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	<title>Arquivos Ano 001, N 022 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Brasil e a Caixa de Pandora</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/10/caixa-de-pandora-a-moral-tem-juizo-estetico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">De todas as ideologias que disputam espaço entre as narrativas pós-modernas, talvez a mais contundente seja a de que o maniqueísmo social polariza os grupos políticos e demoniza aquele que pensa diferente.</p>



<p>O maniqueísmo foi uma espécie de dualismo religioso sincretista, cuja origem remonta à Pérsia, mas que encontrou generoso abrigo durante o Império Romano. Digamos que o maniqueísmo consistia, basicamente, em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal). Parece familiar, não é mesmo?</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Muito embora a familiaridade da ideia da existência dessa disputa de proporções dantescas crie um ecossistema de crenças onde a nuance, a diversidade e as infinitas possibilidades de se ler e interpretar o mundo sejam apagadas, não podemos nos deixar influenciar por este apelo à dualidade.</p>



<p>Falar em diversidade, implica em admitir a complexidade da realidade que apreendemos, nisso que chamamos de existência. Nada é tão simples que possa ser descrito com clareza ou tão complexo que seja impossível de se perceber. Por isso o apelo à polarização é tão sedutor. Na falta de entendimento, trazemos para perto aquilo que se assemelha ao que nos conforta. Buscamos no viés de confirmação, alicerces para edificar nossa ignorância.</p>



<p>O fato é que, ao criarmos rasos meios de aferir a realidade, construimos arquétipos de moralidade baseados em nosso confortável e medíocre repertório estético: o que me parece bonito permanece ao meu lado, o que eu considero feio, repudio e defenestro. Uma espécie de caixa de pandora clandestina, onde mantemos aquilo que nos ampara e deixamos seu exato oposto escapar. Assim, nossas visões de mundo são construídas de maneira precária, de modo que o que não está comigo, está contra mim. </p>



<p>Por outro lado, gosto de pensar que a busca pelo equilíbrio é, talvez, a maneira mais inteligente de se recuperar as nuances do debate político no Brasil.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">É importante buscar a dualidade que escapou da caixa, porque quando contamos apenas com nosso viés de confirmação para construir nossas visões de mundo, não há ponderação sobre as perspectivas de perceber que a vilania do outro é, na realidade, uma sombra da minha ignorância.</p>



<p>Nesse sentido, a volta de Lula à arena de debates não é só muito importante mas também necessária. Ela trará de volta a ideia que escapou de algumas caixas e proporcionará a muitas pessoas a possibilidade de contestar a espessa camada de falsas acepções sobre a vida, a política e a sociedade brasileira que foram cristalizadas ao longo dos últimos anos. Mais do que isso, ela trará de volta a ideia de que, na postura verde e amarela em impor uma visão específica à todos, a liberdade e a esperança tem cor de luta.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a Loja Virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-vivid-cyan-blue-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg7_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4516" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>A Compreensão da Arte Como Morada da Liberdade de Expressão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Gayan Justo]]></category>
		<category><![CDATA[museu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gayan Justo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Assim como eu, acho que muitos já torceram o nariz para alguma forma de expressão contemporânea. Talvez você já tenha pensado que tal expressão fosse &#8220;desnecessária&#8221;, &#8220;ruim&#8221;, &#8220;vulgar&#8221;, &#8220;sem sentido&#8221;. Talvez até fossem mesmo. Nós temos uma grande dificuldade de perceber outras formas de linguagem que podem nos tocar sem necessariamente ser através da imagem ou de sons já consolidados na sociedade. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">E se uma obra contemporânea talvez esteja ali para realmente fazer a pessoa refletir sobre sua necessidade? Sobre sua má qualidade? Sobre sua vulgaridade? Sobre sua falta de sentido?</p>



<p>O que percebo quando vejo um certo repúdio a uma obra cuja linguagem não consegue atingir seu espectador de forma direta, é um desejo de remover aquela obra. De ignorá-la por completo e buscar algo que a agrade em seu lugar. É uma máxima que já está na nossa história por um bom tempo: o medo do desconhecido. Não é nenhuma novidade que com o efeito de <em>viralização</em> da Internet, hoje conseguimos perceber muitas críticas a obras com linguagem abstrata e aos espaços físicos que as abrigam. Pessoas se identificam e se aglomeram com a mesma opinião de repúdio àquilo que desconhecem e à forma como expressões são executadas. </p>



<p>Essa linguagem indireta, provocativa, abstrata e que possui reflexão, tem seu público-alvo definido assim como qualquer outro meio de comunicação. Muitas vezes ela requer um certo conhecimento prévio, informações adicionais ou uma reflexão para captar sua essência posteriormente, pois de início podem parecer fora de contexto. Sendo assim, talvez uma obra de arte contemporânea realmente tenha elos mais fortes com um nicho elitista, com um linguajar acadêmico e de forma menos direta para um grande público. </p>



<p>Essas obras cumprem seu dever, fazem suas comunicações e atingem seu público. Quando levadas para o meio digital, através de redes sociais, aplicativos de mensagens, jornais e vídeos, acabam sendo desfiguradas, descontextualizadas. Perdem sua essência, assim como perdem seu público-alvo. Logo surgem os  ataques às obras e aos museus. São estes museus que se tornam os grandes defensores dessas expressões repudiadas pelo público alheio ao contexto.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Um museu está para a arte e liberdade de expressão assim como o Supremo Tribunal Federal está para a Constituição. São guardiões destas figuras e não devem ceder jamais a opiniões públicas pretensiosamente  disfarçadas como a &#8220;opinião da maioria&#8221;, como se a democracia fosse baseada apenas em números e não em oportunidades e isonomias.</p>



<p>Um museu  e seus curadores devem abrigar aquilo que comunica, que expressa, que precisa estar ali para ter seu espaço. Não importa a data e seu contexto sócio-político. </p>



<p>Museus são atemporais assim como expressões artísticas. Dentro de seu ambiente, todas linguagem devem ser preservadas; elitistas, populares, complexas ou simplórias. Assim se dá a liberdade de expressão nestas instituições.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gáyan Justo</strong> é um perdido entre o mundo das artes e o mundo da computação. Só sei que nada sei mas sei que ninguém também sabe.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a Loja Virtual da Bodoque!</p>



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<p style="background-color:#bb0606" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>The Deuce – Crítica da Série Completa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[Cítica]]></category>
		<category><![CDATA[série]]></category>
		<category><![CDATA[The Deuce]]></category>
		<category><![CDATA[Vinicius Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Vinícius Oliveira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Encerrada após três temporadas, a série da HBO tratou de pornografia, prostituição, máfia, corrupção policial e gentrificação na Nova York dos anos 70 e 80.</em></p>



<p class="has-drop-cap">É 1971 e uma moça acaba de chegar a Nova York, vinda do Minnesotta. Inocente e perdida, ela é atraída por um homem negro, bonito e de roupas visivelmente caras, que lhe oferece as promessas exatas que uma jovem vinda de tão longe precisa. Ela não sabe, mas aquele homem é um cafetão e no momento em que a viu pela primeira vez apostou com um amigo que a transformaria numa de suas prostitutas. E pelos anos seguintes é quem ela será.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/1.jpg?fit=970%2C546&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-4562" /></figure>



<p>Essa cena, presente no primeiro episódio de <em>The Deuce</em>, dá a tônica do que vai tratar a série, que através de três temporadas e 25 episódios cobriu um período de quase 15 anos de Nova York, debruçando-se sobre uma região específica da cidade. O “Deuce” do título se refere a um pedaço da 42ª Street, entre a Sétima e Oitava Avenidas, que nos anos 70 e 80 era um famoso antro de prostituição, corrupção policial e negócios gerenciados pela máfia. Muito longe da imagem gloriosa que a cidade hoje apresenta, e conforme a série vai avançando no tempo também vai mostrando a gradual transformação desta cidade decadente em um paraíso turístico que, no entanto, prefere ignorar seu “sujo” passado e não hesitou em varrer essa sujeira para debaixo do tapete como se ela nunca tivesse existido.</p>



<p><em>The Deuce</em> foi criada por David Simon e George Pelecanos, responsáveis por uma das séries mais aclamadas de todos os tempos: <em>The Wire</em>. Tanto nesta quanto em sua outra criação televisiva, <em>Treme</em>, Simon e Pelecanos apresentaram algumas de suas marcas que também são evidentes em The Deuce: um trabalho com um elenco multirracial e múltiplas tramas cirurgicamente trabalhadas para compor um painel maior, bem como uma perspectiva fortemente calcada no realismo (e que encontra ecos no trabalho anterior de Simon como jornalista em Baltimore). Assim, embora <em>The Deuce </em>empregue um nítido protagonismo aos personagens dos atores James Franco (os gêmeos Vincent e Frank Martino) e Maggie Gyllenhall (Eileen “Candy” Merrell), todo o elenco consegue se sobressair em diversos momentos, à medida que estas várias histórias vão sendo contadas, ora se interligando, ora meramente tangenciando ou apenas correndo paralelamente umas com as outras. Mas é inegável o cenário que vai sendo montado a partir da conjugação de todas elas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/93b22-2-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4563" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>É inegável, porém, que a série debruça seu olhar principalmente sobre a prostituição e sua ligação direta com a ascensão do mercado pornográfico, que se converte numa indústria multimilionária no decorrer das temporadas. Dos filmes de baixo orçamento produzidos no Deuce para as “superproduções” em Los Angeles – e com várias das prostitutas migrando para a carreira de atrizes – a série fornece um estudo rico e realista de que em ambos os espaços, a vida das mulheres não têm valor do mesmo jeito. Objetificadas, violentadas, submetidas a condições humilhantes, elas só encontram alguma força umas nas outras, visto que em casos como o de Lori Madison (Emily Meade), a jovem que escrevi no primeiro parágrafo, sua transição da vida de prostituta para atriz pornô consiste quase que apenas em trocar seu cafetão por um agente que se comporta como um cafetão, vendendo-a aos melhores produtores do mercado.</p>



<p>O olhar jornalístico de Simon permite que esses temas, por mais cruéis e pérfidos que sejam, nunca sejam olhados de forma unilateral, com diferentes visões e opiniões percorrendo a série. Isso, contudo, não implica numa falta de posicionamento por parte dela, nem que a humanização dos personagens (capazes de atitudes louváveis e também dos atos mais cruéis e violentos possíveis) significa uma glorificação do passado decadente de Nova York. Prova disso é na derradeira temporada, que se move para os meados dos anos 80 e trabalha, dentre os seus vários temas, a epidemia de AIDS e a correlação desta tanto com a indústria pornográfica quanto com os preconceitos dirigidos à população LGBTQ+. E traz à tona subtramas como a dos movimentos feministas que contestam e atacam a pornografia, resultando numa impactante cena em que Candy – agora uma prestigiada atriz e diretora pornô – e Abby Parker (Margarita Levieva), namorada de Vincent, são levadas por Loretta (Sepideh Moafi), outrora prostituta e que agora é uma militante, para uma reunião com outras militantes, e estas expõem duramente os impactos físicos e psicológicos nas mulheres envolvidas nessa indústria. Isso sem contar o destino trágico que acomete vários dos personagens principais, seja no contexto da própria AIDS e sua disseminação como no da violência ligada ao crime – este retratado como profundamente entranhado nas raízes da prostituição e pornografia.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/45a54-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4564" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Apesar do tom sombrio de sua última temporada e das perdas dolorosas de personagens tão importantes – uma em particular, no penúltimo episódio, tem um dos adeus mais trágicos dentre todas as séries que eu já assisti – <em>The Deuce </em>ainda consegue oferecer um olhar nostálgico (mas novamente, não glorificador), quando em um epílogo agridoce mostra um de seus personagens chegando aos dias de hoje e visitando os locais do passado – agora transformados na Nova York moderna e paradisíaca – bem como os fantasmas de amigos e companheiros que ficaram pelo caminho. É um encerramento melancólico, mas surpreendentemente bonito, para uma série que nunca se furtou em apontar o dedo para uma realidade que a cidade mais importante do mundo tenta esconder. Mas no cerne de tantas temáticas pesadas e que escancaram uma verdade que muitos de nós não assumimos ou nos responsabilizamos (especialmente se/quando já consumimos de alguma forma a pornografia), está uma obra que mais do que tudo se preocupou em desenvolver seus personagens, os quais, ainda que retratando um passado que em muitos aspectos já não existe há muito tempo, não se permitiram ser esquecidos mesmo quando deixaram de existir de maneiras tão dolorosas. <em>The Deuce </em>é, talvez mais do que todos os temas que trabalhou, uma série sobre memória. E como canta Debbie Harry em <em>Dreaming, </em>a canção do Blondie que marca os créditos da última temporada:</p>



<pre class="wp-block-verse"> <em>Eu me encosto e vejo a correnteza</em><br> <em>Eu me encosto e vejo o tráfego fluir</em><br> <em>Imagine algo muito pessoal</em><br> <em>Algo que você possa ter e manter</em><br> <em>Eu construí uma estrada de ouro</em><br> <em>Só pra ter alguns sonhos</em><br> <em>Sonhar é de graça</em><br> <em>Sonhar</em><br> <em>Sonhar é de graça</em> </pre>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91808-4-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4565" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<p><strong>Vinícius Oliveira Rocha</strong> é um paulista de nascimento e baiano de coração que atualmente reside em Aracaju-SE, onde faz graduação em Jornalismo. É aficionado por cinema, música, literatura, TV, cultura pop e mobilidade urbana, e autor do livro de fantasia infanto-juvenil &#8220;O Destruidor de Mundos&#8221;.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a Loja Virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-vivid-cyan-blue-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg6_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4515" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Progresso Rumo ao Desenvolvimento Sustentável está Fora dos Eixos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Em artigo publicado no jornal Financial Times nesta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembra que metade da população mundial não tem acesso à educação e a cuidados de saúde; mulheres enfrentam discriminação e o número de pessoas com fome aumenta no mundo. Ele pede maior engajamento da iniciativa privada para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Leia a íntegra abaixo.</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/image-2.png?fit=970%2C437&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-4574" /><figcaption>Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré</figcaption></figure>



<p class="has-drop-cap">Ao redor do mundo, cidadãos tomam as ruas para protestar contra o aumento do custo de vida e a real ou irreal percepção de injustiça. Eles sentem que a economia não funciona – e em alguns casos, têm razão. Um foco restrito no crescimento, independentemente dos custos verdadeiros e de suas consequências, está levando a uma catástrofe climática, a uma perda de confiança nas instituições e a uma falta de fé no futuro.</p>



<p>O setor privado é fundamental na resolução desses problemas. Muitas empresas já cooperam com a ONU para ajudar a construir um futuro mais estável e equitativo, baseado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.</p>



<p>Os 17 Objetivos foram acordados por todos os líderes mundiais, em 2015, para responder a desafios como pobreza, desigualdade, crise climática, degradação ambiental, paz e justiça até 2030.</p>



<p>E houve progressos, nesses quatro anos, desde a adoção dos Objetivos. A pobreza extrema e a mortalidade infantil estão diminuindo. O acesso à energia e ao trabalho decente cresce. Mas, no geral, estamos seriamente fora dos eixos. A fome está aumentando, metade da população mundial não tem acesso à educação e a cuidados básicos de saúde e as mulheres enfrentam discriminação e desvantagem em todas as partes.</p>



<p>Uma razão para o progresso hesitante é a falta de financiamento. Apenas os recursos públicos de governos não são suficientes para financiar a erradicação da pobreza, melhorar a educação das meninas e mitigar o impacto das mudanças climáticas.</p>



<p>Precisamos de investimentos privados para preencher esta lacuna. Por isso, a ONU está cooperando com o setor financeiro. Este é um momento crítico para os negócios e para o setor de finanças e as relações deles com as políticas públicas.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Em primeiro lugar, o comércio precisa de políticas de investimento a longo prazo, que sirvam à sociedade e não somente aos acionistas.</p>



<p>Isto já começa a acontecer quando alguns dos maiores fundos de pensão cortam combustíveis fósseis de seus portfólios. E mais de 130 bancos com 47 trilhões de dólares em ativos subscrevem-se aos Princípios para Bancos Responsáveis, que foram idealizados em colaboração com a ONU.</p>



<p>Eles representam um compromisso, sem precedentes, com estratégias empresariais alinhadas aos objetivos globais, ao Acordo de Paris para prevenir aumento das temperaturas, e com práticas de bancos que criam uma prosperidade compartilhada. Eu apelo a todas as instituições que se somem a esta transformação.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Em segundo lugar: estamos encontrando novas formas para o setor privado investir em crescimento e desenvolvimento sustentáveis. Em outubro, 30 líderes de empresas multinacionais lançaram a Aliança de Investidores Globais para o Desenvolvimento Sustentável na ONU.</p>



<p>Executivos da Bolsa de Valores de Johannesburgo e da Allianz estão entre aqueles que se comprometeram, publicamente, a agir como agentes de mudança em suas companhias e mais amplamente. Eles já estão apoiando grandes investimentos de infraestrutura sustentável, incluindo projetos de energia limpa e acessível na África, na Ásia e na América Latina, além do uso de instrumentos financeiros inovadores para mobilizar bilhões de dólares para segurança alimentar e energia renovável.</p>



<p>Eles devem agora assumir papéis ainda maiores na canalização de capital para o desenvolvimento sustentável, combinando investidores com oportunidades.</p>



<p>Eu espero que todos os líderes de negócios possam seguir esse exemplo, investindo na economia do futuro. Uma economia verde, de matriz limpa, que forneça empregos decentes e que melhore a vida das pessoas no longo prazo. Os negócios precisam avançar e mais rapidamente se quisermos conseguir os trilhões de dólares necessários para alcançar os objetivos globais.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Em terceiro lugar: pedimos a todos os líderes empresariais que façam mais que investimentos verdes e pressionem para mudanças política. Em muitos casos, as empresas já lideram o caminho. A sustentabilidade faz sentido nos negócios. Os consumidores estão pressionando. Um investidor descreveu o financiamento sustentável como uma “megatendência”.</p>



<p>Mas o setor financeiro privado continua a se debater com subsídios a combustíveis fósseis que distorcem o mercado e interesses cristalizados a favor do status quo. Grandes investidores, incluindo Aviva, alertam que os subsídios para os combustíveis fósseis poderiam diminuir a competitividade de indústrias-chave, inclusive na economia de baixo carbono.</p>



<p>Alguns governos estão atrasados neste processo, relutantes em mudar sistemas anacrônicos regulatórios, tributários e de políticas. Relatórios trimestrais desencorajam investimentos de longo prazo. E os deveres fiduciários de investidores precisam ser atualizados para incluir considerações mais amplas de sustentabilidade.</p>



<p>Precisamos que líderes empresariais utilizem sua enorme influência para avançar o crescimento e as oportunidades inclusivas. Nenhum negócio pode ignorar este esforço, e não existe sequer nenhum objetivo global que não possa ser beneficiado pelo investimento do setor privado.</p>



<p>É, ao mesmo tempo, uma questão de ética e de bom negócio investir no desenvolvimento sustentável e equitativo. A liderança do mundo corporativo pode fazer toda a diferença para criar um futuro de paz, de estabilidade e prosperidade em um planeta sustentável.</p>



<p><em><strong>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/artigo-progresso-rumo-ao-desenvolvimento-sustentavel-esta-fora-dos-eixos/">Nações Unidas Brasil</a></strong></em> <strong><em>em 08/11/2019 &#8211; Atualizado em 08/11/2019</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a Loja Virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-vivid-cyan-blue-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4518" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Entropia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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<p>Deus é o demônio de Maxwell</p>



<p>Morte à morte térmica do Universo!</p>



<p>Viva Shiva e a Lei de Hubble</p>



<p>Big Bang e Big Crouch</p>



<p>Conserve, destrua</p>



<p>Que se dane a 2ª Lei da Termodinâmica</p>



<p>não esquento com ela</p>



<p>e ela não esfriará minha esperança</p>



<p>meu corpo não obedece</p>



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<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong>&nbsp;&#8211; Eu sou poeta, professor e divulgador científico. Na coluna Póesis, uso da linguagem poética para expressar minha reverência pelo Universo e o sentimento do sagrado que me habita a intimidade. Elaboro sensibilidades estéticas-éticas, sigo o fluxo de ideias prazerosas, reinvento semânticas, faço silêncio e verbo conjugarem harmonicamente. Eu não escrevo poesias. Eu me escrevo nelas.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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		<title>Se Ali</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[entre nossas linhas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Entre Nossas Linhas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> O quanto eu vi<br> e não disse<br> O quanto senti<br> e não disse<br> <br><br> O quanto ali<br> me perdi<br> O quanto aqui<br> me deixei<br> <br><br> Ali<br> Bem ali<br> Me afastei<br> <br><br> Ali aprendi<br> que dos males devo me afastar<br> Males estes vindos de ti<br> De mim<br> Dele<br> Dela<br> De qualquer um<br> <br><br> Ali sofri<br> o que tantxs já sofreram,<br> Ali vivi<br> o ponto exato em que o ser passa a ser-não-ser<br> Ali morri...<br> <br><br> Não és culpa minha!<br> Sendo esta delx!<br> Somente delx!<br> <br><br> Ali...<br> não fizeste nada de errado,<br> elx, somente e brutalmente elx!<br> <br><br> O ser-não-ser não sente...<br> E está vivo!<br> E duvida de sua existência por se ver ali...<br> Ali, bem ali!<br> Vivo de frente ao espelho!<br> Sentindo tudo<br> E ao mesmo tempo, nada.<br> -A. </pre>



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<p><strong>Entre Nossas Linhas</strong>  é uma página de Instagram criada por duas amigas que encontraram na arte de escrever um refúgio. </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a Loja Virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-vivid-cyan-blue-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg14-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4522" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Não Importa Qual Razão, no Brasil não a Temos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Vivemos dias que podemos chamar profundamente cartesianos, em que cada um pensa o que quer e afirma ser a sua opinião soberana, desconsiderando quaisquer tipos de outras opiniões e constatações provenientes das variadas e &#8211; por que não dizer? &#8211; infinitas subjetividades que nos constituem como sociedade. Mesmo Descartes, filósofo que inaugura o pensamento moderno e dá origem ao termo “cartesiano”, dá voltas no túmulo ao ver que os cartesianos de hoje afirmam-se perante os demais sem recorrer a qualquer tipo de “método”, os fundamentos da prática da razão elencados por Descartes para atingir o conhecimento.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“Penso, logo existo”, é o que postulou o velho pensador, afirmando que, da experiência humana apreendida pela razão, e sistematizada por métodos de reflexão, análise ou experimentação, atinge-se a verdade. Estava parcialmente correto, embora futuros pensadores, dos quais um será tratado neste texto, o tenham lapidado. O que interessa é que, ainda no campo do pensamento social e das ciências humanas, onde mais cabe a reflexão, há de se confiar no pensamento já construído. Isto é, nos estudos, nas reflexões anteriores sobre as quais podemos construir e compartilhar as nossas. Só assim somos um corpo social a caminho do progresso.</p>



<p>Ou, do contrário, não seríamos nada mais que um conjunto de indivíduos tirando, subjetivamente, conclusões sobre tudo e diferentes umas das outras, numa disputa infindável pela verdade que faria ruir a sociedade. Hoje, é exatamente isso que vivemos no Brasil. No país de um presidente injustamente preso e outro barbaramente esfaqueado, o lastro disso tudo é o ódio que efervesceu desde 2013, quando grupos de meia dúzia variados se arvoraram senhores da razão para dizer se vai ter copa, não vai ter copa, se fica Dilma, se sai Dilma, se o problema do Brasil é a corrupção, se é a desigualdade etc. Todos, olhando para a experiência transformada em razão pelo pensamento, como previa Descartes, portanto parcialmente corretos. Na afirmação individual da verdade, como proporia outro pensador, todos terrivelmente equivocados. A ponto de termos um presidente injustamente preso e outro barbaramente esfaqueado, com base na suposta razão defendida por grupos diferentes.</p>



<p>No século XVIII, portanto mais de cem anos após o pensamento cartesiano, que à época vigorava e dava sustentação a regimes autoritários, Immanuel Kant pensou diferente. Ao tipo de reflexão que passa somente pela racionalização da experiência lastreado num método confiável, nomeou “razão pura”, a qual argumentou ser falha porque, a cada vez que um ser humano racionaliza a experiência, o faz na expressão de sua alma, isto é, sua subjetividade. Esta, portanto, não dá conta da verdade.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Kant propôs o que chamou de razão prática, ou seja, aquela que emerge do compartilhamento das reflexões de todos, dividida não para se atingir a verdade absoluta, mas para tangenciá-la, visto a infinidade de experiências e subjetividades produzir sempre retratos multifacetados da realidade. Além disso, esse compartilhamento deveria ser balizado por valores morais, os quais sempre norteados pela libertação do ser humano das forças que lhe exercem opressão. À época, falava do absolutismo. Hoje, poderia ser o mercado, o liberalismo, o patriarcalismo, a saber&#8230; Kant não se priva de poder cair nas engrenagens da opressão, por isso a necessidade de estar sempre vigilante e compartilhando conhecimento para construção da razão prática, aquela possível.</p>



<p>Por isso, o Estado e a sociedade moderna constroem-se com a contribuição de Descartes, mas sob os valores lapidados de Kant. Uso da razão para apreensão da realidade, primeiro, seguido pelo compartilhamento para tangenciar a verdade. O oposto do que ocorre no Brasil, onde ficamos pela metade do caminho, e ainda meio mancos. Numa semana em que ataques à democracia foram perpetrados pelo clã Bolsonaro e seus seguidores, que um jornalista foi agredido por defender a honra de sua família, em que a iminência da soltura do ex-presidente Lula gera preocupações quanto à sua segurança, em que 600 dias se completaram sem indícios de quem seja o mandante do assassinato de Marielle Franco e um líder indígena é assassinado no Maranhão, percebemos o quanto deixamos de ser um Estado constitucional moderno conforme seus guardiães filosóficos.</p>



<p>Nem Kant, tampouco Descartes, olhariam com bons olhos para nossa experiência atual como sociedade.</p>



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<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-vivid-cyan-blue-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg16-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4523" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>7. Perspectivas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 20:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 022]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Paulo andava devagar, pensando no caso do Rapaz assassinado e de como iria organizar o relatório pedido por Aufredo. A casa de sua namorada Penélope era o reduto diário para o almoço e ficava a poucos quarteirões do Departamento de Polícia Civil. Fumava o seu cigarro de filtro amarelo, baforando de tempos em tempos uma fumaça espessa pelo ar, varrida por um vento leve de outono. Era um cara de meia idade, magro, rosto chupado e enrugado, testa alongada salientada por duas entradas que denunciavam uma calvície pertinaz. Suas costas eram levemente arqueadas, o que davam a ele um aspecto envelhecido, como se suportasse mais dores do que o de costume em pessoas de sua idade. Penélope era o seu oposto, quatorze anos mais jovem, faceira, rosto curvilíneo, expressivo, boca larga, olhos amendoados e vivazes, seios salientes, coxas grossas que davam o tom do tamanho da bunda que teriam que sustentar. Adorava tomar banho de sol e demonstrava afeição exagerada pelas marcas deixadas por seus biquínis minúsculos. Trabalhava em casa vendendo roupas pela internet e alimentava constantemente a imaginação dos marmanjos seus seguidores sendo modelo de sua loja virtual. Apesar de adorar elogios, principalmente quando o alvo era seu corpo, nutria pelo namorado Paulo uma paixão beirando a compulsão. E ele se aproveitava disso, instigando nela desejos masoquistas, latente em seu sangue e que a cada dia se tornava cada vez mais emergentes. Quando Paulo chegou, ela estava na cozinha preparando o almoço – cabelo preso por um lápis formando um coque, short jeans, um cropped verde água e descalça. Correu em sua direção e o abraçou fortemente.</p>



<p class="has-drop-cap">&#8211; Oi, meu amor. Chegou mais cedo hoje. Que bom! O almoço já está quase pronto.</p>



<p>Ele a abraçou, entortou a cabeça dela segurando com uma das mãos no coque preso pelo lápis e a beijou mordendo seu lábio inferior, enquanto com a outra mão apertava com vontade sua nádega esquerda. A TV estava ligada. E uma jornalista anunciava que por 367 votos a Câmara dos Deputados aprovava a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e encaminhava o resultado para o Senado. Ao ouvir isso, ele se desvencilhou dela e com enorme satisfação disse:</p>



<p>&#8211; Deus seja louvado! Até que enfim vão tirar essa anta do poder. Nunca vi uma pessoa fazer tanta merda.</p>



<p>&#8211; Ouvi dizer que ela não é tão ruim assim, amor. Só está sendo perseguida por ser mulher e por ter lutado contra a ditadura.</p>



<p>&#8211; Ela era uma bandida, isso sim! Pegava em armas e tudo e saía assaltando bancos por aí. Vai ter o que merece… agora, vai lá, vai. Vai fazer esse almoço logo pra mim, que estou morrendo de fome.</p>



<p>&#8211; Não! Quem vai me obrigar?</p>



<p>Penélope sabia provocar, gostava de fazer jogos. Lançou sobre Paulo uma careta, cruzou os braços e bateu com o pé no chão, indicando que não sairia de onde estava. Paulo sabia o que ela queria. Aproximou-se dela e, com a mão cheia, desferiu um tapa em seu rosto que a fez rodar e cair ao chão. Ainda deitada, ela se virou para ele assustada, recompondo-se logo em seguida, com as marcas dos dedos do seu homem no rosto, e avançou para cima dele, desferindo beliscões e pontapés pelo seu corpo.</p>



<p>-Oh… calma aí, sua potranca! Quietinha!</p>



<p>&#8211; Seu cachorro, safado!</p>



<p>Ele a pegou pelo pescoço, enfiou quase a mão toda na boca dela, fazendo-a ter ânsias de vômito, enquanto Penélope ajoelhava-se à sua frente, cheia de amor para dar. O almoço estava servido na sala, no chão, enquanto as bocas do fogão fumegavam nas trempes o que havia de sobra dentro da jovem Penélope.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong>  é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a> </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-vivid-cyan-blue-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg10-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4519" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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