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	<title>Arquivos Ano 002, N 028 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>2020 e eu ainda preciso te convencer que Arte é Arte.</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Como eu disse no primeiro episódio do programa Sobre a Arte no canal da Bodoque no youtube, (que você pode assistir clicando <a href="https://www.youtube.com/watch?v=3VqG-IJxDis&amp;feature=youtu.be">aqui</a>), as artes, antes do advento da fotografia, eram associadas apenas à representação da realidade. Gêneros como a pintura de paisagem, de retratos, naturezas mortas e nús artísticos moldavam a prática dos artistas para que seu desenvolvimento técnico fosse aprimorado dentro da referência estética da época. </p>



<p>No antigo Egito, por exemplo, a supremacia da religião na vida cotidiana, fazia com que as artes <strong>retratassem temas políticos e religiosos</strong>, visto que o faraó era representante oficial de Deus na terra. Por este motivo, a arte egípcia trazia, graficamente, a melhor maneira de representar e exaltar o faraó e as divindades do Nilo. Pernas e rosto em perfil e tronco de frente; no Egito haviam regras rigorosas que os artistas deviam cumprir para que a representação fosse feita de maneira clara e ordenada. Gombrich ressalta que o efeito de equilíbrio, estabilidade e harmonia eram a busca principal na representação egípcia:</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">&#8220;O Estilo egípcio incorporou uma série de leis bastante rigorosas, e todo artista tinha que aprendê-las desde muito jovem. A estátuas sentadas deviam ter as mão sobre o joelho; os homens eram sempre pintados com a pele mais escura do que as mulheres; a aparência de cada um dos deuses egípicios era rigorosamente estabelecida (…) &#8220;.(GOMBRICH, 1999, pág 65).</p>



<p>Vale lembrar também, que a arte da Grécia a partir do séc IV, influenciada pela <em>mimesis</em> platônica, buscava um ideal de beleza que não poderia ser encontrado na realidade imediata. Isto porque um artista nunca teria acesso à <em><strong>coisa em si</strong></em>, por assim dizer. Para eles, a realidade, a natureza e as coisas que lhes tocavam a percepção, eram, na realidade, uma cópia de um mundo ideal, uma espécie de reflexo embaçado daquilo que estava apenas no mundo das ideias. Logo, a <strong>representação artística, seria uma espécie de cópia da cópia.</strong> Sendo assim, só era considerado arte aquilo que fosse uma imitação ou representação da Natureza. Logo, uma pintura abstrata, teoricamente, não representaria a Natureza, portanto, não poderia ser considerada arte. Devemos lembrar, ainda, que não há na obra de Platão um discurso específico dedicado à arte. Suas questões são com o <strong><em>belo</em></strong> (não o da Gracyanne). Podemos dizer que o <strong><em>belo</em></strong> de Platão seria o rosto do <strong><em>bem</em></strong> e da <strong><em>verdade</em></strong>, ou seja, nada seria belo se não fosse verdadeiro e nenhum bem poderia existir fora da verdade (CAUQUELIN, 2005). Mas isso é assunto para outro texto.</p>



<p>Enfim, de qualquer maneira, como este não é um texto para esmiuçar as identidades estéticas das manifestações artísticas ao longo da história, volto à questão central que traz, a partir desses exemplos, <strong>como a necessidade de representação era a preocupação constante na produção artística</strong>. Mas, veja bem, não estamos dizendo que a representação não é a tônica hoje. Digamos que são coisas diferentes.</p>



<p>Como dito no vídeo, a crise da pintura, (entre outros fatores), contribui de maneira determinante para as busca e experimentações que expandissem os limites do que seria a arte. Assim, essa intensa pesquisa fez com que a ideia de <strong>arte fosse subvertida em sua definição.</strong> Por isso a eclosão de tantos movimentos artísticos na virada do séc XIX e decorrer do séc XX, que culminou na desconstrução e hibridização dos conceitos de pintura, escultura e possibilitou o surgimento de linguagens como os <strong><em>happenings</em></strong>, <strong><em>performances</em></strong> e <strong><em>instalações</em></strong>. Na realidade, tanto a fase inicial da arte moderna, quanto a passagem pra arte contemporânea, são consideradas momentos de crise que levaram ao extremo a necessidade de renovar o pensamento e o senso estético sobre a arte.</p>



<p>Não podemos deixar de destacar que o trabalho de intelectuais engajados nas pautas modernistas ajudou a construir as narrativas que contribuíram diretamente para desconstrução do conceito de arte acadêmica pré-modernidade. Na realidade, é justo dizer que a atuação de intelectuais críticos de arte foi de fundamental importância para a construção de processo artísticos que consolidaram o entendimento sobre a &#8220;nova arte&#8221;que estava sendo produzida, ao menos no meio artístico.</p>



<p>Pedro Süssekind, em seu artigo sobre o fim da Arte, destaca o papel de teóricos como Greenberg a partir de Danto para justificar a consolidação das narrativas que se construíam no campo das artes à época:</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">&#8220;Entretanto, para esclarecer essa hipótese, preciso ressaltar que, como grande crítico da arte moderna, Greenberg foi também um tipo de polemista, que revolucionou a teoria da arte desconstruindo os parâmetros críticos dominantes ainda nas primeiras décadas do século XX. Mais do que qualquer outro autor, ele foi capaz de justificar teoricamente, contra o juízo crítico tradicional, a inserção dos movimentos modernistas, como o Impressionismo, o Cubismo e o Expressionismo Abstrato, na linha mestra de evolução da história da arte no Ocidente&#8221;. (SÜSSEKIND, 2014)</p>



<p>Bem, eu disse tudo isso sobre a representação e sobre a ampliação da ideia de arte porque <strong>existe um imaginário coletivo onde a arte persiste como deleite e representação. </strong>Ou seja, qualquer coisa feita fora de uma execução técnica virtuosa e sensível que não represente uma paisagem, uma pessoa ou “coisas que exitem”, automaticamente não é arte. Inclusive, é possível que você que esteja lendo este texto, neste neste exato momento, não considere uma pintura abstrata, por exemplo, arte, quiça uma performance!</p>



<p>Entretanto, devo dizer, de forma fraterna, que <strong>é bem provável que suas convicções sobre o que é ou não arte tenham sido construídas em um ambiente onde a pluralidade de linguagens e proposições artísticas foi reduzida à anúncios publicitários e manuais de pintura.</strong> Talvez você nunca mude de ideia e mantenha sua opinião em riste. Tudo bem por isso. Por outro lado, devo dizer que é muito importante entender que uma opinião cunhada em padrões estéticos de gosto, construída de maneira precária e superficial não pode deixar de respeitar a <strong>Arte como campo do conhecimento</strong>, e o entendimento acerca da pluralidade de linguagens e proposições artísticas, exige conhecimento. Afinal de contas,&nbsp; eu nunca vi ninguém questionando um engenheiro se um prédio é realmente um prédio, mas, diariamente, precisamos convencer alguém de que o que fazemos é arte sim.</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>SÜSSEKIND, Pedro. Greenberg, Danto e o fim da arte. Kriterion: Revista de Filosofia. vol.55&nbsp;no.129&nbsp;Belo Horizonte&nbsp;Jan./June&nbsp;2014&nbsp;</p>



<p>HEGEL, G. W. F. &#8220;Cursos de Estética I&#8221;. São Paulo: Edusp, 2000.</p>



<p>GOMBRICH, Ernst Hans. <strong>A História da arte. </strong>Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 16a Ed., 1999.&nbsp;</p>



<p>CAUQUELIN, Anne. Teorias da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2005. &#8211; (Todas as artes)</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes</strong> </strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Sobre hacker, arte e outras questões: em busca de brechas para se pensar às necessárias mudanças do mundo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Elisiana Frizzoni Candian]]></category>
		<category><![CDATA[Hacker]]></category>
		<category><![CDATA[Mr. Robot]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Elisiana Frizzoni Candian</p>
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<p class="has-drop-cap"><strong>A série de TV estado-unidense Mr. Robot (2015-2019) dirigida por Sam Esmail, estrelada por Rami Malek, conta a história de Elliot, um Engenheiro de Segurança Cibernética que trabalha para uma  das maiores empresas tecnológicas do mundo, a <em>E-Corp</em> (a empresa é fictícia, mas acredito que qualquer comparação com a Google não é mera coincidência&#8230;).</strong></p>



<p>Não é meu objetivo analisar a série ou entrar em detalhes a respeito da forma como a trama se desenrola (sim, eu recomendo que você assista. Considero a melhor série que já assisti na vida. É uma obra de arte, que harmoniza muito bem forma com conteúdo), mas gostaria mesmo de introduzir a discussão que quero travar nestas poucas linhas. Elliot pode ser chamado de “hacker”, uma vez que com suas habilidades em programação quer resolver os “problemas do mundo”. Hackers querem resolver os problemas do mundo.&nbsp;</p>



<p>A palavra <em>hacker</em> ainda representa um tabu para a sociedade atual, que e a emprega em diferentes contextos. Ora para definir um <em>expert</em> da tecnologia, ora um criminoso digital. Para diferenciar Hacker de quem comete crime digital, contudo, utiliza-se a palavra Cracker. Cracker é aquela pessoa que usa seus conhecimentos para violar sistemas ou redes de computadores.&nbsp;</p>



<p>Já para compreender a figura do <em>Hacker</em> é preciso se reportar à segunda metade do século XX, quando jovens estudantes, participantes do Clube de Ferromodelismo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT nos EUA), começaram a se dedicar à programação dos primeiros computadores que chegaram ao MIT. Tais jovens, então, “começaram a desenhar programas e máquinas a partir de uma nova linguagem que começava a ser escrita” (PRETTO, 2010) composta por zeros e uns, ou seja, a linguagem de programação.&nbsp;</p>



<p>O movimento se disseminou e podemos falar da constituição do que chamamos “cultura <em>hacker</em>”, formada inicialmente por programadores que acreditavam no poder da computação para sim, transformar o mundo, democratizar a sociedade com paixão e engajamento diante das ações e espírito de colaboração entre pares.&nbsp;</p>



<p>Steven Levy, em 1984, no livro “Hackers: Heróis da Revolução”, organizou 7 preceitos para o que ele chamou “Ética Hacker“. Esses preceitos segundo Levy (2001), faziam parte do cotidiano de quem frequentava o já citado Clube de Ferromodelismo do MIT. Dentre esses princípios, gostaria de destacar a defesa pela liberdade de acesso a tudo o que se possa ensinar no mundo, bem como a defesa do compartilhamento irrestrito de toda informação e de todo conhecimento, que dizem respeito ao intresse comum da sociedade. Dentre os demais, destaco ainda o princípio relacionado à possibilidade de se criar arte e beleza com o computador [apesar da dureza da máquina]. Assim, como a artesã que esculpe uma peça de cerâmica, o fazer hacker (ou hacking) pode ser visto como algo que demanda paciência, cuidado, beleza, criatividade (LEVY, 2001).&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Ampliando o conceito de hacker, o filósofo finlandês, conhecido pela sua obra “A Ética Hacker e o Espírito da Era da Informação”, Pekka Himanen (2001) esclarece que “é possível ser hacker sem ter nada a ver com computadores” e recupera a definição do Jargon (um conhecido Dicionário Hacker) para definir o que seria hacker: “perito[/a] ou um entusiasta de qualquer área. É possível ser hacker em astronomia, por exemplo.” (apud HIMANEN, 2001, p.8).&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, é possível ser hacker também nas artes e por isso, me foi impossível não&nbsp; trazer como exemplo aqui neste texto o projeto <em>Transborder Immigrant Tool </em>desenvolvido em 2007, pelas artistas Micha Cárdenas, Amy Sara Carroll, Elle Mehrmand, e pelos Professores Ricardo Dominguez e Brett Stalbaum, do Departamento de Artes Visuais da Universidade da Califórnia, San Diego e integrantes do grupo Critical Art Ensemble (CAE, 1987). O grupo explora as interseções entre arte, teoria crítica, tecnologia para a promoção de justiça social e ativismo político na rede, atuando no Ciberespaço, mas também fora dele por meio de uma prática chamada “Desobediência Civil Eletrônica” inspirada no conceito de “Desobediência Civil” de Henry Toreau (1849), “para quem é possível realizar uma oposição legítima a um Estado considerado injusto a partir de atitudes pacíficas, capazes de perturbar a sua ordem” (SANTOS, 2011).</p>



<p>O <em>Transborder Immigrant Tool </em>funciona por meio de um software denominado <em>walkingtools, </em>de um aplicativo (ambos desenvolvidos pelos membros do CAE) e de telefones de baixo custo com antenas de GPS. Os telefones com os aplicativos eram dados aos imigrantes mexicanos que, ilegalmente, tentavam atravessar a fronteira para os EUA e muitas vezes morriam pelas adversidades do deserto. O objetivo era oferecer ajuda humanitária às pessoas que inevitavelmente atravessam as fronteiras.</p>



<p>Quem estava na peregrinação do “sonho americano” encontrava, com ajuda da tecnologia, indicações de locais onde poderiam buscar por água, alimento, além de maneiras de se proteger das intempéries e de fugir de animais silvestres. Mas também recebiam poesias, a fim de tornar a travessia menos dolorosa. Além disso, os celulares não poderiam ser rastreados pelas autoridades, mas enviavam dados aos seus criadores, sendo possível traçar a rota de imigração.</p>



<p>O projeto&nbsp; ganhou a atenção da mídia por promover uma discussão sobre arte e seus limites, sobre política, sobre o uso da tecnologia para fins de justiça social etc. Mas, como era de se esperar, támbém porque seus criadores foram investigados por colaborarem com processos ilegais de imigração.&nbsp;</p>



<p>Em uma sociedade que se mostra tão intolerante com a diferença, é preciso se inspirar nos exemplos e encontrar brechas para modificar a realidade vigente, quem sabe se juntando àqueles que querem “resolver os problemas do mundo”?</p>



<p><strong>Referências citadas:</strong></p>



<p>HIMANEN, Pekka. A ética dos Hackers e o espírito da era da informação. Editora Campus: Rio</p>



<p>de Janeiro, RJ, 2001.</p>



<p>LEVY, S. Os heróis da revolução: como Steve Jobs, Steve Wozniak, Bill Gates, Mark</p>



<p>Zuckerberg e outros mudaram para sempre as nossas vidas. Trad. Maria Cristina</p>



<p>Sant’Anna São Paulo: Évora, 2012./ Hackers. Dell Publishing Co., 2001.</p>



<p>PRETTO, Nelson. Redes Colaborativas, Ética Hacker e Educação. Educação em Revista, Belo</p>



<p>Horizonte, v.26 , n.03 ,p.305-316, 2010.</p>



<p>SANTOS, Anne D.S Clinio dos. Mídias táticas no Brasil: dinâmicas de informação e</p>



<p>comunicação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro / Instituto</p>



<p>Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Ciência da</p>



<p>Informação, Rio de Janeiro, RJ, 2001.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Elisiana Frizzoni Candian</strong> é professora de Arte na Rede Pública de Ensino do Estado de Minas Gerais.&nbsp; Formada em Artes pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora, mestra em Artes pelo mesmo instituto. Doutoranda em Educação também pela UFJF. Estuda as interseções entre Educação e Cultura Hacker.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Benzeção computacional</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Você está protegido?
A rede mundial não é asséptica
Por isso, antes de navegar
Use sempre camisinha virtual
Safe surf or no surf at all
De resto, sem ciberceptivos
Só mesmo apelando
Aos deuses telemáticos</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong> </strong></strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Eu tô sentindo a sua Falta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Aurora Rodrigues</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Eu tô sentindo a sua falta
E o pior é que são coisas que eu nunca tive
E elas começam por você

Sinto falta todo domingo
De ficar de preguiça
De te olhar dormir
De te convencer não sair
Te receber em mim

Sinto falta do nosso futuro planejado
Do nosso trem descarrilhado

Sinto falta de te ver partir
Ciente de que não era o fim

Suas cicatrizes eram pra mim
A prova do sim
Do encaixe que as minhas, físicas, iriam contribuir
O enlace que estávamos por repartir
Antes da demora,
Depois da espera
E na hora do não
Que chegou
Enfim</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong>Aurora Rodrigues</strong> </strong></strong></strong></strong>é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Folha em Branco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Alícia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Folha em branco, papel ansioso para ser riscado, manchado, surpreendido. Encaro no sentido literal do desafio da folha me encarando por ser preenchida, mas também do recomeço, da oportunidade do novo que se estende mais uma vez convidativo, provocante, assustador.&nbsp;</p>



<p>Mais um ano, um ciclo, um marco para se aproveitar o “novo” vindo quentinho, saindo do forno com uma coleção de dias de chuva, festas, despedidas e amores.&nbsp;</p>



<p>Ainda está tudo meio embassado pela neblina do passado recente, mas por alguma razão, ele já não importa mais tanto assim. Que seja que foi só mais uma volta do planetinha azul em volta do seu próprio eixo! Pouco importa se muito em breve, tudo estará tão rotineiro e por vezes cansativo. Aproveitar o sentimento quase que ingênuo da esperança nunca é desperdício ou bobagem. Que ele nos impulsione a propor mudanças, a sonhar e aproveitar cada pequena oportunidade de ser e fazer feliz.</p>



<p>Pode prometer emagrecer, aprender a tocar violão, plantar um jardim, apadrinhar uma criança carente, tirar mais fotos com os amigos&#8230; Não tem problema se no final você só ler seis livros dos vinte a que se comprometeu ou acabar trancando aquele curso que acabou nem sendo tão interessante assim&#8230; Garanto que será incrível a jornada. O começo tem disso, de ter magia, mas o caminho é que é o espetáculo. E o fim? Bom, nós não sabemos quando o bilhete expira então é melhor não distrair&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong>Alícia é </strong></strong></strong>a mais nova (e maluca) de uma família de 4 mulheres (e alguns agregados) do interior de São Paulo. Estudou a vida inteira em instituições religiosas mas de todos os ensinamentos, assimilou basicamente o amor ao próximo como filosofia de vida. É formada em Ciências Contábeis, por acidente, porém apaixonada por todo e qualquer tipo de arte e expressão. Ama pizza e torta holandesa e sua cor predileta é o arco-íris.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Unissonância do Eu</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/19/unissonancia-do-eu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Larissa Valladares</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Pé descalço no chão
A temperatura do piso não faz diferença
Ambos são frios e barulhentos
Na colisão do choque o som seco
De ferro e azulejo coabitando&nbsp;
Do piso solitário pro asfalto
No corre corre de todos os dias
As juntas foram umedecidas na noite anterior
Com o óleo que sustenta seu corpo
Incapaz de produzir qualquer tipo de calor
Na cabeça há o limbo, sem uma mísera poeira
Só ferrugem
“vida pós vida”,&nbsp; caminha o homem de lata

Exala aos quatro ventos sua voz
Que preenche tudo com o nada
Ao contar sobre os bens adquiridos
Dentro da insatisfação de habitação em si mesmo
Como quem assopra num saco
E compartilha com o mundo seu som oco
Que no estouro é notado por todos
Mas os fazem tapar os ouvidos.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Larissa Valladares</strong> </strong></strong></strong></strong></strong>é filha, admiradora dos “pormenores” da vida e aspirante ao serviço social.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>13. Novela chamada Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darla Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/19/13-novela-chamada-brasil/">13. Novela chamada Brasil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Entrei no boteco, cheio, conseguindo entrar desapercebido, porque havia uma discussão acalorada no balcão. Pedi uma cerveja gelada. Um dos clientes discutia com animosidade sobre a iminência de uma terceira guerra mundial. É impressionante como em um estabelecimento desses todos sabem o que acontece pelo mundo, com propriedade de quem estudou em Harvard o assunto ou de quem foi laureado com um PhD com louvores. E ai de quem disser que o outro não entende do assunto. Aí o clima esquenta e pode acontecer de uma verdadeira bomba atômica cair e não sobrar casco sobre casco, cerveja estupidamente gelada ou um chouriço implorando para ser comido dentro da estufa. Um cliente, barba amarfanhada, barriga saliente, blusa regata, discutia com um outro, engomadinho, bigode aparado, cabelo laqueado:</p>



<p>-Esse Trump tá certo, caralho. Tem mais é que colocar esse terrorista que morreu no seu devido lugar.</p>



<p>-Mas, cara, pensa bem, ele não colocou o cara no seu lugar, mas sim matou o general de um outro país, gerando ainda mais revolta. Ele não queria diminuir o risco? Pois acabou fazendo o contrário, aumentou o risco; o Irã está babando e querendo vingança.</p>



<p>-General merda nenhuma. Bolsonaro falou que esse filho da puta nem general era. Terrorista tem mais é que morrer mesmo. Eu apoio os Estados Unidos. Eles estão mais que certos.</p>



<p>-Bem típico mesmo, né? Violência gerando violência, turbulência atrás de turbulência. Não pode haver uma tentativa de se resolver as coisas na paz.</p>



<p>-Paz porra nenhuma, bicho. Pra se achar a paz é necessário a guerra.</p>



<p>Confesso que em meio a essa discussão a cerveja era a minha melhor companheira. Fiquei imaginando como fazer para que o cara de blusa regata mudasse de opinião. Era muito difícil. Quase impossível. Em meio a um país onde a maior fonte de informação é a de redes sociais, sem autoria muitas vezes, falsa e travestida de ironia e brincadeira, todos se acham trajados da mais absoluta certeza e veracidade dos fatos. Não há o que discutir. Isso é mera formalidade para passar o tempo enquanto se come um tira-gosto e se bebe uma cerveja gelada. É mera formalidade em qualquer canto do país, desde as cadeiras catedráticas de uma instituição educacional até na arquibancada de um estádio, ou num ponto de ônibus. Quando estava metido nessas reflexões, a coisa esquentou de vez. Parece que o cliente mauricinho deu a entender que o barrigudo era um jumento sem pai nem mãe. Aí aconteceu o que eu imaginei. Coitado do chouriço! No chão, pisoteado. Cerveja escorrendo na parede. Casco na testa de um, vidro quebrado no chão. A paz que vira guerra no balcão, microcosmo de um Brasil cindido. O que fazer? Tome algo bem forte. E espere o próximo capítulo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc88e-publi-bodoque-natal.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5708" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/19/13-novela-chamada-brasil/">13. Novela chamada Brasil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Concurso premiará projetos com soluções de arquitetura e design no Complexo da Maré</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/19/concurso-premiara-projetos-com-solucoes-de-arquitetura-e-design-no-complexo-da-mare/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 20:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/19/concurso-premiara-projetos-com-solucoes-de-arquitetura-e-design-no-complexo-da-mare/">Concurso premiará projetos com soluções de arquitetura e design no Complexo da Maré</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O&nbsp;<a href="https://www.uia2020rio.archi/concurso-internacional-de-ideias-mare-cidade-N096pt">Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT)</a>&nbsp;apoia o Concurso Internacional de Ideias Maré-Cidade, que premiará projetos com soluções inovadoras de arquitetura e design urbano <strong>que visem integrar as favelas do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), ao seu entorno, levando em conta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). As inscrições estão abertas até 30 de março.</strong></p>



<p>Promovido pela União Internacional dos Arquitetos (UIA) junto ao Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o concurso é parte do 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2020RIO), que ocorrerá de 19 a 23 de julho na capital fluminense.</p>



<p>Serão oferecidos prêmios em dinheiro — variando de 1 mil a 3 mil euros — para os três primeiros colocados. Outros três projetos serão destacados com menções honrosas. O anúncio dos vencedores acontecerá em 1º de junho, e as soluções ganhadoras serão apresentadas ao público a partir de 21 de julho em uma exposição durante o congresso internacional.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O tema</h3>



<p>O Complexo da Maré é um dos maiores assentamentos populares do Rio de Janeiro, com 16 favelas reunindo cerca de 140 mil habitantes. São mais de 40 mil moradias com diferentes morfologias arquitetônicas, que vão desde construções informais até projetos habitacionais estatais.</p>



<p>Os projetos inscritos no concurso precisarão ter como objeto uma área localizada entre o conjunto de favelas e a Avenida Brasil. Atualmente, a área é ocupada por armazéns e prédios industriais, a maioria abandonada ou em desuso. O desafio proposto é buscar soluções que considerem a população local e sua conexão com a cidade.</p>



<p>“As favelas são definidas como territórios informais principalmente pelo não cumprimento dos códigos urbanos locais oficiais. A visão predominante de uma cidade única, regulamentada e normativa entra em conflito com a realidade constituída pelo crescimento e expansão das favelas. Resta, então, aos arquitetos e urbanistas o desafio de pensar e propor outro conceito de cidade como espaço de diferenças e diversidade”, diz Fabiana Izaga, uma das organizadoras do concurso e integrante do Comitê Executivo do Congresso Mundial de Arquitetos.</p>



<p>Presidente desse Comitê, Sérgio Magalhães acrescenta que “não há alternativas para lidar com as favelas sem que seja considerada a sua relação espacial com o entorno e com a cidade formalmente construída”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Construção coletiva</h3>



<p>Para definir as bases do Concurso, o Comitê Executivo do UIA2020RIO contou com o apoio do Observatório de Favelas, organização da sociedade civil para pesquisa, consultoria e ação pública voltadas à redução das desigualdades sociais.</p>



<p>“Fomos convidados a participar da elaboração do Termo de Referência que vai orientar o trabalho dos estudantes. Além de apresentar a história da Maré, procuramos explicar como se dá o uso dos espaços públicos na região, mostrar as prioridades da população local e apontar, para os participantes do concurso, caminhos de relevância e legitimidade para suas propostas”, conta Aruan Braga, diretor do Observatório de Favelas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Júri especial</h3>



<p>Para compor o júri do concurso, foram convidados o colombiano Elkin Velasquez Monsalve, diretor regional do ONU-HABITAT para América Latina e Caribe; a sul-africana Nadia Tromp, diretora do Programa de Trabalho da UIA Arquitetura Comunitária e Direitos Humanos; e o colombiano Alejandro Echeverri, ex-secretário de Desenvolvimento Urbano de Medellín.</p>



<p>Completam o time os brasileiros Verena Andreatta, doutora em Urbanismo e Ordenação do Território pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, e autora do livro “Cidades Quadradas, Paraísos Circulares”; e Gustavo Utrabo, do escritório Aleph Zero, autor do premiado projeto Moradas Infantis, no Tocantins.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Participantes</h3>



<p>Poderão participar do concurso estudantes de Arquitetura de todo o mundo, desde que estejam cursando regularmente a disciplina. O concurso aceita equipes multidisciplinares de até cinco membros, porém, só poderão assinar os trabalhos como autores ou coautores os estudantes de Arquitetura, Arquitetura Paisagística, Urbanismo, Design Urbano e Planejamento Urbano.</p>



<p>Estudantes de outras áreas profissionais poderão assinar como membros de equipe, colaboradores ou consultores. Cada estudante poderá participar de apenas uma solução concorrente.</p>



<p>Todos os trabalhos terão que ser apresentados em inglês, idioma oficial do concurso, e deverão levar em conta a integração entre o Complexo da Maré e o restante da cidade e sua relação com a Avenida Brasil, com propostas de novas conexões e cruzamentos.</p>



<p>O edital do Concurso Internacional de Ideias Maré-Cidade está disponível (apenas em inglês) no endereço&nbsp;<a href="https://www.uia2020rio.archi/concurso_en.asp#itemA1">https://www.uia2020rio.archi/concurso_en.asp#itemA1</a>.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/concurso-premiara-projetos-com-solucoes-de-arquitetura-e-design-no-complexo-da-mare/">Nações Unidas Brasil</a></em></strong> <strong><em>em 15/01/2020 &#8211; Atualizado em 15/01/2020.</em></strong></p>



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<p><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>As Guerras são feitas por água e comida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2020 11:55:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 028]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O argumento de hoje começa com duas histórias aparentemente muito distantes, mas próximas em sua moral e sua relação com os dias de hoje. Uma se passa nos campos de arroz da China, em 1830. O outro, nos anos 1990, na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).</p>



<p>No século XIX, um emissário do primeiro-ministro do Reino Unido foi ter com um secretário do Imperador da China. Ao encontrá-lo, o secretário mostrou-lhe todas as plantações de arroz que se perdiam no horizonte chinês, além de pequenas criações de animais, raízes e hortaliças, que eram de posse dos camponeses e rendiam, ao Imperador, tributos em troca de sistemas logísticos (estradas, moinhos, barragens) e proteção. Questionado se havia forças militares em defesa do Imperador, ele disse que sim, mas que as revoltas internas eram pequenas e não exigiam muito. A saber, a China dispunha de poucos arqueiros, escassos navios e sequer a pólvora, criação chinesa, era usada como arma.</p>



<p>Olhando para tudo aquilo, o emissário de Londres questionou: mas por que não permitir que os camponeses troquem entre si, aumentem o preço de seus produtos, enriqueçam, ao invés de permanecerem sob proteção de uma elite mais rica? O secretário respondeu: aqui é o reino da harmonia. Todos são ricos ou todos são pobres, conforme a vontade dos céus. Qual a lógica de uma família trocar seus produtos por mais do que vale, estrangeiro? Respondeu o britânico: se há mais batatas e menos cenouras, estas últimas valem mais que as primeiras. Rebateu o chinês: se há mil batatas e duzentas cenouras para duas famílias, então o Imperador faz com que haja setenta e cinco cenouras com cada família e cinquenta com o Império. Quatrocentas batatas com cada família e duzentas com o Império, de modo que todos estejam iguais, produtivos e seguros. E como é no seu pais: são todos iguais, produtivos e seguros?</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A historinha da dinastia Qing teria dado início à dominação inglesa na China, pois daí os britânicos teriam percebido que teriam ali uma imensa nação econômica e militarmente fraca a dominar. E muito alimento a receber. Por outro lado, permite ver o quanto os chineses já estavam, dois séculos atrás, preparados a assimilar o socialismo real como nenhuma outra.</p>



<p>A segunda ocorreu em São Paulo. Chefes de duas tribos indígenas, um do Alto Xingu e outro da calha do Madeira, receberam, no Dia Internacional do Índio de 1998, uma equipe do Globo Reporter, tradicional programa de reportagens em profundidade das noites de sextas-feiras na TV Globo. Primeiro, ainda na tribo, apresentaram seus alimentos vegetais, divididos em hortas sazonais, de modo que uma tinha o solo descansando da última colheita, outra tinha a terra preparada para futuro uso, outra estava em fase de plantação e uma quarta estava a ponto de ser colhida. Numa palhoça próxima, um reservatório pequeno.</p>



<p>Apresentaram-lhes, então, a ideia de conhecer o maior reservatório de comida do mundo, o Ceagesp, em São Paulo. Aceitando a empreitada, os chefes entraram no avião da emisorra e viajaram milhares de quilômetros para encontrar toneladas e toneladas de grãos, raízes, frutas, carnes, temperos e especiarias, flores, alimentos e plantas infindáveis que se espalhavam por quilômetros quadrados de atacado. Os indígenas assustaram-se, quase se perderam em meio ao labirinto de banquinhas e vendedores, sem perceber que eram usados pela reportagem num tom de humor, usando e abusando do estereótipo do índio ignorante.&nbsp;</p>



<p>No entanto, quando um dos chefes avistou um grupo de crianças que esperava comidas caírem do chão para pegá-las, perguntou: por que esse menino come as comidas do chão? O repórter respondeu: é porque ele tem fome. O outro chefe, então, imediatamente respondeu: que fome? O que não falta aqui é comida. E, com suas próprias mãos, pegou dois sacos de frutas de uma banquinha próxima e deu ao menino. Depois, disse ao repórter que tinha entendido o que era aquilo e não se interessava mais pelo convite.</p>



<p>As duas historias revelam o quanto culturas concebem o alimento de forma diferente da nossa, ocidental. Assim como elucidam a distribuição da comida como riqueza fundamental, de onde derivam todas as outras. De séculos em séculos, sociedades diferentes e incomunicáveis desenvolveram seus métodos de se organizarem e garantirem suas seguranças física (o que começa com a descoberta do fogo e termina com a formação dos grupos armados) e principalmente alimentar. Hoje, acrescenta-se a estas a informacional.&nbsp;</p>



<p>No entanto, no encontro de uma com outra civilização, a busca pela garantia da segurança alimentar, numa ou duas culturas que não admitem a partilha, leva ao conflito. Na necessidade de repelir a ameaça do outro pelo controle do alimento, um grupo se proclama “a civilização” e busca se impor, baseado em valores morais importantes para manter a união e a identidade do povo, igualmente diferente dos outros valores morais do agora inimigo. Na verdade, a moral e os valores são o pretexto, o que vale é a riqueza. O alimento.</p>



<p>Assim, num mundo que em que Ocidente é cristão e moldado pelos valores da Europa e dos Estados Unidos, é latente a necessidade de se negar o modo organizacional do oriente, seja este a China ou o Oriente Médio. Hoje, militarmente débil em relação aos Estados Unidos, o Irã é a bola da vez. Lá existe o alimento mais importante da humanidade, e ele não é o valioso açafrão, e sim o petróleo.</p>



<p>Uma lástima que tudo seja culpa da (in)segurança alimenta em nossa sociedade. No fim das contas, é por comida e água, que chegam à nossa mesa por meio de infindáveis cadeias que têm por motor inicial o petróleo e o gás, que existe todo conflito. Ou alguém duvida de que norte-americanos e europeus comem melhor (à parte a discussão nutricional), que africanos, árabes e latino-americanos?</p>



<p>As guerras, ao fim e ao cabo, são por água e comida.</p>



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<p><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> </strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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