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	<title>Arquivos BAUMAN - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Estamos Líquidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[BAUMAN]]></category>
		<category><![CDATA[Lara Souza Freitas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lara Souza Freitas </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">De acordo com Zygmunt Bauman (1925-2012), um dos Sociólogos mais respeitados e produtivos das últimas décadas, vivemos em uma sociedade líquida onde nada é feito para durar.<br>&nbsp; “Diferente do ‘sólido’ o líquido não tem forma constante, ele muda rapidamente, e isso, sob a menor pressão” disse Bauman. E essa inconstância como característica do comportamento da nossa sociedade resultaria em uma série de problemas, e de acordo com ele, uma dessas&nbsp; principais crises seria a instabilidade dos relacionamentos sociais e amorosos.<br><br>&nbsp; Quando parei pra pensar a respeito disso, me lembrei de uma dia em que eu estava na casa na casa da minha avó paterna, e admirava alguns pratos de coleção que ela tem pregados na parede formando um mural. Eu os pedi para o dia que eu tiver minha própria casa (acho lindíssimo!). Ela riu, e logo disse que ninguém quer coisa dos avós mais, ninguém se importa com as coisas antigas pra levar adiante, tudo é velho, ultrapassado. De acordo com ela, ninguém mais guarda nada para ser passado às próximas gerações. E assim ela começou a me mostrar a quantidade de coisas antigas (e bem cuidadas) que tinha em casa, e que nunca precisaram de serem descartadas, e que com o tempo adquiriram valores sentimentais insubstituíveis.&nbsp; &nbsp; &nbsp;<br><br>&nbsp; Pela leitura de Bauman, sabemos sim que vivemos em uma era em que a vida real se entrelaça ao mundo digital, e de fato não são somente os objetos que se tornaram facilmente descartáveis. Mas, a questão que precisa nos nortear é: o que fazemos/faremos pra evitar que continuemos superficiais perante aos fatos do caos que isso tudo tem causado e continuará causando em nós, em nossa saúde física, mental e espiritual? Em nossos relacionamentos, em nossas escolhas, e nas futuras gerações?<br><br>&nbsp; Em nossa realidade vemos pessoas sendo usadas como pontes para chegar às satisfações egoístas, e rapidamente/facilmente descartadas, sem o interesse de vivenciar o tempo, a fim de “solidificá-las” em relacionamentos estáveis. Cada vez menos os relacionamentos atuais carregam caráter duradouro. Não só os amorosos, mas as amizades e as relações profissionais também.<br><br>&nbsp; As pessoas não se sentem livres por serem quem são, precisam se encaixar nesse fluxo.<br>Percebo então, o quão iludida nossa geração tem ficado pelo <strong><em>padrão de renovação</em></strong>. Temos nos “moldado” assim como o líquido, àquilo que nos tem sido apresentado diariamente.<br>Se não deu certo de primeira, desisto. Se não gostei, te “cortarei” facilmente da minha “lista de amigos”. Consegui o que eu queria nessa noite, amanhã não importa quem você é, “a fila anda”. Estamos constantemente renovando e descartando coisas e pessoas em um ciclo acelerado.<br><br>&nbsp; Observando a atitude da minha vó pude perceber que são poucos os que mantêm valores saudáveis da vida e ainda conseguem viver no equilíbrio. E aí, pensei no seguinte provérbio inglês: você ganha algo, você perde alguma coisa.<br>Daí me pergunto: qual é a qualidade daquilo que estamos perdendo (trocando,substituindo, descartando), e qual é seu valor se comparado àquilo que estamos ganhando?&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Lara Souza Freitas</strong> é Pedagoga e missionária. Estava em missão na Inglaterra até Jul/20. É autora de dois livros.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Into the Wild: A Liberdade Está Aqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2019 21:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 012]]></category>
		<category><![CDATA[BAUMAN]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Into the Wild]]></category>
		<category><![CDATA[Na natureza Selvagem]]></category>
		<category><![CDATA[pós-modernidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Contém spoilers.</em></p>



<p class="has-drop-cap">Christopher Mccandless foi um viajante norte-americano que morreu dentro de um ônibus abandonado no parque nacional de Denali, no Alaska, depois de caminhar por dois anos sozinho na selva da região ,com pouca comida e quase nenhum equipamento.</p>



<p>Essa é a primeira frase na Wikipedia que pretende descrever o jovem que teve sua vida retratada no filme: <em><strong>Into the Wild</strong></em>, de Sean Pen, inspirado na obra literária homônima do jornalista <strong>Jon Krakauer</strong>. O texto, traz, de maneira resumida, a biografia de Chris e a influência que sua figura como Alexander Supertramp deixou como legado. A bem da verdade, o  verbete basicamente aponta sua trajetória como <strong>irresponsável, egoísta e superficial,</strong> contrapondo com alguns lampejos de inspiração, denotando uma visão conservadora do autor deste pequeno texto na wikipedia em relação à vida de Chris.</p>



<p style="background-color:#936d05" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Bem, se você já viu este filme, é provável que tenha uma visão contrária, inspiradora e revolucionária de Chris, e, talvez, até perceba em sua trajetória como Supertramp, o despertar para questões que se acomodaram em nossa sociedade. Pois então, vamos confrontar as duas visões?</p>



<p>Não pretendo aprofundar os conceitos tratados pelos autores citados para que o texto não seja mais denso do que o habitual, no entanto, tratando-se de cultura, na pós-modernidade, cabem algumas considerações de alguns autores.</p>



<p>De acordo com Bauman (1925 &#8211; 2017), citando um argumento de Levinas (1906-1995) em <em><strong>Vida para Consumo &#8211; a transformação das pessoas em mercadoria</strong></em>, <strong>(2007)</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;a sociedade é vista basicamente como um dispositivo para reduzir a responsabilidade pelo outro, essencialmente incondicional e ilimitada, a um conjunto de prescrições e proscrições mais de acordo com a capacidade humana de se arranjar.&#8221;</em></p></blockquote>



<p>Pode parecer complexo em uma leitura despretensiosa, mas veja bem, o que realmente está sendo tratado aqui é que <strong>existe uma tendência humana a se arranjar socialmente dentro de suas limitações para sobreviver, e que, assim, a sociedade é uma ferramenta que tem a finalidade de reduzir nossas responsabilidades individuais sobre os outros através de, digamos, regras de convivência.</strong> Isso para um filósofo de meados do séc XX. O que é ruim.</p>



<p>Por outro lado, Bauman diz que este argumento teve sua credibilidade solapada pelo consumismo exagerado no século XXI. Ele argumenta que, entre outras coisas, <strong>existe um processo em expansão que libera, cada vez, mais algumas parcelas da sociedade (que optam por outras possibilidades de explorar a conduta humana), da padronização, da supervisão, e do policiamento explicitamente sociais</strong>. Este processo acaba relegando um conjunto crescente de responsabilidades antes socializadas ao encargo de indivíduos. De maneiras diferentes, mas pela mesma razão. O que me lembra Marcuse. E é ainda pior.</p>



<p style="background-color:#b58500" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Sendo assim, além de sermos coagidos a adotar alguns comportamentos, somos, ainda, estimulados a adotar tantos outros, <strong>como se essas escolhas fossem realmente nossas.</strong> Como se a luta para desmantelar o sistema, não fosse uma estratégia do próprio sistema para fazer você acreditar que não está contribuindo para que ele se mantenha fortemente estabelecido.</p>



<p>Eu sei, parece uma coisa meio &#8220;conspiracionista&#8221;. Mas voltemos para o filme.</p>



<p>Em <strong><em>Into the Wild</em></strong>, ou no bom português, <strong><em>Na Natureza Selvagem</em></strong>, Chris abandona sua família (exemplo perfeito da família nuclear moderna) e embarca em uma aventura de auto-conhecimento, em busca da experiência mais verdadeira de liberdade e felicidade.</p>



<p>Acontece que, em sua trajetória &#8211; inspirado, entre tantas outras coisas, pela leitura de clássicos como Jack London, Henry David Thoreau e Tolstoi &#8211; Chris encontra várias outras pessoas com as quais se identifica, e nessas amizades,  a semente da grande conclusão final é plantada. </p>



<p>Então, muito distante dessas pessoas e da sociedade, ele se percebe igualmente distante da verdadeira felicidade, e a fatídica frase: <strong><em>a felicidade só é real compartilhada</em></strong>, é escrita por suas mãos fracas nas entrelinhas de um dos livros que o inspirou, denotando a profundidade do entendimento que a liberdade o ofereceu.</p>



<p class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Mas essa não é a parte mais importante do filme para mim.</p>



<p>Nas cenas finais, o filme retrata Chris refletindo sobre sua trajetória por meio de uma cena que apresenta, para mim, a parte mais importante do complexo raciocínio.</p>



<p>Na beleza da epifania da vida diante da morte, Mccandless encontra o que realmente procurava, e, antes de abandonar a existência, após concluir que a felicidade só é real compartilhada, podemos entender que <strong>Chris percebeu que muitas vezes nossas buscas são esvaziadas de sentido quando nos damos conta daquilo que realmente importa para nós.</strong></p>



<p>Imaginando-se retornando para casa e encontrando seus pais, uma emblemática frase pleiteia a dúvida sobre as suas acepções de liberdade e felicidade na esfera individual.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Se eu estivesse sorrindo, e correndo para seus braços, vocês poderiam ver, o que vejo agora?&#8221;</p></blockquote>



<p>Assim, a liberdade se torna o caminho mais eloquente em busca daquilo que é verdadeiro e profundo na existência humana. Que ademais da regulação normativa e de todas as estratégias sistêmicas de coagir e estimular nossas ideologias e modos de viver, existe algo que é essencial à cada ser humano, que pode ser encontrado nos confins remotos da natureza em uma experiência solitária, mas que, na realidade, muitas vezes não precisamos ir tão longe para perceber o que de fato é real, profundo e verdadeiro para experimentarmos o que é a felicidade de fato.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/03ca9-into-the-wild.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1969" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<hr class="wp-block-separator" />



<p>Você pode ajudar a manter o projeto adquirindo produtos da Bodoque Artes e ofícios! Confira nossa loja virtual!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/06d43-lacunas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1764" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem e acesse nossa loja virtual.</em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de720-foto-carol8.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1651" data-recalc-dims="1" /></figure>
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