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	<title>Arquivos Ano 002, N 030 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Estética do Capital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Dj Rennan da Penha]]></category>
		<category><![CDATA[estética]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Mative Butikofer Keppk</p>
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<p class="has-drop-cap">Na última quinta feira (30) a empresaria Lorena Vieira, esposa do DJ Rennan da Penha, afirma ter sido vítima de preconceito e racismo por parte dos funcionários de uma agencia do banco Itaú, onde ela pretendia desbloquear um cartão e sacar 1.500,00. A polícia foi acionada e a encaminhou para a 22ª DP (Penha) onde ela afirma ter sido tratada com deboche e descaso pelos policiais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b5938-image.png?resize=548%2C336&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7041" width="548" height="336" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>O lamentável caso de Lorena não é inédito no Brasil. A percepção de sucesso e riqueza está diretamente atrelada a um grupo específico de classe de pessoas. O padrão estético de beleza é determinado por construções ético-morais a que estão submetidos os indivíduos de uma sociedade. No Brasil, com nossa tradição escravocrata e racista, não é difícil perceber quais valores morais permearam a construção de nossa base social. Como tão bem coloca o aclamado filosofo contemporâneo Noam Chomsky: “A amnesia histórica é um fenômeno perigoso, não só porque mina a integridade moral e intelectual, mas também porque prepara o terreno e estabelece as bases para crimes que ainda estão por vir”.</p>



<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 1% mais rico do Brasil é formado por 79% de brancos e 17,4% de negros (classificação usada pelo órgão para os que se autodeclaram pretos e pardos. Os percentuais restantes se referem a amarelos e indígenas). Interessante como que mesmo com uma maioria populacional negra o “sucesso” financeiro pertence ao branco.&nbsp;</p>



<p>O problema de Lorena e tantos outros brasileiros é que eles, em algum momento, passaram a ocupar lugares que não lhes dizem respeito. Lugares que não lhes cabem. Lugares que historicamente foram destinados e construídos para uma única singularidade racial. Para simplificar, algo como: “Não tenho nada contra negros, tenho até amigos que são”.</p>



<p>Parafraseando a ideia de Zygmunt Bauman em o “Mal estar da pós-modernidade”: Não são as características intrínsecas das coisas que as transformam em “sujas”, mas tão somente sua localização na ordem das coisas imaginadas. Sapatos magnificamente lustrados e brilhantes são louváveis nos pés de um empresário, agora, tornam-se sujos e indesejados se colocados na mesa de jantar. Lorena e tantos outros brasileiros ainda causam estranheza, simplesmente por estarem aonde estão.</p>



<p>Compreender como a sociedade desenvolve suas noções de beleza através de padrões estéticos é fundamental para perceber como se desenrolam as interações éticas nesta sociedade. O que é o belo? Quem é belo? Quais os padrões impostos que determinam o belo? Essas são perguntas cruciais a serem feitas, afim&nbsp; de compreender além do senso comum, o que houve no caso de Lorena.&nbsp;</p>



<p>Como descreve tão bem o filosofo francês Gilles Lipovetsky: “A ética estética hipermoderna se mostra impotente para criar uma existência reconciliada e harmoniosa: nos a sonhamos voltada para a beleza, e ela é voltada para a competição”. Ou seja, o “sucesso” em um mundo cada vez mais competitivo parece estar reservado para poucos – não aqueles que fizeram por merecer, como apregoa a meritocracia barata, mas sim e em primeira instancia a aqueles que são belos (ou merecedores por herança genética).&nbsp;</p>



<p>O cenário econômico mundial não parece promissor. Autores aclamados, como Yuval N. Harari, já desenham suas previsões sobre um futuro onde a Inteligência Artificial tomará a frente do ser humano nos postos de trabalho. Ainda mais competição e segregação. Cada vez menos espaço para todos.&nbsp;</p>



<p>Não são poucos os autores contemporâneos que observam e escrevem sobre tais fenômenos. Parece claro afirmar que em um mundo onde a riqueza se concentra cada vez mais em menos lugares, grupos ou indivíduos, a competitividade gerada cria um cenário cada vez maior de aversão aos “não belos”, aos que não deveriam ocupar tais espaços de proeminência ou privilégio.&nbsp;</p>



<p>Evidentemente que tais fenômenos não se limitam ao Brasil. Na Alemanha o livro “A Alemanha se dissolve” de Thilo Sarrazin se tornou best-seller de enorme sucesso ao defender a tese de que os imigrantes estão destruindo o país. A chanceler Angela Merkel embora tenha condenado o livro declarou que o multiculturalismo alemão “fracassou estrondosamente”: os turcos importados para fazer o trabalho sujo na Alemanha não estão conseguindo se tornar autênticos arianos, louros de olhos azuis.</p>



<p>Em sua obra “A salvação do belo”, Byung-Chul Han explica etimologicamente o sentido da noção de beleza presente na construção do sentido alemão. Uma multidimensionalidade é o que caracteriza o termo inglês <em>fair</em>. Significa tanto <em>justo</em>, como também <em>belo</em>. Tambem <em>fagar</em>, do alto alemão antigo, significa <em>belo</em>. A palavra alemã <em>fegen</em> significa originalmente <em>tornar brilhante</em>. O duplo sentido de <em>fair</em> é uma indicação expressiva de que a beleza e justiça originalmente estabeleceram-se da mesma representação. A justiça é sentida como bela. Uma <em>sinestesia</em> particular vincula a justiça com a beleza.</p>



<p>Dessa forma, a presença do belo é um convite a ética. Como entender o racismo e o preconceito como ações éticas? Como compreender uma sociedade que insiste em considerar como “estranhos” aqueles que carregam justamente as diferenças que nos caracterizam como <em>homo sapiens</em>? A própria noção de raça que nos divide já é uma noção criminosa tão aperfeiçoada pelo nazismo alemão.</p>



<p>Se a simples presença do belo (e todos são) é um convite ao comportamento ético como justificar a morte de Galdino Jesus dos Santos? Como justificar a prisão de Leonardo dos Santos em 25/01/2019 que simplesmente foi confundido com um criminoso por ambos serem negros? Como explicar o ainda aprisionamento de Rafael Braga? Como interpretar a ação dos funcionários do banco e da polícia ao abordar Lorena Vieira na ultima quinta-feira?</p>



<p>O grande antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro em sua obra “O Povo Brasileiro” nos fornece variadas dicas sobre como interpretar todas as questões do parágrafo anterior: “Fica a grande massa das classes oprimidas dos chamados marginais, principalmente negros e mulatos, moradores das favelas e periferias da cidade”. Seu desígnio histórico é entrar no sistema, o que se torna impossível dentro da estrutura de classes. Uma sociedade que precisaria ser totalmente refeita, das reflexões éticos-morais aos conceitos estéticos.&nbsp;</p>



<p>Atualmente nenhuma política do belo é possível, pois a política atual é totalmente subordinada a coerções. A política do belo seria uma política da plena liberdade, porém a liberdade para todos parece cada dia mais escassa. Galdino, dos Santos, Braga e Lorena Vieira não tiveram liberdade. A sociedade não foi ética com estes. Com tantos outros.&nbsp;</p>



<p>O que nos resta? Desfazer toda uma estrutura social? Investir em educação? &#8230;</p>



<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>



<p>1 – Noam Chomsky – Quem manda no mundo, 2016</p>



<p>2 – Zygmunt Bauman – O mal-estar da pós modernidade, 1997</p>



<p>3–Gilles Lipovetsky – A estetização do mundo. Viver na era do capitalismo artista, 2014</p>



<p>4 – Yuval Noah Harari – 21 lições para o século, 2018</p>



<p>5 – Matthew Weaver, “Angela Merkel: GermanMulticulturalismHasUterlyfailed”, <em>The Guardian</em> (Londres), 17 de outubro de 2010.</p>



<p>6 – Byung-Chul Han – A salvação do belo, 2015</p>



<p>7 –&nbsp; Scarry, E. <em>On Beauty and Being Just.</em> Princeton, 1999, p. 93.</p>



<p>8 – Darcy Ribeiro –O povo brasileiro. A formação e o sentido do brasil, 2013</p>



<p>9 – Byung-Chul Han – A salvação do Belo, 2015</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Guilherme Mative Butikofer Keppk </strong>é professor, graduado em Teologia e graduando em Sociologia Política pela FESP-SP.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg24-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6954" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie seus amigos artistas. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Bacurau e o(s) Nordeste(s) que querem se ver (Parte 1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Bacurau]]></category>
		<category><![CDATA[cinema nacional]]></category>
		<category><![CDATA[estética]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Rocha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Vinícius Oliveira Rocha</p>
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<p><em>O maior fenômeno do cinema nacional do último traz para a tela a subversão, descolonização e pluralidade que tanto faltam ao se falar da região</em></p>



<p class="has-drop-cap">Em uma cena emblemática de “Bacurau”, longa co-dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, dois sudestinos – um paulista e uma carioca – estão em uma sala com um grupo composto por estadunidenses e um alemão. Conforme estes apresentam seus planos perversos para a comunidade que dá título ao filme, também fazem questão de estimular o desconforto nos sudestinos, ao forçarem-nos a ver um vídeo (gravado por um drone em forma de disco voador) deles assassinando dois homens que investigavam outros assassinatos cometidos pelo grupo. A morte dos dois não apenas é o mote para que Bacurau comece a se dar conta de que está sendo atacadapor forças desconhecidas, como também gera, através do desconforto do casal sudestino, um embate simbólico que reflete as variadas hierarquias de opressão que se traduzem na forma desdenhosa como os “gringos” os tratam, a partir do momento em que estes tentam justificar seus atos.</p>



<p><em>-Estes dois que vocês mataram&#8230; eram seus amigos?</em></p>



<p><em>-Amigos? A gente não mata amigos no Brasil. Mas não, a gente não é desta região.</em></p>



<p><em>-De que região vocês são?</em></p>



<p><em>-A gente é do sul do Brasil. Uma região muito rica, com colônias alemãs e italianas. Somos mais como vocês.</em></p>



<p>Mas para os estadunidenses, estes sudestinos/sulistas não podem ser como eles, pois não são brancos. Os lábios e o nariz da mulher carioca a “denunciam”; estão mais para mexicanos brancos (mas não norte-americanos ou europeus brancos). Uma das estrangeiras até se refere ao paulista como um “latino bonitão”. Mas os dois jamais serão como eles. E como logo descobrem, ao receberem uma saraivada de balas ordenadas pelos misteriosos superiores dos estadunidenses, nunca foram nada além de um acessório, objetos de manipulação para atacarem a cidade.</p>



<p>[link da cena: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-qdLSiLmNX8">https://www.youtube.com/watch?v=-qdLSiLmNX8</a>]</p>



<p>Longe de mim atestar que ao contrário do que os sudestinos pensam, somos todos brasileiros, pois como um amigo meu crítico dessa cena me lembrou, isso não muda o histórico de tensões, conflitos e violências raciais impostas pelos brancos do Sul e Sudeste à população majoritariamente negra do Nordeste (ou também dos brancos nordestinos aos negros de sua própria região). Haja ou não um recorte racial proposto por Mendonça Filho e Dornelles nessa cena, o que se há de certeza um recorte histórico e geográfico. Pois as falas enunciadas pela mulher carioca e o homem paulista, em sua vã tentativa de serem aceitas por esses estrangeiros, apenas reflete um pensamento e discurso estruturados há séculos e que estão entranhados nas problemáticas relações entre o Norte/Nordeste e o Sul/Sudeste.</p>



<p>E foi essa cena que me fez pensar “meu Deus do céu, esse filme é como meu TCC transposto para a tela”.</p>



<p><strong>Sobre colonialismos e colonialidades&nbsp;</strong></p>



<p>Entre os séculos XV e XVI temos mudanças significativas afetando a Europa: a derrota dos mouros na Península Ibérica, a expulsão dos judeus e a expansão atlântica. Estes três povos – mouros, judeus, ameríndios (e posteriormente os escravos africanos) – são “exteriores” à ideia de uma cristandade europeia.&nbsp;</p>



<p>A implantação do sistema capitalista não seria possível sem as relações coloniais estabelecidas pelo Ocidente europeu no contexto das grandes navegações e das suas ações em relação a novos e velhos povos que não fossem os seus. Para o sociólogo peruano Aníbal Quijano, tem-se aí uma espécie de “colonialidade do poder”: na América, portugueses e espanhóis definiram relações de trabalho com base nas questões de raça, oprimindo e escravizando (quando não exterminando) povos ameríndios, e mais tarde subjugando povos africanos para trazê-los como escravos.</p>



<p>O colonialismo multiplicou as formas de discriminação a fim de manter as estruturas capitalistas ainda vigentes, e tamanho é seu sucesso que ainda hoje em dia temos dificuldade em reconhecer o quanto ele e a colonialidade permanecem entranhados, quase invisíveis, nos nossos modos de vida e de consumo. Mesmo na esfera intelectual é possível notá-lo, na medida em que os pós-modernos discutem as diferenças coloniais como lugares passivos, como se estes povos não pudessem se expressar por si mesmos.</p>



<p>E é essa lógica que “Bacurau” quebra. Ele traz a discussão a partir de quem está naquele local, não um olhar externo e marcado pelo desconhecimento. É por isso que é tão indissociável falar do filme com propriedade na medida em que se vive no Nordeste – e eu ainda nem entrei no mérito da multiplicidade de Nordestes que há, em oposição à visão de uma região homogênea que se difundiu por aí (mas logo mais falarei sobre isso).</p>



<p>A forma como os sudestinos forasteiros do filme se enxergam reflete exatamente o ponto de vista dos <em>criollos, </em>brancos que nasciam nas Américas, mas que se sentiam ligados à Europa, ao Velho Mundo, como se pertencessem a dois continentes e a duas culturas. Era uma dupla consciência branca, já que os escravos africanos e os ameríndios jamais receberiam o mesmo tipo de tratamento. E se até no futuro próximo em que “Bacurau” se passa os <em>criollos </em>ainda se mantém presos ao mesmo pensamento, dá para ver então que ainda estamos longe de termos superados os colonialismos e as colonialidades.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/070dc-image-3.png?resize=492%2C329&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7065" width="492" height="329" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>O paulista (Antonio Saboia) e a carioca (Karine Telles): “criollos”</em></figcaption></figure></div>



<p><strong>Os “Quatro Brasis”, a Região Concentrada e as periferias</strong></p>



<p>Mas afinal de contas, por que se dão essas tensões geográficas no Brasil? Elas estão enraizadas no próprio tamanho continental do país e nas formas como esse território foi sendo ocupado. De início a população concentra-se na faixa litorânea, com alguns bolsões no interior. Até que no século XIX, o desenvolvimento do maquinário e da tecnologia, bem como dos meios de transporte (à época as ferrovias) passa a ditar os vetores de crescimento do país.</p>



<p>O centro de poder econômico (e, portanto, político) desloca-se do Nordeste da cana-de-açúcar para o eixo Rio-São Paulo e seu café e suas indústrias. As relações no interior do eixo se intensificam (ainda que São Paulo supere o Rio de Janeiro em população e importância econômica), já que as fábricas geram um tecido industrial que também move as relações em sociedade. Mas a relação deste centro de poder com as periferias é desigual, lançando-se as sementes das disparidades entre as regiões.</p>



<p>Mesmo com o poder político sendo realocado para o Planalto Central após a II Guerra, o eixo Rio-São Paulo ainda detém o poderio econômico, beneficiando também os estados do Sul. A este conluio Sul/Sudeste os geógrafos Milton Santos e María Laura Silveira denominaram de Região Concentrada, onde os “meios técnico-científico-informacional” se instituíram com mais facilidade e sucesso por conta da industrialização e urbanização precoces, que a colocaram na dianteira em relação às outras regiões. A Região Concentrada é, para Santos e Silveira, um dos “Quatro Brasis”; os outros três sendo o Nordeste, o Centro-Oeste e a Amazônia.</p>



<p>É interessante notar como “Bacurau” dá poucas pistas sobre o cenário sociopolítico deste futuro em que se passa. Em determinado momento vemos um vídeo sobre a personagem Lunga que se passa num canal intitulado “Brasil do Sul” – e quando os sudestinos se apresentam aos estadunidenses, afirmam serem do Sul. Assim o dizem apenas para facilitar ou de fato houve uma separação, uma reorganização das regiões do país? Algumas perguntas para as quais não teremos respostas. Confesso que queria ver mais da construção deste universo e a falta dessas respostas me frustrou um pouco (assim como as figuras por trás dos planos dos estadunidenses), mas entendo que a proposta do filme não é essa. O cerne da questão é outro, e rende as discussões mais importantes que tenho travado no meu TCC.</p>



<p>Mas isso é um papo para a próxima semana.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Vinícius Oliveira Rocha</strong> </strong>é um paulista de nascimento e baiano de coração que atualmente reside em Aracaju-SE, onde faz graduação em Jornalismo. É aficionado por cinema, música, literatura, TV, cultura pop e mobilidade urbana, e autor do livro de fantasia infanto-juvenil &#8220;O Destruidor de Mundos&#8221;.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg24-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6954" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie manifestações artísticas de rua. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Meu encontro com Frida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Frida]]></category>
		<category><![CDATA[mudança de olhar]]></category>
		<category><![CDATA[Nayana Mamede]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Nayana Mamede</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Há alguns meses atrás tive a oportunidade de conhecer o MALBA, Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.<br>Uma experiência incrível para uma moça como eu, que quando estudante, nem sequer sonhava com isso.</p>



<p>Confesso, apesar de ser formada em artes visuais, as artes plásticas não são exatamente meu campo de interesse.<br>Quando você estuda arte, inevitavelmente ganha um olhar muito mais analítico para a coisa. E depois de se debruçar em<br>centenas de textos, aulas, obras e críticas, de alguma forma, pelo menos pra mim, consumir arte começou a ter um gosto diferente.</p>



<p>Existe algo que tira o seu olhar leigo e as análises tomam o lugar da emoção. Obviamente esta experiência é pessoal e pode ser completamente diferente para você, leitor, ainda que tenha uma interpretação especializada na área.</p>



<p>O fato é que, em meio a obras incríveis como o Abapuru, de Tarsila do Amaral, A Manifestação, de Antônio Berni, as impressionantes esculturas de Ligya Clark, entre outras, Frida Khalo roubou minhas lágrimas.</p>



<p>Virei levemente um corredor e me vi paralisada olhando pra ela. Ela mesma, figura icônica que teve seu rosto massivamente reproduzido em estampas de bolsas, camisetas, canecas, virou até fantasia de carnaval.</p>



<p>Ao me deparar frente a frente com sua obra, o &#8220;Autorretrato com macaco e papagaio&#8221;, uma emoção inexplicável tomou conta de mim, e neste momento eu reconheci toda a força e poder desta mulher ao se retratar. Não me importava a técnica, nem o conceito, nem o que se passava na cabeça dela. Somente uma força hipnotizante que vinha daquele olhar e as lições que ela tinha a me dar (que não trarei a tona aqui, pois como bem sabemos, a experiência da arte é pessoal e aberta a interpretações múltiplas). Naquele momento, respirei aliviada. De alguma forma, ela restaurou minha capacidade de ver a arte com olhos mais ingênuos.</p>



<p>Frida me salvou. Grácias, Chica.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Nayana Mamede</strong> é CEO da própria vida, cantora de chuveiro e ganha o pão fotografando coisas e pessoas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Cultura, pertencimento e Fake News.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[max Weber]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Em &#8220;A Objetividade do Conhecimento&#8221; (1904), Max Weber propõe:</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><strong>“C</strong>ultura é um segmento de significação que permanece irredutível à natureza e qualquer proposição de retorno à natureza é absolutamente contrária a uma civilização concreta”.&nbsp;</p>



<p>Passível a troca mediante o contato, &#8220;cultura&#8221; em Weber ressignifica a forma com que se estuda a organização das sociedades na sociologia, percebendo o indivíduo em sua peculiaridade de ação para, então, entender o conjunto de toda a obra.</p>



<p>&nbsp;Nesse sentido, a comunicação se torna ferramenta essencial para a construção da &#8220;ação social&#8221;. Explicando a realidade mas não a sendo -efetivamente-, o autor divide as ações em quatro: Ação tradicional, ação afetiva, ação racional com relação a valores e ação racional com relação a fins. O motivo pelo qual se divide dessa forma, reside no fato de que existem distintas racionalidades, ou seja, formas diferentes de se interpretar e relacionar.&nbsp;</p>



<p>Tendo em vista a fluidez do conceito -quando aplicado-, podemos destacar que, no campo da manifestação de criatividade humana, a cultura atravessa os limites que foram criados culturalmente, instigante, não? A ideia de que se produz para os pares, sofre uma mutação quando encarada por essa perspectiva. Produz se para alguém. Há aqueles que dizem que, racionalizar a arte, faz com que essa seja esvaziada de sentido, mas que sentido há na falta de relacionamento com o que se vê e/ou escuta?&nbsp;</p>



<p>Não questiono a &#8220;aura&#8221; da obra, pois escrevendo para o seu próprio tempo, Walter Benjamin na primeira metade do século XX, esclarece que em tempos de reprodução mecânica, a arte surge enquanto prática política e, dessa forma, compreende se uma função quando não é racionalizada, todavia, não o é pela ausência de valor que se constrói pela reprodução, objeto de crítica pelo autor.&nbsp;</p>



<p>Quando se redescobre na imagem e/ou canção (ou em todas as outras formas de expressão artística) um sentido para além do que aparentemente se percebe, racionalizamos e nos relacionamos com o que nos é servido e, então, produzimos um sentido individual que se caracteriza no palco do pertencimento. Cultura.&nbsp;</p>



<p><strong>A não banalização desse diálogo revela uma forma específica de organização social. A arte comunica e, por efeito, produz uma ação.&nbsp;</strong></p>



<p>O pertencimento está ligado aquilo que cada indivíduo projetou como lar, não no sentido físico de alguma construção, mas de receptividade e afeto. É o que, de fato, pode gerar raízes. Ter a arte absorvida pelo outro nessa dimensão, deve provocar um ímpeto de responsabilidade em nós, aquele que exclui o projeto autoritário de &#8220;uma arte nacional&#8221; e que exclui também o pioneirismo tolo sem referência e, quando digo isso, me refiro aquele que é amante do egoísmo que, por sua vez, auxilia na manutenção das calúnias e fake news pelas redes. Se a sua arte está na escrita, peço que tenha um cuidado ainda maior com esse último ponto.&nbsp;</p>



<p>Construir uma mentira não é difícil, sustentá-la, sim. A cada vez que reafirmamos o <em>pseudo-pioneirismo</em> que construímos, demandamos uma nova mentira, que afeta não só o meu círculo social mas tudo aquilo que tenho como oposto ao que julgo -de forma caluniosa e anti ética-. Assim sendo, é necessário sacrificarmos a ação social, a comunicação e, por fim, o indivíduo, toda vez que nos manifestamos em prol de um pioneirismo fajuto e tolo. É uma morte lenta. Fuja dela.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Fica, vai ter bolo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Aurora Rodrigues</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Eu às vezes tenho problema com meu nome. Não que eu não goste dele, considere estranho, ou feio. Quando eu era mais nova, eu não gostava, e o motivo era único: não existia um apelido com ele. Durante o meu crescimento, todo o possível que resulte numa pessoa de 1.60m, gastei grande parte do meu tempo pensando em como os amigos poderiam me chamar de forma mais carinhosa. Do meu nome mesmo se derivaram alguns poucos, quando eu não estava mais ligando para isso, depois da adolescência.&nbsp;</p>



<p>Outro fato que me perturba em nomear alguém, é o tamanho da responsabilidade&nbsp;do significado que uma pessoa carrega desde não saber quem é. Na minha opinião, os nomes deveriam ser dados após algum tempo de convívio, ou melhor, quando a criança já fosse capaz de expressar sua personalidade. No meu caso, o mesmo anjo que mandou o poeta ser &#8220;gauche na vida&#8221; se apresentaria aos meus pais e me daria o nome de &#8220;Preguiça&#8221;, o que para mim, seria ótimo, pois eu não teria necessidade de passar por ⅓ dos sacrifícios que eu passo todo dia para explicar a minha inércia e falta de necessidade de muita interação, e do mesmo lado, vencer meu próprio nome e sair brilhando por aí.&nbsp;</p>



<p>Só que esses dias eu saí de casa, fui visitar minha tia.&nbsp;</p>



<p>Declaração um tanto quanto comum, para qualquer pessoa que se habilite a tal processo devastador, que é sair de casa.&nbsp;</p>



<p>Nessa ocasião, minha mãe foi primeiro. Quando ela chegou, antes de me avisar se tinha vencido o trânsito cruel de qualquer cidade nas férias escolares, ela me falou: &#8220;Vem! Tem bolo&#8221;. Diante essa afirmação, procurei dentro de mim todos os subterfúgios para calar a minha própria consciência e enfrentar a temível&nbsp;odisseia que me aguardava, que seria chegar ao outro lado da cidade.&nbsp;</p>



<p>Eu amo bolo.&nbsp;</p>



<p>E acho incrível a ambiguidade estrutural que o substantivo “bolo” tem na língua portuguesa. “Bolo” pode ser de chocolate, e com isso me refiro aos doces, de carne, me referindo aos salgados. Pode ser bolo de dinheiro, qualquer quantidade amontoada, alguém que descumpre um compromisso, e ainda alguma confusão.&nbsp;</p>



<p>Rapaz, e que bolo&nbsp; , viu!&nbsp;</p>



<p>Eu não sou nenhuma sumidade na cozinha, mas quando me atrevo, sempre faço bolo, doce . Eu acho incrível como que um alimento à base de massa de farinha, com açúcar e ovos ganha uma forma muito grande e legal, porque não é arroz, arroz incha e amolece, bolo não, bolo é &nbsp;farinha, de&nbsp; trigo, de milho, de batata, maisena ou qualquer outra , um&nbsp; adoçante, alguma liga, seja ovos ou glúten ou amido, gordura que pode ser manteiga, margarina ou óleo, purê de fruta e algo líquido, seja leite, água ou suco. Pode até ser que eu devesse admirar assim qualquer massa, mas acho que por bolo ser tão presente na vida, ele é muito mais admirado que qualquer outra coisa que tenha os mesmos passos, mas com o resultado diferente.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/04dd9-image-1.png?resize=244%2C364&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7057" width="244" height="364" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>Talvez me fascine a mistura, porque todos aqueles ingredientes diferentes que das primeiras vezes que a gente se atreve se pergunta “O quê?” como se fosse aquela pedra que a gente bate sempre a cabeça, mas não machuca a gente.&nbsp;</p>



<p>Isso me fez lembrar uma conversa&nbsp;que eu tive com um grande amigo ano passado, eu estou com todas as minhas conexões mentais ativas tentando fazer isso ficar menos pessoal possível, mas por favor, eu já falei do meu nome, meus gostos e minha tia. Já temos um nível de intimidade que eu ando pensando que nas próximas vezes eu já posso falar em como eu me sinto quando eu lembro da separação do Exaltasamba ou até do impacto que a repentina mudança de nome do Roupa Nova causou na minha memória afetiva. Somente coisas sérias, lógico.</p>



<p>Enfim, a pergunta era “como voltar a confiar”. Ele não me explicou nada que eu não soubesse, mas tudo que eu sempre esqueço, dizia ele que nossas vidas são um emaranhado de ligações, muitas vezes a gente sofre por nossas próprias escolhas, outras por termos essas ligações, sofremos muito mais que gostaríamos, igual naquela brincadeira da cama de gato, onde existia uma forma certa de buscar o barbante com os dedos, para sair o desenho certo na mão da outra pessoa e poder continuar a brincadeira.</p>



<p>Por isso eu acho que somos um constante bolo. Ou melhor, somos uma eterna pâtisserie, onde cada processo é um bolo e todos dotados de capacidade de exposição. Cada passo é um passo da receita, as vezes é uma receita solo que a gente coloca na vitrine para todos que passam e morre de orgulho de tê-lo feito. Outras vezes damos conta de mais de um bolo, e quando numa conversa rápida sai um bolo tão maravilhoso que todos se perguntam a receita e a gente nunca lembra? Existe também a receita que é compartilhada, onde surgem ingredientes novos, e a gente bate até com mais cuidado pois não sabemos a receita.&nbsp; Tem também a possibilidade do bolo solar, e isso é muito difícil de aceitar, porque a gente nunca sabe onde errou, aí a gente questiona a nossa capacidade, mesmo tendo feito tantas coisa maravilhosas, já que os ingredientes estavam todos certinhos, e ele precisava tanto dar certo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/222e9-image-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7059" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>A gente só não pensa em como os bolos solados são importantes, eles requerem da gente um recomeço, simplesmente por não existir a possibilidade de não tirar nada de qualquer fase, a gente sempre tira, e olha, nem sempre vem um bolo lindo, e nem um bolo lindo mostra os calos na mão do confeiteiro, só que eles trazem a luz do dia uma nova capacidade, mostram o quanto a gente pode aprender a&nbsp;escrever nossa própria receita e assim como sempre diz um cantor chamado Belo: Recomeçar.&nbsp; Com os bolos aprendemos a jogar com a nossa capacidade de entregar a tempo, aprende a lidar com uma receita tem que ser específica, sem erros, nesse momento lançamos fora toda e qualquer ansiedade e apresentamos em ponto, perfeito.</p>



<p>A gente faz, e faz mais. Tudo isso, e só depois para gente entender quando com um sorriso largo alguém chega e fala: “Fica, vai ter bolo.”&nbsp;&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Aurora Rodrigues</strong> é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg13-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6948" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie manifestações artísticas de rua. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Museu e design social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[ICOM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Diante da intensificação das mudanças sociais, políticas e tecnológicas que o séc XXI inaugurou, o entendimento sobre o papel do Museu, bem como sua própria definição, estão sendo repensados e re-articulados para atender as novas demandas que surgiram. Por este motivo, devemos pensar no museu e seu papel no design social.</p>



<p>No dia 07 de setembro de 2019, o ICOM realizou a assembleia geral extraordinária (AGE) em Quioto, no Japão. Este encontro intentava votar uma nova definição conceitual para o Museu e como deve ser sua atuação a partir disso.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Definição de Museu de 2007</h4>



<p>Segundo os Estatutos do ICOM, aprovados pela 22ª Assembleia Geral, Viena, a 24 de agosto de 2007:</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">&#8220;O Museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, estuda, expõe e transmite o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio, com fins de estudo, educação e deleite”. (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013)</p>



<p>Esta definição é consoante com a ideia de uma museologia  cujo centro é a ênfase no objeto museológico enquanto patrimônio cultural. Nesse sentido o museu é entendido como um instrumento ou função concebida pelo homem em uma perspectiva arquivística, de compreensão e transmissão (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013) . Digamos que um museu pode ser entendido, nesse sentido, como um lugar de Memória (Nora, 1984-1987; Pinna, 2003).</p>



<p>Contudo, na conferência trienal do ICOM, realizada em Milão, em 2016, um novo comité permanente foi designado para elaborar e apresentar uma nova definição. O <strong>Comité sobre a Definição de Museu, Perspectivas e Possibilidades</strong> (MDPP, 2017-2019) tinha como objetivo oferecer uma perspectiva crítica sobre a atual definição. </p>



<p>Por este motivo, foi preciso apresentar uma alternativa, com abrangência internacional (ICOM, Portugal, 2019).</p>



<p>Certamente preocupados com a atuação do museu no séc XXI, este comité conciliou um amplo diálogo e contribuições da maioria dos membros do ICOM no mundo. </p>



<p>Logo, para que a nova definição desse conta dos desafios por vir, um novo texto foi elaborado.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Definição de Museu para o Séc XXI</h4>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">&#8220;Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e polifônicos para um diálogo crítico sobre o passado e o futuro. Reconhecendo e enfrentando os conflitos e desafios do presente, eles guardam artefatos e espécimes para a sociedade, salvaguardam diversas memórias para as futuras gerações e garantem direitos iguais e acesso igual ao patrimônio para todos os povos. Os museus não são lucrativos. Eles são participativos e transparentes, e trabalham em colaboração ativa com e para várias comunidades, a fim de coletar, preservar, investigar, interpretar, expor e expandir os entendimentos do mundo, com o propósito de contribuir para a dignidade humana e justiça social, para igualdade mundial e bem-estar planetário.&#8221; Confira clicando <a href="http://www.ibermuseos.org/pt/recursos/noticias/icom-anuncia-a-definicao-alternativa-de-museu-que-sera-submetida-a-votacao/">aqui</a>.</p>



<p>Nesse sentido, a nova definição parte do entendimento de que  <strong>o museu é responsável por desenvolver aspectos concernentes à humanidade do <em>ser</em></strong>. Ou seja, desenvolver a dimensão humana da existência.</p>



<p>Sendo assim, pautas relacionadas à problemáticas globais, são tratadas com o objetivo de serem mitigadas a partir de uma <strong>atuação ativa dos museus e outras instituições culturais em nível local</strong>. Por este motivo, ações voltadas para pesquisas em seus acervos que privilegiem temas como pautas identitárias, e desconstrução de narrativas hegemônicas excludentes são bem-vindas. Logo, a atuação da instituição museológica deve, segundo a nova definição, abordar temas como discriminação racial, visibilidade LGBTQI+ e pautas ambientais relacionadas à futuros sustentáveis. Consequentemente, essas abordagens devem ser tratadas em suas exposições, curadorias, eventos e, principalmente, <strong>observando, nas características da instituição, o mote para o tratamento dessas questões.</strong></p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Assim, o museu, além de preservar seu acervo e atuar como um lugar de memória, contribuirá diretamente no design social, permitindo que todo indivíduo de sua comunidade seja inserido nessas discussões a partir de reflexões contextualizadas, desenvolvendo senso crítico e aumentando a profundidade do tratamento destes temas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que está por vir?</h4>



<p>A aprovação da nova definição foi adiada pois seu texto, segundo o parecer do ICOM, se assemelhava mais à uma definição de missão do que de fato com o conceito do que é um museu. No entanto, é possível perceber que a preocupação principal do ICOM no últimos anos é alinhar-se à pautas tratadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), fundamentadas na Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948.</p>



<p>Finalmente, os museus assumem publicamente, em sua própria definição, o papel histórico da função social das artes: <strong>resistir a levantes autoritários e defender a cultura como substância plural e inalienável da existência humana. em sua diversidade.</strong></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Referências:</strong></h4>



<p>DESVALLÉES,<strong> </strong>André; MAIRESSE, François. <strong>Conceitos-Chave da Museologia.</strong> São Paulo: Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus: Pinacoteca do Estado de São Paulo : Secretaria de Estado da Cultura, 2013.</p>



<p>O design social cria soluções para a pobreza’, afirma curadora de museu em Nova York . <a href="https://oglobo.globo.com/rio/o-design-social-cria-solucoes-para-pobreza-afirma-curadora-de-museu-em-nova-york-10496274">https://oglobo.globo.com/rio/o-design-social-cria-solucoes-para-pobreza-afirma-curadora-de-museu-em-nova-york-10496274</a></p>



<p>Sobre a proposta da nova definição de Museu: <a href="http://icom-portugal.org/2019/09/10/sobre-a-proposta-da-nova-definicao-de-museu/">http://icom-portugal.org/2019/09/10/sobre-a-proposta-da-nova-definicao-de-museu/</a></p>



<p>ICOM anuncia a definição alternativa de museu que será submetida a votação: <a href="http://www.ibermuseos.org/pt/recursos/noticias/icom-anuncia-a-definicao-alternativa-de-museu-que-sera-submetida-a-votacao/">http://www.ibermuseos.org/pt/recursos/noticias/icom-anuncia-a-definicao-alternativa-de-museu-que-sera-submetida-a-votacao/</a></p>



<p>Definición de museu: <a href="https://icom.museum/es/actividades/normas-y-directrices/definicion-del-museo/">https://icom.museum/es/actividades/normas-y-directrices/definicion-del-museo/</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes</strong> </strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1addf-fotos-carol.jpg26.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6963" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie manifestações artísticas de rua. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Mudanças, coloridas ou não</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/mudancas-coloridas-ou-nao/">Mudanças, coloridas ou não</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Provavelmente você já fez alguma mudança na vida. Geográfica ou psicologicamente falando, mudanças sempre mexem com a gente, porque, querendo ou não envolvem muitas coisas (mesmo!). Mudar de casa significa desapegar-se de algumas coisas (às vezes muitas), remexer caixas guardadas, reavaliar o que (realmente) ainda tem utilidade e, principalmente, encontrar lembranças guardadas lá no fundo da memória.</p>



<p>Por mais que seja uma decisão, a primeira reação é sempre um choque. Afinal, é uma vida inteira que ficará para trás. Então a casa começa a ficar vazia, aos poucos. Cada móvel que sai, leva consigo uma lembrança, uma lágrima, uma história. Ao arrumar as caixas, as memórias parecem descer como uma avalanche, e é impossível não parar um pouco para apreciá-las e senti-las, quem sabe, uma última vez.</p>



<p>Então tem a casa nova, e com ela um misto de expectativa e medo e a única certeza de que tudo será diferente dali pra frente. Algumas coisas serão boas (como o valor do Uber, por exemplo, eis a vantagem de morar no centro da cidade), mas o desconhecido é como uma nuvem escura acompanhada de um frio na barriga. A grande questão é que, algumas (poucas) vezes, esta nuvem vem seguida de um belíssimo arco-íris.&nbsp;</p>



<p>Para finalizar, <strong>nunca teremos como saber, antecipadamente, se as mudanças serão boas ou não.</strong> Só o tempo (sempre ele!), poderá nos responder. O que nos cabe é chorar um pouco aqui (ou nem tão pouco assim), e fazer como o Caio Fernando Abreu disse certa vez, fingir que tudo está bem, até que, de fato, esteja. Porque, afinal, as mudanças sempre surgem, sejam geográfica ou psicologicamente falando, e nós nunca estamos preparados para elas. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong> </strong></strong></strong>é uma jornalista frustrada, designer cansada e estudante de letras motivada. Desistiu de tentar mudar o mundo e resolveu focar em salvar a próxima geração.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/09647-fotos-carol.jpg17.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6959" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie manifestações artísticas de rua. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/mudancas-coloridas-ou-nao/">Mudanças, coloridas ou não</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<title>15. Reflito, existo, resisto</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[Darla Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[tudo bem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/15-reflito-existo-resisto/">15. Reflito, existo, resisto</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Caminho pela Paulista. Tarde de domingo. Apesar do dia, a vida ferve em Sampa. Encontro todos os tipos, para qualquer gosto, qualquer situação que a vida ofereça. Ando de cabeça erguida, olhando para os arranha-céus que riscam a paisagem com sua concretude, cidade de solicitudes estancadas. Percebo que estou sozinho em minhas reflexões, celular no bolso, desplugado das redes, avesso momentaneamente a instantâneas informações que muitas vezes não nos dizem nada. Como conseguimos chegar até aqui, penso eu? Como pudemos fazer com que as coisas chegassem a esse ponto? Será que as mesmas pessoas que conseguiram construir esse muro virtual trazido para a realidade estão felizes, estão conscientes do que construíram, através de uma falsa carcaça democrática? Não sei. Só entendo o que eu vejo: um mendigo com blusa verde-amarela surrada gritando que comunistas têm que arder no inferno, uma senhora alheia a isso fumando um cigarro barato ao lado olhando para as nuvens que correm devagar sob um vento fresco da tarde que se põe, um adolescente cheio de piercings e tatuagens andando de skate pela avenida entre os carros, um entregador de comidas de aplicativo correndo com sua bicicleta em busca do parco dinheiro para alimentar sua família (que nunca terá condições de usar sequer qualquer <em>delivery</em> para esse fim), um homem alinhado de terno apressado com cabelo laqueado e celular em punho franzindo os cenhos preocupado com algo. A cidade não para. E meus pensamentos seguem o fluxo dessa urbe intensa, frenética, anestésica. Vivo me perguntando como, num país tão diverso como o nosso, ainda podemos excluir dos aparatos governamentais tanta gente, tanto povo que necessita de ajuda? Enquanto me imagino como um meu irmão, dois garotos passam de mãos dadas, um deles com o cabelo longo e rosa. O mundo pulsa, a vida segue seu fluxo. Por quanto tempo poderemos aguentar que uma mulher negra seja discriminada num banco, que um admirador de nazistas possa exercer um cargo de chefia no governo brasileiro, que uma atriz namoradinha do Brasil negue os seus e se volte contra os próprios companheiros de profissão? O que fizemos de errado? Como fazer para consertar isso? Preciso me cuidar. Enquanto as nuvens na minha cabeça me dominam, quase sou atropelado por um senhor careca, que não gosta nada de ser atrapalhado por um pedestre desatento. A noite cai. E tudo que eu consigo pensar é se conseguiremos viver dessa forma sem adoecermos, sem termos para onde ir a não ser a alienação que nos deixa imunes a esse buraco negro. Será que podemos? Podemos entrar em nossa bolha alienatória e esquecermos que estamos vivendo dentro deste contexto sem sermos atingidos? Para se manter a sanidade, é preciso se desligar de vez em quando. Mas até quando? Qual o limite entre a alienação e o desprezo pelo próximo? A dor é profunda e não consigo me conter. Começo a chorar em pleno coração de Sampa. O que fizemos? Como deixamos tudo isso acontecer? Sinto-me culpado. Eu vivo para mim mesmo, para os meus e dane-se o resto? Olho para os céus e por mais que eu olho só vejo cinza e nuvens, a escuridão. Com os olhos marejados, coração constipado, sobrevivente de demônios interiores, avisto um prédio onde estão projetadas frases enormes na parede lateral que se alternam: “Após teto para educação e saúde, Congresso analisa deixá-las sem piso”; “Sinais de alerta de fascismo” e outras tantas frases. Paro por uns instantes. Isso aqui é um ato de resistência. Um facho de esperança penetra em minhas retinas como essas frases, que constroem dentro de mim a ideia de que podemos, cada um do seu jeito, criar alternativas para sermos melhor do que tudo isso que encontramos, para projetarmos em nós mesmos os alicerces de algo em que todos, sem exceção, estejam inseridos. Sento no chão, junto ao passeio e me encosto no poste. A vida tem sim, solução.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/15-reflito-existo-resisto/">15. Reflito, existo, resisto</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<title>O Verbo Estar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Couto</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/o-verbo-eestar/">O Verbo Estar</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-preformatted">Quem sou eu?
Ponho-me a pensar.
Batizado nas águas do devir,
Sou plural ou singular?


Sou homem, mas
Sou mulher, mas
Sou ambos e mais.


Sou um animal
Fincado na terra
Com cabelos de folha.


Quem sou eu?
Sou eu quem sou
Quem sou eu,
Sendo quem eu quiser.


Quem sou eu?
Tudo que um nada é.
Não escrevi o começo
E jamais escreverei o fim.


Sou você.


Somos
O verbo estar.Sem brinco, sem barba,
Sem pelo, sem nada,
Busco renascer.
Quero voltar a ser
O que um dia fui.
Um barro virgem,
Um desconhecido burro,
Um corpo em vertigem.


Pra seguir a dança,
Não basta uma dama.
Tampouco, basta esperança.&nbsp;
Pra seguir a dança,
É preciso estar em mudança,
Desconhecer toda e qualquer previsão,
Jamais esperar pelo refrão
E pisar descalço onde não tem chão.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Guilherme Couto</strong>&nbsp;&nbsp;tem 20 anos, faz engenharia na UFJF, mas vem da região serrana do rio. É apaixonado por arte e fã do modernismo brasileiro. Escreve pra se descobrir</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg3_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6941" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie manifestações artísticas de rua. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/o-verbo-eestar/">O Verbo Estar</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<title>Cocuruto</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/cocuruto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=7109</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gabriel Garcia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/02/cocuruto/">Cocuruto</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Grão.
Há algo mais nessa vida?
Grão.
De que são feitos os homens?
Para que são feitos os homens?
Por que os homens foram feitos?
Grão.
Há mais perguntas que respostas?
O relógio não pára. E eu?
Quem pode explicar o que ninguém entende?
Como ser perfeito se a evolução é infinita?
O cérebro é capaz de arrastar o coração?
Grão... mas que grão?
Há colheita onde não houve plantio?
Como medir a distância entre dois seres?
Plantar para quem?
Grãos.
Milagre multiplicador da vida.
Se pudesse acreditar apenas num grão...
Montanha, saia e deixe-me ser feliz!
Apenas... grão</pre>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong><strong><strong><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong> </strong></strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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