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	<title>Arquivos Ano 002, N 057 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; 100.000 vidas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gilberto Gil]]></category>
		<category><![CDATA[Lorraine]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lorraine Mendes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Falhamos como sociedade. Falhamos como modelo civilizatório. Falhamos.</p>



<p>Perdemos todos. Eu e você, que me lê. Perdemos amores, parentes, amigues, pessoas queridas, perdemos conhecidos de conhecidos, desconhecidos. Perdemos.</p>



<p>Perdemos até o que não sabíamos que tínhamos e que se escondia em alguma dita normalidade: perdemos, no meio de tanta perda, algum sentir.</p>



<p>Não sei se nossa fisiologia ajuda, se a mente dá um jeito, mas nos acostumamos. <strong>Nos acostumamos o suficiente para sair para passear no meio de 100 mil corpos</strong>. Perceba, não é um texto que culpabiliza quem está saindo para passear, depois de 5 meses de incertezas e medo. É um texto só que aponta onde chegamos.</p>



<p>100 mil vidas. Perdemos. Mas a vida tem que seguir. Fico lidando também com as minhas urgências e vontades. Compro pela internet, escrevo, publico, vejo lives, cuido, a vida vai acontecendo e tem suas demandas.</p>



<p>Mas em algum momento, há de vir o luto. Eu não sei se já veio, se vai vir mais forte quando finalmente andar na rua e perceber as ausências e lugares de afeto que não existem mais.</p>



<p>Não sei. Não sei de muita coisa. Depois de 5 meses de incertezas e medo, não sei de muita coisa. Só sei que seguimos a vida. Nem todos de nós falamos sobre as 100 mil vidas perdidas entre gargalhadas. Que bom.</p>



<p>Quem ri, quem manda seguir porque quem tem que morrer morre mesmo, e daí?</p>



<p>Quem faz isso não perdeu nada, nunca teve.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:29% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fa215-lorrai.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11020 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Lorraine Mendes </strong>é professora substituta da EBA-UFRJ, Doutoranda em Artes, Cultura e Linguagens pelo IAD-UFJF, artista e tatuadora.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg6_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11383" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Feminismo &#038; Islam: uma relação contemporânea</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lima]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Islam]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Clarice Lima</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes de qualquer discussão acerca da relação entre o Islam e o feminismo, é importante ressaltar que a religião islâmica carrega em sua essência um caráter de equidade e Justiça Social. Mas o que isso significa realmente? </p>



<p>O Islam representa mais do que uma simples crença na vida do muçulmano; é uma religião que transcende a subjetividade da fé e institui orientações de como se portar e agir dentro de uma sociedade. Significa, também, que o Islam propõe a busca de uma sociedade equitativa, no sentido de que não se aceita qualquer relação de opressão (seja machismo, racismo e etc.) e concebe que a Justiça Social deve prevalecer em qualquer sociedade, garantindo, assim, direitos fundamentais a todo e qualquer ser humano.</p>



<p>Essa equidade mencionada também é vista dentro das relações de gênero; ou seja, no Islam, homens e mulheres são vistos como seres igualitários, sem quaisquer noções de superioridade, e também são dotados de direitos equitativos. Há 1.400 anos, quando o Alcorão foi revelado, Deus teria se ocupado de garantir que mulheres fossem vistas e respeitadas da mesma maneira que os homens. É nessa época que mulheres muçulmanas recebem o direito a voto, o direito à propriedade e à herança, o direito ao trabalho, o direito ao estudo, o direito ao dote, dentre uma série de vários direitos a fim de estabelecer uma sociedade islâmica pautada na equidade. Nesse sentido, <strong>o Feminismo se torna dispensável para o Islam, uma vez que as muçulmanas tiveram sua autonomia, direitos e liberdades garantidas por Deus.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/09777-altmfeminism_islam_by_youngfemradio-d4z6qds.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11377" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Mas isso quer dizer que o Feminismo e/ou Feminismo Islâmico não é válido? Ou que mulheres muçulmanas não precisam se articularem e nem reivindicarem seus direitos?</p>



<p> A resposta não é nada simples e nem objetiva, pois outras questões precisam ser levadas em conta. Primeiramente, é necessário entender que, de 1.400 anos pra cá, muitas sociedades e comunidades islâmicas foram suprimindo as garantias divinas outrora estabelecidas, principalmente após a extinção dos Califados e a abertura para o Ocidente. O professor e escritor Sherif Abdel Azim sintetiza essa problemática da seguinte maneira:</p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>Devemos esclarecer primeiro, que as enormes diferenças entre as sociedades muçulmanas acabam por gerar generalizações muito simplistas. Há um vasto espectro de posturas em relação à mulher no mundo muçulmano atual. Essas posturas diferem de uma sociedade para a outra e dentro de cada sociedade individual. Contudo, podemos discernir certos traços gerais. Quase todas as sociedades muçulmanas, em maior ou menor grau, se desviaram dos ideais do Islam, com respeito à condição das mulheres. Estes desvios, na maior parte, direcionam-se para uma ou duas direções. A primeira é mais conservadora, restritiva e orientada pelas tradições, enquanto que a segunda é mais liberal, orientada pelos costumes ocidentais </em><br><em>(AZIM, 2013, p. 74).</em></p>



<p>Outro ponto a ser entendido é que, diante desse contexto em que o Feminismo Islâmico surge e ganha vida, seu objetivo é muito bem definido: Exigir, através de uma interpretação religiosa, que os direitos revelados no Alcorão sejam respeitados e restabelecidos dentro da comunidade. Nesse sentido, o feminismo islâmico não emerge com o intuito de sobrepor o Islam, muito menos para deslegitimar o Alcorão; ele se propõe a questionar sociedades/comunidades muçulmanas que negligenciam a religião e seus ensinamentos tais quais são descritos no Livro Sagrado. Em resumo, o <strong>Feminismo Islâmico reivindica a reinstituição dos direitos estabelecidos por Deus, que foram suprimidos pelos homens ao longo do tempo</strong>.</p>



<p>Essa corrente feminista, devido a interpretações equivocadas, é alvo de muitas críticas dentro das comunidades muçulmanas, que não entendem o seu verdadeiro propósito.&nbsp; Essas críticas e sentimento de aversão acaba por dificultar o avanço dessa ideia e impossibilita a adesão de muitas muçulmanas que foram/são vítimas desse descaso, mas essa dificuldade não impede as muitas conquistas das mulheres muçulmanas sejam em países de maioria muçulmana ou em comunidades situadas no Ocidente. <strong>Nos últimos anos, o mundo presenciou grandes fatos históricos que tiveram notoriedade como a reconquista, pelas mulheres sauditas, de direitos anteriormente perdidos como direito ao voto em 2015.</strong></p>



<p>Logo, é importante se fazer a seguinte reflexão: <strong>quem estaria errado, os homens que negligenciam a religião retirando os direitos concedidos por Deus ou as mulheres que reivindicam a aplicação da vontade divina?</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Clarice Lima </strong>é professora e pesquisadora. Mestra em Linguística Aplicada (PPgEL), licenciada em Letras e Bacharela em Comunicação Social. Ama estudar Feminismo &amp; Islam, assim como identidades femininas islâmicas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg10-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11388" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Os Escafandristas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“É preciso exclamar para que a realidade não canse&#8221;. A frase está no romance <em>Amar, verbo intransitivo</em>, de Mário de Andrade, e certamente é a minha preferida da lavra do escritor paulista – que no geral não me comove tanto. Lamento. A ideia de viver em estado de espanto, por outro lado, mobiliza até minhas células. A exclamação é como uma exigência existencial pra mim, e isso, em meio à presente necessidade de recolhimento, distanciamento social, quarentena etc, às vezes torna meus dias um tanto mais&nbsp; complicados que de costume. Não raro a sensação é de sufocamento.</p>



<p>Noutro dia, experimentando um momento desses, de sufocamento, recorri à meditação para tentar diminuir a ansiedade. Me tranquei no quarto, fechei as cortinas, acendi um incenso, coloquei o celular no modo “não perturbe”, selecionei uma <em>playlist</em> específica para a finalidade no <em>Spotify</em>, deitei com a coluna bem reta, inspirei fundo e expirei lentamente&#8230; inspirei fundo de novo&#8230; expirei lentamente outra vez&#8230;</p>



<p>“Não se afobe não que nada é pra já”&#8230; “Não se afobe não que nada é pra já”&#8230; Evoé, Chico! Um pouco de reticência não vai me matar. “O amor não tem pressa / ele pode esperar em silêncio”&#8230; Mas minha natureza exclamativa não se rende tão facilmente.</p>



<p>O Rio já é uma cidade submersa&#8230; O Brasil também. A América Latina&#8230; E os Estados Unidos! “Cidadão não;&nbsp; engenheiro civil, melhor que você!”; “Acabou, porra!”; “I can’t breath! I can´t breath”! Os escafandristas abrem a porta do meu quarto e arrombam minhas janelas. Estão no meu quarto, astronautas aquáticos no ar, soltando bolhas de água azul brilhantes no escuro e que se acumulam no teto. O cômodo vai virando uma piscina de ponta-cabeça. Eu assistindo a tudo, imobilizado. Quero gritar, chamar a atenção para o fato de estar vivo, mas minha postura monástica não permite; eu posso respirar e justamente por isso não me movo.&nbsp;</p>



<p>Os exploradores se aproximam de mim com curiosidade e cautela. Nem a penumbra do espaço nem a opacidade dos vidros dos capacetes me impedem de imaginar a expressão de espanto em seus rostos encapsulados. É nítido o que lhes passa pela cabeça: que estranha múmia é essa? como esse corpo resiste a tantos anos de adversidade? quem é esse homem placidamente deitado, como dormindo na solidão de um quarto simples, mas confortável, enquanto seus iguais morrem ao relento, doentes, loucos, presos, assassinados ou convertidos em zumbis cegos e pegajosos?</p>



<p>Minha cândida expressão facial com certeza não reflete a angústia crescente dentro de mim. Os mergulhadores, depois de algum tempo examinando atentamente meu rosto com suas lanternas potentes coladas à minha pele, passam a investigar cada centímetro de meu corpo inerte sobre a cama, depois as paredes, o armário, minhas coisas&#8230; Eles não me tocam, e eu ainda posso ler seus pensamentos de arqueólogos intrigados com cada novo achado. Me surpreendo um pouco com algumas observações deles: por que tantos cachecóis, numa região sabidamente quente? Tantos livros, quadros e pequenas esculturas, e quase nenhum porta-retratos; esse deve ser um homem só.</p>



<p>Eles pensam nessas coisas quando um deles vê o celular ao meu lado na cama. A tela está quebrada, mas ainda registra o dia e a hora em que aparentemente tudo parou: 20 de julho, 10:30h. O homem pisou pela primeira vez na Lua em um 20 de julho, pensamos juntos, eu e meus estranhos visitantes. “Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade”, lembramos mudos. Já fomos capazes de viajar ao&nbsp; espaço, mas ainda não aprendemos a mergulhar a fundo em nós mesmos. Pelo menos não em segurança.</p>



<p>Súbito algo úmido me roça a cara. Penso que as bolhas de água azul brilhante presas ao&nbsp; teto estão finalmente rebentando e que o afogamento literal é iminente. Com enorme esforço começo a mover meu corpo e o movimento chama a atenção dos escafandristas, que voltam a se aproximar mais de mim e dirigem suas lanternas de novo para o meu rosto. A luz e a umidade aumentam, meu esforço também; um dos mergulhadores tenta me olhar mais de perto e toca meu nariz com o vidro gelado do visor de seu capacete. Consigo enfim abrir os olhos e só então reconheço a pessoa por trás do vidro, me olhando nos olhos: eu mesmo. “AAahhhhh!!!!!!!”</p>



<p>Levanto num sobressalto e sem querer arremesso longe minha cadela, que cresceu habituada a às vezes dormir no meu peito. Ela se encolhe num canto do quarto e de lá me olha como a um estranho. Respiro fundo buscando recuperar a calma e a confiança dela, que resiste, parecendo mesmo não me reconhecer. Sorrio e ensaio seguir em frente.</p>



<p>Só que, ainda sentado na beira da cama, entre o espelho do guarda-roupas à minha frente e o espelho da cabeceira atrás de mim, percebo minha imagem se refletindo incontáveis vezes. Centenas, milhares de olhos me olham e se espantam com o que veem&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a42c-luciano-19.23.45.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11365 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência (<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>)</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg4_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11385" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/">[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Toda banda ou artista solo precisa de um suporte nas suas gravações, uma mente que conduza o processo de composição e de gravação para chegar ao resultado sofisticado que temos em nossas mãos.</p>



<p>Gravar e produzir música, em qualquer escala, é uma tarefa difícil, e ainda mais concorrida em tempos nos quais a tecnologia nos proporciona gravações em casa; e o que pode ser um baque para a grande indústria fonográfica, vira uma oportunidade para os artistas locais e regionais.</p>



<p>Sobre isso e muitas outras coisas, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o Guilherme Flauzino (Guilf), que é baixista da banda Contratempo, professor de música e produtor musical. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d1bbd-guilf.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11362" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guilf, produtor musical e baixista da banda Contratempo</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Como começou essa vontade de ter um estúdio e ser produtor? Você sonhava em fazer outra coisa?</strong></p>



<p><strong>Guilf</strong>: Sou músico desde 2010, e em meados de 2013/14 eu comecei a me aventurar por esse mundo de gravação &#8211; ate então, sem compromisso. Eis que um amigo meu, Pablo Abritta, me propôs gravarmos uma musica dele (já cantávamos algumas coisas juntos de bobeira na época). Eis que viemos até a minha casa e gravamos a música de forma bem informal: gravamos no celular e jogamos no computador para mixar/misturar tudo. Após finalizada a música, Pablo resolveu me pagar &#8211; de inicio não aceitei mas ele insistiu e foi meu primeiro pagamento de gravação, R$20,00 na época, me rendeu um bom combo de hambúrguer, batata e refri (risos). Depois disso, como já tinha uma pequena experiencia, comprei uma interface e um microfone e cheguei a gravar minhas bandas, ate que um primo de um dos meus bandmates resolveu que seu ministério de musica cristã iria ser produzido por mim. Aí sim, foi minha primeira produção oficial, um CD de 10 musicas. Sobre sonhar outra coisa, acho que sempre soube que trabalharia com música, mas demorei um bom tempo até bater esse martelo.</p>



<p><strong>T: Entendendo os processos hoje, e as facilidades para montar um home estúdio, você acha que isso torna o mercado musical mais disputado? Como exemplo a premiação para Billie Eilish.</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Sim e não, pois por mais que agora hajam mais profissionais da área, nunca falta trabalho pra ninguém. Se existem 10 produtores, pode ter certeza que existem umas 50 bandas/cantores para serem gravados, basta continuar buscando melhorar, tanto como profissional, quanto como ser humano (ninguém merece trabalhar com gente chata). Além do mais, sempre defendi que todo músico deve procurar ser versátil e tentar, ao menos, entender o básico de tudo, além de seu próprio instrumento. Especialmente agora na pandemia, saber se gravar se tornou algo essencial para que a banda não pare totalmente.</p>



<p><strong>T: Você poderia comentar sobre o quanto a premiação internacional a um álbum em casa com recursos emulador afetam a indústria hoje? Abbey Road que te aguarde?!</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Já vi produtores grandes e com longa estrada reclamarem dessa facilidade, ainda mais pelo fato de eu ser fruto dessa tal facilidade. Mas eu creio que as pessoas que buscam crescer, que divulgam bem seu trabalho e tratam os outros bem, elas vão sempre ter serviço. Por isso, não importa em que nível eu esteja, sempre vou buscar incentivar qualquer um que esteja começando. Como eu disse antes, não falta gente pra ser gravada!</p>



<p><strong>T: Você é muito fã dos Beatles e do Queen. Tem alguma coisa deles que você gostaria de regravar com o seu olhar e incluir no álbum deles?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Não incluiria nada em seus álbuns pois já os amo, mas tenho um sonho pessoal de regravar Bohemian Rhapsody, minha musica favorita de todos os tempos, onde eu tocaria e cantaria tudo! Uma curiosidade: Foi o primeiro Rock que ouvi na minha vida, quando criança eu tinha uma fita cassete com o filme “Vida de Inseto’’ e logo após o filme, tinha um clipe desse clássico do Queen; eu assistia muitas vezes e viciei, acho que isso foi o universo mostrando que eu seria rockeiro (risos).</p>



<p><strong>T: Dentro da cena da cidade, você tem alguns projetos. Conta pra gente sobre o seu primeiro projeto de gravação,  que te fez perceber que você levava jeito pra coisa e aquele projeto do coração (sem ciúmes dos envolvidos).</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Além da primeira produção oficial e não oficial que citei ai em cima, no meio desses dois acontecimentos, cheguei a gravar minha primeira banda, se chamava “All Break’’. A musica gravada se chama “Free For One Day’’, de minha autoria. Gravamos tudo em casa, com emuladores, e claro que o resultado não foi dos melhores; mas me deu um prazer descomunal ouvir aquilo e pronto, bater no peito e dizer ‘’EU QUE FIZ”. Por mais que eu tenha produzido muitos artistas incríveis &#8211; inclusive a <a href="https://open.spotify.com/album/57CepkKZYCHFNzi6JjPa2L?si=F8wQ5qtwQhyD767c_tMEDQ">Veraluz</a> banda desse belíssimo entrevistador -, meu projeto do coração não poderia ser outro se não o EP <a href="https://open.spotify.com/album/3p7OTO4VFwbDHHqsAiuv3P?si=5UlElWvwTdGic_YvhMTUdA">Atemporal</a>, de uma das minhas bandas atuais, Contratempo. O trabalho, que completou 2 anos de existência em junho agora, foi uma grande vitória na minha vida!</p>



<p><strong>T: Como funciona o trabalho de gravação na sua casa, quais os desafios e as vantagens do home estúdio?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Hoje, meu único problema é o espaço. Infelizmente, pelo fato de eu morar em um apartamento e usar um quarto para trabalhar, isso acaba impossibilitando de que eu faça coisas como gravar duas ou três pessoas juntas, ou mesmo, uma bateria completa.</p>



<p><strong>T: Diante da pandemia, muito se questiona sobre a ausência do contato com certos equipamentos e timbres &#8211; que não ficam bem emulados no computador. Você concorda com isso? Como vê os desafios de uma gravação à distância?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Particularmente, eu sou muito a favor das emulações. Por mais que não seja a mesma coisa que uma bateria real, ou um amplificador real, é possível se tirar um sonzão dali &#8211; vide muitos famosos que já fizeram musicas nível grammy só com emuladores!</p>



<p><strong>T: Sobre a cena da produção musical aqui em JF: você tem contatos, fez colabs, tem encontrado boas parcerias?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Em JF, temos profissionais incríveis que, além disso, são pessoas excelentes, com quem sempre troco figurinhas sobre o assunto. Creio que, de alto nível em JF, posso citar o Mauricio Havila, do estúdio Sonidus &#8211; um cara que admiro demais, tanto pessoal quanto profissionalmente; além do Nando Costa, outro profissional sensacional que é daqui, mas hoje mora fora. Fora eles, dá pra falar de outros profissionais excelentes da cidade que já trabalham com isso há um tempo; os mais próximos a mim hoje são o Bernardo Merhy e o Guilherme Henrique, que eu considero como irmãos. Tem também quem está começando agora; inclusive, tenho incentivado muito um outro amigo, Jones Mendes, a começar nesse ramo &#8211; cheguei a ceder dois clientes meus para ele.</p>



<p><strong>T: Juiz de Fora é um celeiro de bandas boas, e uma delas, com certeza, é a Contratempo. Como é estar na banda e também mixar tudo? Já pensaram em dividir a produção? Como foi esse processo da gravação de vocês?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Como eu disse, foi uma vitória pessoal e profissional termos feito o Atemporal, mas o processo foi um pouco desorganizado, muito por minha culpa. Acho que, por inexperiência na época, não soube coordenar bem &#8211; especialmente a parte da pré produção (etapa que antecede a gravação). Talvez não tivéssemos demorado quase 3 anos para a finalização do trabalho, caso eu fosse mais experiente. Mas tudo ocorreu do jeito que tinha que ser, e no próximo trabalho (estamos planejando um álbum), tenho certeza que estarei bem mais capacitado.</p>



<p><strong>T: Recentemente você também lançou outro single seu, Beleza no Caos. Vem alguma composição nova por aí?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Pois é! Tenho algumas musicas próprias por ai, em meu Spotify, além da “Beleza…’’; também tenho uma outra: “Se Tem Amor’’, de 2016. Alguns amigos têm feito campanha para que eu lance um EP solo, e posso admitir que me convenceram. Já estou trabalhando nisso; porém, aos poucos.</p>



<p><strong>T: Agora uma brincadeira: se você pudesse colocar um álbum que fosse a cara de JF, qual seria e porquê?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Pergunta extremamente difícil, mas vou citar aqui meu álbum favorito: Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, de 1967 &#8211; creio eu que um dos álbuns mais importantes da história. Cito ele pelo fato de se parecer com um álbum conceitual onde temos o inicio e o fim de um espetáculo. Juiz de Fora, por ser um celeiro de ótimas bandas, tem um cotidiano musical que sempre será um grande espetáculo. E na capa, clássica e reinterpretada por muitos, seriam todos esses personagens que fazem parte da musica juizforana.</p>



<p><strong>T: Como alguém pode começar um home estúdio hoje? Manda umas dicas de cursos e uns equipamentos básicos.</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Muitos dos profissionais que citei acima dão seus cursos, seja presencial ou online; e  recomendo a <a href="https://universidadedoaudio.com/">Universidade do Áudio</a>, plataforma online que contém muitos assuntos referentes a todas as etapas da produção musical. Recomendo, também, ouvir muita musica diferente, e trabalhar para que se expurgue qualquer preconceito musical da sua vida. A começar pelo fato de que preconceito já não é algo bom em âmbito nenhum, e completo com um fato que venho experienciando desde que comecei: “Tudo ajuda em tudo’’. Já peguei referencias do sertanejo e usei em rock, e etc. Então, abra a sua mente o máximo que conseguir, te fará muito bem!</p>



<p><strong>T: Quais as suas indicações de artistas e suas considerações finais para encerrarmos esse momento?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Não vou citar artistas específicos, mas valorizem os artistas da sua cidade; eles têm MUITO a oferecer! Deixo também uma frase sobre o momento atual:<br>“…por mais que seja bem dificil, talve seja importante aprendermos a ter paciência de contemplar um pouco de beleza nesse caos.”</p>



<p><strong>Ouça o single mais recente do Guilf, produzido por ele mesmo</strong>: <strong>Beleza no Caos.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-9 wp-has-aspect-ratio wp-embed-aspect-9-16"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Spotify Embed: Beleza no Caos" style="border-radius: 12px" width="100%" height="80" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/track/3lpFu3h6lVOHs3dxtKAWlf?si=xgM8WwHcSy6KdgouKGTBfw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1f607-fotos-carol-copy.psd2_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11391" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Tear</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Doula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lorena Andrade</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Fui chamada pro tear dos sonhos &#8211; ou sobre quando o capital e o patriarcado se infiltram pra te manter acorrentada.</p>



<p>Um tempo atrás, uma mulher muito querida foi convidada pra um &#8220;tear dos sonhos&#8221; e me chamou. Ela estava empolgada e fez o convite como quem descobre algo completo: finanças e afeto sob uma roupagem alternativa.</p>



<p>Ouvi as expectativas dela e recebi um áudio de uma mulher que estava prestes a &#8220;realizar o sonho&#8221; de fazer uma viagem internacional.</p>



<p>Como fiquei muito desconfiada, fiz aquela pesquisa básica no Google e pronto! Tudo que eu desconfiei tinha fundamento: era um golpe, havia jurisprudência confirmando crimes de estelionato e uma suspeita de extorsão. Enviei tudo pra ela, mas era tarde demais &#8211; o verniz das &#8220;telarinas&#8221; já tinha tampado os olhos e os ouvidos dela.</p>



<p>Passa o tempo e começam a pipocar notícias de inquéritos e processos correndo contra mulheres envolvidas nesse golpe de pirâmide econômica.</p>



<p>Novamente, recebo outro convite; mas diferente da primeira vez, em que neguei, dessa vez tive a curiosidade de ver como funciona a abordagem no Zoom das &#8220;chispas&#8221; &#8211; que é como chamam as mulheres que foram convidadas para se iniciarem nessa &#8220;mandala&#8221;.</p>



<p>O discurso parece copiado ou roteirizado: falam de sororidade, irmandade, se chamam de &#8220;manas&#8221;, falam contra o patriarcado, contra o capital, contra o sistema, de conexão, de sonhos e do fatídico &#8220;presente&#8221;.</p>



<p>[Nota de meio de texto: o presente aqui é um depósito de R$5.004,00 doado por cada uma das 8 mulheres que se iniciam no golpe]</p>



<p>Eu nunca dei um presente desse valor nem para os meus filhos &#8211; ao menos nunca assim, de uma bolada só. Vocês se imaginam fazendo isso a uma total desconhecida e acreditam que a queda do patriarcado e a falência do capitalismo vem desse gesto?</p>



<p>Meu intuito aqui com esse texto é alertar, especialmente, mulheres! Vocês estão em pleno gozo se suas faculdades mentais, mulheres, não se menosprezem!</p>



<p>O que o capital e o patriarcado querem de nós é EXATAMENTE isso: que nos reunamos em segredo, que usemos uma linguagem inacessível e que lidemos com dinheiro e com poder na base do misticismo, com um ar de meritocracia que é típico dos instrumentos capitalistas no slogan &#8220;esforce-se, e haverá recompensa&#8221;.</p>



<p>Nem preciso dizer o quanto é incompatível a meritocracia com irmandade e fraternidade. Essas mandalas, teares, rodas e afins são elementos de aprisionamento mental, afetivo e financeiro, além de crime. Nada místico e nada alternativo.</p>



<p>Entendam, mulheres: o capital e o patriarcado querem isso de nós!</p>



<p>Dinheiro e poder NUNCA foram questão de energia; sempre foram roubados na base da opressão, da péssima divisão das riquezas e na marginalização de populações!</p>



<p>Para romper com essa lógica, além de gastar tempo, gasta luta! Não gasta mandala que aprisiona mulheres, que se apropriam de gestos e termos ancestrais pra manterem outras mulheres sob a égide patriarcal!</p>



<p>Círculos de cura entre mulheres sempre existiram e sempre foram profícuos porque o gesto de união é poderoso. Não porque em 2016, um grupo de neoburguesas brancas resolveu se reunir em encontros, munidas de símbolos apropriados de civilizações antigas (dos quais elas não fazem a menor ideia do que significam e exatamente por isso escolhem fazer um uso escuso) que tem toques de ciência, que são a cereja do bolo no pacote das miscelâneas equivocadas que compõem a retórica mandaleira.</p>



<p>Adoram falar de física quântica e do código de Grabovoi* com a superficialidade de enausear qualquer estudioso descomprometido.</p>



<p>Mas não se enganem, não é descuido ou equívoco do tear. Isso acontece para te encantar e te alienar; uma cortina de fumaça onde a luz só existe no palavreado.</p>



<p>Conseguem perceber como isso é interessante à manutenção do status quo? Pobre segue pobre, burguês segue querendo virar elite (nem que seja mandalando), e a elite olha pra baixo e ri; ou, quando não ri, se infiltra nessas rodas e faz girar o dinheiro que a sustenta. Dinheiro este, egresso das camadas que estão na base da pirâmide social.</p>



<p>Vêem o quanto isso segue sob o estigma do outsider fake? É como ocorreu na eleição do verme miliciano: o mote de campanha era &#8220;contra a corrupção&#8221; e &#8220;contra tudo isso que tá aí, talkei?&#8221;. Muitos de nós já sabíamos no que daria, mas um tanto de pessoas achou que era legítimo pagar pra ver &#8211; assim como estão a fazer centenas de mulheres que entram nesses esquemas criminosos, imbuídas de boas expectativas ou de uma curiosidade ancorada em algum nível de inconsequência.</p>



<p>O grande problema é que essa fraude rende frutos a cerca de 12% de mulheres apenas, enquanto 88% vê seu dinheiro jorrar por &#8220;sonhos&#8221; egoístas que nunca almejam as reformas estruturais que poderiam garantir acesso e real poder a todas as mulheres.</p>



<p>É uma alienação que tem dolo em manter mulheres acreditando que a tal &#8220;Nova Era&#8221; emerge de desejos por passeios internacionais ou aquisição de equipamentos que nunca retornarão às investidoras e que, também por isso, jamais atingirão a tão falada &#8220;queda do patriarcado&#8221; ou à &#8220;falência do sistema econômico&#8221; &#8211; e menos ainda a concretização de uma nova proposta de circulação de renda.</p>



<p>A relação entre os 12% de &#8220;agraciadas&#8221; e 88% de mulheres que não se esforçaram o suficiente para receberem o &#8220;regalo&#8221; é irmã gêmea do dado que diz que 2.153 bilionários possuem uma riqueza maior que 60% da população global.</p>



<p>Não é coincidência, nunca foi acaso! A lógica onde poucos tem muito sempre conta com a existência de muitos que nada terão.</p>



<p>Nesse golpe, perdemos todas. Obviamente, perdem as que investem R$5.004,00; como perdem também as que recebem, pois o dinheiro que as contempla envolve mulheres que nunca verão seus sonhos concretizados.</p>



<p>Dito isso, abram seus olhos, abram os olhos das mulheres ao seu lado e NÃO CAIAM NESSE GOLPE!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>*Grigori Grabovoi é um russo, condenado e preso por prometer ressuscitar crianças mortas num massacre terrorista e também promete curar câncer usando sequências de números.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:25% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42434-doula.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11359" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Lorena Andrade </strong></strong>é mãe, doula, feminista e parteira, necessariamente nessa ordem.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11381" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p></p>
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		<title>Ela, Humana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Ela]]></category>
		<category><![CDATA[Elis Bittencourt]]></category>
		<category><![CDATA[humana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Elis Bittencourt</p>
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<figure class="wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Ela, Humana" src="https://player.vimeo.com/video/367028545?h=f6ff9a02a8&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="950" height="571" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Direção: Elís Bittencourt<br>Direção de Foto: Jailton Duarte&nbsp;<br>Produção: Ingrid Bellenzier&nbsp;<br>Assistente de produção: Maria Carolina Carvalho&nbsp;<br>Elenco: Ana Campagnolo, Andressa Xavier, Angela Martins, Gabriela de Lima, Ingrid Pires, Marina Procházka, Sara Polva</p>



<p>Trilha Sonora (cedida pelo artista): Francisco, El Hombre</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Elis Bittencourt</strong> é quase formanda de Cinema, Elís Bittencourt aos seus 23 anos estuda e experimenta constantemente sobre audiovisual, fotografia e design gráfico. Sendo mulher e mãe, sempre busca percorrer assuntos que a representem.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg3_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11395" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>COVID-19 é grave ameaça para os povos indígenas, diz Bachelet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A COVID-19 é uma grave ameaça para os povos indígenas, num momento em que muitos também estão lutando contra os danos ambientais causados pela ação humana e&nbsp;<a href="https://acnudh.org/pt-br/covid-19-e-uma-ameaca-critica-para-os-povos-indigenas-bachelet/">várias formas de exploração econômica</a>.</p>



<p>O alerta foi feito pela alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, para a ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (9 de agosto).</p>



<p>Em quase todos os 90 países onde vivem, frequentemente em locais remotos, muitas comunidades indígenas têm acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento, salientou.</p>



<p>“O seu modo de vida comunitário pode aumentar a probabilidade de contágio rápido, embora em todo o mundo tenhamos visto exemplos inspiradores de comunidades indígenas tomando medidas baseadas na sua forte organização interna para limitar a propagação do vírus e reduzir os seus impactos.”</p>



<p>“Aqueles que vivem em ambientes mais urbanos sofrem com frequência com a pobreza multidimensional, danos que são agravados por uma severa discriminação – inclusive no contexto dos cuidados de saúde”, declarou.</p>



<p>Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas.</p>



<p>Houve mais de 1 mil mortes, entre elas a de vários anciãos com profundo conhecimento de tradições ancestrais, incluindo a trágica morte no Brasil esta semana do cacique Aritana, do povo Yawalapiti.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fd4de-image.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11320" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo</figcaption></figure>



<p>Nesta vasta região que abrange áreas de Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, 420 ou mais povos indígenas vivem em terras que estão cada vez mais danificadas e poluídas pela mineração ilegal, exploração madeireira e agricultura de corte e queima.</p>



<p>Apesar de regulamentações restritivas, muitas destas atividades econômicas ilegais têm continuado nos últimos meses. A movimentação de missionários religiosos também expõe as comunidades a um elevado risco de infecção.</p>



<p>“Os povos indígenas que vivem em isolamento voluntário das sociedades modernas – ou que se encontram nas fases iniciais de contato – podem ter uma imunidade particularmente baixa a infecções virais, criando riscos especialmente agudos”, disse Bachelet.</p>



<p>“As comunidades e povos que foram forçados a abandonar suas terras são também muito vulneráveis, particularmente aqueles que vivem em territórios transfronteiriços.”</p>



<p>Em junho, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) emitiu orientações sobre os direitos humanos dos povos indígenas no contexto da COVID-19.</p>



<p>O documento destaca práticas promissoras adotadas por vários países – muitas em estreita consulta com os povos indígenas – e enfatiza recomendações práticas com impacto imediato e a longo prazo sobre a saúde.</p>



<p>“De modo geral, a pandemia ressalta repetidamente a importância de assegurar que os povos indígenas possam exercer os seus direitos de autogoverno e autodeterminação”, disse a alta-comissária da ONU.</p>



<p>“Eles devem também ser consultados e devem poder participar na formulação e implementação de políticas públicas que os afetam, através de suas entidades representativas, líderes e autoridades tradicionais.”</p>



<p>Segundo ela, trata-se de salvar vidas e proteger “uma preciosa rede de culturas, línguas e conhecimentos tradicionais que nos ligam às raízes profundas da humanidade”.</p>



<p>“Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, meu escritório compromete-se a trabalhar com os povos indígenas, bem como com a Organização Mundial de Saúde, as equipes das Nações Unidas nos países, os mecanismos de direitos humanos da ONU, e os Estados, para apoiar uma melhor proteção dos seus direitos humanos fundamentais”, concluiu.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ONU pede apoio a povos indígenas durante a pandemia" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/HSTTzDG6yrk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/covid-19-e-grave-ameaca-para-os-povos-indigenas-diz-bachelet/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 07/08/2020 &#8211; Atualizado em 07/08/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


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		<title>Dessas raridades que acontecem em pequenas livrarias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na folga entre um trabalho e outro, sempre gostei de me dedicar à literatura, e isso não por algum tipo de conhecimento específico; acho que é só a sensação de que alguns autores são capazes de sintetizar exatamente o que sinto, mas não consigo colocar em palavra. Além do que, existe certa fuga arrogante: a de um homem de meia idade que se sente completamente perdido quando olha em volta e se dá conta de que há poucos assuntos em voga além das gafes do presidente ou de algum desastre ecológico previsto, mas ignorado. A literatura me investe poder.</p>



<p>Tentando fugir, resolvi conhecer uma pequena livraria que abriu as portas faz tempo no centro da cidade, na galeria Rio Branco. Me encantei com o lugar. Poucos livros, organizados, cheiro de coisa guardada e livreiros que sabem do que estão falando.</p>



<p>Naquele dia, cheguei no intervalo do almoço e fiz amizade com dono. O Paulo é um sujeito interessante, isso porque é novo. Baixinho, inteligente, uma fotografia de Rimbaud atrás do balcão, embaixo da escada caracol que leva à sobreloja. Bom conversador e ilustrador, me vendeu uma coleção de textos sobre o transcendentalismo americano em ótimo estado &#8211; mesmo se tratando de uma edição da década de 1940.</p>



<p>&#8211; O que você está procurando hoje? &#8211; Quando cheguei, foi assim que me recebeu.</p>



<p>&#8211; Na verdade, estou apenas distraindo os olhos. Imagino alguma coisa de história geral, talvez história da Inglaterra. Tenho me atraído pela política do Churchill. &#8211; E&nbsp; estava mesmo; o sujeito foi incisivo até o limite para convencer a Inglaterra a se antecipar aos avanços nazistas, e conseguiu segurar o rojão.</p>



<p>&#8211; Não me lembro de nada específico, mas na parte de cima da loja ainda existem títulos sem cadastrar; se você quiser subir, pode ficar à vontade. Vou passar um café para nós enquanto procura.</p>



<p>Subi e cheguei a um símile da loja de baixo, apenas mais bagunçada e com uma grande mesa no centro &#8211; comprida e maciça, onde livros poderiam ser espalhados à vontade. Comecei a deflorar as estantes. Alguma coisa sobre Sartre, autoajuda, manuais de ensino médio, nada excitante. O Paulo, talvez para me inspirar, colocou um CD do Chico Buarque tocando lá embaixo. Ele ouvia Tua Cantiga, e no meio da música escutei uma voz diferente, daí pensei: &#8220;mais um cliente, tomara que não suba aqui.&#8221;</p>



<p>Barulhos na escada e duas pessoas apareceram.</p>



<p>&#8211; Essa aqui é a Maria, ela trabalha com artes e vai dividir um pouco o espaço contigo. Este livro de fotos aqui é desajeitado pra olhar na mão, vai ser melhor na mesa. &#8211; Paulo dizia isso enquanto segurava com as duas mãos um desses calhamaços de arte que são enormes e sem jeito &#8211; Qualquer coisa, vocês me chamem.&nbsp;</p>



<p>Olhei-a de cima a baixo. Estava usando uma bota de canos altos desajeitada, vestido, cabelo selvagem, perfume forte que se podia sentir de longe e uma bolsa de lado. Eu não pretendia conversar, tanto que me virei de costas e sentei num banquinho baixo para fuçar nas prateleiras mais perto do chão.</p>



<p>&#8211; Você gosta de arte?</p>



<p>&#8211; É, gosto, mas não costumo gostar de livros de arte.</p>



<p>&#8211; Eu gosto, mas preciso de técnica, sabe, me indicaram conhecer um pouco mais sobre o tema, mas eu não sou muito fã de pinturas assim, prefiro desenhos de gente.</p>



<p>Eu não gostei dela nesse momento, mas seu olhar e a forma de falar, comendo letras em palavras num estilo brejeiro, eram hipnóticos. Me levantei e cheguei perto para descobrir se gostava do que estava olhando no livro. Não deu certo, tudo parecia poeira e mato, faltava gente ali, a moça estava certa. Minha respiração mudou um pouco, ficou curta. Ainda não parecia outra coisa senão o abafamento de uma sala cheia de livros com mais de cinquenta anos de idade e nenhuma janela.</p>



<p>Na hora em que me mostrava a imagem de um tipo de búfalo no meio de plantas baixas com uma tonalidade um pouco arroxeada ou lilás &#8211; agora eu não me lembro bem -, por descuido, ela apoiou a mão direita sobre as pontas dos meus dedos. Não acredito em almas gêmeas, em astros, em encontros astrais ou em qualquer dessas coisas que misturem um otimismo besta com a concretude das coisas que só são o que são, mas naquele momento foi como se eu a reconhecesse. Maria, por sua vez, me olhou de volta com os olhos assustados de quem é pego em flagrante.</p>



<p>Continuamos conversando, agora sobre literatura. Ela, e eu não sei porque, me contou que gostaria de viajar o mundo, conhecer pessoas, ser livre, mas não fazia porque morava com os pais e se sentia apegada a eles. Falamos sobre uma infinidade de coisas desde religião até poesia e, se me lembro bem, acabei agarrando por ali uma coletânea de textos de Drummond que dei de presente à mulher. Ficamos quanto tempo por lá, duas horas? Mais um pouco?</p>



<p>Maria grudou na minha retina. Primeiro, fiz questão encontrar defeitos. Pele marcada por espinhas, muito nova. Também merecia uma hidratação nos cabelos. As unhas das mãos não eram feitas, e a maneira como falava&#8230; Tudo se destacou até que eu tentasse apontar defeitos no rosto. <em>Cigana oblíqua e dissimulada</em>… meu deus, isso é brega demais.</p>



<p>Saí de casa para me distrair com livros e li uma mulher. A vida é pura ironia quando o assunto é o afeto. Ensinam para nós as belezas de Neruda para que tudo desande em Bukowski. Se quer saber, me apaixonei.</p>



<p>Trocamos telefones. Tudo bem, eu sei que não foi assim, mas eu sequer me lembro como foi, então, prefiro registrar dessa maneira. Nos despedimos e eu saí de volta pra casa. Era setembro.</p>



<p>Na rua, como de costume, observava as pessoas em sua rotina comum. Todo mundo está cansado daquele discurso enlatado do período das eleições. Para entender gente é preciso ser gente, e por isso eu sempre gostei mais das pessoas comuns. Passo muito tempo caminhando e reparando detalhes.</p>



<p>Quase chegando em casa, onde já não havia muita gente, o pensamento voou. Me lembrei que deveria desmarcar uma viagem agendada para o Rio de Janeiro em dezembro, repassei o problema da chave da porta dos fundos que está agarrando e continua gerando problema na hora de levar o lixo para fora. Revi a discussão com um colega que aconteceu na semana passada por um assunto idiota. Tudo normal, não fosse perceber que como pano de fundo eu estava rindo enquanto lembrava que Maria me respondeu “<em>um cadiquinho</em>” quando perguntei se tinha medo de morar longe. Quem usa cadiquinho? Pensava na moça, e não achei ruim.</p>



<p>Passei pela portaria. O seu Ademir me entregou algumas correspondências; entrei no elevador e subi. Um dos resultados do meu trabalho foi juntar algum dinheiro. Por bastante tempo, não tive outro foco que não fosse ficar dez, doze horas participando de reuniões. Comecei com algum idealismo, mas vi o que as pessoas costumam ver em algum momento: trabalho é dinheiro, só isso. Sem glamour, sem afetação. Sorriso no rosto à espera de grana. Quando voltei para Juiz de Fora estava bem, tanto que consegui morar por algum tempo numa cobertura.</p>



<p>Em casa, tirei os sapatos e os deixei do lado da cama; as roupas do dia foram para um cesto destinado à máquina de lavar e, em pouco, eu já estava pelado no quarto. Este gosto de andar sem roupa e sem pudor aprendi com uma mulher, quase um espelho de mim. Aproveitei para usar o banheiro antes do banho, e quando peguei o celular vi que Maria tinha enviado uma mensagem: você já leu alguma coisa do Osho?</p>



<p>Como eu já disse, não me considero místico. Gosto de filosofia oriental, mas com critério. Nunca embarquei nessa onda dos gurus cheios de verdades cósmicas e ao mesmo tempo tão interessados em presentes caros e uma vida de Fausto. Figuras como Osho, Blavatsky, João de Deus e esses coaches me embrulham o estômago de um jeito irreversível, mas há os interessantes também. Numa de minhas buscas, me deparei com Trungpa Rinpoche, um tibetano que veio para o ocidente fugindo da invasão chinesa e viveu nos Estados Unidos. Seus ensinamentos eram práticos. Quem era Osho perto dele? Respondi como se soubesse. Meu desejo era continuar a conversa da livraria, desejava tê-la por perto. O celular substitui a presença. Me tornei <em>nomophóbico</em>.</p>



<p>Saí do banho e fui ler. Nessa época, eu estava às voltas com uma biografia de Rasputin. Ele foi original. Pode ter mentido, manipulado e obtido vantagens junto aos Romanov, mas acreditava no que fazia, portanto, isso é diferente de ser mau caráter. Como invejei aquele homem. Estava sozinho em casa, mas não dormi bem. Esparramado na cama tinha a impressão de que alguma coisa faltava. Por que eu não tinha me casado? Existia um movimento acontecendo de modo subliminar na minha cabeça. Não pensava especificamente em Maria mais do que como um grande acaso prazeroso de uma terça-feira comum, o que já tinha acontecido dezenas de vezes; no entanto, naquela noite, me deitei meditando a respeito do futuro. </p>



<p>Nunca mais vi Maria. Imagino que tenha se mudado do Brasil, ou, pelo menos, da casa dos pais. Se encontrar técnica for produzir arte para aqueles livrões, espero que ela nunca consiga. Sei que em algum lugar ela ainda existe, e isso basta.</p>



<p>&nbsp;Essa vida é curiosa… Tantas coisas, todas tão grandes… Bendita livraria aquela. O amor de mil vidas, no tempo de um horário de almoço.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p></p>
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		<title>DISCUTINDO A ORDEM DO ESPAÇO</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[Atanásio de Alexandria]]></category>
		<category><![CDATA[autoridade divina nos escritos]]></category>
		<category><![CDATA[Formação da Biblía]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação da espiritualidade nos corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
		<category><![CDATA[necessidades simbólicas do indivíduo]]></category>
		<category><![CDATA[Ordem no espaço da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos bíblicos canônicos]]></category>
		<category><![CDATA[Violência estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado e Micael Correia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/discutindo-a-ordem-do-espaco/">DISCUTINDO A ORDEM DO ESPAÇO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Antes de pensarmos a organização do espaço da igreja e o hábito que ali é construído e compartilhado, é necessário considerarmos como pano de fundo o contexto histórico no qual a regra máxima daquele ambiente foi desenvolvida: a saber, o cânone que, proveniente da língua grega, traz o sentido de “haste de mediação” &#8211; popularmente conhecido como “régua”. </p>



<p>A primeira lista completa dos livros a ser republicada por Concílios no Norte da África (Hipona em 393 d.C. e Cartago 397 d.C.) foi escrita no ano de 367 d.C. pelo bispo Atanásio de Alexandria; no entanto, a discussão sobre o cânone antecede a sua oficialização. No Concílio de Cartago foram excluídos, por exemplo, a “Epístola de Barnabé”, “Didaquê”, “Apocalipse de Pedro”, entre outros. O processo de canonização dos textos &#8211; com início no segundo século &#8211; acompanha, segundo Everett Ferguson, o reconhecimento da autoridade divina em escritos, a constituição de fronteiras para o cânone e o fechamento dos mesmos através do consenso quanto à lista comum dos livros sagrados. Lançando mão daquilo que orientava a mentalidade dos muitos indivíduos que participaram deste movimento mobilizado entre os séc. II ao IV, cabe a nós o questionamento das variáveis que, com eles, se tornavam chave fundamental para a seleção daquilo que ornaria ou não com os preceitos sociais, políticos e econômicos de sua contemporaneidade. Antemão, anunciamos que essa mesma seleção não anula a confissão de fé dos muitos que possuem na Bíblia a sua orientação ética, moral e espiritual; ela apenas amplia a nossa cognição acerca dos limites historicamente estipulados sobre a manifestação da espiritualidade, sobretudo nos corpos. </p>



<p>Seria um equívoco mobilizarmos as intenções de interpretação e possíveis alterações como explicação única das seleções feitas ao longo dos séculos. Por vezes, copistas realizavam erros involuntários nas transcrições. Tendo em vista que esses mesmos eram membros de assembleias (e não profissionais), ainda assim, não se exclui o interesse de determinados grupos em consolidarem o seu pensamento (OLIVEIRA; CANCELLIER, 2017, p. 81). Nesse ambiente também caracterizado por disputas narrativas, tem-se que: externamente, havia a relação dos cristãos com os judeus não-cristãos e com os pagãos; internamente, os conflitos sobre a questão da mulher (OLIVEIRA; CANCELLIER, 2017, p. 82) . A respeito desse último ponto, Bezerra e Richter dirão que o processo formativo da Bíblia “se deu em meio a disputas relacionadas à liderança feminina. Por isso, foram retirados do cânon muitos registros que contavam e celebravam ministérios e lideranças femininas, coleções de oráculos de profetizas cristãs e outros que continham os ensinamentos de mulheres (como os Atos de Paulo e Tecla, <em>Pistis </em>Sophia e o Evangelho de Maria) (&#8230;)”<strong>[1</strong>]. <strong>Ao ambientarmos a nossa leitura segundo o contexto no qual os livros foram escritos e, posteriormente, também selecionados e oficializados, evitaremos, por exemplo, os discursos contemporâneos que elencam o patriarcado como sistema social determinado “divinamente” para se constituir uma família.</strong> Convém destacar que esse amplo movimento é também uma investida na naturalização da violência estrutural e sistêmica. </p>



<p>Dada esse brevíssima introdução, podemos pensar nas normas que os espaços contemporâneos das igrejas possuem enquanto fronteiras que balizam noções compartilhadas a formar uma hierarquia por parte daqueles que, atualmente, fazem a seleção da ordem &#8211; aquela que organiza, mas que também é um imperativo sobre as ações dos sujeitos ali submetidos. Analisando esse espaço específico enquanto um <em>corpus </em>vivo, com filosofia e políticas próprias, hierarquicamente arquitetado para contínuo funcionamento interno, pensa se no ato de normar e/ou legislar como inerente a quem o dirige. Segundo Karnal, “legislo não para atacar o erro, mas para estar feliz ao lado do acerto (&#8230;) legislamos, classificamos, e com isso criamos a clareza que evite nossa inclusão no lado mau.” (2017, p. 31); assim sendo, o espaço funciona segundo a sua ordem que, por sua vez, caminha para um fim. Entretanto, há uma necessidade cada vez mais latente em se levantar questionamentos sobre a normalização de procedimentos que não cabem a uma norma estabelecida divinamente, mas que é apenas reproduzida por aqueles que possuem voz de comando mediante uma releitura e um repaginamento da ordenação pela via da força. A força sobre o direito.</p>



<p>Sobre a última frase, elucido a explicação de Mário Ferreira dos Santos que diz que “uma das mais acentuadas características do barbarismo vertical consiste em apresentar a força como superior ao direito. O direito não é mais o que é devido a natureza de um ser estático, dinâmico e cinematicamente compreendido, e que, portanto, se funda no princípio de justiça, que consiste em dar a cada um o que lhe é devido e em não lesar esse bem. O direito não é o reconhecimento natural dessa verdade, mas apenas o que provém do arbítrio que possui o <em>kratos</em> (poder) político. O direito natural é postergado, é discutido e até negado para supervalorizar a norma emanada do arbítrio do legislador, a ordem jurídica emanada do que possui o <em>Kratos</em> o detentor do poder político, autoridade constituída. A justiça não é mais objeto de especulação. A desconfiança acerca, a dúvida instala-se, até negar-se, finalmente, qualquer fundamento a essa entidade, que é uma das mais caras virtudes do homem culto.”<strong>[2]</strong> </p>



<p>De fato, a perspectiva de Ferreira está associada a uma correspondência macro dos indivíduos com o Estado; no entanto, interpreta-se &#8211; ao menos neste ensaio- o espaço da igreja enquanto um sistema simbólico com alocações bem delimitadas. Nesse sentido, nos valemos da reflexão do autor quando este aponta para um barbarismo presente nas ações ou imposições da força sobre o direito, e, desta forma, lemos numa escala micro como: as violências estruturais e sistêmicas sobre o que de fato a mensagem d&#8217;O Cristo elege como um <em>modus operandi </em>coletivo &#8211; que, curiosamente, não diz de um grupo fechado com ações em si mesmo, mas de como esse ampara os que não fazem parte dali. Partimos agora para uma variável importante dentro desse amplo processo de ordenação, que é a construção e acomodação de uma ordem discursiva.</p>



<p>Ao adentrarmos um ambiente eclesiástico, seja lá ele qual for, qualquer ambiente dotado de realidade material que responda por esse lugar social, devemos levar em consideração que entramos não somente num campo físico, mas num espaço simbólico no qual se encontram artefatos, códigos e corpos transitando, que podem ser transitórios ou funcionais devido a algum tipo de demanda. Essa conjugação simples e tão somente não deduz a presença de um esquema ordenado; mais parecem um conjunto de peças avulsas buscando conexão, enlaçamento. Até o momento em que for possível subentender um enunciado pairando sob a face daquele espaço, tal realidade não passa de um caos por decifrar, palavras soltas carentes de uma gramática básica da comunhão, que vão se escorando e se estranhando rumo a um sentido comum que seja possível enunciar. Mas não é o espaço em si que proporciona tal enunciado &#8211; ou melhor dizendo, não esse espaço impessoal e sem matriz de subjetividade. O enunciado é justamente a produção humana. São os sujeitos que, martirizando seu desejo, o enunciam e o fazem entrar na ordem do discurso &#8211; que é, simultaneamente, a ordem do espaço. É dessa forma que os falantes organizam o espaço: através da objetivação das necessidades simbólicas que o compelem a endereçar seus pedidos a um outro (social). O encontro com o outro é um encontro forçoso, traumático, uma vez que ele preexiste a nossa entrada no mundo; mas também é nesse encontro que nos humanizamos, socializamos, subjetivamos uma ordem. (Não é a toa que “tornar-se sujeito” possui uma ambiguidade fundamental: significa assujeitamento; submeter-se). À medida em que os sujeitos fazem acordos a respeito de seus desejos e se submetem a uma autoridade comum, o espaço funda essa ordem. Mas que espaço é esse? O espaço que ultrapassa em muito o local &#8211; este sempre mais ou menos ocasional. O espaço do qual falamos é o espaço onde se circula o discurso. </p>



<p>O discurso é o estatuto dos enunciados que os sujeitos fazem<strong> [3]</strong>, que monta uma espécie de cadeia significante repetitiva, gerando um laço social que une os sujeitos nesse espaço. Pois o discurso não é simplesmente a fala, o gesto, coisa assim, individualizada. <strong>O discurso é o ato que, através das palavras e principalmente para-além delas, codifica e organiza determinadas relações dentro de um jogo– categoria que se faz presente em todo espaço congregacional</strong>. Ou seja, t<strong>odo espaço é constituído por discursos</strong>, e, à medida que esses discursos e práticas sociais se repetem, são legitimadas, são reconhecidas (ou desconhecidas), dizemos que, nesse conjunto, há uma instituição. Instituições escolares, familiares, religiosas (!) surgem relacionadas à essa lógica fundante do espaço: a lógica operada pelo dispositivo denominado discurso. Veja que não mencionamos aqui o termo ‘jogo’ de forma despretensiosa: se trata mesmo de um esquema dinâmico, em que os participantes ocupam lugares (funções), assumem hierarquias (poder), operam trocas (relações), se submetem a regras (leis) e conjugam uma linguagem (vocabulário) que lhes permitem serem compreendidos enquanto produzem discursos, tipo um jogo. Em vez, porém, dos discursos circularem ‘livremente’, diz Foucault<strong> [4] </strong>que toda instituição nos mostra incessantemente que nesse espaço há uma ordem – a ordem do discurso. Numa ordem institucional, há uma série de procedimentos que controlam, organizam e dominam as repercussões dos discursos contra as aleatoriedades perigosas que estes podem fazer irromper dentro de um estado ordenado. A instituição detém &#8211; metonimicamente &#8211; as leis explícitas e implícitas que são vigiadas por seus agentes institucionais. São eles que garantem a ‘ordem da casa’. Em nome da<em> ordem das coisas</em>, é preciso que certas relações, lugares e papéis permaneçam e se fixem – até que, com o tempo, tal ordem se encontre naturalizada, numa cristalização imaginária, sem que seja percebido o seu caráter instituído ou não-natural. Essa evolução é resultado de uma imobilidade no interior desse espaço e de agentes que já não se reconhecem mais como mediadores simbólicos de uma lei, mas as próprias encarnações da lei. É quando a ordem &#8211; que mediou a socialização dos sujeitos falantes &#8211; passa a os enxergar como meros instrumentos subordinados às suas ordens &#8211; imperativos emudecedores.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7275b-museu-judaico-por-daniel-libeskind-em-berlim-foto-por-hecc81lecc80ne-binet.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11340" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Museu judaico, por Daniel Libeskind, em Berlim <br>Foto: Hélène Binet</figcaption></figure>



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<p><strong>Notas:</strong></p>



<p><strong>1- </strong>SOUZA, Carolina Bezerra de; REIMER, Ivoni Richter. Violência, Bíblia e as Mulheres. <em>In</em>: ULRICH, Claudete Beise; LELLIS, Nelson (org.). Coleção religião e violência: mulheres em foco. São Paulo: Recriar, 2020. cap. 2, p. 33-48.</p>



<p><strong>2-</strong> SANTOS, Mário Ferreira dos. Invasão Vertical dos Bárbaros. 2. ed. São Paulo: É Realizações, 2015. p. 26.</p>



<p><strong>3-</strong> LACAN, Jacques. <strong>O avesso da psicanálise</strong>, O seminário, livro 17. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.</p>



<p><strong>4- </strong>FOUCAULT, Michel. <strong>A ordem do discurso</strong>. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999.</p>



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<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>



<p><strong>Micael Correia</strong> têm 22 anos e é um escritor não-autorizado. Atualmente faz graduação em Psicologia e está envolvido até o pescoço com os estudos de Psicanálise Lacaniana e Teoria Social – enquanto faz música nos intervalos.</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg7_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11397" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Tudo é Poesia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Flávia Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Esse texto faz parte do livro virtual “33 insights pra vida”, da jornalista Flávia Cadinelli.</strong></p>



<p>Meu pai sempre foi muito brincalhão e espirituoso. Quando era mais nova, iniciamos uma brincadeira (entre várias internas que temos) de fazer poesia com coisa boba. E volta e meia ele me surpreendia com um bilhete:</p>



<p>A pomba voou.<br>O sino tocou.<br>A rua está vazia.<br>O galo cantou.<br>Tudo é poesia.</p>



<p>“Ai, meu Deus!”. E ríamos disso. Ao final, a assinatura “tudo é poesia” marcava nossa série. Ele é um contador de histórias nato: minha ansiedade era enorme para estarmos juntos no final do dia para o próximo capítulo. Mexidinho no prato, sentávamos um de frente pro outro na varanda.</p>



<p>E ele começava. Desconfio que ele adora o enredo das cidades pequenas, geralmente as histórias começavam por lá. Famílias, casamentos, fazendas. É o que me recordo. No ápice, claro, ele encerrava a noite &#8211; para que eu ensaiasse minha imaginação.&nbsp;</p>



<p>Imaginação. Ô bichinho. A filha já é uma canceriana fácil de viajar pela mente. E ele estimulou isso em muitas ocasiões, desde os formatos das nuvens até quando a missão era continuar a história dele. Fiz o meu melhor. Já a minha mãe, só olhava, intrigada e emocionada ao mesmo tempo. No dia que ela precisou substituí-lo, contou uma dos soldadinhos de chumbo que amarraram a menina na cama dela. Não deu pra dormir e isso virou mais um caso para rirmos em trio.</p>



<p>Certa vez, já quase adulta, observei a ânsia dos meus primos em torno dele para que contasse uma nova trama. Era assim em quase todas as reuniões de família: “tio, cadê a história?”. E ao longe, eu só ouvia as risadas e o entusiasmo deles. Em uma das aventuras, me aproximei da rodinha, e uma priminha bem esperta sentiu falta de um personagem. “Ah, o rato teve que ir num aniversário!”. Improviso? Temos.</p>



<p>Fora das histórias, esse moço ferroviário, tatuado, gentil ao extremo, louco por Pink Floyd e música, sempre me ensinou a ter “plano B”. E ao longe, no Rio, trabalhando, estava eu criando projetos com a alternativa na manga. E aqui, perto, nos meus empreendimentos, sinto que tenho sucesso (a felicidade, que é o que almejo, minha e das pessoas que envolvo) por ter aprendido a ser flexível. E gentil.</p>



<p>Ao meu pai, devo minha capacidade de criar, minha memória de elefante (como dizem minha mãe e o Gabs), minha abertura para conversar com as pessoas e tentar de tudo para fazê-las sorrir.&nbsp;</p>



<p>Pra sempre, pai, meus mexidinhos serão em sua homenagem. Com carne moída e ovo, claro. Pra sempre, pai, vou me encantar com seus casos, mesmo tendo ouvido a vez que você foi picado em dois lugares na mão por um escorpião num restaurante na Bahia e ficamos mais de um mês por lá. Eu, aos quatro anos, achei o máximo visitar você no hospital. Aos 21, foi mais duro. Mas superamos essa juntos. E seguimos com nossas histórias pra contar.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ad88d-whatsapp-image-2020-08-09-at-17.50.35.jpeg?resize=512%2C512&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11407" width="512" height="512" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p></p>



<p>Hoje, depois de já aprender tanto na vida &#8211; e com tanto ainda a aprender &#8211; vejo nossa poesia nos momentos mais simples. Descobri, na real, que tudo é poesia. Você já me estimulava a isso quando me tirava dos livros, quando estudava horas para a seleção do Mestrado, pra vermos o pôr-do-sol. Quando me fazia parar tudo para ver como nossa árvore amarela estava linda ou algum passarinho que fez um novo ninho.</p>



<p>Você foi o meu primeiro mestre de Meditação, e eu mal sabia. Mesmo cantando o “OM” ao contrário ou quando me cumprimenta com “Samasê” (sério, é impagável). Agora, quando admiro a cor das flores ou respiro olhando a lua, sei que minha energia chega no seu coração. Pai, tudo é poesia. Gratidão!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Flávia Cadinelli</strong> é educadora em Meditação e Autoconsciência, Comunicação e Empreendedorismo, à frente do <a href="http://instagram.com/movimentozen">Movimento Zen</a> e no time de professores de pós-graduações de diversas instituições.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg5_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11379" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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