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	<title>Arquivos Ano 002, N 053 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Por que é tão difícil respeitar os outros países?</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Recentemente os Estados Unidos têm feito ataques sistemáticos à China, muitos dos quais infundados, simplesmente relacionados ao interesse geopolítico e econômico em fragilizar e desestabilizar a potência emergente do leste e o multilateralismo que ela, hoje junto à Rússia, propõe, sobretudo em benefício dos países mais pobres. Em um caso, muito além das teorias da conspiração sobre o coronavirus, segue o incentivo a iniciativas desestabilizadoras de uma minoria em regiões recentemente incorporadas, como Hong Kong e Taiwan, sendo esta última a mais grave, visto os norte-americanos terem vendido armas às forças militares geridas pelo Governo local, as quais a China considera ilegais. No que mais interessa ao bloco latino-americano, sobressaem as declarações de agentes de Estado americanos atribuindo à China a responsabilidade sobre a crise venezuelana, ao dar apoio ao presidente legítimo Nicolás Maduro, o qual eles querem derrubar.</p>



<p>Declaração recente veio do secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmando que a China tem longo histórico de problemas com manipulação viral em laboratório. Outra, do chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Craig Faller, é de que a China é “o maior credor da Venezuela e culpada pelas dívidas que fazem sofrer o povo venezuelano”. A questão não é simples nem maniqueísta como Faller e Pompeo fazem parecer, visto que o vírus hoje é um problema ocidental muito maior do que foi na China, o que levanta mais questionamentos sobre a eficácia de seus sistemas de saúde.&nbsp; A Venezuela, por sua vez, só deve à China porque os demais países, sobretudo os que estão na esfera de influência dos Estados Unidos, impõem ao país sul-americano um bloqueio comercial digno daquele que força Cuba à escassez há décadas.&nbsp;</p>



<p>Em resposta ao agente americano, o Ministério das Relações Internacionais da China, por meio de seu porta-voz, Geng Shuang, posicionou-se afirmando que trabalha em modelo de cooperação entre os países, principalmente com aqueles cuja economia depende de relações multilaterais para desenvolverem-se. Neste caso, o ministro reforça a ideia de que a China é um agente benéfico para todo o chamado 3<sup>o</sup> mundo, porque permite às nações uma alternativa ao “grande capital” baseado nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão, mas comandado mesmo da ilha de Manhattan, em Nova York.</p>



<p>Fugindo à habitual conciliação chinesa, um marco nas relações internacionais do país desde os tempos imperiais, a chancelaria afirmou que os norte-americanos visam a instaurar no mundo uma nova “doutrina Monroe”, fazendo referência à defesa feita pelo presidente James Monroe, no século XIX, de uma “América para os americanos”, sendo o continente, nesta frase, referente a todo o território continental e o gentílico, apenas aos estadunidenses. Em outras palavras, os Estados Unidos deveriam ser soberanos sobre o continente e as demais nações lhes deveriam servir, tal como a Indochina à França e à Inglaterra e a África às duas primeiras, mais Portugal, Bélgica e Alemanha.&nbsp;</p>



<p>O velho colonialismo do século XIX tem mostrado a cara nesse princípio de século XXI, e o Governo chinês vem denunciando isso há alguns anos, embora tenha também que se policiar para não incorrer nele, visto ser um dos principais investidores no desenvolvimento de outros países, estrada que se abrirá agora, ainda mais, no pós pandemia. O mesmo vale para a Rússia. Da parceria para a exploração é um passo. A iniciativa Cinturão e Rota gera grande esperança por um mundo multipolar e de crescimento conjunto, mas pode, sim, se desviar de seu objetivo inicial no curso do tempo. Caberá aos líderes chineses e seus parceiros em outros países manterem o caráter de fraternidade proposto pelo programa.</p>



<p>Tais fatos somam-se a outros, que tornam cada vez mais profética a conclusão do ex-ministro americano Henry Kissinger, em seu livro “Sobre a China”, de que o cenário internacional, com a ascensão dos chineses, se aproximaria daquele da Europa no século XIX quando da ascensão da Alemanha para fazer frente à Inglaterra. A emergência da China como alternativa aos Estados Unidos gera um novo quadro de tensão internacional pela disputa de mercados, que nada mais são do que as modernas “colônias”. As consequências práticas são percebidas em movimentos de Guerra Fria que mexem nas feridas chinesas e não têm outro objetivo que não criar um caldo de mal-estar político, caso do incentivo midiático ocidental aos protestos em Hong Kong ou, muito pior, a venda de armas a Taiwan.</p>



<p>Do mesmo modo que Taiwan é uma ilha chinesa, separada por muitos anos de seu país por consequência da guerra civil dos anos 1940 e da ação das potências ocidentais para manter o moribundo Governo autoritário de Chiang Kai-Shek, não devendo ser tema de ação internacional de países distantes como os nossos, a Venezuela iguamente tem seus problemas internos, os quais devem ser solucionaos por sua própria população. Quando os países estrangeiros resolvem intervir economicamente, impõem sofrimento à população, não aos governantes.&nbsp;</p>



<p>De certa forma, é isso que a China tenta mostrar às potências ao estender sua mão a um país em crise e ao mundo abalado por mortes na casa de centenas de milhares, sabendo que também tem os seus problemas e não pede do mundo nada além de respeito, para que seu próprio Governo encontre suas soluções.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/22e98-hecc81lio-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8888" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha </strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para o Brasil 247. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1284e-galeriaiury1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10525" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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		<title>Mãe de quarentena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[Josuan Vicenzi]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Elis Bittencourt</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vídeo realizado com arquivo pessoal durante a quarentena no Brasil no ano de 2020.</p>



<figure class="wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="M&amp;atilde;e de Quarentena" src="https://player.vimeo.com/video/420005879?h=70844ee1ed&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="950" height="534" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Elis Bittencourt</strong> é quase formanda de Cinema, Elís Bittencourt aos seus 23 anos estuda e experimenta constantemente sobre audiovisual, fotografia e design gráfico. Sendo mulher e mãe, sempre busca percorrer assuntos que a representem.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Editorial &#8211; O Tempo, Amor e Pandemia, futuros incertos.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/o-tempo-amor-e-pandemia-futuros-incertos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O mundo não é mais o mesmo. Faz muito tempo. Na verdade, desde a ascensão de partidos da extrema direita ao poder em algumas partes do mundo, a partir do início da segunda década deste milênio.</p>



<p>Mas o fato é que o mundo se transformou ainda mais quando, a partir de 2008, o planeta viveu sua grande crise financeira.</p>



<p>Ainda não sendo o bastante para essa temporada na terra, tivemos inúmeras crises políticas, que afetaram nações em pontos chave ao redor do mundo:  troca de poder nos Estados Unidos (de Obama para Trump), a crise política na Ucrânia e a disputa pelo poder entre forças pró U.E e o eixo Russo (aliado ao partido fascista Ucraniano “Svoboda”), o trágico golpe político ocorrido no Brasil na saída da então Presidente Dilma Rousseff (saudade da melhor ex da minha vida rs). Essas mudanças e outras manifestações políticas ao redor do globo, ajudaram a moldar o cenário em que nos encontramos hoje. No entanto, elas são só a ponta do iceberg.</p>



<p><strong>A real intenção hoje é questionar o quanto as mensagens instantâneas afetam nossas relações antes e durante a pandemia.</strong></p>



<p>Como éramos antes a verificação de leitura?</p>



<p>Como vivemos após verificação?</p>



<p>Como estamos na pandemia com a urgência da comunicação para manutenção da sanidade?</p>



<p>Pra quem viveu o <em>messenger</em> chamando a atenção com indiretas no <em>subnick</em>, nada mais parece ser um problema, afinal a tela inteira do pc tremia e fazia um barulho chato.</p>



<p>Como nem tudo são flores na vida de um ser humano, as coisas só pioraram. O advento dos smartphones catapultou essa cobrança por uma satisfação &#8220;aqui e agora&#8221;, por &#8220;nem um minuto a mais&#8221;.</p>



<p>Ser visto como online traz consigo um peso de ter de falar e dar um parecer sobre tudo que é falado no grupo ou numa conversa privada, mas a questão é que o grupo possui mais de 300 mensagens para ler com 5 menções em assuntos diferentes.</p>



<p>Não tem TDAH ou Ritalina que suporte a demanda instantânea.</p>



<p>O poder da resposta e a acessibilidade ao próximo com um toque, nos fez esquecer que <strong>o virtual não é real</strong>, que o virtual simula o real, mas O REAL É INSUBSTITUÍVEL.</p>



<p>As interações via WhatsApp já proporcionaram uma crise nas relações, juntamente com o Facebook e os depoimentos do saudoso Orkut. As infinitas brigas por atenção, por um depoimento melhor do que de fulano com a ciclana&#8230;</p>



<p><strong>O desempenho precisa ser diário.</strong></p>



<p>Com as redes sociais, todos tivemos de aprender sobre performances, construímos personagens, e os mesmos têm invadido nossa realidade.</p>



<p>A realidade já não existe como antes, ela é digital, fria, impessoal, VIRTUAL.</p>



<p>A confirmação de leitura é a marca de como o virtual tem matado o real. Pergunte a qualquer conhecido seu, veja quem possui a opção marcada, e pergunte se já não levou uma bronca por não responder em tempo. A resposta, se confirmar a suspeita, deve vir acompanhada de como foi o sermão pela demora.</p>



<p>Se nosso tempo já é esgotado para o desempenho profissional, (que chega a nos roubar quase 12 horas diárias entre locomoção e trabalho, às vezes até mais), ainda temos de ter a produtividade que nos garantirá acesso aos rolês!</p>



<p>Se não somos presentes nos grupos e nas conversas privadas dentro das redes sociais, como vamos viver?!</p>



<p><strong>Os episódios em Black Mirror não parecem mais tão distantes.</strong></p>



<p>Diversas ferramentas e situações abordadas na série, se mostram mais reais do que o miojo que você faz em um dia de muita preguiça.</p>



<p>O episódio em que a jovem envia influência para as pessoas e recebe de volta, de acordo com a sua roupa e sua simpatia, nos mostra que a cobrança pelo desempenho nas relações está diariamente pesando sua mãos e causando tendinites futuras em dedos e pulsos.</p>



<p>A sensação é a de que <strong>as relações se tornam trabalho</strong>, e tiramos as férias dos mesmos quando nos &#8220;afastamos&#8221; para pensar na vida. Esse é o tipo de ideia que temos ao sair de férias do trabalho ou da faculdade, sair para divertir, espairecer.</p>



<p>Claro, isso era antes da pandemia…</p>



<p>&#8220;Micróbio do c#@$&amp;^®&#8221;</p>



<p>No cenário de pandemia, temos visto uma construção ainda mais nociva à sanidade do indivíduo.</p>



<p>Óbvio que a utilização massiva das redes de deve ao isolamento total (infelizmente de uma parcela das pessoas apenas).</p>



<p>Com o isolamento, nossa casa se tornou nossa prisão, ficamos fechados, e a única janela por vezes aberta é a do smartphone.</p>



<p>O boom das lives já passou, elas são rotinas, agendas fixas, quase como a minha de tomar uma caipirinha na quinta antes do Covid-19.</p>



<p>Mas qual o elemento que tem mudado na quarentena?</p>



<p>Antes da quarentena, nos afastávamos das notícias por estarmos trabalhando ou estudando, e isso aliviava um pouco toda essa pressão das mídias, ou agravava a ansiedade em voltar com o mundo para as mãos.</p>



<p>O intuito aqui é trazer uma reflexão para cada um de nós sobre o que virá a seguir, afinal, não sabemos como um mundo de tecnologias instantâneas, alimentado por contatos físicos, se manterá após a pandemia.</p>



<p>Será que teremos filtros novos e simultâneos? A chamada de vídeo passará a ser feita por holograma, igual em Star Wars?</p>



<p>Como nos relacionaremos com a saudade do contato físico?</p>



<p>Surgirão novas regras sociais sobre o tempo de resposta entre uma mensagem ou outra?</p>



<p>Sinto que precisamos nos preparar para relacionamentos mais distantes, mas menos instantâneos.</p>



<p>Cartas e chamadas de voz.</p>



<p>Aplicativos que simulam tempo de entrega de uma carta&#8230;</p>



<p>O fato é que o exercício de nos afastarmos é um bem para o mundo, e me parece ser um bem à nós, a nossa sanidade.</p>



<p>Respeitar o tempo e desejo de interação do outro é fundamental e, dito isso, ressalto que a única regra social aceita é a de que: baixar um app de mensagens não te obriga a responder tudo.</p>



<p>Não respeitamos a liberdade e o tempo de cada um no celular e queremos lutar por pautas infinitamente mais densas.</p>



<p>Não o seremos capazes nunca, porque as redes sociais nos fizeram perder o tato para aprofundar nossos relacionamentos. Tudo o que queremos é a exposição plena e imediata.</p>



<p>O desempenho tem que ser orgânico.</p>



<p>A sensação de poder que as informações que estão na tela nos deu, nos fez podar conexões concretas, e o que penso é que não há fibra óptica que dure a eternidade, assim como pedras, memórias, telas a óleo.</p>



<p>A nossa finitude vai nos ajudar no futuro, porque, no final, o que temos é isso: nós mesmos em um quarto, uma casa. Isso parece assustador, e por vezes é, mas ainda assim, é extremamente necessário que não usemos do instantâneo para forçar desempenhos que matam e oxidam organismos inteiros, vidas, grupos, famílias.</p>



<p>Ligue por voz, mande uma carta no app, leia o seu livro, encontre prazer no tempo, na espera, no farfalhar das árvores.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>#GRATID@O</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mediador]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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<p class="has-drop-cap">Demorou, mas fiz boa viagem. Estou pronto para essa nova temporada! Não vou dizer que está sendo fácil. Foram muitas turbulências para chegar até aqui. Viajei de máscara o tempo todo e com álcool em gel a bordo.</p>



<p>A partir de agora, feita a travessia, enfrentarei uma realidade e uma rotina muito diferentes. Mas, como diz meu poeta português preferido, &#8220;tudo vale a pena se a alma não é pequena&#8230;” Bora enfrentar o velho mundo e suas adversidades, que são muitas: barreira línguística, descompasso civilizatório, dificuldade de se fazer compreendido em coisas simples. Mas vou me esforçar ao máximo. São muitas aventuras. Já adianto que pareço viver uma mistura de realidade e ficção. Nunca imaginei estar aqui nessas condições adversas.</p>



<p>Hoje, passei pela avenida principal e me permiti fotografar essa igreja. O parque, porém, estava fechado.&nbsp;</p>



<p>Quanto ao clima, está dando pra levar. Acho que trouxe mais casacos do que deveria. Devo ter exagerado&#8230; Mas tudo bem! Enfrentarei frios mais severos!&nbsp;</p>



<p>Sair da roça pra ir a Juiz de Fora nesse período de pandemia não é fácil mesmo. A buracada nas estradas me fez sentir uma turbulência danada. Parecia que o eixo do ônibus ia descolar e a Mercedes coletiva ia levantar voo. Esse povo habitante de um velho mundo ou mundo velho, outrora apelidado de Manchester Mineira, parece que nos ouve em grego e não segue nenhuma norma de civilidade: pedimos pra usar máscara, tapar o nariz e a boca, mas insiste em proteger apenas o queixo, pra continuar espiando o universo pela ponta de seu nariz.</p>



<p>O parque Halfeld está fechado pros &#8220;veinho&#8221; não jogarem baralho. E, pela primeira vez, fotografei a cúpula da nossa tão conhecida Catedral por um ângulo diferente. Por acaso, pensaste tratar-se de outro lugar, amigo(a) leitor(a)?</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong>: sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me a estudar a história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação.</p>



<p>Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Contudo, mantenho-me umbilicalmente ligado às origens rurais de minha família, num sítio em Simão Pereira (MG), uma espécie de refúgio localizado à margem de uma estrada de terra que liga ao município vizinho de Belmiro Braga (MG). Sítio que se tornou memória afetiva de várias gerações de minha família, desde que meus tataravós portugueses o compraram em 1910. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



<p>No ciclismo amador, conecto a necessidade de cuidar da saúde física/mental com todas as áreas de minha vida, a que me dedico com amor e carinho.&nbsp; Entre um passeio ciclístico e outro, inspiro-me em histórias e memórias do cotidiano e paisagens de Juiz de Fora e região. Na página “Diários de bicicleta”, no Facebook, é possível ter acesso a esses registros.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/d9a1b-galerialuis4-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10533" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Reflexo (De como o virtual é perigoso)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Toda vez que vou me pentear acontece<br>O espelho me fixa fundo nos olhos<br>Me fita em profundidade, sério<br>Analisa a cor da íris e o lábio sorri satisfeito<br>Mergulha então nas linhas faciais<br>Ali detem-se longamente<br>Observa cada detalhe que o importa<br>Costeleta medida e avaliada<br>Lábios aprovados nos contornos bem desenhados<br>Reprocho as orelhas grandes e em diferentes posicionamentos<br>Ri-se do nariz miúdo com aberturas circulares até demais<br>Verifica se há marcas de expressão<br>Pensa na moldura do penteado<br>Testa a lisura da tez e<br>Naturalmente reclama da barba. Rala, diga-se<br>E da dor de raspá-la<br>E da desdita de não desenhá-la<br>Coisas do virilismo irracionante<br>A mente, então, lembra p menino que antes exibia-se ali defronte<br>A superfície polida não escapa a comparações e previsões<br>Imagina brevemente. Faz ligeiro exercício futurístico<br>Já antecipa lamentações e espera a calvície<br>O olhar, então, busca o que não pode ver<br>Refaz a trajetória e receia de algum jeito<br>Teme um pouco o devir<br>Quando feliz, dá-se o prazer<br>Se triste, a busca de si mesmo<br>Já viu a criatura chorar e fazer caretas<br>Compenetrado, deixa o reflexo paralisado e ofegante<br>Na transformação exterior quiça a transfiguração interior<br>Será que estou refletido nesse espelho?<br>O último se indaga sobre quem é o primeiro de fato<br>Aparência para si e na sociedade, que tem de real?<br>Busca o inexplicado<br>Só ele o pode fazer<br>Às vezes parece que nunca vai conseguir<br>Não é fácil verificar a própria imagem<br>Em todos os seus significados<br>Na aproximação, o medo avassala<br>Próximos demais, difícil distinguir<br>Quem é o verdadeiro?</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Desumano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[desumano]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Quero contar uma história. Bem, na verdade, essa história está registrada em uma passagem bíblica. Não, não vou falar &#8211; pelo menos não de modo direto &#8211; de crença ou religião. Não quero também ser traído por qualquer anacronismo ao tecer algum tipo de julgamento acerca da passagem, mas ela vai ser útil, muito útil, para elucidar minha linha de raciocínio. Introdução feita, sigamos. O capítulo 19 do livro de Gênesis narra a saga da fuga de Ló e sua família da cidade símbolo de falência moral, ética e social: Sodoma. O cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, não gratuitamente, batizou uma de suas obras &#8211; que já chegou a ser considerada uma das mais fortes da história do cinema &#8211; de “Salò ou os 120 de Sodoma”. Se arrisquem no universo “googleniano” e leiam sobre o filme. Se depois disso se sentirem prontos para experimentar as sensações causadas pela obra &#8211; eu não me senti, apesar de tentar &#8211; experimentem e tenham uma ideia do que significava a cidade destruída por uma saraivada flamejante. Mas eu quero me ater a um ponto específico do texto bíblico, acontecido no início da narrativa. Ló estava sentado bem na entrada da cidade, à porta de Sodoma, quando avistou dois anjos chegando. Insistiu em os receber em sua casa, dar de comer e também ofereceu conforto para o descanso dos visitantes. Quando os estrangeiros já estavam alojados, os locais, que haviam presenciado a chegada dos dois, foram à casa de Ló e insistentemente batiam à porta e exigiam que Ló levasse os anjos para fora para que pudessem ter relações com eles. Sim, a bíblia traz este relato e ainda deixa explícito que eram todos homens. Os homens queriam fazer sexo com os forasteiros. Sem consentimento, sem considerar o outro. Apenas queriam e exigiram de Ló a entrega dos visitantes às suas vontades. A partir daqui as coisas ficam &#8211; no mínimo &#8211;&nbsp; um pouco mais esquisitas. Ló, que reconhecia nos anjos uma presença digna de adoração, se sentiu na obrigação de defendê-los. E assim o fez. Não de um modo ortodoxo ou admirável, mas fez. Saiu, se colocou à frente da porta e tentou negociar com os locais. Pediu para que não fizessem mal aos anjos e ofereceu, como possível recompensa ou moeda de troca, as duas filhas virgens. “Tenho duas filhas virgens. Eu posso as trazer e podem fazer com elas o que bem entenderem, só não toquem nos visitantes”. Um tanto espantoso, talvez isso cause repúdio, mas foi assim que Ló tentou resolver o conflito. O que esses homens tinham em mente? O que passou pela cabeça deles? Como podem exigir a exposição de desconhecidos às vontades e desejos de outros, somente por puro prazer? Como pode um pai oferecer as filhas virgens como moeda de troca sexual para a solução de um conflito? A história é absurda, e mostra que eram tempos mais estranhos do que o mundo ocidental pode compreender. Bem, eu achava que eram tempos mais estranhos. Mas estava &#8211; e estou &#8211; errado.&nbsp;</p>



<p>Jurerê. Famoso bairro da cidade de Florianópolis. Lá é possível encontrar frescor de praia em dia quente, um azul impressionante na água, dupla sertaneja gravando DVD e gente, muita gente. É um desses lugares que já conhecemos, ao menos de relatos ou porque visitamos locais semelhantes, onde tudo inspira, expira, transpira ostentação, riqueza e uma sensualidade estetizada. Mariana Ferrer é jovem, bonita, atua nas redes como <em>influencer </em>e, justamente por causa dessas credenciais, recebeu um convite do luxuoso beach club Café de La Musique para trabalhar como uma de suas embaixadoras. O relato totalmente exposto nas redes sociais da própria Mariana e também em uma <em>trhead </em>no perfil de Cris Dias, no Twitter, traz uma gama inacreditável de possibilidades que uma pessoa tem para ser cruel. Como já se sabe, homens são muito mais que privilegiados em nossa sociedade. Sendo ricos e brancos, eles também são bajulados e protegidos. Usufruindo dessas facilidades, é um “absurdo comum” que homens se sintam no direito de invadir o espaço de mulheres na intenção de fazer com elas o que bem entenderem. Por vezes, existem até locais reservados para práticas abusivas &#8211; práticas que há tempos já foram normalizadas. O caso de Mariana é mais uma dessas práticas. Aos habituês do beach club de Jurerê, a existência do “matadouro” não é novidade. Um lugar reservado, onde homens podem levar quem quiserem para fazerem o que tiverem vontade de modo privado. André de Camargo Aranha, que atua no ramo do marketing futebolístico, é um desses homens que frequenta e usufrui dos privilégios oferecidos no local. Níveis de álcool elevado e a libido doentia masculina, que parece alcançar níveis ainda mais nocivos somada ao excesso de álcool, formaram um coquetel desastroso. André levou Mariana, nitidamente sob efeito de alguma substância entorpecente, para o “matadouro” e a violentou. Não fosse isso suficientemente terrível, o estupro levou embora à força a virgindade de uma menina de 20 anos . Mariana relata traumas causados pelo episódio até hoje. Como se não pudesse piorar, os prints da conversa entre Mariana e as amigas que estavam com ela é de fazer vomitar. Enquanto Mariana chora e pede socorro em mensagens de texto e áudio, a resposta que recebe é que as amigas, em companhia de amigos do estuprador, não podiam ajudar porque tinham acabado de pedir algo pra comer. Não podiam sair dali agora. &nbsp;</p>



<p>Ló, André, as amigas de Mariana, Suzane von Richthofen. Com toda certeza, a definição de desumano dada pelos dicionários se aplicaria nesses casos e pessoas. Falto de humanidade; bárbaro, cruel, desalmado, que demonstra desumanidade; anti-humano, atroz, duro parecem ser características comuns a cada nome citado. Mas eu pergunto: será?&nbsp;</p>



<p>Não é incomum, e tampouco raro, ouvir por aí que todos que cometem algo extremamente absurdo são desumanos. O prefixo é de origem latina. “Des” tem a função de denotar ação contrária, negação, separação. Se tomamos por base que o que de melhor podemos ser é sermos mais humanos, logo, o que de pior de pode ser é o humano precedido do prefixo citado. Para construir essa &#8211; ou qualquer outra &#8211; linha de raciocínio é necessário recorrermos à lógica. A lógica, que se configura por um modo de organizar ideias e ações de forma que sejam consoantes com a realidade, é base do pensamento, da construção das ideias, segundo Aristóteles. A lógica aristotélicas propõe a existência de três leis para a fundamentação do pensamento. Uma das três leis do pensamento é a Lei do Terceiro Excluído. Basicamente essa lei afirma que: uma coisa é o que se diz dela ou é o seu oposto, não há uma terceira possibilidade. Ou seja, na visão dicotômica e viciada com a qual costumamos classificar pessoas, nós somos humanos ou somos desumanos, não há uma terceira via. Mas, uma vez estando claro &#8211; partindo da premissa dicotômica &#8211; que desumano é um oposto de humano, quando eu afirmo que uma pessoa não é humana e tomo isso por verdade, o que isso significa? Qual é a definição de oposto ao humano? Animal? Coisa? Como deve ser tratado o oposto do humano? Com a dureza que se trata um animal rebelde que precisa ser domesticado? Mas esse processo de domesticação do humano já foi explicitado por autores como Freud, Marx, Lukács, Weber, Geertz, Adorno, Habermas, Bourdieu e tantos outros. Esse processo se chama cultura. Sendo assim, é inegável que o processo civilizatório trouxe o que se entende por um “mal estar na civilização”. Mas isso não roubou de nós a humanidade. Devemos tratar o alguém que consideramos desumano como coisa, então? Se quebrar, consertamos. Se não gostamos, jogamos fora. Não me parece muito cabível. Diferente dos animais e das coisas, homens não são plenos. Não no sentido existencialista. Onças são onças. Cadeiras são cadeiras. Mas homens e mulheres não são e ponto. Todas as cadeiras são cadeiras. Todas as onças têm características comuns. Nenhuma delas se pergunta o motivo de fazer o que fazem. O homem e a mulher, a humanidade, vive buscando se definir, se compreender, se encontrar. A humanidade não é em si, mas é para si. Nessa busca, fazemos escolhas &#8211; ou não as fazemos também. Podemos ser educados, mas podemos ser ignorantes. Podemos ser cordiais, mas podemos ser violentos. Mas isso só cabe a nós. Cadeiras não ofendem por saberem que ofensas machucam e causam danos emocionais. Onças não fazem reuniões para discutirem sobre os rumos da sociedade na qual estão inseridas, nem colocam em pauta o perigo do consumo abusivo de plástico e produtos industrializados nocivos ao meio-ambiente. Cadeiras não traem ou se apaixonam. Onças não estudam propostas de emprego ou aceitam propina. Entende o que quero dizer? O que existe de pior em nossas ações também é o que de mais humano &#8211; demasiado humano &#8211; há. Não existe natureza humana, existem ações humanas, que só cabem a nós. Portanto, não havendo um definição em si, que encerre o conceito de oposição direta ao humano e não podendo o homem ser ao mesmo tempo o que se afirma dele e seu oposto, desumano pode significar ser um não-ser. Um não-humano. E o não-humano pode ser qualquer coisa, porque não existe definição para o seu estado. O não-humano não é em si, como cadeiras e animais, mas também não é para si, pois não se revela nele uma busca pelo ser, uma vez que sua condição é um não-estado. São dois caminhos muito perigosos que se apresentam a nós ao crermos no desumano ou no não-humano como adjetivos. É preciso ressaltar aqui, antes de nos debruçarmos sobre os caminhos em si, que o conceito “natureza humana” já não se sustenta e, de certo modo, já foi superado por outras teorias filosóficas, sociológicas e psicológicas. Ainda assim, foi partindo da ideia de natureza, como sendo um estado primitivo do ser, que no século XVIII foram erigidos conceitos e ideias importantes para o desenvolvimento cultural da vida em sociedade. Uma vez esclarecidos os pontos necessários, vamos aos caminhos. O primeiro rumo perigoso que podemos tomar é crer que o homem, semelhante ao que pensava Rousseau, é bom por natureza, definindo por humano tudo o que é livre, harmonioso, pacífico. Rousseau condiciona o processo civilizatório &#8211; como citei algumas linhas atrás &#8211; como o causador desse mal-estar no qual a humanidade se encontra. O homem é bom, o que não é tão bom é a forma como a modernização engole essa natureza. Mas como não há a possibilidade de vivermos em estado natural pleno e muito menos podemos negar os avanços benéficos da modernização, o ideal é que a natureza e a modernização se realizem mutuamente em sociedade, como um contrato socialmente firmado. Lançando o olhar rousseauniano sobre a questão do desumano, observamos que desumanização significa um distanciamento do bom. De modo prático, desumano, definido como oposto do binômio humano/bom, é ser mau. Mas há quem acredite numa natureza selvagem, vil, movida pela cega necessidade instintiva de sobrevivência. Esses são os que nos apontam para o segundo caminho, e fazem coro junto a Hobbes. “O homem é o lobo do homem”. Em suma, o homem é por definição mau, o que não nos permite assombros ou espantos diante da maldade, já que é isso que se espera do humano. Por isso o processo civilizatório se faz mais do que importante, necessário para que existam limites condicionantes à natureza do ser, visando uma regulação das relações a fim de manter intacta a maior das propriedades: a vida. Esses caminhos, quando tomados por verdades irrefutáveis, nos conduzem ao mesmo abismo: o abismo de encerrar o conceito de humanidade em um estado natural que só se modificou por conta dos processos condicionantes, furtando do humano as infinitas variáveis de ação. Não há mau natural ou bem natural. Se eu afirmar que existe um mau ou um bem que se realizam na minha natureza, eu não tenho escolhas. Mas se percebermos que o humano se faz nas possibilidades do ser, desumanizar é e tomar do outro qualquer vislumbre de mudança de convicções. É condenar o outro a um não-estado, onde somente o nada e o desprezível lhes são perfeitamente cabíveis. Não há redenção ou justiça nesse processo. Quando&nbsp; desumanizamos alguém, limitamos todas as suas possibilidades de ser. O não-ser é uma existência indigna. Não há quem se importe com o não-ser, muito menos quem o leve em consideração, afinal, ele não é gente, não é humano, não é coisa. O não-ser é um nada, e como nada que é, merece o pior do pior. Aos desumanos, pena de morte. Aos desumanos, sexo corretivo. Aos desumanos, jejum punitivo. Aos desumanos, violência coercitiva. O não-ser se encontra em um limbo onde não há redenção, mas também não há indiferença. Em relação ao não-ser há apenas repulsa, um ódio travestido em indignação.&nbsp;</p>



<p>O humano não é só bom, o humano não é só mau. Mas o que de melhor ou que de pior pode ser feito pela humanidade é uma expressão máxima do ser humano. A lógica punitivista do desumano justifica a guerra, justifica a violência, justifica tudo aquilo que se busca combater ao usar o termo. Não existe humano que comete crime, só existe criminoso? Não existe humano que mate, só existe assassino? Não existe humano que roube, só existe ladrão? Roubar, matar, destruir. Cometer todo o tipo de crimes é sempre associado ao desumano, porque ser humano é agir e ser o oposto do que criminosos são e fazem, por exemplo. E se a sociedade abriga em si a existência de pessoas desumanas e violentas, porque não posso me defender com uma arma e também matar, apenas para manter intacta minha humanidade? Na lógica da punição, humano é um status. É uma posição ocupada na estrutura social, que me afasta de tudo que é perverso e imoral. Por isso o humano tem direitos, o desumano não.&nbsp;</p>



<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Porém desumano não é o agir mal, muito menos o ser mau, mas é o resultado de um processo de esvaziamento do outro. Desumanizar não é se desprender das convenções humanas e agir intentando contra a vida, mas é privar o outro de qualquer possibilidade de justiça, derramando sobre ele a fúria instantânea e impulsiva do justiçamento. Consegue ver o quão perverso é o ato de desumanizar? Hitler não acreditava que judeus ou negros fossem humanos dignos. Mas tão humano quanto os judeus e os negros, era o próprio Hitler. Ele não estava fora de sua humanidade quando arquitetou e executou seu plano de dominação autoritária e sangrenta. Nenhuma guerra foi desumana, por mais cruel que tenha sido. Nenhum não-ser é capaz de produzir bombas, de manipular informações, de matar pelo poder. Essas são ações humanas. O humano mata os pais, estupra a virgem, oculta cadáveres. O humano é morto, violentado, esquecido. Há em tudo isso, em todos esses, humanidade. Porque ser humano não significa ser puro/bom, muito menos sujo/mau, mas significa que somos capazes de imaginar, planejar e agir da pior forma ou da melhor forma possível. Desumanizar é uma ação do humano. Mas ser tão humano quanto o outro me aproxima do outro. Eu que “nunca fiz o mal” sou tão humano quanto um assassino em série. Eu que nunca salvei uma vida da morte, sou tão humano quanto heróis de guerra.&nbsp;</p>



<p>Diante de nós se revela uma mesa farta, um banquete de ações. De quais delas vamos nos suprir, cabe somente a nós. Hoje o mundo se vê obrigado a se encolher, se guardar em prol da sobrevivência. Os noticiários, os novos adereços agregados às vestimentas habituais, os novos hábitos, tudo aponta para a transformação que atravessamos. Um mal invisível se pôs entre nós, exigiu a distância, fez das janelas nossa via de acesso mais crua ao mundo. Frente tais restrições, é humano seguir recomendações básicas para diminuir o risco de morte, como também é o seu inverso. Ser humano é ser responsável, seja pelo que for. As ações estão expostas, nos resta escolher. Desumanizar é restringir do outro qualquer acesso à dignidade.&nbsp; Desde quando comecei a escrever esse texto, há meses, até o dia de hoje, muita coisa aconteceu e me colocou diante dessa realidade da desumanização como um projeto humano. Doutor Dráuzio Varella experimentou um “webmassacre” por ter abraçado uma mulher trans, presidiária, que não recebia visitas há muito tempo. O motivo do “webmassacre” foi a razão pela qual a mulher estava presa: tinha assassinado uma criança. Bom, juridicamente, justiça está sendo feita. Ela está presa, tem sua liberdade devidamente privada, está socialmente isolada. Mas a lógica dos bons/humanos, “cidadãos de bem”, coloca a mulher como centro do projeto de desumanização. Uma vez que ela comete um crime hediondo, a justiça não é feita com a prisão e o isolamento, muito menos com os desdobramentos psicológicos que anos de confinamento podem trazer, mas a justiça se realiza no “justiçamento” da privação total de qualquer gesto de empatia. Desumanizar é fazer um bolão pra saber em quantos dias o “youtuber pedófilo” vai se suicidar, e torcer pra que isso seja feito em breve. Eu sei, é incômodo e delicado assumir que ninguém é desumano, mas que desumanizar é um projeto humano. Isso nos coloca muito próximo do estuprador, do racista, do assassino, do pedófilo. Ninguém quer se sentir perto de pessoas que agem tão mal, que ferem, que matam, que são ignorantes. Mas, o que se deve deixar claro é que não há qualquer defesa ou justificativa para os atos violentos, hediondos e prejudiciais. Matar não é bonito, não existe beleza na guerra, não existe violência poética. Quem comete crimes, deve pagar pelos crimes, deve receber a condenação devida. Os que causam sofrimento, devem ser privados de sua liberdade e ver a vida em cárcere se realizar. O que não pode existir é uma ideia de humano e desumano como um nós/eles, onde nós temos nas mãos o trunfo da humanidade e eles, como desumanos que são, não merecem nada de nós a não ser mais violência, mais crueldade, mais sangue derramado. Olho por olho, todos ficam cegos. Dente por dente, todos definham e engasgam.</p>



<p>O mais irônico na história da civilização ocidental é que baseamos todo o conceito de humano e desumano na crença de um Deus humano. Um Cristo divino que se fez carne e osso. Enquanto o Deus feito homem é a base da moral ocidental, o homem se fazendo Deus, sem qualquer dúvida, faria coro à multidão e aplaudiria a desumanização do messias. Bem, olhando pro Brasil atual, parece que tudo se inverteu e desumanizar é o projeto do Messias escolhido e aplaudido. Mas que fique claro: ao humano cabe tudo, até mesmo o ato de desumanizar. Em último grau, nossa existência é dialética, não havendo em nós qualquer natureza banhada em pureza. Nem plenamente bons, nem plenamente maus, mas, sinalizando “o estar de cada coisa, filtrando os seus graus”, humanos, demasiado humanos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na Imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3e4db-julia-sa-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3417" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Selva: uma história fictícia real</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[equidade]]></category>
		<category><![CDATA[Erick Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[igualdade]]></category>
		<category><![CDATA[selva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Erick Pereira</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-drop-cap">Dia desses, foi posto por um sujeito bem caricato num pedaço de concreto e aço, um ovo bem engraçado. Ele era bem decorado, de ideias entrelaçado, parecia algo bonito, fino e requintado. O ovo era meio esbranquiçado, fazia um barulho danado, tinha um bicho roncando, rolava em cima de quem tivesse de lado. Vieram formigas, borrachudos e carrapatos, o ovo virou para o lado e esmagou os pobres coitados. O caricato, muito desconcertado, falou que não tinha culpa, que só queria apoiar os fatos, que estava com a turba dos ovos, que fazia justiça com os votos dos alienados. Pela segurança, pela liberdade, por Deus e pelo diabo, o ovo precisava ser chocado, e que ousadia pensar em quebrá-lo.</p>



<p>No requinte do bordão, um doutor bem engravatado fez um raio x daquele ovo, disse que era de serpente, dessas que mata gente a troco de nada. Ele foi vilanizado, desses repentes de sertão, que mais olha a terra do que a própria semente. Das políticas que transforma água em ouro, das desculpas que crescem o olho gordo. E por mais que advertisse, o ovo ainda estava lá, parado, redondo, esperando o momento certo de eclodir. Daqui do lado, uns certos fulanos já se armam com copo de leite e taco na mão, esquecem o veneno, a mordida do escorpião. Mas no fundo tratemos de ideias com capa e capuz. Do certo sujeito, coincidências a parte, carinho no ovo, joelho no chão. E todo resto que clama, sacode e chora, no vão do navio, remando distante, susurra baixinho: viva a democracia do fulano.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4a5bb-ovo-de-serpente.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10948" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Erick Pereira </strong>é capixaba natural de Vila Velha – ES. Residente em São Paulo a mais de 10 anos, desenha histórias que aprende e quer repassar. Está em seu terceiro trabalho autoral.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-large-font-size"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/874d7-galeriaiury4-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10528" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p></p>
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		<title>Protegendo a saúde e os direitos de mulheres e meninas na pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Natália Kanem - ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Paz em nosso mundo começa com paz em casa, como o secretário-geral das Nações Unidas deixou registrado em seu chamado por um “cessar-fogo” global na violência baseada em gênero –&nbsp;<a href="https://brazil.unfpa.org/pt-br/news/paz-em-casa-protegendo-sa%C3%BAde-e-os-direitos-de-mulheres-e-meninas-%E2%80%93-mesmo-durante-covid-19">uma pandemia dentro da pandemia de COVID-19</a>.</p>



<p>Uma a cada três mulheres sofrerá violência física ou sexual durante sua vida. Agora, com países em quarentena e tensões domésticas aumentadas, a violência baseada em gênero está em crescimento, e os serviços de saúde sexual e reprodutiva estão sendo deixados de lado enquanto os sistemas de saúde lutam para lidar com a COVID-19.</p>



<p>A crise tem cobrado um preço das pessoas, comunidades e economias no mundo todo. Mas nem todos estão sendo afetados de forma equânime, e como frequentemente vemos, mulheres e meninas tendem a sofrer mais.</p>



<p>O impacto da COVID-19 vai muito provavelmente dificultar os esforços para alcançar os três zeros que estão no cerne do nosso trabalho no UNFPA: zero necessidades não atendidas de contracepção, zero mortes maternas evitáveis e zero práticas nocivas e violência contra mulheres e meninas – até 2030.</p>



<p>O UNFPA projeta, por exemplo, que a pandemia vai cortar o progresso global rumo ao fim da violência nesta década em pelo menos um terço. Além disso, se as restrições de mobilidade continuarem por pelo menos seis meses com maiores interrupções aos serviços de saúde, 47 milhões de mulheres em países de média renda poderão ser privadas do acesso a contraceptivos modernos, resultando em 7 milhões de gestações.</p>



<p>Neste Dia Mundial de População, nós chamamos atenção para as vulnerabilidades e necessidades de mulheres e meninas durante a crise da COVID-19, e porque proteger a saúde sexual e reprodutiva, os direitos e acabar com a pandemia oculta de violência de gênero é imperativo, especialmente nesses tempos desafiadores.</p>



<p>O UNFPA está trabalhando para assegurar que o suprimento de contraceptivos modernos e artigos de saúde seja mantido, e que parteiras e enfermeiras obstétricas e outras equipes de saúde tenham equipamento de proteção pessoal de que precisam para se manter em segurança.</p>



<p>Fomos encorajados já que, até agora, 146 Estados-membros assinaram ao chamado do secretário-geral de fazer com que a paz em casa seja uma realidade, e estamos fazendo parcerias para apoiá-los.</p>



<p>Como parte de nossa resposta à COVID-19, estamos inovando em entregar serviços remotos como linhas de teleatendimento, telemedicina e aconselhamento, e juntando uma base de dados desagregada para apoiar governos em identificar e alcançar aqueles que mais precisam.</p>



<p>Mensagens públicas positivas sobre equidade de gênero, desafiando estereótipos de gênero e normas sociais nocivas podem reduzir o risco de violência. Nisso, homens e meninos podem e devem ser aliados fundamentais.</p>



<p>Saúde sexual e reprodutiva é um direito e, assim como gestações e partos, os direitos humanos não param durante pandemias. Juntos, vamos frear a COVID-19 e garantir os direitos e a saúde de mulher e meninas – agora!</p>



<p>Nenhuma organização ou país pode fazer isso sozinho. A pandemia é um lembrete severo da importância da cooperação global.</p>



<p>As Nações Unidas, que neste ano comemoram seu 75º aniversário, foi fundada para promover a cooperação internacional para solucionar problemas internacionais.</p>



<p>Enquanto a comunidade global se une em solidariedade para sobreviver a esta pandemia, lançamos as bases para sociedades mais resilientes, saudáveis e com equidade de gênero, e com um futuro mais próspero para todos e todas.</p>



<p><em>Natália Kanem</em> é <em>Diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA)</em>.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/artigo-protegendo-a-saude-e-os-direitos-de-mulheres-e-meninas-na-pandemia/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 10/07/2020 &#8211; Atualizado em 10/07/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/a4445-begaleria20-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10841" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


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		<title>Des-Pedaço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[Josuan Vicenzi]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Josuan Vicenzi</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Ai!”, pensou a flor do parque ao ser partida por um jovem apaixonado, que arrancara pétala por pétala e ainda quebrara o resto em mais pedaços, concluindo: “mal me quer…”. Triste, ele largou a última pétala, e depois o caule, e foi embora. </p>



<p>A flor, despedaçada e caída, aguardava seu triste fim; não sabia, contudo, a qual de suas partes espalhadas pelo chão chamar de si! Há poucos instantes, era o conjunto dessas partes que lhe dava a identidade de flor. Mas e agora? </p>



<p>Seria ela agora o caule? O cálice? As pétalas? Não, as pétalas não… sempre caíram e nunca fez muita diferença. Mas também sem as pétalas a flor se sentia descaracterizada. Todas suas partes espalhadas pelo chão lhe pareciam ter a sua importância. </p>



<p>Mas se a nossa protagonista flor era o conjunto total dessas partes, teria então seu triste fim já acontecido? Ou ela continuava a ser esse conjunto, porém com as partes um tanto mais afastadas? </p>



<p>Seus pensamentos foram logo interrompidos. Nesse meio tempo, uma jovem havia estendido sua toalha de piquenique sobre a grama e sentara-se para ler um livro. Ao fazer uma pausa na leitura, ela se deparara com os pedaços da flor. “Tadinha!”, apiedou-se, e começou a se entreter em remontá-la. Quando terminou de fazê-lo, a jovem voltou à sua leitura, e após um tempo foi embora. </p>



<p>As partes da flor então estavam próximas novamente, já não estavam mais unidas e jamais poderiam – isso marcava um ponto sem volta. Ainda assim, a flor também não sentia que tinha se tornado outra coisa. </p>



<p>E se o jovem apaixonado tivesse despedaçado inúmeras flores do parque até que elas respondessem: “bem me quer”? E se, assim como aconteceu com a nossa flor protagonista, as partes de todas essas flores fossem reagrupadas pela jovem mas misturadas no processo? Como dizer, ao final disso, qual flor era qual inicialmente? </p>



<p>O jardineiro do parque, na manhã seguinte, encontrou a nossa protagonista já apodrecendo sobre a grama. Ele a recolheu e a enterrou enquanto cuidava das outras flores – sabia exatamente qual flor ela era, pois ele mesmo havia plantado. Era o terceiro atentado àquele canteiro! O jardineiro pensava em colocar uma cerquinha de arame, mas concluiu que tiraria a beleza do local. Em vez disso, fez uma correção nos avisos do parque. </p>



<p class="has-text-align-center"><s><em>Proibido arrancar as flores. </em></s></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Dê de presente, não despedace</em>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Josuan Vicenzi </strong></strong>é poeta e estudante de música na UFJF. Participo de alguns projetos artísticos de vez em quando, por prazer. Gosta de literatura, música e teatro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Sou de outra mitologia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nunca acreditei em demônios, cresci noutra mitologia</p>



<p>mas penso que algumas pessoas existem</p>



<p>de um jeito bem parecido com o que um demônio, se existisse, seria.</p>



<p>Nada de chifres, enxofre, cascos.</p>



<p>São olhos claros, voz empostada, síndrome de Peter Pan</p>



<p>e litros, quilos, containers de ciúme infantil.</p>



<p>Carisma é uma boa palavra, perfume também.</p>



<p>Erudição.</p>



<p>&#8211; aqui tenho medo de ofender algum Belfegor esforçado.</p>



<p>Me parece que esses indivíduos são pensadores castrados.</p>



<p>E por quê demônios, então?</p>



<p>Efeito Dunning-Kruger!</p>



<p>Terra plana; sem vacina; astronomia doméstica; viva o mito&#8230;</p>



<p>Dezenas de coisas inacabadas, hedonismo infinito</p>



<p>e uma magreza doente. De alma.</p>



<p>Se já conheci alguém assim? Claro,</p>



<p>de perto e de longe.</p>



<p>De improviso me lembro do Osho, Raspútin, père Joseph</p>



<p>E também <em>Don L</em>.</p>



<p>Primeiro a semente carnívora, depois as raízes</p>



<p>devoram o sumo da razoabilidade, e fim.</p>



<p>Só isso. Aqui o problema. É humano gozar com os outros</p>



<p>mas esses tais só sabem viver solitários, violando os&nbsp; incautos.</p>



<p>São demônios, e nosso presente os pertence.</p>



<p>Só não acredito, cresci noutra mitologia</p>



<p>Graças a Deus.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/c4b75-galeriacadi2-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10539" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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