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	<title>Arquivos Ano 002, N 042 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Bella Ciao</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/26/editorial-bella-ciao/">Editorial – Bella Ciao</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Diante de um mundo enfraquecido politica e economicamente por ocasião da pandemia da COVID-19, os levantes de ideais autoritários seguem em ritmo acelerado pelo mundo. </p>



<p>Todos os dias, podemos observar o aumento na intensidade de incidentes violentos em manifestações a favor ou contra governos no mundo, além da multiplicação de sites que promovem conteúdos neo-fascistas na internet, alguns, contando até com seus próprios <em>influencers</em> e estruturas robustas de financiamento. Amparados por uma extrema-direita cada vez mais organizada, e pelo crescente fundamentalismo religioso, esse movimento apresenta um panorama que nos revela que a disseminação e popularização das ideias nazi-fascistas são, na realidade, <strong>uma estratégia para estabelecer um projeto de permanência no poder de longa duração para a extrema direita ao redor do globo.</strong></p>



<p>No final das contas, nada disso é novidade. Antes do final da segunda guerra, já havia a preocupação por parte dos aliados com a articulação de grupos que funcionassem como uma resistência fascista no pós guerra, sobretudo na Alemanha. Entretanto, após a derrocada desses regimes, muitos fascistas foram presos, mortos, suicidaram-se ou refugiaram-se fora da Europa. O que dificultou a organização de um movimento abertamente fascista.&nbsp; Além disso, o rigor&nbsp; na proibição de manifestações antidemocráticas também contribuiu para que o avanço das ideologias nazi-fascistas não se proliferassem novamente. (ALMEIDA, 2010).</p>



<p>Já na Itália, o processo de desinfestação fascista foi realizado pela Resistência Antifascista, e não pelos Aliados. <strong>Os <em>partigianos</em> se opunham à ocupação da Itália pela Alemanha Nazista e ao fascismo de Mussolini.</strong> O grupo de resistência era formado por homens e mulheres que compartilhavam de diferentes ideários políticos, o que fazia com que católicos, comunistas, liberais, socialistas, monarquistas e anarquistas, se unissem contra o inimigo comum, formando uma aliança heterogênea contra o fascismo (ALMEIDA, 2010). E é nesse ponto que vamos falar de arte e resistência.</p>



<p>Diante desse território onde as disputas de poder ocorrem a partir de concepções ideológicas que ocasionaram as guerras ao longo do século XX, as estratégias de dominação voltam a passar pelas concepções artísticas. <strong>O capital cultural é regularmente utilizado como ferramenta de construção de narrativas visando o fortalecimento de determinados movimentos políticos</strong>, nesse caso, buscando sempre o engajamento social para as pautas extremistas. Foi assim na produção de cartazes na união soviética, na propaganda nazista e nos próprios movimentos de resistência. Em linhas gerais, salvo raríssimas excessões, referências à moral religiosa e aos bons costumes do cristianismo ocidental, tratam de emprestar a roupagem da bondade e da justiça na criação desses produtos culturais. </p>



<p>Sendo assim, podemos conjecturar que o aspecto sensorial sinestésico das artes, associado à sua capacidade de comunicar ideias através de simbologias, seja um dos principais fatores para sua efetividade na conversão de seguidores para as mais diversas causas. Inclusive, em muitos níveis, <strong>nossas noções de moralidade e ética são guiadas por nossos sensos estéticos,</strong> o que estimula a organização de grupos em torno de temáticas que dialogam com suas identidades particulares.</p>



<p>Talvez por isso, a resistência antifascista na Itália tenha feito com que a música <strong>Bella Ciao se tornasse um símbolo de luta e resistência</strong>, não só contra o fascismo italiano, mas contra a ascensão de regimes autoritários ao redor do globo. Muito embora sua origem não seja exatamente confirmada como um hino de resistência, especula-se que ela tenha sido composta como um canto de trabalho por camponeses italianos no final do século XIX. Entretanto, sua melodia foi utilizada como base para criação de uma canção de protesto contra a primeira guerra mundial, <strong>o que contribuiu para que os arquétipos de resistência fossem plenamente encontrados na sua utilização pelos <em>partigianos</em>.&nbsp;</strong></p>



<p>Já no tempo em que vivemos, diante de um espectro político cada vez mais polarizado, em uma arena onde as disputas ideológicas acontecem através de discussões políticas cada vez mais adoecidas, <strong>nossos símbolos de resistência foram pulverizados em <em>memes</em> nas redes sociais. </strong>Acompanhamos o surgimento de estados de exceção e ataques diários à democracia, sobretudo no Brasil, anestesiados por <em>memes</em> de gatinho, rindo de montagens e se abstendo de buscar na arte os elementos capazes de gerar o engajamento social que fará resistência à esse levante. Assistimos apáticos ao crescimento do fascismo, repaginado pelas estruturas da pós-modernidade e amparado no fundamentalismo religioso e no discurso de ódio, que dizem já ter até gabinete para despachar&#8230;&nbsp;</p>



<p>Nesse contexto, na semana da revolução dos Cravos, do dia 25 de abril de 1974, (que foi responsável por colocar fim ao mais longo regime totalitário na Europa Ocidental durante o século XX &#8211; a Ditadura Nacional e o Salazarismo, que se estendeu por um período de 48 anos), enquanto Portugal e Itália comemoram a vitória contra o autoritarismo, o máximo que o brasileiro faz é acessar a Netflix, e ver a cena em que o Professor canta Bella Ciao com Berlim, em La Casa de Papel. Sem saber o que ela de fato representa. Sem perceber o chamado à resistência que bate à porta todas as vezes que valores antí-democráticos são pregados abertamente pelo Presidente da República. Diante dessa situação de perigo iminente, o brasileiro canta Bella Ciao na versão tecnobrega e faz um tweet reclamando da vida.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/bordados.indelicados/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a7e74-beto2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9180" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Folia Revolucionária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Iury Borel]]></category>
		<category><![CDATA[MCP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Iury do Vale Borel</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_i0J6oMaf6g"></a><em><em>o segundo da&nbsp; série de três textos sobre parte do movimento da cultura popular até a relação da produção vernacular brasileira.</em></em></p>



<p class="has-text-align-center">A resistência é o gingado dos foliões do Brasil.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-drop-cap">O nordeste ensina a resistência ao Brasil, a ginga desse povo brasileiro que escapa até hoje das ondas de controle malignos das massas. Vide os números da última eleição, em que Bolsonaro perde no nordeste com <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/10/29/haddad-ganha-no-nordeste-e-bolsonaro-nas-demais-regioes-do-pais.ghtml">30% dos votos</a>, igualmente em Pernambuco, o Leão do Norte, um povo com valorosa coragem e rica cultura.</p>



<p>A <a href="https://bodoqueonline.art.blog/2020/03/29/aboio-o-canto-esquecido/">cultura popular brasileira,</a> por diversas&nbsp; vezes, se inclinou a “driblar” ordens, leis para sobreviver. Sempre à margem do cerco do poder, movimentos como a capoeira respiravam em outras manifestações populares, como as marchas em Pernambuco que, mais tarde, graças a essa mistura, se tornou o Frevo. Houve, por exemplo, antes do carnaval que conhecemos atualmente, outras manifestações populares que precisam ser “reeducadas” para atender ao formato da desejada sociedade padrão.</p>



<p>Frevo é como o &#8220;<strong>xeque</strong>&#8221; em que o rei escapa, mas que ali segue o povo ciente que seus movimentos ameaçam reis, imperadores e presidentes.</p>



<p>Antes de ficar famoso, o frevo se manifestava como um momento de extrema preocupação dos militares aquartelados. Liderando os blocos das marchas, os capoeiras dançavam com suas navalhas nos calcanhares próximos aos batalhões, atordoando e muitas vezes ferindo os militares:</p>
</div></div>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>“tudo no frevo nasceu assim, de segundas intenções, de necessidade de burlar a vigilância policial, e dar expansão a sentimentos nacionalistas exacerbados, em fase explosiva, numa época onde tudo era, por igual, de lutas as mais cruentas, de batalhas as mais dramáticas, de resistência as mais heróicas, contra o jugo português”. </em><br><em>&#8211; DUARTE, Ruy (1968)</em></p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="669" height="505" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-1.png?resize=669%2C505&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-35609" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-1.png?w=669&amp;ssl=1 669w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-1.png?resize=300%2C226&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-1.png?resize=205%2C155&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-1.png?resize=480%2C362&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-1.png?resize=600%2C453&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 669px) 100vw, 669px" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="wp-element-caption">Jean-Baptiste Debret, 1826</figcaption></figure>



<p>O nome <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wUpoddXSUfc">Frevo</a> apareceu pela primeira vez no jornal em 1905, made in Brazil do jeito que tinha que ser: misturado, fervoroso e agitado. Esse fenômeno sinaliza que, para qualquer lugar do nordeste que olharmos, encontraremos uma escola de resistência exclusiva de um povo que deu trabalho para as forças de gentrificação e higienização cultural do país. Uma liberdade que era aparentemente programada e, na prática, controlada, pois houve sempre a mão invisível controlando o país seja pelo imperador importado ou pelas famílias herdeiras do país. Percebemos os vetores de opressão à cultura popular na proibição do samba, capoeira, ou na censura de desfiles, Uma questão importante se origina desse fato:</p>



<p class="has-text-align-right"><strong><em>Percebemos os vetores de opressão à cultura popular na proibição do samba, capoeira, ou na censura de desfiles, mas sabemos ver hoje o tratamento que as comunidades que guardam sua cultura como referência recebem no cotidiano atual?</em></strong></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/7c1e9-iury8.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9054" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/698c2-iury11.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9055" style="width:470px;height:auto" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Pierre Verger, 1947.</p>



<p>O brasileiro encontrou na folia um jeito de mostrar o volume de sua voz, a unidade de sua massa. No Brasil, antes do Carnaval ser comemorado como é hoje, era uma festa que correspondia o<a href="https://www.youtube.com/watch?v=9x0kk63rFIU"> Entrudo</a>. Em meados do século XIX, o governo proibiu a brincadeira que servia de base para o Entrudo, as Limas de Cheiro, um costume português trazido para o Brasil.  Consistia em jogar ovos feitos de cera com água de cheiro nas pessoas. Com o tempo, as águas de cheiro foram substituídas por ácido nítrico dissolvido em água, implantando-se assim o caos e a necessidade do governo controlar tal costume. O governo marginalizou a festa, criou leis e penalidades e assim foi substituído o jeito de fazer a folia pelo princípio que é o carnaval que vemos hoje. Mas o que se ouve é que Pernambuco não se moldou ao jeito de fazer Carnaval que o imperador desejava.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/54465-iury4-ok.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9057" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">&#8216;Entrudo &#8211; Rua do Ouvidor&#8217; &#8211; Angelo Agostini, 1884</figcaption></figure>



<p>A cultura popular acompanha uma linha marginal de valiosas qualidades, guarda consigo  diversos gestos de imaturidade comportamental. Isso é exemplificado pelas violentas brigas e graves danos causados pelas pseudo guerrilhas que marcaram os Entrudos, em seguida o Frevo pelo Carnaval e até brigas de torcidas. Movimentos de agitadores que se perdem na causa e efeito de sua violência, não se sabe se luta para resistir ou resiste por lutar, presente em uma sociedade, carregada de motivos coletivos ou individuais para sua revolta.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/3c33c-iury2.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9058" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/dbcb9-iury3.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9059" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/b62f4-iury4.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9060" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">&#8216;Frevo&#8217; &#8211; Cândido Portinari, 1958</p>



<p>O pernambucano, novamente, tem uma história de revoltas e resistência que absurdamente é disfarçada pelas grades curriculares obrigatórias que são formuladas pelo Brasil. Não se fala dessa coragem, desse espírito de revolução que o pernambucano precisou ter em sua história. Talvez lamentemos no futuro não aprender e ser honesto com a história que se conta nas escolas. Revolução Praieira (1848) tempo depois da Confederação do Equador (1823), um desdobramento da Revolução Pernambucana (1817).</p>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/90697-iury6-1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9062" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">&#8216;Execução de Frei Caneca&#8217; (detalhe) &#8211; Murillo de La Greca, 1924</figcaption></figure>



<p>As intercessões entre a cultura popular e a realidade social geram momentos na sociedade que a arte pode apontar o dinamismo do grupo em questão. Por exemplo: são tantos os gestos opressivos do estado brasileiro ao longo da história que os movimentos culturais populares cresceram à margem da cultura dominante.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right"><em>“paz, calma, divertimento, é a sugestão da Escola de Samba; <br>luta, guerra, briga é a sugestão do frevo&#8230; <br>&#8230;E tudo está certo:&nbsp; o samba foi feito para divertir e o frevo para ferir.” <br>DUARTE, Ruy (1968)</em></p>



<p>A capoeira, o samba, o funk, o pixo, os terreiros, resistem em suas áreas pelas beiradas, driblando, fugazes resistindo ao gosto da <em>família de bem</em>.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2020/04/d653a-iury1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9063" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Augustus Earle</figcaption></figure>



<p>O Brasil, de tanto ter que fazer do seu jeito, tem resistência e autonomia marcados na identidade de sua cultura popular. A construção de uma história em que o povo é o protagonista das mais eufóricas alegorias da liberdade: o momento da folia do carnavalesco, a fé no terreiro que resiste aos ataques desde sempre, ao olhar da família que junto desenha, cria e reforma sua morada sem conhecer engenheiro ou lição de cálculo. O brasileiro que comunicou a economia, a poesia e a transformação por meio de suas letras deixou a marca do brasileiro, um país vernacular. </p>



<p>Aprender com o vernacular, pra mim, tem sido aprender sobre o frevo de Capiba, Nelson Ferreira e Ruy Duarte, sem deixar de buscar na arquitetura das palafitas, ou no artesanato do couro pelas lentes de Thomaz Farkas, as qualidades da inteligência de projeto e produção de um meio singular de sobrevivência. Os letristas que durante décadas preservam uma cultura de comunicação, sinalização e por que não de marketing dos comércios urbanos; mostram a forma que o brasileiro encontrou de construir seu caminho com seu próprio saber.</p>
</div></div>



<p><strong>Bibliografia de apoio</strong></p>



<p>Duarte, Ruy (1968). História Social do Frevo. Rio de Janeiro: Leitura</p>



<p><a href="http://atarde.uol.com.br/cinema/noticias/1893252-em-nome-da-america-traz-reflexao-geopolitica-para-cachoeira">http://atarde.uol.com.br/cinema/noticias/1893252-em-nome-da-america-traz-reflexao-geopolitica-para-cachoeira</a></p>



<p><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/reginaldo-correa-de-moraes/um-livro-um-filme-um-mundo-em-comum">https://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/reginaldo-correa-de-moraes/um-livro-um-filme-um-mundo-em-comum</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



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<figure class="wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-35611" style="width:221px;height:221px" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=275%2C275&amp;ssl=1 275w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=205%2C205&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/iury-b.png?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Iury Borel</strong> é mineiro com formação acadêmica que coexistiu o erudito e marginal, formou-se ativista gráfico pela Universidade Federal do Espírito Santo. Propulsor e criador de ideias como CinePixo, Oficinas de Tobograffiti e Artefatos da Arte de Rua, que propõem uma visão empírica para mostrar as entrelinhas da arte urbana.<strong> Descriminalize a arte</strong>.</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/99218-beto4-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9049" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



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		<title>COVID-19, tecnologia e o escancaramento da divisão social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Moara]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Moara Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">COVID-19, um vírus invisível aos olhos, mas com o poder de atacar vidas, o sistema de saúde, empresas, empregos e a economia. Esse vírus não causa efeitos colaterais só nos sistemas respiratórios, está causando efeitos colaterais em toda sociedade, na emissão de poluição, nas relações sociais e na cultura. Mais do que isso, ele escancara que a divisão social, que por séculos fazemos questão de perpetuar, é justamente o calcanhar de Aquiles da nossa sociedade.&nbsp;


Em tempos de pandemia, a sociedade está dividida entre os isolados, que evitam a contaminação e ajudam no achatamento da curva; os que trabalham no fronte em hospitais, farmácias, supermercados, <em>apps</em> de entrega, no campo e na indústria; os que perderam seus empregos ou faliram; os que foram invadidos pelas incertezas causadas por essa crise que parece não ter data para acabar; e, por fim, temos aqueles que estão em estado de negação junto com os que não estão dando a mínima pra tudo que está acontecendo.&nbsp;


Para os que podem e estão isolados entre quatro paredes, para trabalhar, estudar, comer e conviver, as televisões, computadores e celulares consolidaram seu protagonismo no cotidiano, acumulando novas e mais funções. Para essas pessoas, o acesso a esses instrumentos é forte aliado para a continuidade do trabalho, dos estudos, do lazer.&nbsp; Se, ao descobrir o fogo, o ser humano passou a cantar, dançar e contar histórias ao redor da fogueira, o Novo Coronavírus levou multidões a cantarem em sacadas, a dançarem em frente à televisão e as crianças a estudarem pelas telas de <em>tablets</em> e computadores.&nbsp; Claro, isso tudo para as multidões que têm sacadas, televisões, <em>tablets </em>e computadores.&nbsp;


Não quero ser pessimista, então antes de falar do abismo social e tecnológico que existe entre nós, preciso destacar que durante essa quarentena, inúmeras iniciativas buscam, através da tecnologia, manter nossas mentes ativas, nossos corações aquecidos, nossos lábios cantantes e as famílias unidas. Preciso falar sobre essas iniciativas, pois, até agora, a única forma de combatermos esse vírus é através do isolamento social. E pra esse isolamento ser menos doloroso e dar certo, essas iniciativas são muito bem-vindas.&nbsp;


Pois bem. Autores, professores e amantes da leitura, durante a pandemia, acabaram ressuscitando os “Clubes do livro” e, com reuniões online, discutem, debatem, criam novas conexões e espalham cultura pelas casas mundo afora. Cantores e comediantes arrecadam toneladas e mais toneladas de alimentos com <em>lives</em> e, ao mesmo tempo, levam a casas de milhões de pessoas alegria, leveza e diversão.&nbsp;


Os que estão isolados não estão parados. <em>Personal trainers </em>entram ao vivo no Instagram e compartilham com centenas de pessoas aqueles <em>super</em> treinos, que deixam a camisa de qualquer um molhada de tanto suor. Doutrinadores, mestres e doutores estão dando aulas <em>on-line</em>, tudo de graça. Médicos e psicólogos atendem por vídeochamada ou pelo WhatsApp. Aniversários, casamentos e formaturas estão acontecendo por vídeoconferência.&nbsp;


O isolamento também provocou novas interações. Vizinhos, do mesmo condomínio, que antes não se conheciam, agora usam o grupo do WhatsApp para ofertar ajuda e cooperação; “se você é do grupo de risco, posso te ajudar com as compras, você não precisa sair de casa!”, mensagens assim se espalharam pelo aplicativo. A banda daquele garoto do andar de cima, sabem? Aquele que sempre foi motivo de reclamações nas reuniões de condomínio? Justo ele foi o responsável por mandar a mensagem marcando a cantoria nas janelas do prédio. A pandemia fez quem não fazia questão de se esbarrar no elevador se encontrar ao cantar com as janelas abertas.


Esses dias fiquei sabendo de um grupo de amigos que se reúne aos sábados para dançar e beber “juntos”, cada um em sua casa. Eles criam uma sala de vídeoconferência e por lá fazem o “esquenta”, escolham a <em>live</em> a que vão assistir e depois disso, com o fone de ouvido no volume máximo e a <em>webcan</em> ligada, acompanham os passos de dança uns dos outros enquanto escutam ao mesmo show. Através dos mesmos sites e aplicativos, igrejas, com seus cultos, louvores e orações, mantêm a interação e fortalecem os fiéis ao redor do mundo. Avós com saudade aprenderam na marra a usar esses aplicativos e agora cantam músicas e contam histórias para seus netinhos, cada netinho em uma casa diferente, curtindo a mesma historinha ao mesmo tempo. &nbsp;


Para as pessoas em isolamento, a agitação das ruas foi parar dentro de casa. Inclusive, esse negócio de quarentena é bem movimentado, né? Quem passou a trabalhar em casa está trabalhando em dobro! O trabalho mudou, e talvez ele nunca mais seja o mesmo. A típica velocidade da revolução tecnológica foi acelerada ainda mais por esse vírus. Por um lado, surgem novas oportunidades; por outro mais precarização!&nbsp;


Já que estamos falando de boas iniciativas, tenho um exemplo que me surpreendeu. Tenho uma amiga fotógrafa. Em um primeiro momento, parecia que o COVID-19 tinha condenada sua carreira e renda a uma indefinida pausa, mas, depois de algumas semanas no isolamento, ela surgiu oferecendo um novo produto! Começou a fotografar por vídeochamada! De Brasília, fotografou uma grávida nos Estados Unidos (as fotos ficaram ótimas!). &nbsp;


A tecnologia, de uma forma diferente, fez com que muitos setores da vida continuassem. Era impossível ficar parado, como disse C. S. Lewis, “Se todos nós formos destruídos por uma bomba atômica, deixe-a nos encontrar fazendo coisas sensíveis e humanas – orando, trabalhando, ensinando, lendo, ouvindo música, banhando as crianças [..,]”. Tivemos que rapidamente aprender uma nova forma de caminhar e aos poucos estamos percebendo que existem outras formas de fazer as coisas.


O isolamento social fechou as portas das casas, mas não nos isolou. De uma forma estranha, ele promoveu algumas interações sociais que antes pareciam impossíveis.&nbsp; Agora estamos fazendo exercícios com os <em>personais treiners</em> dos famosos e indo a shows que antes não teríamos condições de bancar, nem mesmo o ingresso da meia entrada. Zona Sul e Zona Norte frequentam a mesma balada, basta entrar na <em>live</em> daquele DJ famoso, colocar o fone de ouvido e rebolar dentro de casa.&nbsp;


Por outro lado, o COVID-19 escancarou outra coisa: poderíamos ser uma sociedade mais igual, mas optamos por outro caminho. Nossa sociedade é organizada de uma forma tão insustentável que um vírus foi capaz de nos derrubar. Não nos derrubou só pela ausência de imunidade no nosso organismo, mas também por nosso egoísmo e falta de empatia.&nbsp;


Vamos pegar o Sistema Público de Saúde, uma das grandes conquistas da sociedade brasileira, como exemplo. Antes do vírus, apesar de encontrarmos no SUS profissionais extremamente capacitados e dedicados, nosso sistema público de saúde já era insuficiente, caótico e desconectado dos avanços tecnológicos que facilitariam sua gestão e o atendimento ao público. &nbsp;


A verdade é que os ricos e poderosos nunca deram prioridade para a adequada implementação e atualização do sistema. Apesar de o tema sempre surgir em época de eleição, dominando as propagandas eleitorais. Por outro lado, o SUS sempre foi a pauta das rodas de conversa da classe pobre do nosso país. Essas pessoas que se reúnem na calçada, em frente de suas casas, para compartilhar os perrengues e descasos nas enormes filas de espera, da ausência de infraestrutura e da dificuldade para a marcação de consultas.&nbsp;


Então, justamente quando a classe média e os ricos achavam que estavam seguros com seus planos de saúde, marcando consultas por aplicativo e com hospitais equipados, o COVID-19 veio e mostrou que não adiantava nada o patrão ter um hospital com leitos e respiradores se os empregados estiverem morrendo no sistema público de saúde ou se tudo tiver que parar para esse sistema não colapsar. Se tivéssemos, como sociedade, enxergado que o problema do sistema público de saúde não é um problema só “dos pobres”, se ele tivesse dominado nossas rodas de conversas, preocupações, ações e prioridades, hoje, com certeza estaríamos mais preparados. Mas aparentemente a empatia e humanidade não eram motivos suficientes para isso.&nbsp;


“Mas nenhum lugar no mundo estava preparado”, alguns podem dizer. O fato é que o COVID-19 desencadeou doações bilionárias. Com a “doação” de empresas, milionários e dinheiro público, hospitais de campanha foram erguidos da noite para o dia. Ou seja, já poderíamos ter um sistema mais digno, mas não queríamos, afinal a ausência de um sistema público que funcione “não nos afetava”. No mínimo, já poderíamos ter um sistema de acompanhamento e monitoramento mais integrado e moderno funcionando. Esses dias o Ministério da Saúde anunciou que “Postos de saúde do SUS terão atendimento virtual”, que ótimo, deram um F5 no SUS! &nbsp;


A pandemia fez com que milhares de pessoas perdessem seus empregos. Em um país de pobreza extrema como Brasil, onde ¼ da população vive abaixo da linha da pobreza, a paralização, essencial para conter a propagação do vírus, provoca consequências avassaladoras. Quem sofre primeiro? Os mais pobres, sem reservas financeiras ou auxílios. As pessoas em situação de vulnerabilidade (que sempre existiram) tomaram conta das matérias jornalísticas e o COVID-19, cotidianamente, passou a escancarar o abismo social que sempre existiu em nosso país e agora se intensificou.&nbsp;


Para amenizar o problema e “socorrer a economia”, o governo aprovou um auxílio emergencial para pessoas de baixa renda, desenterrando um debate que por anos ficou esquecido no Congresso Nacional, o programa de renda mínima, que objetivava justamente diminuir esse abismo social. O problema? Para regularizar o cadastro no sistema, milhares de pessoas precisaram se amontoar em filas de atendimento presencial, prato cheio para o COVID-19. O vírus, mais uma vez, escancarou nosso atraso, o sistema nacional de registro/cadastro individual do cidadão precisa ser modernizado com urgência, precisa funcionar e ser acessível. &nbsp;


A sociedade civil também mostrou seu espírito solidário, que já era visível em muitos lugares, e se multiplicou exponencialmente. As redes sociais e plataformas digitais viralizaram as <em>Lives e com elas</em> estão arrecadando toneladas e toneladas de alimentos: “A empresa tal doou alimentos para alimentar 300 famílias por 2 meses”, comemoravam alguns cantores famosos durante a transmissão ao vivo para milhões de pessoas. O número de toneladas de alimentos doados virou estratégia de marketing para alguns. O Coronavírus talvez tenha facilitado a disseminação e a importância da prática do consumo consciente e as empresas estão percebendo isso. Poderiam ter despertado para sua função social antes e promovido o consumo consciente de uma forma menos traumática? Com toda certeza, sim, muitas já faziam isso, mas para a maioria esmagadora, ser socialmente responsável não era economicamente interessante.&nbsp;


O desiquilíbrio do nosso sistema educacional também veio à tona com essa pandemia. Eu sou professora na rede particular de ensino e, durante esse período de isolamento, estou dando aulas por vídeoconferência. Tenho colegas, igualmente professores, que não tinham um computador para fazer o mesmo. Tenho alunos que não possuem internet em casa para acompanhar as aulas ao vivo. Na educação pública, várias secretarias de educação até agiram rapidamente, gravaram aulas, continuaram com o conteúdo. Mas e os alunos? Teleaulas para alunos sem televisão? Aulas em aplicativos&nbsp;de vídeoconferência para alunos sem internet, celular ou computador? Estudar com fome e sem merenda? A desigualdade social, mais uma vez, foi a pedra no caminho.


Bom, no final das contas, não podemos ficar iludidos, nem todos têm acesso aos equipamentos e tecnologias para conseguir acompanhar as <em>lives</em> de shows incríveis, malhar pelo Instagram junto com seus artistas favoritos, frequentar baladas <em>on-lines</em> com DJ’s internacionais e receber atendimento médico a distância por vídeo. Mas poderiam!&nbsp; E isso não custaria muito. Na verdade, custaria menos do que está nos custando agora.&nbsp; O COVID-19 deixou claro que o acesso à tecnologia e à internet precisa ser tratado como direito fundamental e é essencial na promoção de igualdade de oportunidades.


Apesar de ser a melhor forma de nos proteger, o isolamento social não está sendo fácil, enfrentar essa pandemia muito menos. Famílias sofrem com a retração econômica e com a dor ao perder um ente querido para essa nova doença. A tristeza por vezes nos invade, a convivência no confinamento pode ficar difícil. A tecnologia tem ajudado? Sim, muito, mas poderia estar ajudando muito mais se estivesse mais bem distribuída! Precisamos, de alguma forma, despertar a consciência nessa crise para construirmos, POR NOSSA PRÓPRIA VONTADE, uma sociedade com mais igualdade de oportunidades e menos “distanciamentos sociais”.&nbsp;</pre>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong>Notas</strong>:</p>



<p>1- <a href="https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46773-postos-de-saude-do-sus-terao-consulta-virtual">https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46773-postos-de-saude-do-sus-terao-consulta-virtual</a></p>



<p>2- &nbsp;Projeto arduamente defendido por Eduardo Suplicy que em 2004 até chegou a aprovar a&nbsp;<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.835.htm">Lei 10.835/04</a>, de sua autoria, que estabelecia uma Renda Básica de Cidadania suficiente para atender as necessidades vitais para todos os residentes no Brasil.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Moara Silva </strong></strong>é<strong><strong> </strong></strong>Mestre em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF); Pesquisadora do Grupo de Pesquisa “Constitucionalismo, Direito do Trabalho e Processo”, do Mestrado em Direito do UDF; Membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CONSEPE – do UDF; Especialista em Docência Universitária; Professora do UniCeub, em Brasília/DF; Sócia e advogada da Lopes e Ormay Jr. Conselheira da OAB/DF</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/a34ed-beto2-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9183" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Livros sobre refúgio para ler durante o afastamento social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[isolamento social]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Para celebrar o Dia Mundial do Livro, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) selecionou 12 obras, incluindo títulos para crianças e adultos, para ajudar as pessoas entenderem mais sobre o refúgio.</p>



<p>A cada minuto, 25 pessoas são deslocadas à força em decorrência de conflitos ou perseguições.</p>



<p>Nestes tempos difíceis, discutir o tema do refúgio é ainda mais relevante, uma vez que os refugiados estão entre as populações mais vulneráveis ao novo coronavírus.</p>



<p>Hoje, o mundo testemunha os maiores níveis de deslocamento já registrados na história. Mais de 70,8 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Veja a seleção de livros para jovens e adultos:</h3>



<h4 class="wp-block-heading">1. A Memória do Mar</h4>



<p><em>Autor: Khaled Hosseini</em></p>



<p>A obra é inspirada na história de Alan Kurdi, o menino sírio encontrado morto em uma praia da Turquia depois que o barco em que estava com a família e outras centenas de refugiados, naufragou. O autor, Khaled Hoseini, conhecido pelos best-sellers “O Caçador de Pipas” e “A Cidade Do Sol”, é Embaixador da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A tradução para o português é assinada por Pedro Bial, que apoia o trabalho da Agência no Brasil.</p>



<h4 class="wp-block-heading">2. Passagem para o Ocidente</h4>



<p><em>Autor: Mohsin Hamid</em></p>



<p>Numa cidade não nomeada, os jovens Saeed e Nadia iniciam um romance cercado pelas pressões religiosas e sacudido pela crescente violência de uma guerra civil. Ao lado dos protagonistas, o leitor é levado aos mais diversos cenários geográficos e humanos, numa jornada vertiginosa e cheia de surpresas. Eleito um dos dez melhores livros do ano de 2017 pelo jornal The New York Times e pela revista Time.</p>



<h4 class="wp-block-heading">3. À Sombra da Figueira</h4>



<p><em>Autora: Vaddey Ratner</em></p>



<p>Vaddey Ratner tinha apenas cinco anos quando o Khmer Vermelho chegou ao poder no Camboja. Nesta obra, a autora reconta suas próprias experiências através da menina Raami. Para a garota, o fim abrupto e trágico da infância começa com os passos de seu pai voltando para casa na madrugada, trazendo detalhes da guerra civil que invadiu as ruas de Phnom Pehn. Logo o mundo privilegiado da família real, do qual ela fazia parte, é misturado ao caos da revolução e ao deslocamento forçado.</p>



<h4 class="wp-block-heading">4. Muito Longe de Casa</h4>



<p><em>Autor: Ishmael Beah</em></p>



<p>As crianças são o principal grupo atingido pelas guerras atuais. Estima-se que cerca de 300 mil crianças estão envolvidas diretamente nos mais de cinquenta conflitos em curso na atualidade. Ishmael Beah era uma delas. Em “Muito longe de casa”, Beah conta uma história forte: aos doze anos fugiu do ataque de rebeldes e vagou por uma terra destruída pela violência. Aos treze, foi recrutado pelo Exército do governo de Serra Leoa e descobriu que era capaz de atrocidades inimagináveis. Este é um relato raro e hipnotizante, contado com força literária e uma honestidade de cortar o coração.</p>



<h4 class="wp-block-heading">5. Hibisco Roxo</h4>



<p><em>Autora: Chimamanda Ngozi</em></p>



<p>Quando a Nigéria começa a desmoronar sob um golpe militar, Kambili e seu irmão Jaja são mandados para a casa da irmã de seu pai, uma professora universitária, cuja casa é barulhenta e cheia de gargalhadas. Ali, Kambili e o irmão descobrem uma vida e um amor que ultrapassam os limites da autoridade do pai. Em um romance que mistura autobiografia e ficção, Chimamanda Ngozi Adichie – uma das mais aclamadas escritoras da atualidade – traça, de forma sensível e surpreendente, um panorama social, político e religioso da Nigéria atual.</p>



<h4 class="wp-block-heading">6. Persépolis</h4>



<p><em>Autora: Marjana Satrapi</em></p>



<p>Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução iraniana e aos conflitos que dali se desdobraram. Este emocionante, e muitas vezes bem-humorado, livro de memórias aborda a juventude sob o pano de fundo de um regime fundamentalista. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama, e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.</p>



<h4 class="wp-block-heading">7. Longe de Casa: Minha Jornada e Histórias de Refugiadas Pelo Mundo</h4>



<p><em>Autora: Malala Yousafzai</em></p>



<p>Neste livro, a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz conta sua história e dá voz a garotas que estão entre os milhões de refugiados pelo mundo. Em “Longe de casa”, que é ao mesmo tempo um livro de memórias e uma narrativa coletiva, Malala explora sua própria trajetória de vida e apresenta as histórias de nove garotas de várias partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina. Todas tiveram que deixar para trás sua comunidade, seus parentes e o único lar que conheciam.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Veja a seleção de livros para crianças:</h3>



<h4 class="wp-block-heading">8. Amal e a viagem mais importante da sua vida (Faixa etária: 4+)</h4>



<p><em>Autores: Carolina Montenegro e Ricardo Moriconi</em></p>



<p>Amal é uma menina que deixa sua vida na Síria, viajando sozinha, de carona, a pé e até em bote improvisado pela Turquia, Grécia e Itália. Pelo caminho, conhece outras crianças vindas de outros países na mesma situação. O livro, que contou com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), é uma homenagem às milhões de crianças refugiadas e, em especial, àquelas que viajam sozinhas pelo mundo para sobreviver. Além do formato impresso, a obra também está disponível via aplicativo, onde o leitor pode fazer uma doação para projetos humanitários do ACNUR.</p>



<h4 class="wp-block-heading">9. A Menina que Abraça o Vento (Faixa etária: 3+)</h4>



<p><em>Autoras: Fernanda Paraguassu e Suryara Bernardi</em></p>



<p>O livro conta a história de Mersene, uma garotinha refugiada da República Democrática do Congo que encontrou no Brasil seu novo lar. “Abraçar o vento” é uma analogia à imensa saudade que a personagem tem do pai e de tudo o que ficou para trás ao fugir do conflito do seu país. A história de Mersene foi inspirada em histórias reais de meninas congolesas refugiadas na cidade do Rio de Janeiro.</p>



<h4 class="wp-block-heading">10. Migrando (Faixa etária: 10+)</h4>



<p><em>Autora: Mariana Chiesa Mateos</em></p>



<p>Este é um livro que permite ao leitor inventar sua própria versão da história, uma vez que pode ser lido em duas direções. Sem palavras, de duas capas e duas narrativas de viagens com diferentes pontos de partida, a obra conduz perspectivas paralelas de quem deixou seus países de origem para viver em outro lugar. Seus dramas e sofrimentos, assim como a coragem, saudade e esperança são expressas por meio de imagens poéticas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">11. Eu sou uma Noz (Faixa etária: 8+)</h4>



<p><em>Autora: Beatriz Osés</em></p>



<p>Omar “cai” no quintal de uma advogada, vindo de um lugar longínquo, num barco-noz que naufragou. O livro aborda, de forma emocionante e lúdica, o que pensam as crianças diante da situação de refúgio. Ganhadora do prêmio espanhol Edebé de Literatura Infantil 2018, a obra transmite valores como a solidariedade, convivência social, afeto e importância da identidade.</p>



<h4 class="wp-block-heading">12. Eloísa e os Bichos (Faixa etária: 7+)</h4>



<p><em>Autor: Jairo Buitrago | Tradutora: Márcia Leite</em></p>



<p>“Eu não sou daqui”: assim começa a história de Eloísa. Por estar em uma nova cidade, diferente de tudo o que conhecia, a garota se sente como um bicho estranho, mesmo que ela e sua família sejam os únicos humanos em meio a insetos. A narrativa aborda temas como o estranhamento com o novo, ao mesmo tempo que sustenta a importância do tempo, da tolerância e respeito à diversidade como chaves para lidar com problemas sociais como o deslocamento.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Títulos bônus:</h3>



<h4 class="wp-block-heading">Layla, a menina síria</h4>



<p><em>Autores: Rosi Vilas Boas, Cassiana Pizaia e Rima Awada</em></p>



<p>Layla nasceu em Alepo, no Síria. Ela e sua família deixaram o país para escapar da guerra e embarcaram em uma jornada em busca de segurança. Layla divide com o leitor tudo o que viveu antes de finalmente chegar ao Brasil, mostrando o significado de empatia, superação e coragem.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Refugiados, o Grande Desafio Humanitário</h4>



<p><em>Autor: Gilberto M. A. Rodrigues</em></p>



<p>Quem são os refugiados? De onde vêm? Por que fogem de seus países? Desde o século XX, essas perguntas desafiam o mundo atual e são tema dessa obra. Violência, perseguição e conflitos armados atingem diretamente milhares de pessoas e as forçam a deixar tudo para trás. O grande desafio humanitário exige o fim das guerras e das perseguições, demanda mais recursos emergenciais dos países desenvolvidos e mais abertura de suas fronteiras para acolher refugiados. Mas pede também que os países recebam os refugiados com solidariedade e hospitalidade, sem medo e sem preconceito. A obra abre caminhos para importantes reflexões na área de refúgio e migração forçada.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/livros-sobre-refugio-para-ler-durante-o-afastamento-social/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 23/04/2020 &#8211; Atualizado em 23/04/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/029cd-beto4.png?resize=760%2C904&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9043" width="760" height="904" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<p></p>
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		<title>23. Porta-Canetas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-small-font-size">*** <strong>Alerta de gatilho:</strong> o texto possui conteúdo sensível para portadores de transtornos de ansiedade e pânico.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right"><em>Oh, meu Deus! Como é triste e difícil ter uma vida dupla. A vida que quero, direcionada para Vós, e outra vida que me obriga a aturar as ilusões efêmeras, passageiras, sem lógica deste mundo cruel que cada vez mais se distancia de Vós.</em></p>



<p class="has-drop-cap">O pão tinha acabado de sair da chapa, e o queijo derretido criava fios delicados a cada contato de sua boca com a comida. O café com leite soltava vapores numa xícara em cima da mesa. Ele olhou fixamente para mim e começou a esboçar um sorriso quando levava a xícara à boca. Não queríamos perder a consulta em Belo Horizonte. De madrugada, minha mãe ligara para mim. Ele estava tendo uma convulsão. Justo hoje, dia da viagem, dia da consulta em que ele iria entrar definitivamente na fila do transplante de fígado. Encefalopatia. A doença o tomava de assalto. Problemas com sódio. Restrição de água. Paracentese na região abdominal. A cada punção, retirava quatro, cinco litros. E agora essa, bem no meio do nada, em uma lanchonete na beira da estrada, ele começava a agonizar com outra maldita convulsão. A imagem congelada de um sorriso ainda se alojou em seu rosto por alguns instantes e foi se transformando em algo incompreensível. Minha mãe levantou-se, tombou a cabeça dele um pouco para o lado para evitar que mordesse a língua, eu o segurava para ele não cair da cadeira. Ficamos um tempo assim olhando um para o outro com uma cara de bandido descoberto. O que fazer? Só nos restava seguir em frente, colocá-lo no carro, nem que fosse arrastado.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Bom-dia, Meu amado Jesus, meu Salvador e meu Redentor. Estive pensando, meu Deus, como sou teimoso em não aceitar o que trouxestes para mim na minha nova vida que com muito amor me destes para eu ter um tempo de pensar e tentar me perdoar por todos os meus pecados que pratiquei contra Vós; e, para o meu sofrimento, continuo praticando. Perdoai-me, Jesus, pois, apesar de tudo que passei, ainda tive a ousadia de tentar voltar a fazer tudo de novo que tanto fizestes para eu começar uma nova vida cheia de amor, cheia de perdão.</em></p>



<p>Amanhã é Natal. Nos últimos meses, ele tem piorado muito. Perdera dez quilos desde o começo da doença. Os efeitos da cirrose estão ficando cada vez mais devastadores. É difícil vê-lo assim amarrado nesta cama de hospital com os braços e as pernas imobilizados. Às vezes, olha-nos com uma fisionomia débil, com as órbitas oculares quase saltando dos olhos. Tivemos que amarrá-lo. É triste ver o meu amado assim, mas estava muito agitado. Não teve jeito. A encefalopatia atacou ferozmente o seu organismo. Amanhã é Natal e estamos aqui neste hospital, aguardando uma melhora que não vem nunca, uma salvação que não chega. Está lá atrás na fila do transplante. Vê se pode. Estamos torcendo para o fígado ficar contaminado pelo câncer. Só assim ele vira prioridade na fila. Vê se pode.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Senhor, meu Jesus, ajudai-me a ser mais humilde e aceitar com amor tudo que reservastes para mim. Fazei-me encontrar o caminho que leva até Vós; tirai de mim esta depressão, pois a depressão só quem a tem são os que não acreditam no imenso amor que sempre tendes dado a todos nós.</em></p>



<p>Aquele era um momento de raro encontro. Aproveitara o horário de almoço do expediente para visitá-los. Meu irmão, que segurara uma barra levando-o tendo convulsões até Belo Horizonte, tinha mais disponibilidade, era autônomo. Após a refeição, ele me chamou até o escritório. Conversávamos sobre o último livro de Chico Buarque. Ele pegou um pequeno objeto sobre a escrivaninha e mo entregou. Era um porta-canetas. Enquanto falava, observava cada centímetro do meu rosto. Queria se agarrar de alguma forma à minha memória. Meu filho, isso é para você usar no seu trabalho. Lembre-se de mim sempre que olhar para esse porta-canetas. E deu um sorriso perspicaz, de quem entende um ato de amor e permanência. Olhei para o objeto. Havia um relógio incrustado em sua estrutura. Entre um número e outro, um coração piscava incessantemente adornado pelas palavras “I Love You”.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Perdoai-me, Jesus, por causar tanto sofrimento a Vós. E continuei causando pela minha vida desregrada e pecaminosa na minha juventude. Como fui tolo e insensato no não sentir o Vosso amor durante todo este tempo. Perdoai-me, Senhor, por todas as minhas faltas que Vos fizeram sofrer.</em></p>



<p>Precisava se divertir um pouco. Sair da rotina. Aproveitou que aquele era um dia de folga. Subiu até o Morro do Cristo. Lá de cima, avistou a cidade e os pequenos pontos que se mexiam. Vidas que se cruzavam. Vidas distantes como naquele momento, longe do seu alcance. Seus olhos marejaram. Dois meses com câncer e nada de transplante. A metástase à espreita.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Boa-tarde, meu Jesus. Agora são 14h30. Senhor, meu Jesus, meu Pai, meu Irmão, meu Deus, meu Salvador, meu Redentor! Parece que não sairei desta, mas não façais com que os meus e eu sofram muito.</em></p>



<p>O banho o revigorara. Já havia raspado todo o pêlo na região do tórax e da barriga preparando-se para a cirurgia. Estavam no oitavo andar do Hospital das Clínicas. Agora só restava esperar. Pai, você está tremendo. É, meu filho. Você ainda tem aquele porta-canetas?</p>



<p>Nesse mesmo instante, surgiu o enfermeiro para levá-lo embora. Ele se deitou na maca e foi empurrado para um grande corredor com uma porta corrediça nos fundos. O filho o acompanhou até onde pôde. Quando a porta se abriu para a passagem da maca, um forte halo luminoso penetrou surdamente nos olhos do garoto, cegando-o por alguns instantes. Tudo ficou claro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:35% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/03666-darlan-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8077" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/4f6f7-beto3-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9041" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Latinidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<pre class="wp-block-verse">Deixo meus cabelos crescerem para poder usá-los em trança grossa,
a escorrer pelas minhas costas,

trança de índia
que não carrego em minhas veias
geneticamente eurocêntricas;
geograficamente latinas.
&nbsp;

Corrijo. Latino-americanas. (em geografia)
Pois que tudo o que sou é originalmente latino:

                                                                                                                                                                   a genética

                                                                             a geografia

a língua.
&nbsp;
Latina única
Transcontinental
Dividida
por um Atlântico.
&nbsp;

É latente em minha mente o desejo por buscar
o que late mi corazón.

A latinidade que une o clássico ao moderno
que conta histórias que me compõem enquanto infinitude &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;                      &nbsp;      de gerações
enquanto imortal e eterna.
Aquela que transforma a língua-mãe em suas filhas, mas ainda se permite reconhecer na diferença.


Volto.

Continuo a sonhar com a longa trança grossa a escorrer pelas minhas costas.
A trança da índia que não carrego em minhas veias euro-latinas,
mas que compõe minha força latino-americana.
&nbsp;
Me olho no espelho e
                                                                                      - por vezes –
sou capaz de vê-la.
De vê-las todas, as mulheres
eternas e imortais
tipificadas ou reais
cujas latinidades compõem a minha.</pre>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/5a704-carolcad-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8747" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atua como Social Media na Peregrina Digital, assistente de edição na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/e9c8d-beto5-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9035" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Vanitas Vanitatum</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O capeta entediado nos quintos dos infernos
Articulava métodos para angariar mais devotos
Dedilhava pausadamente no crânio de uma caveira
Sorria malicioso ouvindo a música de um simpatizante
Músico britânico talentoso de rara longevidade
Sabia o motivo deste fato incomum
Lembrou-se de outro acordo vantajoso
Também na Europa, algo famoso entre os carnais
Usou do megafone e gritou pelo servo mais bonito
Dorian Gray veio ao senhor sem delongas
Ouviu a inquietação do amo concentrado
Sugeriu que recorresse à ferramenta antiga e eficaz
- Meu pecado predileto!
Sua entonação fez lembrar Al Pacino
Explodiram gargalhadas diabólicas


O cidadão de bem suava carregando peso
Usava a camisa com a bandeira nacional
Mobilizara amigos, família e seu núcleo religioso
Uma alminha autenticamente cristã
As cestas básicas avolumavam no ambiente
Conversava satisfeito com os colegas de empreitada
Pregava penas mais severas contra vagabundos
Enaltecia seus méritos e vida dura de trabalho
Registrou em fotos as toneladas de alimentos
Postava nas redes sociais freneticamente
Acompanhando cada imagem de um frase motivacional de Einstein
Ganhou popularidade em centenas
De emojis positivos e frases entusiásticas de apoio
A cereja do bolo foi durante a distribuição
Selfies, sorrisos, piadinhas, tapinhas nas costas
Orgasmos múltiplos contínuos
Adorava aqueles pretos pobres de estimação


O guru falava numa teatralidade perfeita
Usava de expressões menos comuns do rebanho
Às vezes esbugalhava os olhos em lances especiais
A plateia delirava encantada e absorta
A entidade veneranda discorria fluentemente
Sobre qualquer assunto, da sexualidade à física quântica
Exibia seus dotes de oratória refinada
Nos palcos e salões luxuosos por todo o país
Entrara na moda das lives para manter público cativo
Comercializava também cursos para as massas sedentas
Tudo para manter obras de caridade
Nenhuma promoção pessoal em tal prática
No clímax daquela brilhante apresentação
Enunciou posições políticas de pura moral
Irromperam aplausos estridentes
Orgasmos múltiplos contínuos
Adorava o devotamento dos milhares de fãs


As batidas da música eletrônica ditavam o ritmo
Puxava ferros defronte ao espelho gigante
O suor escorria abundante das curvas torneadas
Ele media cuidadosamente a circunferência do bíceps
Comparava o ganho de diâmetro da semana anterior
Foi ao vestiário tomar mais uma pílula bombástica
Ela apertava os glúteos para sentir a firmeza
Tateava o abdome em busca de gordurinhas sobrantes
Faria nova cirurgia para aumentar o volume de silicone nas tetas
O casal modelo caprichava nas poses e apelos
Tornadas públicas (filtradas) no Instagrão
Já os abraços em cachorrinhos e joinhas com golfinhos
Reservavam ao açougue Tinder LTDA
Passavam horas contemplando-se na galeria do celular
Notando cada ângulo de beleza milimetricamente construída
Orgasmos múltiplos contínuos
Adoravam reviver o mito de Narciso</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/3605e-gabriel-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8111" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/1ad90-beto3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9039" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center">Clique na imagem para acessar a loja!</p>
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]]></content:encoded>
					
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		<title>Arquipélago da dor &#8211; ILHA #002</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Wendley Silvestre]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Wendley SILVESTRE</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-small-font-size">*** <strong>Alerta de gatilho:</strong> o poema possui conteúdo sensível para portadores de transtornos de ansiedade e pânico.</p>



<pre class="wp-block-verse">quando alcancei a areia da dourada
da segunda ilha
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;    meu corpo
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; estava salgado
pelas muitas águas
onde (eu) havia nadado
e no lago azulado
que eu era havia eras
um peixe encarnado
se debatia em seu interior...</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Wendley S</strong>ilvestre</strong> é poeta há pouco mais de uma década. Natural de Manaus, filho de mãe preta e pai branco, solteiro desde o nascimento e pai de zero filhos. Acompanhe o trabalho do Wendley no <a href="https://www.instagram.com/wendley_sil_vestre/">Instagram</a>!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/f4585-beto1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9032" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Espalha-Cor</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/26/espalha-cor/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Naía]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Naia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-preformatted">Ficando em casa, todos o que podiam se permitir descobriram o segredo sagrado:

Arte é magia
Arte é amor
Arte é risada
Arte é choro.
Arte é raiva.
Arte denuncia.
Arte mostra.
Com cores, com palavras, com corpos, com vozes.
Arte festeja.
Arte comunica.
Com papel, madeira, pedra, corpos, dança...
Então começa,
Dança com as cores, pinta com os passos,
canta dores e encanta,
Transforma,
Transforma dores
Transforma cores
TransformAMORES
Temos à nossa disposição
Um espectro de cores
Para gritar vida, essência, a alegria.
Aproveita desse momento, se desnuda, e deixa crescer
As asas da borboleta.
Para amanhã quando esse mundo reviver
Espalhar cores, dançar com o vento, polinizar flores
Sendo.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Naía</strong> é artista nomade, viajando sem avião entre a Antárctica, o cosmos e Alaska.&nbsp; Se comunica em cores, notas, mímicas, francês, espanhol, inglês, português, e algumas escrituras alienígenas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/87122-beto5-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é 78a01241-c965-4a73-84ff-dae6da365d7c-860x1024.png" class="wp-image-9037" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>No flagelo, a descoberta do amor</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/26/no-flagelo-a-descoberta-do-amor/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 042]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Queiroz]]></category>
		<category><![CDATA[quarentena]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=8991</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Matheus Queiroz</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Sem saber com exatidão se realmente dormiu ou se esteve em meditação para diminuir a ansiedade, pulou da cama em prontidão para, enfim, colocar-se a serviço do Outro. Bastou, no entanto, ouvir três palavras para que os ouvidos esquentassem; e tornou-se Parrásio tão logo se prostrou a movimentar os braços como resposta à breve expressividade de seu interlocutor.&nbsp;</p>



<p>Incorporando o trompe-l&#8217;œil aos movimentos, os braços finos tomaram vida própria e a mobilidade apaixonada dos membros aumentou em três vezes sua espessura, assustando até mesmo o mais corajoso guerreiro. Então, guiados não mais pela racionalidade lógica que a situação exigia, o norte era único, era amor.&nbsp;</p>



<p>Há quinze dias, o isolamento em casal parecia uma boa ideia, pois nos momentos diários de convivência sempre vivera na ilusão do romantismo último. Agora, aquelas palavras&#8230; Haverá futuro com elas? Descortinado o engano, via-se num mordaz romance de Virginia Woolf.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right">“<em>a carne tinha se fundido com o mundo.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Seu corpo tinha se macerado até restarem apenas as fibras nervosas.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Estendia-se como um véu em cima de uma pedra</em>.”</p>
</div></div>



<p>Enquanto a harmonia se mostrava na fachada, o rancor se escondia no interior do convívio. Da reflexão, seguiu o cessar dos movimentos dos braços, que logo voltaram a seu aspecto franzino.</p>



<p>&nbsp;À distância, seus olhos encaravam a aproximação do interlocutor, que desferira curtas ondas sonoras as quais, curiosamente, se materializaram na forma de adagas que pareceram golpear sua consciência, seja lá o que esta for. Com a mente confusa, a sentença lhe vinha à cabeça: “Eu te amo, mas não tenho obrigação!”. Ao que pensou nas três últimas palavras, voltou a se agitar e, tão logo se distanciou, sentiu o rosto acariciado por quem agora renunciava.</p>



<p>“Não tenho obrigação!” &#8211; afastou-se. Ora, só amam aqueles que nada esperam em troca, sempre acreditara nisso. Quando foi que abandonou o romantismo por uma relação mutualística? Quando foi que assassinou o romantismo para dar lugar ao escambo que ambos tanto aproveitaram? Se culpava, pois já não se movia mais pelo idealismo há muito tempo e só agora percebera. Tratou, então, de se afastar do corpo, agora estranho, com o qual coabitava.</p>



<p class="has-text-align-right">“<em>A ternura de um lobo por um cordeiro, eis a imagem exacta do amor que os apaixonados sentem pelo jovem amado</em>”. </p>



<p>É isso! &#8211; sussurrou após se lembrar das palavras de Sócrates ao discípulo Fedro. Com a lembrança, levantou-se em grande intempestividade por entender o óbvio: tudo o que sentiu foi ressignificado aos moldes do capitalismo. Ó Sócrates, após milhares de anos ainda induz o parto do conhecimento.&nbsp;</p>



<p>Enquanto caminhava para outro cômodo para discutir com seus “eus” interiores, manteve-se em quietude, para quando, em real isolamento, liberar o caos que contagiava sua mente. Sentada com as mãos na cabeça, parecia invocar todas as entidades que compuseram e adestraram o que manifestava de si. Com os olhos fechados, conjurava na mente todos os algozes ludibriadores que eliminaram quaisquer chances de um dia sentir o que é o amor.</p>



<p>Já em pé, andando de um lado ao outro, se martirizava por ter confundido tudo. Então, inerte no centro do cômodo, junto à realização de todo o falso amor que sentira, sentou-se um sorriso nos lábios e uma curta gargalhada. Voltando-se para o espelho, ria; contemplava sua própria felicidade e a ironia do isolamento, que revelou a natureza mercantil-simbólica do relacionamento.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Percebeu, em meio ao êxtase, que em seu caso o romance se contrapunha ao amor em sua forma bruta; seu maior prazer não apresentava valor o suficiente para que seu par investisse na empreitada. “Se o amor fosse uma pintura, teria sido obra do grande Parrásio”, pensou, e assim como Zeuxis, decretou a própria derrota. Superada a ilusão, identificou em si o amor bruto &#8211; aquele que age para os quais de quem nada se espera.&nbsp; Com os ânimos à flor da pele, se preparava para amar, quando ouviu três batidas na porta.</p>



<p>“Vamos! Se te faz feliz&#8230;”&nbsp; </p>



<p>Pouco tempo atrás, se renderia. A essa que, aos olhos de seu interlocutor, seria a mais pura expressão de amor. Contudo, não havia mais espaço para expectativas ou para o líquen que se mostrou ser a relação entre o casal. A epifania descaracterizara totalmente o que haviam construído ao longo dos meses que passaram em conjunção; o relacionamento nada mais era que o resultado de um mutualismo afetivo.</p>



<p>Nada havia o que dizer. Encontravam-se ali duas vítimas de um equívoco ao qual foram imputados. Assim, esperava que sua saída repentina transmitisse todas as reflexões que agora já estavam ofuscadas pelo desejo de amar. Com o carro carregado, seguiu sua rota de distribuição das doações aos mais vulneráveis, cuja recompensa única seria o fortalecimento desse sentimento que sempre soube que existira, mas que só agora sente.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Matheus Queiroz</strong> é jornalista, diretor de comunicação da UNALGBT-MG, ativista antifascismo e apaixonado pela disrupção de constructos sociais.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/01646-beto4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é 78a01241-c965-4a73-84ff-dae6da365d7c-860x1024.png" class="wp-image-9043" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



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