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	<title>Arquivos Ano 002, N 063 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Agredidos: uni-vos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[resistência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>“<em>Nada é tão ruim que não possa ser piorado</em>”. </strong></p>



<p>Essa foi a lição mais valiosa que a experiência da proximidade com militares me ensinou ao longo dos últimos 46 anos. É uma máxima bastante conhecida e repetida nos quartéis brasileiros, geralmente invocada – acreditem! – como uma mistura macabra de prelúdio à tortura e mantra motivacional. Começa assim: “<em>Você acha que tá ruim agora, Guerreiro? Espera só&#8230; Nada é tão ruim que não possa ser piorado</em>”. Logo depois, para comprovar a tese, o profeta dessa desgraça planejada, “o superior”, aumenta a dose de assédio moral ou (a depender da situação particular) até agressão física contra “o subordinado”. Tudo em nome do treinamento para aumentar a famigerada “rusticidade”.</p>



<p>Depois – e uma vez que a relação de subordinação é a moldura perene na janela para o mundo de qualquer militar brasileiro, para quem o fantasma do rei Hamlet é “<strong><u>O</u></strong> superior”, “<strong><u>O</u></strong> mais antigo” – assim que a ideia já está suficientemente internalizada pelo subordinado, ele está pronto para se satisfazer ou, no mínimo, se conformar com as condições mais adversas que lhe imponham, e praticamente nada mais é o bastante para justificar sua insubordinação. Afinal, “sempre pode ficar pior”.</p>



<p>É doloroso ver essa lógica se difundir e consolidar no Brasil, inclusive em muitos espaços, grupos e mentes que se autoidentificam como progressistas. É doloroso, sobretudo, porque essa lógica é perversa tanto no sentido vulgar do termo quanto no estrito, emprestado da psicanálise: ela é má porque adoece e mata pessoas; e ela é fundamentada na recusa deliberada dos sujeitos à castração simbólica operada pelas leis e pela moral, castração essa que sedimenta o convívio social saudável. E salubridade é precisamente o que temos perdido a passos largos num Brasil onde crianças estupradas são enxovalhadas por fundamentalistas religiosos, enquanto uma dinastia de misóginos racistas homofóbicos genocidas simonistas milicianos se dissemina no poder por meio da refração prismática do caos.</p>



<p>É preciso dar um basta nisso enquanto ainda existimos. Sim, para negros, mulheres, indígenas, LGBTQI<sup>+</sup>, idosos, deficientes, pobres, adeptos de religiões de matriz africana, e progressistas em geral, é uma questão de sobrevivência entendermos de uma vez por todas que, a despeito das inúmeras especificidades legítimas que nos diferenciam e justificam cada uma de nossas lutas e bandeiras particulares, a despeito disso tudo, vivemos de forma agonística a mesma condição de vulnerabilidade sociocultural. Essa condição se configura pelo fato de que uma única e mesma realidade perversa nos iguala e irmana nos tempos que vivemos: a ameaça contínua, factual e numericamente comprovada de eliminação física e/ ou simbólica pelas mãos do mesmo agente agressor – homem, cisgênero, branco, normotípico, de classe média (alta ou altíssima), armamentista, medianamente escolarizado, intelectualmente míope, neofascista e incapaz de exercer a empatia.</p>



<p>É esse sujeito que fala em “mi-mi-mi”, “racismo reverso”, “ideologia de gênero”, “escola sem partido”, “meritocracia”&#8230; ou que “bandido bom é bandido morto”, “na pandemia vai morrer quem tiver que morrer mesmo”, “a economia não pode parar”, “ela pediu pra ser estuprada”, “ele é gay porque faltou porrada”, “só mora em favela quem quer”, “índio é preguiçoso”, “negro é malandro”, “macumba é coisa do diabo” etc, etc&#8230; É esse sujeito que precisamos reconhecer, desmascarar e combater.</p>



<p>Eu aprendi cedo que “<em>nada é tão ruim que não possa ser piorado</em>”. A usurpação, a necropolítica e o semiocídio a que estamos sujeitos no Brasil – &nbsp;desde que Cabral, o primeiro, aportou por aqui – desfilam hoje a céu aberto, têm uma legião de seguidores nas redes sociais, encontram pares em vários pontos da terra plana de suas autoverdades, e, porque se orgulham da sua própria ignorância, tendem a se espalhar cada vez mais, como um vírus, uma praga que, se não for combatida e extinta, vai nos matar a todos, um a um.</p>



<p>Também já faz muito tempo que aprendi: “<em>a toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário</em>”. Isso é Física, é Ciência, é fato, não é uma questão de gosto ou de opinião. Vivemos o tempo surreal da predição de Brecht, e verdades assim, como a terceira lei de Newton ou o formato esférico da Terra, precisam ser reafirmadas. Até nos grupos de <em>Whatsapp</em> da família. Ou talvez principalmente neles. A verdade precisa ser mostrada, compartilhada, defendida pelo maior número possível de pessoas, em toda situação em que a mentira se apresente. E a verdade que todas as estatísticas mostram é uma só: negros, mulheres, indígenas, LGBTQI+, pobres, idosos e deficientes <em>estamos sendo atacados</em>. <em>Bacurau</em> é aqui!</p>



<p>Agredid@s: uni-vos!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a42c-luciano-19.23.45.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11365" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência.(<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>) E-mail: <a href="mailto:prof.lcnascimento@gmail.com">prof.lcnascimento@gmail.com</a></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0423c-conteudopago.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11568" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg4_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11385" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Sexismo e as chagas discriminatórias no Judiciário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Direito]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Judiciário]]></category>
		<category><![CDATA[Sexismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Que do Poder Judiciário saem algumas bizarrices todos já sabem: venda de sentenças, operações de relevância nacional banhadas de ilegalidades, magistrados que criam as próprias leis&#8230; Mas se voltarmos nossa atenção diretamente para os casos em que as pré-compreensões e valores pessoais dos juízes superam a aplicação do direito, podemos perceber alguns padrões curiosos.</p>



<p>O tema pode ser abordado por vários recortes, e aqui escolhemos o seguinte: o Direito ainda é um ramo em que imperam conservadorismos, valores patriarcais e machistas. As consequências cotidianas dessas discriminações são drásticas, e não são um simples reflexo da sociedade como um todo, mas sim um panorama peculiar, que se esconde em discursos de uma falsa igualdade legal e de um cavalheirismo “necessário” para a preservação da moral e dos bons costumes.</p>



<p>Vejamos a prática: em 2000, Maitê Proença processou um jornal do Rio de Janeiro que utilizou suas fotos em uma publicação não autorizada. A autora pediu a reparação dos danos, já que as fotos foram tiradas em 1996 para uma revista masculina, e não para o jornal.</p>



<p>O julgamento na segunda instância ganhou repercussão nacional quando o relator negou o pedido de danos morais à atriz, alegando que ela era ‘bonita, e só mulheres feias podem se sentir constrangidas por terem seus corpos desnudos estampados em revistas e jornais’:</p>



<p><strong>Fosse a autora u’a mulher feia, gorda, cheia de estrias, de celulite, de culote e de pelancas, a publicação da sua fotografia desnuda &#8211; ou quase &#8211; em jornal de grande circulação, certamente lhe acarretaria um grande vexame, muita humilhação, constrangimento enorme, sofrimento sem conta, a justificar &#8211; aí sim &#8211; seu pedido de indenização de dano moral</strong>, a lhe servir de lenitivo para o mal sofrido. Tratando-se, porém, de uma das mulheres mais lindas do Brasil, nada justifica pedido dessa natureza, exatamente pela inexistência, aqui, de dano moral a ser indenizado.</p>



<p>Já em 2007, o jogador Richarlyson se sentiu ofendido com uma fala homofóbica proferida pelo então diretor administrativo do Palmeiras e procurou a justiça. A sentença configurou mais um caso de extrapolação do papel do magistrado, que apresentou argumentos preconceituosos, proposições infundadas e linguagem inapropriada.</p>



<p>Para o juiz a queixa não tinha fundamento, e se o jogador fosse realmente homossexual:</p>



<p>[&#8230;] seria melhor abandonar os gramados, pois futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Gays até podem jogar bola, desde que iniciem suas próprias Federações! [&#8230;] Não se mostra razoável homossexual no futebol brasileiro, porque prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio [&#8230;].</p>



<p>Os dois casos posteriormente tiveram as decisões reformadas, mas o que chama a atenção em ambos é justamente o traço discriminatório cada vez mais evidente em nossa realidade. O que observamos especificamente nos exemplos é o sexismo, que se baseia, inicialmente, na ideia do homem como superior à mulher, tal qual ocorre no machismo, mas se diferencia por ir além: é um tipo de discriminação que define quais costumes e atitudes devem ser seguidos e respeitados por cada sexo, como o modo de se vestir, ou se portar socialmente.</p>



<p>A sociedade como um todo adota essas atitudes de maneira automática. Sempre educamos as crianças de forma a reproduzir comportamentos e modelos binários, por exemplo, com as ideias de que um menino não pode brincar de boneca, e que uma mulher ideal deve ser boa esposa ou mãe.</p>



<p>Alguns leitores agora podem questionar se essas decisões homofóbicas, machistas e misóginas ainda são comuns, já que os casos mencionados não são tão recentes. Os episódios continuam sim ocorrendo e aparecem ainda mais graves, pois não obstante a força dos movimentos sociais mais recentes, o cenário político do Brasil não facilita a ruptura das antigas ideologias.</p>



<p>Em 2015, por exemplo, a escritora e atriz Fernanda Young processou o usuário de uma rede social que a chamou de “vadia lésbica” e a ofendeu com vários termos chulos. O juiz acolheu o pedido, mas definiu que o valor dos danos morais não deveria ser superior a R$5.000,00, pois a atriz teria uma “reputação elástica”.</p>



<p>&nbsp;Para chegar a esse valor, ele ainda considerou que a autora posou nua, e que deveria mostrar mais respeito:</p>



<p>&nbsp;Ora, uma mulher com tantos predicados como a autora afirma possuir deveria demonstrar, porque formadora de opinião, uma pouco mais de respeito. <strong>Há valores morais que devem governar a sociedade</strong> e que, no mais das vezes, nos dias que correm, são ignorados em prestígio a uma pretensa relatividade aplicada às ciências sociais, geradora do caos atual. <strong>Disciplina, limites, ética, regras de convívio social devem retomar o posto de primazia na sociedade brasileira, relegando o desrespeito, o descaso, o egoísmo aos planos inferiores.</strong></p>



<p>Em 2019 mais um caso veio à tona, e agora com uma juíza que fez duras críticas ao feminismo. Um estudante de medicina foi processado por fazer as calouras do curso jurarem a “sempre atender aos desejos sexuais dos veteranos e nunca recusar tentativas de coito”</p>



<p>O Ministério Público considerou que o estudante expôs as mulheres a uma situação opressora, e ofendeu a dignidade delas ao reforçar padrões de desigualdades de gênero, enquanto o requerido se defendeu alegando que não passava de uma brincadeira durante o “trote”. A juíza julgou improcedente a acusação, e afirmou que a denúncia retrata a panfletagem feminista que permeia o Brasil atual, movimento feminista esse que apenas colaborou com a degradação moral que vivemos.</p>



<p>Eis o problema central de nossa exposição: o que legitima um juiz a se afastar do Direito como complexo de integridade e atuar de forma claramente parcial, movido por convicções machistas, homofóbicas ou transfóbicas? E o que essa postura representa para o Estado Democrático?</p>



<p>É evidente que o Poder Judiciário vem utilizando argumentos morais e não técnicos em muitos julgamentos, e isso só reforça um cenário que precisa ser alterado. É curioso que o ambiente forense ainda não acompanhe os anseios sociais mais urgentes, e sabemos que se a Justiça tarda é porque ela já falhou.</p>



<p>Os discursos que tantos movimentos tentam desconstruir estão sendo referendados pela esfera que, teoricamente, deveria assegurar igualdade, dignidade e respeito a todos os indivíduos, acima de questões de gênero, ou traços de personalidade, escolhas e atitudes pessoais. Por isso, é essencial que haja repúdio e afronta a essas decisões, e que elas sejam expostas, denunciadas e reformadas, até que os responsáveis pela aplicação da lei entendam que não há mais espaço para o passado.</p>



<p>Lutar pela mudança e buscar um ideal de igualdade que respeite as diferenças são deveres árduos, contínuos, e que não devem se limitar ao espaço da internet, à luta por igualdade salarial, ou à criminalização de determinado comportamento. Tudo isso é certamente importante, mas devemos nos atentar para o cenário como um todo, pois a civilidade é um sistema, e só um conjunto de ações integradas promoverão a revolução que buscamos.</p>



<p>Lembremos-nos do que ensinou Angela Davis: “Você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo. E você tem que fazer isso o tempo todo.”.</p>



<p>Que do Poder Judiciário saem algumas bizarrices todos já sabem: venda de sentenças, operações de relevância nacional banhadas de ilegalidades, magistrados que criam as próprias leis&#8230; Mas se voltarmos nossa atenção diretamente para os casos em que as pré-compreensões e valores pessoais dos juízes superam a aplicação do direito, podemos perceber alguns padrões curiosos.</p>



<p>O tema pode ser abordado por vários recortes, e aqui escolhemos o seguinte: o Direito ainda é um ramo em que imperam conservadorismos, valores patriarcais e machistas. As consequências cotidianas dessas discriminações são drásticas, e não são um simples reflexo da sociedade como um todo, mas sim um panorama peculiar, que se esconde em discursos de uma falsa igualdade legal e de um cavalheirismo “necessário” para a preservação da moral e dos bons costumes.</p>



<p>Vejamos a prática: em 2000, Maitê Proença processou um jornal do Rio de Janeiro que utilizou suas fotos em uma publicação não autorizada. A autora pediu a reparação dos danos, já que as fotos foram tiradas em 1996 para uma revista masculina, e não para o jornal.</p>



<p>O julgamento na segunda instância ganhou repercussão nacional quando o relator negou o pedido de danos morais à atriz, alegando que ela era ‘bonita, e só mulheres feias podem se sentir constrangidas por terem seus corpos desnudos estampados em revistas e jornais’:</p>



<p><strong>Fosse a autora u’a mulher feia, gorda, cheia de estrias, de celulite, de culote e de pelancas, a publicação da sua fotografia desnuda &#8211; ou quase &#8211; em jornal de grande circulação, certamente lhe acarretaria um grande vexame, muita humilhação, constrangimento enorme, sofrimento sem conta, a justificar &#8211; aí sim &#8211; seu pedido de indenização de dano moral</strong>, a lhe servir de lenitivo para o mal sofrido. Tratando-se, porém, de uma das mulheres mais lindas do Brasil, nada justifica pedido dessa natureza, exatamente pela inexistência, aqui, de dano moral a ser indenizado.</p>



<p>Já em 2007, o jogador Richarlyson se sentiu ofendido com uma fala homofóbica proferida pelo então diretor administrativo do Palmeiras e procurou a justiça. A sentença configurou mais um caso de extrapolação do papel do magistrado, que apresentou argumentos preconceituosos, proposições infundadas e linguagem inapropriada.</p>



<p>Para o juiz a queixa não tinha fundamento, e se o jogador fosse realmente homossexual:</p>



<p>[&#8230;] seria melhor abandonar os gramados, pois futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Gays até podem jogar bola, desde que iniciem suas próprias Federações! [&#8230;] Não se mostra razoável homossexual no futebol brasileiro, porque prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio [&#8230;].</p>



<p>Os dois casos posteriormente tiveram as decisões reformadas, mas o que chama a atenção em ambos é justamente o traço discriminatório cada vez mais evidente em nossa realidade. O que observamos especificamente nos exemplos é o sexismo, que se baseia, inicialmente, na ideia do homem como superior à mulher, tal qual ocorre no machismo, mas se diferencia por ir além: é um tipo de discriminação que define quais costumes e atitudes devem ser seguidos e respeitados por cada sexo, como o modo de se vestir, ou se portar socialmente.</p>



<p>A sociedade como um todo adota essas atitudes de maneira automática. Sempre educamos as crianças de forma a reproduzir comportamentos e modelos binários, por exemplo, com as ideias de que um menino não pode brincar de boneca, e que uma mulher ideal deve ser boa esposa ou mãe.</p>



<p>Alguns leitores agora podem questionar se essas decisões homofóbicas, machistas e misóginas ainda são comuns, já que os casos mencionados não são tão recentes. Os episódios continuam sim ocorrendo e aparecem ainda mais graves, pois não obstante a força dos movimentos sociais mais recentes, o cenário político do Brasil não facilita a ruptura das antigas ideologias.</p>



<p>Em 2015, por exemplo, a escritora e atriz Fernanda Young processou o usuário de uma rede social que a chamou de “vadia lésbica” e a ofendeu com vários termos chulos. O juiz acolheu o pedido, mas definiu que o valor dos danos morais não deveria ser superior a R$5.000,00, pois a atriz teria uma “reputação elástica”.</p>



<p>&nbsp;Para chegar a esse valor, ele ainda considerou que a autora posou nua, e que deveria mostrar mais respeito:</p>



<p>&nbsp;Ora, uma mulher com tantos predicados como a autora afirma possuir deveria demonstrar, porque formadora de opinião, uma pouco mais de respeito. <strong>Há valores morais que devem governar a sociedade</strong> e que, no mais das vezes, nos dias que correm, são ignorados em prestígio a uma pretensa relatividade aplicada às ciências sociais, geradora do caos atual. <strong>Disciplina, limites, ética, regras de convívio social devem retomar o posto de primazia na sociedade brasileira, relegando o desrespeito, o descaso, o egoísmo aos planos inferiores.</strong></p>



<p>Em 2019 mais um caso veio à tona, e agora com uma juíza que fez duras críticas ao feminismo. Um estudante de medicina foi processado por fazer as calouras do curso jurarem a “sempre atender aos desejos sexuais dos veteranos e nunca recusar tentativas de coito”</p>



<p>O Ministério Público considerou que o estudante expôs as mulheres a uma situação opressora, e ofendeu a dignidade delas ao reforçar padrões de desigualdades de gênero, enquanto o requerido se defendeu alegando que não passava de uma brincadeira durante o “trote”. A juíza julgou improcedente a acusação, e afirmou que a denúncia retrata a panfletagem feminista que permeia o Brasil atual, movimento feminista esse que apenas colaborou com a degradação moral que vivemos.</p>



<p>Eis o problema central de nossa exposição: o que legitima um juiz a se afastar do Direito como complexo de integridade e atuar de forma claramente parcial, movido por convicções machistas, homofóbicas ou transfóbicas? E o que essa postura representa para o Estado Democrático?</p>



<p>É evidente que o Poder Judiciário vem utilizando argumentos morais e não técnicos em muitos julgamentos, e isso só reforça um cenário que precisa ser alterado. É revoltante que o ambiente forense ainda não acompanhe os anseios sociais mais urgentes, e sabemos que se a Justiça tarda é porque ela já falhou.</p>



<p>Os discursos que tantos movimentos tentam desconstruir estão sendo referendados pela esfera que, teoricamente, deveria assegurar igualdade, dignidade e respeito a todos os indivíduos, acima de questões de gênero, ou traços de personalidade, escolhas e atitudes pessoais. Por isso, é essencial que haja repúdio e afronta a essas decisões, e que elas sejam expostas, denunciadas e reformadas, até que os responsáveis pela aplicação da lei entendam que não há mais espaço para o passado.</p>



<p>Lutar pela mudança e buscar um ideal de igualdade que respeite as diferenças são deveres árduos, contínuos, e que não devem se limitar ao espaço da internet, à luta por igualdade salarial, ou à criminalização de determinado comportamento. Tudo isso é certamente importante, mas devemos nos atentar para o cenário como um todo, pois a civilidade é um sistema, e só um conjunto de ações integradas promoverão a revolução que buscamos.</p>



<p>Lembremos-nos do que ensinou Angela Davis: “Você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo. E você tem que fazer isso o tempo todo.”.</p>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>CONJUR. <strong>Juiz nega ação de Rycharlison e diz que futebol é para macho.</strong>&nbsp; Publicado em: 03/08/2007. Disponível em: &lt;<a href="https://www.conjur.com.br/2007-ago03/juiz_nega_acao_jogador_futebol_macho">https://www.conjur.com.br/2007-ago03/juiz_nega_acao_jogador_futebol_macho</a>&gt;.</p>



<p>MASCARELLI, Gisele. <strong>As mulheres no campo do direito: retratos de um machismo à brasileira. </strong>Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia. p. 64-88. 2016. Disponível em: &lt;<a href="\Users\Usuario\Downloads\40411-Texto%20do%20artigo-186448-1%2010-20181002.pdf">file:///C:/Users/Usuario/Downloads/40411-Texto%20do%20artigo-186448-1 10-20181002.pdf</a>&gt;.</p>



<p>UOL. <strong>Machismo, sexismo e misoginia: quais são as diferenças?</strong>. Publicado em: 03/12/2018. Disponível em: &lt;<a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/12/03/machismo%20sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm">https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/12/03/machismo sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm</a>&gt;.</p>



<p>VEJA. <strong>Em sentença, juíza de SP diz que feminismo promoveu ‘degradação moral’</strong>. Publicado em: 07/11/2019. Disponível em: &lt;<a href="https://veja.abril.com.br/brasil/em-sentenca-juiza-de-sp-diz-que-feminismo%20promoveu-degradacao-moral/">https://veja.abril.com.br/brasil/em-sentenca-juiza-de-sp-diz-que-feminismo promoveu-degradacao-moral/</a>&gt;.</p>



<p>VEJA. <strong>Fernanda Young tem indenização reduzida por ter posado nua.</strong> Publicado em: 09/06/2017. Disponível em: &lt;<a href="https://veja.abril.com.br/cultura/fernanda-young-tem-indenizacao-reduzida-por%20ter-posado-nua/">https://veja.abril.com.br/cultura/fernanda-young-tem-indenizacao-reduzida-por ter-posado-nua/</a>&gt;.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17081-debra-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11621" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Déborah Silva</strong></strong> </strong></strong>é pós graduanda em Direito Constitucional. </p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Branquitude em seu pacto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[Branquitude]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luan Pedretti</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não é segredo pra ninguém as desigualdades que atravessam o Brasil nos tempos atuais. Estas, que são históricas e paulatinamente construídas em favor das elites econômicas e políticas, faz questão de imputar a diversos sujeitos o lugar da subalternidade social.</p>



<p>Essas desigualdades têm um marcador de raça, gênero e classe bem delimitados, definindo, de acordo com a noção de necropolítica do filósofo camaronês Achile Mbembe (2016), quem pode viver e quem deve morrer no exercício do poder, sobretudo Estatal/Institucional<a href="#_ftn1"><sup>[1]</sup></a>.</p>



<p>Existem algumas situações que ilustram as afirmações feitas acima. A primeira vítima fatal da pandemia da COVID-19 no estado do Rio de Janeiro ter sido uma empregada doméstica mulher negra, que foi infectada pela doença por seus patrões, brancos e ricos, que tinham chegado de viagem internacional. O menino João Pedro, de 14 anos, assassinado dentro se casa com um tiro disparado da arma de um policial em meio a uma operação policial na comunidade do Salgueiro, RJ. O menino Miguel, que caiu do prédio em Recife, devido a negligência de Sari Corte Real em observar o menino, enquanto sua mãe, empregada doméstica, passeava com o cachorro. Mas essa morte física do corpo não é a única forma de expressão dessa violência.</p>



<p>Pois bem. Há algumas semanas, estamos acompanhando no debate público o caso de Ângelo Assumpção &#8211; ginasta medalhista de ouro do Brasil na Copa do Mundo de Ginástica Artística, grande promessa para a futura geração de ginastas. Ângelo, ao denunciar que sofria racismo dentro do Clube Pinheiros, ao qual prestava serviços, foi demitido com algumas justificativas no mínimo curiosas. A primeira foi de não haver provas da consumação de tais práticas racistas dentro do clube praticada pelos atletas e equipe técnica, ainda que esteja circulando na internet um vídeo desde 2015, publicado em uma rede social,&nbsp; onde os ginastas Arthur Nory, Felipe Arawaka e Henrique Flores, direcionam à Assumpção palavras explicitamente racistas. A outra justificativa apresentada pelo clube para a demissão do ginasta, seria por ele não ter respeitado a hierarquia do clube, ainda que estivesse denunciando uma violência que atingia diretamente a sua subjetividade.</p>



<p>Racismo no esporte não é novidade, haja vista as vivências do goleiro Aranha, e mais recentemente do jogador Neymar &#8211; que finalmente conseguiu se localizar racialmente em uma sociedade que te faz acreditar que ascendendo economicamente, você perde a sua identidade racial. Bobagem. Ainda que rico, Neymar continua sendo um homem preto circulando por espaços racistas, seja na Europa ou no Brasil. Mas o caso específico do ginasta Angelo Assumpção nos permite refletir sobre alguns aspectos da sociedade brasileira em particular.</p>



<p>Em determinado momento histórico, onde se debatiam como construir a identidade cultural do Brasil enquanto nação, os intelectuais acharam que seria positivo apostar em uma ideia de uma democracia racial, de miscigenação entre as raças como algo natural. Ideia essa que já foi refutada academicamente, ressaltando a impossibilidade de uma harmonia entre os grupos que constroem o Brasil. Esse pais foi fundado na violência contra povos indígenas, contra africanos traficados e contra negros nascidos por aqui. Essa harmonia só existe na mente do branco! E é tão perceptível que essa harmonia só existe na mente do branco, que percebemos o presidente da república indo pra televisão, no discurso do dia 7 de setembro, reforçar algo que não existe na vivência dos diversos sujeitos.</p>



<p>Outro ponto interessante de se analisar neste caso, é como a branquitude consegue ignorar as provas concretas para proteger os indivíduos que fazem parte de seu grupo racial. O vídeo com as violências proferidas à Angelo circulam desde 2015. Alguns ginastas envolvidos no caso, chegaram a publicar um pedido de desculpas, reconhecendo suas atitudes racistas contra o atleta. Mas mesmo assim, o Clube Pinheiros insiste em afirmar que não há práticas racistas dentro de suas instalações. A branquitude se protege em todas as possibilidades. E por mais que, alguns sujeitos reconheçam sua experiência enquanto ser branco no Brasil, e tentem praticar um antirracismo no seu cotidiano, eles ainda continuam fazendo parte dessa branquitude que goza cotidianamente de diversas vantagens sociais. É o pacto narcisístico da branquitude.</p>



<p>O final que eles querem, nós já sabemos. Neymar foi expulso do jogo. Ângelo Assumpção está sem contrato, sobrevivendo através de uma <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-ao-ginasta-angelo-assumpcao">vakinha virtual</a>. Aranha perdeu espaço na mídia. Cleonice Gonçalves passou ao orum, para agora conviver com os ancestrais.</p>



<p>O final que eles querem, mas não vai ser o final oficial.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a> É a soberania de decidir quem deve viver e quem deve morrer através do exercício de poder, sobretudo Estatal/institucional. Ver mais em: MBEMBE, Achile. <strong>Necropolítica: </strong>biopoder, soberania, estado de exceção, política de morte. Arte &amp; Ensaios. Revista do PPGAV/EBA/UFRJ. N. 32. 2016</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luan Pedretti </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é mestrando em Educação pelo PPGE/UFJF, professor de História, integrante do Movimento Negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva e pela Frente Preta da UFJF.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Plataforma oferece treinamento para fortalecer municípios e estados em políticas migratórias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:25:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Além do processo de certificação, a plataforma MigraCidades também oferece treinamentos e ferramentas para promover o diálogo migratório, com o objetivo de fortalecer as capacidades de municípios e estados para desenvolver e aprimorar políticas migratórias locais.</em></p>



<p>A plataforma MigraCidades é implementada em parceria entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com apoio da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e com financiamento do Fundo da OIM para o Desenvolvimento.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2020/08/oim_0826.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-186622" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>A plataforma MigraCidades é implementada em parceria entre a OIM e a UFRGS, com apoio da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e com financiamento do Fundo da OIM para o Desenvolvimento. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil</em></p>



<p class="has-text-align-left"><a href="https://brazil.iom.int/news/etapa-de-diagn%C3%B3stico-do-processo-de-certifica%C3%A7%C3%A3o-migracidades-%C3%A9-debatida-em-oficina-online">A plataforma MigraCidades</a>&nbsp;reuniu esta semana, em oficina online, 25 representantes de governos participantes do processo de certificação das políticas migratórias locais para discutir a etapa de diagnóstico.</p>



<p>Esta é a segunda fase do processo e inclui o preenchimento de um formulário com informações sobre políticas implementadas nas 10 dimensões de governança migratória local propostas pela plataforma.</p>



<p>Além do processo de certificação, a plataforma MigraCidades também oferece treinamentos e ferramentas para promover o diálogo migratório, com o objetivo de fortalecer as capacidades de municípios e estados para desenvolver e aprimorar políticas migratórias locais.</p>



<p><a href="https://www.ufrgs.br/migracidades/sobre-o-migracidades/passo-a-passo-da-certificacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conheça o passo a passo da certificação</a></p>



<p>Com a participação dos coordenadores da plataforma MigraCidades — Marcelo Torelly, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), e Roberta Baggio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) —, além da equipe do projeto, os representantes dos governos puderam tirar dúvidas, fazer comentários e dar relatos sobre a implementação dessa etapa do processo.</p>



<p>Torelly destacou que a oficina avança em dos objetivos por trás da plataforma, que é a promoção de espaços de diálogo “tanto por um primeiro vetor de estimular o dialogo migratório no âmbito local, inclusive dentro do próprio governo, quanto por um segundo vetor, que é criar uma grande rede de atores locais que possa também trocar práticas entre si, pois nesses espaços percebemos a grande riqueza do que está sendo desenvolvido no âmbito local”.</p>



<p>“Essa oficina tem o papel de nos aproximar mais e ouvir os participantes do processo, pois quando construímos um projeto, só iremos entender de fato seus limites e potencialidades quando o colocamos em prática”, destacou Baggio, complementando que “essa é a importância dessa rodada piloto e da participação de todos os governos locais.”</p>



<p>A próxima etapa do processo será a Priorização, que ocorrerá ao longo de outubro. Em dezembro, os 29 governos participantes que cumprirem todas as etapas do processo receberão o selo MigraCidades.</p>



<p>A plataforma MigraCidades é implementada em parceria entre a OIM e a UFRGS, com apoio da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e com financiamento do Fundo da OIM para o Desenvolvimento.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/plataforma-oferece-treinamento-para-fortalecer-municipios-e-estados-em-politicas-migratorias/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 18/09/2020 &#8211; Atualizado em 18/09/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>PARTE I &#8211; O Silêncio entre músicas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/">PARTE I – O Silêncio entre músicas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existe um espaço de tempo entre o final de uma música e início de outra. Às vezes, somos incomodados por propagandas, ou quando, por termos curtido tanto o que ouvimos, perdemos o êxtase quando a música se encerra. O coração desacelera, os pés se aquietam, a nossa feição muda,&nbsp; a imaginação retorna ao apego da realidade e somos reinseridos no mundo das impossibilidades. Digo isso pois já tive a famigerada experiência de escutar algo e pensar naquilo como trilha sonora de um clipe que a minha vida poderia estrelar.</p>



<p>Quando o silêncio não incomoda, pode gerar expectativa com a próxima canção quando se tem plena consciência da <em>playlist</em> por nós criada ou criada para nós. O que quero dizer é que: <strong>sempre existirá uma expectativa nos intervalos</strong>, atravessada a risos e prantos, amores e temores, felicidades e infelicidades, enfim, há sempre o que ser esperado no espaço do silêncio, ainda que isso indique estar a deriva em seus próprios pensamentos e reflexões. <strong>Silêncio é mais do que uma causa, é condição de auto percepção frente ao muito, frente ao emaranho que é o todo.</strong></p>



<p>O interessante desse espaço é que ele não avisa que está prestes a acontecer ou muito menos acabar; ele apenas se estabelece, e nós nos adaptamos a ele. Há músicas que vão, gradualmente, nos acostumando com o seu fim. Com o uso das escalas corretas, vamos nos aquietando, sossegando e passamos a esperar por esse momento. Há músicas que possuem um estilo meio termo; mas há também as que são opostas: com uma outra proposta, estão dispostas a seguir em volume máximo até o último segundo esgotar. Normalmente, são essas últimas que nos agitam, nos tiram da condição de meros ouvintes contempladores e nos elevam a mesmo passo das notas mais agudas. O fim não é algo gradual nessas: ele é ruptura e mensagem abrupta. É como entregar um alimento e não ensinar a comê-lo; entregar um livro, mas não ensinar a lê-lo; é, ao fim e ao cabo, entregar silêncio a quem estava embalado pelo barulho. Há quem lide bem com o susto que isso significa em comparação com os que andam a passos curtos; há quem goste das músicas que não anunciam o fim. Por isso, esse texto não é uma crítica sobre como se desdobra o final de cada música, relembro: é sobre o silêncio que há entre o fim e o começo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: UMA HISTÓRIA DE AMOR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Ah, os adultos&#8230; Portadores do ingênuo pensamento de que temos controle de tudo em nossas vidas.</em></p>



<p><em>Desde o instante em que a fina pele de nossas pálpebras sente os raios de sol atravessando as frestas da persiana até o momento em que o chá de lavanda aquece tuas mãos antes de dormir, tudo simplesmente acontece. Não foi tu quem decidiu, pensou ou planejou. Há quem acredite que é obra Deus, fonte de cura e fé. Outros, na mente e nosso inconsciente.</em></p>



<p><em>Tem também o acaso, mas esse é muito polêmico. Deixemos para outro dia&#8230; Ou vida.</em></p>



<p><em>O fato é: O que há de ser nosso tem muita força e a jornalista gaúcha Flávia do Valle possui uma prova genuína e potente disso, sabe por quê? Ela viveu.</em></p>



<p>“Uma mulher que é quase uma força da natureza, intensa e potente em cada batida do seu coração.</p>



<p>Hoje, a história é de amor. Amor raiz, real e quase impossível. Quase, porque tudo o que é para ser, será.</p>



<p>Sempre fui menina mulher com ideais fortes e pouco sonhadora. Muito real e raramente me considerei &#8220;ideal&#8221;, pois todo jovem carrega uma alma sedenta por liberdade e eram um tempo em que as pessoas casavam para ter filhos e eu&#8230; Bom, tive filhos, mas a instituição &#8220;casamento&#8221; nunca foi meu sonho. Queria mesmo estudar, trabalhar e conhecer pessoas que para mim eram inteligentes, sábias. Queria beber dessas águas para me desenvolver, me fortalecer.</p>



<p>Mas vem a vida, nos mostra que não temos controle de nada, e surpreende. Eu, que queria nutrir minhas asas e voar, conheci o amor instantaneamente aos 17 anos. Olhei pra ele e já ouvia a marcha nupcial e o aroma leve de doces de côco no ar. Foi recíproco.<br>Namoramos durante 2 anos: eu no Rio Grande do Sul e ele em São Paulo. Fomos mestres em estarmos perto um do outro fosse pelo estudo, pelo trabalho ou por outros afazeres.<br>Chegamos num ponto que precisávamos tomar uma decisão pois estavam desgastantes as viagens e compromissos.</p>



<p>Então, meu querido parceiro me pediu em casamento e eu abri meu coração. Com firmeza, falei: “Quero ter um bebê”.</p>



<p>Ele reagiu de forma quase irreconhecível e dei uma única noite para que pensasse com calma. Logo veio a resposta, como um rasgo no meu peito: “N ã o”.</p>



<p>Falou que já era pai de 3 filhos e não havia dado certo. Então não queria “errar” de novo.<br>Essa posição foi decisiva: Nos separamos de vez.</p>



<p>Ele se casou com uma pessoa muito semelhante à mim. Era como se me procurasse em outras pessoas.</p>



<p>Com um vazio no peito, acompanhei cada detalhe por uma revista de personalidades conhecidas da época, e me via sangrando a cada palavra que contava uma história que era pra ser minha.</p>



<p>Foi então que o Deus Cronos estancou um pouco aquela ferida. Me casei, tive uma filha que foi muito sonhada e vivemos juntos por 7 anos até que esse ciclo terminou e segui em frente mais uma vez.</p>



<p>Crente em Deus que sou, sei que ele cuida da gente sempre; e para minha surpresa, alguns anos depois reencontrei o amor da minha vida e no mesmo dia ele me pediu em casamento.</p>



<p>Meu coração cicatrizou, enfim inteiro. Me senti com 17 anos novamente.</p>



<p>Nesse momento, tínhamos a mesma profissão e fomos para Alemanha em trabalho da mesma empresa. Ali, se criou uma desafiadora e sonhada convivência diária.</p>



<p>O tempo passou. Estávamos sempre juntos em compromissos do trabalho e da vida. Era um projeto grande, não foi fácil viver cada minuto do dia com o marido.</p>



<p>Passados 6 anos morando juntos, ele pediu que tivéssemos um bebê. Fiquei paralisada. Como ele pode ter mudado tanto? Mas me enchi de magia.</p>



<p>Levei um ano para engravidar; já tinha meus 35 anos, mas deu tudo tão certo! </p>



<p>Nosso filho nasceu lindo e saudável, casamos numa cerimônia aconchegante e de verdade. Vivemos somente 3 anos de chamego, parceria e amor &#8211; pois ele sofreu um infarto fulminante e foi viver no mais encantado dos reinos: O céu.</p>



<p>E a nós? Continuamos aqui, eu e meu filho, fruto do maior amor que já senti. Somos gratos por termos vivido com ele e sabemos que um dia estaremos todos juntos novamente.</p>



<p>Esta é a minha história de amor. O amor que me fez sentir o sangue correr em nas veias, fez sentir meu filho em meu ventre e me trouxe a potência do que é estar vivo.<br>O amor existe e é muito forte.</p>



<p>O amor, talvez, seja o sinônimo de vida.&#8221;</p>



<p><em>In Memoriam: Luciano do Valle</em></p>



<p><em>A história sensível que acabaste ler faz parte do projeto Caçadora de Histórias que migrou das minhas mãos e dos papéis de carta para o Instagram. É um cantinho acolhedor, repleto de ternura e se tu fechar os olhos até consegue sentir o cheiro adocicado de canela e hortelã.</em></p>



<p><em>Quer saber como funciona? Te conto: Escolhe alguma história que queria partilhar e envia para o e-mail <a href="mailto:tuahistoriaaqui@gmail.com">tuahistoriaaqui@gmail.com</a>.</em></p>



<p><em>A partir disso, escrevo-a com minhas próprias palavras, te ajudando a ter um novo olhar sobre tu mesma (o). É um processo de cura das feridas, terapêutico e libertador para ambas as partes.</em></p>



<p><em>Faça como a Flávia, que confiou à minha escrita um capítulo muito importante da sua vida e que agora faz parte da aldeia de relatos do projeto e também brilha aqui na coluna da TRAMA.</em></p>



<p><em>Victória Vieira &#8211; @cacadora.de.historias</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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</div>



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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Felicidade de Areia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[Areia]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Praia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Chinelos e saia longa até o portão de madeira. Mangas também. Depois disso, o chinelo some, a saia encurta e os ombros respiram.</p>



<p>Maresia.</p>



<p>Os pés enterrados na areia, a pele melada de sal. Os cabelos emaranhados de vento, brisa marinha, marítima. Quer livrar-se das roupas, da bolsa, dos pesos que carrega, das preocupações.</p>



<p>A areia não pode entrar na bolsa, senão vai arranhar a lente da câmera. Queria transformar a retina em lente, o cérebro em cartão de memória, que desse pra salvar no computador depois. As fotos ficariam melhores se fossem acompanhadas da sensação dela, e não só um registro de lente não humana. A transferência de emoção pra uma coisa estática é muito complicada.</p>



<p>Se a arte fosse só sentimento, só intenção, seria a melhor artista do mundo.</p>



<p>Quer esquecer que tem dinheiro, que tem saudades, que tem tarefas. Quer esquecer que algo não é permitido, ou possível. Quer esquecer que tem sonhos e ambições, quer esquecer que quer ser uma pessoa diferente. Quer ser ninguém.</p>



<p>Apenas existir. É transcender que se diz, não é? Isso, transcender.</p>



<p>Dança na areia a música do oceano, o oceano que não é o dela. Cumprimenta, ‘oyá, minha mãe’, sem saber se é filha, sem saber se é assim que se diz, só porque parece certo. Sabendo que, se é filha, não é daquela mãe. Mas é que todo oceano se liga com outro e quem sabe o cumprimento não chega do outro lado do mundo. É mar aberto, e o medo é parecido. A paz também. Bota fé que pode ser que tudo sejam partes de uma coisa só.</p>



<p>Parte. Voltam os chinelos, a saia se alonga e as mangas se encaixam no lugar. A superfície é a mesma, nem parece que nada aconteceu. Só ela percebe a pele de sal. O cabelo de vento. A calma de correnteza. A paz de oceano. A felicidade de areia.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-6 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Eu detesto dentistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Dentista]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2021, existem algumas padarias que funcionam 24h, e isso é fabuloso! Nunca se sabe exatamente quando alguém pode precisar de duzentos gramas de mortadela ou de um pote de manteiga. Normalmente, esses são desejos do dia, eu sei; mas já não existe ortodoxia em quase nada, e saber que existe, em algum lugar na cidade, alguém com os olhos cheios de acolhimento e as mãos cheirando a muçarela às quatro e quarenta e cinco da manhã causa um sentimento bom, familiar. Tudo isso é verdade, mas não é bem o que interessa agora. Nasci na década de 1980 e separo bem os gozos do dia claro e do escuro, mas a padaria é a mesma. Lá, naquele dia, vivi o <em>affair </em>mais estranho de que me lembro.</p>



<p>Era uma quinta-feira, ou uma terça, não me lembro bem. Me lembro que tive de ir ao dentista porque um dos meus dentes resolveu quebrar e ensaiava começar a doer. Penso, às vezes, que algumas profissões funcionam como um teste de personalidade para o sujeito. Quem se dedique a ser oftalmologista, por exemplo, passando o dia inteiro medindo a pressão do globo ocular, pingando colírios e eventualmente operando olhos dos outros, não deve ser boa gente. Na mesma categoria eu coloco talvez os padres, os vereadores e os dentistas &#8211; cada um pelo seu motivo, mas todos incômodos. Sobre os últimos, em especial, é assustador pensar que alguém voluntariamente se senta numa cadeira reclinável, com a boca aberta para que enfiem uma furadeira lá dentro, isso enquanto o profissional insiste em fazer perguntas longas e sem respostas possíveis. Pois é, fui ao dentista.</p>



<p>Todo esse ritual aconteceu, com uma diferença apenas: seria preciso anestesiar. Bem se imagina que a aparência daquela seringa metálica, o barulho, e a perspectiva de que seria enfiada por dentro da sua bochecha já são suficientemente incômodas numa tarde de terça ou de quinta. Como existe muita mentira no mundo, os dentistas também mentem. “<em>Fica tranquilo, não vai doer</em>”. Doeu. Depois disso, a sensação estranha de que as bochechas estão ali, ao mesmo tempo em que parecem enormes e molengas. Ainda depois da injeção, a furadeira dói quando toca o dente. Suga-se a baba pintada de sangue, a dentista usa um gancho sádico para futucar dentro do dente. “<em>Poxa vida, deu canal; vamos marcar para você voltar na semana que vem</em>”.</p>



<p>Fiz um canal em 1996. Durou semanas, era terrível. O consultório da dentista, naquela época, ficava nos fundos de uma loja de material de construção. A gente entrava por um corredor enorme, pouco iluminado. O pai da dra. Silvana era dono da loja. Meus pais pagaram caro pelo tratamento e eu, jovem porém já sabendo de tudo, odiava genuinamente quem inventou os dentistas e quem inventou os dentes. Tudo isso adiantou foi nada, porque hoje eu sei que viver é como fazer canal nos dentes e suportar outras coisas do mesmo tipo.</p>



<p>Como minhas terças são geralmente longas, pude sair e cuidar de coisas. Teria que visitar meu consultório, negociar com pintores, acompanhar o acabamento dos rodapés. Depois disso ainda era preciso ir ao analista catar alguns feijões e separar pedras aqui e acolá. Me espanto em como há pedras no feijão da gente, tantas que para catá-las já levo dois anos. De máscara, porque a pandemia não acabou ainda, segui o script direitinho.</p>



<p>Num determinado momento, confesso que estava tão entretido com os compromissos que me esqueci da boca, do dente e da coisa toda. Discuti um verde amazônia que virou verde limão na parede, reclamei que o número de dias previamente combinado para o serviço dobrou, enfim, completamente absorvido pelo banal! As coisas só mudaram um pouco quando lembrei que era preciso comer.</p>



<p>Pelo relógio de pulso, ainda me restavam mais ou menos quarenta minutos antes da minha análise. Desci pelo elevador pensando no que comer e foi então que me lembrei dela, da padaria 24h. E foi para lá que fui, na esperança de um lanche rápido e satisfatório. Atravessei a avenida, entrei, fui até o balcão e pedi o que costumo pedir sempre: um misto frio com pão de sal. Segui o protocolo da sociabilidade com “<em>boas tardes</em>”, “<em>como vão</em>”, “<em>dia quente</em>” e o pacote inteiro. Feito o pedido, me sentei numa das mesas disponíveis enquanto aguardava a preparação do pão. Aqui é que o amor acontece.</p>



<p>Duas mesas a frente, se sentou uma senhora com sua filha. A mulher deveria estar perto dos oitenta anos; a filha, um pouco mais nova, arranhava os cinquenta. Chegaram, se sentaram, no chão a sacolinha da Cedimagem com exames. A velha permaneceu sentada enquanto a outra foi pedir o alimento.</p>



<p>“<em>Calor, não é meu filho? Com essa doença solta por aí, a gente tem que pegar é com Deus. Pegando com Deus, a gente aguenta</em>!”</p>



<p>Sorri amarelo em resposta, porque lembrei que ela falava do mesmo sujeito que tinha criado os dentes e os dentistas, e nossa relação não estava boa naquele dia. Melhor só fazer um movimento amigável com a cabeça e desviar a atenção. Meu lanche chegou logo em seguida, e com ele o álibi para não esticar a conversa.</p>



<p>Comecei a comer, mas a mulher não parava de me olhar. Fiquei constrangido, acenei com a cabeça mais uma vez com um riso amistoso. A filha voltou para a mesa e, junto com a mãe, me olhou também, um pouco sem graça, antes de sentar de costas pra mim. Eu seguia comendo porque tinha apetite e um pouco de pressa, mas mesmo quando a comida da dupla já estava sobre a mesa, a velha continuava me encarando, isso a ponto de me deixar constrangido. Mas ela tinha toda razão.</p>



<p>Acredito que eu já tenha deixado claro como não gosto de dentistas. O calor das atividades da tarde me fizeram esquecer o desconforto, mas a verdade é que eu estava com o canto direito da boca dormente e ainda um pouco paralisado. Não sei se é do conhecimento de todo mundo, mas o misto frio costuma ter uns cinco centímetros de espessura, contando-se o pão, o queijo e o presunto. De um tempo para cá, decidi usar bigode também. Na soma de tudo isso, estava ali, a crueza ofensiva de um jovem sem controle da própria boca, com o bigode sujo de manteiga, farelo de pão e coca-cola. Não era curiosidade no rosto da idosa, era desconforto. Sentimento que imediatamente virou meu também.</p>



<p>Agi como um adulto maduro, alcancei o guardanapo; penso que tenha limpado o bigode, já que continuava insensível ao toque. Enfiei o resto de pão na boca e fingi que nada estava acontecendo. Por dentro, a sensação que gravitava entre autopiedade, vergonha, vontade de rir e um desejo incontrolável de que alguém tivesse fotografado a expressão daquela mulher me olhando. Comecei a rir de mim mesmo. Aquele riso foi bom demais, foi maravilhoso! Da minha parte, tenho ainda mais provas capazes de sustentar minha teoria sobre os dentistas; mas, para além disso, a D. Maria teria motivo pra falar com a filha e a família pelo resto do dia. Quando terminei e me levantei pra sair, eu ri para as duas e meu <em>affair </em>voltou a dizer me encorajando: “<em>Tem que pegar com Deus, meu filho!</em>”.</p>



<p>Na análise, a mesma coisa de sempre: fantasias, memórias, saudades e um puta desejo mal resolvido. Talvez eu tenha babado no divã enquanto falava, mas não senti. Ali era lugar de sentir outras coisas. Uma boca semi-torta era o de menos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Quando eu for embora</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Despedida]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Quando eu for embora,
Prometa não me guardar
Em um lugar perdido e longe
No fundo da sua memória.

Quando eu for embora,
Prometa lembrar sempre
Do meu sorriso, meus abraços,
Dos meus prantos, e da nossa história.

Quando eu for embora,
Prometa não esquecer dos seus sonhos,
De seguir com a vida e sorrir para o sol.

Quando eu for embora,
Se permita chorar, mas levante a cabeça,
Me dê um último beijo e me leve no coração.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O dia em que João Felipe pensou passarinho</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Geraldo Nascimento </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seria um dia como outro qualquer não fosse a surpresa de uns pios no terreiro.</p>



<p>“- João! João!</p>



<p>&#8211; Não sou João, mamãe! Piu! Piu!</p>



<p>-Venha aqui, João!</p>



<p>-Não consigo! Estou preso!”</p>



<p>Vendo as fotos depois, tentei imaginar o que o levara a entrar numa gaiola e cantar. Essa busca por explicações me fez lembrar o que disse William James: “pássaro não canta porque é feliz, ele é feliz porque canta”.</p>



<p>De dentro da gaiola, pôde ser pássaro, experimentar as alturas sem sair do chão, deixar o pensamento por cima das nuvens sem correr os riscos.</p>



<p>Ele experimentou aquilo que os enamorados vivem e sonham: o estar preso por vontade&#8230; o estar preso por escolha&#8230; o estar preso por amor!</p>



<p>E João me fez ter a certeza de que não importa a rigidez ou a altura da grade, o tamanho ou a espessura de um muro; porque pensamentos não podem ser engaiolados&#8230; pensamentos não ficam presos.</p>



<p>Quem cria filhos como pássaros não deveria cortar-lhes as asas; deveria orientar os vôos! Quem age dessa forma, diria mais ou menos assim:</p>



<p>&#8211; Meu filho, se você sentir vontade de voar não precisa ter medo. Precisa ter certos cuidados, apenas. Cuidado com os galhos em que vai pousar. Prefira galhos firmes que sejam providos de boas raízes. E se tiver mau tempo, se alguma tempestade o ameaçar, escolha um abrigo seguro&#8230; Não durma em qualquer ninho. Fuja de certos predadores! Porque muitos deles se passam por bonzinhos e armam ciladas. E aí seus sonhos continuarão viajando, mas você perderá, por certo, a direção. E não tenha medo de voar alto: altura não mata pássaros. O que os tornam presas fáceis é a falta de desejo do voar.</p>



<p>Quem corta a asa de um pássaro consegue a proeza de vê-lo pousado no dedo; mas lá dentro dele, o que pulsa mesmo é aquela vontade de atravessar rios e de dormir nas nuvens.</p>



<p>Quem poda uma asa em vez de ensinar o voo vive a sensação de estar protegendo. Desfila garboso com o pássaro no dedo; e ambos precisam dormir presos para estarem protegidos.</p>



<p>Sempre aprendi que gatos entram sem fazer barulho!</p>



<p>Celas são gaiolas para aqueles que desistiram ou desaprenderam os sonhos de João!</p>



<p>João não está mais na gaiola! Agora é pássaro livre!</p>



<p>Continua cantando até sentir sonho de ser outra coisa.</p>



<p>Tem gaiolas que prendem mais que a que acolheu João: medos, indecisões, ambições, angustias, depressões, ódios&#8230; e assim vai!</p>



<p>São gaiolas em que o preso que não vê grades. Mas se não vê grade, também não vê portas&#8230; nem saídas! </p>



<p>Aos meus filhos, peço a Deus que me dê o jeito mais simples de ensinar a direção porque o voar mesmo terá de ser por conta deles.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Geraldo Nascimento </strong>nasceu em Piedade do rio Grande (MG) em 14 de junho de 1968. Formado em Tecnico em Agropecuária e Pedagogia. Reside em Matias Barbosa.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/cacadora-de-historias-uma-historia-de-amor-2/">O dia em que João Felipe pensou passarinho</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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