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	<title>Arquivos Ana Paula Cionci - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Efeito Dominó</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 070]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Paula Cionci]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições nos EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ana Paula Cionci</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há muitas coisas que se pode dizer sobre as eleições presidenciais norte-americanas. Talvez essa seja a eleição norte-americana mais importante do século XXI, mas talvez ela seja somente mais um episódios de grande destaque na história. Seja qual for o resultado delas, o mais importante não será quem venceu, mas sim como e o que significa essas vitórias.</p>



<p><em>“Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar ou perder vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder” – Dilma Rousseff.</em></p>



<p>Essa frase, para muitos, soou confusa, e virou até motivo de gozação. Contudo, depois de algum tempo, as pessoas começaram a entender o real sentindo que Dilma estava querendo dizer:<strong> no final do dia, não importava quem tinha vencido ou perdido, o país já estava derrotado</strong>. E é isso que deve ser compreendido, acima de tudo. Os estragos que as eleições de 2016 fizeram nos Estados Unidos, assim como os questionamentos sobre o Sistema Internacional, já foram feitos. Dificilmente uma vitória de Joe Biden conseguiria mudar aquilo que se instaurou na Era Trump.</p>



<p>A razão disso é que mesmo se Joe Biden ganhar &#8211; o que pode ocorrer e, de acordo com as previsões, é o que vai acontecer -, ele não vai conseguir mudar o sentimento de revolta de milhões de americanos sobre o país. Não só isso: ele também não vai conseguir reaver os questionamentos sobre a China. A questão principal aqui é que não se pode reconstruir o mesmo prédio que foi demolido. Se Joe Biden vencer, ele terá que começar a reconstruir tudo que o governo Trump fez questão de destruir. E isso pode demorar um tempo que os Estados Unidos talvez não tenham.</p>



<p>Contudo, a vitória de Trump também não significa o fim do mundo. Isso porque aquilo que Trump se propôs a fazer, ele já fez. Em seu governo, o mesmo conseguiu com que as pessoas questionassem as grandes mídias, iniciou uma “guerra sem vencedores” com a China e também desestruturou instituições antes respeitadas nos Estados Unidos. Um segundo mandato de Trump seria apenas a continuação daquilo que já foi visto. E isso, já sabemos como está sendo diariamente refutado. Logo, uma vitória do atual presidente apenas significaria <em>um eterno retorno do mesmo</em>.</p>



<p>Mesmo com essas perspectivas iniciais &#8211; as quais podem contribuir com a sensação de que nada irá mudar, independente de quem for eleito -, é importante ressaltar que a vitória de Biden ou Trump vai, sim, mudar <em>novamente</em> a estrutura politica do Sistema Internacional. A questão principal aqui é o <em>alinhamento político</em>. Isso porque, em busca da sobrevivência e da maximização do seu poder, os governos buscam se aliar a outros (geralmente mais fortes ou de mesmo nível hierárquico) com o objetivo de garantir a sua defesa e soberania. Dessa forma, os países devem e estão sempre preocupados com os líderes políticos de outros países. Ainda mais se o líder em questão é o de uma das maiores potencias do mundo.</p>



<p>Esse é o primeiro ponto que deve ser discutido. Isso porque, no caso do Brasil, por exemplo, a eleição de Bolsonaro e toda sua retorica política foi baseado no seu alinhamento politico com o governo Trump. Uma derrota de Trump obrigaria o governo Bolsonaro a repensar algumas de suas pautas. Não só isso: ela colocaria em dúvida a força do seu governo e alguns acordos feito graças aos Estados Unidos, como a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).</p>



<p>O segundo ponto, e esse se estende a governos de outros países que não o Brasil, é a continuação de mandatos. Uma derrota de Trump pode ocasionar um efeito dominó em governos ao redor do mundo. Não é de hoje que os países, em sua maioria, tendem a seguir outros em uma determinada direção ideológica. Por exemplo, no mesmo período que Trump foi eleito, figuras como Bolsonaro, Erdogan, Netanyahu e muitas outras também o foram. Como se não bastasse, é possível perceber uma tendência nos países latinos a passarem pela mesma situação quase no mesmo período: é o caso, por exemplo, do Regime Militar e da onda de presidentes a esquerda na Era Lula.</p>



<p>Dessa forma, é possível perceber uma tendência ideológica na América Latina &#8211; a qual é sustentada em grande medida pela configuração geopolítica mundial na atualidade. Os Estados Unidos, sendo o país de maior influencia na América, tendem a influenciar drasticamente os países vizinhos. Sendo assim, o futuro presidente estadunidense vai ser peça chave para decidir a política dos países latinos. Caso Trump venha a ganhar a eleição, por exemplo, será possível perceber uma continuação da política Bolsonarista, e um fortalecimento no processo de legitimação das mesmas. Caso seja Biden o eleito, Bolsonaro corre o risco de ter sua legitimidade enfraquecida e, consequentemente, ter suas chances de reeleição drasticamente reduzidas.</p>



<p>Para além da política internacional, os cenários social e econômico também devem ser considerados. No primeiro fator, será possível perceber uma possível apaziguada no discurso caso Biden vença. Contudo, sobre isso não se engane: os Estados Unidos possuem uma tradição de política externa muito bem definida, e qualquer mudança não será tão drástica como se aparecerá nos jornais. Além disso, é preciso lembrar que o governo Trump nada mais foi do que a representação do discurso de muitos norte-americanos &#8211; não a toa, foi eleito em 2016.</p>



<p>Nesse contexto, temos os fatores econômicos que, apesar dos pesares, não mudarão da forma como muitos pensam. Isso porque os Estados Unidos sempre foi um grande parceiro comercial para o Brasil; logo, independente do resultado das eleições, a relação econômica e comercial tem tudo para a permanecer como está. Caso Biden vença, porém, a tendência é que as relações melhorem um pouco &#8211; uma vez que grande parte dos acordos comerciais assinados na Era Trump foram desproporcionais para o lado brasileiro, como é o caso do aumento da cota de importação de trigo dos Estados Unidos. Todavia, vale lembrar que, historicamente, as relações entre EUA e Brasil sempre foram desproporcionais; logo, uma mudança de governo nos EUA dificilmente vai mudar, a longo prazo, as relações comerciais entre os dois países.</p>



<p>Dessa forma, pode-se concluir que, ainda que as eleições americanas sejam indubitavelmente relevantes e que ter um pensamento mais justo e humano no governo da maior potência do mundo seja excelente, o cenário internacional não tende a sofrer, na prática, um impacto mais forte do que já era esperado. Haverá ainda muitos desafios a serem enfrentados independentes do resultado, sendo um deles a crise econômica, entre tantos outros aspectos da sociedade pós Corona Vírus. A real relevância desse resultado é a de nos dizer quais serão os próximos passos daqui para frente. </p>



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<div class="wp-block-group alignwide"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong>Ana Paula Cionci </strong>é internacionalista que vive para a política. Quando não está vendo algo sobre política, está lendo sobre algo relacionado a Ásia e historia no geral. Nas horas vagas, é um pouco pilateira, yogi e escritora.</p>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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