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	<title>Arquivos Ano 001, N 009 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Juntar Tecidos</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 20:32:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[juntar tecidos]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Mãos ágeis costuram retalhos coloridos<br>Novo ballet dedos dançam entretidos<br>"Não penso em nada<br>Enquanto estou costurando"<br>A alma silenciada<br>Em si vai mergulhando<br>"É quase uma meditação<br>Mente vazia"<br>É uma quieta introjeção<br>Self primazia<br>O captain! My captain! Vibra a consciência<br>Bela orquídea em plena florescência<br>Juntar-se a si para juntar-se aos outros<br>O que cabe no coração?</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gabriel Lopes Garcia </strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cc5-publicidade-atena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" data-recalc-dims="1" /></figure>
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		<title>Selva na Pedra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 20:20:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[pedra]]></category>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[selva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Esses seus pequenos e sutis detalhes que tenho encontrado, fazem das minhas frágeis e cansadas pernas, mais uma vez fortes, ansiando aprofundar as raízes em busca de vida. </p>



<p>Eu só desejo que elas sejam mais profundas que as paredes do seu labirinto.</p>



<p>Eu gostaria de proteger o caminho de seu labirinto, desse sol desgastante que desbota suas paredes.</p>



<p>Eu não temo as tempestades, em sua tempestuosa ira, o tempo joga em nós toda a força da água, água que desce para as raízes e assim, forte eu cresço, e me torno vigia de seus caminhos, me torno descanso para as aves que voam alto e retornam à procura de refúgio nas tormentas.</p>



<p>A dureza e frieza do concreto de suas paredes, envolvidas pelos leves ramos, misturam nossas cores, nossos temores.</p>



<p>De seus muros eu vejo brotar vida, vejo escorrer águas frescas que renovam a mais frágil relva para o dia de desgaste e entrega que se aproxima.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Kariston França</strong> é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cc5-publicidade-atena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-small-font-size">Algumas imagens que estão na Trama foram enviadas pelos autores sem as devidas referências. Se, porventura houver imagens sobre as quais você tenha os direitos sobre ela,  por favor entre em contato conosco através do e-mail: fredericolopes@artebodoque.com.</p>
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		<title>A Escrita como Processo Criativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 20:13:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[processo criativo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bodoque Artes e ofícios</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nos videos anteriores da série da Bodoque sobre o ato criativo, vimos o que é de fato a criatividade e demonstramos 05 maneiras como você pode ser mais criativo.</p>



<p>Hoje, abordaremos a importância da escrita para esse processo, e sua contribuição para o desenvolvimento intelectual do ser humano!</p>



<p>Confira o vídeo clicando <a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1cPYLn-ZG4">aqui!</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>A Bodoque Artes e ofícios</strong> é um atelier de encadernação artística, restauro e soluções artesanais criativas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>A Jornada é o Destino.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 19:49:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[alpinista]]></category>
		<category><![CDATA[artista]]></category>
		<category><![CDATA[escalada]]></category>
		<category><![CDATA[montanha]]></category>
		<category><![CDATA[obra de arte]]></category>
		<category><![CDATA[processo de criação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Uma alegoria interessante para entender o processo de criação de um artista, seria fazer uma comparação, por exemplo, com a relação entre um alpinista e uma montanha. Eu sei, parece algo distante, mas não desista do texto ainda.&nbsp;</p>



<p>Você já deve ter se perguntado alguma vez: o que leva um indivíduo a escalar uma montanha? Qual o sentido de gastar tanta energia e despender tanto tempo para chegar no ponto mais alto e, em seguida, descer? </p>



<p>Ao nos debruçarmos sobre o ato de escalar uma montanha, a motivação do alpinista pode nos parecer tola e controversa devido à periculosidade da ação à qual ele se propõe a executar, mas, sobretudo, na aparente falta de sentido de subir uma montanha para descer.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8f13c-2812a1eaa83726930f2968f3c51b5aff31dbb07c-768x432-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1279" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Alpinistas se aproximam do cume do Everest, em 17 de maio de 2018 &#8211; AFP/Arquivos</em></figcaption></figure>



<p>Sobre essa ação em especial, podemos observar que o ato do alpinista nos intriga de um modo muito peculiar porque buscamos um objetivo concreto, um resultado mensurável para dar significado ao esforço do alpinista. No entanto, veja bem: se o objetivo do alpinista for chegar ao cume, poderíamos inferir que se um helicóptero facilmente o levasse ao topo da montanha, ele iria satisfazer sua inquietação. Certo? Ou se a beleza da paisagem, por exemplo, for sua inclinação objetiva, ao chegar aos pés da montanha e contemplar sua suntuosa e imponente beleza, o alpinista poderia virar as costas e retornar satisfeito? Correto? Nesses dois casos, será que sua inquietação seria saciada?&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A resposta é não. Não porque a jornada é o destino. E o verdadeiro objetivo.</p>



<p>A estrutura completa da jornada do alpinista só faz sentido entendendo que o processo é a parte mais importante. O percurso, forjará o alpinista em compromisso com seu propósito, fazendo com que ele possa se relacionar com a montanha e com sua mais profunda subjetividade. </p>



<p>Ao encarar uma montanha, o alpinista encara a si mesmo em sua versão mais frágil, sensível e humana, criando e resolvendo conflitos mentais que apresentarão à ele outras versões de si mesmo, outros processos e produtos de sua percepção. </p>



<p>O cume só faz sentido para o alpinista que enfrentou sua própria jornada de autoconhecimento e superação, o que eleva seu propósito ao chegar no ápice de sua caminhada, e proporcionar à si mesmo, a contemplação do precioso resultado. </p>



<p style="background-color:#ca9e26;color:#ffffff" class="has-text-color has-background">Essa jornada apresenta à este indivíduo dicotomias que fazem com que ele perceba que é frágil e forte, sensível e indiferente, covarde e corajoso ao mesmo tempo. Isso porque a maioria de seus sentimentos e sensações derivam precisamente deste processo. Assim sendo, sua coragem, surge ao enfrentar seus medos, e a sensibilidade é desenvolvida ao se perceber pequeno e insensível. Deste modo, a grandeza de sua jornada, está na percepção e entendimento de sua pequenez e insignificância diante da monumental e imponente presença da montanha.</p>



<p>Por outro lado, assim como o alpinista, o artista precisa enfrentar os desafios da criação para chegar à melhor versão de sua proposição artística. Ao se propor o ato criador, inúmeros processos mentais são inaugurados, e existem apenas no momento da criação. O que faz com que o artista se depare com sensações e percepções diferentes, e, deste modo, é convidado à solucionar problemas inerentes ao processo da Arte.&nbsp;</p>



<p>Ao adentrar no território das artes através da sua relação com a obra em processo de criação, não há referencial exato para os problemas que estão em ebulição no pensamento do artista. O ineditismo da experiência de criar cada proposta artística, se assemelha à cada jornada de cada alpinista, pois toda montanha é única e proporcionará uma experiência diferente, portanto, outras relações e percepções serão estimuladas. Escalar a mesma montanha em momentos diferentes apresentará problemas e percepções diferentes. Assim como no ato criador do artista.</p>



<p>Portanto, diante de um obra de arte em um museu ou galeria, por exemplo, estamos encarando o resultado de um processo muito mais profundo e intrigante. Podemos pressupor os motivos de suas escolhas, indagarmo-nos acerca da intencionalidade da proposição, ou até mesmo questões sobre o significado do produto artístico que se apresenta à nós. Mas precisamos ter sempre em mente que o processo é o trabalho. E o trabalho é em si, o que há de mais valioso neste processo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://nacoesunidas.org/fao-257-milhoes-de-pessoas-passam-fome-na-africa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f5c90-teste3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1469" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Devemos aos nossos filhos &#8211; os cidadãos mais vulneráveis de qualquer sociedade &#8211; uma vida livre de violência e medo. </em>                                                       Nelson Madela</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>Não Rabisca? Arrisca.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 19:26:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[caderno]]></category>
		<category><![CDATA[Camilla Cossermelli]]></category>
		<category><![CDATA[desenho]]></category>
		<category><![CDATA[ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[inspiração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Camilla Cossermelli</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Todo mundo sabe desenhar. Sim, todo mundo. É que tem toda uma aura em torno do que é ser artista, do que significa “saber” desenhar, ou ao menos de ter a coragem para expor uns rabiscos que saíram com alguma sensibilidade de um momento de entusiasmo. Mas a verdade é que você já fez isso. Bastante. Talvez você até tenha ainda alguma obra sua guardada na gaveta. Onde estão seus desenhos de quando você era criança?</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Mas enfim: a gente cresce, a vida acontece e a gente esquece. Só que tem quem continue riscando papel. E ao contrário do que o imaginário sobre o artista propaga, existe muito processo, muito erro e muito suor envolvido nisso tudo. Mais do que qualquer coisa, na verdade.</p>



<p>É aí que entra o nosso maior cúmplice: o caderninho. Numa vida, vão-se vários, múltiplos, dezenas. Páginas costuradas que absorvem a tinta dos impulsos e as imagens que as retinas não formam sozinhas, acompanhando os rabiscos toscos, os esboços legais, as canetas vazadas, as ideias efêmeras e o nascimento e desenrolar de projetos que extrapolam os limites de um A5. O importante é que o caderninho não julga: ele tá ali pra receber o que vier, desde que venha de você.</p>



<p>Fora isso, existe um clichê do artista que é, sim, dolorosamente real: a inspiração não tem hora nem lugar pra chegar. Chega a ser meio rude. Mas já que não tem muito o que fazer – porque essa é uma visita que a gente espera tanto que, quando chega, nem dá pra reclamar –, a melhor solução que encontrei até o momento é o costume que aprendi com um amigo meu, artista plástico. Ele me ensinou muitas coisas úteis, mas talvez essa seja uma das mais valiosas: lugar de caderninho é debaixo do braço, pra cima e pra baixo, de um lado pro outro, sempre com a gente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/05bd3-img_2666.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1273" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Sim, é um hábito, sim, tem vez que a gente sai de casa e esquece em cima da mesa, sim, é meio chato de carregar se a gente sai sem mochila ou bolsa, sim, desenhar em lugares públicos com certeza se tornou uma das minhas coisas favoritas da vida. Tem um ponto em especial que gosto sobre isso que é registrar os retalhos do cotidiano numa colcha já costurada, o caderno. O sentimento é aquele de abrir um olhar para as coisas que normalmente passariam batido. A gente resgata a fisgada de atenção que o ambiente provocou na gente e a disseca, antes que se dissolva na rotina, como tantas vezes antes. E isso fica marcado no nosso pequeno-grande diário, legível apenas por sensações.</p>



<p>Quando o caderninho termina, aí são mais outros quinhentos. A gente volta folheando os rabiscos, as fases, os dias, os humores, os pensamentos e vê ali entre as capas um pedacinho da gente. Tem páginas que eu odeio, outras que eu amo, algumas que dobro para que nem eu veja mais – mas todas, sem exceção, me fazem sentir alguma coisa. Guardo todos os meus caderninhos como álbuns de foto ou recordações de viagem.</p>



<p>Enfim, tudo isso pra dizer: se você ainda não tiver esse hábito do caderninho, comece. É, no mínimo, uma experiência. No máximo, pode ser tanto.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Camilla Cossermelli</strong> é redatora, poeta e artista visual, não necessariamente nessa ordem. Formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP, desenvolve seu trabalho de forma autônoma, reunindo os retalhos que coleciona da vida cotidiana. Conheça o trabalho da Camilla no <a href="https://www.instagram.com/camilla.coss/">Insta</a> ou mande um e-mail direto pra ela: camillacoss@gmail.com.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>A Colonização da Arte: Um Ensaio Sobre Processos de Composição Musical.</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 19:12:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
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		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[originalidade musical]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Pensar em originalidade musical me remete ao Papa Gregório na Alta Idade Média (século VI) e é daqui que partiremos para pensar processos de composição musical. Gregório trouxe para o âmbito daquilo que era a expressão máxima do divino – a saber a Instituição Igreja – uma prática pública que era constantemente associada às devassas camponesas, por exemplo. As continuidades em vista de deveras transformações são claras: a originalidade converte, se passa de auto explicação e amplia sua atuação. Do profano ao sagrado, a música entrou nos templos pela porta da frente, sendo agora ferramenta de uso devocional, com suas devidas regras e estilísticas, ao mesmo tempo em que a manutenção de seu uso fora dos templos era feita pelos degredados do paraíso.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75237-imagem-trama-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1309" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/46a9b-imagem-trama-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1310" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A música encontrou lar plural pela capacidade de adaptação. De fato, a sua existência parte do princípio de que há uma demanda pela tradução dos sentidos presentes nas relações humanas e, até mesmo, com o divino. Ao fim e ao cabo, música é uma moldura composta por diferentes expositores. Pessoas criam música. Pessoas dão nome a sua arte. A arte é plural.</p>



<p>Uma arte que não respeita sua regra máxima, a saber, a proposta da originalidade, abdica de uma identidade própria e desconfigura ainda aquele que a expõe. Música enquanto processo artístico possui o seu lugar ao sol, possui função social e, por isso, mais do que demanda, mas tem por ímpeto uma autenticidade em todo o seu processo de construção, tendo em vista que esta responde a afirmação de identidades, marginalizadas ou não, ao longo da própria história.</p>



<p>A partir da metade do século XVIII, nota-se que o cenário musical começava a se sobrepujar dos grandes templos e respondia, de forma pública e comercializável, os anseios daqueles que queriam contatar essa arte, seja para apreciá-la de uma forma &#8220;inofensiva&#8221; ou para buscar nelas respostas para os grandes blocos de dúvidas existenciais que sempre nos cercaram.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/652ab-imagem-trama-6.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1311" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Wolfgang Amadeus Mozart</em></figcaption></figure></div>



<p>Fazendo um grande salto no tempo, faço referência ao século XX enquanto um tempo de profundas transformações e respostas sociais, políticas e econômicas sobretudo no ocidente. De forma mais precisa, a indústria fonográfica brasileira teve o seu auge gestado pelas novas demandas do século citado. Muda-se o ouvinte, portanto, muda-se os seus questionamentos, incertezas, desconfortos e indagações com o presente. Assim, um aspecto importante que esmiuçarei é: muda-se o “fazedor” da arte, portanto, muda-se os seus questionamentos, incertezas, etc infinita… muda-se o seu propósito de composição e, consequentemente, produção. Sobrevivemos ao século das possibilidades e entramos no XXI, tendo como perspectiva, novos horizontes. Estamos em 2019 e a demanda mercadológica se sobressai àquilo que, de fato, nos mobilizava nos processos de composição: a autenticidade. Em análise macro dos temas musicais mais apreciados pela sociedade contemporânea, nota-se uma sequência rítmica e um vocabulário padronizado, que é julgado a partir de uma mercadologia excludente.</p>



<p>Como visto inicialmente, música não perde sua função pela falta de autenticidade, ela se adapta para responder o que de mais distinto há. Todavia, perde e desconfigura sua essência, ou melhor, a essência daquele que a cria. Perder-se no processo e abdicar-se de uma identidade própria é um dos fatores mais comuns que se faz de forma inconsciente, e, triste é perceber o descarte identitário feito de forma consciente para atender um mercado. Nesse sentido, atender a um mercado cristalizado não é um pecado capital para o artista (quem sobrevive de arte sabe o valor que o reconhecimento tem). Seu maior pecado é medir arte pela suficiência ou insuficiência de sua produção, rendendo-se ao molde e tornando-se só mais um.</p>



<p style="background-color:#d0a01b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background">Se a escrita demanda um estudo linguístico e a construção melódica uma teoria musical, penso se de fato expomos nossos trabalhos por representação e compromisso, ou se as prisões criativas tornaram tudo enfadonho, a ponto de nos expor a pior das situações: o plágio consciente.</p>



<p>É necessário descolonizar a nossa arte das pressões e índices externos que nos condicionam a um processo de criação que não é articulado por nós, porque, enquanto existir uma subserviência explícita a uma regra para exposição artística, haverá um óbito criativo que – em linha reta – guiará ao abismo da não-criação, e que ao contrário de criar algo, consistirá em repetição, nos tornando, assim, insensíveis para o que, de fato, a música tem como função, a saber, anunciar as minúcias da vida e as relações que a cercam.</p>



<p><strong>Descolonize sua arte!</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cc5-publicidade-atena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" data-recalc-dims="1" /></figure>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 18:50:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[efêmero]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[João Batista]]></category>
		<category><![CDATA[modernidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Batista</p>
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<p class="has-drop-cap">Você já se perguntou qual é a real importância de uma fotografia? Trato aqui em uma perspectiva puramente pessoal, longe dos fins comerciais e de divulgação, inspirado por um texto compartilhado aqui na Trama: <em><strong>Ver ou ser visto</strong></em>, de Lucas Menezes.</p>



<p>Fico impressionado com a quantidade de momentos que desperdiçamos pela obsessão da busca por um clique perfeito. Uma pose inédita, um plano de fundo, um olhar 43&#8230; combinação perfeita para alguns instantes de sucesso naquela rede social.&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">E onde foi parar aquele frio na barriga? Aquela ansiedade quase infantil da espera por um novo passeio? É neste momento que vai tomando forma e ficando cada vez mais claro a percepção da inversão dos valores do que é real pelo virtual.</p>



<p>Me afastei por um momento e sentado em um banquinho velho de madeira improvisado, de frente para o mar, enquanto a brisa agitava os cabelos já despenteados e queimados de sol, cliques de smartphones soavam como tiros de garrucha em meio a uma verdadeira guerra de vaidade.</p>



<p>Parei, fechei os olhos, respirei fundo e por alguns instantes fiquei ali, imóvel&#8230; Não olhei, nem me posicionei, apenas senti&#8230;</p>



<p>Não venho montado em uma alegoria de hipocrisia pra dizer que não existe seu valor, porém, acredito que cada momento seja único e não é possível ficar o tempo todo guardando-o nesta caixinha mágica de luz e sombra. Não em sua plenitude, não em sua essência.</p>



<p>Naquele momento, usar essa oportunidade única para experimentar os sons e sabores, o toque e as cores, certamente traria algo muito mais valioso para ser guardado em outro lugar, muito mais importante: no coração!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>João Batista</strong> é Vigilante e entusiasta das artes. Apaixonado por música e cinema. Prefere os clássicos às tendências da modernidade.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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