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	<title>Arquivos Ano 002, N 052 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Chumbo trocado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Derrubada de monumentos]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Negritude]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Acabo de ler o peculiar artigo que um intelectual midiático publicou hoje, 27 de junho, num jornal de grande circulação no país. Por discrição costumo não citar nomes.&nbsp;</p>



<p>Em seu texto na <em>Folha de São Paulo</em>, Demétrio Magnoli critica, com a habitual ironia autorreferenciada paulistana, a retirada de estátuas de figuras históricas de espaços públicos. O gesto tem se tornado um tanto mais frequente em meio às manifestações antirracistas decorrentes do assassinato de George Floyd, nos EUA. Magnoli diz que a atitude caracteriza a “imposição do esquecimento”, chama seus praticantes de “vândalos do bem” e, pérola das pérolas!, afirma categoricamente: “Uma estátua erguida no passado não representa uma celebração presente”.</p>



<p>Muito <em>sui generis</em> a perspectiva do doutor – em geografia humana, ressalte-se. Fico pensando se a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, tem ou não esse estatuto “celebrativo”&#8230; Acho que sim. O Cristo Redentor? Sim. As imagens colossais de Buda no extremo Oriente? Idem. “Padim Ciço” em Juazeiro? Também. Alguém poderia dizer: “Ah, mas é diferente&#8230; esses são símbolos de religiosidade”, grosso modo. Tudo bem, pode até ser, mas e o David, de Michelângelo? E a estátua de Pedro, o Grande, em São Petersburgo? E o uso comercial que lojas de departamento e <em>shopping centers</em> Brasil afora fazem de réplicas de certas imagens “simbólicas”, como a musa nova-iorquina?</p>



<p>Ao contrário do que disse o midiático pensador, estátuas de personalidades – históricas ou míticas – servem justamente para tornar o passado eternamente presente. Porque “é possível viver quase sem lembrança, sim, e viver feliz assim, como mostra o animal; mas é absolutamente impossível viver, em geral, sem esquecimento”, diz F. Nietzsche (na sua <em>Segunda consideração intempestiva</em>). Liberar memória de trabalho é uma necessidade fisiológica para o ser humano, e é também por isso que construímos estátuas, pintamos quadros, escrevemos romances (históricos ou não)&#8230; Todos esses textos (em sentido lato) funcionam como “arquivo” (cf. J. Derrida) da nossa humanidade, mantendo e atualizando constantemente a história dos significados das coisas por eles representados. Sem arquivos, talvez tivéssemos que conviver com a maldição da lembrança integral, eterna e instantânea, como <em>Funes, o memorioso</em>, de J. L. Borges.&nbsp;</p>



<p>Acontece que, também como diz Derrida, todo arquivo traz em si a pulsão de morte: morte da memória fisiológica da comunidade que o instituiu – e que confia a ele, ao arquivo, a tarefa de lembrar – e morte dele próprio, o arquivo, que, se abandonado pela comunidade, se esquecido, morre. No caso das estátuas de escravagistas notórios, o que será que elas matam? O que preservam? Horror ou louvor? Asco ou veneração?</p>



<p>Num momento de reação ao racismo, algumas dessas imagens foram arrancadas de seus pedestais; outras entraram na mesma mira e talvez tenham destino semelhante. Tomara que sim, porque também é arquívica a imagem do arremesso da estátua de um mercador de vidas pretas ao fundo de um rio (que não é o do esquecimento). De uma forma ou de outra, mesmo invisível em si mesma, a escultura infame continuará fazendo parte da história, assim como as esculturas de Lenin que Magnoli cita, talvez para parecer isento e imparcial, certamente ciente de que assim ostenta erudição e exala autoridade.</p>



<p>Europeus saquearam o continente africano por séculos, como bem lembra Eric Killmonger (o vilão do filme <em>Pantera Negra</em>); são chamados “conquistadores”, “colonizadores” e outros nomes com conotação em geral positiva. Se apenas eu não vi Demétrio Magnoli chamá-los de “ladrões”, peço desculpas: falta-me “erudição”. Mas, do meu ponto de vista, se derrubar estátuas de racistas vai nos fazer parecer “vândalos do bem”, assim seja: chumbo trocado não dói.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência (<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>)</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Editorial &#8211; O ofício das Artes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/05/editorial-o-oficio-das-artes/">Editorial – O ofício das Artes</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nessa semana a Bodoque iniciou as atividades do seu <strong><a href="https://www.instagram.com/maobodoque/">Museu de Artes e ofícios</a></strong> nas redes sociais. É certo que ainda não temos uma previsão concreta para a inauguração do espaço no meio virtual que disponha de um site robusto onde podemos começar a disponibilizar nosso acervo digital, mas, ainda assim, demos um importante passo.</p>



<p>Desde que iniciamos o processo de reposicionamento da marca, a Bodoque tem deixado de ser conhecida apenas como um atelier de encadernação e experimentações artísticas para dar lugar à uma imagem e atuação de Fundação Cultural, ou melhor dizendo, uma Instituição Cultural. Começamos com a Trama a 52 edições atrás, e já implementamos nossa estamparia, estúdio de design, produtora de conteúdo para o youtube &#8211; BodoqueTV e para plataformas de streaming em formato de podcasts e o Fundo Cultural Bodoque. Além disso, estamos caminhando para começar as atividades ainda esse ano da editora, da nossa escola de artes e ofícios e finalmente do Museu de Artes e ofícios Bodoque.</p>



<p>Todas essas novas atividades da Bodoque, na realidade, se configuram como a realização de antigos anseios individuais e coletivos, de pessoas que sempre enxergaram na arte e na cultura, valiosas ferramentas para mobilidade social e transformação de olhares e visões de mundo.</p>



<p>No caso do Museu, temos uma missão específica em questão: pesquisar, preservar e comunicar a memória dos ofícios artísticos e artesanais que se estabeleceram por meio da relação mestre e aprendiz na região da zona da mata, buscando traçar um itinerário de práticas, relações e linguagens com o objetivo de salvaguardar valores culturais presentes em tais ofícios para a promoção da dignidade humana, da universalidade do acesso, do respeito à diversidade cultural, da democratização de saberes artísticos, históricos e sociais presentes nessas práticas.  Isso porque o valor do trabalho se encontra presente em um processo que muitas vezes corre à revelia do olhar de quem adquire determinado objeto, bem ou serviço. Mais do que isso,<strong> o trabalho é um valor em si</strong>, cuja herança cultural demonstra a riqueza da trajetória de cada indivíduo pela vida, deixando, de certa forma, sua contribuição para a coletividade humana.</p>



<p>Por isso, ao buscar constituir um acervo expressivo, físico e digital, a partir da documentação de regitros audiovisuais dos atores sociais envolvidos em ofícios artísticos e artesanais na região da Zona da Mata pretendemos, através da preservação e divulgação dos saberes tradicionais que compõe a identidade cultural da região, estabelecer um diário cultural do trabalho em sua riqueza e diversidade.</p>



<p>Se você se interessou pelo projeto do MAOB, siga nosso perfil no <a href="https://www.instagram.com/maobodoque/">Instagram</a> e acompanhe o andamento do nosso trabalho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a9005-04.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10910" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Guerra é paz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vitu Marcs</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na distopia <em>1984</em>, de George Orwell, a ordem mundial se configura em três grandes blocos de países, cada bloco fechado em seu próprio território, sem intercâmbios culturais. Apesar de viverem regimes políticos muito parecidos, cada um difunde em seu imaginário social o desprezo, o medo e a repulsa pela cultura e pela filosofia política dos demais blocos.</p>



<p>A guerra entre eles é constante, mas as alianças são efêmeras. A cada hora o inimigo é um, e as fronteiras mudam muito pouco. E depois muda tudo de novo. E de novo, e de novo. A justificativa pra essa constante tensão externa é a necessidade de amortecer as tensões internas: “a guerra devora o excedente de bens e contribui para preservar a atmosfera mental que convém a uma sociedade hierárquica”. Em outras palavras, “a guerra se trava entre cada grupo dominante e seus próprios súditos, e o objetivo dela não é obter ou evitar conquistas de território, mas manter intata a estrutura social”.</p>



<p>No Brasil de hoje, os traços de regimes totalitários latejam cada vez com mais intensidade nas veias do corpo social. Apesar do esforço propagandístico de tentar jogar uma manta sobre a fumaça, o cheiro da crise política é cada vez mais forte. Em meio ao caos econômico e sanitário da pandemia de coronavírus, o governo federal atropela todas as normas dos órgãos de saúde, em nome da economia, e se desdobra para manipular os dados da relação de mortos e infectados. Ministros caem em questão de dias, semanas ou poucos meses, até que as pastas vão parar nas mãos de militares de alta patente. E assim como em 1984, “mesmo o aliado oficial do momento é sempre visto com profundas suspeitas”. A liberdade dos empregos informais é irmã gêmea da escravidão, e o povo brasileiro engole no almoço a ideia de que a ignorância é a mais nobre das forças. Algumas máscaras estão caindo, e outras nem ao menos foram colocadas. O Brasil é definitivamente um país provisório.</p>



<p><strong>Notas:</strong></p>



<p>&nbsp;01- ORWELL, George. <em>1984</em>; tradução de Alexandre Hubner e Heloísa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p.235.</p>



<p>02-&nbsp;<em>idem</em>, p.236.</p>



<p>03- &nbsp;<em>idem</em>, p.232.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vitu Marcs</strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>deposita suas poucas esperanças na literatura, sobretudo aquela das ruas. Muitas pessoas estão perdidas, mas ainda há tempo (salve Criolo).”</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>A Forma do invisível</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/05/a-forma-do-invisivel/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Dan Bilzerian]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A pergunta que elucida os contornos iniciais de qualquer reflexão passa, direta ou indiretamente, no questionamento sobre a forma. Ou seja, levantando a poeira da constante construção interna que somos, possuímos um desafio inerente até chegar a algo visível; e, isso, não diz respeito a apenas uma movimentação autônoma de reação ao mundo, mas também a uma série comportamental que delimita e amplia a nossa percepção sobre o outro. Vou explicar.</p>



<p>O mergulho naquilo que não conhecemos por experiência física -mas sim, metafísica- é um desafio revelador de todas as constantes e rupturas que nos constituíram pela trajetória até então vivida. Passando pelo fio do diálogo, a vida é traçada por uma constante, a saber, o outro. A maneira com que estabeleço e disponho de proporções reflexivas compartilhadas, dirá os rumos que me levaram até aquele momento. Em tudo, percebe se o peso da forma com que manifesto aquilo que é suscitado internamente e, em linhas gerais, aponto a preocupação com a forma e/ou estilo (não apenas narrativo) como um movimento contínuo de caracterização do invisível.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;O que é o invisível?&#8221;</h2>



<p>Penso ser tudo aquilo que ainda não ganhou face pois, não diz de uma inexistência, mas, sobretudo, de um silêncio externo -que pode ser seletivo ou não-. Damos face ao referido toda vez que o expomos para além da nossa experiência de existência, ou seja, a forma do invisível é uma manifestação plural que congrega uma conscientização presente e/ou passível a explicação histórica. E por qual motivo &#8220;histórica&#8221;? A assimilação de que sua vida não é um ponto de exceção e paralela a humanidade, mas fruto do que foi construído por essa ao longo do tempo, caracteriza essa experiência por histórica. O diálogo com os que não mais estão aqui, são sentidos pela experimentação, gostos e desgostos da realidade a qual somos submetidos diariamente.&nbsp;</p>



<p>Dan Bilzerian se tornou notícia na última semana. Milionário, exibe uma vida de luxo e ostentação nas redes sociais, sendo plano de carreira para muitos outros homens. Quais são as ferramentas e propagandas que este indivíduo dispõe para refletir a vida ideal? Fotos em automóveis caros, uso de bebidas, festas, corpos sarados, etc. No entanto, se tornou uma polêmica pelo uso de mulheres como<em> souvenirs</em>, objetos decorativos presentes em todas as suas manifestações da &#8220;vida ideal&#8221;. A objetificação do corpo feminino passa por uma narrativa histórica, mas, certamente, não é do conhecimento e, muito menos, do interesse de Dan B, afinal, a desconstrução desses usos e abusos geraria uma ressignificação pública e privada sendo que, a vida ideal por ele apresentada, frente a esse confronto, seria como folha atingida por um canhão. Assim sendo, respondeu a circunstância com um &#8220;suck my dick&#8221; em uma de suas redes socias. Demonstra, em forma visível, que o seu intelecto está intimamente ligado e limitado aos impulsos sexuais que o seu pênis indica.&nbsp;</p>



<p>A narrativa do referido é histórica, mas como a sua experiência é a norma com que lê o mundo e &#8220;coisifica&#8221; aquilo que lhe bem apraz, este possui pouquíssimas probabilidades de romper com o pacto do machismo estrutural e da misoginia adaptada a realidade do capitalismo onde, o bem maior, é a possessão e domínio do outro. Por consequência, temos o silenciamento da experiência alheia ao nosso viver. Além de um mecanismo violento de dominação, se constitui por ser uma ferramenta que mata, lentamente, aquele que a utiliza pois, a solidão, é a forma com que o invisível se manifesta quando não encontra o seu destino.&nbsp;</p>



<p>O caso de Dan é um exemplo visível, mas cabe ressaltar que esta análise sobre as mentalidades poderia se ampliar para todos os casos de preconceito, racismo, homofobia, entres outros. Longe de ser uma justificativa para esses comportamentos, penso em ataques concentrados também no âmbito da mentalidade que faz com que absurdos sejam aceitos acriticamente por parte da sociedade.&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Diálogo Criativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Giovanni Alecrim</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A necessidade do diálogo é um dos pilares de qualquer movimento que se firme na busca da liberdade do ser humano. De religiões a ideologias políticas e sociais, o diálogo é a via pela qual se constrói a própria identidade, visto que se coloca diante do outro e, assim, estabelece sua forma de pensar moldada por seus princípios e sua reação ao que lhe é diferente.&nbsp;</p>



<p>Todo esse cenário é ideal, lindo, utópico. Deve ser perseguido e desejado. No entanto, vivemos um período em que as forças que se levantaram ao longo das duas primeiras décadas do Século XXI tomaram o poder e se realocaram nas estruturas de mídia e religião. O novo fascismo ganhou força e apoio popular, em contrapartida, conseguiu reunir velhos adversários e alinhar quem antes estava distante. É natural a desconfiança e a prudência nesse período. Anarquistas já foram usados como fiéis da balança e depois descartados no passado, perseguidos e mortos. Já alguns anos os anarquistas se levantam, mais uma vez, para tomar à frente da luta contra o fascismo institucional. A reunião antifascista ganha voz e protagonismo e vira assunto de noticiário popular. Diante dos temores de que o passado aconteça, mais uma vez, precisamos reinventar a maneira de dialogarmos.</p>



<p>Não se constrói resistência popular e libertária sem diálogo e contraditório. Nesse sentido, a busca pelo diálogo precisa ser reinventada, não mais firmada nos pragmatismos de um momento só, mas com vistas a uma mudança profunda em nossas estruturas sociais. Levantar a bandeira e cerrar os punhos para derrubar um governo fascista não deve ser o único objetivo único de qualquer ação popular. Precisamos mudar a estrutura social, buscar a quebra dos poderes instituídos e reorganizar a sociedade a partir de uma perspectiva comunitária e colaborativa. Neste aspecto, o cristianismo tem muito a contribuir. Não me refiro ao cristianismo institucional, formado por CNPJs e alicerçados em constituições e regimentos internos. Esse aí é um cristianismo judicializado e corrupto. Refiro-me a um cristianismo de chão, o cristianismo do povo que lê a Bíblia e encontra nela os caminhos de liberdade e vida. Nesse sentido, o poder criador de Deus, que para o cristão provê vida todo dia, se manifesta no poder criativo do ser humano. Na criatividade reside a resistência e sobrevivência. Não podendo se reunir publicamente, por conta da perseguição do Império Romano, os primeiros cristãos se reuniam de casa em casa, tinha nos apóstolos o testemunho de um serviço amoroso e não um ensino repressor e racista, compartilhavam não só a espiritualidade, mas também dividiam as despesas e os ganhos, e não faltava nada para ninguém.</p>



<p>O diálogo criativo que proponho, portanto, não está firmado na forma em que ele acontece, mas sim em seu conteúdo. Se o diálogo permitir a criação de estruturas de compartilhamento e autogestão, de prover vida e liberdade diante das estruturas opressoras, tala qual Jesus de Nazaré o fez, e seus apóstolos reproduziram, na primeira metade do Século XX. Diálogo criativo só é possível quando as partes estão dispostas a baixar as guardas e ceder e também se impor, quando necessário. Não se trata de anular sua própria identidade, mas sim de reforçá-la e reafirmá-la. Diante do contraditório, eu cresço e aprendo. Se eu não dou voz ao diferente, eu me fecho e petrifico minhas posturas. No cenário atual, não devemos jamais fechar o caminho do diálogo. Agora, se ele nos for fechado, a resposta deve ser clara, firme e objetiva. <strong>Com fascista não se dialoga.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Giovanni Alecrim </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é pastor, escritor e podcaster. Escreve sobre teologia, anarquismo e o que mais lhe der na telha.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Estamos Líquidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[BAUMAN]]></category>
		<category><![CDATA[Lara Souza Freitas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lara Souza Freitas </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">De acordo com Zygmunt Bauman (1925-2012), um dos Sociólogos mais respeitados e produtivos das últimas décadas, vivemos em uma sociedade líquida onde nada é feito para durar.<br>&nbsp; “Diferente do ‘sólido’ o líquido não tem forma constante, ele muda rapidamente, e isso, sob a menor pressão” disse Bauman. E essa inconstância como característica do comportamento da nossa sociedade resultaria em uma série de problemas, e de acordo com ele, uma dessas&nbsp; principais crises seria a instabilidade dos relacionamentos sociais e amorosos.<br><br>&nbsp; Quando parei pra pensar a respeito disso, me lembrei de uma dia em que eu estava na casa na casa da minha avó paterna, e admirava alguns pratos de coleção que ela tem pregados na parede formando um mural. Eu os pedi para o dia que eu tiver minha própria casa (acho lindíssimo!). Ela riu, e logo disse que ninguém quer coisa dos avós mais, ninguém se importa com as coisas antigas pra levar adiante, tudo é velho, ultrapassado. De acordo com ela, ninguém mais guarda nada para ser passado às próximas gerações. E assim ela começou a me mostrar a quantidade de coisas antigas (e bem cuidadas) que tinha em casa, e que nunca precisaram de serem descartadas, e que com o tempo adquiriram valores sentimentais insubstituíveis.&nbsp; &nbsp; &nbsp;<br><br>&nbsp; Pela leitura de Bauman, sabemos sim que vivemos em uma era em que a vida real se entrelaça ao mundo digital, e de fato não são somente os objetos que se tornaram facilmente descartáveis. Mas, a questão que precisa nos nortear é: o que fazemos/faremos pra evitar que continuemos superficiais perante aos fatos do caos que isso tudo tem causado e continuará causando em nós, em nossa saúde física, mental e espiritual? Em nossos relacionamentos, em nossas escolhas, e nas futuras gerações?<br><br>&nbsp; Em nossa realidade vemos pessoas sendo usadas como pontes para chegar às satisfações egoístas, e rapidamente/facilmente descartadas, sem o interesse de vivenciar o tempo, a fim de “solidificá-las” em relacionamentos estáveis. Cada vez menos os relacionamentos atuais carregam caráter duradouro. Não só os amorosos, mas as amizades e as relações profissionais também.<br><br>&nbsp; As pessoas não se sentem livres por serem quem são, precisam se encaixar nesse fluxo.<br>Percebo então, o quão iludida nossa geração tem ficado pelo <strong><em>padrão de renovação</em></strong>. Temos nos “moldado” assim como o líquido, àquilo que nos tem sido apresentado diariamente.<br>Se não deu certo de primeira, desisto. Se não gostei, te “cortarei” facilmente da minha “lista de amigos”. Consegui o que eu queria nessa noite, amanhã não importa quem você é, “a fila anda”. Estamos constantemente renovando e descartando coisas e pessoas em um ciclo acelerado.<br><br>&nbsp; Observando a atitude da minha vó pude perceber que são poucos os que mantêm valores saudáveis da vida e ainda conseguem viver no equilíbrio. E aí, pensei no seguinte provérbio inglês: você ganha algo, você perde alguma coisa.<br>Daí me pergunto: qual é a qualidade daquilo que estamos perdendo (trocando,substituindo, descartando), e qual é seu valor se comparado àquilo que estamos ganhando?&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Lara Souza Freitas</strong> é Pedagoga e missionária. Estava em missão na Inglaterra até Jul/20. É autora de dois livros.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>COVID-19  e o Estado de Direito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap"><em>A ameaça sem precedentes da COVID-19 tem causado sofrimento inimaginável em todo o mundo. Este ano também desencadeou uma discussão muito necessária sobre o papel da aplicação da lei nas sociedades. Embora a pandemia seja, em primeiro lugar e principalmente uma crise de saúde pública, há desafios relacionados a ela que são consequências para contê-la e promover uma recuperação rápida e sustentável. A luta para defender o Estado de Direito e o papel da aplicação da lei nas sociedades estão entre eles.</em></p>



<p><em>Onde os governos responderam à pandemia com um papel expandido e a presença contundente da polícia e de outros atores da segurança, surgiram desafios, incluindo percepções de preconceito, , uso desproporcional da força e outras questões de direitos humanos. Também existe o risco de alguns estados estarem utilizando poderes emergenciais para consolidar autoridade executiva às custas do Estado de Direito, suprimindo dissidências e prejudicando instituições democráticas, especialmente quando tribunais e outros órgãos de supervisão lutam para manter seus papéis devido às restrições relacionadas à COVID.</em></p>



<p><em>Alguns países viram um aumento acentuado de prisões. Isso contraria a necessidade de descongestionar prisões, que sofreram desproporcionais altas taxas de infecção tanto entre os internos quanto em funcionários, espalhando-se pelas comunidades vizinhas e potencialmente desencadeando violência.</em></p>



<p><em>A distribuição de ajuda emergencial, suprimentos médicos e estímulos econômicos para combater os efeitos da pandemia, embora necessário, também oferece ampla oportunidade para corrupção e fraude. Sem instituições eficazes que garantam transparência, prestação de contas e supervisão, grande parte dessas medidas não alcançará os beneficiários pretendidos, aprofundando a crise social, médica e econômica e comprometendo e atrasando a recuperação.</em></p>



<p><em>A pandemia também oferece oportunidades para grupos armados, incluindo organizações terroristas, desacreditarem instituições estatais, explorarem lacunas nos serviços públicos e capitalizarem indignação pública, por exemplo, com o fechamento de locais de culto. Como algumas equipes de segurança enfrentam capacidade operacional reduzida devido à exposição inevitável ao vírus e novas responsabilidades concorrentes, alguns grupos armados estão consolidando e estendendo o controle sobre territórios.</em></p>



<p><em>Esses desafios podem minar severamente a legitimidade dos governos, algo crítico para a efetiva mitigação e contenção durante crises de saúde pública, como observado em alguns países quando enfrentaram o surto de Ebola de 2018/2019. Portanto, é de interesse dos governos garantir que restrições emergenciais de direitos sejam necessárias, proporcionais, legais e com prazo determinado.</em></p>



<p><em>As Nações Unidas reagiram rapidamente para fornecer assistência imediata para instituições de Estado de Direito e de segurança nacionais em vários países, incluindo República Democrática do Congo. As forças de paz têm atuado ativamente na distribuição de suprimentos médicos emergenciais em Darfur e no Mali, inclusive para ex-combatentes, ajudando a criar confiança entre as facções em guerra. Juntamente com parceiros, também desenvolvemos ferramentas práticas para mitigar a disseminação do COVID-19 nas prisões, orientações para desafogar prisões e um manual para realizar audiências virtuais . Esses esforços devem ser sustentados e consolidados enquanto a COVID-19 ainda está se espalhando.</em></p>



<p><em>Quando a pandemia diminuir, os governos devem realizar análises pós-ação, inclusive do desempenho sob poderes emergenciais, para informar práticas futuras e reformar quando apropriado. O apoio da ONU, baseado em décadas de boas práticas, pode ser útil nesse sentido, principalmente nos setores policiais.</em></p>



<p><em>A longo prazo, a pandemia — assim como qualquer crise — também pode oferecer oportunidades para realizar as mudanças necessárias nos sistemas legais e nas práticas de aplicação da lei.</em></p>



<p><em>No setor de justiça criminal, por exemplo, devemos analisar o impacto das práticas desenvolvidas em resposta à pandemia nos orçamentos estaduais, comunidades e perspectivas de reabilitação, com vistas à sua institucionalização. Isso deve incluir a possível libertação de prisioneiros não violentos, o ajuste das estratégias de prisão e processo e as sentenças sem custódia. Também deve incluir arquivamento eletrônico e audiências virtuais quando possível. Embora apresentem desafios a alguns direitos de julgamento justos, essas práticas podem tornar os sistemas de justiça mais acessíveis e eficientes. À medida que o fosso digital diminui, é possível melhorar o acesso à justiça em áreas remotas, aumentar a representação legal e a participação de testemunhas, limpar atrasos e reduzir a detenção antes do julgamento.</em></p>



<p><em>Enquanto os líderes mundiais discutem ação conjunta para conter e superar a pandemia, é essencial que a necessidade de evitar danos duradouros aos princípios do Estado de Direito e liberdades fundamentais seja levada em consideração. Isso ajudará a evitar o agravamento de tensões sociais, queixas e causas subjacentes de conflitos. Prevenir conflitos é talvez um imperativo agora mais do que nunca, pois as perspectivas de investimento em larga escala em gerenciamento de conflitos e recuperação pós-conflito são vítimas de recursos escassos.</em></p>



<p><strong>Alexandre Zouev </strong>&#8211; secretário-geral assistente da ONU para o Estado de Direito e Instituições de Segurança.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/artigo-covid-19-e-o-estado-de-direito/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 03/07/2020 &#8211; Atualizado em 03/07/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/e24fe-begaleria20-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10841" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Procissão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Domingos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ricardo Domingos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Na missa o padre canta em excelso latim e a procissão anda
cega
surda
muda
como um rebanho bem apascentado
para a boca do diabo
sem saber que pecado purgar</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity is-style-wide"/>



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Ricardo Domingos</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é<strong> </strong>Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-RIO. É botafoguense, professor e como homem de letras, é apaixonado por pagode.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity is-style-wide"/>



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		<title>28. Pedro e Nava</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>*Gatilho: Esse texto possui conteúdo sensível para pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade e depressão.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><strong>Nava</strong>. <em>[De um idioma pré-romano.]</em>
<em>Planície cercada de montanhas. </em>       
<em>Dicionário Aurélio</em></pre>



<p class="has-drop-cap">Aquele seria um dia qualquer, vendo canal de clipes a tarde inteira. Mas não. Combinara com um colega da sala de irem ao Centro de Estudos Murilo Mendes ver a “Exposição Pedro Nava”. Isso era tarefa escolar. Teria que ir, olhar, prestar atenção, tomar notas e escrever um poema sobre o que presenciou. A professora havia liberado alguns alunos do poema, porém teriam outros exercícios de apreensão, como, por exemplo, um conto ou um texto jornalístico.</p>



<p>Pedro não. Ele achava ter pendores literários. Estava convicto de que faria um belo poema. Era um rapaz diferente dos outros. Tinha sensibilidade, o que poderíamos chamar de apuro para a angústia. Só não sabia como lidar com isso. Nem ele, nem dos seus, nem dos que viessem a conhecê-lo.</p>



<p>E lá foi o Pedro em busca do Nava, um seu igual célebre. Percorreu ruas, circundou casas e deu de cara com o Monstro de Três Bocas, a antiga Rua Direita, atual Avenida Barão do Rio Branco. Se alguém olhasse de perto, se tivesse percepção, perspicácia suficiente para aumentar e distorcer um pouco a disciplina ocular de sempre enxergar da mesma maneira a vida, os outros e as coisas, veria Pedro sorrir, um gesto lacônico do músculo, suficiente para sabermos da sua felicidade em viver. E seu pai segredava-lhe ao ouvido: “Tu tens futuro, garoto”. E ele sorria.</p>



<p>Enfim, o CEMM. Logo à entrada, na fachada do patrimônio tombado, um retrato de Pedro, de Pedro Nava. Não posso dizer ao certo o que Pedro sentiu, talvez uma rajada forte de vento vindo de dentro do Centro. Fora o suficiente para arrepiar-lhe os pelos do corpo, para suspender-lhe as espinhas e tirar-lhe o músculo febril que o fazia sorrir.</p>



<p>O seu colega não viria, o celular o informara disso. Teria que entrar e ver a vida literária do seu conterrâneo sozinho. Ele e o passado presente nas salas do CEMM. As fotos da Rua Direita e do Parque Halfeld. Os originais dos textos de Nava, os rabiscos, as correções: trabalhos infindáveis para a crítica genética. A nevralgia das palavras, a sátira e o deboche nas teclas da máquina e no vegetal em branco e preto. A árvore no internato com seu pênis iniciatório. Tudo aquilo envolvia Pedro em um clima diverso do que estava acostumado. Chegou a ensaiar alguns versos ali mesmo: “Seu nome é Pedro/ Sobre essa pedra/ edificará o memorialismo/ Marca de nascença Nava”. Mas logo lhe vinham outras ideias que começaram a triturá-lo por dentro. Uma opressão vinda não sei de onde e saída não sei do quê. A cada ranger de tábuas nas salas, a cada lufada de ventos vinda de duas grandes portas abertas para o ar, Pedro se sentia um pouco Nava, na fazenda, com sua Avó a quebrar dentes de pretas, sentado recostado em sua baixa cadeira do fantasma. De onde vêm e para onde vão, há tantos pensamentos errantes, tantas quadras de vida a percorrer pelos quartos, tanta névoa, tanta tosse e pigarro na claridade escorregadia dos candeeiros, tantos males dos outros a se curar, tantos males a não se curar de si próprio. As cortinas translúcidas das portas perpassadas, a varanda de frente com o Monstro de Três Bocas, a respiração ofegante de Pedro. Tantas ideias, Pedro. Tantos pensamentos.</p>



<p>&#8211; Você está bem?</p>



<p>O guarda, funcionário público, guardando o nosso patrimônio, também zela pelos humanos. Pedro só conseguiu um gesto mínimo, um sim perplexo diante da vida feliz de outrora.</p>



<p>E prosseguiu. Entre ranger de tábuas e lufada de ventos. Entre ideias e pensamentos. Objetos pessoais. Máquina de escrever, sua terceira mão. Caixa de fósforos, coleção de Proust, termômetro e estetoscópio. O médico memorialista que se torna ali o memorialista médico. Pedro se sente marcando o sofá da sala com sua solidão, tendo somente os livros e os discos como companhia. A agonia da sua marca no sofá, a quietude efervescente da alma. Tudo a entranhar em seus poros e injetado em suas veias. Cadê o futuro promissor prometido pelo pai? Mais manuscritos, cartas: Drummond, Presidente da República, Margarida Salomão. Novamente carta, rascunho, rascunho, original. Tanto depuro em uma carta pra quê? Não qualquer carta, nem missiva normal. Pedro embaça um pouco as vistas, não acredita. Tenta ler o que se encontra claro e bem legível. Há uma carta de suicídio a sua frente. Ele a lê, a relê, a treslê. Ideias e pensamentos, tábuas e lufada de ventos. Tontura, a parede como sustentação. “Contratem mercenários se ninguém quiser carregar meu caixão.” As vistas escurecidas, há névoa nos olhos, há escadas, o ranger das tábuas. “Se eu não tiver amigos, contratem mercenários.” A calçada para Pedro, a Avenida, o Monstro gigante de Três Bocas se alimentando de ar carbônico. “Se eu não os tiver, contratem!” Anos depois, um bom tempo após a carta fatal, a morte. O tiro de misericórdia. “Contratem mercenários!” Pedro errava pelo caminho. A tarde agonizava manchando de sangue o horizonte, e a noite já vinha, fria, varrendo os restolhos dela.</p>



<p>Uma voz sussurrava ao seu ouvido: “Lembra que és pó e ao pó tu voltarás”. Essa frase lhe ficou ecoando, cada vez mais forte, mais profusa e viril. Seu pai, suas lembranças. Pó, o mesmo que tu pões pra fora da tua casa ao esfregares com asco a sola do teu sapato no tapete posto na entrada do teu lar. Aquele ao qual a faxineira espana para longe dos teus pertences. Pó, tu és pó. Matéria das mais desnecessárias. Somente um tiro, somente uma vontade e o poder de se ver pó. É claro que isso o incomodou. Ficou pensando em tantas poeiras de nossas vidas, as doenças surgindo de sua presença. A vinda de parasitas ao seu encontro, se alimentando do seu ser tão pó, tão só na presença do mundo, no fundo da terra o trabalho do tempo, o sorriso incrédulo estampado nos ossos, o decomposto.</p>



<p>Um serzinho em seu interior gritava: “Por que me trouxeste ao mundo, então? Já que sou pó, deixaste-me esquecido nos arquivos do além, nas fendas do teu escroto! Por que vieste me dizer isso, por que me cuspiste na cara a clareza da vida? Deixa a mim a escolha alienada da vida feliz, sorrisos e bem quereres. Por quê?” Pó. Aquele mesmo que cobre o último instante material, palpável, de tuas carnes. “Contrate-os!” Ideias, lufada de ventos de carros. O Monstro de Três Bocas ataca. Bate carro, bate Pedro, para o chão, sangue, muito sangue e pó.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94898-darlan_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10407" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:18px"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/75260-galerialuis1-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10529" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Vazio e Forma</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Caminhando e pensando
Seguindo o fluxo da meditação
O método por excelência é andar
Peripatético filosofar


Vazio de que?
Vazio de quem?
Sou apenas uma coleção de espelhos
Refletindo o que os outros esperam de mim


Gente vazia. Oca.
ConForma apreciável
Transação relacional
Indefinição sentimental


De qual vazio quero me preencher?
TransForma Transcende
Ego vacuidade


<em>Tao</em>&nbsp;não tem forma
Cresce no vazio potencial
Esvaziado de mim
Sinto a completude


Na terra íntima
Vigora a lei:
Menos é mais


Vazio é a medida do infinito
dentro da gente</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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