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	<title>Arquivos Clube da Esquina - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>ARTE E MERCADO: VALESKA SOARES ATRAVÉS DO ESPELHO</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Nov 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 119]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Juliano Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lucas Rocha</p>
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<p>Valeska Soares, artista visual brasileira nascida em Minas Gerais, inicia sua carreira artística em 1989, dois anos após se formar em arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. Além de possuir uma produção artística de destaque, Valeska também se sobressai no mundo acadêmico por ser especialista em história da arte e arquitetura pela PUC/RJ (1990) e ter realizado <em>MFA (Masters in Fine Arts) </em>em 1992 pelo<em> Pratt Institute</em> em Nova York. Posteriormente, passa a frequentar a <em>New York University, School of Education </em>onde se candidata a <em>Doctor of Arts.</em></p>



<p>Sua produção artística tem como elemento central uma enorme influência arquitetônica que se deve à sua área de formação. No entanto, Valeska se destaca por sua flexibilidade ao operar diversas linguagens da arte ao longo de sua carreira, perpassando o campo das instalações, esculturas, desenhos e até mesmo videoarte. Apoiada em uma ampla gama de temas, a artista desenvolve sua poética tomando a subjetividade humana como fonte de inspiração para dar vida a obras que ao decorrer do tempo, vão se alterando, posto que a criação artística é sempre um exercício mutável, mas que em síntese, discutem em sua produção as dualidades intrínsecas à nossa existência e vida cotidiana, como dor e prazer, memória e esquecimento, presença e ausência, mas que também dialogam, em determinados momentos, com a temática do amor, do erotismo, do hermetismo e misticismo, bem como o feminino.</p>



<p>Outro elemento vital em sua poética é o caráter metafórico conotativo que faz alusão a narrativas literárias, como na instalação <em>Détour</em> (2002), possivelmente trazendo uma referência à fábula de Lewis Carroll (<em>Alice através do espelho e o que Alice encontrou lá</em>). Nesta instalação, o espectador é convidado a entrar por uma porta giratória em uma sala iluminada, com dois espelhos que cobrem as paredes e que por toda a extensão da sala, impressões de um portal fechado são enfileiradas e dispostas nas demais paredes, refletindo nos espelhos e levando o espectador a acompanhar essa multiplicidade de caminhos (fechados) por todo espaço e que interagem com seu próprio reflexo, trabalhando símbolos provenientes do universo onírico e que habitam no imaginário do público.</p>



<p>Recentemente, Valeska Soares tem produzido obras que visam a afetação dos sentidos ao discutir o corpo na contemporaneidade, trabalhando o processo de estranhamento por meio de suas obras.</p>



<h4 class="wp-block-heading"> <strong>A artista e suas relações com o mercado atual</strong></h4>



<p>A partir do momento em que Valeska passa a atuar diretamente no campo da arte enquanto artista profissional, automaticamente fica sujeita ao funcionamento do mercado e dos atores que compõem esse jogo, esse campo social, no sentido da teoria de Bourdieu. No que diz respeito ao mercado primário (artista, obra e colecionador), atualmente, a artista está presente em mais de 30 coleções públicas ao redor do mundo, segundo o site <em>Inclusartiz</em>. Dentre estas, se destacam o <em>Solomon Guggenheim Museum</em>, em Nova York, <em>Tate Modern</em>, em Londres e <em>Burger Collection</em>, em Zurich. No Brasil, as obras da artista fazem parte dos acervos da Fundação Cultural ITAU e da Pinacoteca de São Paulo, de Inhotim – Centro de Arte Contemporânea, em Brumadinho e do MAM, no Rio de Janeiro. Valeska também participa do <em>Projeto de Múltiplos</em>, criado pela Pinacoteca, com o objetivo de angariar recursos para a instituição.&nbsp;</p>



<p>A intensa relação que a artista mantém com o mercado de arte é inegável, principalmente no que diz respeito às exposições das quais Valeska veio a participar. De acordo com o site <em>Inclusartiz</em>, o número de exposições individuais ultrapassa a casa dos quarenta, ao passo que, no tocante às exposições coletivas, contabiliza 18 participações. Vale ressaltar o fato de que a artista já foi premiada 8 vezes, conquistas que ajudam a gravar seu nome na história da arte brasileira, como por exemplo em 1989, o recebimento do Prêmio de Aquisição da Funarte, em 1996 o <em>John Simon Guggenheim Memorial Fellowship </em>e mais recentemente, em 2014, o <em>Pacific Standard Time: LA/ LA, </em>pela<em> The Getty Foundation.</em></p>



<p>Toda sua notoriedade enquanto artista visual é inegável, o que nos leva a pensar o valor simbólico que sua obra adquiriu ao longo dos anos, acarretando em um processo de precificação bastante lucrativo para sua participação no mercado secundário, no qual operam os marchands e os leiloeiros e consequentemente, promovem a circulação das obras e do nome Valeska Soares no mercado. A obra <em>Tic Toc</em> (2019), por exemplo, está avaliada em R$48.000,00 de acordo com o catálogo <em>Pivô </em>(2019), tendo como lance inicial o preço de R$24.000,00.&nbsp;</p>



<p>Ademais, Valeska Soares conta com um número considerável de críticas bastante favoráveis por parte de importantes agentes da crítica de arte. Nomes como Adriano Pedrosa, Charles Merewether e Moacir dos Anjos fundamentam positivamente análises críticas sobre sua produção, o que potencializa seu nome no mercado ao conferir procedência ao seu trabalho junto aos espaços museológicos, coleções e galerias.</p>



<p>Em 2018, a Pinacoteca de São Paulo foi palco para a exposição <em>Valeska Soares: Entrementes</em>, que contou com a presença de outro agente fundamental para o jogo do campo social: a curadora Júlia Rebouças. Ela, que já foi cocuradora da 32ª Bienal de São Paulo, <em>Incerteza Viva</em> (2016), também já trabalhou como diretora do departamento curatorial do Instituto Inhotim, em Minas Gerais, e possui longa carreira como crítica e curadora. Enquanto responsável pela curadoria desta exposição, Júlia optou por ocupar todo o quarto andar da Pinacoteca com obras referentes a 3 anos de produção de Valeska, o que não é pouco quando pensamos no atual cenário artístico e nos espaços expositivos.</p>



<p>Todos estes agentes (museus, galerias, críticos, curadores etc.) são essenciais para que hoje haja documentação e registro sobre a carreira de Valeska Soares, ocupando um espaço midiático considerável, ampliando as possibilidades de acesso ao seu trabalho e valorizando o campo da pesquisa, vital para promover ainda mais a sua produção e se caracterizando como medidas imprescindíveis para mantê-la no mercado. A artista conta com diversas publicações acerca de sua carreira, tanto on-line, quanto em livros físicos, como <em>Valeska Soares</em> (2016), escrito por Jens Hoffman e Kelly Taxter.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h4>



<p>Pensar a trajetória de uma artista ímpar como Valeska Soares, assim como a de outros artistas, é sempre um exercício reflexivo que leva profissionais da mesma área a buscarem sua inserção no mercado de arte, a fim de estabelecer relações com os agentes supracitados que atuam no jogo dos campos sociais, compondo e mantendo seu funcionamento. É um exercício de substancial teórico e prático que nos leva artistas dos mais variados segmentos a almejarem uma carreira sólida, mas que, acima de tudo, seja capaz de dialogar com o público por meio de exposições, publicações e todo e qualquer outro meio de comunicação responsável por viabilizar a relação entre público e obra.</p>



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<p><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p>Enciclopédia Itaú Cultural<strong>. Valeska Soares. </strong>enciclopediaitaucultural.org.br. [S.I.]. Disponível em: &lt;https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10770/valeska-soares&gt; Data de acesso: 12 dez. 2020</p>



<p>Escritório de Arte. <strong>Valeska Soares</strong>. escritoriodearte.com [S.I.]. Disponível em: &lt;https://www.escritoriodearte.com/artista/valeska-soares&gt; Data de acesso: 12 dez. 2020</p>



<p>Instituto Inclusartiz. <strong>Valeska Soares</strong>. inclusartiz.org [S.I.]. Disponível em: &lt;https://inclusartiz.org/inclusart-residentes/valeska-soares/&gt; Data de acesso: 12 dez. 2020</p>



<p>ANJOS, Moacir dos. Invenção, Memória e Sonho. In: <strong>Arte Bra Crítica</strong>. Rio de Janeiro: Automática, 2010. p. 259-263&nbsp;</p>



<p>Pina_. <strong>Valeska Soares: Entrementes</strong>. pinacoteca.org.br [S.I.]. Disponível em: &lt;https://pinacoteca.org.br/programacao/valeska-soares/&gt; Data de acesso: 12 dez. 2020</p>



<p>Pivô. <strong>Leilão de Parede 2019: catálogo de obras</strong>. pivo.org.br [S.I.]. Disponível em: &lt;https://www.pivo.org.br/app/uploads/2019/11/2019-catalogo-pivo-4.pdf&gt; Data de acesso: 12 dez. 2020</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-19255 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?w=2263&amp;ssl=1 2263w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b08b-lucas-rocha-de-araujo.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Lucas Rocha</strong></strong> é artista visual, professor de idiomas, graduado em Artes Visuais &#8211; Licenciatura, pós-graduado em Docência em Literatura e Humanidades e pós-graduando em História da Arte: teoria e crítica. Atua na área da educação há 7 anos com uma abordagem pautada nos estudos decoloniais, culturais e literários, bem como temas transversais e uma proposta pedagógica plural. Temcomo principais linhas de pesquisa crítica e filosofia da arte (estética) e estudos decoloniais.</p>
</div></div>



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		<title>“Morro / Dia 9”: DIY, isolamento e recomeço</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Nov 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Fernanda Castilho</p>
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<p>O músico, cantor e compositor brasileiro André Medeiros lançou no dia 16 de novembro, em diversas plataformas, duas novas músicas: Morro e Dia 9. Produzidas entre seu quarto e a sala de estar de uma amiga, as faixas marcam um novo tempo para o artista. Escritas num momento de solidão e transformação, ganharam voz, violão, novos acordes, novas camadas e parcerias.</p>



<p>“Oito vaquinhas, duas pra ter bebê” canta André na abertura de Morro. Na sequência, subverte as expectativas: “quatro bezerros que não vão crescer”. Em seu “maculelê atômico”, o compositor contempla a paisagem bucólica, mas também hostil, do interior do Brasil de hoje: “tronco de árvore que o raio cortou/ cerca de farpa não viu quem sou/ subo alto procê ver”.</p>



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<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p>Em Dia 9, faz samba sobre as trivialidades extraordinárias dos dias, sobre a mortalidade, a carne, a dor e o recomeço. Por cima da base minimalista de violão, baixo e bateria, ele narra: “Trouxe um presente pra mim/ conchas e pedras de rim”. O tom amargo convive com um otimismo quase enigmático: “Vendo o cometa desistir/ os poetas fingem rir/ e o melhor está por vir”.</p>



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</div></figure>



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<p>Entre suas influências, André cita <strong>Beto Guedes</strong>, <strong>Itamar Assumpção</strong>,<strong> Jards Macalé</strong> e <strong>Nação Zumbi</strong>, os modernistas <strong>Mário de Andrade</strong> e <strong>Murilo Mendes</strong> (seu conterrâneo), e clássicos do indie rock como <strong>Breeders</strong>, <strong>Sebadoh</strong>, <strong>Guided By Voices</strong> e <strong>Fiona Apple</strong>. </p>



<p>A produção contou com a participação criativa de outros músicos: Victor Fonseca (The Basement Tracks e Martiataka) nas baterias, a percussão de Nicolle Bello (Čao Laru) em Dia 9 e as linhas de baixo tocadas por seu irmão, Daniel Medeiros (ex-Top Surprise), em Morro. A capa é uma pintura do próprio André, que também cuidou da mixagem. A masterização ficou por conta de <strong>Fernando Sanches, do Estúdio El Rocha (SP)</strong>.</p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/98d08-6-1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-19232" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Caio Deziderio</figcaption></figure></div>



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<p>André Medeiros é Brasileiro do interior de Minas Gerais. Na adolescência, mergulhou no indie rock, na literatura e na escrita de resenhas de discos no blog Last Splash. Ao lado de amigos, formou a banda Top Surprise e o selo independente Pug Records, especializado em fitas cassete. Passou a última década perambulando entre os palcos das casas de show da sua cidade e a estrada. Nos últimos tempos lançou zines de contos, trabalhou como técnico de som em shows, fez áudio e trilhas para filmes e produziu diversas bandas.</p>



<p>Em fevereiro deste ano, encontrou uma brecha para revelar ao mundo uma amostra de sua carreira solo: Fitônia, música sobre o amor a uma plantinha. Agora é a vez de Morro e Dia Nove. Para 2022, André está preparando seu álbum de estreia e os primeiros shows com banda.</p>



<p>Acompanhe o trabalho do artista pelo <a href="https://www.instagram.com/andremedeiroslanches/">Instagram</a>.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-19235 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?w=2868&amp;ssl=1 2868w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6efe4-fernanda-castilho.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong> Fernanda Castilho </strong></strong>é Formada em Jornalismo pela UFJF. Ama os livros, os filmes, as músicas, as ruas e as janelas da cidade. Criou a <a href="https://www.instagram.com/la____rue/">la rue</a> para trabalhar com fotografia, social media e assessoria de comunicação.</p>
</div></div>



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		<title>REFLEXÕES ACERCA DO COCO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Nov 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 118]]></category>
		<category><![CDATA[Clube da Esquina]]></category>
		<category><![CDATA[Juliano Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Musicalidade Mineira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Juliano Dias</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Particularmente, eu sempre vejo com uma admiração e grandeza imensa o ato de saber envelhecer envelhecendo de fato, talvez seja porque ainda não sou velho, mas, isso de amadurecer adquirindo a plena ciência de que esse é o movimento biológico mais inevitável que existe, para mim, é admirável, apaixonante, acho que o processo de viver é sobre isso.</p>



<p>Assim sendo, eu costumo situar uma série de artistas que são bastiões de nossa cultura – e que de alguma forma seguem esse espectro: o que pretendo me desdobrar hoje é o Caetano.</p>



<p>Tal qual aquela música “Eu nunca fui a Bahia/eu nunca fui a Salvador/mais um dia que a gente não troca calor/não me preocupa/alguém por aqui me mostrou&#8230; Caetano Veloso”, Caetano é algo com que nos deparamos na vida; podemos escutar sua música ou não, há de existir um momento em que nos deparamos com ele, seja na instância da escrita, da música, da política ou da literatura &#8211; pois tem dessa também, Caetano é pau pra toda obra, um Ser-fazer completo.</p>



<p>O seu último disco, lançado em pleno 2021, “Meu Coco”, traz um pouco do que aparentemente tem rondado a cabeça dele, e é justamente aí que eu situo a questão do envelhecimento e do reconhecimento do quão belo é se (re)conhecer na senilidade. Caetano não poderia ser mais atual, mais assertivo, mais clarividente e consciente. Seguido disso, fica claro que em uma carreira em que de tudo já se viveu um pouco, o que de Caetano tinha de amadurecer e se firmar já está por assim dizer, resolvido; por isso, enxergo que ali estaciona as impressões de um guardião musical de nossa nação. As letras que se inserem facilmente na cabeça de todos nós que vivemos nesse mundo caótico de 2021, ganha um ar de Caetano ao passo dele nos situar em seu “coco” de quase 80 anos. Desde questões ancestrais ao advento de viver ondas políticas tão díspares (e infelizmente semelhantes) ao longo dos anos.</p>



<p>Por si só, o disco se sustenta como um prolongamento do <em>ethos</em> caetanístico que está aí desde os tempos de tropicália, mas tal qual a assimilação válida a própria vida pessoal dele, o disco conta uma história que remete a um paralelo, que não espantosamente se cruza ao longo dos sons e das letras: o Brasil e Caetano Veloso. Isso posto, para além de entender o disco como um dos principais de 2021, gostaria de me reter a uma outra questão.</p>



<p>Me vem à mente aquela velha balela de “passagem de bastão” dos bastiões da música para a nova geração, o que se soma ao ideário novo de que existe uma suposta existência “nova MPB”. No disco, Caetano em diversos momentos reverencia de modo universal a música, em destaque – obviamente – a brasileira; em questão de sonoridade passeia-se por ares árabes, sertanejos e até mesmo beat de funk! Pois é, ele fala de Bethânia, João Gilberto, Djonga, Jorge Ben, Djavan, Simone e Simaria findando em Billie Elish.</p>



<p>Portanto eu penso:  Qual o limite entre uma exaltação do que existe e tem pra existir? Ao passo que diversos bastiões estão na segunda etapa de sua velha-idade ainda produzindo vigorosamente, e de forma original belas canções, belos versos e melodias &#8211; que brotaram numa mente de 80 anos, e que muito provavelmente poderiam brotar na mente de quem tem 20, 30, 40. A significância na passagem de bastão não está propriamente na exaltação de uma vida inteira em perspectiva com o velho e o moderno. Está muito mais conectado em um momento, ao momento agora, quase mais como um marco espaço/temporal/histórico. Não estou dizendo que seja irrelevante marcar a música por sua temporalidade, muito pelo contrário, o brilhantismo da separação das gerações é situá-las em dado momento, cada momento conta uma história única e própria: do social e do individual. Contudo, gerações de pessoas que fazem música estão apontadas para além de um legado ou de um <em>momentum</em>, estão contidas no infinito que é aquela mente específica enquanto produz e se faz. Por tanto, penso que “Meu coco” não é uma alegoria de passagem de bastão ou uma exaltação do que foi ou o que deixou de ser. Caetano Veloso, em sua grandiosidade, sabe reconhecer o fato de que é momento, é vida acontecendo em suas canções alocadas nesse século e no século passado. É saber reconhecer os “Os anjos fronchos do Vale do Sílicio” e a perversidade virtual da atualidade, esticando isso até na reverência da ancestralidade dos verdadeiros detentores da terra desse país: o povo indígena. Certamente Djonga, Gal, e outros que perpassam o ideário de música brasileira sabem disso também, cada qual ao seu modo, e não interessa em nenhum momento ruptura temporal, ciclo de gêneros ou pensamentos em torno da arte/música. Alocando a digressão sobre o disco em específico com minha crença mística da arte tomando posse do artista, acredito que ambos resvalam em uma coisa central: é sobre ser brasileiro, uma coisa única e imutável em todo nosso processo de vida e morte.</p>



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<p><strong><strong>&nbsp;Juliano Dias Guimarães </strong></strong>é Bacharel em Ciências Humanas e graduando em Ciências Sociais pela UFJF. Amante dos bons sons e de cultura pop chinfrin.</p>
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		<title>Por que o Clube ainda importa?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Clube da Esquina]]></category>
		<category><![CDATA[Juliano Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Musicalidade Mineira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Juliano Dias</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Constantemente me faço o dever de revisitar e descobrir algumas obras que perpassam um pouco da nossa trajetória musical: uma riquíssima trajetória de música brasileira, que afinal de contas, nos ajuda a entender nós mesmos enquanto possibilidades de povos e de diversos Brasis. Enquanto um jovem de 20 anos, faço jogo limpo: obras até meados dos anos 90 vieram ao mundo enquanto eu ainda não era nem um plano, quiçá ideia, e, justamente, o esforço é achar &#8211; nesses balanços que o mundo deu enquanto muitos de nós não estávamos aqui ainda – as muitas e muitas partezinhas de nós como somos hoje, os porquês e mais porquês. Enfim, foi nessas que eu me deparei com o Clube da Esquina.</p>



<p>O Clube da Esquina foi um movimento, uma conjunção, disco, música e caracterização atemporal de uma época. É errante, ao tom que o Clube sempre se propôs, figurar Bituca como o cabeça, ou o “principal” dentre aqueles que ali estavam, apesar de ser inegável que Milton Nascimento viria a ser a persona de mais destaque e frutífera ali dentro, consequentemente o encabeçando. O movimento, nascido, erguido e criado em Minas Gerais na grande BH, surgiu a partir do encontro de Milton com a família Borges (de forma bem resumida), onde tornou-se amigo de Márcio e mais à frente de Lô. Pessoas que conjuntos a um ir e vir, se uniam e se encontravam por várias afinidades, mas sobretudo: pela música. O Clube foi um agregado de gente que ocupou além do espaço da casa dos Borges, da esquina e dos palcos: figurou em um lugar que transcende a compreensão espacial e temporal.</p>



<p>A esquina é justamente a que os Borges moravam, na qual ao longo da década de 60, vários amigos e conhecidos passariam por ali, se dialogando, trocando poesia, música e proza. Figura nesse pessoal: Lô Borges, Beto Guedes, Tavinho Moura, Tavito, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Toninho Horta, Wagner Tiso, Milton Nascimento e mais uma pá de gente (como o próprio Bituca costuma dizer). Desses é que surge o clássico álbum “Clube da Esquina” (1972), que viria a figurar nas minhas degustações de passados que não vivi, mas vivo.</p>



<p>A musicalidade impressionantemente mundial e mineira emerge da mistura, da congregação que os próprios insistiram em gestar: tem bossa, jazz, música latina, rock n roll, de forma consonante a mentes que respiravam poesia e um descompromisso que dá gosto de sentir. Visto daqui do futuro, ano em que o disco comemora 49 anos de existência, me parece justo o colocar numa categoria a parte, como uma entidade, talvez, de tudo aquilo que uma geração sonhou e projetou, e que, por resistência do tempo, projetam até hoje. A propósito, o significado de “clube” geralmente se implica pela junção, união, congregação &#8211; e isso ainda importa?</p>



<p>No mínimo devemos nos perguntar isso a todo instante nesses últimos tempos em que, de forma não virtual, há tempos não sabemos o que é um. Os Clubes, propriamente ditos, figuram como esse exato instrumento de junção de pares, que se reúnem com dado fim, possuindo um caráter de expansão ou não, ou de propriamente definição de limites para as afinidades trocadas. A música, como semente da expressão humana, se faz a partir de um desencaixe de tempo-espaço, ela transcende. O sociólogo Anthony Giddens, que dedica grande parte de seus estudos à modernidade, insiste corriqueiramente em demonstrar as estruturais sociais, a partir de uma desconstrução e realocação a todo instante do tempo-espaço. Tal processo é ainda mais voluptuoso à medida que avançamos numa globalização cada vez mais “globalizante”. Por tanto, entendemos que tempo e espaço são fluídos, são relativos, coexistem, e é mais ou menos por esse caminho que desejo constituir a reflexão aqui.</p>



<p>As melodias místicas e doces, atravessam um grande mar de paradoxos, esses mesmos que a modernidade carrega consigo. O grito de uma geração reprimida por uma ditadura, por um Brasil que dentro de si carregava vários projetos, estranhamente ainda é familiar, até mesmo para aqueles que não o viveram, como eu, mas que, ainda sim, vivem nos sombrosos tempos atuais.</p>



<p>O Clube importa para estarmos cientes de que é infindável o seu alcance, como o próprio Bituca cita no livro de memórias de Márcio Borges “Sonhos não envelhecem” (2000): “E mais uma vez, penso que o Clube não pertencia a uma esquina, a uma turma, a uma cidade, mas sim a quem, no pedaço mais distante do mundo, ouvisse nossas vozes e se juntasse a nós.” Me faço no dever de juntar a esses que tão bem correspondem aos anseios de quem ainda resiste e persiste. Vale o apreço pelas músicas e obras, que, a propósito, foram muito além desse disco homônimo. Um gênero mineiro, das montanhas, dos trilhos do trem, da contemplação e da urgência de uma vida livre e menos desigual. Tal transcendência que perpassei há de ser um local onde possamos repousar nossos sonhos por ora, pois, afinal de contas, eles não envelhecem.</p>



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<p><strong><strong>&nbsp;Juliano Dias Guimarães </strong></strong>é Bacharel em Ciências Humanas e graduando em Ciências Sociais pela UFJF. Amante dos bons sons e de cultura pop chinfrin.</p>
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