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	<title>Arquivos Ano 002, N 056 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Narrativas políticas e arquétipos do cristianismo: uma reflexão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Qual a distância que&nbsp;nos&nbsp;separa&nbsp;do&nbsp;que dizemos? Ou melhor: o que de fato precisamos fazer para&nbsp;<strong>alinhar nosso discurso à nossa ação</strong>?</p>



<p>Analisando a ascensão de correntes ideológicas que fundamentam os discursos da extrema direita no Brasil e no mundo,&nbsp; vemos diuturnamente a elevação da Fé e da moral judaico-cristã  <strong>capitalizada por interesses políticos</strong>. Ou pelo menos alguns elementos identitários destes grupos, melhor dizendo. </p>



<p>É claro que esse não é um fenômeno inédito na história da humanidade. Entretanto, ao buscarmos a compreensão da tradição cultural do cristianismo no contexto atual e sua constante necessidade de reinvenção e adaptação às transformações sociais, por exemplo, percebemos que o discurso capitalizado politicamente<strong> diverge do que seria a prática cristã segundo Cristo</strong>.&nbsp; Podemos até arriscar afirmar que esse&nbsp;seja&nbsp;o&nbsp;ponto&nbsp;crucial da&nbsp;<em>praxis</em>&nbsp;Cristã na&nbsp;contemporaneidade: <strong>entender o papel e o impacto da fé cristã em um contexto em que se discute questões como o racismo, a LGBTfobia, o empoderamento das mulheres e contra o autoritarismo</strong>. Isso porque, ademais das orientações institucionais que fundamentam as bases teológicas das igrejas em suas infinitas denominações, <strong>não existe&nbsp;fórmula para coerência</strong> nesse sentido.&nbsp;Inclusive, tratando-se de ética e moralidade, não existe um&nbsp;caminho em linha reta, em uma perspectiva geral, que seja bem definido&nbsp;e que dê conta das mazelas das existências em sociedade. Aliás, nunca houve. Não podemos nos esquecer da contradição dos cristãos que atestam a legalidade das guerras, da dominação de territórios, do assassinato dos povos indígenas, da escravização de pessoas (sobretudo homens e mulheres negras), dos fascismos, do apartheid&#8230; enfim, acho que se houvesse algum tipo de manual de ética e moralidade alinhado às ações, alguém já o teria usado.</p>



<p>Tratando o aspecto cultural da tradição cristã inserida no contexto atual, precisamos, antes de mais nada, entender que faz parte do processo de cognição humana consolidar padrões de comportamento a partir de suas referências para construir opinião,&nbsp;ou tirar conclusões&nbsp;acerca de determinado&nbsp;assunto/experiência.&nbsp;<strong>Esse constante confronto entre a experiência diária da vida com vivências e conceitos já fixados é o que faz com que continuemos nosso incessante processo de aprendizado.</strong> Acontece que, muitas vezes, o assunto/experiência em questão&nbsp;<strong>jamais foi, em qualquer momento, objeto concreto de análise&nbsp;e/ou reflexão.</strong>&nbsp;Ainda assim, é&nbsp;bastante&nbsp;comum nos depararmos com indivíduos que se sentem extremamente capazes de discorrer opiniões e se&nbsp;posicionar sobre todo fato&nbsp;ou&nbsp;acontecimento&nbsp;que lhes chega à sua percepção.&nbsp;Aliás, é preciso ressaltar que, na era da internet,&nbsp;das&nbsp;mídias&nbsp;sociais&nbsp;e das <em>fake-news</em>, o que existe é uma&nbsp;<strong>necessidade&nbsp;desesperada&nbsp;de posicionar-se e emitir opiniões sobre assuntos que sequer fizeram ou fazem parte da vivência individual em algum momento da vida.</strong> </p>



<p>A parte boa dessa história&nbsp;é nos apercebermos <strong>completamente cercados pelo contraditório</strong>, pela experiência de <strong>ter que lidar com a complexidade das relações e&nbsp;dos infinitos modos&nbsp;de se entender a vida.</strong> Por esse motivo, a&nbsp;possibilidade de se perceber errado em relação a algo deveria ser o maior combustível para continuar a busca pela verdade na prática religiosa &#8211; neste caso, no cristianismo.&nbsp;A&nbsp;parte ruim é que o que vemos, em grande parte, são indivíduos destituídos de pensamento crítico, cujas reflexões se estendem,&nbsp;como alcance máximo<strong>,&nbsp;pela&nbsp;superfície</strong>&nbsp;de&nbsp;todas as coisas.</p>



<p>Em&nbsp;consequência&nbsp;disto,&nbsp;parece haver uma <strong>barreira intransponível ao redor dos elementos que compões a identidade cultural cristã média</strong>, que se caracteriza essencialmente por seus costumes, mas que se encontra, ao mesmo tempo, cercada de mistério e ausências. Estatisticamente, uma grande maioria zela por convicções e ideologias sem sequer conhecê-las em profundidade, ao mesmo tempo em que defende pontos de vista que <strong>se consolidaram na esfera dos costumes</strong> e que nada têm a ver especificamente com a jornada de desenvolvimento da espiritualidade cristã &#8211; aliás, muitas vezes vemos pessoas capazes de agir em direção contrária a&nbsp;ela, sempre acreditando estar coerente. Convicção que muito se assemelha à dos fariseus, diga-se de passagem. Em comparação com indivíduos realmente engajados em refletir acerca das nuances práticas do dia-a-dia cristão no mundo atual, é possível afirmar que alguns agem de maneira proposital, se valendo de elementos identitários que se consolidaram como tradição cultural no cristianismo para buscar a criação de uma imagem pessoal daquilo que contemplam como ideal (em termos de comportamento) sem jamais ter tido de fato a intenção de&nbsp;vir a ser. Ou seja, trabalhar&nbsp;na superfície da imagem social do que é ser cristão tradicionalmente, oferece os benefícios de se pertencer à esse grupo, sem o ônus de ter a preocupação&nbsp;de s<em>er</em> em profundidade.&nbsp;Ou seja,&nbsp;<strong>aparentar&nbsp;ser o que se propõe&nbsp;já é o suficiente neste caso.</strong> Parece um bom negócio se tratando de política, sobretudo em um país em que mais de 80% da população se autodeclara cristã.</p>



<p>Por&nbsp;outro lado, não podemos desconsiderar que há também quem se esforce para seguir o caminho de um cristianismo em Cristo e <strong>tropeça  diariamente na&nbsp;conversão&nbsp;do discurso para ação</strong>. Neste ponto, infelizmente, precisamos entender a limitação de ser e estar no mundo. A incompletude do ser, que leva milhões de pessoas a procurar o refúgio espiritual no cristianismo, ao encontrar&nbsp;a ideia de Cristo em suas potencialidades, encontra&nbsp;também o imenso abismo que reside&nbsp;na impossibilidade de ser como Ele &#8211;&nbsp;uma vez que, segundo a própria teologia Cristã, <strong>é&nbsp;impossível&nbsp;para o ser humano ser&nbsp;bom,&nbsp;justo ou fiel, pois&nbsp;esta parte de&nbsp;si foi deixada&nbsp;nos limites do Jardim do Éden, após a transgressão do pecado original.</strong>&nbsp;Na&nbsp;Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo, em belíssima reflexão, coloca que:&nbsp;<em>Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem&nbsp;está&nbsp;em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse&nbsp;pratico.</em>&nbsp;(Romanos 7:18-19)</p>



<p>Posto isto, o que fazer? Se o que é dito não condiz com o que se faz. Se, ao tentar fazer o que se fala, o fracasso é o resultado esperado. Como obter paz nessa busca e alinhar as ações de forma eloquente ao que é dito/pensado?</p>



<p>Tomás de&nbsp;Kémpis, pensador&nbsp;cristão que viveu entre os anos de 1380 e 1471, no livro<em>&nbsp;A Imitação de Cristo,</em>&nbsp;&nbsp;apresenta uma possível pista da trilha que pode levar ao caminho da coerência na prática religiosa, ademais de sua instrumentalização como discurso político e sua simplificação prática enquanto tradição cultural:&nbsp;<em>Toda a nossa paz, porém, nesta vida miserável, consiste mais na humilde resignação, que em não sentir as contrariedades. Quem melhor sabe sofrer maior paz terá. Esse é vencedor de si mesmo e senhor do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do céu.&nbsp;</em></p>



<p>Nesse sentido, há a aparente necessidade de entender que a Fé é, em si, uma questão de&nbsp;<strong>intencionalidade&nbsp;</strong>e que, em sua essência, é preciso regar toda e qualquer semente que torne cada ação verdadeira na esfera da intenção; e é importante não cristalizar qualquer prática que seja forjada&nbsp;meramente em convicções ideológicas, tampouco em tradições institucionais empilhadas em convenções de grupos que acreditam que seus costumes são, de fato, a realidade da fé Cristã. O que precisa ser entendido é que a <strong>eloquência de cada ação, consiste justamente no esvaziamento dessas convicções</strong> para que a prática cristã seja erigida na certeza de que Cristo é quem aponta o caminho, e que qualquer variável externa a isso deve se submeter à um código de ética em constante processo de adaptação &#8211; revisado, naturalmente, pelo exemplo de Cristo para a fé cristã. </p>



<p>Desse modo, supondo que a exegese diária da prática cristã impulsionar essa busca, as narrativas que flertam  com a dominação pelo medo, adornadas por pautas de costumes que se valem de arquétipos culturais do cristianismo, podem começar a perder força, enquanto <strong>o indivíduo ganha autonomia em sua jornada espiritual e intelectual, </strong>podendo, finalmente, se tornar capaz de extrair coerência nas próprias ações dentro desse contexto. Sendo capaz de olhar pra si e para sua jornada espiritual identificando projetos de poder que distorcem a verdade de sua busca, além de compartilhar suas vivências artísticas e culturais dentro de um cenário complexo culturalmente e humanamente diversificado e plural.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p></p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p><p></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>[Coluna Arredores] Diego Neves lança projeto musical solo &#8211; Entrevista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É tempo de valorizar as artes e os artistas &#8211; entre eles, os nossos futuros artistas favoritos; desse &#8211; e de alguns outros &#8211; propósitos, nasceu a Trama, que mais do que uma revista, busca ser um espaço aberto onde artistas possam se expressar e se fortalecer. </p>



<p>Quando pensamos em artistas locais, cada movimento conta. Compartilhar suas obras, seus sonhos e caminhar junto por uma jornada cheia de possibilidades, alegrias e às vezes frustrações; isso até o momento em que a arte voa sozinha, e alcança lugares tão inusitados e especiais que tornam cada aspecto da jornada um degrau memorável na vida do artista e do espectador. E quem acompanha um artista desde o início sabe o quão gratificante é todo esse processo.</p>



<p>Pensando nisso, e em fortalecer cada vez mais as cenas regionais, começaremos a navegar junto a artistas locais tanto de nossa cidade quanto de lugares que vocês, nossos leitores, nos indicarem. Bem vindes, bem vindas e bem vindos à entrevista de estreia da mais nova coluna da Trama:  Arredores.</p>



<p>Na edição de estreia, apresentamos a vocês o Diego Neves, músico de Juiz de Fora. Ex-vascaíno, hoje flamenguista e embaixador do emo no Brasil, Diego é vocalista da Legrand e idealizador do projeto solo DiegoNeves*Banda, que lançou sua primeira música, &#8216;Mexicana&#8217;, no finalzinho de julho.</p>



<p>Logo após o lançamento, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o artista sobre o novo projeto, sobre produzir na quarentena e outras questões. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/c6226-20200802_121002-1804115942-1596394667570.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-11256" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Diego Neves, vocalista da banda Legrand</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Porque um projeto solo? O quanto ele destoa (ou complementa) seu trabalho na Legrand?</strong></p>



<p><strong>Diego: </strong>Diego Neves*Banda é um projeto que nasce bem antes da Legrand, mas que se realiza só agora, depois de 5 anos de Legrand. Uma curiosidade é que Legrand é um nome que veio de uma música da Diego Neves*Banda; mas isso é outro assunto. Enfim, a grande diferença entre Legrand e DN*B está na linguagem escolhida. No projeto solo eu caminho no chão das referências pop e MPB, falando com mais leveza e suavidade de temas como amores, encontros e auto conhecimento. A Legrand nasceu indie e foi se inclinando pra uma linguagem mais alternativa, conversando muito com o Midwest Emo, que a gente chama de Emo adulto (risos). Nela, eu derramo os temas mais intensos, indigestos, incômodos, de modo mais incisivo. As diferenças são mais fáceis de perceber do que as semelhanças, mas acho que tom nostálgico das composições, ainda que caminhem em direções distintas, é o que aproxima os dois projetos.</p>



<p><strong>T: O projeto novo já tem nome? Você pode nos revelar?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> O que vem por aí tem forma, duração, nome, tudo definido, mas ainda é cedo pra falar mais. Por enquanto, a gente fica com &#8220;Mexicana&#8221; e em breve surge mais coisa nova.</p>



<p><strong>T: As influências sonoras parecem ter uma semelhança óbvia pela sua participação na Legrand. Conta pra gente um pouco mais sobre referências musicais que você usou no seu projeto solo.</strong></p>



<p><strong>D:</strong> No projeto solo, eu mergulhei no universo do indie pop e de todas as vertentes que se desdobram dele, mas tem bastante coisa da MPB. Acho que posso destacar as fortes influências de Silva, Mahmundi, Xime Sariñana, Chvrches, Duda Beat e Tuyo. Mesmo que indiretamente, todas essas referências trazem consigo uma nostalgia com cara de anos 80/90, que eu amo demais.</p>



<p><strong>T: A experiência de gravar e mixar na quarentena, como foi? Fez falta a experiência de ir ao estúdio? Como foi esse processo de gravação e a mixagem?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> O estúdio faz falta quando nos referimos aos equipamentos, principalmente os analógicos; lá, a gente tem acesso ao timbre daquele compressor ou daquele amplificador, sem precisar simular aqueles sons. Mas gravar em casa tem um clima diferente, principalmente quando o assunto é tempo. Experimentar, fazer e refazer, errar, acertar, descobrir, tudo isso demanda tempo. Quando você grava no seu quarto, sem a pressão do tempo pago e das horas gastas no estúdio, o limite criativo e as possibilidades de exploração se expandem. Eu gravei esse projeto todo durante uns dois meses, a partir de demos gravadas há 3 ou 4 anos atrás. Fui tirando e colocando elementos, experimentando até chegar no ponto que queria. A mixagem e a master foram feitas pelo Rubens Adati (Inhame Estúdio). Ele é de São Paulo, tem a banda Meu Nome Não É Portugas, fez algumas guitarras no disco do Vella (Felipe Vellozo, baixista da Duda Beat) e já trabalhou com muitas bandas da cena paulistana. Ele surgiu como uma surpresa maravilhosa, num post de Instagram, e meses depois eu estava ouvindo o projeto pronto. O que senti falta mesmo foram das conversas que rolam durante o processo. É sempre divertido, e ajuda no surgimento de ideias novas. Mas deu tudo certo e tive muita gente nessa comigo, apesar da distância.</p>



<p><strong>T: Você acha que vai ganhar algum pastel na mexicana? Já soube que ganhou bolo da Regaliz</strong>&#8230;</p>



<p><strong>D:</strong> (RISOS) Eu ficaria feliz com esse patrocínio aí. Me nota, Mexicana! A Regaliz tem meu coração! Conte comigo pra tudo, Regaliz, tal qual o meme. (risos)</p>



<p><strong>T: Sua escrita tem muito de uma poesia ordinária e envolvente. Podemos esperar essa tendência ao longo do projeto, ou veremos letras politizadas em uma poesia mais intensa, como nas letras do álbum mais recente da Legrand?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Sim, essa [poesia ordinária] é a tendência do projeto. Quero explorar esse cotidiano versado, cantando letras que usam uma linguagem rica em signos da vida comum. Mesmo que recorra à introspecção em alguns momentos, ainda assim é um uso menos denso do que nas composições da Legrand.</p>



<p><strong>T: Você lançou a música &#8216;Mexicana&#8217; apenas em mídias virtuais. Como você enxerga esse espaço para artistas consolidados e novos artistas?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Há uma ideia de democratização da produção e da distribuição dos conteúdos artísticos por meio dessas mídias. Os artistas mais consolidados se adaptaram aos novos formatos, precisaram repensar estratégias, mas usufruem de uma estrutura muito maior do que nós, artistas independentes. Assessoria, gerenciamento de carreira, gravadora, tudo segue um fluxo diferente. Mas, ainda que sem essa estrutura enorme, com disposição e organização do trabalho &#8211; e contando com a ajuda dos amigos, claro &#8211; os artistas independentes podem se lançar no mercado, sem intermediação de grandes selos ou muita burocracia. Lógico que existe um vão enorme, que a ralação pra fazer o trabalho vingar exige muito esforço, planejamento, noites viradas, mas ninguém começa hoje e amanhã é a nova Lady Gaga. Tudo é processo. Pra chegar nos 1000 plays, tem que planejar os primeiros 10, depois 100, assim por diante &#8211; e tem que comemorar muito essas conquistas. Talvez a gente peque muito em enxergar a produção artística apenas pela ótica do mercado. A música é mercado sim, mas se você não faz isso porque é o que ama fazer, tudo passa a ser só número sobre número e se perde. </p>



<p><strong>T: E a questão da pirataria? O acesso livre às produções artísticas, culturais e acadêmicas pelo livre compartilhamento precisa acabar? O quanto isso interfere no seu projeto?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Essa é uma questão delicada e que tem muitos lados. Entendo que a pirataria, em termos lucrativos, trouxe uma desestabilização do mercado e isso afeta a indústria &#8211; o que significa, grosso modo, que trabalhadores vão sofrer com isso, com essa desestabilização. A tendência é sempre a mesma: o que afeta os grandes grupos e empresas, afeta mais quem é o “chão de fábrica”. Mas como pensar em democratização do acesso à cultura e não considerar causar um abalo na estrutura da indústria? Porque é inegável que os espaços e produções culturais são pensados a partir do consumo, em termos de indústria. E quando pensamos em consumo, sabemos que uma parcela da população é privada desses espaços por conta da sua realidade. Nem todos podem ir ao cinema com frequência, muito menos podem pagar centenas de reais pra assistir o seu artista favorito ao vivo. Nesse ponto, a pirataria causa uma inflexão necessária, mas complicadíssima de analisar. A pirataria não é uma faca de dois gumes, ela é um decaedro. Eu sou a favor do acesso livre à informação. Entendo isso como direito fundamental, mas essa é uma discussão longa, que ainda engatinha, apesar dos anos de transformação que a indústria cultural promoveu. Quanto a mim, não sei dizer o quanto isso pode me afetar, sendo bem sincero. Outros elementos, como o repasse das plataformas de streaming para os artistas, precisam entra na equação também, e é aí que a gente vê esse nó se complicar mais que os nós temporais de Dark. </p>



<p><strong>T: Podemos esperar participações nas próximas composições?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Espero que, num futuro próximo, sim, possam surgir mais participações e parcerias; mas nesse projeto solo as composições nasceram e foram executadas bem “solo” mesmo. Mas eu quero ter mais composições escritas em parceria e espero, ao menos quando pudermos voltar aos palcos, poder contar com outras vozes somando comigo. </p>



<p><strong>T: Você gosta bastante de um pagode e samba; acha que pode vir um som nessa mistura?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Pagode 90 é minha religião! (risos) Eu tenho composições que flertam com o samba e com o pagode, sim. Na verdade, por ter crescido ouvindo muito pagode, é inegável que minhas músicas bebem dessa fonte &#8211; e se você tirar o arranjo original delas e colocar um pagode, elas vão encaixar (risos). Quem sabe esse gosto pelo pagode ganha corpo e se torna real? A Legrand já faz o Derê &#8211; nosso pagodão pré carnaval &#8211; há dois anos. Não nego que possa nascer algo assim na DN*B.</p>



<p><strong>T: Alguma indicação de artistas que te acompanham ou que você descobriu?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Mahmundi, Adriana Calcanhotto, Lenine e Jorge Drexler são artistas que trago no coração. Mas eu descobri recentemente preciosidades como Natália Lafourcade, Los Punsetes, Zahara, Suoersbmarina, Sidonie. Enfim, a lista seria extensa, mas menciono ainda Ximena Sariñana, Mon Laferte, BAAPZ, Mike Posner, Rincon Sapiência e a incrível Julieta Venegas. Enfim, se alguém quiser mais, pode me chamar no Instagram que a gente troca ideia. </p>



<p><strong>T: Deixa seu recado para nossos leitores aqui.</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Acho que o que posso dizer é: se cuidem e cuidem dos seus. Em breve, a loucura que a gente tá vivendo se abranda e a vida segue o fluxo. No mais, ouçam DN*B, apoiem os artistas da sua cidade e OUÇAM MÚSICA LATINA E EM LÍNGUA ESPANHOLA. Um beijo, um abraço e fiquem firmes! </p>



<p><strong>Ouça o primeiro single do Diego</strong>: <strong>Mexicana.</strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>História do Brasil: um desafio quixotesco entre dois centenários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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<p class="has-drop-cap">Em 1917, fundava-se no Rio de Janeiro a revista <em>D. Quixote</em>. Dentre os responsáveis por esse projeto, estava o famoso intelectual humorista e boêmio Bastos Tigre. O nome que batizou o periódico não poderia ser mais sugestivo: <em>D. Quixote</em>, o &#8220;cavaleiro da triste figura&#8221;, o lutador contra moinhos de vento, que tinha ao seu lado o inseparável Sancho Pança. No entanto, essa não era a primeira vez que o clássico romance espanhol de Miguel de Cervantes, publicado no início do século XVII, inspirava a inauguração de uma revista humorística no Brasil. Na década de 1890, o caricaturista Angelo Agostini também fundara um periódico com o mesmo nome.</p>



<p>Segundo a historiadora Monica Veloso, em sua tese de doutorado publicada na década de 1990, a figura de D. Quixote foi amplamente utilizada, tanto na Espanha quanto na América Latina, para representar a figura e o papel do intelectual na modernidade. No contexto carioca, por exemplo, o modernismo teve como uma de suas grandes expressões o humor, a sátira, as caricaturas, etc. Era o esforço de tornar o humor a chave interpretativa da história e da identidade nacional brasileiras.</p>



<p>Poucos anos após a inauguração da segunda revista <em>D. Quixote</em>, o Brasil realizava os famosos festejos do centenário da Independência. Não faltaram motivos e inspiração para os colaboradores da revista, que exploraram em demasia as contradições e paradoxos da &#8220;entrada do Brasil na dita modernidade&#8221;. Nas páginas da revista, os malabarismos feitos pelas autoridades políticas na encenação do espetáculo da modernidade eram apresentados como patéticos ou como verdadeiros simulacros, ante um país de muitas contradições sociais, analfabetismo, doenças, epidemias. Figurões eram caricaturados pela sua postura bajuladora com relação aos &#8220;gringos&#8221;, em detrimento da exposição de um Brasil real. Quanto mais se mostrava sério, o Brasil do centenário mais se expunha ao ridículo e se tornava objeto de humor. A famosa charge de Kalixto, representando um índio sendo impedido de entrar na festa do Centenário, tornou-se uma das representações humorísticas mais expressivas desse momento.</p>



<p>O fato é que os intelectuais humoristas que orbitavam em torno dessa revista tinham um projeto bem claro: o de dessacralizar o panteão cívico-nacional e destruir os pedestais que alçavam a posições de semideuses os ditos &#8220;grandes vultos&#8221; da história nacional, os chamados &#8220;homens a frente de seu tempo&#8221; (que o brasileiro tanto gosta de usar até os dias de hoje). Essa narrativa canônica, de caráter cívico-pedagógico, estava, definitivamente, na mira desses artistas. A &#8220;Ordem e o Progresso&#8221;, lema que, desde a Proclamação da República, era motivo de desavenças entre católicos conservadores, liberais e positivistas, transformava-se em &#8220;Desordem e Regresso&#8221;.</p>



<p>Por que falar da <em>D. Quixote</em> justamente agora? Porque, a pouco menos de dois anos, o Brasil completará 200 anos de sua &#8220;Independência&#8221;. E aí é impossível deixarmos de fazer várias perguntas: haverá o que &#8220;comemorarmos&#8221;, memorarmos juntos? Faz sentido a &#8220;comemoração&#8221;? Refletir ou comemorar? Que lugar o historiador ocupará nesse momento? O desgoverno que aí está no poder, tentando subtrair do país toda a dignidade/ imagem através do caos e da barbárie, ainda estará &#8220;reinando&#8221;, amparado por suas milícias e laranjais?&nbsp;</p>



<p>Creio que a missão dos &#8220;Quixotes&#8221; do primeiro centenário fosse, talvez, menos árdua e deprimente. &#8220;Ordem e Progresso&#8221; continua sendo, assim como na Primeira República, alvo farto de deboches e risos (ainda que de &#8220;nervoso&#8221;). No entanto, a &#8220;cara&#8221; do verde-amarelismo bolsonarista, mais do que patética, é criminosa. É com ele que o &#8220;Brasil oficial&#8221; festejará? Teremos liberdade de imprensa até lá? Continuaremos nos envergonhando diante da exibição dos símbolos nacionais? Afinal, estes foram assenhoreados e vilipendiados por antiintelectualistas, negacionistas da ciência, fanáticos religiosos, defensores de ditadura, de torturadores, de Terra plana e bajuladores dos EUA. Deixaremos que estes continuem arrogando para si o título de verdadeiros representantes da nação? Que danação!&nbsp;</p>



<p>Sem condições de traçar nenhum prognóstico sobre uma data mítica, simbólica, e muito menos ainda sobre o Brasil que existirá a poucos menos de dois anos, alerto para o nível de nossa perda de rumo. Perdemos o bonde da história. Que o bicentenário faça reacender em nós o desejo de propagar, insistentemente (ainda que &#8220;malhando a ferro frio&#8221; ou “lutando contra moinhos de vento”), uma história crítica, reflexiva, pública, amparada na pesquisa, na preservação dos acervos em arquivos, bibliotecas e museus, em diálogo constante com outras áreas do conhecimento. Que a nossa bandeira seja esta, e não a resignação diante de um nacionalismo artificial e hipócrita, segregacionista, negacionista, contrário à diversidade e à pluralidade de narrativas pautadas no comprometimento com os valores democráticos e os direitos humanos.&nbsp;</p>



<p>A despeito das especificidades de cada contexto histórico e dos inegáveis avanços na produção historiográfica, não hesito em afirmar: nossa missão, em pleno século XXI, continua sendo quixotesca! Não se trata de um quixotismo destruidor de tudo aquilo que julgamos &#8220;tradicionais&#8221; e &#8220;elitistas&#8221; em nossa cultura. Trata-se, antes de mais nada, de fomentar olhares problematizadores sobre o passado, analisando toda e qualquer narrativa e modelos explicativos como historicamente datados, como camadas do tempo sobrepostas a outras camadas. A percepção de que o conhecimento histórico é algo inerte, morto, à espera de ser resgatado intacto, tal qual aconteceu no passado, é ainda uma &#8220;grelha&#8221; interpretativa profundamente cristalizada em diversos segmentos da sociedade brasileira. Nesse sentido, se para a academia, a história-problema é banal, para a sociedade, está longe de sê-lo.</p>



<p>A overdose de informações que circulam nas redes sociais coloca muitos indivíduos diante da percepção de que toda e qualquer versão interpretativa sobre a história é &#8220;mais verdadeira&#8221; do que a ensinada pelos professores de história e historiadores.&nbsp;</p>



<p>Como o antídoto para as <em>fake news</em> não corre ainda em nossas veias, ficamos reféns de um mero negacionismo manipulado por ideologias perversas, que se dizem &#8220;neutras&#8221; e dividem a sociedade em trincheiras. Isso nos impõe o desafio de demonstrar, cotidianamente, que o grande potencial formativo da história não está em contrapor verdades x mentiras, mas em tornar possível a compreensão de que a história é &#8220;a ciência do homem no tempo&#8221; (Marc Bloch), e, como tal, precisa ser compreendida como um constante processo de construção. É preciso compreender as diferenças entre relativismo e perspectivismo, as interferências do mundo social sobre o conhecimento histórico, as batalhas narrativas e de memórias, as diferenças entre memórias e história, etc.</p>



<p>Portanto, se os humoristas da revista <em>D. Quixote</em> estavam empenhados na missão quixotesca de fazer uma <em>História do Brasil pelo método confuso</em> (como na paródia construída por José Madeira de Freitas em 1922), contrariando os argumentos de autoridade proferidos por historiadores vinculados a esferas oficiais de produção de saberes e culturas históricas (como IHGB, Museu Histórico Nacional, etc), hoje, a missão quixotesca é nossa. E, quando digo nossa, estou me referindo aos historiadores que lutam pela regulamentação da profissão e tentam ampliar seu espaço no mercado de trabalho. Para isso, no entanto, precisamos ir além do microcosmo acadêmico e buscarmos espaço em revistas de divulgação, redes sociais e canais de difusão voltados para o alcance de um público mais amplo. Só assim podemos ampliar o respeito e o reconhecimento diante da sociedade. Sem, é claro, jamais perder a doce loucura do humor que nos afasta das caretices ufanistas e nos faz ser ouvidos e manter a sanidade mental.</p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente:</strong> Sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me ao estudo da história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação. Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



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		<title>Segunda Guerra Mundial e a Problemática das Representaçoes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Modaneze]]></category>
		<category><![CDATA[Representações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lucas Mondaneze</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-drop-cap">A Segunda Guerra Mundial é um dos eventos que mais marcaram o imaginário de nossa sociedade. Definição máxima da guerra total, ela foi um evento cataclísmico cuja escala de destruição e brutalidade vão muito além da nossa compreensão e transformou completamente as estruturas que sustentavam o mundo até então. Suas consequências foram profundas e ditaram os rumos de boa parte da humanidade na segunda metade do século XX, e ainda hoje seus efeitos reverberam enquanto esse texto é escrito.</p>



<p>Fonte de inspiração para centenas de filmes, jogos e documentários, é um assunto que por vezes parece esgotado. Longe disso, suas representações muitas vezes são problemáticas, recheadas de estereótipos e cujos recortes tendem a interesses específicos. Isso não é novo na História e nem de longe uma exclusividade da Segunda Guerra Mundial; porém, a imagem que se faz desse momento histórico é, talvez, uma das mais marcadas na atualidade.</p>



<p>Por que lembrar mais de tal batalha em detrimento de uma outra? Qual o motivo de um líder político e/ou militar ser taxado como herói enquanto outros caem no ostracismo? As respostas são múltiplas, e não é raro estarem ligadas às perspectivas que as diferentes partes envolvidas consideram como verdadeiras. Ora, cada nação vencedora tem a sua história de como vivenciou a guerra e certamente acredita que sua contribuição foi fundamental para o resultado final (e indiscutivelmente foram, mas não na mesma escala como algumas querem fazer crer), o que torna necessário uma reflexão crítica sobre esses acontecimentos e uma análise mais ampla dos fatos.</p>



<p>Na teoria, isso não deveria ser difícil; mas na prática, é um movimento complexo. Isso se dá justamente pelo fato de que determinadas representações estão enraizadas em nossa mentalidade quando se pensa sobre a guerra e pelas paixões políticas/ideológicas que cercam essa discussão  &#8211; as quais, não obstante, causam uma certa cegueira em determinados indivíduos cujos ideais muitas vezes os impedem de enxergar a totalidade do processo. Nesse sentido, um dos pontos mais controversos nessa discussão se refere ao papel desempenhado pela União Soviética na derrota do nazifascismo. Dos amantes mais apaixonados do regime socialista &#8211; que consideram a atuação da URSS mais importante do que qualquer outro ponto para a queda do Terceiro Reich &#8211; a seus detratores mais fanáticos &#8211; que minimizam quase que completamente o sucesso soviético e o atribuem a fatores externos (notadamente a ajuda material recebida dos Estados Unidos, e em menor escala, da Inglaterra, para não falar do “general inverno”) -, falar sobre esse assunto tende a gerar extremismos nos quais a noção da realidade deixa muito a desejar. É sobre essa problemática que esse texto busca discorrer, ainda que não tenha a pretensão de tratar da totalidade desse tema que renderia não apenas um, mas uma sequência de artigos.</p>



<p><strong>Ambiguidades Soviéticas</strong></p>



<p>Falar da participação soviética na Segunda Guerra Mundial é um pesadelo para qualquer um que leve a sério o estudo sobre o assunto. Parte integrante da “Grande Coalizão” Aliada, lutando ao lado de nações abertamente antagônicas à sua existência (a partir de 1941) e sendo fundamental para quebrar o ímpeto da Wehrmacht<strong>-1</strong> (até então, considerada virtualmente invencível), o regime socialista liderado por Joseph Stalin foi, indiscutivelmente, uma peça chave para a “virada” da guerra a partir de 1942. Certamente, tal importância fornece sólidos argumentos a aqueles que vêem com bons olhos o regime socialista. A icônica cena da bandeira vermelha tremulando no topo do Reichstag com uma Berlim em ruínas ao fundo torna fácil de se esquecer, e por vezes deliberadamente ignorar, que o Exército Vermelho e a Wehrmacht marcharam lado a lado sob uma Polônia dilacerada por interesses não somente alemães, mas também soviéticos, em 1939. É assustadoramente comum ler sobre a “invasão nazista da Polônia”, que oficialmente deu início a guerra (é válido lembrar que na Ásia, o conflito já acontecia desde 1937 na China), e ignorar que tal invasão nazista foi, na verdade, um ataque conjunto e coordenado entre Hitler e Stalin, fruto do inesperado pacto Molotov-Ribbentrop de agosto daquele ano, que uniu, provisoriamente, duas nações declaradamente inimigas. Até certo ponto.</p>



<p>Ao contrário da Primeira Guerra Mundial, na qual ambos os blocos antagônicos eram mais ou menos definidos e pouco se alteraram no decorrer do conflito (com as exceções mais conhecidas da Itália, originalmente aliada a Alemanha e a Áustria que passou a lutar contra as mesmas em 1915, e a retirada da Rússia da guerra após a Revolução em 1917), o segundo conflito trouxe relações diplomáticas um tanto quanto ambíguas, para não dizer contraditórias.</p>



<p>Se olharmos para 1939, data oficial do início do conflito, constatamos claramente a existência de três nações agressoras. A Alemanha, certamente, vinha tomando medidas cada vez mais arriscadas no xadrez geopolítico europeu, culminando com a anexação da Áustria em 1938 e o desmembramento e posterior ocupação completa da Tchecoslováquia em 1939. O regime nazista tinha claras intenções belicistas e era perceptível, para um observador mais atento, que Hitler não pararia de reivindicar novos territórios, inevitavelmente caminhando para a guerra.</p>



<p>Na Ásia, o Japão, que havia se consolidado como uma potência imperialista ao longo das primeiras décadas do século XX, travava uma guerra aberta contra uma caótica China -que, paralelamente, vivia uma sangrenta guerra civil. A invasão japonesa em 1937 era o resultado de um conjunto de ações agressoras por parte do império do sol nascente naquela região que se iniciou com a invasão da Manchúria e o estabelecimento de um Estado fantoche em 1931.</p>



<p>A terceira nação agressora em 1939 era ninguém menos que a União Soviética. Além de um conflito de fronteira &#8211; limitado, mas sangrento &#8211; travado nos confins da Mongólia contra o Japão desde meados de 1938 (cujas consequências serão duradouras, apesar do relativo esquecimento em relação a tal evento), o Exército Vermelho marchou sob a Finlândia em novembro de 1939 numa guerra não provocada com interesses abertamente expansionistas &#8211; mas que, apesar de tratado à parte do conflito mundial, está intrinsecamente ligado a ele. As consequências da “Guerra de Inverno”, como ficou conhecida, são diversas. Primeiro porque atuação das forças soviéticas, recém modernizadas e mecanizadas, lutando contra um inimigo inferior em número e equipamentos, foi no mínimo desastrosa. As baixas sofridas foram desproporcionalmente altas e eram consequência direta dos expurgos stalinistas ocorridos em 1938 &#8211; que resultaram no aprisionamento e fuzilamento dos mais notáveis comandantes militares do Exército Vermelho (alguns sobreviventes seriam libertados e reinseridos no comando após a invasão nazista em 1941 e as desastradas intervenções de Stalin nas decisões militares), os quais foram substituídos por oficiais além de inexperientes, incompetentes. Isso reforçou a percepção que as potências europeias tinham a respeito do Exército Vermelho enquanto uma força numerosa, mas ineficiente, e alimentou as fantasias de Hitler de vencer a URSS em semanas, tempos depois. Essa subestimação grosseira provou ser fatal ao Terceiro Reich.</p>



<p>Além disso, cogitou-se entre os Aliados (nesse momento, leia-se França e Inglaterra) o envio de uma força expedicionária para combater os ​<em>soviéticos </em>n​a Escandinávia, ainda que tais nações ​<strong>não estivessem em guerra contra a URSS e, sim, com a Alemanha</strong>​. Isso ajuda a ilustrar bem a corda bamba que é tratar dos blocos e das relações diplomáticas na fase inicial da guerra. O ataque à Finlândia não é o único exemplo da agressão soviética. Em meados de 1940, Stalin anexou à URSS os países bálticos (Estônia, Lituânia e Letónia) e também a região da Bessarábia e partes da Bucovina, pertencentes à Romênia &#8211; todos territórios anteriormente sob domínio do Império Czarista. No mesmo período, a economia soviética foi responsável por enviar substanciais quantidades de recursos e materiais que alimentaram a máquina de guerra alemã durante a ​<em>Blitzkrieg<strong>-2</strong>, </em>​resultando em vitoriosas campanhas naquele ano.  </p>



<p>Frente a isso, é perceptível que essa aproximação entre campos ideológicos extremamente antagônicos é fruto do oportunismo de ambas as partes e, estruturalmente, não eliminava a desconfiança mútua que iria culminar, em junho de 1941, na eclosão da maior, mais sangrenta, genocida e não menos decisiva frente de toda a guerra.</p>



<p><strong>Sequelas da Guerra Fria: Os recortes e as (In)compreensões</strong></p>



<p>Nos 45 anos subsequentes à Segunda Guerra Mundial, a humanidade viveu a Guerra Fria &#8211; a qual opôs sistemas políticos, econômicos e ideológicos em virtualmente todos os aspectos da sociedade. Um dos seus maiores campos de batalha foi, sem dúvida, a propaganda; através dela, ambas as partes atuaram com excelência na construção de representações e idealizações que favorecessem seus respectivos blocos. O conflito entre capitalismo e socialismo &#8211; sintetizado em seus maiores representantes, os Estados Unidos e a União Soviética &#8211; alterou as estruturas geopolíticas, econômicas e sociais da segunda metade do século XX, deixando marcas muito visíveis na atualidade. E num contexto desses, claro, a luta pela memória também foi acirrada; afinal, tais nações foram, de longe, as duas mais importantes para o resultado final da Segunda Guerra Mundial. De um lado, a valorização &#8211; e por que não, a superestimação &#8211; das ações de uma; do outro, a diminuição do papel da outra e a criação de justificativas para seu sucesso.</p>



<p>Afinal, quem nunca ouviu falar do Dia D? Maior operação anfíbia de todos os tempos, reunindo uma frota com milhares de navios, lanchas de desembarque, mais de 12 mil  aeronaves? Um louvável feito logístico, presente em praticamente todos os jogos sobre a guerra e pano de fundo para diversos filmes que mostram o heroísmo daqueles que participaram da “libertação” da França em 1944. O quanto tal evento teria sido importante para a derrota nazista? Sem dúvidas, a Operação Overlord foi um dos pontos altos de toda a guerra e consistiu em abertura efetiva de uma segunda frente de combate na Europa, tornando possível o fim da guerra em maio de 1945; porém, sua representação não condiz exatamente com a realidade. E esse não é o único exemplo.</p>



<p>Primeiro problema: seja em jogos ou em filmes, o Dia D é representado pelos desembarques das forças norte americanas na praia de Omaha, onde a resistência alemã foi tenaz e transformou o desembarque num abatedouro humano. De fato, os feitos para quebrar a resistência naquele setor foram notáveis; porém, Omaha era uma das cinco praias-alvo da operação, e o banho de sangue ocorrido ali não se repetiu nas demais praias &#8211; onde os desembarques ocorreram sem grande problemas (no outro setor designado aos EUA, a praia “Utah”, por exemplo, somaram apenas 197 baixas durante a invasão). De fato, as baixas somadas das demais praias mal chegam ao número de mortos e feridos em Omaha; ou seja: a épica batalha do Dia D que vimos nas primeiras cenas de “O Resgate do Soldado Ryan” (1998) foi limitada a um setor específico, numa exceção à regra do que ocorreu naquele dia &#8211; ainda que seja automático pensar o oposto exatamente pela maneira como esse recorte é explorado e chega ao público geral. Isso certamente não diminui os méritos dessa operação que superou desafios imensos em todos os sentidos e obteve êxitos notáveis, notadamente nos desafios logísticos imensos e no sucesso da contra-inteligência aliada na preparação para a invasão; mas ainda assim. </p>



<p>Segundo, o avanço dos Aliados Ocidentais foi extremamente vagaroso nos meses seguintes (principalmente devido a imensa dificuldade de abastecimento das tropas) e, ainda que tenham conquistado vitórias importantes (notadamente no Cerco de Falaise, onde metade das forças combatentes alemãs foram capturadas) e a expulsão da Wehrmacht do território francês, seria somente a partir de março de 1945 que teria início efetivo a invasão da Alemanha pelo oeste. Naquela altura, o Exército Vermelho já se aproximava rapidamente de Berlim.</p>



<p>Por outro lado, quantos de nós já ouvimos falar da “Operação Bagration”, desencadeada em 22 de junho de 1944, duas semanas após o Dia D e que causou o colapso de todo o sistema defensivo da Wehrmacht no Leste? Poucos, com certeza. Tal ataque, um dos maiores orquestrados em toda a guerra, expulsou completamente os alemães do território soviético e os levou diretamente para Varsóvia, deixando as fronteiras do Reich ao alcance de uma invasão. Segundo Ian Kershaw:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Do ponto de vista alemão, as dimensões dessa calamidade quase não poderiam ser exageradas. Em 150 dias, entre mortos, feridos ou desaparecidos, as forças alemãs no leste perderam mais de 1 milhão de homens — 700 mil deles desde agosto (&#8230;) Em relação às perdas humanas, o desastre no front oriental ocorrido no verão de 1944​ <strong>era de longe a pior catástrofe militar na história da Alemanha</strong>​, com resultados ainda mais infelizes que os da carnificina de Verdun na Primeira Guerra Mundial e perdas muito acima das registradas em Stalingrado”</em></p>



<p>Ou seja, do ponto de vista militar, os eventos de junho de 1944 no ​<em>leste</em>​ causaram, de longe, muito mais impacto para o rápido colapso do que restava do sistema defensivo alemão (já em grandes dificuldades naquela frente desde 1943) do que os desembarques na Normandia. A Operação Bagration foi fundamental para estabelecer as bases para o avanço final do Exército Vermelho &#8211; desencadeado em janeiro de 1945 que somente pararia no ​<em>Führerbunker</em><strong>-3 </strong>e​m Berlim -, enquanto que o Dia D agravou ainda mais a situação alemã, mas demorou a render frutos decisivos.</p>



<p>A escolha de dois episódios para exemplificar a problemática das representações se faz devido à sua proximidade temporal e pela escala em que ambas as operações foram desencadeadas, mas cujas consequências imediatas são perceptivelmente diferentes. Ainda assim, dentro da historiografia ocidental, os eventos no Leste são constantemente ignorados e, quando não, acabam por serem lembrados em apenas algumas linhas &#8211; o que ilustra bem a discrepância entre o discurso e a realidade.</p>



<p><strong>Construindo estereótipos</strong></p>



<p>O problema não para por aí.  Ignorada sistematicamente pelo cinema durante a Guerra Fria, a Frente Leste passou a ser tema de alguns filmes a partir dos anos 2000 (após a queda da União Soviética) e também se tornou parte integrante de diversos jogos de guerra baseados no segundo conflito mundial &#8211; notadamente a série ​<em>Call Of Duty</em>​. Porém, salvo raras exceções, tais representações do Exército Vermelho são extremamente enviesadas e cercadas de estereótipos. Vejamos dois exemplos. </p>



<p>Lançado em 2001, o filme “Círculo de Fogo” (​<em>Enemy At The Gates) </em>​narra o duelo entre dois atiradores de elite numa Stalingrado em ruínas. O personagem soviético, Vassili Zaitsev, de fato existiu, enquanto seu arqui-inimigo, o Major König, é fictício. Mas ao assistir o filme, nos deparamos com uma trama onde há, em determinados momentos, uma tentativa de “humanização” do soldado nazista &#8211; ao passo que o verdadeiro vilão do filme se torna, até certo ponto, o próprio regime soviético simbolizado no personagem do comissário político Danilov (Joseph Fiennes), responsável pela propaganda de guerra. De maneira mais clara, em diversos momentos, tal obra mostra o descaso dos comandantes do Exército Vermelho com seus homens, enviando-os para a batalha muitas vezes desarmados. Essa obra inspirou diretamente nosso segundo exemplo: o jogo Call Of Duty (2003), cujas missões finais em Stalingrado remetem diretamente ao filme, chegando a reproduzir detalhe a detalhe algumas de suas cenas. Até que ponto essas representações se aproximam da realidade?</p>



<p>De fato, as tropas soviéticas enfrentaram uma escassez de armamentos na fase inicial da guerra, nas caóticas semanas que se seguiram à invasão nazista em junho de 1941. As perdas astronômicas, tanto em soldados quanto em material em um curto período de tempo associado ao avanço da Wehrmacht sobre as regiões industriais, levaram a uma complexa operação de desmonte e de realocação de fábricas inteiras para além dos Montes Urais, longe do alcance alemão, o que ocasionou num colapso logístico. Porém, a Batalha de Stalingrado iniciou-se na segunda metade de 1942, quando a indústria de guerra soviética já fornecia equipamentos em quantidade suficiente para as tropas e vinha introduzindo, em maior escala, armas iguais ou superiores às alemãs (como o tanque T-34 e os caças Yakolev).</p>



<p><strong>Para além da representação: o fator soviético, decisivo ou superestimado?</strong></p>



<p>Certamente a União Soviética não foi a responsável pela vitória sobre o Terceiro Reich sozinha. Porém, sua contribuição para o colapso do regime nazista é substancialmente mais decisiva para o resultado da Segunda Guerra Mundial na Europa do que a das demais nações aliadas. E por quê?</p>



<p>Simplesmente, porque a Frente Leste foi, e de longe, o maior teatro de operações de toda a guerra. A escala dos recursos empregados por ambos os lados, a violência generalizada e o caráter genocida daquela campanha vão muito além dos limites da compreensão humana. A Operação Barbarossa em si, que deu início ao confronto mais sangrento de todos os tempos, permanece como a maior ação militar da história. Mais de 3 milhões de soldados do Eixo, apoiados por 3.600 tanques, 600 mil veículos motorizados, para não citar o número equivalente de animais designados para o transporte, cruzaram as fronteiras soviéticas na madrugada de 22 de junho de 1941, numa decisão que até hoje gera controvérsias.</p>



<p>Teria sido o erro fatal de Adolf Hitler abrir uma nova frente de combate sem ter dobrado a Grã Bretanha no oeste, considerando os recursos limitados da Alemanha?</p>



<p>Primeiro, devemos ter em mente de maneira muito clara que o embate entre União Soviética e o Terceiro Reich possui algumas características bem específicas. Diferentemente da invasão da França em 1940, por exemplo, onde o objetivo central era a vitória militar, o ataque à União Soviética possuía motivações ideológicas. Desde os princípios do movimento nazista, na década de 1920, um dos pilares que sustentava sua doutrina era a luta contra o bolchevismo. Dessa maneira, esse conflito ia muito além da confrontação militar: era uma guerra de aniquilação entre duas ideologias completamente antagônicas, na qual não havia limites morais ou éticos, e cujo objetivo era a completa erradicação dos ideais que tais nações representavam. Segundo, as motivações para o ataque também se baseavam em questões estratégicas: Hitler acreditava que a Grã-Bretanha permaneceria na guerra mesmo em condições desfavoráveis, pois apostava em obter apoio externo. Os Estados Unidos, apesar de fornecerem apoio material e terem rompido com o Eixo, não tinham apoio popular para intervir. Restava, então, a URSS: a última potência militar na Europa. Uniam-se, dessa forma, as considerações militares junto a quase obsessão nazista em eliminar o regime bolchevique. A luta em duas frentes era ao mesmo tempo consequência do impasse no Ocidente e uma tentativa de quebrar esse próprio impasse.</p>



<p>Ou seja, foi a Frente Leste que mobilizou mais recursos, sendo palco das maiores e mais sangrentas batalhas, e onde ocorreu a maioria esmagadora de baixas de toda a guerra &#8211; tanto entre militares quanto em civis. Comparar essa frente com as demais, mesmo que somadas, é simplesmente desproporcional: dos estimados 70 a 85 milhões de mortos da Segunda Guerra Mundial, 30 milhões foram vitimados no Leste<strong>-4</strong> , e aproximadamente 75-80% de ​<strong>todas as baixas militares alemãs em toda a guerra ocorreram contra a União Soviética</strong>.​</p>



<p>Diante desse cenário, de acordo com Norman Davies, é impossível afirmar que a atuação dos Aliados ocidentais e da União Soviética foi “50 a 50”. Certamente, a atuação coordenada da “Grande Coalizão” foi fundamental no processo em si, mas não é possível tratar suas contribuições de maneira igualitária. É exatamente devido a essa disparidade que surgirão, durante a Guerra Fria, os discursos e representações visando diminuir o peso do Exército Vermelho na vitória de 1945, os quais irão alimentar os estereótipos que resistem até hoje.</p>



<p>Nesse sentido, muito se falará do imenso apoio material que a União Soviética recebeu do Ocidente, alegando que foram esses recursos que permitiram o Exército Vermelho manter-se na luta. Mais uma vez, a contradição dos discursos será marcante: a historiografia soviética tenderá a ignorar ou reduzir esse apoio enquanto o Ocidente irá superestimá-lo. Em ambos os casos, é uma visão equivocada. É inegável que a ajuda material ocidental foi, no mínimo, muito importante para manter o as forças soviéticas abastecidas na fase final da guerra e, consequentemente, ajudou a manter seu ímpeto ofensivo entre 1944-45. Milhares de caminhões, viaturas e locomotivas provenientes dos EUA foram fundamentais para a logística de transporte do Exército Vermelho. Entretanto, o que é convenientemente ignorado é o fato de que tal apoio material apenas começou a chegar em quantidades para fazer alguma diferença prática a partir de 1943, quando a União Soviética já havia saído vitoriosa de combates decisivos em Moscou, em Stalingrado e em Kursk, virando a sorte da guerra permanentemente a seu favor. No seu momento mais crítico, ou seja, nos meses seguintes à invasão em 1941, onde as perdas do Exército Vermelho foram colossais, não havia material ocidental nos campos de batalha no Leste. Norman Davies é enfático ao afirmar que o <em>Lend-Lease</em><strong>-5</strong> , ao contrário do caso britânico, “não fez a diferença entre a vitória e a derrota” para o Exército Vermelho. Marc Ferro complementa:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Com a Guerra Fria, os anglo-saxônicos e os franceses tendiam a atribuir as vitórias do exército soviético à ajuda logística norte-americana &#8211; o suprimento de material bélico pelo porto de Murmansk e por terra pelo Irã -, ​<strong>enquanto, na verdade, esse fornecimento de suprimentos só se realizou bem mais tarde</strong>​” (P.89, 1995)</em></p>



<p>Ou seja, A União Soviética resistiu entre 1941-42 e recuperou-se do choque inicial por contra própria. Vale lembrar também que as batalhas de Stalingrado e Kursk causaram impactos profundos na Wehrmacht, a qual jamais se recuperou de tais derrotas. Isso não torna o esforço dos demais Aliados menos digno de ser lembrado,  nem tampouco altera o fato das numerosas atrocidades e crimes de guerra cometidos pelo Exército Vermelho durante a guerra; porém diminuir o peso da sua importância na queda do regime de Adolf Hitler é um grave equívoco que compromete completamente a compreensão do que foi a Segunda Guerra Mundial. Acima de qualquer outro confronto, ela foi uma luta ideológica &#8211; assim como os combates pela sua memória, que permanecem até hoje.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Notas:</strong></p>



<p><strong>1-</strong> “Força de Defesa”, designa o conjunto das forças armadas alemãs: a Luftwaffe (Força Aérea), o Heer (Exército) e a Kriegsmarine (Marinha)</p>



<p><strong>2-</strong> “Guerra-Relâmpago”. Conjunto de táticas operacionais empregadas pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, com grande foco em rápidas ações coordenadas entre divisões blindadas (Panzers), apoio aéreo aproximado, visando nocautear o inimigo em um curto espaço de tempo. Estrategicamente, refere-se a forçar a rendição do país inimigo em poucas semanas.</p>



<p><strong>3-</strong> Complexo fortificado construído no subsolo de Berlim, onde Hitler e sua corte passaram seus últimos dias.</p>



<p><strong>4-</strong> Segundo ​Krivosheev<br><strong>5-</strong> Denominação do programa de empréstimos e arrendamentos promovido pelos EUA que forneceu os mais diversos recursos de guerra para os demais Aliados, notadamente a Grã-Bretanha e União Soviética.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Referências:<br>DAVIES</strong>​, Norman. ​<strong>“Europa na Guerra &#8211; 1939-1945 Uma Vitória Nada Simples”</strong>​. São</p>



<p>Paulo: Record, 2009.<br><strong>FERRO</strong>​, Marc. ​<strong>“A História da Segunda Guerra Mundial”</strong>​. São Paulo: Ática, 1995</p>



<p><strong>GILBERT</strong>​, Martin. ​<strong>“A</strong>​ <strong>Segunda Guerra Mundial: Os 2.174 dias que mudaram o Mundo”. </strong>São Paulo: Casa da Palavra, 2014</p>



<p><strong>KERSHAW</strong>​, Ian. ​<strong>“Hitler”</strong>​. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.<br>_________, ​<strong>“O Fim do Terceiro Reich”, </strong>​São Paulo: Companhia das Letras, 2015</p>



<p><strong>KRIVOSHEEV</strong>​, G.F. ​<strong>“Soviet Casualties and Combat Losses in</strong>​ <strong>the Twentieth Century”</strong>​. Greenhill Books, 1997.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d8baa-auor.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11223" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Lucas Modaneze </strong>é graduado em História pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e tem como área de interesse a História Contemporânea, com ênfase nos estudos sobre as Guerras Mundiais. Atua no Laboratório de Estudos e Pesquisas em História (LEPH) da mesma instituição e é um dos organizadores do site “<a href="http://atavernadobloch.wordpress.com">Taverna do Bloch</a>”.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c3625-begaleria4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10720" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Revisita ao Arminho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[O Arminho Dorme]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-drop-cap">Quando eu era adolescente, não via muito sentido em reler livros. Até os dezessete anos, eu alimentei a gana de querer ler todos os livros já publicados no mundo, e essa tarefa se tornaria completamente impossível caso eu resolvesse reler qualquer coisa. Eu tinha lá os meus livros com páginas marcadas para os quais voltava, gastando poucos minutos na releitura de trechos marcantes, que faziam palpitar meu coração adolescente; mas reler um livro inteiro?! Jamais!</p>



<p> Poucos anos se passaram, é verdade. Mas nos últimos seis anos&#8230; ah, muita coisa mudou. Passei pelo processo de parar de escolher leituras; lia o que chegasse pra mim e aceitava o randômico como um presente do universo. E um derradeiro dia, me surgiu a ideia de ter uma biblioteca apenas com os títulos que me tocassem mais – o que fez com que muitos livros fossem vendidos e doados. Lá se foram os Diários do Vampiro, Jogos Vorazes, livros infantis e paradidáticos dos anos escolares. Menos um: <strong><em>O Arminho Dorme</em></strong>.</p>



<p>Eu estava na oitava série, a primeira vez que li <strong><em>O Arminho Dorme</em></strong>. O ano era 2011, a minha idade era 14, e a minha professora de Português se chamava Vera. E o principal motivo de eu me lembrar de tantos detalhes é o fato de ter sido o primeiro dez que eu recebi em uma prova de interpretação de texto (curioso).</p>



<p>Este dez, porém, não foi por acaso. Eu já tinha me encantado por livros paradidáticos da escola antes, mas nada que chegasse nem perto do Arminho. O imaginário do meu <em>self</em> pré-adolescente foi completamente colonizado pelas imagens de uma Florença do século XVI, regida pela família Médici (patrona das artes), e da vida dessa garota, Bianca, com seu vestido azeviche e seu branco arminho. Fiz incontáveis pesquisas sobre a história da cidade, da família ducal e, especialmente, sobre a protagonista de uma história tão incrível aos olhos de uma adolescente esquisitinha que sonhava com um passado dourado e glorioso. Eu me identificara tanto com Bia de Médici que precisava saber que ela tinha sido real (e, em minha mentalidade estritamente kardecista de então, não pude deixar de cogitar se eu mesma não era reencarnação da menina do Arminho, ao descobrir que, sim, a personagem do livro tinha sido real). Cheguei à escola com um trabalho de excelência, que trazia até mesmo a reprodução fotográfica da pintura citada no livro, feita por Bronzino, e citada na narrativa.</p>



<p><strong><em>O Arminho Dorme</em></strong>, de Xosé A. Neira Cruz, foi publicado pela primeira vez em 2003. Fruto de pesquisa intensa do autor, o livro é uma ficção histórica contada por Bianca de Médici – a filha bastarda do grão-duque Cosimo I de Florença; protagonista, “Bia, a doce Bia” conta sobre sua vida e suas experiências sob a égide de uma identidade dupla: cobrada em suas atitudes como princesa, desconsiderada socialmente como bastarda. E na lembrança carinhosa do único sobrevivente entre os paradidáticos da minha biblioteca, já com uma outra percepção sobre releituras, reli. Em voz alta. A voz falhou em diversos momentos, confesso.</p>



<p>O Arminho ficara sentado entre os meus livros de maior impacto, esperando calmamente uma revisita da minha parte, e me apresentou uma história que era a mesma, e que não era a mesma, seis anos depois. Dessa vez, os olhos que o leram são de uma jovem-adulta autoconsciente que sonha com um futuro colorido e pacífico; e as páginas verdes, de gramatura alta, escritas em fonte Kepler e recheadas de palavras em italiano escritas por um espanhol me tocaram de uma forma diferente.</p>



<p>Eu não sei bem o motivo que me levou às lágrimas diante das leituras do tarô, da visão do arminho no estandarte sienês ou do coração sempre aberto de Bia; mas entendo que seja mais do que simples nostalgia. À parte de julgamentos anacrônicos que tendemos a fazer de obras literárias a partir de nossas lentes de desconstrução, digo que o Arminho vem envelhecendo bem.</p>



<p>Talvez eu não dissesse isso hoje, caso fosse a minha primeira leitura. Construção de narrativas e de personagens são, atualmente, meu objeto de estudo acadêmico; e eu, com certeza, consigo perceber muito mais sutilezas e falhas nesses processos do que eu era capaz aos quatorze anos. Se me conheço bem, reclamaria da heterossexualidade de Bia e da ausência de qualquer representatividade minoritária, criticaria o pouco desenvolvimento de outras personagens que não a protagonista, me decepcionaria profundamente com o fim da história – que, apesar de inevitável, é um tanto quanto piegas -, e já estaria pronta para transcrever o livro e reeditá-lo, trocando vírgulas por pontos-vírgula e travessões, entre outras frescuras que tenho. Mas o Arminho é a história perfeita que é justamente por não ser ideal (na visão de uma jovem editora em 2020) e, ainda assim, estar envelhecendo bem. </p>



<p>Dezessete anos depois de sua primeira publicação, o Arminho ainda é um livro tocante, que conversa com o íntimo do leitor. Sua narrativa passa longe de fazer pouco de alguém, e mostra, à sua própria maneira, pontos de crítica e educação social (e eu continuei a me identificar com Bianca, mesmo frente a sua heterossexualidade compulsória e a seu gosto questionável para homens). Suas palavras carregam cores únicas, criam imagens quase tangíveis, transportam a mente para uma Florença de quinhentos anos atrás e a mantém lá com cada frase, cada descrição, cada respiro de cada personagem. Dezessete anos depois, o Arminho continua vivo. E talvez isso seja tudo que um livro precisa para envelhecer bem.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/5a704-carolcad-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8747" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é uma mulher cisgênera bissexual. Jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atua como Social Media na Peregrina Digital, assistente de edição na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c3625-begaleria4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10720" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Delight</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">The leaden sky
Myriads of droplets
Hot tea
The violin sound
Absorbed
Each movement
Endless time
Sliding in
Musical notes
I can feel it
Just breath
Fast hands
I can fly
Deep in my thoughts
Arms ballet
Possessed by music
Tangling the strings
Another dimension
Powerful feelings
I rule the galaxy
Sacred experience
One to the Universe
Inside myself
There are no limits
Life rhythms</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Economias latino-americanas só terão retomada se curva de contágio for achatada</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/economias-latino-americanas-so-terao-retomada-se-curva-de-contagio-for-achatada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=11204</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Um novo relatório conjunto de Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indica que somente se a curva de contágio da pandemia da COVID-19 for achatada, as economias da região poderão ser retomadas.</p>



<p>O relatório propõe uma abordagem com três fases que incluem a adoção de políticas de saúde, econômicas, sociais e produtivas destinadas a controlar e mitigar os efeitos da pandemia, reativar com proteção e reconstruir de maneira sustentável e inclusiva.</p>



<p>Alguns países têm levado a região a se tornar no atual epicentro da pandemia, encabeçando as estatísticas de casos mundiais. Em 29 de julho, foram registrados mais de 4,5 milhões de casos de COVID-19 e quase 190 mil mortes na América Latina e no Caribe.</p>



<p>Um número significativo de países está longe de alcançar um achatamento sustentado e significativo da curva de contágio. No nível social e econômico, a pandemia desencadeou uma inédita crise econômica e social, e, se medidas urgentes não forem tomadas, esta poderá se transformar em uma crise alimentar e humanitária, disseram os organismos da ONU.</p>



<p>Segundo o relatório intitulado “<a href="https://www.cepal.org/es/publicaciones/45840-salud-economia-convergencia-necesaria-enfrentar-covid-19-retomar-la-senda">Saúde e economia: uma convergência necessária para enfrentar a COVID-19 e retomar o caminho para o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe”</a>, a pandemia tem afetado profundamente os meios de subsistência das pessoas na região.</p>



<p>De forma imediata, provocou a recessão mais abrupta da história que, de acordo com as projeções da CEPAL, implicará uma queda do crescimento regional de 9,1% em 2020, acompanhada de um aumento do desemprego para 13,5%, elevação da taxa de pobreza de 7 pontos percentuais, para 37,3% da população, e um aumento da desigualdade com um avanço médio no índice de Gini de 4,9 pontos percentuais.</p>



<p>Os sistemas de saúde da região, que já estavam subfinanciados e fragmentados antes da chegada da COVID-19, enfrentam fragilidades na resposta à pandemia.</p>



<p>O gasto público em saúde dos países da região alcança em média, 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) regional, abaixo dos 6% recomendados pela OPAS. Uma terça parte da população ainda enfrenta algum tipo de barreira para acessar os serviços de saúde de que necessita.</p>



<p>O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (30) em uma coletiva de imprensa virtual conjunta liderada por Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.</p>



<p>Segundo o documento, os altos graus de desigualdade acompanhados por elevados níveis de pobreza, informalidade, desproteção social e limitado acesso à saúde oportuna e de qualidade explicam os altos custos sociais que a pandemia está tendo na região.</p>



<p>Na dinâmica do contágio, também influem o alto grau de urbanização e metropolização – mais de um terço da população vive em cidades de 1 milhão de habitantes ou mais – e pelos déficits acumulados nas cidades em termos de confinamento, falta de serviços de água e saneamento, e transporte público lotado.</p>



<p>Apesar do comprometimento e dedicação do pessoal de saúde, as fragilidades históricas do sistema público de saúde também contribuíram para a vulnerabilidade da região.</p>



<p>O relatório afirma que a matriz da desigualdade na região coloca certos grupos em uma situação especial de vulnerabilidade, entre os quais os idosos (85 milhões), trabalhadores informais (54% do emprego regional), mulheres (a maioria em atividades informais,&nbsp;com aumento do trabalho não remunerado&nbsp; e&nbsp;maior exposição à violência doméstica), povos indígenas (60 milhões de pessoas e com comunidades que podem desaparecer), pessoas afrodescendentes (130 milhões de pessoas em 2015), pessoas com deficiência (70 milhões de pessoas) e migrantes. Todos esses grupos necessitam de uma atenção especial que&nbsp;atenue&nbsp;suas condições especiais de vulnerabilidade.</p>



<p>Em termos de saúde,&nbsp;as famílias&nbsp;financiam mais de um terço&nbsp;dos gastos com atenção à saúde&nbsp;com pagamentos diretos do próprio bolso, cerca de 95 milhões de pessoas devem&nbsp;enfrentar gastos catastróficos&nbsp;em saúde e quase 12 milhões ficam empobrecidas devido&nbsp;a esses gastos.</p>



<p>A disponibilidade média de médicos e de leitos hospitalares não chega nem à metade daquela de países desenvolvidos, como os da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que representa importantes barreiras de acesso.</p>



<p>Por outro lado, e devido à pandemia, o atendimento a outras doenças foi adiado ou interrompido, o que começa a refletir em um excesso de mortalidade que indica os efeitos profundos do deslocamento tanto da oferta como da demanda de serviços.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Controle,&nbsp;</strong><strong>retomada&nbsp;e reconstrução</strong></h3>



<p>Para enfrentar a pandemia e seus efeitos a curto e longo prazo, a CEPAL e a OPAS propõem um conjunto&nbsp;de princípios de&nbsp;ação e políticas, e uma ampla gama de medidas de saúde, sociais e econômicas a serem&nbsp;implantadas&nbsp;em três fases não lineares e inter-relacionadas: controle,&nbsp;retomada&nbsp;e reconstrução.</p>



<p>Três mensagens articulam as medidas propostas pelas duas organizações para enfrentar a pandemia: não há abertura econômica possível sem que a curva de contágio tenha sido controlada, e não há retomada possível sem um plano claro para evitar o aumento do contágio.</p>



<p>Além disso, as medidas sanitárias direcionadas para controlar a pandemia (entre elas a quarentena e o distanciamento social) devem ser implementadas de forma articulada com as medidas sociais e econômicas destinadas a atenuar os efeitos da crise, uma vez que essas últimas facilitam o cumprimento das medidas sanitárias.</p>



<p>Finalmente, reconstruir melhor implica promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo com a igualdade no centro, avançando na transformação produtiva e na criação de um estado de bem-estar.</p>



<p>“Avançar na igualdade é fundamental para o controle eficaz da pandemia e para uma recuperação econômica sustentável na América Latina e no Caribe. Devemos atender à emergência e implementar uma estratégia para superar as debilidades estruturais das economias e sociedades. Por esse motivo, mudar a estratégia de desenvolvimento é essencial na região”, afirmou Bárcena.</p>



<p>“Enfrentamos um desafio sem precedentes, que requer sistemas de saúde sólidos e bem financiados para superar essa crise e, assim, poder se recuperar. Investir em saúde pública até alcançar pelo menos 6% do PIB, com ênfase particular na atenção primária à saúde, é proteger as realizações alcançadas na saúde, mas também, assegurar o desenvolvimento sustentável e enfrentar a crescente pobreza e as desigualdades na região”, disse Etienne.</p>



<p>“A saúde é um direito humano fundamental e o acesso deve ser universal, sem deixar ninguém para trás. A saúde de nossas comunidades, mas também de nossas economias depende disso”, acrescentou.</p>



<p>O relatório indica que a lista de medidas sugeridas por ambas organizações repousa na necessidade de articular as políticas de saúde com as econômicas, sociais e produtivas.</p>



<p>Entre elas, se destacam os testes, o seguimento de contatose&nbsp;medidas de saúde pública como quarentenas ou de distanciamento social, e o fortalecimento dos sistemas de saúde, com um enfoque na atenção primária à saúde e garantindo o cumprimento das funções essenciais de saúde pública.</p>



<p>Essas medidas deveriam ser acompanhadas pelas políticas de Renda Básica de Emergência (IBE), do Bônus contra a Fome e da proteção do setor produtivo, que apoiam as medidas de saúde.</p>



<p>Juntamente com essas medidas imediatas, é delineado um conjunto de abordagens estratégicas para a reconstrução com o reconhecimento da saúde como direito humano e bem público garantido pelo Estado, o fortalecimento da saúde pública, a consolidação de sistemas de proteção social universais e integrais, a implementação de uma política fiscal progressiva e um gasto público suficiente, eficiente, efetivo e equitativo, aceleração na transformação digital, a redução da dependência regional de produtos médicos importados e mudanças na matriz produtiva, juntamente com um impulso no investimento verde.</p>



<p><strong>Mais informações:</strong></p>



<ul><li><a href="https://live.cepal.org/">TRANSMISSÃO AO VIVO</a>.</li><li>Documento CEPAL-OPAS completo.&nbsp;<a href="https://www.cepal.org/es/publicaciones/45840-salud-economia-convergencia-necesaria-enfrentar-covid-19-retomar-la-senda"><strong><em>Saúde e economia: uma convergência necessária para enfrentar a COVID-19 e retomar o caminho para o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe</em></strong></a>&nbsp;(em espanhol).</li><li><a href="http://www.cepal.org/sites/default/files/pr/files/hoja_informativa_-_ops_cepal._por.pdf">Folha informativa. Principais conclusões do relatório</a>.</li><li><a href="https://www.cepal.org/es/temas/covid-19">Observatório COVID-19 da América Latina e do Caribe</a>.</li></ul>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/economias-latino-americanas-so-terao-retomada-se-curva-de-contagio-for-achatada-diz-relatorio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 30/07/2020 &#8211; Atualizado em 30/07/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/91549-begaleria20-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10841" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


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		<title>Prolescravo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Jakie Annibale]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Jackie Annibale</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/prolescravo/">Prolescravo</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje acordo mais tarde<br>Piso descalço no chão gelado<br>sinto medo no paladar do dia a dia<br>a cidade começa sua dança<br>Rugas nas minhas mãos<br>Mostra meu passado<br>Nunca me senti abençoado<br>Aprisionado pelo estado capital<br>Minha algema a carteira de trabalho<br>Me iludem com a promessa do salário<br>13º, pis, FGTS, são todos meus pecados<br>Ainda dizem que todo trabalhador é revoltado<br>Revoltado nunca mas sempre humilhado<br>Na sua corte chamada Ministério do Trabalho<br>Por isso somos como os escravos<br>Nas horas de descanso bebemos dançamos festejamos<br>Para esquecer do nosso fardo<br>e mais uma vez acordo na sarjeta<br>Meu Deus já é hora do trabalho<br>E como sempre<br>Meu ônibus está atrasado&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Jackie Annibale</strong> é nascido em Juiz de fora, <a href="http://instagram.com/castawaytattoo">tatuador</a> desde 2014 e anda de skate desde 1999. Foi influenciado pela cultura do skate, hardcore e de rua.  Escreve sobre a nossa realidade dentro do contexto de cada pessoa, tentando imaginar como seria ser aquela pessoa em todos os aspectos pra expressar suas angústias e motivações. Fala sobre política, sentimentos, e qualquer coisa que o inspirar. Conheça mais do seu trabalho no <a href="http://instagram.com/jackieannibale">Instagram</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>30. Metamorfose</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/30-metamorfose/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=11214</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Ele não sabia o que fazer com aquela luz intensa ofuscando seus olhos. Mesmo de óculos escuros, não conseguia fixar-se em um ponto sequer no horizonte de seu raio de ação. A única coisa que lhe surgia eram sons que vinham do vizinho, indiscerníveis ainda, pois não conseguia conectá-los, afundá-los em sua mente, criando a harmonia necessária. Sujeitou-se ao caos, às ruínas de sua obscuridade mórbida. Pegou um cigarro amassado do bolso, acendeu-o com certa dificuldade e puxou um grande trago pra dentro de si, aliviando a tempestade interior. Sentou-se num toco de madeira, ao redor de um grande jardim florido, soltando baforadas intermitentes e suavizantes. Abaixou a cabeça, percebendo-se descalço, pisando na grama, remoendo-a entre os dedos. Os sons vieram agora aos ouvidos, invadindo a sua tortuosa alma, sua inquieta percepção sensorial. Dele, podia-se ver tudo: alma, cabelos, cérebro, corpo, troncos, excrementos existenciais rolando da face, respingando na grama amassada pelos pés já serenos. Tudo ali buscava por ele, mas ele mesmo não estava presente, perdido em algum canto de flor, em algum jarro de planta, em alguma pedra digerida pelo tempo, em algum tronco carcomido pela umidade. Fragmentos de outro homem, na melindrosa trilha de formigas que trabalham para a natureza. Ele trabalhava não sabemos para quê ainda, mas, mesmo fragmentado, tinha noção de que não sairia ileso disso, não sairia o mesmo. E não saiu.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94898-darlan_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10407" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:18px"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/75260-galerialuis1-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10529" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Quarto vazio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Karina Mendonça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Sentada naquele quarto vazio,
Escutando apenas o barulho
Causado pelo eco do meu silêncio.


Senti-me como aquele quarto,
Vazia! De palavras, de sentimentos.
Só não sentia o vazio da dor.


Uma dor que doía, machucava.
Uma dor que me tirava o ar.


Queria respirar, mas não conseguia.
Não haviam frases a serem ditas,
E nem sequer havia quem as ouvissem.


Enfim, levantei-me! Abri a porta.
Sai. Olhei para trás, e desejei
Não sentir aquilo nunca mais.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Karina Mendonça</strong> é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-large-font-size"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/d.nowicki/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cb40a-galeriademetrio3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10523" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p></p>
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