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	<title>Arquivos Ano 002, N 064 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Tão LGBT quanto você</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size">&#8220;Nós estamos cansados de sermos analisados, definidos e representados por outras pessoas que não somos nós mesmos, ou ainda pior, não considerados de todo. Nós estamos frustrados com a imposição do isolamento e a invisibilidade vindas da expectativa de anunciar ou escolher uma identidade homossexual ou heterossexual.&#8221;</p>



<p>O presente editorial poderia simplesmente ser o <a href="https://medium.com/@avaadore/manifesto-bissexual-449500cd3bf">Manifesto Bissexual</a> de 1990 copiado e colado. Ele diz tudo o que ainda hoje, trinta anos depois, nós bissexuais continuamos a sentir e experimentar em nossas relações com indivíduos e grupos sociais das comunidades não-bi; gays e lésbicas, nós também estamos falando com vocês &#8211; e, talvez, principalmente com vocês.</p>



<p>Nós estamos cansadas. E estamos irritadas. </p>



<p>E também estamos bem certas do que queremos, de quem desejamos, de quem amamos. A maioria de nós não está &#8220;passando por uma fase&#8221;, e, nesse momento, é completamente irrelevante saber quais de nós estão; porque todas nós somos bissexuais agora, e precisamos ser vistas agora. Precisamos ser reconhecidas agora.<br><br>Estamos bem certas de nossas práticas românticas e sexuais, com a individualidade de cada bissexual resguardada. Pois nem todas nós somos poligâmicas. Nem todas nós somos &#8220;pegadoras&#8221; ou promíscuas. Nem todas nós somos infiéis aos compromissos que assumimos &#8211; e, não, nós não temos &#8220;o dobro de chances&#8221; de trair um compromisso.</p>



<p>Estamos bem certas de que não há qualquer privilégio, frente às vivências das outras letras, em ser bissexual. Nós sofremos a mesma LGBTfobia que você, gay, que você, lésbica; ninguém para pra nos perguntar se somos bissexuais antes de nos agredir. E a passabilidade hétero, sobre a qual tanto se fala, também não é um privilégio; sermos validados apenas de acordo com a pessoa que nos acompanha é uma violência, independente de sua origem. </p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>Bissexualidade é um todo, identidade fluída. Não assuma que a bissexualidade é naturalmente binária ou poligâmica: que nós temos “dois” lados ou que nós precisamos estar envolvidos simultaneamente com dois gêneros para sermos seres humanos completos. De fato, não assuma que existem apenas dois gêneros. Não interprete nossa fluidez como confusão, irresponsabilidade, ou inabilidade de assumir compromisso. Não equipare promiscuidade, infidelidade, ou comportamento sexual inseguro com bissexualidade. Esses são comportamentos humanos que atravessam todas as orientações sexuais. Nada deve ser presumido sobre a sexualidade de ninguém, incluindo a sua.</em></p>



<p>Nós estamos cansadas de ter de dizer o óbvio, que só não é óbvio para todo mundo pelo não lugar nos quais vocês nos colocam. Nós estamos cansadas de sermos vistas como a eterna negativa: o não-gay; a não-lésbica; o não-hétero. O meio-a-meio. E estamos cansadas porque isso não é o que nos constitui. </p>



<p>Em nós, nós somos completas. Somos bissexuais, independente de  quem amamos, ou de se não amamos ninguém; independente de se já beijamos garotas, garotos, ou pessoas de quaisquer outros gêneros. Somos bissexuais independente de termos desejos sexuais. Somos bissexuais independente de sermos mulheres, homens ou não-binaries, independente de sermos trans ou cis. <strong>O que nos torna bissexuais é, e apenas é, a atração que sentimos por outras pessoas de quaisquer gêneros, seja essa atração romântica, sexual, ou ambos. Nada mais.</strong></p>



<p>Nós estamos irritadas por ver que bissexuais que estão descobrindo sua sexualidade ainda se sentem aberrações ao se depararem apenas com a representação de pessoas heterossexuais ou homossexuais. Já é um processo doloroso se perceber enquanto desviante em uma sociedade; e se torna mais difícil quando nem o desviante te contempla. Para mim, foram dois anos sentindo isso na pele; pra muita gente, é bem mais tempo e saúde mental que se esvai. </p>



<p>Também estamos irritadas por não sermos ouvidas com equidade, tanto quanto todas as outras letras do LGBT+. Ora, nós existimos há muito tempo. A bissexualidade foi a primeira expressão sexual reconhecida pela psicologia; não é por nada que o nosso dia coincide com a data de morte de Freud. Nosso manifesto completa trinta anos em 2020. Após décadas e décadas sendo mais um no S do GLS de vocês, são doze anos de B ali, na sigla. E ainda assim, nossas vozes se perdem nos espaços que deveriam ser de todas nós.</p>



<p>Nós estamos cansadas de lutarmos pelas nossas pautas e, ao fim e ao cabo, nos tornarmos o &#8220;e bissexuais&#8221; das pautas de vocês, lésbicas e gays. Ainda que tenhamos nossas lutas em comum, nós não somos as mesmas. Estamos cansadas de sermos coadjuvantes das nossas próprias lutas. E precisamos de vocês para mudarmos isso.</p>



<p>Ouçam o que nós temos a dizer. Não permitam que nos leiam como outra coisa que não o que somos. Não nos afastem por sermos diferentes. Não tenham medo de se relacionar conosco. Corrijam os seus amigos que perpetuam noções estereotipadas. Corrijam aqueles que apontam um de nós como lésbica, gay, hétero. Deem força às nossas manifestações, em vez de absorvê-las dentro das suas. Lembrem-se do nosso dia.</p>



<p>Eu tatuei a bandeira bissexual no lado esquerdo do peito. Literalmente.</p>



<p>Às bissexuais que me leem, recomendo que façam o mesmo &#8211; ainda que não de forma literal. Estejam no mundo como bissexuais, na medida do que a sua realidade permitir. Abracem a sua bissexualidade como se ela fosse o unicórnio que todas as comunidades não-bi acham que somos. </p>



<p>Nós somos, nós estamos e nós permaneceremos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>[Arredores] Visi-BI-lidade: com Maria Freitas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Bi Sem Carteirinha]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[Cadê LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Freitas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Visibilidade&#8221; e &#8220;Representatividade&#8221; são palavras de suma importância no dicionário de qualquer pessoa da sigla LGBT+; porém, para as Bissexuais, elas significam o combate à invisibilização e apagamento que sofremos todos os dias mesmo diante dos nossos pares da sigla &#8211; e, assim, se tornam cerne de trabalhos de bissexuais em diversas áreas artísticas: a música, o teatro, o audiovisual e, claro, a literatura. Exemplo disso é Maria Freitas, escritora que, apesar de ser &#8220;da roça&#8221; (como ela mesma diz), já chegou a todos os cantos do Brasil através de seus contos e romances.</p>



<p>A literatura de Maria Freitas está, sem sombra de dúvidas, entre as mais amplamente reconhecidas na comunidade bi brasileira contemporânea, e não é sem motivo; a escritora trabalha personagens bissexuais nos mais diversos contextos, com uma infinidade de representações, trazendo a representatividade diversa que nos falta aos bissexuais para seus romances e contos. E a visibilidade de Maria não fica só em seus escritos; com o podcast Bi Sem Carteirinha e os projetos Encontre Bi e Cadê LGBT, seu trabalho de fortalecimento de todas as Bissexuais e LGBT se mostra ainda mais intenso.</p>



<p>Hoje, a Trama apresenta a vocês essa autora imprescindível para o momento que vivemos enquanto militância bissexual e enquanto leitoras brasileiras. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2b369-whatsapp-image-2020-09-27-at-14.34.29.png?resize=837%2C587&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12176" width="837" height="587" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Maria Freitas com a Bandeira Bi</figcaption></figure></div>



<p><strong>Trama: Para começar,  você poderia contar um pouquinho da sua história, sobre como você se descobriu bissexual, e como você vivencia isso.</strong></p>



<p><strong>Maria:</strong> Então, meu processo de descoberta foi um pouco longo e demorado. Acho que acontece com muites bissexuais. A sociedade monossexista e heterocisnormativa nos afasta muito da possibilidade de podermos nos atrair por mais de um gênero. Eu sempre gostei de meninos, mas sempre soube que sentia algo diferente por meninas também. Na adolescência, tive alguns namorados, até que conheci a pessoa que estou até hoje, que é uma menina. Eu demorei dar nome para o que eu sentia e para o que eu era. Foi só depois que comecei a escrever sobre pessoas bissexuais que eu peguei esse rótulo para mim.</p>



<p><strong>T:  E faz quanto tempo, mais ou menos, que você começou a escrever personagens bissexuais?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Desde quando comecei realmente a escrever. A primeira protagonista que eu fiz era bi, mas não cheguei nem a finalizar esse livro. Foi só em 2017, no meu primeiro livro finalizado, &#8220;<a href="https://www.amazon.com.br/As-raz%C3%B5es-Cris-Maria-Freitas-ebook/dp/B07G4L9893">As Razões de Cris</a>&#8220;, que escrevi o Henrique, personagem abertamente bissexual.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong>Você comenta em um episódio do Bi Sem Carteirinha que o Henrique é um personagem &#8220;problemático&#8221; em relação à representatividade Bi porque ele trai no processo de se descobrir. Por que você entende esse elemento enquanto um problema?</strong></p>



<p><strong>M:</strong>  O problema é o estereótipo. Existem pessoas bissexuais de várias maneiras, inclusive pessoas que traem. A problemática acontece porque essa parece ser uma das únicas narrativas aceitáveis sobre bissexualidade na grande mídia. E ela perpetua um ideal de que bissexuais são sempre promíscuos, sempre indecisos, nunca confiáveis. Esse estigma do bissexual como alguém que nunca está satisfeito com apenas um gênero é profundamente ecoado pelas produções de ficção, e isso reflete na maneira como a sociedade nos vê enquanto bissexuais. Repetir isso em uma obra de ficção, mesmo que com pouco alcance, é reforçar esse estigma &#8211; algo que eu definitivamente não quero fazer.</p>



<p><strong>T: Sobre essa questão do estereótipo e dos reforços deles pelas obras de ficção: existe uma convenção de que é bem difícil representar personagens bissexuais sem ter de recorrer a artifícios narrativos como a traição, ou a poligamia, ou à estrutura de &#8220;namorei um menino, hoje namoro uma menina&#8221; &#8211; ou seja, sempre tem que ter a representação de relações com dois ou mais gêneros pra validar a identidade de um personagem. Como você percebe o uso desses artifícios? Você acha que eles são efetivamente necessários para a construção de um personagem bissexual?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Definitivamente não são. Sabe por que as pessoas acreditam que precisam recorrer a lógicas binárias para escrever um personagem bissexual? Porque a ideia de que somos metade homo e metade hétero está estruturada no nosso imaginário do que significa ser bissexual. Essa lógica é que faz com que se acredite que, se estamos em um relacionamento com alguém de apenas um gênero, nunca estamos inteiros. O que é uma mentira. <strong>A solução é muito simples: basta dizer que o personagem é bissexual</strong>. Basta trabalhar as nuances de uma afetividade monodissidente, que vão muito além e não tem nada a ver com as lógicas monossexistas e binárias que a sociedade segue. Falta ouvir pessoas bissexuais e que essas pessoas bissexuais tenham referências que as ajudem a entender que a binariedade não nos pertence.</p>



<p><strong>T: Você já usou essa ferramenta de afirmar os seus personagens enquanto bissexuais nos seus livros, sem explorar o binarismo? Como foi o retorno do público em relação a isso?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> É muito difícil responder a essa pergunta, porque eu tenho muito personagem bissexual. Tenho personagem que está em um relacionamento não-monogâmico. Tenho personagem que se atrai por pessoa não-binária. Tenho personagem que desconhece o gênero da pessoa pela qual está encantado. Tenho personagem que diz que é bi e tenho personagem que não diz, porque, por exemplo, a história se passava em 1938. Mas, no último conto que eu escrevi, o <a href="https://www.amazon.com.br/Cobra-criatura-parede-Clich%C3%AAs-Livro-ebook/dp/B08JLFM5F4/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=255NCUGW71JXW&amp;dchild=1&amp;keywords=emma+cobra+e+a+criatura+da+parede&amp;qid=1601230141&amp;s=digital-text&amp;sprefix=Emma%2C+Cobra%2Cdigital-text%2C338&amp;sr=1-1">Emma, Cobra e a Criatura da Parede</a>, por exemplo, os personagens são bissexuais e dois deles se gostam. Pronto. Mas tem conto que eu militei bastante, como <a href="https://www.amazon.com.br/raz%C3%B5es-Henrique-Clich%C3%AAs-rosa-Livro-ebook/dp/B08FRNMCZ9/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=1MAHEXJKMB87B&amp;dchild=1&amp;keywords=as+raz%C3%B5es+de+henrique&amp;qid=1601230175&amp;s=digital-text&amp;sprefix=As+Raz%C3%B5es+d%2Cdigital-text%2C362&amp;sr=1-1">As Razões de Henrique</a> e <a href="https://www.amazon.com.br/Azeitonas-Clich%C3%AAs-rosa-roxo-Livro-ebook/dp/B08DXT6FVG/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=2W9OX6T9CT3U&amp;dchild=1&amp;keywords=azeitonas+maria+freitas&amp;qid=1601230197&amp;s=digital-text&amp;sprefix=Azeitonas%2Cdigital-text%2C328&amp;sr=1-1">Azeitonas</a>.</p>



<p>Agora, confesso pra você que é bem mais simples recorrer a um relacionamento antigo do personagem. Exemplo: ele está apaixonado por uma garota, mas antes namorou um garoto. É a maneira mais comum de você retratar personagens bissexuais.</p>



<p><strong>T: E como você, enquanto leitora bissexual, se sente ao ter que recorrer a esses relacionamentos antigos?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Não encaro como problema, porque na minha vivência isso é muito natural. É a história da minha vida. Mas, <strong>a partir do momento em que isso se torna massivo, em que todo personagem bissexual precisa ter se relacionado com mais de um gênero para ser válido, isso pode ser tornar um problema, sim</strong>, porque acaba perpetuando a ideia de que, para ser bissexual, você precisa se relacionar com mais de um gênero, que somos validados pelo outro, e etc. Mas eu, honestamente, acho que esse é o menor problema entre as muitas representações ruins que temos. Não é sobre combater essas histórias, é sobre escrever outras.</p>



<p><strong>T: Além da sua literatura, que é amplamente reconhecida dentro da comunidade Bi, você também tem outros projetos ligados à visibilidade Bi e LGBT+. Você pode contar um pouquinho sobre eles?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Eu tenho três projetos, além dos meus livros. O podcast <a href="https://open.spotify.com/show/2UKnRJXHnphLQaQOWygAKM?si=9RtAEuXbS5e95ppg8tskwQ">Bi sem Carteirinha</a>, onde eu, Marryson Dias e Gabriel Moreira, tentamos falar com bom-humor sobre como a bifobia nos afeta, mas acabamos sempre pistolando. Afinal, é como diz o Manifesto Bissexual de 1990: &#8220;nós estamos cansados&#8221;. Meus outros dois projetos são voltados para a divulgação de Literatura LGBTQIA+. O <a href="https://twitter.com/cadeLGBT">Cadê LGBT</a> é um perfil no Twitter que divulga obras, especialmente de autores independentes e nacionais, que tenham protagonismo de pessoas LGBTQIA+. E, recentemente, lancei o <a href="https://www.encontrebi.com/">encontrebi.com</a>, que é um catálogo de livros e contos com protagonismo bi, pan e monodissidente no geral publicados no Brasil. <strong>Esses projetos surgiram quando eu percebi que existem histórias LGBTQIA+, elas só não conseguem chegar até as pessoas.</strong> Através do Cadê e agora do Encontre Bi, quero tentar ajudar a mostrar que nossas histórias existem e que estão sendo contadas.</p>



<p><strong>T:  E como você percebe que esses projetos impactam nas vivências de pessoas bissexuais? Você recebe mensagens, retornos diretos do público?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Confesso que tenho muita dificuldade em reconhecer o valor das coisas que eu faço, mas já vi muita gente me dizer que conheceu alguma história nova por causa do Cadê LGBT, que voltou a ler, que encontrou a representatividade que sempre procurou, mas não achava… Enfim, penso que ainda temos muito caminho para percorrer até a Literatura LGBTQIA+, especialmente a Literatura Bissexual, ter um alcance mais amplo. Mas já estamos no caminho e eu espero que meus projetos ajudem nesse processo.</p>



<p><strong>T: Atualmente, você e muitos outros autores que são divulgados no Cadê publicam por conta própria, diretamente com a Amazon. Você sente que o mercado editorial tem menos espaço para publicações como os seus romances e contos? Ou isso é mais por uma questão de praticidade?</strong></p>



<p><strong>M: </strong> Fazendo o catálogo do Encontre Bi, percebi duas coisas: que a maioria das histórias são de 2019 e 2020 e que mais de 90% delas são de autores independentes. O mercado literário tradicional é fechado e pouca gente tem acesso à chave; mas ele só reflete aquilo o que a nossa sociedade é. Ele privilegia as pessoas que a nossa sociedade privilegia. É inegável que há, nos últimos dois anos, uma abertura maior para histórias que não sejam de homens brancos e cisgêneros, e mulheres brancas, cis e heterossexuais. Mas eu consigo contar nos dedos quem consegue entrar nos catálogos das grandes casas editoriais. O mercado independente é a maneira que encontramos de fazer com que nossa voz seja ouvida, que nossas histórias sejam contadas. E o sucesso de autores independentes LGBTQIA+, especialmente os negros, manda um recado impossível de ignorar: as pessoas querem OUVIR essas histórias.</p>



<p><strong>T: O que você diria pros novos escritores LGBT que sentem essa ausência de espaço?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Conte suas histórias. Alguém precisa ler o que você tem para contar. Publique de forma independente. Acha que não consegue lançar na Amazon? Lance no Wattpad ou no Medium. E saiba que as portas do Cadê LGBT estão sempre abertas para divulgar você. É só mandar e-mail!</p>



<p><strong>T: Como você enxerga as perspectivas da literatura LGBT+, especialmente a Bissexual, para os próximos anos, baseado nos retornos que você já recebe hoje pelo seu trabalho?</strong></p>



<p><strong>M: </strong>A Literatura LGBTQIA+ ainda vai crescer muito, especialmente aquela voltada para o público jovem. Existe uma carência muito grande dessas histórias, existe uma falta, existe o público. Esse público ainda está se entendendo como uma potência, e páginas como o Cadê LGBT acabam reunindo essas pessoas em um lugar em comum. Nós temos, hoje, 17 mil seguidores. Não dá para negar que existem pessoas interessadas em histórias LGBTQIA+. E a Comunidade Bissexual está começando a se ampliar. Eu boto fé que ainda seremos um fenômeno (mas eu sou otimista).</p>



<p><strong>T:  E da sua parte, Maria, vem novidade por aí?</strong></p>



<p><strong>M: </strong>Eu ainda tenho três contos para lançar da série <a href="https://www.amazon.com.br/Clich%C3%AAs-rosa-roxo-azul-Livro-ebook/dp/B083JJVFTW/ref=sr_1_9?dchild=1&amp;qid=1601230273&amp;refinements=p_27%3AMaria+Freitas&amp;s=digital-text&amp;sr=1-9&amp;text=Maria+Freitas">Clichês em Rosa, Roxo e Azul</a>; então, até o fim do ano, seguirei &#8220;vindo aí&#8221;. Mas o meu plano é me aquietar em 2021. Vou lançar a versão física da série de contos e produzir uma coisa ou outras para os meus leitores. Mas só se eu aguentar, né? Porque eu não paro nunca.</p>



<p><strong>T: Qual é a pergunta que você gostaria que eu tivesse feito e eu não fiz? E qual é a resposta a essa pergunta?</strong></p>



<p><strong>M: </strong> A pergunta é &#8220;Maria, quando você vai lançar um conto com um papai noel alienígena?&#8221;, e a resposta é &#8220;em dezembro&#8221; (risos). Brincadeira. Mas eu realmente vou lançar um conto com um papai noel alienígena.</p>



<p></p>



<p> Acompanhe o trabalho da Maria pelo Twitter em <a href="http://twitter.com/themariafreitas">@themariafreitas</a> e <a href="http://twitter.com/cadeLGBT">@cadelgbt</a>.</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Pedra, Memória e História</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4cf0f-90.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12147" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Vejam como as memórias são interessantes. Esta poderia ser apenas uma imagem de natureza para ser contemplada; mas a pesquisa histórica possibilita acessar as diversas camadas do tempo sobrepostas a uma imagem aparentemente banal. Nesse lugar, hoje tomado de mato e com uma frondosa e bela árvore antiga ao lado, havia uma casa onde moraram meus avós paternos, meu pai, meu tio Sebastião e minhas tias. Uma moradia de empregados localizada numa fazenda perto do sítio que minha mãe herdou de suas tias-avós. Tratava-se de uma casa de veraneio construída para&#8230; os patrões que iam passar temporadas na roça, a procura do ameno clima da região.</p>



<p>No entanto, essa pomposa casa, de madeira, vidraças e circundada por uma confortável varanda, acabou sendo posteriormente preterida pelos proprietários, que resolveram mudar a sede para outro ponto da fazenda. Assim, justificava-se a moradia daquela família de pobres e de dependentes para aquele lugar. Nas memórias de infância do meu meu pai e das minhas tias, ficaram eternizadas as lembranças desse período que eu poderia chamar de &#8220;áureo&#8221; (como o nome do médico que a comprou, o Dr. Áureo). Tanto assim o foi que, ao ser demolida para dar lugar a um casebre que, depois de muitos anos, também foi demolido, faziam questão de contrapor esta àquela: &#8220;mas a nossa casa não era essa; era uma casa muito mais bonita e charmosa!&#8221;.</p>



<p>A pedra semi-enterrada, escondida no meio do mato, que podemos observar na foto, pode parecer que &#8220;sempre esteve ali&#8221;. Mas não. Em certo dia de chuva torrencial, a água a fez rolar do pico do morro localizado em frente à casa. A cena, que durou segundos, eternizou-se por anos e anos na memória dos moradores. Minha tia se lembra de todos apreensivos dentro de casa, vendo aquela pedra rolar, em alta velocidade e pressão, praticamente raspando a parede lateral da edificação. A tragédia, que imaginavam ser imensa, felizmente, não passou de pequenos danos, de segundos de aflição que foram suficientes para se perpetuarem em suas memórias.</p>



<p>Enfim, a pedra rolou, os moradores sobreviveram, mudaram-se dali, a casa se esvaiu com o tempo, um casebre foi construído no mesmo local, que, por sua vez, também foi demolido. Entretanto, a pedra continua no mesmo lugar, ali pertinho da árvore frondosa que a reverencia. Interessante, não é? Mas esse episódio não seria hoje reabilitado, se, décadas depois, a memória não se tornasse, para mim, objeto da história. Caso contrário, essa imagem não continuaria tendo o significado simbólico que continua tendo para a nossa família. Com toda a sua beleza e importância, a pedra continuaria sendo simples pedra, a árvore sendo simples árvore e o terreno, esvaziado da presença humana &#8211; percepção certamente compartilhada por todos aqueles que por ali passam hoje, com exceção dos que ali moraram. Tudo muito lindo e importante do ponto de vista ecológico, mas vazio de histórias e narrativas que desvelam a interação do ser humano com o espaço que o circunda.</p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Brasil fica em 9º lugar entre 11 países da América Latina em ranking de direitos políticos das mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>O Brasil está entre os países mais mal avaliados da América Latina no que diz respeito aos direitos políticos das mulheres e à paridade política entre homens e mulheres. O projeto ATENEA, implementado na região pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ONU Mulheres, com o apoio da organização IDEA Internacional, analisa 40 indicadores relacionados ao tema e, a partir deles, calcula o Índice de Paridade Política (IPP). Ele varia de 0 a 100 e atribui valores mais altos aos mais bem avaliados.</em></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2020-09/mulheres_ranking.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>O Brasil está entre os países mais mal avaliados da América Latina no que diz respeito aos direitos políticos das mulheres e&nbsp;<a href="https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/presscenter/articles/2020/avaliacao-do-pnud-e-da-onu-mulheres-sobre-direitos-politicos-das.html">à paridade política entre homens e mulheres</a>. O projeto ATENEA, implementado na região pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ONU Mulheres, com o apoio da organização IDEA Internacional, analisa 40 indicadores relacionados ao tema e, a partir deles, calcula o Índice de Paridade Política (IPP). Ele varia de 0 a 100 e atribui valores mais altos aos mais bem avaliados.</p>



<p><a href="https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/library/projeto-atenea-_-brasil--onde-esta-o-compromisso-com-as-mulheres.html"><strong>&gt;&gt; Acesse a íntegra do relatório</strong></a></p>



<p>A análise dos 40 indicadores atribuiu ao Brasil o IPP de 39,5, o que o localiza em 9º lugar entre os países latino-americanos já mapeados pela iniciativa ATENEA &#8211; Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Peru e Uruguai. A partir das evidências resultantes da aplicação do Índice de Paridade Política, o ATENEA apresenta recomendações para que se torne possível produzir, incrementar e aperfeiçoar avanços em cada uma das dimensões abordadas.&nbsp;</p>



<p>O diagnóstico elaborado pelo estudo aprofunda a discussão dos desafios à participação política das mulheres no país e se insere no contexto da promoção da&nbsp;<a href="https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/">Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU</a>, em que a paridade aparece como um dos enfoques centrais para o avanço do&nbsp;<a href="https://nacoesunidas.org/pos2015/ods5/">ODS 5 (Igualdade de Gênero)</a>&nbsp;e para a construção de democracias consistentes.</p>



<p>&#8220;O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer em direção à paridade de gênero e, para isso, é fundamental que ocorram mudanças institucionais, para que seja possível produzir e incrementar avanços em cada uma das oito dimensões abordadas&#8221;, afirma a representante da ONU Mulheres no Brasil, Anastasia Divinskaya.</p>



<p>A representante-residente do PNUD no Brasil, Katyna Argueta, foi a responsável pela implementação do ATENEA também no México, em 2017, quando o país atingiu o IPP de 66,2.</p>



<p>&#8220;A iniciativa contribuiu fortemente para as discussões naquele país. Cerca de um ano e meio depois, o México aprovou uma grande reforma para garantir que 50% dos cargos públicos fossem ocupados por mulheres&#8221;, comenta Argueta. Por lá, a regra vale para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nos órgãos federais, estaduais e municipais, além de órgãos autônomos. &#8220;Nossa expectativa é contribuir para o que Brasil também consiga fazer suas mudanças estruturais&#8221;, afirma.</p>



<p><strong>SOBRE O ATENEA —&nbsp;</strong>Lançado em 2014 com o objetivo de gerar mudanças mais sustentáveis para reduzir a desigualdade na esfera política, o ATENEA é um mecanismo criado para acelerar a participação política das mulheres em países da América Latina e do Caribe. O projeto reúne informações sistemáticas, periódicas, comparáveis e sensíveis a gênero sobre a presença de mulheres nas diferentes áreas de participação política, e apresenta recomendações para mudanças que possam contribuir para uma superação das desigualdades.</p>



<p>Os 10 países que já implementaram o projeto, além do Brasil, são México (IPP: 66,2); Bolívia (64); Peru (60,1); Colômbia (54); Argentina (44,7); Honduras (42,7); Guatemala (42,6); Uruguai (41,7); Chile (38,2); e Panamá (37). Está ainda prevista a aplicação em Costa Rica, Equador, El Salvador, Haiti, Honduras, Nicarágua, República Dominicana e Venezuela. O desenvolvimento do ATENEA é um dos eixos de ação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente do ODS 5, que tem como principal meta alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.</p>



<p><strong>EIXOS DE ANÁLISE —&nbsp;</strong>Organizados em oito eixos, os indicadores mensuram aspectos que vão desde o grau de participação das mulheres no sufrágio até a existência de estruturas voltadas à igualdade de gênero nos partidos e sua atuação como instância decisória. A dimensão em que o Brasil registra a menor pontuação se refere ao desenho e à efetividade da lei de cotas no país (13,3), seguida pelos compromissos institucionais brasileiros em relação à igualdade entre mulheres e homens (20,0). Veja abaixo dos eixos, com o respectivo subíndice do IPP:</p>



<ul><li><strong>Dimensão 1: Compromissos nacionais com a igualdade na constituição e marco legal</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 20</p>



<p>— Em relação aos marcos legais e constitucionais, no Brasil, a promoção da igualdade de gênero é constitucional, mas houve pouco avanço na adoção de uma legislação integral de combate à violência de gênero ou outras medidas que regulamentem e, assim, promovam ativamente a igualdade de gênero.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 2: Exercício do direito ao sufrágio</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 80,3</p>



<p>— O exercício igualitário do voto é a dimensão do IPP que o Brasil melhor pontua. O sistema de organização das eleições brasileiras é bastante sólido. Um problema verificado neste subíndice é o recrudescimento da violência política de gênero.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 3: Cotas e paridade política</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 13,3</p>



<p>— A legislação de cotas brasileira, adotada desde 1995, é considerada frágil e teve um baixo impacto porque faltavam mecanismos institucionais que garantissem sua efetividade e incidência nas condições de competitividade das candidaturas femininas.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 4: Poder Executivo e Administração Pública</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 51,7</p>



<p>— Não há cotas para as eleições de cargos Executivos (prefeito ou prefeita, governador ou governadora e presidente ou presidenta da República). A própria natureza dessas eleições (majoritárias) dificulta o acesso a minorias políticas.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 5: Poder Legislativo</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 59,1</p>



<p>— O número de deputadas federais continua muito baixo (15%), o que reflete a falta de investimento nas candidaturas femininas. Há, ainda, uma consistente divisão sexual do trabalho político que exclui as deputadas e senadoras dos âmbitos decisórios de coordenação, perpetuando a aplicação da lógica do trabalho reprodutivo na carreira política.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 6: Poder Judicial e Instâncias Eleitorais</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 21,7</p>



<p>— Ainda que as últimas ações de garantia da lei de cotas tenham partido do Judiciário, a baixa presença de mulheres nas Cortes evidentemente enfraquece a agenda da paridade de gênero e precisa ser enfrentada seriamente, como indicou o Relatório da Missão Eleitoral da OEA de 2018.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 7: Partidos políticos</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 45,1</p>



<p>— Os partidos brasileiros surpreendem pela capacidade em refratar a mobilização das mulheres. Ainda que quase todos os partidos tenham setoriais de mulheres e que quase metade apresente compromissos com princípios de igualdade de gênero nos seus estatutos, vê-se que sua adesão é muito mais retórica do que efetiva.</p>



<ul><li><strong>Dimensão 8: Governos locais</strong></li></ul>



<p>Subíndice: 25</p>



<p>— Os cargos do Poder Executivo e Legislativo em nível local apresentam uma baixíssima presença feminina, principalmente nos governos estaduais. Os municípios atualmente contam com 11,5% de prefeitas e 13,5% de vereadoras. Nos estados e no Distrito Federal, há apenas uma governadora, no Rio Grande do Norte, e as mulheres ocupam apenas 15,5% cadeiras nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.</p>



<p><strong>RECOMENDAÇÕES</strong></p>



<p>A partir das evidências resultantes da aplicação do Índice de Paridade Política e das informações e análises complementares apresentadas no diagnóstico foram apresentadas recomendações para que se torne possível produzir, incrementar e aperfeiçoar avanços em cada uma das dimensões abordadas.</p>



<p>Conheça algumas dessas recomendações:</p>



<ul><li>Impulsionar ações que promovam o acesso das mulheres negras e indígenas ao poder político a partir de uma perspectiva interseccional, enfrentando o sério déficit existente em termos de raça/cor/etnia e as barreiras/fatores impostas pelo racismo estrutural.&nbsp;&nbsp;</li><li>Promover e intensificar o controle público sobre os partidos políticos, com ações de fiscalização e punição diante do descumprimento da legislação de cotas.</li><li>Além da dimensão eleitoral, é preciso implementar transformações que garantam às representantes a efetividade no exercício do poder político no mandato, combatendo a divisão sexual do trabalho político.</li><li>Promover ações de enfrentamento à violência política contra as mulheres nas suas diversas formas e meios de manifestação.</li><li>Impulsionar o fortalecimento de lideranças políticas por meio de alianças entre diferentes redes e atores comprometidos com a igualdade de gênero (movimentos feministas e de mulheres, legisladores, jornalistas, academia, organismos internacionais, etc).</li></ul>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em><a href="https://brasil.un.org/pt-br/92686-brasil-fica-em-9o-lugar-entre-11-paises-da-america-latina-em-ranking-de-direitos-politicos"><em>Nações Unidas Brasil</em> </a><em>em 25/09/2020 &#8211; Atualizado em 25/09/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: A VIDA ATRAVÉS DA JANELA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[janela]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Houve um tempo em que a vida passava devagar. Fosse ao norte do Paraná, com sua terra avermelhada, ou na mais pacata fazenda do Tenessee. Quando penso nisso, quase escuto a bola de feno que caminha com calmaria nas estradinhas marcadas pela ferradura dos cavalos.</em></p>



<p><em>Mas&#8230; Esse tempo se foi. Hoje, é na base da pressa mesmo.</em></p>



<p><em>Passa o café, coloca na garrafa térmica, corre para não perder o ônibus, põe os fones de ouvido e pensa no tanto que há para fazer no trabalho. Volta pra casa, tira os sapatos e se joga no sofá para descansar. Não, espera&#8230; A mente nunca para. Já lembra que o feijão precisa descer do freezer para descongelar e que calça do uniforme rasgou e precisa costurar.</em></p>



<p><em>Enfim chega o sagrado fim de semana, respiremos. Só que logo ali, no Domingo, o peito aperta ao lembrar que na manhã seguinte recomeça a corrida dos ratos.</em></p>



<p><em>Até que o final da década chega e junto com ela, um vírus desconhecido e uma pandemia pra te fazer parar, perder, sofrer e o mais precioso: Ter tempo.</em></p>



<p><em>O relato a seguir é de uma pessoa que desabafou comigo e pediu a preservação de sua identidade. Transformei em história e sinto que irá sacolejar muita gente&#8230; Vem, é por aqui:</em></p>



<p>&#8220;Quase todo fim de tarde, quando o céu se pinta em aquarela, eu me pergunto: &#8216;Que foi que eu pedi dia 31 de Dezembro de 2019, quando o relógio bateu 00h?&#8217;</p>



<p>Te juro que tento lembrar pra ver se encontro alguma fala ou frase que talvez tenha sido mal interpretada pelos organizadores de 2020. E é assim que estou vivendo esse isolamento social: com xícaras cheias de bom humor e aroma de alecrim pela casa. Inclusive, te deixo essa sugestão: pega um raminho de alecrim e queima; depois, espalha pela casa, pois isso afasta todas as más energias e impurezas espirituais de nosso lugar. Prática de vilarejos milenares mundo afora, recomendo.</p>



<p>Também venho saboreando a vida pela janela. É ali, na calma e no caos, que a gente entende a vida e chega até parecer poesia; mas é verdade. De manhã cedo, o sol invade nossas casas e abrimos a janela para que ele entre e irradie. Mais tarde, vejo a senhora que mora em frente preparar uma xícara de chá que chego a ver a fumacinha saindo &#8211; e me pergunto qual será o sabor escolhido. Mais ao lado, um senhor que está concentradíssimo trabalhando de casa desde abril. Sei disso porque ele senta em frente ao computador pela manhã e sai só à tarde; acredito que ele tenha terminado, pois agora não existe mais um computador sobre a mesa e sim um vaso de orquídeas que espalham graça e beleza para meus olhos.</p>



<p>Passa o ônibus do bairro, o senhor que vende ovos frescos e o tão familiar apito do afiador de facas (quem lembra?).</p>



<p>Pela janela, eu vejo se o céu será de azul infinito ou de chuva necessária para a terra. Aviões de passageiros, ah&#8230; Esses passam poucos, mas os cargueiros é todo fim de noite, um evento com todo seu majestoso tamanho e luzes piscando. Dia desses, teve até carro de mensagem daqueles que faziam a gente correr sem nunca mais olhar pra trás na década de 1990. Cantamos parabéns e vibramos junto com a nossa vizinha&#8230; Que nunca tínhamos visto.</p>



<p>Quando minhas pálpebras começam a pesar e a melatonina se ativa, deito um pouco e vejo o céu corajosamente estrelado e me mostra o quão pequenos somos. Esse sentimento me traz medo, um vazio. Mas também uma coragem e potência que só quem é humano entende (não estou escrevendo para alienígenas, licença poética por favor&#8230;).</p>



<p>Da janela eu vejo as pessoas, as árvores nuas de inverno, a chuva, a vida.</p>



<p>Eu sou grata por ter uma janela para onde olhar. Por onde olhar. Mas quero muito poder voltar para as janelas da alma: os olhos das pessoas.</p>



<p>Com riso frouxo, sem máscaras; sem medo e com humanidade. Estamos tateando na incerteza, e espero que a gente saia melhor do que entramos porque o ser humano é bicho triste: só aprende na dor.</p>



<p>Enquanto isso, abre tua cortina e contempla seja qual for a vista. Seguimos!&#8221;</p>



<p><em>Histórias, memórias e sensações são os que nos conectam, independente do ponto de partida, classe social e demais lugares de fala. Por isso, tenho um projeto que foi conhecer o mundo virtual esse ano, que se chama Caçadora de Histórias, e ele acontece no Instagram.</em></p>



<p><em>Quer saber como funciona? Te conto: Escolhe alguma história que queira partilhar e envia para o e-mail <a href="mailto:tuahistoriaaqui@gmail.com">tuahistoriaaqui@gmail.com</a>.</em></p>



<p><em>A partir disso, escrevo-a com minhas próprias palavras te ajudando a ter um novo olhar sobre tu mesma (o). É um processo de cura das feridas, terapêutico e libertador para ambas as partes.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Estéreo &#8211; Capítulo 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Estéreo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Pippa]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bárbara Pippa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vou começar pela metade da história.</p>



<p>Não vai ser pelo início&nbsp;&#8220;eu nasci e cresci&#8221;&#8230; <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;porque anterior aos dezessete anos, considero que, praticamente, eu apenas respirava e deixava as funções vitais de meu corpo se realizarem, incluindo o que fosse de exercício do pensar, sem tomar frente a nada.</p>



<p>Realmente, eu não tinha opinião <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;ou, se ela existia, era irrelevante.</p>



<p>Eu não tinha estilo próprio;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;era uma cópia das coisas que via na televisão, mas de forma bem fajuta.</p>



<p>Eu não tinha nada além de pensamentos que me foram colocados através da família e da sociedade em que eu habitava: então, resumia-me a nada fora do comum (o que fosse considerado comum para aqueles meios) e nada de extraordinário.</p>



<p>Então, como naqueles filmes juvenis em que no décimo terceiro aniversário a criança descobre ter poderes mágicos que mudarão sua vida &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;se você não assistiu desses, saiba que era bem comum ter mães sereias ou ser filha de bruxas nessas obras -,<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;no meu décimo sétimo aniversário, finalmente, acordei para o que se chamava vida.</p>



<p>Creio que grande parte da mudança se deu em função da mudança de colégio.</p>



<p>Antes, eu estudava num lugar em que se dividia entre meninos e meninas que eram consideradas populares; os casais mais famosos, dos quais todos queriam ficar próximos no recreio e ter amizade, para poder beijar garotos do mesmo meio e ir para um bairro que, naquela época, era o point &#8211; onde ficávamos sentados, fazendo nada, e fingindo estar fazendo nada quando estávamos tentando chamar a atenção de algum rapaz mais velho que nos ignorava (o que era errado e só hoje percebo o quanto).</p>



<p>Depois, fui para uma escola onde todas as pessoas eram diferentes e também semelhantes, mas existia uma singularidade de gestos e jeitos que transformou aquele ambiente em uma porta para outra percepção de mundo.</p>



<p>Lá, iniciei uma visão política sobre o que era ser mulher e o como deveria lutar para ser respeitada, ter direito de fala e não ficar na sombra de um menino que se achasse superior (ainda que o feminismo não fosse pauta e nem tão comentado ou expressivo); entendi que as pessoas se dividiam sim em grupos com os quais se identificavam mais, por músicas ou pelo cigarro que se fumava; e que a vida, infelizmente, seria dessa forma, na qual eu me sentiria inclusa e não inclusa em diversas situações.</p>



<p>Descobri amizades que se importavam com a conexão além do físico, e que era mais importante rir junto do que ser aparentemente agradável para algum rapaz. E, principalmente, descobri que a sexualidade não se limitava a <em>heteronormativa</em> (palavra que nunca imaginaria existir naquele tempo) e haviam casais de meninas e de meninos que caminhavam livremente, de mãos dadas e de cabeça erguida.</p>



<p>Foi aí que entendi que todo aquele antigo e arcaico e estúpido modo de se falar que sempre foi adotado perto de mim para se referir a sexualidade de outra pessoa era errado. Porque nunca fomos religiosos em minha casa, e eu somente ouvia que Deus criou o homem e a mulher para viverem juntos e mais balelas do tipo &#8211; quando, na verdade, se existia um Deus, ele criou as pessoas para se amarem e viverem em harmonia, se respeitando, tal como me foi ilustrado na nova escola.</p>



<p>Conheci o respeito as pessoas que eram diferentes de mim.</p>



<p>E com esse respeito, conheci o mundo.</p>



<p>E começa aí a minha parte da história.</p>



<p>Eu tinha dezessete e uma grande vontade de desbravar esse mundo que me fora apresentado. Eu tinha dezessete e já tinha beijado na boca algumas vezes. Eu tinha dezessete e uma sopa de hormônios gritando dentro de mim. Eu tinha dezessete e queria fazer o que eu achava (erroneamente) que toda menina daquela idade tinha que fazer naquela idade.</p>



<p>Nesse ponto, eu comecei a entender o desejo. A atração.</p>



<p>Eu não namorava, não tinha nenhum envolvimento fixo; e tinha pressa. Mas, também, não queria nada que fosse contra tudo o que eu imaginava <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;e nem sei se o que eu imaginava era algo bom ou não.</p>



<p>Eu não conhecia o amor como conheço hoje (e ainda duvido se o conheço totalmente). Então, tudo o que já havia sentido era intitulado por paixão. E apenas tinha me apaixonado uma vez, não sendo correspondida.</p>



<p>Todas minhas amigas tinham idealizações de príncipes encantados que surgiriam, cairiam de amores por elas, se tornariam os primeiros homens nas suas vidas e sabe lá o que aconteceria.</p>



<p>Eu só queria alguém que me respeitasse, que fosse legal comigo e que não quisesse nada sério, porque estava definitivamente sem intenções de namorar naquele momento. Porém, estava disposta a esperar esse cara legal aparecer e me receber.</p>



<p>Eu tinha urgência.</p>



<p>Apesar das vontades crescentes, eu acreditava que tudo surgiria no momento certo &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;como ainda creio.</p>



<p>Só que esse momento certo apareceu com outro momento que não era o que eu imaginava que aconteceria &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;mas que era para ser também o momento certo de aparecer.</p>



<p>Todos com quem eu conversava namoravam ou se relacionavam de alguma forma com pessoas do sexo oposto. Tudo o que eu conhecia de desejo, em mim, sempre fora manifestado em relação a pessoas do sexo oposto. Todas as bocas que eu beijei foram de rapazes.</p>



<p>Até ela aparecer.</p>



<p>Não foi paixão e tampouco foi amor. Não foi algo que seja possível transcrever em palavras. Mas foi algo.</p>



<p>No instante em que eu a vi, foi como se meu corpo congelasse por alguns instantes e voltasse a funcionar movido por uma descarga elétrica de neurônios antes nunca aparentes.</p>



<p>Ela era linda.</p>



<p>Sempre fui de admirar as pessoas pelos seus traços e contornos, mas era diferente dessa vez.</p>



<p>Ao passar por ela, uma única vez na vida, cruzando o corredor do colégio a caminho da sala de aula, ela sorriu um sorriso de educação e de modo formal que desmontou todas as minhas estruturas.</p>



<p>Eu não tinha apenas a achado bonita, eu a <em>queria</em>.</p>



<p>Eu estava a <em>desejando</em>.</p>



<p>A imagem de seu sorriso se fez forte com seus lábios marcados pelo batom e que fizeram os meus se umedecerem como se dissessem para os dela “me beijem”.</p>



<p>Eu queria beijar aquela mulher nunca antes vista.</p>



<p>Tudo o que aconteceu a seguir em mim foi uma manifestação de medo, excitação, e de pensamentos falando que eu estava louca.</p>



<p>Louca por desejar uma mulher.</p>



<p>A assimilação da sexualidade era fácil e simples de compreender <img decoding="async" width="16" height="23" src="">quando se tratava de pessoas alheias e não de mim mesma.</p>



<p>Pensei ser um delírio ocasionado por qualquer motivo tolo; contudo, eu queria gritar aquela sensação de estar com algo agarrado na garganta que deveria ser gritado para mim mesma.</p>



<p>Como eu poderia ter me atraído tão de imediato por uma mulher se nunca passou pela minha cabeça a possibilidade? Como eu poderia ter me atraído por uma mulher sendo que eu estava ansiosa para perder a virgindade com algum rapaz que fosse decente? (Deixando claro que este termo se faz horrível pois perdemos a chave de casa, a carteira, a hora&#8230; a virgindade não é algo que se perde ou se encontra para tal frase).</p>



<p>Com quem eu poderia falar a respeito sendo que todas as amigas que tinha nunca mencionaram nada próximo dessa situação para que eu pudesse me sentir menos desconfortável?</p>



<p>Fui consumida por silêncios sufocantes; pensamentos que me matavam; por náuseas de segredos. Era como se estivesse pensando em algo errado e, se eu externalizasse, poderia ser presa por tal ato.</p>



<p>Meu reflexo no espelho jogava de volta a mentira que crescia em tentar esconder que eu não estava bem. Eu fingia ainda mais que estava tudo normal.</p>



<p>Os dias continuavam, a loucura aumentava e, simultaneamente, eu conheci um garoto. O que me deixou mais confusa, ainda mais sem ter com quem conversar.</p>



<p>Ele era primo de um amigo e, em um episódio corriqueiro de colégio, nos encontramos para buscar seu auxílio em um trabalho.</p>



<p>Educado, simpático, atencioso. Nos encontramos uma vez, e mais uma e mais uma.</p>



<p>Até que, de modo extremamente fluido e sem nada que fugisse da minha vontade, foi com ele que a porta para a vida sexual se abriu. Por alguns instantes, eu esqueci de tudo o que tinha acontecido e absorvi a novidade, contando às amigas, dividindo as experiências e me sentindo feliz por ter acontecido da forma que eu imaginava que fosse.</p>



<p>Mas todas as noites, antes de dormir, vinha na memória aquele segredo escondido bem no fundo de mim, para se manifestar e informar que ainda estava vivo, independente de eu ter concretizado o que eu julgava ser minha maior expectativa &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;esse algo não dito insistia em se equivaler em intensidade.</p>



<p>Bissexualidade era uma palavra bem longe de ser conhecida por mim e, menos ainda mencionada pelos meios de informação. A internet não era como hoje, as redes sociais eram bem limitadas, e assuntos desse cunho eram coisas para tratar com psicólogos.</p>



<p>Naqueles momentos, eu só conseguia entender que havia algo errado em estar desejando uma mulher que eu só vira uma vez e ainda ter gostado de estar sexualmente com um homem. Tudo atiçava meus passos para o caminho do precipício de não saber o que acontecia internamente.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;&#8211; Eu tô te achando meio pra baixo esses dias, tá tudo bem? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;&#8211; Ela.</p>



<p>Ana.</p>



<p>De todas as amizades, Ana se fez a mais próxima. Tínhamos gostos musicais parecidos, falávamos o mesmo tipo de bobagem, riamos das piadas uma da outra quando as demais não achavam graça.</p>



<p>Eu a acompanhava quase diariamente até um ponto onde ela ficava à espera de seu ônibus, e que era caminho para eu seguir a pé para casa após as aulas.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;&#8211; Tá sim, tudo bem.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;&#8211; Tem certeza, Bi? &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Ela era uma das poucas que me chamava por um apelido carinhoso, em vez do nome Bianca. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;É alguma coisa sobre aquele cara lá?</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Não, não! Imagina, com ele tá tudo bem. Ele foi embora né? Não lembro se comentei com você. Uns dois dias depois que a gente ficou. Mas não é nada com ele, não.</p>



<p>Foi como se o sujeito tivesse caído do céu para satisfazer meu sonho e, em seguida, partido para outro destino, possibilitando tudo ter acontecido da forma que eu almejava.</p>



<p>&#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Então o que tá pegando? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela falava de um jeito mais largado, palavras soltas, voz forte, firme.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Não sei se você vai achar estranho&#8230;. Não sei se eu posso falar. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Afinal, não saberia dizer se minhas amigas estariam dispostas a entender.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Tenta. Meu ônibus ainda demora.</p>



<p>Eu busquei as palavras certas, abaixei o tom da fala, como se fosse algo vergonhoso o que diria.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Você já se interessou por alguma menina?</p>



<p>Ela gargalhou.</p>



<p>Deu uma risada que era apenas isso, uma risada. Não parecia nada além de ter achado graça do meu comentário e tornou tudo o que eu achava ser coisa de outro mundo, deste.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;É isso? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Ela ainda ria e falava em tom normal, sem se preocupar com as pessoas ao redor. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Tava achando que é algo grave, sei lá. Mas poxa, supernormal. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Pausa para recuperar o fôlego após rir de mim. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Eu já fiquei com uma menina uma vez.</p>



<p>Meu mundo caiu.</p>



<p>Após tanto tempo remoendo tudo e tanto como se fosse de fato pecaminoso, Ana transformara todas as sensações em leveza e em um estado de normalidade que até me assustou.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;É&#8230; &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Eu estava tímida, apesar de mais segura em saber que podia falar com ela. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Eu não sabia com quem conversar e nem se alguém entenderia. Mas isso tá acabando comigo.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Cara é normal, relaxa. Quem é a menina?</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Aquela moça que foi no colégio há duas semanas, lembra? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Após isso, nunca mais a vi. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Nunca senti isso antes, foi como se ela tivesse ligado alguma coisa dentro de mim.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Sei! Sei sim! Ela era bem bonita mesmo. Mas cara, relaxa. Não é o fim do mundo.</p>



<p>Não era mais o fim do mundo igual já tinha sido.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Fico mais calma agora sabendo. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Até consegui sorrir aliviada. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;E&#8230; Você gostou de ter beijado?</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;É um beijo. Normal como todos os outros. A diferença é que é uma mulher, só isso. De olho fechado ninguém percebe nada. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela se aproximou, em tom de deboche, mas com respeito. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Agora você tem que beijar pra descobrir se vai gostar ou não e matar essa curiosidade.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu não tenho como beijar uma menina. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu falava aos sussurros. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Não vou perguntar pra alguma estranha e nem tenho menina pra perguntar. Vou ficar sem graça de fazer isso.</p>



<p>De fato, somente descobrimos as coisas que gostamos e não gostamos ao experimentar.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ah, eu posso te beijar então.</p>



<p>Ela disse e eu fiquei sem reação.</p>



<p>Seu ônibus chegou, ela se despediu e eu fiquei parada <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;muda <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e sem saber sair do lugar.</p>



<p>E se eu gostasse de beijar uma menina, o que significaria? Porque tinha algo bem certo dentro de mim dizendo que eu ia gostar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Barbara Pippa </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é nascida em Juiz de Fora, participante em antologias de poemas e contos. Acredita em astrologia e muda o cabelo de acordo com o humor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-6 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Herança &#8211; Capítulo 4: Negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Herança]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Augusto era o tipo de garoto que toda mulher gostaria de ter. Tipo atlético, pele negra brilhante, expressões bem alinhadas, como numa escultura de Michelangelo. Por onde passava, as mulheres suspiravam, apesar da ainda pouca idade.</p>



<p>Havia sido reprovado duas vezes na escola. Isso lhe amargava a triste convivência com seu irmão do meio na mesma sala &#8211; não porque não gostasse do garoto, mas porque sua presença o lembrava sempre de seu fracasso escolar, esse menino, que era uma criança ainda, tamanha era já a vivência do filho mais velho de Noêmia. E o irritava ainda mais o fato de aquele garoto ser meio <em>bilolado</em> das ideias; parecia não ter a idade que tinha, sempre carinhoso com a mãe, sempre querendo mais do pai. Não era possível, um irmão desmiolado.</p>



<p>Augusto era o tipo de garoto que inspirava atenções. Na escola, nem tanto, pois sabia se comportar bem no local de trabalho do pai. Além do mais, era um rapaz deslocado por lá. Achava todos os seus colegas metidos à besta, filhinhos de papai. No entanto, em seu bairro, era ele o mandachuva. Já novo, aprendera a lidar com sua sexualidade e o prazer que seu corpo lhe proporcionava. Aos 12 anos, com um amigo mais velho, num lote vago, descobriu que sua mão poderia realizar feitos enormes diante de seu sexo. A própria saliva de seu corpo fazia sua mão deslizar por seu pênis, proporcionando-lhe prazeres enormes. A partir daquele instante, não parou mais de se saciar diante de uma réstia de tesão que tivesse. Não havia um buraco que ele não preenchesse. Seja ele qual fosse.</p>



<p>Garoto extremamente rebelde, só quem o segurava era sua mãe. E, mesmo assim, por pouco tempo. Adorava jogar bola, era o rei das peladas. Na mesma intensidade, era o senhor das brigas de rua; e não levava nunca desaforo pra casa. Em certa ocasião, bateu tanto num rapaz mais velho que, dias depois, ele teve que fazer novo retrato do rosto. Ricardo, na ocasião, desdobrara-se para evitar um tumulto maior entre as famílias, pagando, em horas extras no trabalho, todo o tratamento do rapaz.</p>



<p>Faltando um ano pra atingir a maioridade, Augusto não via a hora de acontecer, apesar de já ter uma carteira falsificada, identificando-o como um garoto de 19 anos. Não havia lugar na cidade em que ele não entrava.</p>



<p>Não possuía grupos, não tinha amigos íntimos; era múltiplo, diversificado, convivia bem com todos, apesar do temperamento explosivo. Uma coisa ele não deixava barato: se mexesse com seus irmãos, quem quer que seja, iria pagar caro pelo que fizesse. Era super protetor deles, sentia-se na obrigação de ser, por ser o primogênito.</p>



<p>Apesar dessa relação com os irmãos, não tinha muita paciência com seus pais. Achava os dois uns coroas babacas &#8211; principalmente seu pai, que não tinha o tato de Noêmia, sua mãe; falava as coisas para o filho mais velho de maneira direta, objetiva. E, naquela noite, em que vira seu pai voltar a beber depois de tantos anos, percebera o quanto realmente estava distante do seu velho. Ao mesmo tempo, sentia o quanto ele era fraco, não se importando de saber sequer o porquê de Ricardo estar assim.</p>



<p>Aquilo era apenas o começo, mal sabendo o quanto puxara de seu pai tantos defeitos, deixando as qualidades estacionadas em algum canto da consciência.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94898-darlan_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10407" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:18px"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/75260-galerialuis1-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10529" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>A gente se acostuma (mas não devia)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Costume]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Colasanti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos dias, o texto “Eu sei, mas não devia”, da Marina Colasanti, não me sai da cabeça. A primeira vez que o li, em 2007, estava na faculdade de Jornalismo e, desde então, sempre o tenho na cabeça, tamanha a veracidade de suas palavras. A Marina conseguiu descrever a vida de todos nós em tão poucas palavras, de uma forma chocante e lamentável.</p>



<p>Após relatar várias e várias coisas que poderiam ser terríveis, mas com as quais terminamos por nos acostumar, o texto finaliza da seguinte forma:</p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>“A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.</em></p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”</em></p>



<p>De tanto nos acostumarmos com as coisas, acabamos por nos perder de nós mesmos,&nbsp; esquecendo de quem somos, do que gostamos e do que queremos. Mudamos nossa personalidade para nos adaptar ao &#8220;costume&#8221;. Transformamo-nos em pequenos seres moldados por uma sociedade igual, e acabamos por abandonar nossa essência, aquela que nos tornava únicos.</p>



<p>Ao nos acostumarmos em certos ambientes de trabalho, esquecemos os verdadeiros profissionais que somos, ou que tanto almejamos ser, simplesmente porque nos acostumamos a não ter o nosso trabalho reconhecido e a não sermos valorizados como os verdadeiros profissionais que somos. Nos acostumamos a não fazer sempre o nosso melhor, porque os outros se satisfazem com o &#8220;mais ou menos&#8221; e, assim, nos esquecemos de quem realmente podemos ser.</p>



<p>Ao nos acostumarmos com relacionamentos medíocres, achamos que não precisamos de nada mais do que aquilo. Um beijo de &#8220;até mais tarde&#8221; torna-se o suficiente para levarmos uma relação por longos anos. Esquecemos que é necessário renovar também no amor, seja com palavras, com atitudes, com olhares… O que não dá é se acostumar!</p>



<p>Se a vida não está boa, satisfatória ou está frustrante, devemos levantar e mudar, não importa o quanto doa, ou quanto tempo a mudança irá demorar. O que não dá é para se acostumar e ficar sentado enquanto esperamos o fim chegar. Porque, enquanto nos acostumamos e esperamos, a vida continua a passar e o tempo tem a implicância de nunca parar, já dizia Lenine na canção Paciência, &#8220;a vida não para&#8221;.</p>



<p>Até com nós mesmos! Não podemos nos acostumar a falta de cuidado, seja com a vida, a saúde, o amor… Se nos acostumamos a falta de zelo, terminamos por envelhecer mais cedo, adoecer mais vezes e, por vezes, morrer mais rápido.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Enchi</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Geara Franco]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12183</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Geara Franco</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">As pessoas não olham
umas pras outras
E nem pro céu, e nem pra si
Limitadas, coitadas
Cada uma com seu jeito,
Com seu medo de sentir.

No meu quarto
Não estou nem um terço presente.
A sala é uma cela,
Não chego nem na janela
E você me cancela
Presa e doente.

Fecho as cortinas
Do meu quarto ato.
Ensaio as rimas
Faço, no espelho, teatro.
Atuo pra ninguém ver,
Minha arte é pra ler.

Tudo dá um belo quadro:
Quieto, quadrado.
Cheguei num ponto
Quem nem afronto:
Nem mordo e nem ladro.

Não faço, não aconteço.
Sozinha aqui eu pereço.
Nem comigo eu pareço,
A solidão tem um preço
E é caro pagar.
Tô na sétima prestação,
Dividi no cartão
Que já vai estourar.

Voltando às pessoas
Que não voltam a si:
Se são más ou boas
Só se importam se eu tossi.

Uma máscara
Em cima da outra:
Uma pro nariz e a boca,
Outra pro seu caráter.
Faz parecer-se um mártir,
Que se puder mata.
Se não puder, bate.

Acordei com vontade
De gritar o que sinto.
Mas se eu falar a verdade,
Não vou ter paciência
Pra rebater com fato e ciência
O tanto de achismo.

Violência gera violência.
Gentileza gera gentileza.
Quem tem a mínima decência,
Não vai se sentar à mesa
De um bar à beira mar,
Enquanto há no quarto, presa
Uma pessoa doente,
Do corpo ou da mente
Sem poder respirar.

Há quem se ache imortal,
Quem já tem sua sina.
Sai e faz carnaval,
“Já saiu a vacina?”

Eu saio,
Tenho coisas a fazer.
Muito trabalho
E um pouco de lazer.
Se tenho tempo pra amar,
Meu amor eu vou lá ver.

Não tô certa e nem digo isso.
Seguir um conselho
Não é compromisso.
O sangue é vermelho,
Dizem: a bandeira não vai ser,
Mas essa mancha na história,
Não é a cor da glória,
É a do padecer.

O verde se queima,
O amarelo se apaga.
Uma nota alta não salva
Quem não tem pele alva.
Mas o mito teima,
Pela boca, caga.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Geara Franco</strong> é jornalista, macramística e poetisa nas horas vagas. </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Pipoca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Tu me lanças ao fogo
Como recompensa duvidosa
Preferias as bicadas das galinhas?
Deslizo no óleo abundante
Lambuzado na orgia
Agitas a panela em frenesi
Simulacro de masturbação
Aumentas minha pressão interna
Sinto o prenúncio da explosão
É um estouro atrás do outro
PLOC PLOC PLOC PLOC PLOC
Sou milho transgênico transgênero
Libertei a fantasia branca
Exibo-me em curvas tridimensionais
Ofereço-me ao sacrifício
Espero tua boca gulosa
Tu me cobres de sal
Com requintes de sadismo
Vem com dedos devassos
Apalpa-me, aperta-me
Lança-me para dentro de ti
Tritura-me sem piedade
Dentadas repetidas convulsivas
Gemes de prazer oral</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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