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	<title>Arquivos Ano 001, N 008 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Inventário do Causo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 20:57:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Cascudo]]></category>
		<category><![CDATA[Causo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Túlio Magno</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Há algum tempo me pergunto sobre as coisas que dão vida às palavras no interior. Vão surgindo assim como um olho d ́água, vem de dentro: é de onde a palavra brota. A paisagem é mais que favorável, seja para inventação ou fazer manutenção do causo. Tudo tem um potencial para ser assombrado ou aumentado de tamanho.&nbsp;O “<em>diz que&#8230;</em>”&nbsp;é uma forma de dizer que existiu ou aconteceu sem dizer que você estava lá para confirmar tal causo, e para dar margem àquele que ouviu&nbsp;dizer que&nbsp;mais lá pra frente. É o mesmo que diz Regina Machado-1&nbsp;sobre o lugar da possibilidade do que não existe existir:&nbsp;“Este “lá” para onde a pessoa se transporta é o lugar da imaginação com possibilidade criadora e integrativa do homem.”.</p>



<p><em>Diz que um rapaz queria casar com uma moça, aí a moça não ligava pra ele de jeito nenhum. Ai eles falam que o preto velho falou:</em></p>



<p><em>—&nbsp;Oh! Cê vai apanhar um fiapo de cabelo dela na hora que ela estiver estendendo roupa lá na cerca e traz que eu vou benzer procê.&nbsp;—&nbsp;Apitando aquele cachimbo dele e dando aquelas risadas.</em></p>



<p><em>Aí eles falam que ele pegou o fiapo de cabelo, levou e deu o preto velho. O preto velho benzeu e era de égua. Na hora que ele chegou em casa a égua veio rinchando pro lado dele-2.</em></p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A tradição oral vem em forma de conto, cantiga, brincadeira, causo e vai. É inventada ou reproduzida, podendo ser os dois ao mesmo tempo. É coisa antiga que vem passando, mas não pense que é num disse e me disse. Tudo é lançado com vida, com a verdade de encantar. É presente.</p>



<p> Olhando para o fim do mundo, lá onde o mato cobre quase tudo eu percebo que a vida se assanha com a arte, se fazendo presente na cultura dos símbolos, nos ritos e na codificação do cotidiano. Lembro-me bem do dia em que ouvi a palavra crianceira. Eu estava brincando de roda, após cantarolar:&nbsp;<em>Adeus pavão dourado!</em>&nbsp;E uma colega me solta lá do fundo a mais cabível definição para aquele momento. Foi a melhor aula-3&nbsp;que tive.</p>



<p>Falo da possiblidade de se permitir brincar, de não se acanhar com a pergunta que vem de dentro e que não parece fazer o menor sentido aos olhos do mundo externo. Um mundo adultíssimo! Por falar em brincar, Lydia Hortélio-4 afirmou a pouco que o Brasil está na zona rural. Hei de concordar e assumir esse partido: o velho brinca e o novo também. Os dois pegam um graveto e vão andando riscando a poeira. O desenho vai surgindo e seguindo. É um movimento interno e externo. Mas que raio de trem é esse que tem no interior que não se tem em outro canto nenhum?</p>



<p>Andando um pouco por outras bandas&nbsp;–&nbsp;aqui me referindo a São Paulo &#8211; fui notando que tudo era igual; o céu era o mesmo; o chão era o mesmo; o canto do bem-te-vi era o mesmo e a resposta do outro bem-te-vi também. O que era diferente era a gente, já não mais encantada com um avião que corta o céu. E olha que ele passa baixinho! Não que essa gente não tenha mais encantamento, mas ele não se encontra mais nesses detalhes. Ta certo, tem aos montes. O barulho virou poluição sonora e com razão, eu acho. Mas eu ainda prefiro a reação de correr para o quintal ou para onde der para ver o avião passar. Acontece que agora eu já não corro mais ou fico acenando para o alto. Contenho-me, finjo que está tudo certo. Olha bem que ruim.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">O que insinuo é que a tradição oral, assim como qualquer outro aspecto cultural de um povo, nasce das pequenas configurações. O material e o imaterial nesse convívio dizem sobre as inquietudes e as acomodações, os objetos são artefatos cheios de estórias e o ato de acordar com o cacarejo do galo é um movimento de ação conjunta que alimenta o encantamento da tradição rural, faz viva a palavra no interior: cria causo.</p>



<p>O causo ou conto popular&nbsp;<em>para todos nós é o primeiro leite intelectual</em>, uma definição muito esmiuçada por Câmara Cascudo-5.&nbsp;<em>É um documento vivo, denunciando costumes, ideias, mentalidades, decisões e julgamentos.</em>&nbsp;É o inventário da memória que jorra informação de todo e qualquer tipo. O causo inventa sacrafuncho, mas também entrega a chave para abrir o que for.</p>



<p>Pois pense numa velha que esconde alguma coisa na trama da casa, bem ali entre as telhas, os caibros e as ripas. De um jeito que ao espichar os braços se alcança com facilidade, mas de modo que menino algum consegue alcançar. Pode ser remédio ou veneno. Ou então no menino que vem passando correndo, mas breca na calçada aonde a parentada se reúne. Com a mão suja de poeira abraça uma a uma que, diferente das suas, já estão com os sulcos da idade.</p>



<p>—&nbsp;<em>Bença!</em>&nbsp;—&nbsp;Pede o menino numa voz afoita.</p>



<p>—&nbsp;Deus abençoe!&nbsp;—&nbsp;Responde cada um que logo já emendam outra prosa.</p>



<p>A cultura oral ensina sobre percepção, contato e encontro. De tanto ouvir falar se aprende quando vai chover pelo canto do passarinho. Esse atrevimento de ter uma contação para cada comportamento, tanto do homem quanto da natureza, enrique o imaginário por trás das coisas, se torna ciência e sabedoria para levar uma vida. A ludicidade é incandescente, é a engrenagem da coisa toda.</p>



<p>Em determinado momento de seu livro, Regina Machado nos convida a imaginarmos uma casa com muitas janelas, nelas a possiblidade de nos debruçarmos e observamos a paisagem recordada por cada uma delas. Há de se observar ainda a moldura da janela escolhida. A metáfora construída aponta para as abordagens teóricas e poéticas que optamos por fazer. Melhor que isso, ilustra quais perguntas temos sobre essas janelas e suas paisagens. Trata das inquietações como um material genuíno e instiga a imaginação.</p>



<p>Comecei a imaginar uma casa que não me pertencia. Era muito grande parecia uma fazenda. Eis que me tomo por momento e recordo-me da minha casa, adentro e tento observar tudo o que posso, nos menores detalhes possíveis. É um saudoso exercício.</p>



<p>Ouvi muito sobre o vento estar triste. Era notícia ruim chegando. Nem sempre ela chegava, mas a gente ficava esperando. Mais do que o isomorfismo do salgueiro que também pode ser chorão, citado por Arnheim-6, é dar forma triste ao que nem tem forma. É notar o efeito sutil que o vento produz nas copas das árvores ou na roupa no varal. Se conseguir, verá que esse tipo de vento é mesmo triste.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Túlio</strong> é Historiador e arte-educador. Se dedica ao estudo dos processos que envolvem a mediação cultural em espaços de arte e cultura. Atualmente é mestrando em Artes Visuais &#8211; Teoria, ensino e aprendizagem &#8211; pela Escola de Comunicação e Artes da USP.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>1-&nbsp;MACHADO, Regina.&nbsp;A arte da palavra e da escuta.&nbsp;São Paulo: Editora Revira Volta, 2015, p. 43.<br>2-&nbsp;Causo recolhido no distrito de Itamuri, Minas Gerais, em 2016 para compor meu trabalho de conclusão de curso.&nbsp;1&nbsp;MACHADO, Regina.&nbsp;A arte da palavra e da escuta.&nbsp;São Paulo: Editora Revira Volta, 2015, p. 43.</p>



<p>3-&nbsp;Cito uma das aulas da disciplina Teoria, Ensino e Aprendizagem ministrada por Regina Machado no Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação e Artes da USP.<br>4-&nbsp;Vídeo-depoimento de Lydia Hortélio para o Itaú Cultural (Ocupação 2019).<br>5-&nbsp;CASCUDO, Luís da Câmara. Prefácio. In:&nbsp;Contos tradicionais do Brasil.&nbsp;20. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.</p>



<p>6-&nbsp;ARNHEIM, Rudolf.&nbsp;Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. São Paulo: Cengage Learning, 2008.</p>



<p><strong>Referências bibliográficas</strong></p>



<p>CASCUDO, Luís da Câmara.&nbsp;Contos tradicionais do Brasil.&nbsp;20. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.</p>



<p>MACHADO, Regina.&nbsp;A arte da palavra e da escuta.&nbsp;São Paulo: Editora Revira Volta, 2015.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>Viajar: Uma Experiência Estética</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 19:39:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[experiência estética]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Viajar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align:left">Viajar significa atender à uma inexplicável  inquietação da alma. Significa seguir o impulso do espírito humano que busca desesperadamente amplidão e entendimento. No momento em que nos deslocamos fisicamente, ultrapassamos a cômoda barreira do cotidiano. Renunciamos temporariamente nossas posses materiais e as máscaras sociais que insistimos em sustentar.</p>



<p style="text-align:left">Vislumbramos, logo à frente, uma nova oportunidade de ser o que quisermos. Sentimos, pensamos e agimos sob a égide de outros contextos, e nos permitimos outras possíveis maneiras de praticar a vida. Este pequeno recorte no espaço e tempo, nos permite absorver experiências que são capazes de  engrandecer a compreensão do exercício de viver, confrontar vivências antigas e perceber a impermanência de todas as coisas, bem como da própria existência. </p>



<p style="text-align:justify">Por assim dizer, percebo que existem inúmeros paralelos entre o ato de viajar e o ato de colocar-se diante de uma obra de arte (ao menos as que se propõe discutir e proporcionar experiências estéticas), por exemplo. </p>



<p style="background-color:#be9420" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">O modo como nos dispomos à ler e interpretar novos olhares sobre o mundo, sobre a diversidade cultural e costumes diversos, se assemelha em muito à tentativa de entrar no universo do artista ou do poeta, e os diversos contextos que transformaram sua percepção em algo palpável, através da obra de arte. </p>



<p>Nesse sentido, é razoável conceber que reside no ineditismo destas experiências um ponto de convergência essencial para o desenvolvimento da sensibilidade humana, que <strong>nos convida à ceder gentilmente ao completo arrebatamento da contemplação.</strong></p>



<p>Talvez essa sensação venha porque, ao retornarmos de uma experiência estética diante de uma obra de arte, percebemos que já não carregamos mais alguns conceitos que outrora estavam conosco, cuja necessidade foi abandonada ou ressignificada, diante de diversas outras possibilidades de perceber e sentir aquilo que se propõe apresentar o que é <em>belo</em>.</p>



<p>Ao&nbsp;mesmo tempo, ao retornar de uma viagem,&nbsp;sentimos uma espécie  transformação em processo de decantação,&nbsp;já&nbsp;parcialmente&nbsp;preenchidos&nbsp;por&nbsp;quem&nbsp;poderemos&nbsp;vir&nbsp;a ser, a partir de todas as novas experiências que colecionamos. Assim,&nbsp;nossos&nbsp;sentimentos&nbsp;mais&nbsp;puros e&nbsp;verdadeiros, amalgamados no alento de nossa humanidade, constroem a ideia de um&nbsp;futuro onde&nbsp;poderemos&nbsp;visitar, com&nbsp;carinho, o&nbsp;caminho&nbsp;que&nbsp;construiu&nbsp;nossos novos olhares e modos de pensar.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Para Registrar suas melhores lembranças, a Bodoque apresenta o Diário de Viagens! </p>



<p>O Diário de Viagem da Bodoque é feito com capas em couro, arte da capa gravada&nbsp;à mão, folhas de rosto e prefácio.</p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-autoplay="true" data-delay="3" data-effect="slide"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper-container"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img decoding="async" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1067" data-id="1067" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7c1c-diariodswd4.png?w=950&#038;ssl=1" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img decoding="async" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1068" data-id="1068" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0a378-diariodswd3.png?w=950&#038;ssl=1" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img decoding="async" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1069" data-id="1069" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/80e52-diariodswd2.png?w=950&#038;ssl=1" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white" role="button"></a><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white" role="button"></a><a aria-label="Pause Slideshow" class="wp-block-jetpack-slideshow_button-pause" role="button"></a><div class="wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white"></div></div></div>



<p style="text-align:center" class="has-small-font-size"><em>Fotografias por: Brenda Marques</em></p>



<p>Este&nbsp;modelo em formato A6 (15 x 10,5 cm) em especial, é feito em couro caramelo com mapa-mundi gravado,&nbsp;miolo de papel pólen bold encorpado (128 páginas) e amarração em couro. </p>



<p style="background-color:#c39411" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Seu formato e seu revestimento em couro, permitem que ele seja levado no bolso com facilidade, tornando-o um caderno prático, ideal para anotações e uso diário.</p>



<p>Pra completar a boniteza das suas experiências, pensando na comodidade de quem gosta muito de viajar, o&nbsp;Diário de Viagens Bodoque pode ter seu refil trocado, basta entrar em contato com a Bodoque e apresentar o Diário completo. <strong>Desta forma, recosturamos um novo miolo em papel reciclado e acondicionamos o miolo preenchido em uma caixa especial para que você possa guardar os fascículos de suas aventuras, sem custo adicional.</strong></p>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e confira em nossa loja virtual!</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.artebodoque.com/diario-de-viagem-bodoque-encadernacao-artesanal-em-couro-formato-a6"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/DIÁRIODSWD.png?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1070" width="606" height="606" /></a><figcaption><em>Fotografia por: Nayana Mamede</em></figcaption></figure>



<p></p>



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		<title>Não Atire no Mensageiro</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 16:50:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Até que ponto as coisas precisam ser ditas?</p>



<p>Jogo as palavras ao vento, mergulho no silêncio, Refulge a minha alma na alvorada<br>Chora e canta assustada</p>



<p>Onde está a paz? Onde está a bonança?<br>Da guerra, ainda tenho uma amarga lembrança.</p>



<p>Minha esperança já não externo, me desfiz dela</p>



<p>Correm de mim os rios de dor, de amor, rios de choro</p>



<p>Então tudo se vai como um sopro, e assim me entrego, Eu agora estou morto.</p>



<p>Eu agora estou vivo, estou louco?<br>Ebulição não encontro, apenas a calmaria em amarelo, branco, vermelho.. De onde vinham os rios, hoje saem os ventos</p>



<p>Levam sementes e frutos,<br>levam afago e sonhos,<br>Levam paz e o olhar mais risonho.</p>



<p>Levam a ti, de longínqua terra, a mensagem.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Kariston França</strong> é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-small-font-size">Algumas imagens que estão na Trama foram enviadas pelos autores sem as devidas referências. Se, porventura houver imagens sobre as quais você tenha os direitos sobre ela,  por favor entre em contato conosco através do e-mail: fredericolopes@artebodoque.com.</p>
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		<title>Criar em Tempos de Desesperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 16:42:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[opressão]]></category>
		<category><![CDATA[resistência]]></category>
		<category><![CDATA[Ronald Rael]]></category>
		<category><![CDATA[Virginia San Fratello]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lorraine Mendes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No último dia 30 de julho, o arquiteto Ronald Rael e a designer Virginia San Fratello instalaram, juntamente com a sua equipe, gangorras na cerca que delimita a fronteira entre Estados Unidos e México, situada entre as cidades de El Paso, do lado estadunidense e a mexicana Ciudad Juaréz.</p>



<p>Imagens de crianças se divertindo com o brinquedo foram compartilhadas nas redes sociais de todo o mundo, despertando comentários e reflexões.&nbsp;</p>



<p>As questões em torno das fronteiras são pulsantes em um mundo de cercas e sanções. Diásporas, migrações, busca por refúgio e segurança são o retrato da barbárie e da desesperança que vitimizam milhares todos os dias. E há muito tempo.&nbsp;</p>



<p>Uma simples gangorra rosa, contrastando com a aridez da terra e do o metal, foi capaz de provocar um momento de alegria e compartilhamento. </p>



<p style="background-color:#96710a" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">A insubordinação dos artistas em autorizar o que é violentamente suprimido, proporcionando uma união simbólica e efêmera em meio a tanta dor e cerceamento, mostra a potência da capacidade criadora em tempos de violência, desesperança e opressão.</p>



<p>De lá a brincadeira que resiste, de cá o vídeo que reconta uma história. No dia 25 de julho celebra-se o Dia Nacional de Tereza de Banguela e Dia Internacional da Mulher Negra, Latina e Caribenha, e foi o dia escolhido pela banda El Efecto para o lançamento do clipe de “Carlos e Tereza”. A partir da brincadeira de três crianças, o vídeo mostra a alegria de uma roda de samba e a resistência dos grupos e movimentos sociais em tempos em que a insubordinação se faz necessária. A rebeldia de reencenar uma história da forma que ela aconteceria sob olhares de quem se atreve. A arte não de desvencilha da política, e assim, criar em tempos difíceis passa por refletir os desejos, os medos e a teimosia de quem insiste em brincar e viver criando.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="El Efecto • Carlos e Tereza (videoclipe)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/WWCOriNScws?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<p><strong>Lorraine Mendes</strong> é professora substituta da EBA-UFRJ, Doutoranda em Artes, Cultura e Linguagens pelo IAD-UFJF, artista e tatuadora.</p>



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		<title>Perspectiva</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 15:47:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Lopes Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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<pre class="wp-block-verse">Os fatos são dados<br> Não é mentira<br> Outro dia era<br> para cima que chovia<br> Gota a gota<br> Milhões delas<br> subindo, alto e avante<br> cada vez mais velozes<br> até explodirem nas nuvens<br> e ali permanecerem<br> sepultadas<br> sacrificadas<br> molhadas</pre>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong>&nbsp;&#8211; Eu sou poeta, professor e divulgador científico. Na coluna Póesis, uso da linguagem poética para expressar minha reverência pelo Universo e o sentimento do sagrado que me habita a intimidade. Elaboro sensibilidades estéticas-éticas, sigo o fluxo de ideias prazerosas, reinvento semânticas, faço silêncio e verbo conjugarem harmonicamente. Eu não escrevo poesias. Eu me escrevo nelas.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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		<title>Curadoria em Artes Cênicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 14:59:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[artes]]></category>
		<category><![CDATA[Artes cênicas]]></category>
		<category><![CDATA[cariri]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[curador]]></category>
		<category><![CDATA[curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Dane de jade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Dane de Jade</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">As coisas não existem em si – elas existem como um RIZOMA. Curadoria pressupõe, pensar e falar de arte, de produção cultural, arte e território. Cultura e transformação. Não se baseia por aspectos estéticos e subjetivos, políticos ou relacionais. O trabalho do Curador vai além disso, pois ali tem a vida das pessoas, sentimentos, emoções. O trabalho não acaba na curadoria, desdobra-se num rizoma.</p>



<p>Portanto, é preciso pensar o <strong>Curador como alguém que está construindo um sentido de arte</strong>, estabelecendo a comunidade de sentidos do lugar. O que toca as pessoas que vão fruir a arte? O que transforma e reinaugura o olhar da audiência, da plateia, etc.?</p>



<p>O Curador tem a capacidade de articular coisas distintas. Sobre ele atuam diferentes desafios: como selecionar entre 500 – 30 peças? Esse é o modelo dos editais, efetivação de comissões de seleções de projetos que não pensam de forma orgânica. Que critérios são usados? Como se escolhe sem intuir e refletir profundamente sobre o que está se escolhendo. Quais os aspectos de atuação do Curador? Qual a função do Curador dentro dos editais públicos? O que a curadoria está buscando? É para o desenvolvimento humano ou para o mercado? O mercado da cultura ou o mercado de artes?</p>



<p>O artista não é mais esse ser brilhante que o iluminismo criou, as pessoas estão procurando um sentido de mundo, estão nas ruas, estão nas redes sociais, estão buscando, estão lutando. O Curador tem que estar ligado à esses fatores. Tudo está articulado com o social. As dimensões do coletivo são seu mister. O cenário em que o Curador anda é muito mais complexo. Escolher a peça é o de menor importância, mesmo sendo o cerne da questão, o que precisamos é pensar nos desdobramentos, na produção de sentidos, na provocação que levará ao debate e à reflexão. Portanto, o curador não pode viver o individualismo &#8211; essa alienação que está no mundo &#8211; ele precisa produzir em diversas pontes, em diversos níveis e dimensões, pois ele contribui para o sistema cultural.</p>



<p>Nesse sentido, ele é um mediador entre o artista, a obra e o público, por isso tem que ser alguém antenado, articulado, com abertura para exercer a análise e a crítica de modo a compreender a obra de arte na extensão do que ela pode produzir em reflexos estéticos, éticos, artísticos, afetivos, humanos, políticos, sociais, econômicos, etc.</p>



<p>Então, o que motiva um Curador? A experiência dele? O mercado? A política? A visibilidade? A vaidade? O curador não pode estar alienado, ele tem que ter múltiplos olhares da cidade. (Milton Santos). Ele define tendências. Julga o trabalho do outro. Paradoxalmente, corre-se o risco do Curador se tornar mais importante que o artista. São situações não desejáveis produzidas a partir da relação Curador e mercado. Isso é uma deformação, os costumes são descartados, os valores invertidos (curar ser mais importante que criar arte, ainda que curadoria seja um ato de colaboração criativa).</p>



<p>Então, como tornar a curadoria participante, orgânica?</p>



<p><strong>Curadoria para vida e não para o mercado.</strong> Ter noção que mediar é estar entre público, artista e patrocinador, mas sem perder de vista que o Curador atua a partir do trabalho do artista. Logo, sua interlocução é ampliar a potência da obra artística para alcançar seus públicos e com eles dialogar.</p>



<p>Para isso é preciso ter foco, dedicação, mas, sobretudo, responsabilidade e comprometimento. O Curador não pode ser arbitrário nem superficial, vendo projetos de véspera ou mesmo escolhendo porque tem nomes conhecidos. Se assim o for, ele comete crime de lesa à cultura ou, pior, se torna, muitas vezes, operador de um sistema que condena, um algoz.</p>



<p class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">É preciso provocar experiências transformadoras no encontro com a arte. Precisa-se de Curadores que não sejam meros operadores do sistema, mas que pensem na mudança, na transformação humana, que articulem utopias, que ajudem a tecer sonhos, que vejam na arte a única arma para vencer a barbárie.</p>



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<p><strong>Dane de Jade</strong>&nbsp;é curadora, atriz-pesquisadora, produtora, arte-educadora, radialista e gestora cultural. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Regional do Cariri &#8211; URCA, cursou também arte-educação na URCA, pós-graduação em Gestão Estratégica nas&nbsp;organizações de Terceiro Setor na Universidade Estadual do Ceará – UECE, Gestão Cultural pela Universidade Federal do Cariri – UFCA, Arte Educação pela Universidade Regional do Cariri &#8211; URCA e Doutoranda em Turismo, Lazer e Cultura pela Universidade de Coimbra em Portugal. Dirigiu o Departamento de Promoção, difusão e Ação Sócio-Cultural da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho em Crato-CE, fomentou a&nbsp;criação e gerenciou o Programa Cultura do SESC Ceará onde criou e coordenou, entre outros projetos, a Mostra SESC Cariri de Culturas. Foi a responsável pela curadoria do projeto “Traga a França para os meus versos e leve os meus versos para França”, dentro da programação do Ano França/Brasil na Universidade de Poitiers e criou a Mostra SESC Luso-Brasileira, em Coimbra/Portugal. Por 13 anos foi a curadora representante do Ceará nos projetos Palco Giratório &#8211; Rede Nacional de Difusão e Intercâmbio das Artes Cênicas e Sonora Brasil &#8211; Formação de Ouvintes Musicais. Sócio-fundadora da Ong BEATOS &#8211; Base Educultural de Ação e Trabalho de Organização Social. Realiza palestras e oficinas sobre Gestão Cultural em diversas regiões do país. Vencedora do Prêmio Claudia 2012 (maior premiação feminina da América Latina realizada pela editora Abril) na categoria Cultura. Atuou como Membro do Conselho Estadual de Cultura do Ceará, consultora da Associação Teatro da Boca Rica e Professora convidada do Curso de Gestão Cultural do CPF – Centro de Pesquisa e Formação do SESC SP. Desenvolve trabalhos e pesquisa na área de tradição popular. Secretária de Cultura do Município de Crato (2013-2016). Coordenadora do Escritório Regional de Cultura Cariri/SECULT CE e Escola Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption>CONHEÇA NOSSA LOJA VIRTUAL!</figcaption></figure>



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<p style="text-align:center" class="has-small-font-size">Algumas imagens que estão na Trama foram enviadas pelos autores sem as devidas referências. Se, porventura houver imagens sobre as quais você tenha os direitos sobre ela,  por favor entre em contato conosco através do e-mail: fredericolopes@artebodoque.com.</p>
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		<title>Altear</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 14:30:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Marize Moreno]]></category>
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		<category><![CDATA[Rodrigo Milanni.]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marize Moreno</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A leveza pode subir aos céus, sem cortes, sem peso, com o vento alcança o divino.</p>



<p>Na terra, cortes, a fragilidade é o pedaço de espelho que agora pontiagudo ameaça, seu reflexo é material, tem um ângulo que não é o da luz.<br>Mulheres e Homens, e outros tantos gêneros. Mas fiquemos com mulheres e homens. E deus que é o próprio ser, junção de tudo que existe e existiu, em sua historicidade tentou definir ângulos, cores, formas. Isto é do feminino, isto masculino. A e O, reta e curva, círculo e quadrado.</p>



<p>Mulheres, teciam, preparam comida e cama. Em mulheres se deitam.</p>



<p>O livro ali compõem-se em tecido que acolhe, em linha que fura e une, em folhas e flores que secam, em textos que fixam histórias.</p>



<p>&#8220;Pois fique sabendo que você também não é perfeito&#8221;, e os fatos e frases se repetem, num sussurro altamente perceptível.<br>Tecerei o manto da vida até o fim dos dias, e nesta extensão encontrarei os amores que decerto abrirão algumas fissuras, os rasgos previstos que não são ação do tempo nem das traças.</p>



<p>Dormirei em boca seca, procurando algo nele, arrancado de mim.</p>



<p>Serei sua mãe, sua avó, neta e filha. Deitarei as noites, acordarei aos dias, ficarei aos dias, esperarei o tempo, costurarei eu mesma, com flores e folhas de um chão para saber que eu piso, estou no mesmo tempo que você e eu sentarei para te mostrar, uma linha atravessa até o outro lado, você pode ver? volto a ponta que levemente fura meu dedo, consegue ver? faço uma reta em preto, prego a folha rosa sobre o pano quase branco, que um dia também foi flor, e que outras mãos</p>



<p>colheram, outras mãos fizeram, outras mãos trouxeram, e através do tempo as coisas se alteraram.<br>As mulheres colhiam, teciam, as mulheres deitavam.</p>



<p>Em pérolas cobrirei os pontos carcomidos do teu passado, em anéis de vínculos eternos.</p>



<p>&#8220;Não peça nada quando o cônjuge estiver com fome&#8221;, Coma com tua boca imunda qualquer rastro de sangue e algo que doa. Com seu útero encolha, retorça, trema. Com ameaças de um outro desejo, agnus-castus sobre tua colcha. Nada te faltará.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/DSC0009.1-1.jpg?fit=606%2C557&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1016" /><figcaption><em>Renda-se, de Rodrigo Milanni</em>.</figcaption></figure>



<ul class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/DSC0009.1-1-1.jpg?fit=606%2C557&amp;ssl=1" alt="" data-id="1018" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1018" class="wp-image-1018" /><figcaption><em>Renda-se, de Rodrigo Milanni</em>.</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/WhatsApp-Image-2019-07-08-at-13.47.02.jpg?fit=606%2C834&amp;ssl=1" alt="" data-id="1017" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1017" class="wp-image-1017" /><figcaption><em>Renda-se, de Rodrigo Milanni</em>.</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/WhatsApp-Image-2019-07-08-at-13.48.55.jpg?fit=606%2C848&amp;ssl=1" alt="" data-id="1019" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1019" class="wp-image-1019" /><figcaption><em>Renda-se, de Rodrigo Milanni</em>.</figcaption></figure></li></ul>



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<p><strong>Marize Moreno</strong> é artista com interesse em pesquisa em mulheres artistas brasileiras, atua também no setor educativo do MAMM.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.estantevirtual.com.br/atenabookstore"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cc5-publicidade-atena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>Café Latte</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 14:13:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>
		<category><![CDATA[café latte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Pedro Fonseca</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> A cena se dá ao livre em um<br> Café cheio de mesas&nbsp;<br> do lado de fora<br> não pinto aliás a cena, mas sim seu&nbsp;<br> efeito em mim:<br> meninos tentando parecer crescidos<br> ao lado e a todo redor é&nbsp;<br> o que mais se vê<br> Fala uma moça que a<br> filha deva se candidatar a&nbsp;<br> vereadora – ela ri, olha para<br> os lados com vergonha como<br> se fosse a vergonha de esconder<br> esse desejo<br> Outro moço, mesa ao lado<br> quer investir em <em>marketing</em> –&nbsp;<br> sua amiga lhe dá dicas do<br> que é imprescindível como&nbsp;<br> por exemplo<em> instagram</em><br> (ele segue anotando tudo em seu <em>notebook macbook</em>)<br> o <em>instagram</em>, não esquecer, <em>post-its</em>, notas<br> há de se investir pesado no <em>instagram</em><br> Mesa da frente, um encontro entre&nbsp;<br> velhos amigos todos de uniforme<br> das Casas Bahia<br> são inevitáveis, percebo<br> são inevitáveis as marcas os <em>brandings</em>&nbsp;<br> o <em>merchandising</em> nas mesas<br> de café que adentram o texto<br> é inevitável ouvir o brilho na fala<br> e a banalidade da voz<br> quando dizem os nomes&nbsp;<br> dessas coisas todas que inventamos os<br> nomes próprios das coisas enquanto<br> desenhamos logomarcas na mente<br> cantamos <em>jingles</em>&nbsp;<br> ecoam <em>slogans</em><br> e bebemos café gelado pois faz calor<br> Porções de pastel e o grupo das<br> Casas Bahia tirando uma <em>selfie</em><br> mais ao longe porque já vão embora&nbsp;<br> os sorrisos encenados estendendo longamente<br> a vogal EEEEEEE em gritos moderados –&nbsp;<br> Ao meu lado uma garotinha&nbsp;<br> que entendi se chamar Sofia<br> pede à garçonete um suco de couve<br> suco verde <em>detox</em><br> o <em>branding</em> do momento: sucos verdes e <em>detox</em><br> Sofia,<br> diria meu avô,&nbsp;<br> está surfando na crista da onda.<br> Logo atrás de mim,<br> duas moças brindam com tintin,<br> eu leio seus lábios facilmente<br> como leio esses espaços<br> onde vamos porque queremos<br> prestar atenção<br> perder uma tarde<br> às vezes os dois<br> são dias de sobrevoo.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Pedro Fonseca</strong> é artista visual em fase de dar tempo às coisas. Enquanto isso, transita entre a escrita, o desenho e a fotografia como forma de leitura de mundo. Atualmente, está finalizando o mestrado em Artes, Cultura e Linguagens na UFJF. <a href="https://cargocollective.com/pedrofonseca">Portfólio</a> &#8211; contato: psfonsec@gmail.com</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#b39135" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">Comente aqui em baixo o que você achou deste texto!</p>
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		<title>Os Poucos Traços de Agathe Sorlet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 13:28:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[traços simples]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marcus Cardoso</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">É preciso se despir das hachuras e do olho que busca um ponto de fuga renascentista, quando pensamos em pormenores: com poucos traços, com mínimos movimentos com a mão, é possível criar mais sensibilidade do que muita coisa. Cada pinta miúda que nasce com um mínimo resvalar da tinta, cada pingo absorvido pelo chão irregular do papel. A linha clara da francesa Agathe Sorlet nos propõe isso.</p>



<p>A França tem uma tradição gigante nesse traço de linha clara: Vide a influência enorme de Hergé (TinTim) e as aventuras<br> de Spirou, que estão saindo no Brasil belissimamente pela SESI-SP Editora.<br> Agathe transforma a linha em detalhe e, com poucos movimentos, toca:<br> desmonta: deságua. </p>



<p>A simplicidade do desenho faz com que, através da imaginação, qualquer pessoa possa se reconhecer. E a cada quadro, a cada lance de braços, de pernas, de corpos, nos espelhássemos e nos víssemos ali: quase uma <em>mimesis</em> invertida.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-15.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-991" /><figcaption><em>Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-15</em></figcaption></figure>



<p>No caso da imagem acima, é estupendo como em apenas três momentos nos vemos imersos na intimidade do casal, sentindo o ar daquele instante, a leveza de uma brincadeira de inverno. Interessante observar como a expressão dos olhos nos contam muito mais do que a boca: os olhos, esses espelhos, é que nos guiam e se expressam. Como na imagem abaixo, em que a noite vai passando através das posições, e é impossível não lembrar da sensação de pele contra pele que os desenhos trazem: das pernas entrelaçadas e cerzidas, do peito-colo-porto, do cheiro do sono ou do frescor da roupa do outro na sua frente. O outro, esse intransponível, parece até mais simples nesse traço.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-16.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-992" /><figcaption><em>Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-16</em></figcaption></figure>



<p><em>É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma</em>, dizia Calvino. E<br> a escolha das cores traz essa leveza precisa que o pássaro, mesmo mais<br> pesado que o ar, conquista: a única cor chapada, em contraste, cria um charme característico, uma forma de levitar cada vez mais o cotidiano, o instante chã. Aquilo que menos aparece mas o que mais importa. Na ilustração abaixo, em que as mulheres se unem pelo negativo do biquíni, que se mescla com o fundo, uma leitura possível fosse a ligação das mulheres pela opressão social de não poderem ficar nuas na praia. Isso contrasta com a serenidade em que elas descansam, amalgamadas. As linhas se confundem e o que resta é só afeto, calmas explosões de afeição entre uma e outra. Um silêncio compartilhado e nada incômodo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/ballpit-mag-featured-artist-324-01-min.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-993" width="580" height="580" /><figcaption>ballpit-mag-featured-artist-324-01-min</figcaption></figure>



<p>A simplicidade com que Agathe trata o sexo é certeira: punge e ataca o<br>tabu com que isso corre na sociedade: uma transa que suspira transe, que é<br>feita de calor e pele, de suor e beijos, de apertos e imensidões. Em seus<br>desenhos, um abraço é tão sensual quando qualquer outra coisa, pois dito que é no poro que a química acontece: são nesses corpos simples, corriqueiros, cotidianos, seculares, que o desejo brota e desliza. São nessas situações em que fazemos moradia, em que construímos laços, na qual derretemos por vontade. Os pelos se eriçando com a boca no pescoço e cada átomo de linguagem corre fazer um cafuné.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/61704165_410071919842649_6466581681771937927_n-1.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-994" /></figure>



<p>Agathe é simplesmente avassaladora apesar de simples: pois é no detalhe que tudo se guarda: é no pouco que o muito se cria: é naquilo que não vemos em que a vida se dá. Não há mais o que dizer aqui. As palavras serão sempre essa falha, essa vontade incabível de abarcar o todo, de explicar o tudo. </p>



<p>Acessem seu instagram (<a href="https://www.instagram.com/agathesorlet/">@agathesorlet</a>) e mergulhem fundo em como poucos traços nos atravessam sem parar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Marcus Cardoso</strong>, historiador de formação, mestrando, músico&#8230; Faz tanta coisa que acaba não fazendo nada. E, se somos o que fazemos, então é isso: um grande nada que acredita piamente que a salvação do mundo está escondida em um haicai.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.estantevirtual.com.br/atenabookstore"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/PUBLICIDADE-ATENA.png?fit=606%2C341&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" /></a></figure>



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<p style="text-align:center" class="has-small-font-size">Algumas imagens que estão na Trama foram enviadas pelos autores sem as devidas referências. Se, porventura houver imagens sobre as quais você tenha os direitos sobre ela,  por favor entre em contato conosco através do e-mail: fredericolopes@artebodoque.com.</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/08/04/os-poucos-tracos-de-agathe-sorlet/">Os Poucos Traços de Agathe Sorlet</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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