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	<title>Arquivos arte local - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>[Arredores] Engenharia de Música: com Bernardo Merhy</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2020 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todo mundo ama ouvir música, essa arte tão performática e tocante. E você já pensou sobre toda a engenharia por trás de cada faixa que você escuta?<br><br>Dos mais lendários até os mais iniciantes: todo músico precisa de um engenheiro de som confiável para chegar ao resultado perfeito. E se esse profissional tiver a sensibilidade necessária, consegue transformar tudo em música &#8211; até os sons incidentais mais esquisitos.</p>



<p>Sobre isso e outras coisas, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o Bernardo Merhy, que é músico, engenheiro de som e dono do estúdio LaDoBê, já tendo produzido faixas de diversos artistas de JF e região. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd9e9-image.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11548" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Bernardo Merhy, músico e idealizador do estúdio LaDoBê</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Bernardo, nos conte um pouco sobre como foi seu início com a música, de onde veio o gosto por trabalhar com música e um breve resumo da sua caminhada.</strong></p>



<p><strong>Bernardo:</strong> Minha relação com a música vem da infância; meus pais sempre ouviram muita música, meu pai tocava, até chegou a gravar dois discos, e eu fui vendo isso de perto e gostando cada vez mais. Mas eu só fui começar a tocar mesmo lá pelos meus 11 anos. Comecei estudando guitarra, depois resolvi aprender baixo, a bateria, tive algumas bandas, aquela história&#8230;</p>



<p>Há alguns anos, meu pai veio com a ideia de fazer um estúdio e, a partir daí, eu comecei a me aventurar mais por essa área da engenharia de áudio e um pouco da produção musical também. Hoje eu tô mais focado nessa parte técnica, mas a música como um todo me contempla, e eu não consigo mais viver sem ela.</p>



<p><strong>T: Sobre projetos, você já pensou em montar uma banda só com donos de estúdios aqui de JF?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Rapaz, nunca tinha pesado nisso não, mas é uma ideia interessante! Difícil seria conciliar a agenda desse pessoal&#8230;</p>



<p><strong>T: Tanto na música quanto nos filmes, o engenheiro de som é peça fundamental e pode garantir até as principais premiações para filmes, atores, bandas e artistas, no entanto, quando converso com outras bandas, nem todas entendem a importância de um engenheiro de som durante o processo de gravação para a mixagem, nos conte um pouco sobre isso.</strong></p>



<p><strong>B: </strong>Hoje em dia, com toda a facilidade de se gravar em casa, é comum se questionar a necessidade de um engenheiro de áudio ou até mesmo de um estúdio. Eu compreendo isso, até porque eu comecei como alguém que queria gravar coisas em casa. Mas, <strong>até pra se gravar em casa, é importante ter conhecimento</strong>. Não é porque eu posso comprar uma interface de 8 canais e um monte de microfones que eu vou saber o que fazer com aquilo.</p>



<p>O engenheiro tá ali pra interpretar aquela situação e ver qual é a melhor forma fazer aquela gravação acontecer, e isso vem com estudo e vivência; quanto mais você trabalha nisso, mais possibilidades e soluções você vai encontrar dentro de um mesmo cenário. Além disso, você ter uma pessoa encarregada de cuidar dessa parte técnica te deixa livre pra focar na parte musical, artística. Eu já estive dos dois lados da coisa e sei como é ruim você ter que se concentrar na sua performance ao mesmo tempo que se preocupa se o microfone tá posicionado direito, se o ganho não tá baixo, se o sinal tá clipando, etc.</p>



<p><strong>T: Um engenheiro de som precisa de faculdade? Qual curso você orienta pra quem quer seguir nessa área específica?</strong></p>



<p><strong>B: </strong>Essa é uma questão um pouco polêmica, até pra mim; já me perguntei isso algumas vezes.</p>



<p>Certamente há quem diga que sim, precisa de uma faculdade pra se dizer engenheiro de áudio; mas, na prática, sua vivência acaba sendo muito mais importante que um diploma. Ainda mais se você considerar que no Brasil existem pouquíssimas instituições que oferecem uma graduação nessa área. Tem até uma galera que vai buscar isso no exterior &#8211; muito se fala na Berklee, por exemplo -, mas é uma coisa pouco acessível e fora da realidade de boa parte da nossa população.</p>



<p>Acredito que o melhor caminho pra quem quer seguir nessa área seria buscar bons cursos livres, com profissionais renomados, ou através de alguma plataforma virtual de ensino. E pra quem não tem condições de adquirir esse tipo de conteúdo, o YouTube pode ser uma ótima ferramenta; mas é importante filtrar bem, dar preferência pra material produzido por gente com algum renome e fugir de fórmulas milagrosas, como em quase tudo na vida, né.</p>



<p>Além disso, outra ótima maneira de aprender é acompanhando o trabalho de um bom profissional. Essa já é uma oportunidade mais rara, mas se ela aparecer, vale super a pena aproveitar.</p>



<p><strong>T:&nbsp; Existe alguma semelhança entre engenheiro de som e um engenheiro acústico?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Não me sinto apto a falar muito sobre a área de engenharia acústica, mas, de forma bem simplista, o engenheiro acústico trabalha com projetos para tornar um espaço acusticamente adequado, seja ele um teatro, um estúdio ou até um escritório, um apartamento; já o engenheiro de áudio está mais focado em como converter uma performance real num registro da melhor maneira possível. Para isso, é importante que ele conheça conceitos de acústica, mas certamente com menos profundidade que um engenheiro acústico.</p>



<p>Acho que consigo ilustrar isso quando digo que precisei contratar um engenheiro acústico para projetar a construção do meu estúdio.</p>



<p><strong>T: O engenheiro de som faz a mágica das gravações acontecer explorando espaços, ecos, instrumentos e materiais inusitados para a construção da música? É a cereja no bolo?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> A meu ver, num primeiro momento, a função do engenheiro é registrar aquilo que está sendo tocado da melhor forma possível. A partir daí, ele pode adicionar alguns toques pessoais, mas sem tirar o foco do que realmente importa: a performance do artista. É uma linha bem tênue entre imprimir sua marca nos seus trabalhos, sem aparecer mais do que se deve. Como diria Tom Capone: “Quem tem que aparecer é o artista”.</p>



<p><strong>T: Já teve alguma experiência gravando com equipamentos e instrumentos inusitados?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Algumas! Um dos meus grandes parceiros de trabalho, Nathan Itaborahy, é mestre em propor coisas inusitadas. No ano passado trabalhei com ele em dois projetos que me proporcionaram experiências curiosas. Numa delas, uma trilha sonora para o Grupo Nun, gravamos coisas como descarga, garrafa de vidro quebrando, persiana fechando, isqueiro acendendo e mais uma infinidade de coisas improváveis. Já no CD dele, Sentado no Céu, gravamos uma espécie de mini botijão de gás que, acredite se quiser, estava afinado no tom da música, além de som de garfo batendo no prato etc.</p>



<p>Acho que o mais legal disso é que você tem que se virar pra aprender como registrar aquilo; não tem no YouTube um tutorial de como gravar uma descarga ou um garfo batendo num prato, isso não tá nos livros de engenheira de áudio, é isso que mantem o frescor da coisa.</p>



<p>Também já apareceu gente com um microfone feito de carvão lá no estúdio, mas essa experiência acabou não dando tão certo, rs.</p>



<p><strong>T: Eu descobri que toda a gravação do álbum Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges foi realizado com um ou dois canais; a beleza do álbum hoje é fruto de sorte ou de um bom trabalho do engenheiro de som?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Sorte, jamais! Acho que a beleza do álbum vem da beleza das composições.</p>



<p>Pra mim, <strong>não existe engenharia que resolva uma música que já nasce ruim. Por outro lado, uma canção bonita sobrevive a qualquer limitação técnica</strong>. Hoje é muito fácil olhar pra trás e se espantar com questões como o número de canais, mas essa era a realidade da época, principalmente fora do circuito de grandes estúdios. Se você voltar um pouco mais, na década anterior, os Beatles já faziam malabarismos pra gravar em quatro canais e isso gera alguns resultados que hoje causam certo estranhamento, mas que não mudam em nada a grandeza daquelas canções.</p>



<p>Eu não sei exatamente como foi o processo desse disco especificamente, mas de certo que o papel do engenheiro foi “apenas” eternizar a magia que estava acontecendo ali, naquele momento; o número de canais era apenas um detalhe.</p>



<p><strong>T: Tem algum álbum que você nos indica para percebermos mais o trabalho do engenheiro de som no aproveitamento dos espaços e materiais? Conhece histórias de artistas assim?</strong></p>



<p><strong>B: </strong>A primeira coisa que me vem à cabeça é a história da bateria de When the Levee Breaks do Led Zeppelin. Em resumo, eles estavam gravando o Led IV numa mansão que havia sido convertida num estúdio, e a bateria do John Bonham tava numa espécie de corredor, embaixo de uma escada.</p>



<p>Não se sabe muito bem como surgiu a ideia, mas o Jimmy Page, que era o produtor do álbum, e o Andy Johns, que era o engenheiro, ouviram o som da batera do alto dessa escadaria e piraram naquilo. Então, o Andy colocou dois microfones super simples lá em cima, processou um pouquinho esse som e essa é a batera que a gente ouve na gravação, ou pelo menos é o que reza a lenda. Tudo isso nos anos 70!</p>



<p><strong>T: Como tem sido a experiência de trabalhar durante a pandemia? Como tem sido para conseguir gravar, mixar e acompanhar projetos?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> A princípio foi um balde de água fria; estava começando o ano, cheio de projetos e expectativas, e tive que suspender tudo. Aproveitei pra terminar alguns projetos que já estavam na fase de mixagem e só.</p>



<p>Como eu gosto de trabalhar com o coletivo, com a troca de energia e isso acaba gerando um fluxo maior de pessoas, acabou ficando impraticável, até pelo estúdio ser um ambiente fechado. Resolvi aproveitar esse momento pra colocar a casa em ordem, resolver algumas questões que já estavam pendentes há algum tempo e que sempre ficavam pra depois por causa dos trabalhos, e isso tem sido bastante positivo.</p>



<p>Mais recentemente retomei algumas gravações, seguindo uma série de recomendações. É claro que um pouco acaba se perdendo por causa disso, mas é a realidade que estamos vivendo e se adaptar é necessário. Além disso, comecei a planejar alguns projetos pra esse segundo semestre, até pra não ficar com a sensação de um ano perdido. Nesse período também rolaram os lançamentos de alguns projetos gravados lá no estúdio e isso ajudou a manter o ânimo.</p>



<p><strong>T: Pode dar alguns conselhos para as novas bandas e artistas que querem gravar algo em casa ou não tem acesso ao engenheiro de som em suas localidades?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Como diria ET Bilu, busquem conhecimento! O que você sabe é muito mais importante que o que você tem.</p>



<p>Avalie os recursos que você tem pra fazer aquela a gravação, estude bastante e tente entender qual a melhor forma de chegar ao resultado que você almeja com as ferramentas que você tem. Se achar necessário, procure conversar com alguém da área. Pode me mandar um inbox que eu terei prazer em tentar ajudar.</p>



<p><strong>T: Alguma recomendação final? Gostaria de indicar artistas que você gosta de ouvir e te acompanham nas playlists?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Ouça música, muita música, de todos os estilos, dos que você gosta e dos que você não gosta também. Ouça o que está sendo lançado, esteja atento às tendências, até pra fugir delas se for o que você deseja. Não sou muito bom nesse negócio de indicações e cada hora to ouvindo uma coisa diferente, então vou indicar só a playlist do LaDoBê onde dá pro pessoal conhecer um pouco do trabalho que a gente tem feito lá.</p>



<p><strong>Ouça a playlist do LaDoBê no Spotify</strong>:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-9-9 wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-right"><strong>Sobre o entrevistador</strong></p>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1f607-fotos-carol-copy.psd2_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11391" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Arredores] Gralha Edições &#8211; Boa Literatura em favor da Cultura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Fred Spada]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Gralha edições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fred Spada é uma daquelas pessoas das quais você se orgulha de poder chamar de amigo. Poeta, editor da Gralha Edições, revisor e tradutor, o Fred é capaz de fazer qualquer conversa se estender por horas com entusiasmo e profundidade. </p>



<p>Em sua formação, o poeta concluiu licenciatura em Letras e mestrado em Estudos Literários pela UFJF e doutorado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Como poeta, publicou Arqueologias do olhar (Funalfa, 2011), Coleção de ruínas (Macondo, 2014) e Breve itinerário de uma não viagem (Megamíni/7Letras, 2019). Além disso, Fred Spada é uma figura presente no circuito cultural de Juiz de Fora, seja frequentando aparelhos culturais, atuando diretamente em projetos ou conectando pessoas, o que, diga-se de passagem, é uma qualidade invejável de nosso entrevistado. Fred também mantém no Youtube o canal <strong><a href="https://www.youtube.com/user/poesiaemjf/videos">Poesia em JF</a></strong>, com depoimentos de poetas ligados a Juiz de Fora. </p>



<p>Essa semana a Trama falou com o Fred sobre o seu empreendimento com a Gralha Edições, e como ele vê o mercado editorial em tempos de coronavírus. </p>



<p>Acompanhe na entrevista abaixo!</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/57f36-whatsapp-image-2020-08-12-at-15.47.21.jpeg?resize=576%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11440" width="576" height="768" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fred Spada, poeta e editor da Gralha Edições.</figcaption></figure>



<p><strong>Trama:</strong> <strong>Fred, a gente gostaria de começar com uma pergunta curiosa. Sua formação inicial se deu em medicina, certo? O que o fez largar tudo e iniciar sua jornada nas Letras?</strong></p>



<p><strong>Fred Spada: </strong>O caminho até o curso de Medicina se iniciou bem antes de meu interesse pela literatura, como um desejo ou sonho nascido na infância &#8211; o que é não é nada extraordinário nessa idade, obviamente -, até que virou algo mais concreto no Ensino Médio. Foi neste período, aliás, que surgiu meu interesse pela literatura, graças à minha professora de Português do 1º ano do Ensino Médio, hoje querida amiga, Helena Rodrigues. Foi ali, e com grande incentivo dela, que passei a buscar leituras para além das indicadas no programa escolar e também a escrever, sobretudo poesia.<br />O que nasce como sonho de infância, entretanto, acaba encontrando uma realidade bem menos onírica quando começa a realizar-se, por assim dizer, na Faculdade de Medicina. Por volta do terceiro período comecei a me sentir insatisfeito com o curso, sentia que não me encaixava naquele universo profissional, que jamais seria parte dele, mas só na metade do curso eu o abandonei e me inscrevi em Letras num novo vestibular, porque então percebi que minha antiga (e sempre crescente) paixão por literatura e também pelo estudo de línguas poderia, sim, se tornar um meio de vida.</p>



<p><strong>Trama:</strong> <strong>Como surgiu a vontade de criar a própria editora? Quais desafios você enfrentou durante esse processo?</strong></p>



<p><strong>Fred Spada: </strong>Quando começo na Faculdade de Letras, a edição não era algo que tivesse em mente. Entrei no curso já pensando numa carreira acadêmica, em que pudesse me dedicar tanto à docência como à pesquisa em literatura, mas, já desde o primeiro período, comecei também a participar de eventos e publicações de poesia, a estar em diálogo com colegas e professores também eles poetas. Muito por conta disso, publico meu primeiro livro, Arqueologias do olhar, em 2011, pela Funalfa, com recursos da Lei Murilo Mendes, e em 2013 lanço de modo independente uma plaquete, Coleção de ruínas, que ganha no ano seguinte uma nova edição pela então recém-criada Edições Macondo, do Otávio Campos, com quem viria a trabalhar entre 2018 e 2019. De certo modo, estes dois livros foram meu primeiro trabalho com edição, porque coube a mim preparar e editar os originais, selecionando os poemas que comporiam os livros, fazendo cortes, acréscimos, reescritas, e até mesmo lidando com diagramação, no caso da primeira edição da plaquete.<br />Em 2018, passo a trabalhar na Macondo, e isso acaba mudando meu rumo profissional, ligando-o à literatura de uma maneira muito mais radical do que o seria pela docência ou pela pesquisa acadêmica. Quando saí da Macondo, no final de 2019, abrir uma editora foi, portanto, uma decisão natural, a constatação de que hoje esse trabalho direto com o texto e seu autor me interessa muito mais do que o trabalho de sala de aula.<br />O primeiro desafio durante esse processo, sem dúvida alguma, foi o de me sentir seguro não só para atuar como editor principal, mas também para lidar com toda uma cadeia de produção, que vai desde a recepção e preparação de originais até a impressão e venda dos livros, sua divulgação e distribuição. Outro desafio encontrado foi a chegada da pandemia de Covid-19, que atravancou boa parte dos processos burocráticos de abertura da Gralha Edições, especialmente na esfera municipal, o que também ocasionou um adiamento dos primeiros lançamentos da editora.<br />No mais, o diálogo com autores, designers, gráficas, livrarias e demais profissionais da área (quer com os contatos que fiz em meus dois anos de Macondo, quer com os que já tinha antes disso, sobretudo com escritores) facilitou bastante a dar o pontapé inicial da editora.</p>



<p><strong>Trama:</strong> <strong>Qual é o foco da Gralha, Fred? Quais temáticas e autores você espera ter em seu catálogo?</strong></p>



<p><strong>Fred Spada:</strong> O foco da Gralha Edições é a literatura contemporânea, seja de ficção ou de não ficção, com espaço aberto a poesia, conto, romance, novela, dramaturgia, literatura infantil e infanto-juvenil, ensaio, livros de arte, livros-objeto, de autores brasileiros e estrangeiros.<br />Não buscamos uma temática específica, mas obras de qualidade, que se mostrem inovadoras, que desafiem o senso comum, que tenham de fato algo a dizer. Estamos abertos à diversidade e ao experimentalismo. E temos um posicionamento político claro em favor de uma descentralização dos discursos, dando a autorxs o espaço e a voz que veem diariamente calados, sobretudo no cenário político fascistóide e persecutório em que nos encontramos ao menos desde o final de 2015, quando se inicia o processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff.</p>



<p><strong>Trama: Vivemos hoje no Brasil o pico de um contexto extremamente desfavorável para a cultura, com uma governança negacionista, anti-cultural, obscurantista e truculenta. Ao mesmo tempo, vemos florescer&nbsp;ações de resistência com inúmeros projetos de pessoas que afrontam essa tormenta que passamos, promovendo saraus, <em>slams</em>, fundando editoras de resistência, revistas, a formação de coletivos e pessoas que têm força para criar e fazer circular arte. Como você vê a contribuição da Gralha para o contexto cultural de juiz de fora?</strong></p>



<p><strong>Fred Spada:</strong> Em que pese fatos escabrosos da história nacional terem ocorrido na cidade, como a saída da tropa da 4ª Região Militar, então sediada em Juiz de Fora, rumo ao Rio de Janeiro, para dar início ao golpe civil-militar de 1964, ou o episódio da facada envolvendo o então candidato e atual presidente, que prefiro não nomear, em 2018 &#8211; ou talvez justamente motivado por tais razões -, o cenário cultural juizforano ganha muita força e projeção, sobretudo a partir de fins dos anos 1960. A cidade teve um Festival da Canção importante, que ocorria no Cine-Theatro Central, com participação de importantes figuras da música popular brasileira; um cena poética forte, em muito devida à atuação do professor Gilvan Procópio Ribeiro, primeiro no antigo Colégio Magister, depois na UFJF, que revelou nomes ainda hoje relevantes e movimentos importantes para as Letras locais, como o D&#8217;Lira e o Varal de Poesia, nos anos 1980, ainda em meio a muita repressão. Mais recentemente, o Slam, o Rap e a cultura HipHop, os diversos coletivos que agregam grupos variados e suas importantes discussões e atuações, seja sobre questões de gênero e orientação sexual, étnico-raciais, sociais, etc., vêm ganhando cada vez mais força e espaço.<br />Mais especificamente sobre o universo da literatura, ao menos desde 2006, quando passo a acompanhar parte da cena local, muito em virtude de minha entrada na Faculdade de Letras da UFJF, vejo o nascimento de diversas publicações, editoras e eventos que movimentam essa cena e dão voz e espaço a atores diversos. Mesmo antes, no final dos anos 1990, havia o zine Propoe, editado pelo DCE/UFJF, que publicava contos, poemas e ilustrações de pessoas da comunidade acadêmica e de outros escritores da cidade. Já nos anos 2000, vemos uma nova efervescência nesse cenário, com o número zero do jornal Parabelo, o sarau Eco-Performances Poéticas, o projeto Ave Palavra, as revistas Um Conto e OGaribaldi, as editoras independentes Bartlebee, Aquela Editora, Matinta e Edições Macondo e os espaços vários que abrigaram seus eventos, além de uma maior cobertura midiática de toda essa cena, sobretudo pelo jornal Tribuna de Minas e o trabalho dedicado do jornalista Mauro Morais.<br />Nesse sentido, desejo e espero que a Gralha venha a somar, não só com a realização de eventos na cidade ou com a publicação também de autores daqui, mas também reforçando o nome de Juiz de Fora como um polo de cultura de grande expressividade.</p>



<p><strong>Trama: Como você encara a entrada no mercado editorial tendo em vista o agravamento da crise entre as editoras e livrarias em tempos de pandemia?</strong></p>



<p><strong>Fred Spada:</strong> O mercado editorial e livreiro no Brasil há muito passa por altos e baixos, e seu mais novo ponto de crise é a iminente possibilidade de taxação do livro (depois de 74 anos de isenção) com a alíquota de 12% referente ao CBS, novo imposto proposto pelo atual ministro da Fazenda em seu projeto de reforma tributária, o que, resumidamente, implicaria o repasse de tal percentual ao preço de capa do livro, que já é relativamente alto no Brasil, sobretudo se levamos em conta o poder de compra de imensa parcela da população. Claro que há outros fatores para que o preço do livro esteja no atual patamar, bem como para que a situação de editoras e livrarias de todos os tamanhos seja de risco.<br />A tentativa fracassada de crescimento das redes de livraria Saraiva e Cultura, por exemplo, com a compra da Siciliano e o crescimento do número de lojas em todo o país, por parte da primeira, e a compra da Fnac Brasil e da Estante Virtual, pela segunda, levaram ambas à falência e implicaram o fechamento de diversas lojas, a demissão em massa de funcionários e a interrupção do pagamento às editoras que lhes consignavam livros para venda. O pacote de congelamento de gastos governamentais aprovado durante o governo Temer também trouxe imenso prejuízo às editoras (nesse caso, especialmente às grandes), com a interrupção da compra de livros didáticos e paradidáticos, responsável por boa parte do faturamento anual do setor. Além disso, o encarecimento dos aluguéis levou ao fechamento de inúmeras e tradicionais livrarias em todo o país, sobretudo nos grandes centros, mas também em cidades de porte médio como Juiz de Fora. Ainda, parece-me necessário um maior diálogo entre livrarias e editoras, especialmente daquelas com as pequenas editoras, para que os percentuais aplicados à consignação de livros seja revisto e tornado menos oneroso às editoras, que na maioria dos casos veem 50% do valor de capa ficando com as livrarias, as quais estão livres dos custos da cadeia de produção livresca (compra de direitos autorais e/ou de tradução, preparação e edição de originais, design e diagramação, tradução, revisão, impressão, publicidade e distribuição).<br />Assim, ao menos em relação às pequenas editoras independentes, podemos mesmo dizer que elas fazem um verdadeiro trabalho de guerrilha para levar ao seu público obras de qualidade e ainda (tentar) fazer desse trabalho um meio de sustento, de vida. E parte dessa estratégia de guerrilha é tentar ao máximo lidar diretamente com o leitor, tanto por meio da realização de eventos que o aproximem do autor, como por meio da venda direta, nesses eventos e nos sites/lojas online das próprias editoras, e de campanhas de pré-venda (fundamentais para financiar as edições) ou mesmo de crowdfunding, em alguns casos.<br />Nesse sentido, com o início e o agravamento criminoso da pandemia no país (criminoso porque diretamente devido ao descaso de um poder público genocida para com a vida de seus cidadãos), restou-nos buscar opções para que nossa atividade não fosse de todo interrompida, como a substituição dos eventos presenciais por eventos virtuais e a ampliação da divulgação e da venda dos livros pela internet. É já nesse cenário que a Gralha surge, e estamos preparados para isso e cientes não só das dificuldades impostas, mas também de alguns benefícios dele decorrentes (como, por exemplo, a possibilidade de mais leitores poderem acompanhar os eventos de lançamento, não importando onde estejam).</p>



<p><strong>Trama:</strong> <strong>Como você acredita que será o mundo pós-COVID19 para editoras e livrarias? Existe um horizonte otimista pela frente?</strong></p>



<p><strong>Fred Spada: </strong>Apesar de todo o cenário de crise que descrevi acima ainda pairar sobre nós, vínhamos acompanhando até o início da pandemia um tímido renascimento/fortalecimento das pequenas livrarias de rua, com alguns casos bem sucedidos em Juiz de Fora, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Goiânia, só para citar algumas cidades, bem como das editoras independentes, que já vinham e vêm conquistando mais espaço nos eventos e feiras literários, nos suplementos literários e nas páginas dos jornais que ainda têm seções dedicadas ao mercado da literatura (esses, sim, infelizmente, cada vez mais raros).<br />Enquanto não houver uma vacina contra a Covid-19 eficaz e de distribuição ampla no país, no entanto, acho prudente que o atendimento das livrarias e os eventos das editoras se concentrem no formato virtual, por mais que haja queda nas vendas (embora o mês de junho tenha mostrado uma ligeira recuperação do setor em relação a junho de 2019) ou que nós, apaixonados por literatura, sintamos falta de percorrer as estantes de uma livraria, tocar e folhear o livro antes de comprá-lo, ou de ter um livro autografado por seu autor, tirar uma foto com ele, ter uma interação mais direta.<br />A saúde, a vida, são mais importantes do que a economia, sobretudo do que uma economia cada vez mais excludente e injusta como a nossa.<br />Enfim, não creio que daria início agora às atividades da Gralha se não acreditasse numa recuperação do setor, ainda que lenta e de longo prazo, e se não acreditasse no talento e na capacidade de quem faz literatura no país. Mas, ao mesmo tempo, sei que essa crença depende também de nossa luta diária contra o crescimento da extrema-direita no país &#8211; ela, sim, avessa ao acesso universal a uma educação de qualidade, pública, laica e gratuita, e às diversas manifestações que compõem nossa riqueza cultural e, mais especificamente, literária.</p>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><p style="font-size:28px"><strong>Quer saber mais sobre a Gralha?</strong></p></p>



<p>Acesse o <strong><a href="https://www.gralhaedicoes.com.br/">site</a></strong> ou acompanhe pelo <a href="https://www.instagram.com/gralhaedicoes">Instagram</a> e <a href="https://www.facebook.com/gralhaedicoes">Facebook!</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.gralhaedicoes.com.br/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5026d-whatsapp-image-2020-08-12-at-15.38.43.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11441" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile alignwide" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Entrevistador:</strong></p>



<p><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong>é artista, arte-educador, curador, expografista e gestor cultural. Possui graduação em Artes Visuais pela UFJF, pós-graduação pela FAGOC e treinamento profissional em conservação e restauro de papel pelo LACOR/MAMM-UFJF. É funcionário do Museu de Arte Murilo Mendes e do Memorial da República Presidente Itamar Franco. É fundador da instituição cultural Bodoque Artes e ofícios, da Revista Trama e do Museu de Artes e Ofícios Bodoque.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1f607-fotos-carol-copy.psd2_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11391" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/">[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Toda banda ou artista solo precisa de um suporte nas suas gravações, uma mente que conduza o processo de composição e de gravação para chegar ao resultado sofisticado que temos em nossas mãos.</p>



<p>Gravar e produzir música, em qualquer escala, é uma tarefa difícil, e ainda mais concorrida em tempos nos quais a tecnologia nos proporciona gravações em casa; e o que pode ser um baque para a grande indústria fonográfica, vira uma oportunidade para os artistas locais e regionais.</p>



<p>Sobre isso e muitas outras coisas, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o Guilherme Flauzino (Guilf), que é baixista da banda Contratempo, professor de música e produtor musical. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d1bbd-guilf.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11362" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guilf, produtor musical e baixista da banda Contratempo</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Como começou essa vontade de ter um estúdio e ser produtor? Você sonhava em fazer outra coisa?</strong></p>



<p><strong>Guilf</strong>: Sou músico desde 2010, e em meados de 2013/14 eu comecei a me aventurar por esse mundo de gravação &#8211; ate então, sem compromisso. Eis que um amigo meu, Pablo Abritta, me propôs gravarmos uma musica dele (já cantávamos algumas coisas juntos de bobeira na época). Eis que viemos até a minha casa e gravamos a música de forma bem informal: gravamos no celular e jogamos no computador para mixar/misturar tudo. Após finalizada a música, Pablo resolveu me pagar &#8211; de inicio não aceitei mas ele insistiu e foi meu primeiro pagamento de gravação, R$20,00 na época, me rendeu um bom combo de hambúrguer, batata e refri (risos). Depois disso, como já tinha uma pequena experiencia, comprei uma interface e um microfone e cheguei a gravar minhas bandas, ate que um primo de um dos meus bandmates resolveu que seu ministério de musica cristã iria ser produzido por mim. Aí sim, foi minha primeira produção oficial, um CD de 10 musicas. Sobre sonhar outra coisa, acho que sempre soube que trabalharia com música, mas demorei um bom tempo até bater esse martelo.</p>



<p><strong>T: Entendendo os processos hoje, e as facilidades para montar um home estúdio, você acha que isso torna o mercado musical mais disputado? Como exemplo a premiação para Billie Eilish.</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Sim e não, pois por mais que agora hajam mais profissionais da área, nunca falta trabalho pra ninguém. Se existem 10 produtores, pode ter certeza que existem umas 50 bandas/cantores para serem gravados, basta continuar buscando melhorar, tanto como profissional, quanto como ser humano (ninguém merece trabalhar com gente chata). Além do mais, sempre defendi que todo músico deve procurar ser versátil e tentar, ao menos, entender o básico de tudo, além de seu próprio instrumento. Especialmente agora na pandemia, saber se gravar se tornou algo essencial para que a banda não pare totalmente.</p>



<p><strong>T: Você poderia comentar sobre o quanto a premiação internacional a um álbum em casa com recursos emulador afetam a indústria hoje? Abbey Road que te aguarde?!</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Já vi produtores grandes e com longa estrada reclamarem dessa facilidade, ainda mais pelo fato de eu ser fruto dessa tal facilidade. Mas eu creio que as pessoas que buscam crescer, que divulgam bem seu trabalho e tratam os outros bem, elas vão sempre ter serviço. Por isso, não importa em que nível eu esteja, sempre vou buscar incentivar qualquer um que esteja começando. Como eu disse antes, não falta gente pra ser gravada!</p>



<p><strong>T: Você é muito fã dos Beatles e do Queen. Tem alguma coisa deles que você gostaria de regravar com o seu olhar e incluir no álbum deles?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Não incluiria nada em seus álbuns pois já os amo, mas tenho um sonho pessoal de regravar Bohemian Rhapsody, minha musica favorita de todos os tempos, onde eu tocaria e cantaria tudo! Uma curiosidade: Foi o primeiro Rock que ouvi na minha vida, quando criança eu tinha uma fita cassete com o filme “Vida de Inseto’’ e logo após o filme, tinha um clipe desse clássico do Queen; eu assistia muitas vezes e viciei, acho que isso foi o universo mostrando que eu seria rockeiro (risos).</p>



<p><strong>T: Dentro da cena da cidade, você tem alguns projetos. Conta pra gente sobre o seu primeiro projeto de gravação,  que te fez perceber que você levava jeito pra coisa e aquele projeto do coração (sem ciúmes dos envolvidos).</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Além da primeira produção oficial e não oficial que citei ai em cima, no meio desses dois acontecimentos, cheguei a gravar minha primeira banda, se chamava “All Break’’. A musica gravada se chama “Free For One Day’’, de minha autoria. Gravamos tudo em casa, com emuladores, e claro que o resultado não foi dos melhores; mas me deu um prazer descomunal ouvir aquilo e pronto, bater no peito e dizer ‘’EU QUE FIZ”. Por mais que eu tenha produzido muitos artistas incríveis &#8211; inclusive a <a href="https://open.spotify.com/album/57CepkKZYCHFNzi6JjPa2L?si=F8wQ5qtwQhyD767c_tMEDQ">Veraluz</a> banda desse belíssimo entrevistador -, meu projeto do coração não poderia ser outro se não o EP <a href="https://open.spotify.com/album/3p7OTO4VFwbDHHqsAiuv3P?si=5UlElWvwTdGic_YvhMTUdA">Atemporal</a>, de uma das minhas bandas atuais, Contratempo. O trabalho, que completou 2 anos de existência em junho agora, foi uma grande vitória na minha vida!</p>



<p><strong>T: Como funciona o trabalho de gravação na sua casa, quais os desafios e as vantagens do home estúdio?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Hoje, meu único problema é o espaço. Infelizmente, pelo fato de eu morar em um apartamento e usar um quarto para trabalhar, isso acaba impossibilitando de que eu faça coisas como gravar duas ou três pessoas juntas, ou mesmo, uma bateria completa.</p>



<p><strong>T: Diante da pandemia, muito se questiona sobre a ausência do contato com certos equipamentos e timbres &#8211; que não ficam bem emulados no computador. Você concorda com isso? Como vê os desafios de uma gravação à distância?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Particularmente, eu sou muito a favor das emulações. Por mais que não seja a mesma coisa que uma bateria real, ou um amplificador real, é possível se tirar um sonzão dali &#8211; vide muitos famosos que já fizeram musicas nível grammy só com emuladores!</p>



<p><strong>T: Sobre a cena da produção musical aqui em JF: você tem contatos, fez colabs, tem encontrado boas parcerias?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Em JF, temos profissionais incríveis que, além disso, são pessoas excelentes, com quem sempre troco figurinhas sobre o assunto. Creio que, de alto nível em JF, posso citar o Mauricio Havila, do estúdio Sonidus &#8211; um cara que admiro demais, tanto pessoal quanto profissionalmente; além do Nando Costa, outro profissional sensacional que é daqui, mas hoje mora fora. Fora eles, dá pra falar de outros profissionais excelentes da cidade que já trabalham com isso há um tempo; os mais próximos a mim hoje são o Bernardo Merhy e o Guilherme Henrique, que eu considero como irmãos. Tem também quem está começando agora; inclusive, tenho incentivado muito um outro amigo, Jones Mendes, a começar nesse ramo &#8211; cheguei a ceder dois clientes meus para ele.</p>



<p><strong>T: Juiz de Fora é um celeiro de bandas boas, e uma delas, com certeza, é a Contratempo. Como é estar na banda e também mixar tudo? Já pensaram em dividir a produção? Como foi esse processo da gravação de vocês?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Como eu disse, foi uma vitória pessoal e profissional termos feito o Atemporal, mas o processo foi um pouco desorganizado, muito por minha culpa. Acho que, por inexperiência na época, não soube coordenar bem &#8211; especialmente a parte da pré produção (etapa que antecede a gravação). Talvez não tivéssemos demorado quase 3 anos para a finalização do trabalho, caso eu fosse mais experiente. Mas tudo ocorreu do jeito que tinha que ser, e no próximo trabalho (estamos planejando um álbum), tenho certeza que estarei bem mais capacitado.</p>



<p><strong>T: Recentemente você também lançou outro single seu, Beleza no Caos. Vem alguma composição nova por aí?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Pois é! Tenho algumas musicas próprias por ai, em meu Spotify, além da “Beleza…’’; também tenho uma outra: “Se Tem Amor’’, de 2016. Alguns amigos têm feito campanha para que eu lance um EP solo, e posso admitir que me convenceram. Já estou trabalhando nisso; porém, aos poucos.</p>



<p><strong>T: Agora uma brincadeira: se você pudesse colocar um álbum que fosse a cara de JF, qual seria e porquê?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Pergunta extremamente difícil, mas vou citar aqui meu álbum favorito: Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, de 1967 &#8211; creio eu que um dos álbuns mais importantes da história. Cito ele pelo fato de se parecer com um álbum conceitual onde temos o inicio e o fim de um espetáculo. Juiz de Fora, por ser um celeiro de ótimas bandas, tem um cotidiano musical que sempre será um grande espetáculo. E na capa, clássica e reinterpretada por muitos, seriam todos esses personagens que fazem parte da musica juizforana.</p>



<p><strong>T: Como alguém pode começar um home estúdio hoje? Manda umas dicas de cursos e uns equipamentos básicos.</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Muitos dos profissionais que citei acima dão seus cursos, seja presencial ou online; e  recomendo a <a href="https://universidadedoaudio.com/">Universidade do Áudio</a>, plataforma online que contém muitos assuntos referentes a todas as etapas da produção musical. Recomendo, também, ouvir muita musica diferente, e trabalhar para que se expurgue qualquer preconceito musical da sua vida. A começar pelo fato de que preconceito já não é algo bom em âmbito nenhum, e completo com um fato que venho experienciando desde que comecei: “Tudo ajuda em tudo’’. Já peguei referencias do sertanejo e usei em rock, e etc. Então, abra a sua mente o máximo que conseguir, te fará muito bem!</p>



<p><strong>T: Quais as suas indicações de artistas e suas considerações finais para encerrarmos esse momento?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Não vou citar artistas específicos, mas valorizem os artistas da sua cidade; eles têm MUITO a oferecer! Deixo também uma frase sobre o momento atual:<br>“…por mais que seja bem dificil, talve seja importante aprendermos a ter paciência de contemplar um pouco de beleza nesse caos.”</p>



<p><strong>Ouça o single mais recente do Guilf, produzido por ele mesmo</strong>: <strong>Beleza no Caos.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-9 wp-has-aspect-ratio wp-embed-aspect-9-16"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Spotify Embed: Beleza no Caos" style="border-radius: 12px" width="100%" height="80" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/track/3lpFu3h6lVOHs3dxtKAWlf?si=xgM8WwHcSy6KdgouKGTBfw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1f607-fotos-carol-copy.psd2_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11391" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Coluna Arredores] Renata Dorea em Cuba &#8211; Entrevista</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/05/coluna-arredores-renata-dorea-em-cuba-entrevista/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2020 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Dorea]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A segunda edição da coluna Arredores traz, para aquecer o coração dos amantes da arte nessa quarta feira fria, uma entrevista com uma das artistas plásticas contemporâneas mais notáveis de Juiz de Fora &#8211; que, não bastasse isso, também é cineasta e está prestes a ganhar o mundo através do seu intenso e resistente olhar cinematográfico.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8d187-dorea1.jpg?resize=520%2C520&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11293" width="520" height="520" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Renata Dorea, ao lado de uma das suas Sereias da Mata.</figcaption></figure></div>



<p>Amplamente conhecida na cidade por trabalhos como a série de pinturas Sereias da Mata e o documentário Afrodites, Renata Dorea é Artivista Afro-Cabloca. Fluminense, ela fez do IAD &#8211; UFJF sua casa pelos últimos cinco dos seus 25 anos de sangue-sonho-e-Améfrica-Landina. Em seu currículo, um documentário de estréia premiado e participante em mais de dez mostras por todo o país; a co-fundação do Coletivo Descolônia; a participação ativa no projeto LabAFRIKAS e no Coletivo Cênico As Ruths; e, agora, a aprovação para estudar TV e Novas Mídias em uma das universidades de cinema mais conceituadas no mundo: a EICTV, em Cuba.</p>



<p>A aprovação, porém, não é suficiente. Por isso, a artista está com o financiamento coletivo &#8220;<a href="https://benfeitoria.com/doreaemcuba">Dorea em Cuba</a>&#8221; aberto, e precisa do seu apoio para poder continuar produzindo cinema preto de altíssima qualidade e gerando dignidade através dele.   </p>



<p>Essa semana, a Carol Cadinelli, colaboradora da Trama, conversou com a Dorea sobre a sua produção cinematográfica, suas inspirações e suas expectativas para o futuro em Cuba. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9df9f-56190013_2222219211205022_1808964732435038208_n.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11295" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Dorea nas gravações da Websérie Artemídia, para o Observatório da Qualidade do Audiovisual. Foto: Vinícius Guida.</figcaption></figure>



<p><strong>Trama: Como foi o seu processo de descobrir o cinema enquanto arte? E como você se descobriu no cinema?</strong></p>



<p><strong>Renata: </strong>Eu nasci na Baixada Fluminense, cresci em São João de Meriti. Naquela época, assistíamos a muitos filmes e novelas em família, então o encantamento com a imagem e som surgiu bem cedo, principalmente com o potencial de aprender novas formas de vida e outros mundos. Durante o Ensino Médio, eu era apaixonada  por física, filosofia, história e literatura, aliado a um amor que eu tinha por Fotografia, eu fui descobrindo os sentidos do conhecimento interdisciplinar e como os conhecimentos se fundiam, se complementando. A partir disso e de algumas oficinas de Cinema que fiz durante minha adolescência, fui descobrindo uma vontade de contar histórias, e foi <strong>no Audiovisual que encontrei um modo mais amplo de comunicar com as pessoas</strong>. Meu primeiro filme foi um ponto de partida bem bonito, eu apontei a câmera para minha vida e partindo da transição capilar, me redescobri uma Cineasta Preta, além do potencial dessa ato de auto-eternizar uma memória que antes foi ocultada nos processos da da diáspora africana.</p>



<p><strong>T: Você é mais conhecida aqui na cidade pelo seu trabalho com pintura. Como você percebe que a pintura se liga ao cinema? E como você percebe a influência do que você pinta no que você dirige, e vice versa?</strong></p>



<p><strong>R:</strong> Eu acredito que a Arte funciona como uma espécie de poesia disfarçada: no audiovisual, se propaga pela imagem e som; nas pinturas e ilustrações, por meio de tintas. Acho que o processo artístico tem muita beleza em suas construções, então eu percebo a interferência e também uma conexão transmidiática entre os aprendizados com as outras possibilidades de registrar os sentimentos, das questões coletivas ou individuais (que também se refletem). Além disso, quando se estuda sobre a vivência dos Artistas Negros, você pode perceber uma certa dificuldade de acessar alguns materiais ou meios de transformar as ideias em criações, em diferentes períodos da vida; então, <strong>a gambiarra é uma estética muito presente na Améfrica Landina</strong> (Conceito de Lélia Gonzalez). Por muito anos, eu não tive câmera, nem celular, então o papel e caneta me valeu para ecoar aqueles sentimentos engasgados. Nesse momento, após muito trabalho, consegui novos equipamentos. Desta forma, a Arte Preta é tão bonita, tão multidisciplinar pela capacidade desses artistas se adaptarem aos recursos, Bispo do Rosário costurava pinturas, enquanto Grada Kilomba escrevia diálogos em peças de Teatro, da mesma forma que Carolina de Jesus escrevia nos papéis que encontrava no lixo. <strong>Somos potentes em nossa capacidade de tirar o melhor em recursos limitados, mas agora você consegue imaginar essa criatividade munida com meios de execução?</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/92b73-afrikas-630x419-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11296" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Bastidores da websérie Reflexo Reverso, produzida pelo LabAFRIKAS, dirigida por Dorea.</figcaption></figure>



<p><strong>T: Como você percebe que o cinema que você faz impacta na vivência da comunidade negra e indígena que te rodeia? E como você espera que ele impacte?</strong></p>



<p><strong>R:</strong> &#8220;O Cinema é o que existe entre mais avançado entre os povos da terra, o cinema é uma Arma e nós negros com toda certeza sabemos atirar&#8221;; essa frase é do mestre Zózimo Bulbul, importante Cineasta e Fundador do Centro AfroCarioca de Cinema, onde atualmente acontece um dos maiores festivais de Cinema Negro da América Latina. Eu acredito nessa importância de a câmera ser um reflexo daqueles que a operam, então essa arma serve como encantamento. Afinal, quando falamos de filmes, estamos falando sobre sonhos assistidos, que nos geram uma série de emoções e também trazem uma humanidade, porque a jornada dos personagens ou da história faz a gente se sentir um pouco naquela pele. Quando a película (que registrava as primeira fotografias) foi criada, ela não registrava corpos negros; isso significa que foi criada por pessoas que enxergam a importância de registrar apenas uma parte do mundo. <strong>Quando ocultamos a maioria nas telas, ocultamos as histórias presentes naquelas vidas</strong>, então eu percebo que quando uma pessoa utiliza dos meios audiovisuais para registrar sua cultura, sua vida, sua pele, sua gente, <strong>o trabalho final é gerar dignidade e também um orgulho de ser quem é</strong>, sem que os colonizadores ou herdeiros da colonização coloquem palavras na boca dos filhos do sol, do povo preto dessa terra, dos povos originários de Aby Ayala, dos povos originários de Kemet.</p>



<p><strong>T: O que você espera alcançar com os seus estudos em Cuba? </strong></p>



<p><strong>R:</strong>  A EICTV é uma das melhores escolas de cinema do Mundo! Gabriel Garcia Marquez dava aulas, além disso já teve professores como o Coppola  (diretor da trilogia O Poderoso Chefão), sendo um espaço em que circulam nomes muito importantes no cinema mundial. Quando recebi a noticia que eu fui selecionada, eu chorei uma semana. Eu acredito ser a primeira pessoa do IAD que passou nessa prova. Além disso, <strong>eu fui a primeira da minha família a entrar numa universidade federal e agora também sou a primeira a passar numa prova internacional!</strong> .  A maioria dos alunos formados pela EICTV tem um grande respeito e também visibilidade. Sendo um processo seletivo tão rigoroso, com professores tão fantásticos, é de se esperar que os profissionais formados sejam tão excelentes quanto a escola. Só de ter passado na prova eu já recebi alguns convites, então <strong>eu acredito que essa formação seja uma abertura de caminhos em minha jornada no mundo e no Mercado do Cinema</strong>. E sobre escolher por TV e Novas Mídias, vem da minha relação e produção com o Cinema Negro, sendo as temáticas raciais um ponto importante na minha obra fílmica e artística, <strong>seguir para as novas mídias, a internet, é uma forma de impulsionar</strong> que essas histórias sejam compartilhadas pelo mundo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e577c-21013941_1510663365693947_3111586222944556490_o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11294" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Dorea no Graffitaço Absurdo, da CasAbsurda &#8211; JF. Foto: Isabela Campos</figcaption></figure>



<p><strong>T: Como você acha que a vivência em Cuba, enquanto comunidade e sociedade estruturada de forma tão diferente da brasileira, pode fazer a diferença nos seus processos artísticos, tanto de pintura como de cinema?</strong></p>



<p><strong>R:</strong> A História de Cuba é muito relacionada com a Descolonização. Eu imagino que, no dia a dia, seja uma cultura bem diferente por questões políticas, apesar de algumas aproximações por conta da cultura Africana ser muito forte no Caribe. Eu quero conhecer esse país por sua taxa de mortalidade infantil, desigualdade social tão baixas, enquanto o nível de alfabetização é altíssimo. Além disso, um dos fundadores da Escola, Julio Garcia Espinosa, tem um manifesto sobre o Cinema Imperfeito, sendo um dos meus textos favoritos e tão relacionado com a produção atual de audiovisuais na internet brasileira; as histórias contadas pelas periferias, pelos jovens negros em celulares, independente da técnica e valorizando a criatividade, me lembra muito também do Cinema de Nollywood, na Nigéria. Além da possibilidade de sair do Brasil pela primeira vez e ter essa residência numa das melhores escolas de cinema do mundo, também pretendo estudar as ligações possíveis da Diáspora, principalmente as fantásticas manifestações religiosas e como os Orixás são celebrados em diferentes contextos na História do povo Preto. </p>



<p><strong>T: O que você gostaria que eu tivesse perguntado que eu não perguntei? E qual a resposta a essa pergunta que eu não fiz?</strong></p>



<p><strong>R: </strong> A pergunta é &#8220;<strong>Quais Artistas me Inspiram?</strong>&#8221;  O nome dessas Artistas e Artesãs são:<br>Paula Duarte, Iuná luz, Giane Elisa, Denise Nascimento, Joyce Queiroga, Maria Luiza Evaristo, Sheila Gonçalves e Todas as Ruths!, Andressa Silva, Eliane Bettocchi, Karina Pereira, Karol Vieira (Mc Xuxu), Gogoia Assunção, Barbara Quintino, Iuli Melo, Francini Ramos, Lume Caetano, Naju Silvino, a primorosa documentarista Everlane Moraes, Yasmin Tháyna, Sabrina Fidalgo, Adélia Sampaio, Danddara, Zoel Zito Araújo, Zózimo Bulbul, Viviane Ferreira, Rosa Miranda, Leda Maria Martins, Sarita Gomez, Barbara Maria, Leticia Silva, Cristina Amaral, Glenda Nicácio, Maria Carolina de Jesus, Conceição Evaristo, ao Coletivo Descolonia, ao LAB AFRIKAS, a APAN, ao Grupo de Artes cênicas e políticas as Ruths!  e tantas outras Artistas e Intelectuais Negras de Minas Gerais, do Brasil e Améfrica que me formaram como artista e como ser. </p>



<p><strong>Assista ao documentário &#8220;Afrodites&#8221;, de Renata Dorea</strong>:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="DOC - afrodites ( por renata dorea)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/UXOJHTSg9cI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Para apoiar o trabalho dessa artista sem precedentes, é só clicar <a href="https://benfeitoria.com/doreaemcuba">neste link</a> e escolher a sua recompensa. <br><br>No domingo tem mais Arredores!</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a785c-carolcad-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8747" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Carol Cadinelli</strong> </strong></strong></strong>é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atua como Social Media na Peregrina Digital, assistente de edição na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Coluna Arredores] Diego Neves lança projeto musical solo &#8211; Entrevista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É tempo de valorizar as artes e os artistas &#8211; entre eles, os nossos futuros artistas favoritos; desse &#8211; e de alguns outros &#8211; propósitos, nasceu a Trama, que mais do que uma revista, busca ser um espaço aberto onde artistas possam se expressar e se fortalecer. </p>



<p>Quando pensamos em artistas locais, cada movimento conta. Compartilhar suas obras, seus sonhos e caminhar junto por uma jornada cheia de possibilidades, alegrias e às vezes frustrações; isso até o momento em que a arte voa sozinha, e alcança lugares tão inusitados e especiais que tornam cada aspecto da jornada um degrau memorável na vida do artista e do espectador. E quem acompanha um artista desde o início sabe o quão gratificante é todo esse processo.</p>



<p>Pensando nisso, e em fortalecer cada vez mais as cenas regionais, começaremos a navegar junto a artistas locais tanto de nossa cidade quanto de lugares que vocês, nossos leitores, nos indicarem. Bem vindes, bem vindas e bem vindos à entrevista de estreia da mais nova coluna da Trama:  Arredores.</p>



<p>Na edição de estreia, apresentamos a vocês o Diego Neves, músico de Juiz de Fora. Ex-vascaíno, hoje flamenguista e embaixador do emo no Brasil, Diego é vocalista da Legrand e idealizador do projeto solo DiegoNeves*Banda, que lançou sua primeira música, &#8216;Mexicana&#8217;, no finalzinho de julho.</p>



<p>Logo após o lançamento, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o artista sobre o novo projeto, sobre produzir na quarentena e outras questões. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/c6226-20200802_121002-1804115942-1596394667570.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-11256" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Diego Neves, vocalista da banda Legrand</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Porque um projeto solo? O quanto ele destoa (ou complementa) seu trabalho na Legrand?</strong></p>



<p><strong>Diego: </strong>Diego Neves*Banda é um projeto que nasce bem antes da Legrand, mas que se realiza só agora, depois de 5 anos de Legrand. Uma curiosidade é que Legrand é um nome que veio de uma música da Diego Neves*Banda; mas isso é outro assunto. Enfim, a grande diferença entre Legrand e DN*B está na linguagem escolhida. No projeto solo eu caminho no chão das referências pop e MPB, falando com mais leveza e suavidade de temas como amores, encontros e auto conhecimento. A Legrand nasceu indie e foi se inclinando pra uma linguagem mais alternativa, conversando muito com o Midwest Emo, que a gente chama de Emo adulto (risos). Nela, eu derramo os temas mais intensos, indigestos, incômodos, de modo mais incisivo. As diferenças são mais fáceis de perceber do que as semelhanças, mas acho que tom nostálgico das composições, ainda que caminhem em direções distintas, é o que aproxima os dois projetos.</p>



<p><strong>T: O projeto novo já tem nome? Você pode nos revelar?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> O que vem por aí tem forma, duração, nome, tudo definido, mas ainda é cedo pra falar mais. Por enquanto, a gente fica com &#8220;Mexicana&#8221; e em breve surge mais coisa nova.</p>



<p><strong>T: As influências sonoras parecem ter uma semelhança óbvia pela sua participação na Legrand. Conta pra gente um pouco mais sobre referências musicais que você usou no seu projeto solo.</strong></p>



<p><strong>D:</strong> No projeto solo, eu mergulhei no universo do indie pop e de todas as vertentes que se desdobram dele, mas tem bastante coisa da MPB. Acho que posso destacar as fortes influências de Silva, Mahmundi, Xime Sariñana, Chvrches, Duda Beat e Tuyo. Mesmo que indiretamente, todas essas referências trazem consigo uma nostalgia com cara de anos 80/90, que eu amo demais.</p>



<p><strong>T: A experiência de gravar e mixar na quarentena, como foi? Fez falta a experiência de ir ao estúdio? Como foi esse processo de gravação e a mixagem?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> O estúdio faz falta quando nos referimos aos equipamentos, principalmente os analógicos; lá, a gente tem acesso ao timbre daquele compressor ou daquele amplificador, sem precisar simular aqueles sons. Mas gravar em casa tem um clima diferente, principalmente quando o assunto é tempo. Experimentar, fazer e refazer, errar, acertar, descobrir, tudo isso demanda tempo. Quando você grava no seu quarto, sem a pressão do tempo pago e das horas gastas no estúdio, o limite criativo e as possibilidades de exploração se expandem. Eu gravei esse projeto todo durante uns dois meses, a partir de demos gravadas há 3 ou 4 anos atrás. Fui tirando e colocando elementos, experimentando até chegar no ponto que queria. A mixagem e a master foram feitas pelo Rubens Adati (Inhame Estúdio). Ele é de São Paulo, tem a banda Meu Nome Não É Portugas, fez algumas guitarras no disco do Vella (Felipe Vellozo, baixista da Duda Beat) e já trabalhou com muitas bandas da cena paulistana. Ele surgiu como uma surpresa maravilhosa, num post de Instagram, e meses depois eu estava ouvindo o projeto pronto. O que senti falta mesmo foram das conversas que rolam durante o processo. É sempre divertido, e ajuda no surgimento de ideias novas. Mas deu tudo certo e tive muita gente nessa comigo, apesar da distância.</p>



<p><strong>T: Você acha que vai ganhar algum pastel na mexicana? Já soube que ganhou bolo da Regaliz</strong>&#8230;</p>



<p><strong>D:</strong> (RISOS) Eu ficaria feliz com esse patrocínio aí. Me nota, Mexicana! A Regaliz tem meu coração! Conte comigo pra tudo, Regaliz, tal qual o meme. (risos)</p>



<p><strong>T: Sua escrita tem muito de uma poesia ordinária e envolvente. Podemos esperar essa tendência ao longo do projeto, ou veremos letras politizadas em uma poesia mais intensa, como nas letras do álbum mais recente da Legrand?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Sim, essa [poesia ordinária] é a tendência do projeto. Quero explorar esse cotidiano versado, cantando letras que usam uma linguagem rica em signos da vida comum. Mesmo que recorra à introspecção em alguns momentos, ainda assim é um uso menos denso do que nas composições da Legrand.</p>



<p><strong>T: Você lançou a música &#8216;Mexicana&#8217; apenas em mídias virtuais. Como você enxerga esse espaço para artistas consolidados e novos artistas?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Há uma ideia de democratização da produção e da distribuição dos conteúdos artísticos por meio dessas mídias. Os artistas mais consolidados se adaptaram aos novos formatos, precisaram repensar estratégias, mas usufruem de uma estrutura muito maior do que nós, artistas independentes. Assessoria, gerenciamento de carreira, gravadora, tudo segue um fluxo diferente. Mas, ainda que sem essa estrutura enorme, com disposição e organização do trabalho &#8211; e contando com a ajuda dos amigos, claro &#8211; os artistas independentes podem se lançar no mercado, sem intermediação de grandes selos ou muita burocracia. Lógico que existe um vão enorme, que a ralação pra fazer o trabalho vingar exige muito esforço, planejamento, noites viradas, mas ninguém começa hoje e amanhã é a nova Lady Gaga. Tudo é processo. Pra chegar nos 1000 plays, tem que planejar os primeiros 10, depois 100, assim por diante &#8211; e tem que comemorar muito essas conquistas. Talvez a gente peque muito em enxergar a produção artística apenas pela ótica do mercado. A música é mercado sim, mas se você não faz isso porque é o que ama fazer, tudo passa a ser só número sobre número e se perde. </p>



<p><strong>T: E a questão da pirataria? O acesso livre às produções artísticas, culturais e acadêmicas pelo livre compartilhamento precisa acabar? O quanto isso interfere no seu projeto?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Essa é uma questão delicada e que tem muitos lados. Entendo que a pirataria, em termos lucrativos, trouxe uma desestabilização do mercado e isso afeta a indústria &#8211; o que significa, grosso modo, que trabalhadores vão sofrer com isso, com essa desestabilização. A tendência é sempre a mesma: o que afeta os grandes grupos e empresas, afeta mais quem é o “chão de fábrica”. Mas como pensar em democratização do acesso à cultura e não considerar causar um abalo na estrutura da indústria? Porque é inegável que os espaços e produções culturais são pensados a partir do consumo, em termos de indústria. E quando pensamos em consumo, sabemos que uma parcela da população é privada desses espaços por conta da sua realidade. Nem todos podem ir ao cinema com frequência, muito menos podem pagar centenas de reais pra assistir o seu artista favorito ao vivo. Nesse ponto, a pirataria causa uma inflexão necessária, mas complicadíssima de analisar. A pirataria não é uma faca de dois gumes, ela é um decaedro. Eu sou a favor do acesso livre à informação. Entendo isso como direito fundamental, mas essa é uma discussão longa, que ainda engatinha, apesar dos anos de transformação que a indústria cultural promoveu. Quanto a mim, não sei dizer o quanto isso pode me afetar, sendo bem sincero. Outros elementos, como o repasse das plataformas de streaming para os artistas, precisam entra na equação também, e é aí que a gente vê esse nó se complicar mais que os nós temporais de Dark. </p>



<p><strong>T: Podemos esperar participações nas próximas composições?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Espero que, num futuro próximo, sim, possam surgir mais participações e parcerias; mas nesse projeto solo as composições nasceram e foram executadas bem “solo” mesmo. Mas eu quero ter mais composições escritas em parceria e espero, ao menos quando pudermos voltar aos palcos, poder contar com outras vozes somando comigo. </p>



<p><strong>T: Você gosta bastante de um pagode e samba; acha que pode vir um som nessa mistura?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Pagode 90 é minha religião! (risos) Eu tenho composições que flertam com o samba e com o pagode, sim. Na verdade, por ter crescido ouvindo muito pagode, é inegável que minhas músicas bebem dessa fonte &#8211; e se você tirar o arranjo original delas e colocar um pagode, elas vão encaixar (risos). Quem sabe esse gosto pelo pagode ganha corpo e se torna real? A Legrand já faz o Derê &#8211; nosso pagodão pré carnaval &#8211; há dois anos. Não nego que possa nascer algo assim na DN*B.</p>



<p><strong>T: Alguma indicação de artistas que te acompanham ou que você descobriu?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Mahmundi, Adriana Calcanhotto, Lenine e Jorge Drexler são artistas que trago no coração. Mas eu descobri recentemente preciosidades como Natália Lafourcade, Los Punsetes, Zahara, Suoersbmarina, Sidonie. Enfim, a lista seria extensa, mas menciono ainda Ximena Sariñana, Mon Laferte, BAAPZ, Mike Posner, Rincon Sapiência e a incrível Julieta Venegas. Enfim, se alguém quiser mais, pode me chamar no Instagram que a gente troca ideia. </p>



<p><strong>T: Deixa seu recado para nossos leitores aqui.</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Acho que o que posso dizer é: se cuidem e cuidem dos seus. Em breve, a loucura que a gente tá vivendo se abranda e a vida segue o fluxo. No mais, ouçam DN*B, apoiem os artistas da sua cidade e OUÇAM MÚSICA LATINA E EM LÍNGUA ESPANHOLA. Um beijo, um abraço e fiquem firmes! </p>



<p><strong>Ouça o primeiro single do Diego</strong>: <strong>Mexicana.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Mexicana" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4yCsIe5iORuA5xe8ABFQiC?highlight=spotify%3Atrack%3A1JE19tfDTKB193sRUMOcYx&#038;utm_source=oembed"></iframe>
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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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