia, o pai daquele Jesus de quem eu te contava logo no começo da carta. Você vai ouvir muito falar sobre a mãe dele, Maria de Nazaré, mas bem pouco sobre o pai. Isso é natural: a mãe é algo místico em si mesmo, seu único momento de totalidade foi ali, dentro daquela barriga, e por isso sua mãe é também um pouquinho mãe de Jesus e vice-versa. O pai não, é um estrangeiro que se atravessa, que chega nesse um e faz dois, para depois fazer três. O pai é uma cunha inserida na madeira da alma. Todo pai é adotivo, meu amor, mesmo que seja consanguíneo, porque ele é o de fora capaz de te trazer para dentro, ele gera e pare no mundo.</p>



<p>Lembro de José da Galileia, já que ele foi esquecido. Santo padroeiro dos trabalhadores, está ali escondidinho nas anáguas da história, porque um pai humano talvez pudesse constranger um Pai divino. Vejo você no meu colo e penso quantas vezes não foi ele quem fez Jesus dormir, para que Maria descansasse. Imagino a angústia de fugir para o Egito e depois o medo de ver o filho tão intenso em seu movimento de indignação, viajando e tentando convencer as pessoas de que é possível fazer diferente. José passou pelo mundo sem entrar para história, é um silêncio presente. Gosto de me ver como ele.</p>



<p>É natal de mentirinha e você não estará nos meus braços, porque viajará com sua mãe. Há uma família imensa e festeira para conhecer da parte de lá da sua genética, são pessoas incríveis quase todos. Mas você volta e vai me contar entre sílabas soletradas ao acaso cada detalhe do que aconteceu. Vou escutar, e entender, porque temos a nossa língua secreta. Nosso mundo precisa resgatar a esperança, ele precisa de um Jesus que seja capaz de incomodar, revirar, tirar a calma das pessoas; mas ele precisa de Bebelas também. A cada bebê, uma nova humanidade resiste. Você é minha religião sem deus, por isso te peço sua benção, meu amor. Feliz 25 de dezembro!</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vinícius Lara&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] ETERNO ONÍRICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Lais Lovison Sturaro]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luis Napoli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para Dostoiévski, ceifar a noção de eternidade da alma faz com que toda e qualquer ação esteja fadada a não ter sentido algum. Minhas obras têm como objetivo pensar e criar todo um universo de possibilidades para o que haveria depois da morte, oferecer o encontro com outra realidade e o benefício que a relação com a alteridade pode implicar ao indivíduo.</p>



<p>Ao refletir sobre o pós-morte, questiono-me por onde passaria, que tipo de lugares, quais seres eu veria… lembranças ainda existiriam? Quais seriam? Existiria sentimento depois de partir? Haveria saudades, tristeza, alegria ou seria apenas dado espaço ao vazio? Procura-se criar essa dimensão quase onírica. Essas representações oníricas que só se dão a ver por meio de seus representantes plásticos.</p>



<p>Como o sonho, a obra plástica enquanto construção muda e situa-se no espaço de realização imaginária do desejo com um objeto intermediário, pelo qual são permitidos pensamentos e condutas com os quais o espectador pode se relacionar &#8211; sem autoacusações nem vergonha nesse espaço potencial, gerador de uma área hipotética que exista. Isso se dá sem que se faça necessária a confirmação dessa existência um ato de crença, pois o fato de não poder indicar a diferença entre real e imaginário, no plano da crença ingênua, não significa que ela não existe (enquanto eu creio, esse universo se faz existente em mim).</p>



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<p><strong>Luis Napoli</strong>, 1998. Natural de Castro – PR, mudou-se para o Estado de São Paulo, onde morou em diversas cidades do interior. Atualmente vive e trabalha na cidade de Barra do Garças, Mato Grosso. Formado em Bacharelado em Artes Plásticas, na Escola Guignard, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Suas pinturas permeiam pelo imaginário popular e por questões particulares que lhe afligem. Sua poética se forma deformando a estética de onde emergem suas experiências ficcionalmente verossímeis.</p>
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		<title>A ARTE DO ENCONTRO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/a-arte-do-encontro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Fernanda Zeloschi</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>“Se</em>
<em>nem</em>
<em>for</em>
<em>terra</em>
<em>se</em>
<em>trans</em>
<em>for</em>
<em>mar”</em>

<em>Leminski (2013, p.142)</em></pre>



<p>Eu tentava insistentemente abafar os pensamentos que se passavam como nuvens em minha cabeça. Quanto mais eu tentava abafar, as nuvens se tornavam mais escuras e a chuva barulhenta dos meus pensamentos ecoavam no silêncio ensurdecedor do ambiente e do meu ser. Eu me rendo.</p>



<p>Nesse últimos meses eu estava me vendo como essa nuvem escura, que apenas chovia. Chovia muito. E apesar de gostar de chuva, não conseguia enxergar a beleza daquele momento caótico. A ambiguidade dos sentidos não me permitia enxergar a luz por detrás da escuridão. Em meio ao choro e a tristeza, que parecia não ter fim, fui convidada pela vida a levantar, porque a luz estava logo à frente, mas eu me recusava a caminhar.</p>



<p>Comecei a caminhar com a cabeça baixa e os olhos caídos. Fui para um lugar mágico, que nem sempre é tão mágico assim, mas, sem dúvidas, é um lugar de transformações. Nesse lugar, recheado de pessoas, eu diria, iluminadas, fui obrigada a levantar o olhar, fui obrigada a encarar meus medos de frente, fui obrigada a olhar nos olhos.</p>



<p>Que olhos lindos eu encontrei. Sempre gostei desse tipo de pessoa. Sim, essas que olham nos olhos e não tem medo de se despirem para o desconhecido ou compartilhar o que há de mais profundo no âmago da essência e da existência. Essas pessoas que não tem medo do encontro, que buscam aprender a arte do encontro em tempos de tantos desencontros.</p>



<p>Encontrei um par de olhos castanhos que me deixava intrigada, mas que não deixavam os meus olhos caírem. Olhos ímãs? Talvez. Não sei&#8230; Só sei que eles me buscavam. Também não sei o motivo de me buscarem, só sei que eu já não conseguia olhar para o chão. Queria descobrir mais sobre esse universo ainda tão desconhecido.</p>



<p>Para a minha surpresa, quanto mais esses olhos castanhos buscavam o meu olhar, eu buscava, mesmo que desatentamente, a olhar nos olhos de outros universos. Percebi o quanto eram diferentes, únicos e irrepetíveis. Sabemos que somos únicos, mas será que sabemos? Sempre achamos que existem universos melhores, enquanto a verdade é que existem universos. Nem melhores, nem piores. Apenas universos.</p>



<p>Esses olhares que escondiam universos, me mostraram a luz que existia dentro de mim. Ela estava ali o tempo todo tentando aquecer outros corações e o meu próprio coração, mas eu não deixava a luz passar. Hoje meu universo é mais complexo que antes. Sim. Eu sei que existem os dias ensolarados. Assim, como não tento afastar as nuvens escuras. Tem algumas semanas que chove muito, mas descobri a beleza do arco-íris. Como seria chato ser apenas luz, quando podemos ser luz, chuva e arco-íris. Não seria possível enxergar tanta diversidade se eu continuasse agarrada a momentos, que passam tão ligeiros. Dói deixar esses momentos passarem. Acho que o que dói mesmo é a saudade de encontros que se desencontraram.</p>



<p>Bom, esse primeiro olhar que iniciou minha transformação foi de um pequeno menino, que de pequeno não tinha nada. Esse foi o meu primeiro encontro depois de permitir me reencontrar. Esse lugar mágico onde essas mudanças de perspectiva começaram a acontecer é conhecido como escola: um lugar de imaginação, elevação e um convite a voltar a ser criança. Esses universos que me convidavam a ser menos dura e aceitar a complexidade do meu universo foram as crianças, que também me aceitaram e amaram o meu universo particular.</p>



<p>Não acredito que sou um ser humano melhor depois dessas experiências e enfrentamentos, mas, sem dúvidas, sou um ser humano em transformação tentando praticar a autotranscedência e o amor ao próximo. E, não posso esquecer, tentando encontrar outros olhares e perspectivas em cada universo colorido em que me deparo. Tentando procurar mais olhares que buscam se encontrar. Tentando encontrar mais afeto em cada olhar.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>Referência: LEMINSKI, Paulo. <strong>Toda Poesia. </strong>São Paulo: Companhia das Letras, 2013.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-22158 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p> <strong>Lívia Rinco</strong> é amante de uma boa caminhada sob a natureza, estudante de Psicologia, gosta de levar a vida inspirada em notas musicais e poesias.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] LA INSPIRAZIONE</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/la-inspirazione/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Dec 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Lais Lovison Sturaro]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lais Sturaro</p>
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<p>Em uma tarde de estudos, meus ouvidos se atentaram em uma música baixa que estava tocando. Curiosa, procurei saber quem era o compositor, quando encontrei o título: “<em>La Serenissima</em> — Antonio Vivaldi”. Gostando dessa melodia, passei a procurar por mais de suas composições e essas me instigavam a criar pinturas, incluindo uma obra em sua homenagem.</p>



<p>E foi assim que, em 2017, assinei meu primeiro quadro contemporâneo: “<em>Allegro Vivaldiano</em>” (Figura 1). A obra de cores vibrantes foi inspirada no movimento cubista, apresenta um violino e várias partituras em cima de uma mesa de madeira rústica desfragmentada. As partituras coladas são do concerto “<em>La Stravaganza</em> — Antonio Vivaldi”, nas pinturas dos arcos há pedaços de crina e nos violinos, cordas verdadeiras.</p>



<p>Dado o primeiro passo contemporâneo, outras obras com temas musicais foram criadas: “<em>Pizzicato</em>”, “Vibrações” (Figura 2), “<em>Tre Stradivari</em>”, “Sob Nova Perspectiva”, “Ponto de Encontro”, “<em>Scherzo</em>” (Figura 3). As pinturas intituladas “Ponto de Fuga” e “Beethoven, Amado Imortal” merecem uma atenção especial. A cena de época com cores intensas em “Ponto de Fuga” (Figura 4) é inspirada em vários movimentos artísticos. A paisagem ao fundo traz um pouco do surrealismo, onde o céu e mar se misturam e terminam em uma praia ao longe e essa se mescla a um gramado. As janelas inspiradas no período barroco e rococó não possui vidros e toda estrutura do cenário foi inspirado no cubismo. A ação das personagens é resumida em uma aula de violino.</p>



<p>Já “Beethoven, Amado Imortal” (Figura 5) foi inspirada em um período bastante crítico da vida de Ludwig van Beethoven, a surdez. Nessa obra é observado o compositor sentado de olhos fechados com o rosto encostado no piano para sentir as vibrações das notas através da madeira. Apesar de ser uma cena de grande lamento a pintura tem bastante cor. O piano com tons de laranja intenso se contrasta com um fundo com predominância azul e verde, já a personagem de cores sóbrias e cabelo grisalho.</p>



<p>Depois de alguns anos, analisei esses resultados artísticos e refleti sobre os acontecimentos daquela tarde de estudos e da singela atenção à música de Antonio Vivaldi. Não só houve um meio de criações artísticas, mas, a possibilidade do encontro com novas formas de expressão, reflexão, além do desenvolvimento do meu próprio estilo de pintura. Por vezes pequenos momentos trazem grandes inspirações e resultam em grandes mudanças na vida e da forma como olhamos o mundo.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/1z7-M7nxHGIZiB7UJ8U1nMFEWS4YI5-9UosQePFKCu_ViuzR1p_Ph1q0GwhYj_0CWmS-XHEJdnjtOzn9AG5_SaF2BfEEmhcTw4DrechDEgY5Exnr0EYSyjSD-1BTrVEzFij5BQc" alt="" /><figcaption><strong>Figura 1:</strong> Obra “<em>Allegro Vivaldiano</em>”; técnica: acrílica sobre painel; dimensão: 100 × 70 cm; data: 13/12/2017. Uma homenagem a&nbsp;Antonio&nbsp;Vivaldi.</figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/R615i2Oej3CGi1z73ZKqu91pXABUXzDvD4PHmB_6inc1koi0Ji6edw9h2LbS2TNyftQU3phroydBoS1anpHwFLUBMRbsPiTVMN8qqz7_hWFazAFZD6SatocqJCBUM12zjefKdzM" alt="" /><figcaption><strong>Figura 2: </strong>Obra: “Vibrações”; técnica: acrílica sobre tela; dimensão: 40 × 30 cm; data: 23/06/2021. A cena mostra um violão com suas cordas vibrando e elementos de uma bateria.</figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh3.googleusercontent.com/PZraBPvFmjEq3IjhLSd66UUaaTPQGFafcEvL5L23gDOOg5GMQCjJvlrLsTkquFOleaoyqysYtlROSn2fH9XbLBO46qg1eadnbOxBOq0iuVCNxIfNqEt-otMt5i9xIeXXMISRWl0" alt="" /><figcaption><strong>igura 3: </strong>Obra: “<em>Scherzo</em>”; técnica: mista sobre papel; dimensão: 21 × 27 cm; data: 11/07/2018. A obra mostra um piano com partituras.</figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh3.googleusercontent.com/zeE5cPKQFvfISAmfwQUY1BPeZj54S6bn0LYdTGeCwyyQ44XhH1Sdl9VnHOqO9fUNXRTvJqG9ZonoV3EJ5SOH5i3_A-iyXfrz_VrGFBdwWCeGZUhaEvFbAltwCqC1-SChfVVajTw" alt="" /><figcaption><strong>Figura 4: </strong>Obra: “Ponto de Fuga”; técnica: acrílica sobre papel; dimensão: 42 × 59 cm; data: 04/03/2020. A cena mostra uma aula de violino.</figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/0XtB94Z64kckvHLoCAmuHHTeRNHOmAfwzKa4eAjb7MThyRpy4dT7ZpfXYcQYOU3ryS19Erzng7eLl4dy-WyN_xKj5TXR2CzmcXdqlMZA-Zw6EZdeHLETOcsDgMBhgjeNB0KZMqY" alt="" /><figcaption><strong>Figura 5: </strong>Obra: “Beethoven, Amado Imortal”; técnica: acrílica sobre painel; dimensão: 70 × 100 cm; data: 24/12/2017. Uma homenagem a Ludwig van&nbsp;Beethoven.</figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2aa9c-lais-sturaro.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15761 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Laís Lovison Sturaro</strong> é natural de Araras (SP). Mestra em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atua nas artes plásticas utilizando diferentes técnicas de pintura, como aquarela, acrílicas e óleos. Iniciou seus estudos de desenho artístico em 2003 na Oficina de Desenho Artístico, Anime e Mangá em Araras (SP). Assinou sua primeira obra acadêmica em 2006, e sua primeira obra contemporânea em 2017. Em 2021, foi selecionada entre as 24 melhores obras contemporâneas brasileiras para exposição virtual da Galeria EUEARTE.</p>
</div></div>



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