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	<title>Arquivos Ano 002, N 073 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Por que lutamos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[luta]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Definitivamente 2020 não foi um ano fácil. Muito embora ainda estejamos a pouco mais de um mês de seu fim, podemos imaginar que, em linhas gerais, não há horizonte otimista pela frente.</p>



<p>Em todo o mundo, vimos a maior crise sanitária dos últimos 100 anos devastar o empilhamento de convenções que lutamos para manter de pé. O cenário político que a pandemia encontrou, também não era o mais favorável. Após o fenômeno de ascensão de líderes de extrema-direita em inúmeros países, (entre eles o Brasil), o andamento da consolidação dessas estruturas políticas nefastas valida diariamente discursos de ódio contra minorias, modos de viver e pensar a vida, além de implementar uma retórica beligerante contra artistas e trabalhadores da cultura, tendo como mote o argumento da existência de uma guerra cultural, na qual lutamos sem ter escolha. Essa mesma retórica implementou a política da &#8220;vista grossa&#8221; para grandes latifundiários, grileiros e fomentadores do agro pop brasileiro, sendo responsável pela destruição de grande parte de nossas florestas e ricos biomas que lutamos por décadas para preservar. Outro fenômeno que ganhou força foi a banalização da violência, que, além de caracterizar homens e mulheres negras como grupo de risco, em seu cotidiano, desde o seu nascimento, ganhou força na omissão de figuras públicas em ataques e mortes que acontecem à olhos vistos, os quais lutamos tanto para evitar que ocorressem. Essa mesma banalização garante que povos indígenas tenham suas terras invadidas e suas existências minimizadas em prol de uma ideia de progresso que fomenta arquétipos que o mundo moderno lutou tanto para superar. Como podemos perceber, cada trajetória encontra seus próprios motivos para lutar, mas nem toda luta vale a pena. Cada batalha que pretende impor a sobreposição de uma cultura por outra através da violência não faz sentido em si. Cada vitória de quem luta pra oprimir tradições culturais que não fazem parte do escopo de sua base ideológica é, na verdade, uma derrota para o aprofundamento de nossa humanidade. Quem luta contra, poucas vezes percebe aquilo que realmente está a favor.</p>



<p>E por aqui, seguimos lutando, certos de que toda luta a favor da diversidade&nbsp; da pluralidade de maneiras de exercer a vida, do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas para mudança de olhares e transformação integral dos sujeitos, são lutas que sustentam o propósito de uma existência mais humanizada, digna e solidária.</p>



<p>A Equipe da Trama agradece cada autor que enviou a sua contribuição nesse ano de muitas lutas, pois graças a vocês, conquistamos muitas vitórias. Também somos gratos a cada leitor, para o qual dedicamos nosso esforço criativo. Estamos prontos para 2021.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>2020: a soma de todos os medos? ou um manifesto pela vida?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[eleições no brasil]]></category>
		<category><![CDATA[equidade social]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas eleições presidenciais de 2002, duas personagens antagônicas participaram ativamente da companha peessedebista de José Serra: Regina Duarte, a “namoradinha do Brasil”, e Beatriz Segall, a eterna vilã “Odete Roitman”. Tanto uma como a outra declararam, então, ter um sentimento bem específico a respeito da possível eleição de Lula: medo. Isso mesmo: numa ponta do leque dos afetos novelísticos brasileiros, a frágil “namoradinha”; na outra, oposta, a terrível megera, mulher de negócios, empresária rica e poderosa. Ambas se sentindo amedrontadas diante da suposta ameaça comunista personificada no ex-operário.</p>



<p>Dezoito anos se passaram desde as eleições de 2002, nas quais, por fim, Lula foi eleito – para a posterior alegria de muitos banqueiros, quem diria. O mundo hoje enfrenta a pior pandemia em mais de um século. Beatriz Segall já faleceu, mas, na terra onde <em>Vale Tudo</em>, Odete Roitman está vivíssima – “<em>5 ou 7 mil</em> <em>pessoas vão morrer? Sim. Mas a economia não pode parar só por isso</em>”; “<em>Funcionários públicos são parasitas</em>”; “<em>Indígenas são preguiçosos</em>”; “<em>50 mil pessoas já morreram? E daí? Eu não sou coveiro</em>”; “<em>Não existe racismo no Brasil</em>”&#8230; Regina Duarte ainda está entre nós, mas não é mais a “namoradinha”; se casou e se divorciou. Também foi <em>a-traída</em> pelo grande surfista das ondas do medo que ela própria, Regina, ajudou a formar; agora <em>está sem carinho</em> (fez por merecer a antipatia de muita gente)<em>, sair já não pode</em> (inclusive porque é idosa, grupo de risco para a COVID-19), <em>já não pode cuspir </em>(no prato em que sequer comeu como talvez desejasse)&#8230; <em>a noite esfriou, o dia não veio&#8230; E agora, Regina</em>?</p>



<p>Estamos em 2020 e o medo chegou à maioridade, tomou conta de tudo. <em>E agora, José?</em></p>



<p><strong>Ambidestria</strong></p>



<p>A neurociência ensina: o medo é um necessário regulador de comportamento. Ele é parte importante do conjunto de estímulos que ativam uma série de reações físico-químicas que, por sua vez, afetando o funcionamento do nosso cérebro, ajudaram a garantir a sobrevivência da espécie humana desde a pré-história. O medo foi essencial para a nossa continuidade – ainda quando precisávamos intuir e repelir potenciais ameaças – e é fundamental para a autopreservação de cada indivíduo até agora – num tempo em que tantos de nós evitamos falar em política, por exemplo, com o único motorista de aplicativo que aceitou nosso chamado no meio de uma madrugada chuvosa.</p>



<p>Sendo assim tão onipresente entre nós, humanos, não é exagero supor que o medo não reconheça distinções político-ideológicas e aflija, mais ou menos igualmente, tanto quem se identifica com um pensamento político mais à direita (os reacionários e os conservadores, entre os quais incluo arbitrariamente os liberais) quanto mais à esquerda (os progressistas). E decerto o medo também aflige o pessoal do “Centrão”, mas eles merecem um estudo à parte; afinal, são criaturas que relativizam a afirmação aristotélica: nem sempre “a virtude está no meio termo”.</p>



<p>Por isso voltemos aos pólos – mas deixando de fora os extremos, terreno fértil para os comportamentos doentios, que não nos interessam aqui. À direita e à esquerda, o medo desde sempre atinge a todos; é ambidestro. Isso não quer dizer, é claro, que ele seja o mesmo nos dois casos. Não. É possível ver diferenças claras entre o mais cego instinto de sobrevivência e o legítimo desejo deliberado de evitação da morte.</p>



<p>A necessidade de segurança alimentar explica, em certa medida, o nomadismo e o sedentarismo. A busca por abrigo ante às adversidades climáticas e contra predadores justifica nossa ida para as cavernas e o posterior desenvolvimento constante de tecnologias para a construção de “cavernas” cada vez mais confortáveis. A fuga da escassez de comida e da vulnerabilidade diante de ameaças externas parece ter deixado em nós, homens dos séculos XX e XXI, a herança do desejo de acúmulo de alimento e de teto (algum domínio espacial extracorpóreo, concreto e/ou abstrato, seja ele um apartamento conjugado, uma casinha de veraneio ou um latifúndio improdutivo). Tudo isso se liga, mesmo se de forma difusa, ao instinto de sobrevivência e à sua majoração patológica, e certamente está também na gênese do pensamento (ou do inconsciente, talvez) dito “de direita”. Nada o resume melhor do que a compulsão pelo controle ostensivo de bens – materiais e/ou simbólicos.</p>



<p>Essa é uma hipótese plausível para explicar, por exemplo, a aversão da típica <em>classe média brasileira</em> ao acesso de <em>recém-remediados</em> econômicos aos aeroportos do país. Aquela fatia da população – viúva da colonização e alinhada à direita com a alta burguesia, fato inegável desde as eleições presidenciais de 2014, pelo menos – entendia os terminais aeroviários como território seu (já que os verdadeiros milionários não costumam andar por ali); a presença de <em>ex-ou-quase-ex-pobres</em> naqueles corredores era, na cabeça da <em>classe média</em>, uma invasão. Por analogia, políticas públicas de garantia mínima de subsistência (tais quais o Bolsa Família ou o Fome Zero) ou de compensação por prejuízos históricos (as diversas modalidades de cotas para as minorias sociais) são até hoje apontadas como ameaças à mesa ou aos espaços e bens materiais e/ou simbólicos acumulados pelos autoaclamados únicos meritosos naturais: os cidadãos da <em>classe média</em>. Contrariar essa crença é atacá-los, e, quando eles se sentem acuados, são capazes de qualquer coisa para terem um exército para chamar de seu &#8211; mesmo que isso os leve a ter de trocar New York por Nova Iguaçu.</p>



<p>Na outra ponta da imensa corda do medo que nos enlaça a todos, estão aqueles que, ao longo dos séculos, desenvolveram o legítimo desejo deliberado de evitação da morte: os progressistas. Entenda-se: não se trata de preocupar-se apenas nem principalmente com evitar a própria morte, mas também a de outros seres humanos, ou outros animais quaisquer&#8230; ou até de um bioma inteiro. Sim, porque evitar a devastação do meio ambiente (a de um ou mais biomas, portanto) é uma preocupação progressista, coisa que – 2020 tem nos mostrado – passa ao largo da atenção de quem só quer aumentar os limites do próprio latifúndio, seja ele dedicado ao plantio de <em>commodities</em> ou ao pasto para o gado – atenção à mensagem subliminar, por favor.</p>



<p>Não que o pensamento entendido como progressista tenha algo intrínseco de “bom samaritano”; não é isso. Na verdade, acontece apenas que o princípio mais geral de uma concepção progressista do mundo é a noção de que a promoção do bem estar físico e emocional comum, para todos e todas, é um projeto possível e, mais, necessário no afã de chegarmos à paz para cada indivíduo. Posto de outra forma, no ideário dito de esquerda, a fim de que cada um alcance a sua própria felicidade, é preciso buscar o contínuo progresso na distribuição das riquezas materiais e simbólicas que a humanidade, como um todo, produz. Entre essas tais riquezas contam-se, é claro, além dos bens naturais (tais quais a terra e a água), os culturais (p.e., o mais irrestrito respeito à noção dos direitos humanos, e a sua mais ampla difusão).</p>



<p>Não é difícil entender o choque político entre direita e esquerda. De um lado, está um pensamento que concentra esforços no sentido de acumular coisas (concretas e/ou abstratas), por estar medularmente preocupado com a garantia da sobrevivência do indivíduo e dos grupos com os quais esse mesmo indivíduo se identifique. Do outro lado, um ideário que, visando afastar ao máximo a morte (física ou simbólica) de tudo que é vivo, defende a distribuição equânime (não igualitária, é importante destacar!) daquilo que nós, enquanto espécie animal racional, herdamos, construímos e construiremos. Não é difícil inferir, portanto, porque um grupo se sente ameaçado pelo outro: a distribuição é iconicamente antagônica do acúmulo; a urgência de juntar e guardar o máximo para <em>Si</em> não reconhece os direitos nem as necessidades básicas do <em>Outro</em>.</p>



<p>O resultado dessa tensão milenar é o que vivemos neste momento: o estado da arte dos meios e das tecnologias de comunicação permite que muito mais gente seja capaz de vigiar a vida e as posses alheias; em paralelo, quase qualquer um no planeta pode ser <em>vigiado</em> (e <em>punido</em>, cf. Foucault) a qualquer tempo. <strong>Ao mesmo tempo em que pouca coisa pode ser guardada em segredo absoluto, cresce a indisposição para conhecer a fundo qualquer coisa diferente daquilo que já se conhece.</strong> O avanço das tecnologias de comunicação e informação nos lançou a todos, conservadores e progressistas, num tipo de panóptico radical, microfísico. Vem daí o medo.</p>



<p>O medo que tanta gente sente dos comunistas (de fato ou <em>fake</em>), dos presumidos pedófilos, dos maconheiros (categoria errática em que quase todo cabeludo boa praça periga ser enquadrado), dos homossexuais (assumidos), das travestis e dos transexuais, dos pretos (favelados ou não), dos deficientes, dos indígenas, dos adeptos de religiões de matriz africana&#8230; E também o medo que tantas outras pessoas têm de maridos e pais “homens-de-bem”, de patrões engomadinhos e suas canetas BIC, do fazendeiro e suas <em>aves-bala</em>, do grileiro com suas motosserras e fogueiras, do homem hétero marombado e com a cabeça raspada que anda sempre em grupo, dos religiosos de terno e com a bíblia debaixo do braço&#8230; Cada um desses seres pode assumir, hoje em dia, feições mais ou menos assustadoras, a depender de quem olha e das circunstâncias do olhar.</p>



<p>Hoje, assistimos ao pavor da mãe preta do policial militar quase branco que teme cair nas mãos de algum traficante quase preto. E é ainda por pavor instintivo que esse policial tantas vezes vai atirar primeiro e olhar depois, depois de já ter matado, por acidente, alguma criança inocente bem pretinha, ou alguma jovem engenheira meio loura que voltava da balada em seu carro que, para infelicidade de todos, era mais ou menos parecido com o de algum criminoso procurado justamente; ou não. A mãe branca da jovem talvez nem soubesse, mas decerto também tinha medo de que um dia algo assim acontecesse com algum conhecido seu; nem nas áreas nobres das grandes cidades se está a salvo.</p>



<p>2020 efetuou a soma de todos os medos e coroou-se com o desespero absoluto dos pais, mães, filhos e filhas de profissionais de saúde de todas as cores e orientações sexuais e credos religiosos e perfis socioeconômicos que, por obrigação profissional ou por amor, continuaram enfrentando os perigos cotidianos da vida e se mantiveram presentes e impávidos, cuidando de seus pacientes, fossem eles quem fossem, independentemente de crenças e gostos. Deve ter sido aterrorizante para esses profissionais ter que aprender a sobreviver e a conviver tão, tão proximamente com tanta, tanta morte.</p>



<p>O cruzamento do surreal com a distopia pariu o noticiário deste ano: criança caindo de edifício no Nordeste; adolescente assassinada acidentalmente pela amiga no Sul; médica plantonista linchada por boêmios canalhas no Sudeste; pessoas em situação de rua sem ter a quem pedir comida nas ruas das grandes cidades; idosos confinados com seus agressores por toda parte; o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia em chamas; quase duzentos mil mortos, o país refém de uma quadrilha de psicopatas sádicos, e 40% da população sofrendo de Síndrome de Estocolmo.</p>



<p>2020 é uma experiência coletiva de terror. Resta sairmos dela mais fortes e mais sábios.</p>



<p><strong><em>Aos vencedores, razão</em></strong></p>



<p>Porque o mais cego instinto de sobrevivência e o legítimo desejo deliberado de evitação da morte são os dois lados da mesma moeda: o apego à vida! Conversemos!</p>



<p>Porque morrer não parece ser um gesto atraente, mas matar não pode ser a atitude mais sedutora do universo!</p>



<p>Porque, sem misticismo piegas, comer alimenta o corpo, mas ajudar a saciar a fome de alguém alimenta o espírito!</p>



<p>Porque ninguém são goza vendo <em>Malabaristas do sinal vermelho</em>, mulheres espancadas, gays perseguidos, homens pretos mortos a socos e pontapés, indígenas e florestas dizimados!</p>



<p>Porque a liberdade e a dignidade são valores que não têm preço, nem podem ter endereço!</p>



<p>Porque, se antes de 2020, a vida não nos ensinou a respeitá-la, não é possível que, junto dele, a morte não nos ensine!</p>



<p>A “namoradinha do Brasil” e “Odete Roitman” são personagens ficcionais. Nós somos seres humanos reais e capazes de mudar nossa vida e nossa realidade.</p>



<p>Que venha 2021 e, com ele, uma vida de verdade, sadia e <strong>justa para todes</strong>!</p>



<p>Assim façamos ser.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a42c-luciano-19.23.45.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11365" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência.(<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>) E-mail: <a href="mailto:prof.lcnascimento@gmail.com">prof.lcnascimento@gmail.com</a></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0423c-conteudopago.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11568" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg4_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11385" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Faz isso não, “seu” Jair</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Alguém precisa dizer, fora da bolha de um congresso sobre decolonialismo: a lógica da ocupação do espaço nas cidades não faz o menor sentido! Nas tribos indígenas, a terra é uma parte da família, é viva, respira. Não se compra terrenos por lá; não se entra na propriedade por usucapião: existe todo um flerte e todo um namoro. Aqui, como é? Na civilização? Financiamos lotes no ar &#8211; e fazer isso é dos maiores desejos que alguém pode ter. Minha casa, meu ap, minha vida, meu pedaço de vento com 49 m².</p>



<p>Isso já seria estranho o bastante por si só, mas melhora. Também existem as leis, as convenções de condomínio, as taxas extras, as vagas rotativas nas garagens, a reforma das fachadas e tudo o mais. A Civilização, com “c” maiúsculo, produziu as grandes cidades, que acumulam pessoas e que, por serem pessoas, não se entendem. Daí nascem as leis: códigos genéricos de boa conduta ou qualquer fábula assim. Quase sempre, as leis apuram obviedades. Não parece óbvio que, de forma geral, não se deve matar, roubar, estuprar, expor ao ridículo? Parece, mas não. A lei é a falha da cultura em educar sobre o prazer e a convivência. Pode ser que isso tudo se replique num nível grande, como o nacional, talvez, não me interessa. Minha birra é de condomínio, é do bloco B, é do salão de festas. Eu explico.</p>



<p>Com pequenas exceções obscuras, as pessoas compram um imóvel a prazo. Fundo de garantia, férias não tiradas, um Uno ou um Fox vendidos para inteirar a entrada. Dinheiro vivo não, nem transferência bancária. Quem consegue fazer diferente tem um status todo seu. Se torna assunto dos porteiros. Se é bom ou não, é uma questão de gosto; mas está lá. E quando alguém compra o apartamento debaixo da cobertura com dinheiro vivo sendo previamente conhecido de todos, bem, o destino da fala é a fofoca. O ser humano é incrível &#8211; e, aqui no Brasil, podemos ser passivos, mas não pacíficos. A vingança contra o forte vem no deboche. O caso é mais ou menos assim.</p>



<p>Faz coisa de dois anos incompletos o “seu” Jair se mudou para o Bloco B, no penúltimo andar, seguindo essas condições obscuras aí de cima. Ele já era conhecido em Laranjeiras. Não era novo, mas também não envelheceu o suficiente para ser velho. A fama na rua e nos botecos por onde ele andava era de que tinha alguns problemas psicológicos, porque chegava a ser criminoso o modo como pedia ao Paulo, um garçom preto que servia a Original no bar do Catiço, pra trazer mais uma, ou como brincava de intimidades com ele. “Criolo”, “macaco”, “arroba”, tudo assim, sorrindo e meio com expressão de débil mental. A palavra é proposital, porque era desse jeito que a vizinhança tratava o homem. Como ele era branquinho, policial reformado, tinha sido vereador uma ou duas vezes, não me lembro bem, não devia ser canalhice. Ele era doido, paranoico, esquizofrênico&#8230; Mas o que as pessoas não percebem é que a doidice desculpa o mal caráter. “Seu” Jair não tem nada de doido; ele é ridiculamente banal.</p>



<p>Quando comprou à vista, o assunto começou a correr pela portaria, entre as funcionárias da conservadora e nos elevadores. Diziam que ele tinha tirado a sorte grande em um negócio que fez loteando um bairro na periferia em parceria com dois ou três amigos influentes. No local, viviam alguns ciganos que foram expulsos de lá; mas era rentável expulsar esse povo porque as pessoas hoje em dia gostam de poder odiar dentro da lei, sem perigo. Desde antes de Victor Hugo desenhar o Quasímodo, já estava na moda dizer que ciganos comiam crianças e praticavam licenciosidades. Quando os lotes começaram a ser vendidos &#8211; e Jair é que vendia tudo -, as pessoas chegavam a pensar que lidavam com um benfeitor. Empreendedor de sorte, homem de visão, emergente! Acontece que o Sr. Emergente se mudou para o meu bloco numa quarta-feira de manhã e já começou não respeitando as regras de mudança do condomínio. Começava o martírio.</p>



<p>Nosso condomínio é incrível. São 8 torres, mas a área é enorme. Temos área verde, piscina, quadra de futebol society. Com tantas torres, são várias ilhas de lazer. Quanto mais alto o andar, maior preço. Eu morava no segundo. Sem regras, o condomínio seria o caos; e o caos se mudava para o 17 B.</p>



<p>Ele colocava o lixo na porta do apartamento, no corredor mesmo, o que fazia com que o cheiro chegasse no décimo quinto andar. Fazíamos rodízio de vagas na garagem, conforme a convenção de condomínio, bienalmente &#8211; sendo que, além de duas vagas para cada apartamento, ainda tínhamos mais duas na nossa portaria para visitantes. Não é preciso ser inventivo, se você me leu até aqui, para saber que “seu” Jair ocupava as suas e as dos visitantes, sempre.</p>



<p>O uso dos espaços comuns também foi ficando menos comum assim, porque toda semana uma turba de gente confusa era convidada a se sentar à mesa da churrasqueira. As conversas eram as piores possíveis. A Ruth, que mora no 12, ficava perplexa com o tom dos ofícios perto das crianças, mas uma parte significativa dos moradores homens gostava daquela malemolência. Jair era uma espécie alfa em ascensão.</p>



<p>Embora pagássemos o mesmo condomínio, os usos do Jair aumentavam cada dia. De binga de cigarro pela janela a festa numa terça-feira até as 4 da manhã, o pote ia enchendo e começava a entornar. Fizemos algumas reuniões de condomínio extras tentando mediar a situação. O resultado? Parece estúpido demais, e parece porque é, “seu” Jair fazia piada com tudo. Dois ou três amigos compravam que ele fosse um cara legal, que às vezes perdia a linha, mas não fazia mal a ninguém. Os argumentos eram os melhores: “<em>Jair vai à missa</em>”, “<em>Jair vai ao culto</em>”, “<em>Jair é gente como a gente</em>”, “<em>Jair deveria é&nbsp; se tornar síndico para ajustar essas regras estranhas do condomínio</em>”. E nisso, o homem ria, debochava. Penso que ele era realmente um emergente, mas de um jeitinho só seu. Era um emergente da civilização, só que de marcha ré. Tudo aquilo que a civilidade construiu ao longo dos últimos oitenta anos ele destruía falando de cu, de hemorróida, de mulher feia e de sacanagem. “Seu” Jair era o mais puro espécime que já conheci de um anti-condômino natural. Não era patológico, era patologizante.</p>



<p>Já é quase dezembro, e vão completar os dois anos do ilustre morador com nome idêntico ao de Jânio Quadros. Me pego pensando quase diariamente em me mudar, mas seria injusto fazer assim. Sei o preço que eu todos os outros pagaram para chegar aonde estamos. O lugar é ótimo, e é o tipo de especulação que gostaria de deixar para a dinastia que vier depois de mim. Como eu, há outros que não suportam mais o inquilino, mas quebrar o pacto dessa mediocridade habitacional parece falta de caridade, soa como energia ruim, como negacionismo. E assim, o tempo passa, e passa devagar. Mas tenho certeza de que, mais dia, menos dia, tiramos ele daqui. Enquanto isso não acontece, me pego ruminando enquanto tomo café e passo requeijão na torrada… eu sei que em alguma religião isso deve ser pecado… mas já não tenho tanta certeza se estou vivendo ou apenas aguardando que alguém encha a boca do Jair de porrada.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Futuro (de)Mais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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<p>Um ano de pandemia. As coisas não estão se resolvendo, e podem demorar por mais um tempo.</p>



<p>O Brasil respirou ares trevosos e carregados de opressão nos últimos anos; mas parece que, em meio a todo o caos, ainda assim, reencontramos esperanças.</p>



<p>Ficamos frente a frente com nós mesmos; choramos e sofremos ao percebermos nossa humanidade em xeque em termos de fazer uma escolha entre a satisfação e o risco de sair e o isolamento e a &#8220;solidão&#8221; do toque.</p>



<p>Choramos com escândalos e preconceitos velados ganhando mais status e força como base institucional. A segregação e a agressividade alcançaram novos patamares, e de nós, o outro lado, o sentimento de ódio e a necessidade de combater cresceu&#8230;</p>



<p>Eu mesmo não me reconheço mais.</p>



<p>O fogo nos fascistas, racistas, LGBTfóbicos, ele tem me dominado como uma necessidade tão primordial quando a de me alimentar &#8211; e digo isso não pela luta por direitos iguais e pela justiça diante dos agressores e opressores (veja bem, eu disse <strong>justiça</strong>, e não o justiçamento), mas pela vontade de agredir, de castigar e de punir de verdade, com as minhas próprias mãos.</p>



<p>Essa é uma crise minha.</p>



<p>Eu me imaginei agredindo pessoas que já estiveram na minha casa; pedras arremessadas passaram a ser uma ideia justa em minha mente e coração.</p>



<p>Essa é só uma das crises pelas quais tenho passado &#8211; assim como qualquer um de nós que tenha tentado se manter são e acabou descobrindo que dentro de nós, parece existir um monstro, desesperado para sair em meio a tanta selvageria e caos por parte tanto do governo quanto por aqueles a quem considerávamos amigos.</p>



<p>O ano chega, voando, rápido; nem Bolt conseguiria ter uma vida tão rápida quanto este ano.</p>



<p>No início, parecia uma folga, um descanso forçado; mas nossos lares se tornaram prisões, sepulturas da humanidade, sepulturas de nós mesmos.</p>



<p>E o que resta?</p>



<p>O ano se renova. O mundo morre por mais um ano. Eu e você também morremos por mais um ano.</p>



<p>Aprendemos sobre novos limites dentro de nós mesmos &#8211; limites tão complexos quanto a última barreira no espaço sideral. Descobrimos nossa finitude e fragilidade, mas também a complexidade e o quão essencial são um beijo, um abraço, um cheiro no cangote, um toque de mão; em sua essência, bases de quem nós somos.</p>



<p>Precisamos encarar o vírus com a seriedade correta: entender que não é só o vírus, mas um mundo inteiro que pode nos consumir. Em mundo inteiro que seguirá firme e em constante<strong> evolução</strong>, enquanto nós ficaremos pelo caminho.</p>



<p>Precisamos encarar nossa saúde mental com a devida seriedade: entender que ser sozinho, estar sozinho, estar longe, é o que nos faz humanos. É nessa distância que identificamos sensações que nos levam a nos importar com o nosso próximo: carência, carinho, afeto, entrega, saudade, querência&#8230; Esperança!</p>



<p>O ano fecha com ares de esperança, de que o prelúdio de uma reviravolta no mundo está ganhando fermento, cheiro&#8230;</p>



<p>As eleições municipais no Brasil tem nos deixado sonhar com uma nova postura e uma força diante da adversidade, que pode gerar uma certa unidade, um pertencimento, um governo de todos nós, novamente!</p>



<p>Mesmo que o seu candidato ou a minha candidata percam hoje, e apesar do medo do amanhã, confesso: me sinto mais forte e com desejo de encarar o próximo ciclo com peito aberto, lágrimas de sangue e esperança nos olhos para construirmos o futuro.</p>



<p>O futuro, como já disse em outro texto, pode até parecer sombrio; mas hoje, mais do que ontem, precisamos olhar para esse ano e entender que nós podemos fazer mais, nós iremos fazer mais!</p>



<p>Tenha fé, tenha esperança, tenha amor pelo futuro. Não deixe de sonhar, nós ainda estamos no páreo &#8211; e, a cada dia, os ares de mudança se consolidam, como o mãe que insiste em tomar de volta a sua prole!</p>



<p>Vamos consumir o concreto da opressão e do ódio e criar recifes de vida e amor!</p>



<p>Um novo e maravilhoso ano se aproxima, cheio de gritos e atitudes desesperadas de um governo em ruína. Vamos amar e espalhar amor! (Se) Ame!</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CHEGUEI EM CASA, SEU MOÇO!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Olhei espantado para o prédio ao lado da calçada pela qual passava na Avenida Rio Branco, enquanto via um ser misterioso se dirigir a mim com essas palavras. Um prédio imponente, portaria 24 horas, ampla garagem. Jardim na frente. Idosos tomando sol atrás das grades.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Trânsito frenético. Transeuntes com máscaras no nariz, outros com máscara no queixo e alguns com máscaras invisíveis na cara, desfrutando a brisa puramente poluída de nossa urbe interiorana.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Na porta da loja de cosméticos, fila para comprar&#8230; cosméticos. Na esquina, um grupo ria descontraidamente, com tapinhas nas costas e olho no olho. Metade com máscara, outra metade sem.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; A essa altura, o prédio a que me referi há pouco, já estava relativamente distante.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Aquela voz se repetia insistentemente na minha cabeça.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Entro na padaria pra&#8230; comprar pão. Caminho no sentido de casa. Ando alguns metros apressadamente. Reduzo a velocidade dos passos. Andar com máscara me deixa mais ofegante. Abro a porta do prédio, passo álcool em gel nas mãos. Entro no elevador, saio do elevador, passo álcool nas mãos. Abro a mochila, pego a chave, abro a porta, tiro o sapato, deixo-o ao lado da porta, onde fica um pano com solução de água sanitária. Tiro a roupa, isolo-a num saco plástico, tomo banho, higienizo mochila, celular, carteira e o cantinho da mesa onde estavam os objetos pessoais. Despejo os pães dentro de um pote plástico e descarto a embalagem. Higienizo as mãos novamente. Nunca se sabe onde o inimigo invisível a olho nu está.</p>



<p>Estava com fome, mas a exaustão era maior. Preferi deitar um pouquinho. &#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa!&#8221;</p>



<p>De repente, me pego sonhando: &#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Aquela voz volta a ressoar. De quem é essa bendita voz, afinal? Era daquele moço desconhecido. Isso mesmo! Desconhecido&#8230; Mas já posso adiantar que a voz que até no sonho me ressoa não era de nenhum dos moradores daquela confortável propriedade privada cercada de grades e câmeras por todos os lados. Era a de um homem sujo, mal-cheiroso, desdentado, com fome, que sentava em sua caixa de papelão para “descansar” no passeio público, bem ao lado do portão do condomínio. Percebi uma certa ironia naquela fala. Talvez porque ainda houvesse alguma dose de consciência humana naquele corpo maltratado.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa!&#8221; Podia eu simplesmente dizer isso, como o fiz, assim como o fazem aqueles que todos os dias saem exaustos de sua pesada rotina de trabalho. Levantei, tomei café. Comi, comi, comi. O estômago pesou, mas não me senti saciado&#8230;</p>



<p>Os inimigos invisíveis rondam por aí: o vírus, a desigualdade social e o embrutecimento humano. O vírus, julgam não existir, porque não se pode vê-lo a olho nu. A desigualdade social, julgam que é problema do indivíduo. Cada um que trabalhe e ascenda por meio de seus próprios esforços. E por último, o embrutecimento humano, o mais invisível deles e a causa de todos os males, segue em ritmo galopante.</p>



<p>O homem que finge acreditar ter chegado à sua casa, também membro da espécie humana e habitante desse mesmo planeta, embora empurrado cada vez mais para a &#8220;borda&#8221; terrestre, infelizmente, não pode contar com as mãos infinitamente sujas, porém &#8220;invisíveis&#8221; do mercado.</p>



<p>Muitos, enquanto isso, habitando, armados, inseguros, vigilantes e temerosos, os lugares que pagam o direito de usar, fantasiam e imaginam a segurança da fortaleza de seus castelos de papel, fingindo dividir seu mundo entre os lados de dentro e de fora. Para os problemas complexos, simples solução: para ladrão, portaria e revólver; pra pobreza, a fome, a peste, o genocídio. E pro vírus&#8230;</p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div>
</div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: TRABALHO DE PARTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Um bebê começa a se preparar para vir ao mundo quando a gestação beira os nove meses.</em>&nbsp;</p>



<p><em>Estamos entrando em trabalho de parto, porque logo nascerá uma humanidade restaurada, esperamos.</em></p>



<p><em>Há exatos nove meses, o coronavírus se espalhou na velocidade da luz mundo afora, e tivemos que nos adaptar á uma nova realidade. Desde a higiene das mãos, uso de máscara e isolamento social até transformações mais profundas.</em></p>



<p><em>Descobrimos que cuidar da gente é cuidar do outro, e a palavra “empatia” nunca foi tão compreendida e posta em prática.</em></p>



<p><em>Assim como todas as descobertas feitas ao longo da História, é preciso pôr em prática; caso contrário, não irá perdurar. De nada adiantará todo o remanejo feito em nossas vidas se não mantivermos tais condutas e consciência daqui para frente.</em></p>



<p><em>A pandemia nos fez recalcular a rota, desacelerar, respirar. Fez <strong>sermos humanos</strong>.</em></p>



<p><em>A última história do ano vem como um alerta, um bálsamo e um lembrete para seguir e jamais sermos os mesmos.</em></p>



<p><em>Somos sobreviventes e, por isso, seremos a nossa melhor versão, todos os dias.</em></p>



<p><em>Vem comigo?</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>“Sempre acreditei nas coisas abstratas e não tocáveis.</p>



<p>Me encanta a magia, o mistério do desconhecido e a profundidade da vida. E, das coisas intocáveis, a mais preciosa para mim sempre foi a fé. &nbsp;Tenho um Deus que habita meu coração e que, todo fim de noite, escuta meus agradecimentos. Na verdade, mais agradeço do que peço qualquer coisa e respeito todas as potências espirituais que habitam esse mundo.</p>



<p>Então veio a pandemia, e ela me fez perder tudo isso: fé, esperança, positividade, ânimo. Por todos os lados, só o que eu via era muita dor e tristeza.</p>



<p>Meus dias sempre começavam com vontade de fazer a diferença, e felicidade mesmo era abrir as janelas e ver o sol se espreguiçar pela sala. Tudo isso passou a ser desgastante. Me sentia caminhando de sapatos na água: pesada, exausta e sem sair do lugar.</p>



<p>Eu não conseguia ver coisas boas; parei de agradecer. Uma sombra muito grande tomou conta da minha vida. Senti isso chegando, me assustei e não fugi. Ser sempre positivo cansa, e é necessário receber e acolher a vulnerabilidade. Fiquei lá, na caverna escura, sozinha, e tudo começou a passar na minha frente como um filme até que o estalo veio: mudar.</p>



<p>Mudar de dentro pra fora. Crenças, móveis, plantas, o rumo.</p>



<p>A mudança é a única coisa que nunca muda nas nossas vidas, e foi nela que encontrei minha cura, o retorno para casa e a visão de um mundo que passou por uma gestação dolorida, sem expectativas, e que se prepara para parir uma humanidade que salvará tudo.</p>



<p>Se isso é verdade? Não sei. Mas sempre irei me segurar à esperança, ao que é positivo, ao que nos impulsiona pra frente.</p>



<p>A sombra é necessária, pois sem ela nunca saberíamos o que é a luz. Se tu precisar te retirar, ir pra caverna, ter só a própria companhia por um tempo: vá. Mas de vez em quando, vai à porta para ver o céu&#8230; Ele ainda estará ali, infinito e misterioso, te esperando.”</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><em>Como comentei na introdução e a história por si mesma retomou o tema, tudo isso se trata de uma gestação, um nascimento que logo vai acontecer. Chegamos à reta final e é preciso respirar fundo, pôr os pés pra cima e levar um punhadinho de lavanda ao nariz para que acalme e traga leveza.</em></p>



<p><em>Esse é o último texto do ano, e foi uma honra trazer histórias imperfeitas de gente real aqui para esse espaço tão democrático e que estimula o pensamento crítico, filosófico e acima de tudo, humano.</em></p>



<p><em>Meu muito obrigada à Poliana Lopes, do ateliê Arte Bodoque, que generosamente me convidou e sugeriu que o Caçadora de Histórias – O Projeto virasse coluna; à Carol Cadinelli, que todas as Sextas-Feiras recebia o material como quem chega de surpresa para tomar um cafezinho recém passado; e à toda equipe da revista TRAMA: esse conteúdo é necessário e urgente.</em></p>



<p><em>Só tenho a agradecer também a todas as leitoras e leitores e à minha família, que todos os domingos espera o relógio bater 18h30 para ver qual história será contada.</em></p>



<p><em>Espero que todes estejam bem na medida do possível e, se não estão, que tenham fé de que ficaremos. Cedo ou tarde, ficaremos. Um gentil e menos dolorido fim de 2020 pra gente.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Espera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[Mapa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cenário: Estou sentada no chão da varanda do meu apartamento. Não é uma varanda de filme conceitual, é uma daquelas com piso quebrado e que na verdade só cabe uma pessoa e um vaso de plantas; não tem espaço pra redes nem pra compartilhar a melancolia com ninguém. Estou esperando há algumas horas; eu tinha certeza que ela ia aparecer hoje. Acordei cedo, fiz exercício físico, meditação, comi frutas, fui produtiva no trabalho. A situação é completamente favorável para que ela apareça. Só preciso esperar.</p>



<p>Existe toda aquela história que o tempo passa mais rápido se estamos ocupados. Uma amiga minha no jardim de infância uma vez me disse que relógios são como bonecos do Toy Story: só se mexem se você estiver olhando para o outro lado. Olhando pra trás, é uma perspectiva estranhamente poética para uma criança de cinco anos. Possivelmente, não foram essas as palavras que ela usou. Possivelmente, eu inventei isso em algum ponto da minha linha do tempo, e esse acontecimento imaginário virou fato registrado na minha memória.</p>



<p>Já parou pra pensar quantas das suas memórias são realmente memórias?</p>



<p>Da última vez que ela me visitou, eu tive uma sensação estranha de que ela ficaria pra sempre. É normal; acho que todo mundo tem sensações eternas, às vezes. Espera, deixa eu reformular. Eu tenho essa mania de achar que eu penso como todo mundo, e todo mundo pensa como eu &#8211; como se eu pudesse justificar minhas falhas dentro de um plano maior, um esquema mundial de pensamentos em sequência; mas não. Ao mesmo tempo, também não quero assumir que sou única no mundo.</p>



<p>Às vezes, ela vem e fica alguns dias. Às vezes, algumas horas. Ultimamente, ela tem ficado apenas por alguns minutos. Eu peço pra ela ficar. Ela diz que vai, mas que volta em breve &#8211; um dia desses, quando eu menos esperar. Aqui estou eu, sempre esperando. Se eu abrir mão, o que será que acontece?</p>



<p>Vou ler um livro. Três páginas e estou entediada. Lembro de quando tinha 15 anos e conseguia tranquilamente ler 400 páginas em uma única tarde. Ela vinha mais, naquela época. A gente tem brigado muito nos últimos anos; talvez por isso ela esteja um pouco cansada de me visitar. Meus amigos me dizem que eu não gosto de verdade dela, e que preciso ser mais aberta; que meu comportamento afasta ela todas as vezes que estamos quase construindo alguma coisa de verdade. Pode ser. Mesmo assim, ela volta. Um pouco de cada vez. Sem promessas. Mas volta.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Esperando a felicidade</em>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no <a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a> e no <a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/f19bc-begaleria8-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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		<title>Quem é essa no espelho?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Autoimagem]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há alguns dias, enquanto me arrumava para o trabalho, reparei na mulher que refletia no espelho. Não a tenho reconhecido. O reflexo que me recordava era o de uma menina, com os cabelos curtos, olhar perdido, coração sonhador e inúmeros planos. Recordo-me daquele rosto mais novo, com poucas olheiras, um piercing aqui e outro ali, um sorriso perdido e algumas certezas.</p>



<p>Aquele novo rosto me assustou um pouco, confesso. Era um rosto cansado &#8211; da vida, talvez. Algumas olheiras, umas poucas rugas ao redor dos olhos, um sorriso apagado, poucas certezas e quase nenhum plano. O que, afinal, aconteceu com aquela jovem? Para onde ela havia ido? Tenho-me questionado sobre isso e venho tentando lembrar mais detalhes; mas sinto que, aos poucos, ela também está indo embora de mim.</p>



<p>Não sei explicar. Talvez por não reconhecer o que vejo, acabo não reconhecendo&nbsp;a mim mesma. Mudei, é verdade! E não sei se para melhor ou pior. Não sei se a culpa foi da vida, ou se foi minha; mas tenho sentido falta daquela menina sorridente que fazia planos e imaginava a vida como um certo conto de fadas, com o príncipe, o castelo, os principezinhos e tudo o mais.</p>



<p>Questionei-me quando, afinal, ela se foi e eu cheguei, mas não consigo encontrar um momento exato. Acho que acabamos nos esbarrando durante a troca e sequer percebemos. Pergunto-me se ela pode me ver. Se tem vergonha de mim, se sente vontade de me gritar seus sonhos e me dizer que estou fazendo tudo errado. Se você estiver lendo isso, antiga menina do espelho, por favor, me ajude.</p>



<p>Às vezes, precisamos mudar; porque é melhor, porque é importante, porque é preciso. Outras vezes, precisamos amadurecer, simplesmente porque faz parte. Mas o que não podemos é perder a nossa essência, aquilo que nos torna quem realmente somos, independente das pancadas que a vida nos der. Não devemos deixar que uma desilusão nos tire a alegria de amar para sempre, nem que uma decepção nos torne frios e calculistas.</p>



<p>Não podemos deixar que as opiniões e os comentários alheios nos definam, e nem mesmo que o nosso passado nos defina. Afinal, temos o direito de mudar sim! Desde que seja para melhor. Se erramos no passado, temos todo o direito de nos arrependermos e vivermos corretamente e felizes agora. Se não sabíamos amar, podemos aprender, nunca desaprender ou desistir, por mais que saibamos o quanto dói (sim, amar, por vezes dói, mas qualquer crescimento dói e nem por isso não vale a pena).</p>



<p>Após toda esta reflexão, voltei a olhar-me no espelho e, quer saber? Gostei da mulher que vi! Olhando com outros outros, percebi uma mulher madura, onde cada ruga ao redor dos olhos representa as vezes que chorou por algo ou alguma perda. O sorriso tímido representa a cautela dos sorrisos antes soltos por qualquer motivo. A falta de planos representa alguém que decidiu entregar a vida nas mãos de Deus e deixar que Ele tome conta de tudo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Obrigada, sem obrigação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Geara Franco]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Geara Franco</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Sou todas as pessoas do mundo
E, também, a falta delas.
Meu coração, vagabundo,
Aceita desculpas
Que nem foram pedidas.
Ao ver a chegada,
Esquece-se das partidas.

Sou todo mundo,
Mas não sou ninguém.
Hoje eu tô mais com a razão,
Tô sem inspiração.
Talvez amanhã escreva bem.

Voltei nessa madrugada
olhando as lojas fechadas:
Eu vi como as fachadas
Se estapeiam por atenção.
Percebi que ando fazendo isso.
Quando não sou sumiço
Sou pura melação.

À procura do equilíbrio
Que eu sei que não existe.
Também não há alívio
Numa busca que não permite
Que eu descanse um segundo.
E eu não gosto de ser assim:
Pensar em todo mundo,
Esquecer sempre de mim.

Estar sozinha é mais cansativo.
Meus pensamentos não me dão tempo.
“Você tem que pensar positivo!”
Me cobro enquanto lamento.

Mas levanto e sigo:
Não é bem o que escolhi.
Mas é que as coisas que consigo,
Não refletem só em mim.

Deixo você com um dos pensamentos
Que me vem todos os dias.
Trocando de vidas em apartamentos,
Sem deixar a oficina vazia:
Você tem medo da bolha?
Estar preso sem grades e sem ver?
É sua escolha abrir a janela,
Vê que a realidade não é tão bela,
E optar por ignorar ou fazer.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Geara Franco</strong> é jornalista, social media, macramística e poetisa nas horas vagas. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/87819-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Serenidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:20:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/29/serenidade/">Serenidade</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Medita no sentido da vida, mãos ao barro na cerâmica
Procura o caminho para o zênite, onde a sabedoria
Em si para si, de si para fora, passividade dinâmica

Repete Arjuna na batalha de sua autorrealização
Ouve Mestre em parábolas de mais alta sabedoria
Conhecimento de seu ser divino, conquista da humana redenção

Ilusão destroi a nitidez da discriminação, está cego
Desejo, inquietação, navio à deriva encontre porto sabedoria
Domínio do mundo dos sentidos e da mente, supere o ego

Na fase de místico opta pelo método do não agir
<em>Akarman</em> é indiferença ao mundo, pretensa sabedoria
Desiste da atividade externa, inativo, a fugir

Na fase de profano opta pelo método do falso agir
<em>Naiskarman</em> é escravo de sua atividade, intelecto sabedoria
Ganha o mundo e perde a si, a cobiça incessante a afligir

Na fase de cósmico opta pelo método do reto agir
<em>Vikarman</em> é liberto do apego, equilíbrio, excelsa sabedoria
Desinteresse, amor à humanidade, nirvana a surgir
</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/d0d3a-nana1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/29/serenidade/">Serenidade</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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