<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Ano 001, N 017 - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/category/edicao-17/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/category/edicao-17/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 May 2022 17:01:29 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>Design Gráfico Brasileiro e os Cartazes Culturais dos Anos 60</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/design-grafico-brasileiro-e-os-cartazes-culturais-dos-anos-60/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/design-grafico-brasileiro-e-os-cartazes-culturais-dos-anos-60/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[anos 60]]></category>
		<category><![CDATA[cartazes]]></category>
		<category><![CDATA[design brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Design gráfico]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Coutinho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3143</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Coutinho</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/design-grafico-brasileiro-e-os-cartazes-culturais-dos-anos-60/">Design Gráfico Brasileiro e os Cartazes Culturais dos Anos 60</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Imagino que muitos leitores da Trama já devem saber que a década de 60 foi um período muito fértil para a arte brasileira, no geral. Vale lembrar que no âmbito internacional, foram nos anos 60 que os movimentos sociais, de contracultura e as rupturas do mundo artístico “moderno” atingiram seu auge. O modo de pensar e criar modernista começa a dar lugar para uma abordagem mais contemporânea, que viria a contemplar e valorizar a mistura e apropriações de linguagens (inclusive a moderna), bem como assimilar e fazer uso das inovações tecnológicas da época. E o Brasil não ficou para trás nesse processo.</p>



<p>Considerado um período de revolução cultural no país, a década de 60 nos proporcionou produções e experiências interessantes nos campos das artes visuais, cinema, música, teatro, dança, literatura, moda, e claro, no design. Juntamente com artistas visuais, designers foram responsáveis em “dar a cara” e determinar a linguagem visual de produções na música, teatro, cinema e de importantes movimentos musicais como a Tropicália, cujo principal designer/artista visual foi Rogério Duarte (sobre quem espero poder falar, em breve, aqui na Trama).</p>



<p>Os anos 60 foram muito ricos em acontecimentos no Brasil e no Mundo, tornando difícil a tarefa em tentar relatar e contextualizar tudo o que se passava. Porém falando sobre design gráfico brasileiro, comentar rapidamente sobre alguns dos trabalhos icônicos da época e que de alguma forma falam sobre o que se passava no período. Para tal me limitei a comentar sobre alguns cartazes culturais, cujo objetivo era divulgar espetáculos teatrais, filmes e exposições. Para essa escolha me apoiei na curadoria do livro <a href="https://elaineramos-estudiografico.com.br/Linha-do-tempo-do-design-grafico-no-Brasil">Linha do tempo do design gráfico no Brasil</a> de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos, que inclusive recomendo a leitura.</p>



<p>No livro citado, o autor cita o cartaz da 6ª Bienal de São Paulo (1961), projetado por Luís Osvaldo Vanni, que abre a década com total irreverência. A limpeza e concisão modernistas, presentes nos cartazes das bienais anteriores, são deixadas “por meio da tematização da desordem escondida sob o parente sistema de ordem do padrão de retículas” (MELO, 2008, p.49). Homem de Melo comenta que é possível dizer que o cartaz antecipa o uso do ruído e da sujeira como recursos gráficos, fato que ganharia força nas décadas seguintes.</p>



<p>Em contraponto à desordem do cartaz de Vanni, a linguagem modernista ganha força no cartaz da bienal novamente em 1967. Projetado por Goebel Weyne para a 9ª Bienal de São Paulo, o cartaz demonstra um caráter altamente sistêmico, toda a composição gráfica foi cuidadosamente calculada, um ponto fora do lugar desestabilizaria toda a estrutura comunicativa desenvolvida no cartaz.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c179f-6-bienal.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3146" data-recalc-dims="1" /><figcaption>6ª Bienal de São Paulo, 1961 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24719-9-bienal.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3147" data-recalc-dims="1" /><figcaption>9ª Bienal de São Paulo, 1967 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Nesses dois exemplos já é possível perceber a riqueza cultural produzida nos anos 60, numa mesma década, dois cartazes produzidos para um mesmo evento – Bienal de São Paulo – admitem dois tipos de linguagem gráficas bem contrastantes entre si. O choque e a convergência das estruturas racionais modernistas e da complexidade instável contemporânea se tornam bastante comuns nos trabalhos de design gráfico, a partir de 1960.</p>



<p>O cinema nos trouxe mais exemplos dessa confluência de linguagens tão divergentes, apresentando cartazes com as mais diferentes soluções gráficas. Temos o cartaz do filme “Os Fuzis (1964)”, de Ziraldo, que além de mostrar o poder de seu traço, mostra como uma ilustração pode funcionar como design gráfico. Neste caso, sua ilustração “[&#8230;] estrutura a peça, cria impacto, estabelece uma relação magnética com o leitor, trabalha na escala do cartaz. Se pensarmos na presença da ilustração no design brasileiro, este cartaz é peça obrigatória.” (MELO, 2008, p.54). Ziraldo também foi capaz de encontrar outras soluções gráficas, que fugiam de seu estilo de ilustração tradicional. Um bom exemplo é o cartaz do filme “O assalto ao trem pagador (1962)”, onde o designer toma como referências os jornais populares sensacionalistas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a9415-fuzis-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3149" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Os fuzis, 1964 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce0d-assalto-trem-pagador.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3150" data-recalc-dims="1" /><figcaption>O assalto ao trem pagador, 1962 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<p>Temos também o cartaz feito para o filme de Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)”, cujo designer é Rogério Duarte. Talvez um dos cartazes mais emblemáticos já criados na história do design gráfico brasileiro, a peça gráfica faz uso de uma estrutura geométrica e racional, mas discute a complexidade e “trata-se de uma crítica ao design modernista feita por quem o conhece por dentro.” (MELO, 2008, p.51)</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/deus-diabo-terra-sol.jpg?fit=606%2C913&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3153" /><figcaption>Deus e o diabo na terra do sol, 1964 Fonte: Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, 2011</figcaption></figure>



<p>O psicodelismo vinha ganhando força nos anos 60, principalmente entre os jovens. Esse movimento influenciou fortemente o design gráfico e a publicidade da época e ele carrega a demanda pela complexidade advinda da chegada da televisão. O trabalho do designer Rogério Duarte para a Tropicália bebeu dessa fonte. Com o discurso da complexidade e fazendo uso de referências vindas da cultura de massa, da art pop e do psicodelismo, o trabalho de Duarte desenvolve universo de grande riqueza visual. Um dos resultados dessas referência aparece no cartaz para o filme Meteorango Kid &#8211; O Herói Intergalático (1969), de André Luiz Oliveira.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/meteorango-kid.jpg?fit=606%2C897&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3151" /><figcaption>Meteorango Kid, 1969 Fonte: Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<p>Infelizmente com a crescente e rica produção cultural no Brasil nos anos 60, veio também o recrudescimento das forças conservadoras sempre existentes no país, o que culminou no golpe militar de 64, manobra política que rompeu com boa parte do que melhor se produzia em cultura no país e que nos deixou máculas. Algumas que até hoje, principalmente em nosso contexto político, precisamos urgentemente superar!</p>



<p>Por hoje, paramos aqui, mas espero poder continuar discutindo design e gerando provocações para pensarmos o design de ontem e o de hoje enquanto meio de manifestação social, cultural, política e econômica.</p>



<p>Até mais!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>&nbsp;<strong>Gabriel Coutinho</strong> é um não designer, vira-lata, vivendo uma distopia.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#ac7e00" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-normal-font-size has-very-light-gray-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c7388-menino-poccca7o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2231" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/design-grafico-brasileiro-e-os-cartazes-culturais-dos-anos-60/">Design Gráfico Brasileiro e os Cartazes Culturais dos Anos 60</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/design-grafico-brasileiro-e-os-cartazes-culturais-dos-anos-60/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3143</post-id>	</item>
		<item>
		<title>2. Desesperança</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/2-desesperanca/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/2-desesperanca/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3170</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/2-desesperanca/">2. Desesperança</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O carro subia as ruas esburacadas daquele bairro até então inóspito para eles, que agora se tornaria o seu lar, enquanto ela segurava um pote de vidro cheio de água que mais parecia o capacete submerso de um escafandrista. Dentro do vasilhame um peixe flanava de um lado para o outro, num vaivém compassado pelos solavancos do automóvel, a dona se agarrando a ele determinada a que nenhuma gota caísse nem seu estimado companheiro de nome Floquinho sucumbisse sem água no chão daquele veículo. O rádio ligado tocava <em>Encontros e despedidas</em> ao som de Maria Rita. “Todos os dias é um vaivém&#8230;”. Parecia até que Floquinho ouvia a música, imerso em seu mundo de bolhas.</p>



<p>A poucos metros da nova morada, o homem pousara a mão na coxa esquerda da esposa, sendo retribuído com um sorriso. Entre todos esses anos juntos, esta era a pior crise pela qual passavam. Ele havia perdido o emprego na universidade federal em que trabalhara como vigilante devido ao contingenciamento financeiro imposto pelo Governo às instituições federais de ensino. E justamente por esse motivo mudavam de casa, conseguindo um aluguel bem mais em conta no subúrbio da cidade.</p>



<p>Quando encostaram, os homens da mudança já estavam a postos, com a porta traseira do caminhão aberta prontos para descarregarem os poucos pertences do casal amealhados com sacrifício e persistência. Ele saiu do veículo, mãos suadas devido ao esforço no volante e câmbio do automóvel antigo, deu a volta, amparou a esposa segurando o pote de vidro com o peixe dentro até que ela descesse. E, numa distração, suficiente para se criar fissuras, ao passar novamente o peixe a ela, o vidro escorrega de suas mãos e estilhaça no chão do asfalto, Floquinho salta duas ou três vezes em direção à grade de um bueiro, mergulhando em um de seus vãos rumo ao esgoto, para desespero de sua dona e o olhar incrédulo do marido. Como se não bastassem o desemprego, a mudança, a vida lá fora, espremida pela falta de perspectiva, o mundo sombrio, pobre, esquecido deles; e agora sem o peixe de olhos brilhantes para lhes dar um pouco de humanidade e senso de cuidado.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/81bf1-artesacc83o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2241" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/2-desesperanca/">2. Desesperança</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/2-desesperanca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3170</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Tão de Dentro</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/tao-de-dentro/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/tao-de-dentro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Lopes Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3159</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/tao-de-dentro/">Tão de Dentro</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Céu é quando<br>A consciência<br>Sorri serena...<br>Paz é quando<br>O coração&nbsp;<br>Bate sossegado<br>Fé é quando<br>O sonho<br>Aguarda paciente<br>Louvor é quando<br>A mente<br>Flui quieta...<br>Amor é quando<br>O eu se entrega<br>Em nós</pre>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Gabriel Lopes Garcia </strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-text-color has-background" style="background-color:#a17600">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/tao-de-dentro/">Tão de Dentro</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/tao-de-dentro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3159</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Margarida</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/margarida/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/margarida/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[#entrenossaslinhas]]></category>
		<category><![CDATA[#Margarida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3235</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Entre Nossas Linhas</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/margarida/">Margarida</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>

Era mais um daqueles dias que eu não sabia expressar em prosa e verbo. Era um dia quente no pé e frio na ponta da nuca. <br>Era um dia difícil de sorrir sabe? Era um dia de brincar de teatro, se esconder e inventar um personagem feliz.</p>



<p>Era um dia confuso.</p>



<p>Daqueles de sentir um formigamento no meio no peito até o dedo mindinho. Era quando minha voz se perdia no vento e eu virava invisível.</p>



<p>De sentir um caroço no pescoço, por não saber chorar<br>Que pesa o peito, me deixa tonta e louca <br>Apertada e esmagada<br>Era um dia de asfixia</p>



<p>Enfiei meus dedos na garganta pra sair a tempestade do meu coração <br>Vomitei chuva, trovões, raios e escuridão <br>Me acordem quando a luz voltar<br>-M.E.

</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong>Entre Nossas Linhas </strong>é uma página de Instagram criada por duas amigas que encontraram na arte de escrever um refúgio.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c7388-menino-poccca7o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2231" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato  revolucionário</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/margarida/">Margarida</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/margarida/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3235</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Ressentimento</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/ressentimento/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/ressentimento/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[@ressentimento]]></category>
		<category><![CDATA[#paulazambelli]]></category>
		<category><![CDATA[#quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[#tirinhas]]></category>
		<category><![CDATA[ilustração]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3240</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Paula Zambelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/ressentimento/">Ressentimento</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/ressentimento.jpg?fit=606%2C758&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3241" /></figure>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p> <strong>Paula Zambelli</strong> é Graduada em Psicologia, ilustradora e quadrinista. </p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/ressentimento/">Ressentimento</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/ressentimento/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3240</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Censura: Cultura Sob Ataque</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/censura-cultura-sob-ataque/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/censura-cultura-sob-ataque/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[#ataque]]></category>
		<category><![CDATA[#censura]]></category>
		<category><![CDATA[#fredericolopes]]></category>
		<category><![CDATA[#manifestaçõesartisticas]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3246</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/censura-cultura-sob-ataque/">Censura: Cultura Sob Ataque</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Bem, é tão surreal imaginar que hoje, neste exato
momento, existem mecanismos institucionais sendo criados pelo governo atual
para censurar manifestações artísticas e culturais no Brasil que esquecemos
que, em vários momentos ao longo da história, o Estado Brasileiro se
organizou&nbsp; para estender um de seus
braços articulados para dizer o que um jornalista pode ou não publicar, ou até
mesmo o que um artista pode ou não propor como arte. Por esse motivo, este é um
texto difícil de ser feito, no entanto muito importante e necessário.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Pra ser sincero, a verdade é que isso não deveria
nos impressionar. A globalização e os avanços conquistados por diversos
movimentos sociais, bem como as novas possibilidades tecnológicas de interagirmos
uns com os outros, nos mal acostumou a encarar a vida de forma cosmopolita e
com uma falsa ideia de liberdade. Pensando nos dias atuais, ademais das
manifestações mais antigas da censura, cabe destacar outros momentos onde ela
emergiu de maneira escancarada e violenta na história para entendermos a
situação atual.</p>



<p>Em 1559, em reação ao avanço do Protestantismo, o
Santo ofício passou a administrar a criação de uma lista de publicações que,
segundo a Igreja Católica, se opunham à doutrina pregada pela Igreja. Assim,
sob o pretexto de proteger os fiéis da corrupção e preservar os bons costumes,
foi criado o <strong><em>Índex Prohibitorium.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/INDEX-PROHIBITORIUM-1559-web.jpg?fit=606%2C998&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3248" /><figcaption><strong><em>Index prohibitorium, 1559. </em></strong></figcaption></figure>



<p>Escolhi falar da censura a partir do Index devido
à proximidade de sua lógica de implementação com a realidade de um país como o
nosso, cujas noções de ética e moral foram erigidas, entre outras influências,
principalmente pelas definições dogmáticas judaico cristãs. Aliás, essa matriz
ideológica, ocupa lugar central no Brasil desde sua fundação, e ocasionou, de
maneira desigual, uma espécie de deformação no tecido social brasileiro, onde
uma tendência conservadora nos costumes &#8211; que, cá entre nós, muitas vezes se
sustenta apenas na aparência das relações pessoais &#8211; se consolidou nas entrelinhas
das relações sociais.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Entre especulações e disputas ideológicas, o fato
é que a coroa portuguesa possuía a famigerada lista de livros. E eles não
poderiam circular nem nas alcovas do seu território originário, nem mesmo em
suas colônias. Além disso, Catequistas jesuítas atuavam com liberdade como
censores na então Terra de Vera Cruz, proibindo que indígenas brasileiros
mantivessem grande parte de seus hábitos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/Vitor-Meirelles-Primeira-Missa-no-Brasil-1861-web.jpg?fit=606%2C453&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3249" /><figcaption><strong><em>Vitor Meirelles: Primeira Missa no Brasil, 1861. </em></strong></figcaption></figure>



<p>Já o negro traficado para o Brasil, dispensa
explicações. Subtraído de sua terra ancestral com requintes de crueldade, sua
existência era negada enquanto ser humano. Ao negro foi censurada a
possibilidade de se exercer a vida em sua plenitude, condicionando-o à mero
utensílio em um sistema onde sua força de trabalho era o motor da lógica
econômica agrícola nas Américas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d58a1-jacques_etienne_arago_-_castigo_de_escravos_1839-web.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3250" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em> Jacques Etienne Arago &#8211; Castigo de Escravos, 1839.</em></strong> </figcaption></figure>



<p>Entre tantas outras maneiras de se exercer a
censura no Brasil Colônia e na República Velha, foi no Estado Novo, em 1939,
que o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado para se encarregar
da censura e da propaganda oficial do governo. Claro. Como poderiam estar
separadas? Sua estrutura e suas práticas foram criadas e seguidas à risca nos
moldes estabelecidos por Paul
Joseph Goebbel, ministro da Propaganda na Alemanha Nazista
de 1933 a 1945, que, por acaso, era mentor de Filinto Müller,&nbsp; chefe de polícia no Distrito Federal, que
sustentava robusta fama de torturador.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/35444-cartaz-departamento-de-imprensa-e-propaganda-web.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3251" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Cartaz Departamento de Imprensa e Propaganda</em></strong> </figcaption></figure></div>



<p>E foi justamente o remanescente DIP que atingiu o
seu esplendor de atividades após o golpe militar de 1964, chegando ao auge de
suas atividades a partir da promulgação do Ato Institucional número 5
(AI-5).Graças à ele, todo veiculo de comunicação deveria submeter suas pautas,
artigos e notícias à análise prévia de censores, assim como artista, músicos,
atores, diretores de teatro e demais trabalhadores da cultura. Tudo aquilo que
atentasse à moral, aos bons costumes e ofendesse a família nuclear moderna, era
passível de censura e punição. Em casos onde haviam suspeitas de tentativa de
eclosão de uma revolução comunista bolivariana à brasileira, a tortura era
ferramenta indispensável para garantir a ordem e estabilidade nacional. Assim,
militares do DOPS e DOI-CODI, se encarregavam de invadir ensaios de grupos de
teatros, espetáculos, shows, e até mesmo a casa de alguns artistas considerados
suspeitos. Revolucionários.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/12c72-protestos-contra-a-censura-reproducao-web.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3252" data-recalc-dims="1" /><figcaption> <strong><em>Protestos contra a Censura, Reprodução</em></strong> </figcaption></figure>



<p>Após a redemocratização, depois de intensa luta de
movimentos sociais, além da influência de grandes movimentos culturais que
ocorreram ao redor do globo, (vale lembrar que a terra não é plana), nossa
geração ocidental se acostumou com um planeta apaziguado pela criação de
sanções internacionais ante a violação de direitos humanos básicos, e as
características ideológicas que habitam as galerias subterrâneas do esgoto da
sociedade, alimentaram a chama da ascensão de novos regimes opressores na
escuridão da ignorância, passando despercebidas no cotidiano velado do
brasileiro comum.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Essa semana, vimos multiplicarem-se as notícias de
proibição de eventos culturais, performances artísticas e financiamentos
públicos que fomentam uma produção cultural plural, inclusiva, democrática e
acessível. Diante de tantas manobras entre as brechas dos textos da lei, o medo
se multiplica na classe artística. A retórica de preservação da moral e dos
bons costumes, da suposta resistência aos ataque que a família nuclear
tradicional vem sofrendo e o patrimonialismo disfarçado de falso nacionalismo,
já está colocada no campo de disputas, em posição privilegiada.</p>



<p>Entretanto, é do medo que se extrai a coragem
necessária para encontrar as oportunidades de mostrar ao mundo que a nossa voz
não pode ser calada, e as cores da luta daqueles que desafiaram a repressão em
prol da liberdade no passado, ainda estão estampadas no pele daqueles que
enxergam na cultura uma maneira de transcender a própria existência.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8c937-6-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2437" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, </em><br><em>amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/censura-cultura-sob-ataque/">Censura: Cultura Sob Ataque</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/censura-cultura-sob-ataque/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3246</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Os Livros, Esses Objetos Perigosos</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/os-livros-esses-objetos-perigosos/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/os-livros-esses-objetos-perigosos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[#autores]]></category>
		<category><![CDATA[#censura]]></category>
		<category><![CDATA[#livros]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3260</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Paulo Roberto Almeida</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/os-livros-esses-objetos-perigosos/">Os Livros, Esses Objetos Perigosos</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A história dos livros é
cercada de acontecimentos conflituosos. A exemplo, a invenção da Imprensa no
século XV, quando a impressão da Bíblia se tornou um dos símbolos da Reforma
protestante, o livro mostrou-se como um dos elementos mais suscetíveis de
engendrarem as revoluções. Em contrapartida, a destruição de livros foi uma das
ações de cerceamento mais realizadas através dos tempos, na tentativa de
sufocar o discurso dissonante. A imagem da Biblioteca Nacional de Sarajevo bombardeada
pelos sérvios em 1992 talvez seja a mais impressionante figura de destruição de
algo tão humano. É como se um imenso organismo estivesse morto diante de nós.
Uma imagem tétrica. &nbsp;</p>



<p>Há também as fogueiras de livros e, antes de existirem as bombas, elas são uma prática de destruição que remonta à antiguidade. Usadas como ações coercitivas, de igual forma serviram para calar os discursos e denunciar pessoas que possuíam obras proibidas. Em Atos 19:19, cristãos protagonizaram essa ação em Éfeso, voluntariamente, numa clara exposição de intolerância em relação à ciência. Prenúncio da Inquisição? Tanto religiosos como ateus viram nas fogueiras de livros uma ferramenta de controle de ideário, além de elemento renovador da cultura. Tempos depois, as mais famigeradas queimas de livros ocorreram a partir de 1933, durante o nazismo, uma perseguição aguerrida aos intelectuais judeus e opositores do regime. Hitler e seus seguidores promoveram essas queimas por toda a Alemanha, numa tentativa de “limpar” a literatura. &nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"> Autores como Freud, Marx, e Thomas Mann tiveram obras jogadas ao fogo, e houve certa indiferença por parte de setores da sociedade e de alguns países diante disso. Mas aqui evocamos o prognóstico do poeta Heinrich Heine, que parece ser o mais adequado a essa época: “onde se queimam livros, acabam por se queimar pessoas.” </p>



<p>Por outro lado, o controle
político também se deu através dos livros. Todos sabemos da história que
envolve <em>O livro vermelho </em>de Mao-Tsé
Tung, e sua leitura impositiva em prol da Revolução Cultural chinesa. Outrossim,
depois de alguns Concílios da Igreja, ficamos, no Ocidente, sob a influência de
Platão e da Bíblia. </p>



<p>No entanto, devemos, antes de
tudo, falar de como os livros enriquecem a nossa vida. Instrumentos de
transformação pessoal, eles são aquilo que mais nos representam: não consigo
passar um único dia sem me lembrar de um personagem, fictício ou real, que eu
tenha conhecido por intermédio deles. É uma questão não só de memória, mas
também identificação e de construção identitária. Eles nos revelam a nós
mesmos, e mostram algumas de nossas facetas que por vezes não vislumbramos.
Quem não ousa confidenciar que se tornou cúmplice e ao mesmo tempo juiz de
Raskolnikóv em <em>Crime e Castigo</em>? Ou
não sofreu com Gregor Samsa em sua angustiosa condição na<em> Metamorfose?</em> Quem não riu e chorou com o <em>Dom</em> <em>Quixote</em>? São miríades
de personagens e histórias que nos atravessam por intermédio dos livros,
milhões de vidas que somos possibilitados de viver, inventar em nossa própria
realidade, tornar o seu discurso em algo que nos inunda (para mim, sempre que
preciso, vou ao século XVI beber das lições de Montaigne, que me iluminam). Devo,
por isso, concordar com Borges, que afirmou que o Paraíso seria uma grande
biblioteca. E as histórias contadas a nós, através das tradições, não foram contadas
principalmente pelo fato de estarem registradas nos livros? Curiosamente, os
relatos dos povos ágrafos me dão a impressão de pessoas como livros vivos, como
em <em>Farenheit 451.</em> </p>



<p>E ainda a necessidade, cada vez mais premente em tempos como o nosso, em falar deles como objetos revolucionários, porque são instrumentos de transformação da mais radical, de um movimento sobretudo íntimo. Os livros são o antídoto para a nossa ignorância para com o que está além de nós. Permitem-nos ver o mundo. Lemos o mundo. Atacar o livro é atacar a própria liberdade, a manifestação de inventividade por excelência do espírito humano. A ação de censura do prefeito do Rio na última Bienal mostra que essa atitude está mais presente do que nunca. Estamos no século XXI e ainda há inquisidores que, legitimados por um discurso de intolerância que tomou o poder, agem em prol de uma suposta higienização, como nos outros tempos.&nbsp; </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"> A censura é o meio de se tentar tolher o que há de mais nobre na natureza humana: a sua relação com o outro, com a outra história, através da própria história.  </p>



<p> É por isso que, em contrapartida, os grandes movimentos renovadores de ideias, que alavancaram a humanidade, sempre começaram com o livro. Não se pode imaginar o Iluminismo sem a <em>Encyclopédie</em>. Os livros, como instrumentos de mediação, são o ponto central da construção de uma cultura para os elos humanitários. E onde esses elos se rompem, rompem-se a beleza, o diálogo, o respeito e a alteridade. Queimam-se pessoas.  </p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p> <strong>Paulo Roberto de Almeida</strong> é livreiro.&nbsp; </p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual do Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/81bf1-artesacc83o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2241" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/os-livros-esses-objetos-perigosos/">Os Livros, Esses Objetos Perigosos</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/os-livros-esses-objetos-perigosos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3260</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Problema da Sua Opinião</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/o-problema-da-sua-opiniao/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/o-problema-da-sua-opiniao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[#dizer]]></category>
		<category><![CDATA[#fake]]></category>
		<category><![CDATA[#fatos]]></category>
		<category><![CDATA[#opinião]]></category>
		<category><![CDATA[#pensar]]></category>
		<category><![CDATA[#realidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3266</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Diego Mendes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/o-problema-da-sua-opiniao/">O Problema da Sua Opinião</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Sabe
quando você acorda com o pé esquerdo? </p>



<p>Então,
na Filosofia de Parmênides, opinião é a ideia confusa acerca da realidade e que
se opõe ao conhecimento tido como verdadeiro.</p>



<p>Simples,
rápido e direto, não precisaríamos de um artigo para apresentarmos argumentos
lógicos para uma questão que já foi resolvida há mais de dois mil e quinhentos
anos atrás.</p>



<p>Mas
pela forma como as coisas andam ultimamente é sempre bom poder relembrar e
iluminar nossas mentes, entorpecidas por essa explosão de estímulos que sofremos
diariamente, com ideias verdadeiras que construiram nossas sociedades.</p>



<p><strong>Mas antes…</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/nils-kaEhf0eZme8-unsplash-web.jpg?fit=606%2C407&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3268" /></figure>



<p>Não
posso deixar passar esse fato curioso, você já parou pra refletir de onde
surgiu a expressão “acordar com o pé esquerdo”?</p>



<p>Foram
as superstições do povo romano que determinaram o surgimento dessa expressão ou
hábito. Em várias ocasiões, os romanos cumpriam rituais e simpatias que,
segundo eles, atraíam a sorte ou chamavam a atenção das divindades
positivamente.</p>



<p>No
caso, quando ocorriam grandes festas, os anfitriões pediam que seus convidados
adentrassem a casa com o pé direito, crendo que isso garantiria que o evento
ocorreria de uma boa forma.</p>



<p>Segundo
consta, os lados direito e esquerdo simbolizavam o bem e o mal para os romanos.
E isso se espelha na prática que falamos para as pessoas que nos ajudam são o
nosso “braço direito”. Vemos esse reflexo também nos termos “canhoto” ou
“esquerdo” que designavam a figura do diabo em algumas culturas arcaicas
cristãs.</p>



<p><strong>Voltando a raíz…</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/the-thinker-1090220_1280.jpg?fit=606%2C809&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3272" /></figure>



<p>Entre
570 a.C e 495 a.C Pitágoras cunhou um termo chamado Filosofia, que traduzindo
literalmente ficaria <strong><em>amor pela sabedoria</em></strong>. Ela nada mais é que o
estudo das questões gerais e fundamentais relacionadas com a natureza da
existência humana, do conhecimento, da verdade, dos valores morais e estéticos,
mente, linguagem, basicamente sobre o universo que conhecemos.</p>



<p>Ela é
diferente da religião ou mitologia pelo fato da utilização da argumentação
racional como base, o que também a torna diferente de pesquisas científicas por
não recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações.</p>



<p>E por
que eu estou recorrendo a filosofia? Pelo simples fato de que a humanidade já tem
pensando, trabalhado e construindo conhecimento há milênios, me libertando da
necessidade de se ter uma opinião vaga sobre algo.</p>



<p>Gosto
muito de um vídeo onde Will Smith comenta sobre as duas chaves da vida,
utilizando a lógica para argumentar seus pontos:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Discurso Motivacional de Will Smith (Legendado)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/k8NBLGxuJZI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Em
primeiro e segundo lugar , o que é uma opinião?</strong></p>



<p>Platão
distinguiu entre opinião ou crença comum (doxa) de um certo conhecimento, e existe
uma distinção gritante e praticável: ao contrário que &#8220;<strong><em>1 + 1 = 2</em></strong>&#8221;
ou &#8220;<strong><em>não existem círculos quadrados</em></strong>&#8220;, uma opinião tem um
certo grau de subjetividade e incerteza. </p>



<p>Mas
“opinião” varia de gostos ou preferências, desde de visões sobre questões que abrangem
a maioria das pessoas, como prudência ou política, a visões baseadas em
conhecimentos técnicos, como opiniões jurídicas ou científicas.</p>



<p>Você
realmente não pode discutir sobre o primeiro tipo de opinião. Eu seria tolo em
insistir que você está errado ao pensar que macarrão é melhor do que churrasco.
</p>



<p>O
problema é que, às vezes, implicitamente, parecemos considerar irrelevantes as
opiniões do segundo e até do terceiro tipo, como consideraríamos as questões de
gosto. </p>



<p>E talvez
essa seja uma das razões (sem dúvida, existem outras) pelas quais amadores
entusiastas acham que têm o direito de discordar de cientistas climáticos e
imunologistas e ainda terem o direito de seus pontos de vista serem &#8220;respeitados&#8221;.</p>



<p><strong>Você
não tem direito à sua opinião. Você só tem direito ao que pode argumentar.</strong></p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">É
necessário que haja a construção e defesa de um argumento, ou o reconhecimento
de quando uma crença não investigada ou pobremente refletida é indefensável.</p>



<p>O
problema de &#8220;tenho direito à minha opinião&#8221; é que, com muita
frequência, ela é utilizada para proteger crenças que deveriam ter sido abandonadas
ou questionadas. Torna-se uma abreviação de &#8220;<strong><em>eu posso dizer ou
pensar o que eu quiser</em></strong>&#8221; &#8211; e, por extensão, continuar argumentando
é visto de alguma forma como desrespeitoso. </p>



<p>E
essa atitude alimenta, a falsa equivalência entre especialistas e não
especialistas, que é uma característica cada vez mais perniciosa de nosso
discurso público.</p>



<p>Trecho
de uma matéria da BBC:</p>



<p><strong>OPINIÃO</strong></p>



<p><em>&#8220;Não
sou eu que estou falando, são os fatos&#8221;, diz um rapaz brasileiro para a
câmera.</em></p>



<p><em>Os
&#8220;fatos&#8221;, segundo ele: &#8220;o vírus da zika foi criado pela família
americana Rockefeller, enquanto Bill Gates usou sua fortuna para investir em
vacinas. </em><em>Ambos com o
mesmo objetivo: reduzir a população mundial&#8221;.</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/bill.jpg?fit=606%2C341&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3274" /></figure>



<p><strong>FATO</strong></p>



<p><em>Muitos
brasileiros usam um vídeo que mostra uma fala de Bill Gates em que ele menciona
redução populacional e vacinas. A teoria da conspiração de que ele investe em
vacinação para reduzir a população mundial já foi notoriamente desmentida.</em></p>



<p><em>De
fato, sua fundação investe em vacinas, mas, segundo ele, com o objetivo de
salvar a vida de mais crianças, não de matá-las por meio da vacinação. O
empresário já declarou que acredita que salvar a vida de crianças, ou seja,
reduzir a mortalidade infantil, pode ajudar a reduzir o crescimento da
população mundial, que ele apoia.</em></p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>&#8220;Primeiro,
mais crianças sobrevivem, depois, famílias decidem ter menos crianças&#8221;,
escreveu numa carta em 2018.</em></p>



<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48695113">Matéria completa aqui.</a></p>



<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48695113">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48695113</a></p>



<p>Essa
matéria mostra o impacto que uma opinião &#8211; <strong>ideia confusa acerca da realidade
e que se opõe ao conhecimento tido como verdadeira </strong>– pode gerar com os
meios de comunicação que temos hoje ao nosso dispor.</p>



<p><strong>Então,
o que significa ter &#8220;direito&#8221; a uma opinião?</strong></p>



<p>Se
&#8220;todos têm direito a sua opinião&#8221; significa apenas que ninguém tem o
direito de impedir que as pessoas pensem e digam o que quiserem, a afirmação é
verdadeira, mas bastante rasa. </p>



<p>Ninguém
pode impedi-lo de dizer que as vacinas causam autismo, não importa quantas
vezes essa alegação tenha sido contestada.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Mas
se &#8220;direito a sua opinião&#8221; significa &#8220;direito a ter suas
opiniões tratadas como sérias candidatas à verdade&#8221;, então isso é
claramente falso. </p>



<p>Portanto,
da próxima vez que você ouvir alguém declarar que tem direito a sua opinião,
pergunte a ele por que ele pensa isso. As chances são de que, nos dias de hoje,
você acabe sem ter com quem continuar a conversa.</p>



<p><strong>E
antes de eu partir…</strong></p>



<p><strong>Tenho
direito à minha opinião ou tenho o direito de minha opinião é uma falácia
lógica na qual uma pessoa desacredita qualquer oposição ao afirmar que tem
direito à sua opinião. </strong></p>



<p>A
falácia lógica às vezes também se apresenta como &#8220;<strong><em>vamos concordar em
discordar</em></strong>&#8220;. </p>



<p>Se
alguém tem um direito ou direito específico, é irrelevante se sua afirmação é
verdadeira ou falsa. </p>



<p>Onde
é feita uma objeção a uma crença, a afirmação do lado direito pisa os passos
usuais do discurso de afirmar uma justificação dessa crença ou um argumento
contra a validade da objeção. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Tal
afirmação, no entanto, também pode ser uma afirmação da própria liberdade ou da
recusa em participar do sistema de lógica em questão.</p>



<p>O
filósofo Patrick Stokes considera essa expressão como problemática, porque freqüentemente
é utilizada para defender posições indefensáveis ​​ou para <strong><em>&#8220;[implicar]
um direito igual de ser ouvida sobre um assunto em que apenas uma das duas
partes possui os conhecimentos relevantes&#8221;</em></strong>.</p>



<p>O
maior engano que os homens sofrem são suas próprias opiniões.</p>



<p>-Leonardo da Vinci</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p> <strong>Diego Mendes</strong> é nascido em Rio Negrinho na melhor safra &#8211; 1982 . É um&nbsp;pensador, curador de conteúdos e engenheiro de software  que tem buscado fazer a melhor jornada possível nessa vida. </p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8c937-6-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2437" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c7388-menino-poccca7o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2231" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie as causas humanitárias. Em tempos de coléra, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/o-problema-da-sua-opiniao/">O Problema da Sua Opinião</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/o-problema-da-sua-opiniao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3266</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A Aura só tem Possibilidade no Presente.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/a-aura-so-tem-possibilidade-no-presente/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/a-aura-so-tem-possibilidade-no-presente/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[#aura]]></category>
		<category><![CDATA[#gutemberg]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3295</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Marcus Cardoso </p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/a-aura-so-tem-possibilidade-no-presente/">A Aura só tem Possibilidade no Presente.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Há esse objeto ali: um amontoado de folhas, uma sobre a outra, numa sequência lógica, numerada, cartesiana. Antes de estar encadernada, página é só papel. Protegida por uma capa de papelão, envolto em mais papel, ou até mesmo pano, temos ali o ápice de uma tecnologia que nunca morrerá. O livro já nasceu na era da reprodutibilidade: sua identidade já é a da cópia das palavras em escala. Os copistas criavam obras únicas, pois cada falha é uma marca de identidade no texto do outro. A impessoalidade foi impressa junto com seus tipos móveis. </p>



<p>Gutemberg não propôs a feitura de um objeto único: justamente seu desejo sempre foi a disseminação: uma maneira de espalhar conhecimento e encurtar o mundo. Livros são pensados e concebidos no princípio de sua reprodutibilidade técnica, citando Walter Benjamin. A aura da obra de arte é, justamente, a sua autenticidade: aquela característica que a torna única. Uma segunda capela sistina seria apenas uma segunda, ainda. A imagem pixealizada que encontramos na Internet da Noite Estrelada, do Van Gogh, ainda é só uma representação. É duro, mas é. Como diz John Berger, em Ways of Seeing, quando nos conectamos visualmente com uma obra de arte, compreendemos sua aura: a percepção de cada pincelada, da força ou leveza do pincel, dos restos de insetos que mortos ainda vivem presos nos quadros pintados ao ar livre.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c32bd-gutemberg.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3297" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"> O livro, essa obra já nascida sem aura, só reencontra sua existência única em um momento específico: a dedicatória. </p>



<p> Nessa marca quase cicatriz, que as palavras deixam na página, envoltas em significado e celebração, que a pessoalidade reencontra a obra. O autor, já morto agonizado por seu carrasco mais famoso, Roland Barthes, interessa tanto, nesse sentido, quanto a marca da caneta que autografa. As poucas linhas, desejando felicidades ou descrevendo lembranças, devolvem aquilo que jamais pensaram fazer. A aura, então, só tem possibilidade no presente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/IMG_20191005_220407826.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3298" /></figure>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong>Marcus Cardoso</strong>, historiador de formação, mestrando, músico… Faz tanta coisa que acaba não fazendo nada. E, se somos o que fazemos, então é isso: um grande nada que acredita piamente que a salvação do mundo está escondida em um haicai.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie as causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário</em>.</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/a-aura-so-tem-possibilidade-no-presente/">A Aura só tem Possibilidade no Presente.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/a-aura-so-tem-possibilidade-no-presente/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3295</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
