<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos carta - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/tag/carta/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/tag/carta/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 15 Oct 2023 12:11:50 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>Campanha digital celebra os 78 anos da Carta das Nações Unidas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/15/campanha-digital-celebra-os-78-anos-da-carta-das-nacoes-unidas/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/15/campanha-digital-celebra-os-78-anos-da-carta-das-nacoes-unidas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Oct 2023 18:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 185]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[nações unidas]]></category>
		<category><![CDATA[paz]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistatrama.artebodoque.com/?p=34128</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/15/campanha-digital-celebra-os-78-anos-da-carta-das-nacoes-unidas/">Campanha digital celebra os 78 anos da Carta das Nações Unidas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>No decorrer de outubro, a ONU Brasil apresentará trechos marcantes da Carta das Nações Unidas nas redes sociais&nbsp;<em>@ONUBrasil.&nbsp;</em></strong></p>



<p><strong>As Nações Unidas começaram a existir oficialmente em 24 de outubro de 1945, após a ratificação da Carta pela maioria dos 50 países fundadores.</strong></p>



<p><strong>A Carta representa as aspirações e conquistas da humanidade em direção à paz, dignidade e direitos humanos.</strong></p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://brasil.un.org/pt-br/91220-carta-das-na%C3%A7%C3%B5es-unidas"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-10/1_0.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Há 78 anos, 50 países se reuniram em São Francisco para elaborar a Carta das Nações Unidas, documento fundador da Organização. " data-recalc-dims="1"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: Há 78 anos, 50 países se reuniram em São Francisco para elaborar a Carta das Nações Unidas, documento fundador da Organização.</figcaption></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Nós, os Povos das Nações Unidas”</p>
</blockquote>



<p>Diante dos horrores, crimes bárbaros e atrocidades da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a humanidade buscou estabelecer instrumentos de diálogo e entendimento entre povos e nações para construir um futuro melhor, mais próspero, pacífico e justo para todas as pessoas.</p>



<p>Há 78 anos, 50 países se reuniram em São Francisco para elaborar a&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/91220-carta-das-na%C3%A7%C3%B5es-unidas">Carta das Nações Unidas</a>, documento fundador da Organização.</p>



<p>No dia 26 de junho, último dia da Conferência, a Carta foi assinada pelos 50 países fundadores da ONU.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-10/7.png?w=950&#038;ssl=1" alt="A Carta das Nações Unidas foi elaborada pelos representantes de 50 países presentes à Conferência sobre Organização Internacional, que se reuniu em São Francisco de 25 de abril a 26 de junho de 1945. " data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: A Carta das Nações Unidas foi elaborada pelos representantes de 50 países presentes à Conferência sobre Organização Internacional, que se reuniu em São Francisco de 25 de abril a 26 de junho de 1945.</figcaption></figure>



<p>As Nações Unidas começaram a existir oficialmente em 24 de outubro de 1945, após a ratificação pela maioria dos países fundadores. Por esse motivo, 24 de outubro é comemorado em todo o mundo como o Dia das Nações Unidas.</p>



<p>Ao longo dos anos, muitos outros países se uniram a esse propósito de cooperar uns com os outros, e atualmente 193 Estados-membros compõem as Nações Unidas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“A união de todos esses países tem o propósito de encontrar soluções coletivas para os grandes desafios enfrentados pela humanidade e, ao mesmo tempo, promover os direitos humanos e a igualdade”, explica Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil.</p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-10/6_0.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Carta das Nações Unidas" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: A Carta da ONU é o documento mais importante da Organização, como registra seu artigo 103: “No caso de conflito entre as obrigações dos membros das Nações Unidas, em virtude da presente Carta e as obrigações resultantes de qualquer outro acordo internacional, prevalecerão as obrigações assumidas em virtude da presente Carta”.</figcaption></figure>



<p><a href="https://brasil.un.org/pt-br/239580-em-1945-diplomata-brasileira-bertha-lutz-teve-papel-fundamental-na-elabora%C3%A7%C3%A3o-da-carta-da">Bertha Lutz</a>, diplomata e cientista brasileira, foi uma das quatro mulheres que assinaram a Carta. Integrante da delegação brasileira, Bertha Lutz também teve um papel central na promoção da igualdade de direitos entre homens e mulheres, liderando uma coalizão de diplomatas latino-americanas que conseguiu garantir a inclusão da igualdade de gênero no texto do documento:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Nós, os Povos das Nações Unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres (&#8230;)”</p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-10/4_0.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Carta das Nações Unidas" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: A Carta das Nações Unidas foi assinada em São Francisco, a 26 de junho de 1945, após o término da Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional, entrando em vigor a 24 de outubro daquele mesmo ano. O Estatuto da Corte Internacional de Justiça é parte integrante da Carta.</figcaption></figure>



<p>No decorrer deste mês de outubro, a ONU Brasil apresentará trechos marcantes da Carta, que representam as aspirações e conquistas da humanidade em direção à paz, dignidade e direitos humanos.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Artigo publicado no portal da <a href="https://brasil.un.org/pt-br/248449-campanha-digital-celebra-os-78-anos-da-carta-das-na%C3%A7%C3%B5es-unidas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ONU Brasil</a> no dia 06/10/2023. Você pode encontrar mais artigos sobre esse e de diversos outros temas <a href="https://brasil.un.org/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço bacana de apoio e fomento à cultura pode mostrar também você e a sua marca!</h3>



<p>Agora você pode anunciar seus produtos, marca e eventos na <strong>Trama</strong> em todas as publicações!</p>



<p>Para se destacar em nossa plataforma, você pode escolher de <strong>uma a quatro edições</strong> do programa de parceria <strong>Tramando</strong>. Isso significa que <strong>todas</strong> as publicações contidas nas edições selecionadas irão destacar aqui a sua marca, logo após cada texto e exposição. Os preços variaram de R$ 40,00 a R$ 100.</p>



<p>Basta entrar em contato conosco pelo WhatsApp (32) 98452-3839 ou diretamente na nossa página do<a href="https://www.instagram.com/tramabodoque/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instagram</a> para adquirir seu espaço!</p>



<p></p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.youtube.com/c/BodoqueTV/featured"><img decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26890" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div></div>
</div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/15/campanha-digital-celebra-os-78-anos-da-carta-das-nacoes-unidas/">Campanha digital celebra os 78 anos da Carta das Nações Unidas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/15/campanha-digital-celebra-os-78-anos-da-carta-das-nacoes-unidas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34128</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Um Mapa para Isabela</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/um-mapa-para-isabela/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/um-mapa-para-isabela/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=13647</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/um-mapa-para-isabela/">Um Mapa para Isabela</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabe, minha filha, o mundo é um lugar incrível. Mas viver, em regime de exclusividade, é duro. Você vem vindo de tão longe, e é preciso que saiba das coisas daqui. Te conto não para que se lembre, mas para que se esqueça e, nessa coisa mágica que é se lembrar ao contrário, suspeite do que fazer. Se ainda assim não souber, tudo bem; quase ninguém sabe, meu amor, mas poucos conseguem assumir.</p>



<p>Eu gostaria de ver como são as coisas aí, onde você está. Não sei, tenho que ser honesto, mas suspeito de muita coisa. Deve ser quentinho, macio e aconchegante. Mil vozes do lado de fora dizendo bênçãos cada vez que você chega perto, além daquelas mãos atrevidas que te apalpam o quarto. Gosto de imaginar que você enxerga tudo pelo olho mágico do umbigo. Tenho dúvidas se gosta; mas sei que acaba ficando no centro do mundo todo &#8211; e de fato, de alguns mundos, você é.</p>



<p>Acredito que você vai nascer no dia 12 de abril, mas não me pergunte o motivo; só sei que sinto assim &#8211; e tenho muitas chances de errar. Mas se acertar, serei insuportável! Desde que descobri que viria, sempre te soube, Isabela, e linda, e forte, e corajosa. Penso nas histórias inventadas que desejo contar a você, mas acabo me emocionando. Como eu poderia inventar uma coisa pra te contar, se na verdade sinto que vou sendo inventado com cada coisinha que descubro, dia a dia, preparando o planeta para você desabrochar?</p>



<p>É preciso, no entanto, que eu seja forte o suficiente para dizer a verdade, filha. A vida é injusta. Não basta o sonho. Quase sempre, ser seu próprio patrão é só uma forma romântica de explorar a si mesmo. O trabalho tem se tornado uma doença para a qual se fabricam remédios que nem são coloridos, e que servem apenas para que se durma, se coma e se sinta feliz. Te daria minha vida se pudesse, meu amor, mas no melhor dos seus dias, ainda sobrará, de esgueio atrás da porta, essa nesga de tristeza boa. Enquanto você sente, sabe que é gente, esse é o segredo.</p>



<p>Em abril, o Brasil continuará sob o comando do pior presidente de sua história democrática. Peço a Deus que isso seja uma onda ruim, e que você, quando crescer, apenas se lembre desse homem pelos livros de história que estudará no pré-vestibular. Compensando a situação, existe bastante açúcar aqui, e poucas coisas são tão boas quanto açúcar. Sou viciado! Mas também temos livros, camas e gatos.</p>



<p>Existe uma coisa no mundo que é poderosa. Ela se chama solidão, e é como a sensação de estar desamparado e sem pessoas à sua volta. Acho que todos sentem mais ou menos o mesmo desde que saem da barriga de alguém. Não é algo que se resolva com mais gente, é uma coisa de alma. O pai te escreve hoje sozinho. Algumas vezes, a sensação é de que se fica pequenininho e tudo em volta é grandão. Aí parece que uma pessoa invisível segura o nosso coração dentro do peito com uma luva fria e azul. Como se a gente esperasse o momento em que alguém chamasse para voltar para casa. A solidão é um tipo de estrangeirismo. Mas isso não importa agora, meu amor, não é época para tanto.</p>



<p>Fundamental é que você olhe. Olhe para cima e para os lados. Descubra o céu com calma e com método. Um minutinho é o tempo todo da vida se a gente se lembra só depois de que não chegou a fazer o que deveria porque estava distraído olhando para baixo. Pelo ângulo certo, você poderá ver que Molejo é bem melhor que Beatles, ou que existe mais Deus no erro sincero dos homens comuns do que na maioria das igrejas. Isso é coisa de ver, e bem visto. Quero te contar uma confidência: te vi antes de todas as pessoas, no semblante de sua mãe, enquanto qualquer assunto bobo ocupava nossa conversa. Me orgulho disso pra sempre!</p>



<p>Prove também. Coloque na boca tudo o que quiser, desde que exista pelo menos um adulto por perto até que você complete 12 anos. Açúcar é bom, de verdade. Eu não deveria dar a você; provavelmente, isso te causará qualquer doença que exija ou psicólogos ou comprimidos. Mas te darei açúcar, sim, e te darei café e cupuaçu. Se me puxar, irá se apaixonar; se não, pelo menos vai comer de vez em quando lembrando de mim. O que já basta para que eu me encha de minha satisfação esganada.</p>



<p>Quando começar a andar e a falar, te mandaremos para escola, e peço desculpas por isso. Você deveria estar dentro de casa com alguém te cuidando, mas adultos precisam trabalhar e ganhar um pouco dinheiro, porque, infelizmente, quando for tempo de você vir, ainda viveremos nesta porcaria de vida mecânica. Prometo buscar você, e se alguma vez suspeitar que não irão na hora da saída, esqueça disso, meu bem. Mil loterias não valerão as dobrinhas assadas das suas pernocas gordinhas. Na escola, acima de tudo, desobedeça o quanto puder e conseguir. Te dirão que fique quieta; só cale se estiver tudo bem! Mandarão que abaixe a cabeça, e você não faça isso, senão diante de sua mãe, e de suas avós e de todas as mulheres fortes que te fazem a linhagem! Aí está sua grandeza, na capacidade de ventar e domar o mundo! Isso dará muito errado,&nbsp;Isabela, eu sei, mas estaremos do seu lado.</p>



<p>O amor, filha, é estranho, mas é lindo. O mundo não está pronto para você e para mim juntos. É como se nascêssemos juntos. Barriga afora de sua mãe, e seremos três novos seres. Nunca vivi um só dia até agora, e nas fotos de 93, em Cabo Frio, olho para mim com medo do mar e vejo só você ali. Assim como na caricatura que mamãe guardou, nos bigodinhos brancos da Tashi e no silêncio vazio e triste do meu apartamento.</p>



<p>Você está em mim, filha.</p>



<p>Que coisa boa é isso tudo.</p>



<p>Suspeito de muita coisa, mas não tenho certeza de quase nada. É provável que este mapa te leve a lugar nenhum. Mas quando chegar, seu pai estará logo lá. O resto acontece; mais importante é você vir.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="853" height="853" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/45587-vinicius-lara.png?resize=853%2C853&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13649 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/45587-vinicius-lara.png?w=853&amp;ssl=1 853w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/45587-vinicius-lara.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/45587-vinicius-lara.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/45587-vinicius-lara.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 853px) 100vw, 853px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vinícius Lara&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13647" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13647" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13647" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/um-mapa-para-isabela/">Um Mapa para Isabela</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/um-mapa-para-isabela/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">13647</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Jacarandás</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/jacarandas-2/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/jacarandas-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Buenos Aires]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9687</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/jacarandas-2/">Jacarandás</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Eram jacarandás, aquelas árvores. Ontem te enviei fotos da Avenida de Mayo toda florida, só não sabia o que eram. Arrisquei que fossem ipês, mas o correto é que são jacarandás. Não foi conversando com alguém aqui descobri, pelo menos não exatamente. Estava folheando uma das cartas de Sábato no café dentro do Ateneu e li quando ele diz que a velocidade da vida estava impedindo os argentinos de perceberem como florescem os jacarandás. Por eliminação e por estar na primavera deduzo que sejam as mesmas plantas &#8211; além disso, o Google confirmou. Faz muito barulho aqui dentro, tenho a impressão de que estou em um shopping onde turistas compram coisas muito parecidas com o que se vende em Saraivas e Leituras Brasil afora, só que nenhuma loja das duas redes fica num antigo teatro reformado e adaptado para ser o paraíso dos livros. O charme é o espaço.</p>



<p>Um grupo de coreanos ou de chineses chegou incomodando a escrita que comecei no café e por isso tive que sair. Quase tudo é motivo para tirarem fotografias e isso me irrita. Estava sentado numa mesa que fica em frente à parede onde colocaram várias chaves de luz como decoração, ao fundo e à esquerda. De dois em dois minutos uma mulher ou um senhor com chapéu de pescador se aproximavam sorrindo e abaixando a cabeça, para logo depois fotografar com flash alto. Um deles fez três fotos da mesma parede. Paguei e saí. É muito bom andar pelas ruas de Buenos Aires no final de outubro, ainda é fresco, e a cidade inteirinha fica lilás.</p>



<p>Encontrei outro café, menos badalado, em que pude novamente tirar meu caderno e voltar a escrever. Preferi a mesa na calçada porque ali eu conseguiria acender um cigarro ou outro. Comer aqui é barato e o atendimento quase sempre é bom. A língua diferente expõe uma barreira que faz com que a atenção esteja mais no diálogo do que noutras coisas e assim flui agradavelmente a comunicação, quanto mais porque me decidi a não ficar arrastando um portunhol caricato, falo em português e sustento a bela indiferença da língua estrangeira, mas que é prima do espanhol. O peso argentino é desvalorizado em relação ao real, o que me faz poder comer e beber bastante gastando o equivalente a doze ou dezoito reais. Tenho a impressão de que você adoraria conhecer um desses cafés.</p>



<p>Foi ruim o modo como fomos dormir depois de conversar ontem &#8211; ou deitar, pelo menos: eu não preguei os olhos. Ainda estou exausto de todas as mudanças que têm acontecido nos últimos meses e, com a clarividência de algum profeta que é chamado pelo seu deus para anunciar a peste à cidade em que cresceu, tenho a certeza transparente de que você faz parte disso. É injusto ter de escolher entre continuar o trabalho e me mudar do Brasil ou investir na possibilidade de algum nós. Como agora estou sentado em frente ao café Tortoni, isso é suficiente para me sentir culpado pelo resto.</p>



<p>Fiz o que me sugeriu e saí bem cedo para caminhar e fotografar mais a cidade. Ouvir a sua voz ontem me fez repensar se talvez eu não tenha escolhido mal. Sinceramente, vender equipamentos para sistemas de alarme e monitoramento doméstico em outro país não é exatamente o que me anima. Tudo bem que são onze anos de trabalho no mesmo lugar, além do que me tornei amigo do Rafael, mas, mesmo assim&#8230; Num dia eu comecei e no outro já tinha passado uma década e eu ainda estava lá.</p>



<p>O tempo deveria diminuir a confusão aqui dentro. São cinco meses que estou longe, numa casa estranha, praticamente sozinho. Saí poucas vezes a noite porque não me acostumei aos pubs daqui, são escuros demais e abafados; além disso, achei a cerveja quente. O que faço é andar pelas ruas, conhecer livrarias e visitar o Martí, que mora com a mãe, D. Consuelo, uma argentina gorda de gênio forte. Sempre que vou, ela me conta que fez uma excursão para o Rio de Janeiro em 1994. A história é a mesma. Não muda, não tem contradições; nem mesmo quando ela imita o que chama de sotaque brasileiro me explicando como pedia informações em Ipanema.</p>



<p>Também encontrei um cantinho meu dentro da catedral de Buenos Aires. O prédio em si é diferente das nossas catedrais, parece uma construção grega ou coisa assim. Você vai debochar quando ler, mas me lembra uma das doze casas dos Cavaleiros do Zodíaco. Assim, meio fora do normal, e talvez por isso, é ela junto com a arquitetura do início do século que fazem valer ter alugado o quarto na Avenida de Mayo. Me sentei atrás de um rapaz que orava de joelhos hoje cedo. Ele estava apoiado no genuflexório com a cabeça enterrada nas mãos, imóvel. A claraboia da cúpula deixava entrar luz, e tive a impressão de que era como se em outra dimensão ouvissem a prece que fazia. Ficou assim por tanto tempo que me seduziu, pelo modo como parecia absorto em uma conexão espiritual com o lugar, e isso a ponto de também eu começar a orar, do meu jeito, conversando com aquele deus silencioso. Não me ajoelhei porque senti vergonha, mas baixei a cabeça e fechei os olhos. Segurei na mão direita o patuá que você me deu quando te contei que me mudaria, sempre levo comigo na mochila para caso surja uma situação em que fazer qualquer evocação seja determinante. Me senti leve. Acredita que quando abri os olhos o jovem tinha sumido? Corei porque uma senhora estava apontando para mim e conversando com outra do meu lado no banco com orgulho, como se eu fosse uma espécie de animal estranho na fauna dos homens de quase quarenta anos, que cortava o cabelo e ia à igreja numa quinta-feira pela manhã.</p>



<p>Só um minuto, vou trocar de lugar com algumas pessoas que chegaram. Estou em uma mesa de quatro lugares, mas como estou sozinho é melhor que eu mude para outra e deixe que eles se juntem.</p>



<p>Pronto. Me perdi um pouco sobre onde estava e não vou reler o que já escrevi até aqui, detesto reler o que escrevo. Em síntese: sou péssimo com as fotografias, Martí me acompanha às vezes e tenho dormido mal. Mas não é importante nada disso, o tempo não sabe andar para trás, você me disse uma vez, marmota. Se estivesse aqui me veria sorrindo agora enquanto me lembro daquele dia em que me ofereceu carona para o aeroporto e chamou um Uber porque tinha medo de ficar agarrada no trânsito. Mesmo eu te dizendo que tínhamos tempo você me respondeu do alto do seu um metro e sessenta, com vinco e brabeza no rosto que não estava pedindo minha opinião, afinal, o tempo não andava para trás. Isso pode ser caracterizado como um presságio? Você leu em algum lugar ou inventou?</p>



<p>São quase sete horas da noite e ainda está claro; o sol agora começa a ficar preguiçoso e baixar. Muitas pessoas pelas ruas, voltando para casa ou comprando porcarias nos <em>kioskos</em>. A avenida inteira está lilás e com a claridade indireta do final do dia é como se eu estivesse dentro de um livro. Tenho a impressão de que, mesmo quando eu volte ao Brasil, não vou me esquecer dos jacarandás de Buenos Aires e das pessoas que caminham com os olhos apontados para as calçadas, sem se darem conta de que as árvores fazem uma bruma mística logo acima do chão, pouco mais de dois ou três metros acima. De verdade, eu não julgo essas pessoas, porque existe uma inércia no que é bom que faz com que imaginemos que o bom não passará para nós, ou que estará ali quando num feriado, nas férias, na folga, enfim, quando a gente, sem ser a gente do dia a dia, olhe para o alto. Mas os jacarandás não estão floridos o ano todo. As coisas boas também não duram a vida toda, só na memória e nas cartas isso acontece. Acho que é por isso que escrevo.</p>



<p>Não vou pedir que me espere, e também não vou te garantir que por aqui não farei novas amizades, algumas até com potencial de me fazer querer esquecer o que aconteceu &#8211; como se fosse possível apagar uma tatuagem. Não, mas te garanto que um dia eu vou voltar ou você irá fugir daí. Quando acontecer, colocamos de fiel do mundo o peito e as pupilas. Dilatem-se as últimas e demonstre o menor sinal taquicárdico o primeiro, e nos reconheceremos pelo cheiro. Nunca encontrei outra mulher que notasse que meu cheiro mudava antes do amor. Entre os beijos que trocamos na cabine apertada do seu carro, eu me espantava toda vez que segurava meu rosto distante só dois ou três dedos do seu e me dizia sussurrando “<em>seu cheiro mudou</em>”. Esse foi um código nosso, sofisticado demais para ser repetido, pelo menos por mim. Na realidade, eu até tremo de pensar que você fale isso para todos os outros &#8211; o que, convenhamos, te colocaria numa posição olfativa invejável, porém diminuiria consideravelmente o meu glamour.</p>



<p>São dez e vinte, e agora é que volto pra casa. Martí me ligou e fomos beber. Peguei uma flor do jacarandá e guardei dentro do caderno para tentar fazer como já vi no livro de outras pessoas. Caso ela fique seca e bonita vou enviar junto com a carta, que não tenho a menor ideia de como, e se, vai chegar ao Brasil, nunca parei para imaginar os mecanismos do correio internacional, mas me recuso a te mandar só um e-mail, eles são frios. Não têm caligrafia.</p>



<p>Talvez, quando eu transcrever daqui para o A4, tire algumas coisas melosas demais para um casal que mora a dois mil quilômetros de uma distância sem esperança. Um dia largo o emprego e apareço na sua porta, aí quero ver. Mentira. Droga. Fim de noite, vinho, saudade e esses jacarandás. Sabe, se eu tivesse poder agora, só desejaria que estivesse aqui, e fumasse um cigarro comigo, enquanto olhamos essa Avenida.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/82d2e-sem-comida.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9688" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/jacarandas-2/">Jacarandás</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/jacarandas-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9687</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Eterno Retorno</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/03/eterno-retorno-2/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/03/eterno-retorno-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 043]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9364</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/03/eterno-retorno-2/">Eterno Retorno</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Você deve ter encontrado esse papel no meio dos seus livros. Não tive coragem de falar direto contigo antes de viajar, porque imaginar que me olharia nos olhos por tanto tempo me causou mal-estar. Conversas sempre foram um esporte pra nós, Cata, mas ultimamente você demorava demais para me responder, e o seu silêncio prolongado entre uma fala e outra só me fazia ficar mais ansioso. Chegou o momento em que nos orientamos por acordos coletivos de uso do espaço comum, e isso é uma droga. Precisamos combinar sobre tudo e explicar um para o outro quase como se fala com um bebê ou com um cachorro. Uma vez, depois duas, e três, enfim, há semanas nós temos terminado nossas conversas com aquela pergunta <em>você está entendendo o que eu falei?</em>, depois viramos cada um para seu lado da cama, trocamos um beijo com os lábios duros e dormimos. Você dorme primeiro toda vez e até isso me incomoda. Dorme como se estivesse tudo bem, enquanto eu me reviro entre o teto, a parede, o banheiro, um livro e a cama, que é macia ou dura demais. Com câimbra nos braços, tenho visto o dia clarear sem pregar os olhos. Existe um elefante na sala, aquela dúvida sobre o que faremos com a Maria, o apartamento financiado e com o desejo. Se você leu até aqui já pode ver que eu não saberia dizer isso pessoalmente sem ser de alguma forma passional. Entrego aos cuidados de Sábato o meu desabafo. </p>



<p>Tenho a estranha impressão de que tudo tem relação com o controle que deixamos crescer como erva de passarinho no meio da rotina. Quando éramos jovens a vida bastava, e sobrava tempo para que fizéssemos escolhas sobre o futuro. Parecia que ele nunca chegaria; só que chegou, de uma vez só, e atropelou nós dois. Eu sempre desejei pequenas vitórias que me lembrassem que sou homem e ainda tenho virilidade &#8211; penso que isso não é nada demais -, mas você não desejava as mesmas coisas. Aquela parte que dói no amor nunca foi sua. Aquela parte que trata de se dar em corpo e sangue, suportar, e dar-receber prazer de modo livre. Quando os meses já estavam se repetindo quase idênticos foi que percebi que éramos dois, e que olhávamos para lados diferentes o suficiente para que falar e gozar sobre nós fosse tabu. Já te julguei muito por isso. Agora não julgo mais. Não espero mais. Só vivo.</p>



<p>Em uma semana, me passa pela cabeça várias vezes como poderia fazer para te punir de um modo suficientemente exemplar e limpo &#8211; parecido com aquele seu jeito de chorar quando nós conversamos ou de resgatar depois de meses uma frase curta que eu te disse, apontando como eu sou insensível e não te ajudo a mudar. Imagino que são muitas as possibilidades dessa vingança. Vou ao beiral da janela, mas até agora nunca pulei. Não pulei e não acredito que farei assim, porque me acostumei a viver pela metade contigo, e às vezes penso que essa sensação do coração enterrado debaixo de um arranha-gato é a mais efetiva maneira de nos punirmos. Uma pena que isso resvale na Maria, ela não merecia crescer sabendo que seus pais se amam tanto a ponto de não existir qualquer desejo no ar. Ao menos enquanto as escolas valorizarem esse modelo de família ela vai se sentir privilegiada.</p>



<p>Eu amo você muito. Adoro quando sorri de coisas estúpidas ou quando tenta fazer algum comentário inteligente e troca o nome das personagens misturando filosofia alemã com algum personagem de um animação que assistiu. Gosto quando te vejo dançando e quando sorri sem parecer que está esperando que alguém te enfie uma faca na barriga. Até quando sente ciúmes de mim sinto prazer, porque nesses momentos tenho a sensação de ocupar seu lugar de desejo. Você entende se eu disser que, sendo bom, nada disso é o suficiente? Será que você acredita que é, Catarina?</p>



<p>Somos dois covardes, isso sim. Somos provavelmente o primeiro casal no mundo que se ama de menos porque se ama demais. Estamos juntos há vinte e cinco anos e consigo projetar essa ventura cenobita por mais cinquenta. Por que somos covardes a esse nível? Consigo criar na minha cabeça nossa separação, mas quando imagino te ver com outro homem que não seria nem um pouco do que eu sou, fico ofendido. Receber a notícia de que você está dormindo com um professor de zumba ou com o seu dentista me nivela por baixo e faz com que me sinta menor. Saber que talvez com eles você goze mais do que já gozamos é humilhante. Sei que você sente a mesma coisa sobre mim.</p>



<p>Quando eu era jovenzinho, nunca imaginei que me casaria um dia, embora sempre tenha sonhado com Maria. Vivi por ela minha vida toda, desde os catorze anos. Onde foi que perdemos o fio do que era mais bom do que ruim? Eu não sei. Logo eu que sei de tantas coisas, não sei mais. Perdi o controle.</p>



<p>Enquanto estou sentado escrevendo você ensina a Maria a fazer alguma lição de casa sobre regra de três. Te escuto dizer a ela que tem que multiplicar cruzando, mas ela não entende. Sua paciência é curta. Imagina como será quando for estudar fora? Tenho a sensação de que seu tempo só acontece depois, e prevejo o sofrimento de se sentir sozinha quando Maria se mudar daqui.</p>



<p>Escrevo sentado na cadeira e olhando aquele crucifixo que temos em cima da mesa da sala. Não me sinto muito diferente dele. Está ali faz muito tempo; Maria já tem onze anos e ele veio pra cá antes dela. Jesus tem os olhos preguiçosos de quem já sofreu tanto que não é mais o sofrimento que incomoda. Naquela cruz, daquele jeito, pelo ângulo certo, ele tem seu lugar no mundo. Eu e ele somos parte da família. Suspeito, no entanto, que ele seja mais feliz. Nunca foi tocado, a cruz é esteticamente erótica. Eu fui, mas a poltrona que me emoldura é bem menos original.</p>



<p>Viajo amanhã cedo para o Maranhão, e devo ficar pelo menos trinta dias por lá cuidando da implementação de uma nova filial da empresa. Calculo que eu volte antes do Natal e, dependendo de como tudo acontecer, podemos ir para a casa da sua mãe. Faço tantos ritos sociais, porque não fazer mais este?</p>



<p>Gostaria de falar abertamente a respeito de muitas coisas contigo, mas não consigo. Tenho visto minha analista mais vezes do que deveria e acho que estou me apaixonando. Ela é dezesseis anos mais nova do que eu, você a conheceu naquele dia em que nos encontramos todos no supermercado. Será só uma aventura, mas quer saber? Eu não ligo. Deveria me importar?</p>



<p>Se suas leituras continuarem no ritmo de agora, quando eu estiver fora você encontrará o meu desabafo. Decidiremos o que fazer da melhor maneira. Entenderei se me odiar.”</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>No dia dezoito de dezembro, ele voltou de viagem e encontrou a pilha de livros ao lado da cama exatamente do mesmo modo que deixou na manhã em que saiu. </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Você leu enquanto eu estava no Maranhão, amor?”</em></p>



<p><em>“Bem pouco, terminei um romance bem ruinzinho e pretendo começar o argentino por esses dias.”</em> </p>



<p>Com cuidado, ele abriu o livro e se desfez de mais essa carta. Nada mudou dentro de si, mas o carma não foi favorável a que as coisas acontecessem naturalmente. Trinta dias era tempo o suficiente para que Catarina tivesse lido, se não aconteceu, mais uma vez deveriam voltar para a vida normal.</p>



<p>Acontece que ela leu. Como sempre, leu nas outras vezes em que ele já tinha escrito textos parecidos. Catarina nunca deixava que ele soubesse.</p>



<p>A vida acontece é assim.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/alinhavadonopapel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/f6099-artesanato-1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9365" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/03/eterno-retorno-2/">Eterno Retorno</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/03/eterno-retorno-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9364</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
