<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Ano 002, N 047 - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/category/edicao-47/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/category/edicao-47/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 31 May 2020 21:30:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>Editorial &#8211;  Sobre o que nos separa de nós</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/editorial-sobre-o-que-nos-separa-de-nos/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/editorial-sobre-o-que-nos-separa-de-nos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[minneapolis]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9963</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/editorial-sobre-o-que-nos-separa-de-nos/">Editorial –  Sobre o que nos separa de nós</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Enquanto eu assistia a transmissão ao vivo do lançamento de dois homens em um foguete, rumo à estação espacial internacional (ISS), pensei no possível alívio que um cosmonauta deve sentir ao deixar o planeta atualmente.</p>



<p>A Live, feita pela empresa de tecnologia espacial norte-americana, SpaceX em parceria com a NASA, cobriu minuciosamente todas as etapas do processo, desde a preparação para o lançamento, até o momento em que o módulo se acoplava à estação, integrando os dois cosmonautas americanos à gigante estrutura de aço, que flutua placidamente em meio ao vazio.</p>



<p>Eu não conseguia parar de pensar nas agruras da vida moderna ao ver aquelas imagens, sobretudo em tempos de pandemia, e em um país onde ideologias neonazistas se escondem atrás de copos de leite na mesa do Presidente da República. Pensei na possibilidade de haver um distanciamento social tão eficiente quanto o daqueles que habitavam o pálido ponto branco solto no vazio da imensidão escura do universo.</p>



<p>No tempo em que vivemos, os aparatos tecnológicos que foram desenvolvidos para diminuir as distâncias entre cada pessoa ao redor do globo, também foram responsáveis por pulverizar discursos que insistem em nos separar. A diversidade de pensamentos não foi entendida como um recurso rico e admirável, mas sim como celeuma de processos históricos segregacionistas, onde a conduta beligerante marcou verdades provisórias inquestionáveis em nossas peles.</p>



<p>Enquanto o módulo se afastava cada vez mais da terra, pelas pequenas janelas arredondadas do módulo, os dois mais novos heróis americanos não puderam enxergar qualquer linha que demarcasse qualquer fronteira entre as nações. Enquanto nós, aqui, diante da pequena janela retangular que dispomos em nossos bolsos, enxergamos muros intransponíveis, construídos ao longo das eras para impedir que ameaças externas invadissem nossas supostas propriedades. Como somos tolos. Não percebemos que, na realidade, fomos nós que ficamos presos dentro.</p>



<p>Além de toda a barbarie que cerca as comunidades humanas desde o princípio dos tempos, o que me impressiona de fato é a facilidade com que encontramos motivos para odiarmos uns aos outros. E claro, a banalidade desses motivos. Aparentemente, a hierarquia de nossos capitais simbólicos sempre fornecerá elementos para que nos posicionemos dentro de estruturas de poder em nosso meio social. Uma pena esse posicionamento sempre se constituir como uma luta para ocupar o trono do opressor.</p>



<p>Quando a missão caminhava para seu fim, e os cosmonautas se encontraram com os outros integrantes da estação, as fronteiras que eles não podiam ver pelas janelas estavam presentes em cada olhar. Todos homens brancos e héteros. Não haviam negros. Não haviam mulheres. A diversidade era representada entre homens brancos e paredes brancas e frias de metal. Não tive como não pensar na morte de João Pedro, alvejado por policiais pelas costas, no Rio de Janeiro. Em George Floyd, asfixiado covardemente pela polícia em Minneapolis, nos Estados Unidos. Não tive como não pensar em tantos outros que perderam suas vidas e sequer foram lembrados. Parece que o potencial de realização da humanidade demonstrado na transmissão a partir da união de suas forças, é um devaneio lisérgico de quem acredita nas promessas de campanha de seu político de estimação.</p>



<p>Por outro lado, a angústia de uma vida sufocada pela opressão, serviu de combustível para a explosão de um movimento em protesto contra a violência policial nos Estados Unidos. A ignição foi a morte de George Floyd, mas, hoje, os protestos não se restringem mais à Minneapolis e se espalharam por todo território Norte-americano</p>



<p>Nesse sentido, me parece haver algo jocoso nessa história toda. Nossas noções de identidade podem servir para dominar ou para resistir. Nossas acepções sobre território podem nos limitar ou nos expandir. A violência que esmaga e oprime é a mesma que luta por liberdade e justiça. O ar de superioridade do olhar de cima para baixo, é o mesmo que desaparece para quem estende a mão. No final das contas, somos todos cosmonautas solitários na imensidão do vazio de nossas almas, e as fronteiras que traçamos são cicatrizes abertas prestes a serem compartilhadas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/inspireoutras/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/b0227-camile-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-9848" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/editorial-sobre-o-que-nos-separa-de-nos/">Editorial &#8211;  Sobre o que nos separa de nós</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/editorial-sobre-o-que-nos-separa-de-nos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9963</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Lazer em tempos de Isolamento Social</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/lazer-em-tempos-de-isolamento-social-jovens-da-periferia-de-recife-buscam-ponto-turistico-para-banho-de-rio/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/lazer-em-tempos-de-isolamento-social-jovens-da-periferia-de-recife-buscam-ponto-turistico-para-banho-de-rio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[COVID]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Léo Santana]]></category>
		<category><![CDATA[periferia]]></category>
		<category><![CDATA[recife]]></category>
		<category><![CDATA[Thays Martins]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9891</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Thays Martins e Léo Santana</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/lazer-em-tempos-de-isolamento-social-jovens-da-periferia-de-recife-buscam-ponto-turistico-para-banho-de-rio/">Lazer em tempos de Isolamento Social</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-large-font-size"><strong>Jovens da Periferia de Recife buscam ponto turístico para banho de rio</strong></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Com alternativas escassas de lazer devido a COVID-19, grupo de rapazes tentam preencher o tempo com pulos e acrobacias nas águas</em>.</p>



<p>Com avanço desenfreado do coronavírus em diversos países no mundo (e em destaque no Brasil, líder de casos na América Latina),&nbsp; a principal recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é ficar em casa. Contudo, para quem não dispõe de uma casa espaçosa nem de acesso a tecnologias, manter-se em casa é uma tarefa mais difícil; e em se tratando do público infantojuvenil, ficar em isolamento pode ser um desafio ainda maior. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/5114f-leo-santana-1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9896" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Léo Santana</figcaption></figure>



<p>Na Ilha de Joaneiro, localizada no bairro de Campo Grande, em Recife, um grupo de jovens se diverte nas águas do entorno do Marco Zero do Recife, cartão postal da capital pernambucana.  O local, que desde o início da quarentena está vazio de turistas, estava tomado por risos e sons de splash nas águas do rio Capibaribe produzido pelo grupo, em uma mistura de diversão e competitividade.</p>



<p>Ainda em meio ao cenário de pandemia, os meninos estão lá a postos para realizar o próximo pulo, rumo às águas escuras do rio. Como em um salto olímpico, eles se preparam. Se concentram como se mais nada houvesse no mundo. Mira, estica e pula. O salto, para os olhos de quem não está acostumado a ver, saiu perfeito. Mas para eles, a exigência é maior. Mesmo com o frenesi do momento, os jovens de Campo Grande <strong>conseguem manter uma distância maior entre eles no rio do que na própria casa ou na comunidade</strong>, a Ilha de Joaneiro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/ec11b-leo-santana-6.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9895" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Léo Santana</figcaption></figure>



<p>Esse grupo de jovens nos ajuda a entender melhor como está sendo a realidade das opções de lazer, em meio a pandemia, para a juventude periférica local. Batizado de Galera do Terreno (GDT), o grupo é composto por rapazes &#8211; crianças e jovens de 8 a 21 anos &#8211; e surgiu a partir da reunião para jogar bola em um terreno abandonado no bairro.   Eles se organizam através de um grupo em uma plataforma de conversas online e,  como a prática do futebol está proibida por ser um esporte de contato, os rapazes passaram a utilizam o grupo para marcar os mergulhos e banhos de rio no Marco Zero do Recife.</p>



<p>O GDT, porém, não é um simples grupo de crianças que brincam. Com regras internas de comportamento, os jovens da Ilha de Joaneiro buscam se blindar do preconceito por virem da favela  e visam evitar a forte coerção policial. As regras de convivência são seriamente respeitadas no grupo. Maycon Cosmo Barbosa faz parte do GDT e conta que baderna e mau comportamento não são aceitos no grupo: “Quem fica com perturbação ou maloqueiragem é ‘cobrado’ pela galera”. Isso significa que o membro do grupo que quebra as regras é punido pelo grupo, podendo ser barrado nos encontros seguintes. Essa é uma forma deles se protegerem da ações mais truculenta dos agentes de segurança.</p>



<p>Aos 21 anos de idade, Maycon atua como Salva Vidas e estava fazendo o curso de Bombeiro Civil antes da pandemia da COVID-19. Ele conta que parte do desejo em utilizar as habilidades de natação para realizar resgates se deve aos passeios até o rio com o GDT. Respeitado por todos, os meninos são enfáticos quando se referem a Maycon; “Esse é o Maycon ‘Felps’. Quem atravessa com ele, tá com Deus”, relata um jovem, em referência à  travessia a nado até o parque das esculturas &#8211; que só é realizada pelos mais velhos, tendo em vista o grau de dificuldade e a correnteza presente no rio.</p>



<p>Quando questionados sobre outras opções de lazer, os jovens do grupo relatam que está sendo difícil ficar em casa. Muitos não possuem celular, computador ou videogame e, antes do novo coronavírus, seu lazer consistia em jogar bola e conversar com os amigos na rua, atividades proibidas em função da quarentena e do isolamento social.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/63f6c-leo-santana-4.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9898" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Léo Santana</figcaption></figure>



<p>Davidson Farias, 17 anos, faz parte do grupo e está no segundo ano do ensino médio. O jovem conta que, atualmente, complementa a renda da família trabalhando como barbeiro: “Estou aqui com meus amigos, mas minha mãe não pode saber que estou pulando no rio. Ela tem medo que eu venha para cá. Mas em casa, eu corto o cabelo dos amigos, ajudo ela nas coisas de casa, e depois não tem mais nada para fazer. Então eu venho para cá”.</p>



<p><strong>Isolamento Social e Juventude</strong></p>



<p>A psicóloga Carla Amorim estuda Terapia Cognitiva Comportamental e relata que o isolamento social causam um grande impacto psicológico na população de forma geral; e em se tratando de jovens, esse impacto pode ser agravado: “Observamos que os adolescentes, em geral, possuem mais dificuldade de diálogo e comunicação. Os jovens, em sua maioria, preferem manter contato mais próximo com os amigos, quando se trata de conversa, se sentem mais abertos. Impossibilitados de fazerem isso, se fecham. Muitos possuem dificuldade de ter um relacionamento interpessoal em casa, com seus familiares”, destacou.</p>



<p>Ao falar sobre a quebra de rotina da população infanto-juvenil, a psicóloga fala que qualquer mudança brusca no ritmo de vida pode interferir na saúde mental de crianças, jovens e adolescentes, e que o ambiente familiar sem diálogo nessas circunstâncias pode pesar ainda mais: “A mudança de rotina traz com ela o aumento dos níveis de ansiedade, o que pode culminar sentimentos e comportamentos depressivos. Em casos mais extremos e raros, podem ocorrer pensamentos suicidas. Esse último ponto, com menos frequência.”</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/50150-leo-santana-3.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9900" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Léo Santana</figcaption></figure>



<p>Partindo para o campo da pesquisa e da promoção dos direitos da criança, do adolescente e do jovem, o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e coordenador das Escolas de Conselhos de Pernambuco Humberto Miranda destaca que o contexto da pandemia acentua a desigualdade pré-existentes, atingindo em cheio os mais vulneráveis. Ele ressalta que, em tempos de quarentena, devemos ser mais compreensivos para entender melhor as dificuldades do outro enfrentar o isolamento social. “É difícil [até mesmo] para um jovem de classe média, que mesmo em isolamento, possui internet, televisão por assinatura, informações adequadas de como se alimentar e&nbsp;se exercitar; [então] vamos avaliar a dificuldade do jovem da periferia que vive em condições de moradia precarizada, muitas vezes sem comida, não dispondo de estrutura material para vivenciar o distanciamento social dignamente. É fundamental o exercício da empatia, percebendo que são condições diferentes”, pontuou.</p>



<p>Quando destacamos as diferentes formas de lazer que os jovens do GDT vêm praticando, Miranda enfatiza ainda que a cultura infanto-juvenil periférica possui referenciais de pontos de diversão mais diversificados, saindo do senso comum das classes mais ricas. Para eles, as ruas, pontes e rios possuem outro sentido. “Precisamos respeitar as diferentes formas de sociabilidade vivenciadas por eles, uma vez que são produções culturais, manifestações de arte, de lazer e de esporte que, nesse período de pandemia, também estão comprometidas. São nesses espaços que eles aprendem, produzem cultura e se manifestam politicamente.”</p>



<p>Para que o impacto do isolamento seja minimizado, meios alternativos de lazer são essenciais para que jovens periféricos enfrentem a pandemia com a mente saudável. Através da improvisação, grupos como o GDT tentam se distrair para irem além do medo da contaminação que permeia a mente de boa parte da população. Sem deixar de dar importância ao isolamento social, é preciso ter um olhar empático para compreender a importância da sociabilidade das crianças, jovens e adolescentes para que tenham alternativas seguras de distração.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/fc13e-leo-santana-2.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9899" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Léo Santana</figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Thays Martins </strong>é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com bolsa de pesquisa CNPq sobre o pluralismo e as diversidades sociais apresentada na cobertura diária de um jornal local de Pernambuco. Atualmente, trabalha com a cobertura da pandemia da COVID-19 em Pernambuco.</p>



<p><strong>Leandro de Santana, </strong>31 anos, pernambucano.&nbsp; Atualmente Fotojornalista no Diário de Pernambuco e&nbsp;&nbsp;Agência Pixel Press, faz parte do Coletivo Fato, junto com outros fotojornalistas de Recife. Leandro&nbsp;&nbsp;tem passagens pela agência O Dia do Rio Janeiro com publicações no Jornal The Guardian , Washington Post entre outros Jornais Internacionais.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/aa888-feirante-2.png?w=950" alt="" class="wp-image-9958" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/lazer-em-tempos-de-isolamento-social-jovens-da-periferia-de-recife-buscam-ponto-turistico-para-banho-de-rio/">Lazer em tempos de Isolamento Social</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/lazer-em-tempos-de-isolamento-social-jovens-da-periferia-de-recife-buscam-ponto-turistico-para-banho-de-rio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9891</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Histórias que nos contam sobre o que vivemos</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/historias-que-nos-contam-sobre-o-que-vivemos/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/historias-que-nos-contam-sobre-o-que-vivemos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>
		<category><![CDATA[relações sociais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9883</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/historias-que-nos-contam-sobre-o-que-vivemos/">Histórias que nos contam sobre o que vivemos</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Muitos traumas traremos dessa pandemia que já ceifou mais de 20 mil vidas brasileiras. Esses números, que representam pessoas e, portanto, afetos, são agravados pelas escolhas genocidas de um governo alçado ao poder por um sistema e um conjunto de decisões políticas de exceção tomadas desde o golpe de 2016. Muito provavelmente, daqui por diante será um longo período em que deveremos superar a chaga do ceticismo político cada vez mais agravado, o que fará com que o atual sistema dê passos cada vez mais largos em direção ao seu colapso. Por outro lado, o impacto dos dias em que vivemos nas relações sociais ainda são imensuráveis, não sabendo qualquer psicólogo, antropólogo ou pesquisador em área adjacente explicar se o medo da contaminação por organismos invisíveis afetará a forma como trocamos afetos.</p>



<p>Fato é que outros graves acontecimentos envolvendo cataclismas políticos ou a morte de dezenas de milhares de pessoas já destruíram, outras vezes, as relações políticas e pessoais de povos assim marcados.</p>



<p>Especializada em contar a memória dos povos eslavos que integraram a União Soviética, a escritora Svetlana Aleksijevich, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, conta em “O Fim do Homem Soviético” que, após a queda do socialismo real do leste europeu, os cidadãos desses regimes &#8211; sobretudo o mais autoritário e distante deles, o soviético &#8211; encontraram-se numa Europa à qual não pertenciam, e igualmente já não estavam mais sob a tutela do Partido Comunista, sob a qual nem queriam estar.</p>



<p>Portanto, uma identidade própria foi criada a partir daí, que resultou no nacionalismo russo liderado por Vladimir Putin, equidistante em relação às democracias europeias ocidentais e ao Governo socialista. Ao povo, foi legado um conjunto de relações interpessoais marcadas pelo esvaziamento do paradigma da solidariedade do regime anterior, sem igualmente a liberdade e a individualidade ocidentais. O russo é um europeu sem ser, que vive uma existência do passado no presente e não vê plenamente seus direitos nem suas liberdades conquistadas.</p>



<p>Outra autora, Chimamanda Ngozi Adichie, rememora em “Meio Sol Amarelo&#8221; a cisão ocorrida na Nigéria nos anos 1960, quando o povo haussá do Norte do país exterminou a parte da etnia minoritária ibo, do Sudeste, que vivia nas terras haussás. Ante o silêncio dos iorubás, do Sudoeste, outro dos três principais povos nigerianos, os ibos declararam uma guerra de independência para criação do estado do Biafra, apoiado pelas petroleiras francesas que tinham interesse em negociar melhores preços pelo petróleo local. O resultado de dez anos de conflito fratricida foi um país em que, até hoje, as relações norte-sul são marcadas pelo medo, não se aproximando ibos e iurobás dos haussás. Muitos desses, por sua vez, organizam-se não em torno do Estado, mas de organizações de base islâmica e, por vezes, fundamentalista e terrorista, como o Al- Shabab e o Boko Haram.</p>



<p>Duas histórias para contar que o trauma, seja pela desorientação política, seja pela marca da morte na vida das pessoas, é responsável por criar um conjunto de novas relações sociais, as quais modificam o cotidiano de um país. No Brasil, ambos os transtornos ocorrem de forma concomitante, um agravando o outro, de modo que a incerteza para os anos 2020 no Brasil pode se tornar apenas comparável à da Alemanha no pós Primeira Guerra, gripe espanhola e crise econômica de 1929, que da completa desorientação social e política resultou na ascensão do nazismo.</p>



<p>Para tal reflexão, é recomendável o filme “O Ovo da Serpente”, do cineasta sueco Ingmar Bergman. Nele, conta-se a história de um artista americano que vai à Alemanha em busca do irmão e presencia a falência da sociedade local, ao mesmo tempo em que a ascensão de Hitler é contada, sem ser mostrada, pelas palavras das personagens que o protagonista encontra no seu caminho. Tal linguagem incita no expectador a reflexão sobre o sentimento alemão que gestou o nacionalismo autoritário e genocida.</p>



<p>Seja pelas letras ou pelas imagens, a narrativa constitui ferramenta, assim como a história, para reflexão do presente e construção do futuro. Que os exemplos de perda identitária e desorientação nacional, de violência fratricida e de desespero pela escassez e fome nos permitam pensar caminhos para o Brasil que evitem as experiências ruins já vividas, ainda que sempre nos possa escapar a outra realidade, ainda não experimentada.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/22e98-hecc81lio-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8888" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha </strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/16ee4-sketch-brasil-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-9956" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/historias-que-nos-contam-sobre-o-que-vivemos/">Histórias que nos contam sobre o que vivemos</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/historias-que-nos-contam-sobre-o-que-vivemos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9883</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A Verdade vos Libertará</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-verdade-vos-libertara/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-verdade-vos-libertara/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[confiança]]></category>
		<category><![CDATA[honestidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9916</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-verdade-vos-libertara/">A Verdade vos Libertará</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-drop-cap">A expressão “amor livre” me soa estranha. Amplamente utilizada para designar relacionamentos românticos não monogâmicos, ela mexe muito com os meus pensamentos &#8211; mesmo porque esse chamado “amor livre” (em tradução, a poligamia) é o modelo de relacionamento que eu passei a adotar depois de percebê-lo como o mais viável para que a minha personalidade pudesse se encaixar em vivências românticas mais saudáveis e felizes.</p>



<p>Pessoalmente, essa expressão jamais sai da minha boca para definir o meu relacionamento – ainda que ele se enquadre na noção que a maioria das pessoas relaciona a esse conjunto de palavras. Acontece que toda vez que eu penso em “amor livre”, me surgem questionamentos:</p>



<p class="has-text-align-center">Existe amor sem liberdade?</p>



<p class="has-text-align-center">‘Amor livre’ não seria uma expressão redundante? </p>



<p class="has-text-align-center">O que se passa na cabeça de quem diz que ama e enxerga seu amor como uma prisão?</p>



<p>Eu entendo que a ideia seja falar sobre a possibilidade ou não de se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo – a oposição entre <em>ser limitada a se relacionar com uma única pessoa</em> (o “amor preso”) ou <em>ter possibilidades ilimitadas de pessoas para se relacionar ao mesmo tempo </em>(o “amor livre”). Porém, não concordo que a percepção de liberdade nos relacionamentos deva se basear nas práticas escolhidas voluntariamente pelo próprio sujeito; nesse contexto, a oposição entre liberdade e prisão não me parece sustentável nem mesmo de um ponto de vista estritamente semântico. Essa oposição, inclusive, é o principal motivo que eu vejo para a interpretação errônea do que é a poligamia (ou “amor livre”), sempre pensada enquanto um relacionamento de desapego e alvo de comentários como:</p>



<p class="has-text-align-center">“Se quer pegar geral, fica solteira!”</p>



<p class="has-text-align-center">&nbsp;“Nossa, acho tão evoluído, mas não consigo.”</p>



<p class="has-text-align-center">“Ah, eu teria ciúmes.”</p>



<p>Se você já disse ou diria alguma dessas frases, eu tenho umas novidades para te contar. A primeira delas é que relacionamentos poligâmicos não têm absolutamente nada a ver com desapego (meu casamento que o diga); a poligamia é apenas mais um dos muitos contratos interpessoais que você pode assumir num relacionamento romântico. E se ela é só uma entre tantas possibilidades, a segunda novidade é que não tem nada de evoluído em ser poligâmico; é só uma questão de escolher o que é mais ou menos confortável para você, de acordo com as suas necessidades. A terceira novidade é que gente poligâmica também sente ciúmes; a poligamia só é uma modalidade de relacionamento na qual a gente se propõe a lidar com esses (e outros) sentimentos de forma diferente, olhando para dentro de si, e com confiança no outro. E é essa confiança que delimita que o amor pode ser livre independente do modelo de relacionamento que você tenha. Juro.</p>



<p>Apesar de me incomodar a expressão e considerar errônea a correlação imediata que se faz entre o amor livre e a poligamia, é possível entender a origem dessa inferência automática a partir da observação de casais mono e poligâmicos em um mesmo contexto social. Devido à própria falta de conhecimento das pessoas em volta e do preconceito, relacionamentos poligâmicos estáveis costumam ser assumidos publicamente bem mais tarde do que os monogâmicos; e nessa altura do campeonato, as pessoas envolvidas já construíram intimidades, enfrentaram medos e inseguranças que nem imaginavam ter, testaram diversos limites pessoais, fizeram as pazes com suas limitações e insuficiências, discutiram e rediscutiram o contrato do relacionamento e, claro, já pensaram muitas vezes sobre “o que vamos dizer ao mundo para que não sejamos invalidados?”. Todo esse processo requer um nível altíssimo de confiança e honestidade; assim que, enquanto casais monogâmicos passam por todo esse início de forma pública, casais poligâmicos já se apresentam à sociedade com suas pontes construídas, passando a sensação de que a “liberdade” (de não ficar com apenas uma pessoa) e a confiança mútua são atributos paralelos da relação, e não interdependentes. Mas a confiança não é o ponto de partida do amor livre; ela não é a matéria prima, mas sim o meio de produção. O ponto de partida, a matéria prima, é a honestidade. E ela pode estar presente nos dois modelos extremos, desde o relacionamento monogâmico mais fechado até o poligâmico mais aberto.</p>



<p>A honestidade não é simples (e não é todo mundo que quer se comprometer com ela). Ela é um exercício de falar coisas que, às vezes, são difíceis de dizer e de serem ouvidas. Coisas que podem ferir, desestabilizar esse alguém sem quem você não consegue imaginar os próximos meses, os próximos anos, ou o resto da sua vida. Coisas que, por pura empatia, ou por medo de atrito, escolhemos não dizer – e quando não dizemos, na maioria das vezes, é porque apresentam riscos à noção de que estaremos juntas e felizes amanhã. Assim, a honestidade requer a coragem para navegar esse terreno instável. E requer, também, a capacidade de perdoar, a si e ao outro.</p>



<p>Essa honestidade, unida ao cuidado e ao carinho geralmente presentes nos relacionamentos românticos, dá origem à relação de confiança. E o curioso é que a confiança só tende a retroalimentar a honestidade; ora, impossível ser sincera, honesta, quando o sentimento é de que tudo vai desabar na primeira discordância (já estive aí, não recomendo). Já quando você passa por situações difíceis e se permite confiar, essas situações passam a ser mais navegáveis. Mais tranquilas. Menos assustadoras. E, consequentemente, menos difíceis.</p>



<p>Falando assim, tudo isso parece um ciclo fluido, uma sequência que transcorre feito aquelas filas de dominó, que a gente empurra o primeiro e todos caem em sincronia. Mas é importante lembrar que confiar é sempre uma escolha. Escolher confiar é um comprometimento que, assim como a honestidade, nem todo mundo está disposto a fazer; isso tendo em mente que a desconfiança é, com certeza, um dos maiores limitadores da ação humana. Com confiança, é possível aumentar o seu raio de ação, e conquistar a liberdade; essa, que não consiste apenas na possibilidade de se relacionar com outras pessoas – e pode nunca significar isso, para muita gente -, mas a liberdade real. Aquela que nos permite ter experiências; trazer outras referências, novas; cometer erros; e ainda assim, ter alguém para quem voltar.</p>



<p>A liberdade real em um relacionamento está sempre acompanhada da confiança plena, que se desenvolve no dia a dia, na honestidade e na independência dos sujeitos. No saber que &#8216;eu não preciso estar com você, você não precisa estar comigo; mas de todas as possibilidades que nós temos, escolhemos a de estarmos juntas nesse momento’. No reconhecer que &#8216;somos iguais e podemos tudo, juntas ou separadas&#8217;. E quando pensar que queremos juntas, é porque realmente queremos juntas – e que podemos querer separadas.</p>



<p>A nossa condição humana, porém, nos restringe, e não permite que jamais atinjamos a perfeição. Assim, a liberdade real nunca é total, porque somos humanos, com limitações. Todo mundo sente coisas que não quer sentir. Diz ou faz coisas impulsivamente, e se arrepende depois. Tudo que envolve pessoas tem problemas. Os três parágrafos anteriores desse texto soam como um mar de rosas, uma situação ideal, o que não é a realidade de nenhum relacionamento. Pessoas discordam, entendem errado, são injustas, são egoístas, são sensíveis a coisas estúpidas, mudam de opinião, são naturalmente incoerentes, projetam expectativas, ideais, medos, inseguranças &#8211; o que quer dizer que tudo são tentativas. A condição humana transforma todo relacionamento, de qualquer natureza, inclusive os românticos, em um exercício constante de demonstrar paciência, de crescer e fazer crescer, de deixar entrar, de encontrar a melhor forma para ser honesta e dizer coisas ruins de se ouvir, de compreender, de perdoar. Se dispor a exercitá-los configura o amor.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” </em><br><em>(1 Coríntios 13:4-6)</em></p>



<p>O amor se alegra com a verdade. É a partir dela que ele se torna livre. E a liberdade é fator motriz da humanidade. Ela é o mote de todos os protestos, reivindicações, lutas. Em tempos de quarentena, pessoas que nunca saem de casa estão incomodadas com a impossibilidade, a falta de liberdade para saírem. Em todos os âmbitos, ela é o destino daqueles que crescem: liberdade financeira, de horários, de fazer o que quiser quando quiser sem ninguém para regular. E por que não conceder também ao amor a possibilidade de ser livre?</p>



<p>O passo a passo é simples; a prática, nem tanto. Mas a ideia é tomar os meios de produção: tomar a confiança para nós mesmas, alimentá-la com honestidade, para que possamos ser donas da liberdade que produzimos. Livre é o amor que conhece a verdade.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Conheceis a verdade, e a verdade vos libertará”</em><br><em>(João 8:32)</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/5a704-carolcad-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8747" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atua como Social Media na Peregrina Digital, assistente de edição na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/e4f3f-rezadeira.png?w=950" alt="" class="wp-image-9953" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-verdade-vos-libertara/">A Verdade vos Libertará</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-verdade-vos-libertara/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9916</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Artesãos apoiados pelo FIDA produzem equipamentos de proteção para combater o coronavírus no Piauí, Brasil</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/artisans-supported-by-ifad-produce-protective-equipment-to-fight-coronavirus-in-piaui-brazil/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/artisans-supported-by-ifad-produce-protective-equipment-to-fight-coronavirus-in-piaui-brazil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[trans]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9919</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/artisans-supported-by-ifad-produce-protective-equipment-to-fight-coronavirus-in-piaui-brazil/">Artesãos apoiados pelo FIDA produzem equipamentos de proteção para combater o coronavírus no Piauí, Brasil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Ipiranga, uma cidade rural de 10.000 habitantes no Piauí, uma organização de artesãos se viu com menos trabalho por causa da pandemia de coronavírus. Consciente da falta de equipamento de proteção individual (EPI) para os profissionais de saúde da região, a Associação de Artesãos da cidade de Ipiranga-Piauí (ASSARIPI) alterou seu programa de trabalho habitual para produzir máscaras faciais e toucas.</p>



<p>Até agora, os artesãos da ASSARIPI usavam caules e fibras do buriti &#8211; planta nativa da região &#8211; para produzir móveis, cestas, objetos de decoração, roupas e bolsas, com o apoio do Projeto Viva o Semiárido, financiado pelo Fundo Internacional para Agricultura Desenvolvimento (FIDA) e Secretaria de Estado da Agricultura Familiar.</p>



<p>Lídia Ribeiro de Andrade, presidente da Associação, explicou que a ideia de ajudar resultou da alta demanda por equipamentos de proteção. “Inicialmente, fizemos apenas algumas peças e as doamos para idosos carentes. Depois de alguns dias, já estávamos produzindo equipamentos de proteção para o centro de saúde local e, logo depois, para o hospital regional da cidade vizinha, Picos ”, disse ela.</p>



<p>“Eles já fabricaram máscaras médicas, chapéus e camisolas para os departamentos de saúde da região do Vale do Sambito”, diz Francisco das Chagas Ribeiro, coordenador do Projeto Viva o Semiárido. Ele explicou que a Associação estava adaptando as máquinas para produzir 500 peças de proteção individual por dia, que serão distribuídas pela rede comercial do projeto.</p>



<p>Com três filhos e cinco netos, Iolita Ramos, uma das co-fundadoras da ASSARIPI, depende da renda da Associação para sobreviver, mas agora ela está investindo toda a sua energia no espírito de solidariedade. “Percebemos agora a realidade que estamos enfrentando com o coronavírus e todos temos que dar nossa contribuição para superá-lo”, diz ela. &#8220;Estamos trabalhando na produção das máscaras, mas gostaríamos de ajudar ainda mais&#8221;, disse ela.</p>



<p>A demanda tem sido tão grande que a Associação está deixando de atender a alguns pedidos. “Até hospitais e centros de saúde da capital do Piauí, Teresina, e outros estados, entraram em contato conosco, mas não conseguimos responder a todas essas demandas”, lamentou Lídia.</p>



<p>Ao saber sobre a alta demanda, a Secretaria de Agricultura Familiar &#8211; parceira local do FIDA no Projeto Viva o Semiárido &#8211; entrou em contato com outras duas associações de pequenos produtores rurais dos municípios vizinhos Nossa Senhora da Nazaré e Batalha.</p>



<p>Cada uma dessas associações produzirá 800 itens por semana, que, combinados aos 500 itens produzidos diariamente pela ASSARIPI, resultarão na produção de cerca de 5.000 componentes de EPI a cada sete dias.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/artisans-supported-by-ifad-produce-protective-equipment-to-fight-coronavirus-in-piaui-brazil/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 29/05/2020 &#8211; Atualizado em 29/05/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/inspireoutras/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/13903-camile-7.png?w=950" alt="" class="wp-image-9816" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/artisans-supported-by-ifad-produce-protective-equipment-to-fight-coronavirus-in-piaui-brazil/">Artesãos apoiados pelo FIDA produzem equipamentos de proteção para combater o coronavírus no Piauí, Brasil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/artisans-supported-by-ifad-produce-protective-equipment-to-fight-coronavirus-in-piaui-brazil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9919</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A Saudade e a Fotografia</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-saudade-e-a-fotografia/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-saudade-e-a-fotografia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9871</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Karina Mendonça</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-saudade-e-a-fotografia/">A Saudade e a Fotografia</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Com tempo de sobra, ansiedade a mil, coração acelerado e os pensamentos soltos, impossível não sentir-se saudoso nos últimos meses. Há dias em que pego os álbuns de fotografias, olho cada uma das fotos reveladas, lembro de cada momento vivido, choro um pouco aqui, passo o restante do dia triste e sigo adiante.</p>



<p>Dias depois, ligo o computador, conecto o HD externo, abro a pasta “Fotos” e passo horas abrindo cada uma das tantas subpastas com as mais variadas fotos das viagens já feitas. Cada fotografia é um lugar diferente. Cada lugar é uma história. Cada história tem seus momentos, seus sorrisos, seus amigos. Posso não lembrar o local, a cidade, mas lembro exatamente de quem estava por trás da câmera comigo.</p>



<p>Ou dos momentos que antecederam a fotografia, o sorriso. Lembro-me da estrada que nos levou até ali, das conversas. Mas ninguém nunca descreveu tão bem a sensação de olhar uma fotografia quanto o Leo Jaime e o Leoni na música “Fotografia”:</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>Hoje o mar faz onda feito criança</em>
<em>No balanço calmo a gente descansa</em>
<em>Nessas horas dorme longe a lembrança</em>
<em>De ser feliz</em>
<em>&nbsp;</em>
<em>Quando a tarde toma a gente nos braços</em>
<em>Sopra um vento que dissolve o cansaço</em>
<em>É o avesso do esforço que eu faço</em>
<em>Pra ser feliz</em>
<em>&nbsp;</em>
<em>O que vai ficar na fotografia</em>
<em>São os laços invisíveis que havia</em>
<em>&nbsp;</em>
<em>As cores, figuras, motivos</em>
<em>O sol passando sobre os amigos</em>
<em>Histórias, bebidas, sorrisos</em>
<em>E afeto em frente ao mar</em>
<em>&nbsp;</em>
<em>Quando as sombras vão ficando compridas</em>
<em>Enchendo a casa de silêncio e preguiça</em>
<em>Nessas horas é que Deus deixa pistas</em>
<em>Pra eu ser feliz</em>
<em>&nbsp;</em>
<em>E quando o dia não passar de um retrato</em>
<em>Colorindo de saudade o meu quarto</em>
<em>Só aí vou ter certeza de fato</em>
<em>Que eu fui feliz</em></pre>



<p>Engraçado que, em uma semana, ao olhar as fotos, enquanto sentia saudades de tudo o que passou, escrevi nas redes sociais que as pessoas não deveriam olhar fotos antigas, tamanha a dor que aquilo poderia causar. Na semana seguinte, ao olhar novamente as mesmas fotos e algumas outras, escrevi que as pessoas deveriam sim olhá-las para relembrar os momentos vividos.</p>



<p>Escrevendo agora, mantenho minha posição. Repito: olhem suas fotos. De elas tornaram-se retratos que hoje colorem nossos quartos e casas de saudade, é a certeza de que fomos felizes (como diz a música). E não importa se nunca mais voltaremos àqueles lugares. Ou se jamais iremos rever aqueles amigos. Nem se não voltaremos a tomar aquele drink, ou comer aquela pizza.</p>



<p>Não importa se jamais voltaremos a rever aquele amor de inverno, ou se não veremos a neve cair novamente. A saudade faz parte de quem somos, do que vivemos. Só não podemos deixá-la nos impedir de vivermos o presente. Entretanto, como o presente anda um tanto quanto estagnado, tenho aproveitado o saudosismo bastante, diga-se de passagem.</p>



<p>Antes de ir, gostaria de deixar-lhes com as paisagens de uma das minhas maiores saudades: minha viagem à Itália, em 2011. Espero que gostem e apreciem, tanto quanto eu.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/1e3d8-bassano-di-grappa-italia.jpg?w=950" alt="Paisagem com casas e um rio largo, em Bassano Di Grappa, Itália." class="wp-image-9872" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Bassano Di Grappa, Itália</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/d9124-lago-de-revine-italia.jpg?w=950" alt="Paisagem com um lado e e árvores coníferas em primeiro plano, e formações montanhosas com neve ao fundo, em Lago de Revine, Itália." class="wp-image-9873" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Lago de Revine, Itália.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/6bad4-cividale-italia-2.jpg?w=950" alt="Paisagem com casas , uma igreja e muitas árvores, um rio largo, e montanhas ao fundo, em Cividale, Itália." class="wp-image-9874" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Cividale, Itália.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/d5846-cividale-italia.jpg?w=950" alt="Paisagem ensolarada com um rio estreito, ladeado por árvores, e uma casa branca do lado esquerdo, em Cividale, Itália." class="wp-image-9875" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Cividale, Itália.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/d9cf1-veneza-italia.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9880" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Veneza, Itália.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/2137c-veneza-italia-2.jpg?resize=563%2C750" alt="" class="wp-image-9879" width="563" height="750" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Veneza, Itália.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/dcd05-villach-austria.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-9877" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Villach, Áustria.</figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Karina Mendonça</strong> é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/fa823-fotos-carol-copy.png?w=950" alt="" class="wp-image-9951" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-saudade-e-a-fotografia/">A Saudade e a Fotografia</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/a-saudade-e-a-fotografia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9871</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Para os Fortes</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/para-os-fortes/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/para-os-fortes/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[São]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9904</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Mateus Mecunhe</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/para-os-fortes/">Para os Fortes</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Para ler ouvindo Spanish Caravan, The Doors.</em></p>



<p class="has-drop-cap">Com esse sorriso lindo que você tem, me responde sobre alegrias, gozos e dores sempre com esse mesmo semblante leve. Uma doçura na voz quando me fala sobre Winnicot, educação, crianças ou desabafos da vida, de amores de amigas de amigos e de como as pessoas se portam no trânsito.</p>



<p>Você logo e simpaticamente pergunta sobre se percebo que tenho algum vício de linguagem e o que eu acho disso. Fico sem entender, e logo você diz: &#8220;vou te passar um contexto&#8221;. A verdade é que me perco porque percebo que eu adoro a palavra contexto. É uma das minhas palavras preferidas, e eu nem sei o que está no dicionário, mas acho que carrega dentro de si um mundo. Todo um contexto. Como se para contextualizar, fosse necessário criar um cenário inteiro e transformá-lo em palavras para que o ouvinte, leitor, amigo, possa imaginar não só a história, mas que seja trazido para dentro dela, para que seja uma experiência tão vívida quanto se poderia ser.</p>



<p>Sentamos ora no chão, ora no sofá laranja saturado com um dos assentos comido pela cachorra média amarelada (também saturada) que &#8211; pode parecer mentira mas &#8211; sorri quando está feliz, e que habita comigo no apartamento e na alma, com quem divido a cama todas as noites nos últimos anos e me acompanha emocionalmente nos altos e nos baixos sempre me acolhendo. Ainda no meio da tarde de um dia de semana, esperávamos aquela gota e meia de LSD fazer efeito – porque afinal achávamos que só meia não daria nada –, com frutas e castanhas esperando caso sentíssemos necessidade de experimentar também o sentido aflorado do paladar.</p>



<p>Eis que interrompo seu pensamento como sempre, pedindo perdão por interromper, o que faço apenas para poder novamente ver seu sorriso doce nascer no seu rosto &#8211; sempre tão transformado e também sempre o mesmo -, porque sei que você sempre perdoa, tamanho coração que tem. É que preciso te contar sobre o quão profunda é a palavra contexto, e como já tinha me dado conta disso outras vezes mas nunca tinha estado com você pra poder compartilhar, aquilo se tornou urgente &#8211; porque sei que há espaço-tempo-palavra entre nós para que eu finalmente me faça entender e como é redentor me fazer entender sobre a importância da palavra &#8220;contexto&#8221;.</p>



<p>Logo me satisfaço por me fazer entender e peço para que você siga suas divagações anteriores à interrupção. Sabia que isso ia acontecer de você não lembrar onde estava, e tentamos em conjunto refazer os passos do pensamento. Em vão. Vida que segue.</p>



<p>O tempo dá a impressão de estar sendo distorcido &#8211; e nós a recebemos, a impressão, de braços abertos. Logo pergunto se você acha que exageramos em termos adicionado uma gota à meia que já havíamos ingerido, mas logo sou dissuadido por seu argumento ilógico sobre como é aniversário de morte do Jim Morrison e que por isso estava tudo bem.</p>



<p>Eu, que sou místico e te carrego junto pra dentro do misticismo, tento descrever minha sensação que é de estar jorrando não só sangue mas prana para dentro do meu terceiro olho – que depois viria a descobrir o nome Sânscrito Ajna –, e dessa vez sinto que fui longe demais e não vou conseguir me fazer entender. E quanto mais jorra, mais o tempo parece se distorcer, e meu eu se dissolve no espaço enquanto volto a me deitar no chão e ter a certeza de que: chão, brubi, você, eu, deus, demônios, somos um só. E perco por um minuto ou por dez anos a potência de dizer. É tudo um único oceano.</p>



<p>E eu penso depois, sempre, como é prazeroso poder dividir silêncios. Quero sempre te dizer desses prazeres que dividimos, e você, brilhante, constata que o silêncio é apenas a ausência, e como pode ser prazeroso ou angustiante dependendo de com quem dividimos – inclusive como pode ser prazeroso ou angustiante dividirmos o silêncio consigo próprio. Novamente me perco em apreço sobre quão delicadamente você vai até o fundo e como damos espaço e carinho para que possamos tanto nos aprofundar.</p>



<p>&#8211; Vício de linguagem! Volta. Me contextualiza de novo.</p>



<p>E navegamos novamente mar adentro para mergulhar nesse emaranhado de conceitos e símbolos que celebramos sempre poder compartilhar.</p>



<p>Entre um papo e outro no tecido-tempo rasgado que abrimos com apenas essa gota e meia e muito peito-aberto, me desando a falar sobre como acho lindos os apostos. E é dessas palavras que não sei se falamos &#8220;apôstos&#8221; ou &#8220;apóstos&#8221; e prefiro sempre a inflexão aberta do acento agudo &#8211; o que causa humor não intencional, mas que vejo nos seus olhos.</p>



<p>Nesse emaranhado calmo-furioso de pensamentos-fluxos-trechos-poemas, constato que nada parece nos irritar. Logo digo que apenas o que me irrita são os caretas. Você sempre delicadamente me abrindo pelas arestas me mostra que há careta em mim e que é por isso que me irrita. Logo entenderia que eles, os caretas, pararam de me irritar por saber que há isso dentro de mim mas também por não mais conviver com eles.<br>Exceto os da família, mas que também aprendi &#8211; com você &#8211; a ironizar. O que gasta pensamento, mas economiza coração.</p>



<p>Sem nem piscar os olhos, reparamos entre um silêncio compartilhado e outra gargalhada que já é noite faz tempo. Logo, você começa a colocar a meia e já sei que é o começo do fim e que, logo, o tecido outrora rasgado rapidamente começa a se auto-costurar.</p>



<p>Em breve, sei que você vai embora, e a costura que praticamos firma mais a corda invisível que une um peito ao outro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Mateus Mecunhe</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é um rapaz, 30 anos, se encontrando entre yoga e programação (que são muito mais parecidos do que se pensa).</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/8e595-diagrama-2.png?w=950" alt="" class="wp-image-9949" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/para-os-fortes/">Para os Fortes</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/para-os-fortes/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9904</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Fetiche</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/fetiche/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/fetiche/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[domingo]]></category>
		<category><![CDATA[massa]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9867</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/fetiche/">Fetiche</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>E estava em pé entre mortos e vivos. <br>Números 16:48</em></p></blockquote>



<p>Vistas de cima, as pessoas que caminham pelas ruas de qualquer lugar dão a ideia de hemácias que se movem, em pulsações, espremidas por veias e artérias, dando viscosidade ao sangue. Seres humanos, igualmente, fazem visco no mundo, têm ritmo próprio, são expulsos pela batida dos corações metafóricos e concretos de seus corpos e <em>habitats</em>. Eis a vida. Surge contra expectativas, se distende ao revés da razoabilidade e, quando se consente em ir de si mesma, descarta um corpo inerte. Para lidar com isso, movem-se as coisas e os pensamentos.</p>



<p>As grandes cidades, porém, com milhões de habitantes, não se suportam o tempo todo nesse frenesi de ir e vir. Uma possível alternativa para aliviar a tensão está em diminuir a velocidade. Os bairros servem a essa função; são também cidades, só que menores, mais lentas. Ali se conhece o dono da quitanda ou o frentista do posto. É onde fica mais fácil conversar com a baiana que vende acarajé ou comprar pão, mesmo tendo esquecido alguns centavos e a conta não fechando. Já foi melhor, mas ainda hoje o Grajaú é assim: uma cidadezinha pequena de pessoas minimamente conhecidas dentro da grande e selvagem capital fluminense. Lá, por instantes, as coisas são o que são. Esse mistério da vida banal nunca parece claro o suficiente.</p>



<p>É comum comer fora aos domingos. O vozerio do trânsito diminui a gritaria dos motores de ônibus e carros, camas elásticas são montadas na pracinha, e de tempos em tempos, a feira da Anitcha termina por incentivar que se saia à rua. O almoço é o clímax do meio dia. Depois dele, as pessoas voltam para casa, para o futebol, para um livro que estejam lendo. Às vezes tudo isso tem feições de um ritual.</p>



<p>Numa cantina de massas bem simples, transbordando de famílias que pediam seus pratos a garçons dispostos porém desatentos, entrou Gabriele, sozinha. Muitas mesas. O barulho festivo substitui o barulho da luta. A voz das pessoas contando as mesmas histórias de sempre fala mais alto.</p>



<p>Não é fácil conseguir mesa para um quando o lugar está cheio. O espaço ocupado por uma pessoa, tecnicamente, poderia ser ocupado por duas ou três, talvez quatro, e quantidade significa consumo. Mesmo assim, Gabriele conseguiu uma mesa no fundo do salão, próxima ao banheiro. Escolheu o prato, que o garçom atarracado anotou num picoto de papel com letras que só ele e as pessoas da cozinha entenderiam. Enquanto a comida fosse preparada, e tudo levava a crer que demoraria, pediu uma cerveja forte. Encheu o copo estilo tulipa, onde estava gravada a marca cervejeira, apoiou o ombro contra a parede e, por alguns segundos, fechou os olhos.</p>



<p>O revestimento de madeira modesto dava ao restaurante um ar minimamente requintado, e o papel de parede vermelho com alguns arabescos de cor mais escura faziam destacar os retratos de família do dono do estabelecimento. Na outra ponta, perpendicular ao caixa, estavam alguns quadros com poses de futebol onde se via a seleção brasileira de 1970 em destaque, com a fotografia já amarelada pelo tempo. Em linhas gerais, era um boteco comum, sem exageros, tipicamente familiar. Ser familiar era uma navalha na carne, naquele domingo. Porém, existem motivos obscuros que fazem com que o coração crie dores de estimação. Elas não machucam menos, mas conferem a quem sente uma espécie de elegância estoica, capaz de cavar fossos em torno dos olhos e tracejar a testa com aquilo que é chamado maturidade.</p>



<p>Deu um gole na cerveja e voltou a colocar o copo sobre a mesa de mármore, daquelas antigas. Pegou o celular para conferir algumas mensagens, reabrir conversas mal terminadas pelo whatsapp pela enésima vez e visitar perfis no Instagram. Isso se tornava um procedimento padrão em 2019 para quase todos os que nasceram depois de 1985. Nada excessivo. Feito isso, virou a tela do aparelho para baixo, abriu a bolsa e pegou um pequeno saco de veludo, de onde retirou uma pulseira com pedrinhas escuras e correntes prateadas. O item estava bastante fora de moda, diria-se que alguém tinha usado por muito tempo e depois parou, seja porque perdeu ou porque enjoou. Talvez fosse um presente ou a lembrança do relacionamento findo. Naquele momento, quase não se reparava que Gabriele fazia essas coisas, e quem reparasse não conseguiria entender.</p>



<p>Não colocou a pulseira em si mesma. Chegou a garrafa para a direita na mesa e o copo também. O celular continuou virado para baixo. Em cima do aparelho, ela fez uma espécie de almofada com o saquinho de pano e, sobre ele, arrumou a correntinha como se estivesse no mostruário de uma joalheria. Quando ficou pronto, esboçou um sorriso discreto no canto da boca &#8211; muito belo por sinal. Com a pele clara e os cabelos negros encaracolados, o sorriso foi capaz de fazer luz no rosto de um jeito espontaneamente desarmado, entregue. Aquela fresta, que não chegava a mostrar os dentes de Gabriele, foi um portal que, uma vez trespassado, esvaziava subitamente o lugar, restando apenas ela, o copo, a mesa e a bijouteria.</p>



<p>Apoiou, então, os dois cotovelos na mesa e afundou o queixo sobre eles, enquanto os olhos iam longe. Um dos garçons, que já trabalhava há trinta anos na função, a notou: <em>deve estar apaixonada</em>. A mulher que se levantava para ir ao banheiro e passou pela mesa-universo sacudiu a cabeça com sinal de desaprovação, como se estivesse ressentida pela moça ter sido abandonada e por isso ficar assim, no mundo da lua. <em>Tão jovem, deveria estar aproveitando a vida</em>. Poucos notavam Gabriele, é verdade; mas quando notavam, sentiam pena: um misto de angústia de si com angústia do outro. Não que estivessem eles mesmos plenamente felizes, mas existe uma espécie de solidariedade que une o que é da condição humana, e faz com que notar a dor de outros alivie de alguma maneira a dor de mim. Um enigma fantástico, mais instigante do que aquele sobre o ser humano ser um animal de leis ou não; afinal, nem tudo parece ser fruto das leis.</p>



<p>O prato chegou. Massa de abobrinha com molho pesto. Comum, mas lindo! O microcosmo foi rearranjado, porém sem desfazer o trono sobre o celular. Entre uma garfada e outra, a olhadela na direção do fetiche, discreta, constante. Qualquer coisa naquele cantinho lhe fazia companhia. Comeu rápido, como se come rápido hoje em dia, pediu um café expresso. Nessa altura, já eram quase dezesseis horas, e o restaurante tinha bem menos gente &#8211; e menos barulho também. Aos poucos foi voltando a si, percebeu os restos de comida sobre as mesas que eram retirados pelos funcionários e viu na TV, que agora conseguia escutar, os comentários eletrizados sobre a final da Copa Libertadores. Mais um domingo comum e quente no Rio de Janeiro. Ainda ficou alguns minutos namorando a pulseira, que apertou dentro da mão direita na altura do peito antes de voltar com ela para o veludo.</p>



<p>Desta vez, enquanto afrouxava o cadarço que fechava o embrulho, uma pequena etiqueta despontou. Escrito com caneta azul era possível ler um nome, Marinete. Depois de recolocar a bijuteria no lugar, escondeu a etiqueta. Voltou com o saquinho para bolsa, desvirou o celular e fez o mesmo ritual de conferência das redes sociais. Pediu a conta, pagou com cartão, no débito. Foi ao banheiro e saiu. Quando já estava na rua, o garçom que retirava sua mesa pensou quase sem pensar, nesses desabafos que a mente faz para si mesma quando é confrontada com as coisas da vida. <em>Coitada</em>.</p>



<p>Gabriele esperava seu ônibus para a Tijuca. Estava feliz. Mais um ano passou e ela estava conseguindo vencer, seja lá o que isso significasse. Não era de tantos amigos para poder dividir. Vivia sozinha no Rio de Janeiro depois que a mãe faleceu, mas de tempos em tempos almoçava com ela em pequenas cantinas por aí. A mãe adorava massas, e com certeza deve ter gostado de mais aquele almoço de domingo comum.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/3460d-angola.png?w=950" alt="" class="wp-image-9947" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/fetiche/">Fetiche</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/fetiche/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9867</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Arquipélago da dor &#8211; ILHA #007</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/arquipelago-da-dor-ilha-007/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/arquipelago-da-dor-ilha-007/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Wendley Silvestre]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9860</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Wendley SILVESTRE</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/arquipelago-da-dor-ilha-007/">Arquipélago da dor – ILHA #007</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; agora sou completamente
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; consciente da dor existente
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; e mais do que nunca sei:
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sou um ente que sente.
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; à sétima ilha do desespero
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ou da dor jamais cheguei
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; porque nela (eu) me transformei.
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;
&nbsp;
&nbsp;
&nbsp;
&nbsp;
&nbsp;
&nbsp;
&nbsp;


&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;                       Desta forma, encerro
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;                       este pequeno mapa-poema
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;                       que trata a respeito do
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;                       pequeno arquipélago da dor,
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;                       o qual eu mesmo sou.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Wendley S</strong>ilvestre</strong> é poeta há pouco mais de uma década. Natural de Manaus, filho de mãe preta e pai branco, solteiro desde o nascimento e pai de zero filhos. Acompanhe o trabalho do Wendley no <a href="https://www.instagram.com/wendley_sil_vestre/">Instagram</a>!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/2f130-cadeira.png?w=950" alt="" class="wp-image-9941" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/arquipelago-da-dor-ilha-007/">Arquipélago da dor &#8211; ILHA #007</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/arquipelago-da-dor-ilha-007/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9860</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Uma Paquera</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/uma-paquera/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/uma-paquera/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9888</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Guilherme Couto</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/uma-paquera/">Uma Paquera</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Eu te paquero
Mas não quero
Só uma paquera
&nbsp;
Quero o que não me dera
Com o acréscimo da espera
&nbsp;
Eu espero que entenda
Ainda que não compreenda
Que um só beijo
Não satisfaz o meu desejo
&nbsp;
Te quero despida
De toda medida
Que seja limite
Que haja só palpite
Até que o dia amanheça
&nbsp;
Quando a gente acordar
Que baste apenas um olhar
Para que apareça
A nossa confissão
&nbsp;
A gente não usa a razão
E muito menos o pensamento
O nosso deus é o momento
E cada descoberta compensa
&nbsp;
Por isso prometo-te amor
Na saúde e na doença
Por quanto tempo for
&nbsp;
Seremos servos da vontade
A nossa vida inteira
Sendo queda de uma cachoeira
Que se chama eternidade
&nbsp;
Só vamos parar de viver
Quando a água se esgotar
Aí nós vamos morrer
E voltar a paquerar</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Guilherme Couto</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é uma pessoa jovem. Ele crê que, em toda parte, há arte.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/87819-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/uma-paquera/">Uma Paquera</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/31/uma-paquera/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9888</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
