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	<title>Arquivos criação - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Cozinhar, um Caminho de Volta Para Si Mesmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Sep 2019 21:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 014]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cozinhar]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Hadassah Sorvillo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hadassah Sorvillo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Cozinhar é uma fuga da natureza para a imaginação. Uma refeição alimenta tanto o corpo quanto alma. É uma volta para si mesmo.</em></strong></p>



<p class="has-drop-cap">Das minhas lembranças mais antigas, das quais ainda tenho guardadas, até às mais recentes, muitas delas estão associadas à comida. Dos almoços de sábado na casa da minha avó, onde ela preparava o famoso nhoque de batata com molho de tomate, que era a sua especialidade. Como também das noites frias de julho quando minha mãe fazia uma sopa de feijão branco que aquecia o corpo e a alma. Lembro também quando a família se reunia e as tias faziam fornadas de chipas; em volta da mesa os risos e conversas, as histórias do passado se desdobravam e eu as ouvia fascinada com a boca cheia de massa roubada da bacia.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/17082019-RSVL3442-2.jpg?fit=606%2C404&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2454" /></figure>



<p>Do bolinho de chuva, macarrão com berinjela, pão ainda quente banhado no azeite de oliva com uma pitada de sal marinho, bolo de aniversário com recheio de abacaxi, até a vitamina de pepino e beterraba que minha mãe me obrigava a tomar de manhã. Eu poderia passar um bom tempo listando todos os pratos e quitutes, todos os rostos e mãos das pessoas que os prepararam, e de todas as sensações que cada prato me proporcionou.</p>



<p>Sei que não sou a única a ter lembranças com a comida. Você também, caro leitor, deve ter as suas. Afinal, todos nós como seres vivos nos alimentamos, primordialmente pelo fator nutritivo e mantenedor dos alimentos. No entanto, além da sobrevivência, nós desenvolvemos a capacidade de criar hábitos culinários que não sucedem apenas do mero instinto de sobrevivência. Vão além, transformando o cozinhar em expressão da nossa história, cultura, geografia, crenças e organização social. Como também o cozinhar é a manifestação dos nossos sentimentos e da nossa imaginação.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Gosto do termo <strong><em>&#8220;comida de alma.</em></strong>&#8221; Nossas primeiras experiências, talvez as mais queridas e reconfortantes foram vividas em uma cozinha. Como cozinheira eu entendo o valor dos restaurantes, no entanto acredito muito na cozinha doméstica. Ela que é democrática, que possibilita a todos a graça e poder de transformar e criar. Ela que também pode conter a nossa alma.</p>



<p>A cozinha como o útero e coração da casa, é forno, é criação, fonte e manutenção. Aquele que se aventura entre as panelas torna-se íntimo da matéria e dos seus mistérios. Dos seus segredos é possível gerar pratos com misturas e separações, formas, texturas, cores e aromas. Transformando a realidade a partir da imaginação. Transformando isso naquilo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/03082019-RSVL2419.jpg?fit=606%2C909&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2455" /></figure>



<p style="background-color:#a17600" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color"><strong><em>Cozinhar é propriamente criação, pois transforma a crueza e rudez dos alimentos, revestindo-os de fantasia, combinações, aromas, molhos, acompanhamentos e cores. Há uma narrativa e um encantamento enquanto se cozinha.</em></strong></p>



<p>O cozinheiro, enquanto corta os legumes, ao cozinhar as massas e assar as carnes, está criando como um artesão, um pintor e um compositor. No entanto, o seu material bruto são os alimentos e as possibilidades que daí derivam.</p>



<p>O momento de cozinhar é afetivo e evoca um centro criativo. Estar na cozinha é uma metáfora da alma e corpo, ambos em busca de alimentação. Comer, além de ser um ato fisiológico e cultural, é também um ato emocional e simbólico.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/15082019-RSVL3184.jpg?fit=606%2C404&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2456" /></figure>



<p>Hoje em dia com a aceleração do ato de comer tanto em casa quanto no trabalho e na rua &#8211; o fast food, a comida congelada e pré-pronta &#8211; o rito do cozinhar e da refeição acabam perdendo o seu valor. A mesa como metáfora da vida acaba refletindo como somos e estamos escolhendo viver. No caos dos dias esquecemos que cozinhar é como a vida, e viceversa. É preciso parar e retornar para o centro, para o coração para o útero que gera, para aqueles momentos em que a comida é preparada com cuidado e dedicação.</p>



<p>É triste ver como alimentos insípidos e sem atrativos criativos e afetivos, acabam adentrando nossos corpos. Estes escolhidos apenas pela utilidade prática. Daí o encantamento se parte e as possibilidades ficam restritas ao conformismo. Come-se, mas falta saciar a alma.</p>



<p>Precisamos nos alimentarmos em diversos planos da nossa existência. Alimentados de paixões, alimentados de sonhos, buscamos saciar-nos continuamente. Alimentamo-nos de nossos laços com coisas, pessoas, tradições e culturas. Como também da arte, literatura, ideias e histórias. A busca pela nutrição, da nossa psique e corpo, é contínua. Estamos sempre com fome de algo.</p>



<p>Aí que chega a questão: como nos saciamos?</p>



<p>Já adianto que não tenho a pretensão de responder a essa pergunta. Até porque ela é ampla em si mesma, pois carrega a fome de cada um nós. E bem, cada um de nós já é por si só um universo o que torna as respostas inumeráveis.</p>



<p>No entanto, talvez, eu tenha uma boa pista. Algo que aprendi de experiência pessoal, com as minhas memórias afetivas na cozinha, das quais busquei entender a minha fome de corpo e alma vestindo o avental e botando a barriga no fogão. Algo que também aprendi conversando com pessoas que cozinham.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Descobri na cozinha física, nas panelas, nos ingredientes e métodos uma parte escondida e pouco compreendida por mim mesma, da minha subjetividade. Virou então metáfora.</p>



<p>&nbsp;Daí que descobri que voltar para a cozinha é voltar para si mesmo. É compreender o tempo das coisas, os processos e as possibilidades. A importância do nosso corpo, das nossas mãos como ferramentas e intermediárias. Transformando pensamentos em ações. Ações em comida. Consciência de estar presente naquele momento. Pois é preciso focar e deixar os problemas do trabalho, da escola, e outros tipos de pensamentos do lado de fora da cozinha. Não se cozinha bem com a cabeça em outro lugar, é preciso estar inteiro.</p>



<p>Cozinhar também é um exercício de paciência. Compreender que cada ingrediente possui a sua individualidade. A batata cozinha em um tempo diferente da abóbora, um bolo leva um fermento diferente do pão. E neste sentido as pessoas exigem a mesma compreensão. Cozinhar pode nos ensinar a respeitar a amar as pessoas, reconhecendo as suas diferenças, belezas e restrições. É também se auto amar e reconhecer os seus processos individuais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/15102018-RSVL7249.jpg?fit=606%2C909&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2457" /></figure>



<p>Cozinhar é humildade e doação. Quando cozinhamos para outras pessoas percebemos que essa é uma responsabilidade e um exercício de se colocar no papel de criado. No entanto, olha a graça! O criado esconde, por outro lado, o criador. E quem come, se sacia de fato, da sua criação.</p>



<p>Ir para a cozinha é uma ação que passa longe de ser banal. Se ela for encarada como um processo emocional. E o resultado é no mínimo um processo de autoconhecimento e ressignificação de sentimentos. É uma percepção de como você encara a sua mesa e por consequência a sua vida.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Meu apelo e desejo é que voltemos a criar histórias e memórias na cozinha. Que possamos perpetuar aquilo que aprendemos com aqueles que nos antecederam. E assim, criemos novas experiências e lembranças para aqueles que estão vindo. Dando corda no tempo, cozinhando memórias.</p>



<p>Que possamos usar a nossa imaginação para criar. Que compartilhemos o pão, os momentos e sentimentos com outras pessoas. Que deixemos de optar pelo o que é apenas conveniente, mas tão pobre em sabor e sentimento. Que a nossa cozinha seja um espaço físico que alimente a nossa casa, nossos corpos, nossas mentes, nossos corações. E por fim, nossas almas. Estas que andam tão famintas de comida de verdade, e digo isso em todos os sentidos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/15082019-RSVL3168.jpg?fit=606%2C909&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2458" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hadassah Sorvillo</strong> é amante das palavras e da natureza. Formada em publicidade e gastronomia, equilibra seus dias na rotina como freelancer de conteúdos digital e cozinheira. Também compartilha receitas e descobertas culinárias no <a rel="noreferrer noopener" href="http://temperodahady.com/" target="_blank">temperodahady.com</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="text-align:center">Clique na Imagem a acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/photo5186361507900925972.jpg?fit=606%2C608&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2453" /></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Processos Criativos: Uma Metáfora Sobre a Vida.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 21:03:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 010]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Luisa Biondo]]></category>
		<category><![CDATA[processo criativo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luisa Biondo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A vida imita a arte ou será que a arte imita a vida? Confesso que não sei responder, apenas usei esse questionamento porque acredito que ele tem tudo a ver com o que gostaria de compartilhar aqui: <strong>os nossos processos criativos são a melhor maneira de compreender e aprender sobre a vida como ela é</strong>.</p>



<p>Começo este texto contextualizando você sobre quem eu sou: redatora em uma agência de branding e marketing digital. Nome de marca, texto para blog, slogan, folder, anúncio de jornal&#8230; envolveu texto, eu estou fazendo. Além disso, fora do ambiente profissional, tenho um amor inexplicável pelo desenho e pela fotografia. Isto significa que a partir daqui, irei tratar da minha visão sobre os meus processos criativos. Espero que estas reflexões se relacionem com a sua vida e o seu próprio fazer – artístico, ou não.&nbsp;</p>



<h2 class="has-text-align-left wp-block-heading" style="color:#bf8c00">O Processo</h2>



<p>O processo de criação de qualquer obra envolve a ideia, o desenvolvimento da ideia e a exposição dos resultados. Em todas essas etapas nós somos influenciados por fatores externos. Ou seja, eu não sou a única responsável pela minha criação, assim como você não é pela sua. Eu arriscaria dizer que em cada etapa estamos à mercê da nossa própria obra, que nasce e se desenvolve conforme as suas próprias regras.</p>



<p>Gosto de comparar o meu processo criativo (seja ele visual ou não) com o de um arqueólogo, que precisa ter paciência para, aos poucos, ir descobrindo a sua própria criação. Isso porque toda ação, seja enquanto escolho as palavras de um texto ou traço as primeiras linhas de um desenho, é feita com base em um contexto e em um momento. Tudo isso depende do meu humor, do meu dia, do clima, das minhas inspirações, referências e habilidades.&nbsp;</p>



<p>Eu sei das minhas intenções, eu sei a mensagem que quero passar, mas eu nunca sei qual será o rumo das minhas criações. Às vezes o resultado sai um tanto quanto diferente da imagem inicial criada em minha cabeça. Tudo isso me lembra um texto que estava lendo essa semana, graças à indicação de uma amiga. O texto se chama “O processo de criação artística e a constituição da cultura” e foi escrito por Ariane Daniela Cole. Lá ela escreve:</p>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Suscetível ao acaso, e à ação criadora, o processo de criação em constante movimento torna-se assim uma atividade que explora o terreno do desconhecido. Desvendar o desconhecido se apresenta como uma ação que se direciona a um processo de construção de conhecimento, seja na direção do conhecimento da natureza, para compreender melhor a subjetividade humana, seja a realidade no contexto do mundo, entre tantas possibilidades.</em></p>



<p>Agora eu pergunto a você: <strong>o que é a vida, senão um eterno movimento de descoberta do desconhecido onde cada ação nos leva a uma escolha, e cada escolha desencadeia novos caminhos?</strong> Mesmo que você tenha processos de criação bem evidentes e organizados na sua cabeça, mesmo que você receba um manual de instrução, um processo nunca será igual ao outro. Por quê? Porque os fatores externos existem e a cada dia nós aprendemos algo novo e, mesmo que inconscientemente, absorvemos novas referências que no futuro estarão refletidas nas nossas criações.</p>



<h2 class="has-text-align-left wp-block-heading" style="color:#bf8c00">A Vida</h2>



<p>A criação de um texto, de um desenho, de uma ilustração ou de uma peça audiovisual é como uma verdadeira viagem onde nós nos aventuramos para conhecer mais de nós mesmos e do próprio mundo. Pesquisamos, pensamos, agimos, precisamos fazer escolhas e nos adaptar ao mundo assim como nos adaptamos às ferramentas que usamos para criar (o papel, a caneta, a câmera e a tinta). Constantemente somos apresentados a novos desafios e obstáculos que devemos superar. Voltando a parafrasear a autora Ariane Daniela Cole:&nbsp;</p>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>O processo de criação se dá num encadeamento de ações estreitamente ligadas num contínuo operar sobre a realidade, na busca de um aprofundamento do olhar sobre o mundo, por meio de reorganizações significativas dos dados percebidos.</em></p>



<p>O processo criativo precisa fluir. É preciso deixar ser. Assim como a vida. Por mais que tentemos, não temos total controle sobre o nosso caminho. Precisamos fluir com os contextos, com os adventos e nos adaptar às mudanças. Precisamos conhecer os nossos limites para não deixar que a inércia aplicada ao lápis rasgue o papel. Precisamos respeitar as individualidades de cada um, para entender que as percepções sobre a vida também mudam de uma pessoa para a outra. Precisamos aprender a usar a nossa inspiração, criatividade e intuição para descobrir quais são os caminhos que devemos seguir e as escolhas que devemos fazer.&nbsp;</p>



<p style="background-color:#bf8c00" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color"><strong>Sente-se e acalme-se. Beba uma taça de vinho. Deixe ser, deixe acontecer, deixe fluir. Siga o seu próprio fluxo. Só você conhece o seu processo!</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Luisa Biondo</strong> é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Curtiu o texto? Cadastre-se e receba as edições da Trama por e-mail!</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.ilo.org/global/topics/forced-labour/policy-areas/statistics/lang--en/index.htm"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-CAROL6.png?fit=606%2C585&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1592" /></a></figure>



<p style="text-align:left" class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Nearly&nbsp;<strong>21 million people</strong>&nbsp;&#8211; three out of every 1,000 people worldwide &#8211; are victims of forced labour across the world, trapped in jobs which they were coerced or deceived into and which they cannot leave.</em>                       <strong>International Labour Organization.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.estantevirtual.com.br/atenabookstore"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cc5-publicidade-atena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><strong>CONHEÇA NOSSO ACERVO!</strong></figcaption></figure>
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		<title>Criar em Tempos de Desesperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 16:42:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[opressão]]></category>
		<category><![CDATA[resistência]]></category>
		<category><![CDATA[Ronald Rael]]></category>
		<category><![CDATA[Virginia San Fratello]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lorraine Mendes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No último dia 30 de julho, o arquiteto Ronald Rael e a designer Virginia San Fratello instalaram, juntamente com a sua equipe, gangorras na cerca que delimita a fronteira entre Estados Unidos e México, situada entre as cidades de El Paso, do lado estadunidense e a mexicana Ciudad Juaréz.</p>



<p>Imagens de crianças se divertindo com o brinquedo foram compartilhadas nas redes sociais de todo o mundo, despertando comentários e reflexões.&nbsp;</p>



<p>As questões em torno das fronteiras são pulsantes em um mundo de cercas e sanções. Diásporas, migrações, busca por refúgio e segurança são o retrato da barbárie e da desesperança que vitimizam milhares todos os dias. E há muito tempo.&nbsp;</p>



<p>Uma simples gangorra rosa, contrastando com a aridez da terra e do o metal, foi capaz de provocar um momento de alegria e compartilhamento. </p>



<p style="background-color:#96710a" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">A insubordinação dos artistas em autorizar o que é violentamente suprimido, proporcionando uma união simbólica e efêmera em meio a tanta dor e cerceamento, mostra a potência da capacidade criadora em tempos de violência, desesperança e opressão.</p>



<p>De lá a brincadeira que resiste, de cá o vídeo que reconta uma história. No dia 25 de julho celebra-se o Dia Nacional de Tereza de Banguela e Dia Internacional da Mulher Negra, Latina e Caribenha, e foi o dia escolhido pela banda El Efecto para o lançamento do clipe de “Carlos e Tereza”. A partir da brincadeira de três crianças, o vídeo mostra a alegria de uma roda de samba e a resistência dos grupos e movimentos sociais em tempos em que a insubordinação se faz necessária. A rebeldia de reencenar uma história da forma que ela aconteceria sob olhares de quem se atreve. A arte não de desvencilha da política, e assim, criar em tempos difíceis passa por refletir os desejos, os medos e a teimosia de quem insiste em brincar e viver criando.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="El Efecto • Carlos e Tereza (videoclipe)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/WWCOriNScws?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Lorraine Mendes</strong> é professora substituta da EBA-UFRJ, Doutoranda em Artes, Cultura e Linguagens pelo IAD-UFJF, artista e tatuadora.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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		<title>A Inspiração está Fora Daqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jul 2019 19:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 007]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[referência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Beto Martins</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">As atividades mais corriqueiras do dia são aquelas que  mais passam despercebidas pelas pessoas. Bom, a menos que você seja um artista voraz e cheio de vontade de criar. </p>



<p>Nós não conhecemos bem o seu lugar de origem, mas são inúmeros as sensações, os cheiros, as cores, os sons, os sentimentos que evocam à palavra com &#8220;i&#8221; mais recorrente de alguém que é criativo. E não, não é imaginação, ou insônia, a palavra é inspiração.</p>



<p class="has-drop-cap"><br>Pode parecer uma abordagem muito <em>Millennium</em>, mas recentemente eu criei uma playlist em uma plataforma de streaming chamada &#8220;Fim de filme/Inspiração&#8221;. Minha ideia foi tentar fazer um rápido exercício de memória e reunir as canções que me fazem revisitar aquele “momento final de um bom filme” &#8211; não necessariamente a música do filme, mas a sensação. Acredito que é aqui que a inspiração encontra seu lugar. O encontro de memórias afetivas com algum sentido físico, seja ele visual ou sonoro. De alguma forma, o momento em que o enredo se encerra, os arcos dos personagens são concluídos e me inspiram e me fazem atribuir isso a outras mídias que me trazem novas sensações, a ponto daquilo se transformar em novas ideias. </p>



<p>O mais engraçado é que só percebo isso quando faço esse processo de “combinatividade” quando estou naquela etapa “folha em branco” do processo de criação.</p>



<p><br> Sabendo que a inspiração vem desse lugar quase metafísico, colocar a culpa em fatores externos para a falta de criatividade ou para o ócio criativo é um erro que muitos artistas cometem. </p>



<p>Muitas vezes faltam ideias, ou elas se tornam escassas rapidamente por que faltam também experiências fora da sua área de atuação. </p>



<p>Combinar ideias e criar algo novo a partir delas só é possível quando a origem da inspiração vem de lugares inustados. Fazer essa ponte de uma sensação que se transforma em uma relação subjetiva, que se transfoma em inspiração para criar, talvez seja o caminho mais curto em direção à criações belíssimas. </p>



<p><br>Sem inspiração? Vá olhar o mundo, só volte quando se perder experimentando.</p>



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<p><strong>Beto Martins</strong> é ilustrador e artista gráfico, fundador do Viana Black Estúdio. <a href="https://www.instagram.com/vianablack/">Instagram</a> &#8211; <a href="https://www.artstation.com/betomartinsvb">Portfólio</a>.</p>



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		<title>O Profissional Criativo: Desafios e Expectativas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jul 2019 22:42:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 007]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[profissional criativo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>PodCast Trama</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Dando continuidade às publicações que pretendem lançar luz sobre a criatividade e as entrelinhas dos processos de criação, o primeiro podCast da Trama traz um bate-papo entre o ilustrador e artista gráfico Beto Martins, e o Fundador da Bodoque e funcionário do Memorial da República Presidente Itamar Franco, Frederico Lopes. Neste podCast, a Trama traz um relevante debate sobre a atuação do profissional criativo em diferentes áreas. </p>



<p>Então, pegue seu fone de ouvido e boa audição!</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9357f-podcast-trama-corrigido.m4a"></audio></figure>



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		<title>O Que é Criatividade?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jul 2019 12:20:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 006]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[criativo]]></category>
		<category><![CDATA[o que é criatividade?]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bodoque Artes e ofícios</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Olhando para o mundo moderno podemos perceber que a criatividade é certamente um diferencial e profissionais criativos um alento para quem precisa resolver problemas difíceis com poucos recursos. Mas, afinal de contas, o que é criatividade? Neste video, o Fred e a Poli da Bodoque fazem algumas considerações à respeito!</p>



<p>Confira o vídeo clicando <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ljTYlELCHN8&amp;t=28s">aqui!</a></p>



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<p>A <strong>Bodoque Artes e ofícios</strong> é um atelier de encadernação artística, restauro de papel e soluções artesanais que atua no ramo criativo desde 2012 em Juiz de Fora.</p>
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		<title>A Criação do Processo de Criação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jul 2019 18:50:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 004]]></category>
		<category><![CDATA[creation]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[processo criativo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Beto Martins</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/07/07/a-criacao-do-processo-de-criacao/">A Criação do Processo de Criação</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por: Beto Martins</em></p>



<p class="has-drop-cap">Observar o próprio processo criativo pode ser um dos exercícios mais importantes na vida de um artista. Não importa sob qual “guarda-chuva” alguém se coloque dentro do universo artístico, em algum momento você será obrigado a “organizar” as atitudes que tem em relação ao seu próprio trabalho.&nbsp;</p>



<p>Por ser um desenhista e estar inserido dentro do mercado de ilustração, eu vou trazer um olhar a partir desse prisma, mas que, eventualmente, poderá ser aplicado à outras áreas. Afinal, o processo criativo não nasce, não cresce e nem evolui sozinho. </p>



<p><strong>CONFIE NO SEU PONTO DE VISTA&nbsp;</strong></p>



<p>Há 12 anos atrás, não existia tanta informação sobre ilustração digital (por exemplo) como existe hoje, a escassez fazia com que os artistas montassem “belos labirintos” em seus processos, simplesmente por não terem conhecimento de outros artistas atuando ou fazendo algo semelhante a eles. A falta de informações os pressionava, ou a fazer um execício de tentar criar algo do zero, ou de se debruçar repetidas vezes em uma mesma referência. Acredito que isso gerava um sentimento de “último samurai”. Olhar para o lado e não ter referências sobrando, fazia com que os artistas desbravassem sozinhos uma série de padrões visuais e estilos. </p>



<p>Hoje a informação invade o espaço particular das pessoas. Literalmente, são tantas opções e referências, que começamos a lidar com sentimentos que nem sabíamos que tínhamos: “síndrome da contemplação sem propósito”, o vírus do “é impossível chegar nesse nível”, a bactéria do “fazer é melhor que aprender” e entre outras. A verdade é que o mundo anda tão rápido que considerar a trajetória de um artista com muitos anos de caminhada é quase um insulto. É claro que ninguém tem tempo para esperar 30 anos para começar a se encontrar dentro de um mercado e ganhar dinheiro. Isso nos tira do foco e nos atrasa. </p>



<p>No início de um processo criativo, muitas vezes é passível de colher uma ou outra referência, mas, confiar  na própria intuição nesse momento é que vai te dar uma “voz” mais peculiar, mais parecida com você. Quais são suas experiencias pessoais, suas percepções sobre o mundo, seu olhar? Uma artista brasileira conhecida no mercado editorial e de jogos, Caroline Gariba, disse em um <em>podcast</em> que com ela: “a arte só acontece a partir de um sentimento pessoal&#8221;, quem sabe esse é seu ponto de partida? </p>



<p><strong>QUEM NÃO TEM DINHEIRO CONTA HISTÓRIA.&nbsp;</strong></p>



<p>Pensar que aqueles que não tem dinheiro são contadores de histórias, é um absurdo (risos). Perder a capacidade de contar uma história ao criar uma peça é um erro que muitos cometem, principalmente ilustradores. Dentro desse mercado, quem está no “começo da calda”, são os artistas que criam <em>splash arts</em>, peças que são criadas para chamarem a atenção das pessoas, vender produtos. Geralmente são artes muito coloridas, com um contraste bem exagerado, para atrair determinado nicho. É lógico que todos querem estar envolvidos em projetos desse tipo, e, pior, começam a reproduzir o que esses artistas que estão em um nível de detalhamento e percepção anatômica e valores tonais muito mais elevados que outros artistas. Por isso, acredito que esse desejo de gerar os mesmos resultados que determinado artista mata a vontade de simplesmente querer contar uma história. </p>



<p>Note: não estou falando de história em quadrinhos aqui, (apesar de saber que também cabe), mas a reflexão que quero deixar é o quanto os pormenores das suas criações contam histórias. Criando um personagem, é possível saber da onde ele veio, quais suas motivações,&nbsp;sua nacionalidade, se ele está com medo, alegre ou com fome. Sim, é possível contar histórias com imagens.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Uma pintura de um homem e uma criança montados em um cavalo, podem emocionar pessoas, tudo por causa do <em>storytelling, </em>a capacidade que tudo ao seu redor tem de contar uma história sobre ela própria, ou fazer referência a algo ou a alguém.  </p>



<p>Ter a preoupação de se perguntar “Qual história eu vou contar com essa pintura” é ir além de apenas criar algo bonito.&nbsp;Ao criar, perceba a idade das coisas, as fases do dia,&nbsp;o que determinada pose transmite, quais os valores que seu personagem possui.&nbsp;</p>



<p><strong>FEITO É MELHOR QUE PERFEITO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p>Depois de estruturados o seu ponto de partida e a trajetória que será trilhada, o esforço agora consiste em materializar a ideia. Como eu disse, minhas criações são mais gráficas, como ilustrador, esses processos pra mim são fundamentais. O que está por trás do que se cria, muitas vezes é mais importante do que o resultado final. É claro que a capacidade técnica nesse processo “final” é um caso à parte. É uma grande jornada, mas após alguns anos criando e reformulando meu próprio processo, é possível perceber o quanto a mensagem acaba se tornando mais importante que a forma, que o resultado visual. </p>



<p>Quero dar um exemplo rápido do meu processo em uma ilustração que fiz em&nbsp;2018. A ideia era criar uma peça que representasse personagens pelos quais eu me identificasse, pois iriam ser personagens autorais. Eu teria que representa-los em uma pose de ação em uma mesma arte, o desafio foi grande, mas o exercício me levou a um resultado inesperado.&nbsp;</p>



<p>Escolhi representar três personagens. Para fugir do óbvio decidi que  seriam três moças afro-decendentes, brasileiras, que tinham o cabelo como ponto de destaque em seu visual. Depois pensei em qual história elas estariam contando (ainda que não esteja claro na peça, é importante definir isso, pode influenciar no gestual e no estilo das personagens). Decidi que elas moravam no bairro onde eu morei na infância, e que teriam características de três irmãs que convivi na adolescência. Elas eram petulantes, ousadas, debochadas, sensíveis e corajosas. Dentre outras qualidades, me lembro que, apesar de pobres, eram inteligentes e sabiam se comunicar. </p>



<p>A partir daí ficou mais fácil, o palco estava montado para os personagens da minha pintura atuarem. Com esse processo fica difícil estagnar uma criação ou perceber, lá no final do processo, que ela não transmite nada. Agora, as decisões mais difícies tem um chão para serem tomadas, pois o principal erro que muitos criadores tem quando vão criar algo, é que, organizar processos é criar um solo fértil para ideais boas se desenvolverem.&nbsp;</p>



<p>Beto Martins (Viana Black Estudio)&nbsp;</p>



<p>@vianablack&nbsp;</p>
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		<title>Não Procure do Lado de Fora &#8211; (Apenas uma Reflexão Criativa)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jul 2019 18:47:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 004]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[tatuagem]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho criativo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gisa Carvalho</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por: Gisa</em> Carvalho</p>



<p class="has-drop-cap">A necessidade de criar é parte vital da identidade humana. Penso que isso se dá porque somos a imagem e semelhança de um ser essencialmente Criador! Mas como criar algo relevante em um planeta onde seus antepassados datam de até 300.000 anos, como criar algo novo, importante, revolucionário em uma era onde o mundo todo cabe na palma da mão neste globinho habitado por 7 bilhões de indivíduos?</p>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="428" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a023f-image_6483441-1.jpg?resize=640%2C428&#038;ssl=1" class="wp-image-411" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a023f-image_6483441-1.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a023f-image_6483441-1.jpg?resize=300%2C201&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Alguns dizem que sou uma artista, outros falam que é um dom. Eu gosto de poetizar as coisas. Diria que sou artesã &#8211; porém, uma tatuadora. Meu trabalho exige que esteja sempre (diariamente) inovando, meu público deseja novidades todos os dias. Prefiro apostar no clássico e elegante com pitada de transgressão, afinal, isso é a tattoo. </p>



<p style="text-align:left">Tattoo só se torna arte para mim quando consigo trazer à tona a identidade da pessoa através da minha própria crença, minha forma de ver o mundo, a vida, a estética corporal e, por último, mas não menos importante, a experiência profissional &#8211; como se fosse uma tradução.</p>



<p style="text-align:left">É tão místico que toda tattoo que faço seja minha, e, no entanto, não tenho posse nenhuma sobre ela! É como um filho&#8230; vai seguir seu próprio caminho. Me arriscaria a dizer até que se assemelha ao trabalho de um fotógrafo: a fotografia é dele, o registro, a sensibilidade, a edição &#8211; mas ele não esta na foto&#8230; Tão mágico! </p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/IMG_5545-3.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-408" /></figure>



<p style="text-align:left">E assim surge meu processo criativo. Não a partir de uma tattoo que já existe, mas de algo que não é tattoo. Sempre preferi as flores dos jardins, fotografo pássaros, árvores e horizontes &#8211; sempre me prendendo a detalhes do pano de mesa, a estampa do vestido, o X que prende o botão à roupa. Minhas referências são as  mulheres do cinema preto e branco, suas vestimentas, seus laços, ondas do cabelo, o bordado bielorrusso de um vestido típico, um entalhe em madeira, a grade do portão, a tradição indiana de fazer desenhos com areia (ou farinha) no chão&#8230; Deveria ser assim em todas as áreas que exigem criatividade, pois pintar como Picasso só vai levar a quadros que lembram seu cubismo.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" width="640" height="640" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bcfec-img_6402-2.jpg?resize=640%2C640&#038;ssl=1" class="wp-image-415" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bcfec-img_6402-2.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bcfec-img_6402-2.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bcfec-img_6402-2.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p style="text-align:left">Hoje técnicas antigas dos treinadores de times esportivos estão invadindo consultórios psicológicos para garantir novos resultados isso é uma solução criativa! Usar uma ferramenta conhecida de forma nova. Desenvolver a criatividade não é realmente estar no escuro e ascender uma lâmpada de repente! Isso pode até ser entendido como ideia, mas essa ideia só se torna criativa quando conseguimos fazer uma bomba com chicletes, pedaços de fio e um relógio parado. É quando vc usa o que já  tem à sua disposição de um jeito diferente. Dessa forma, um arquiteto não  tem que estar sempre inspirado e conectado &#8220;pra coisa fluir&#8221;, as vezes é só mesmo uma questão de disciplina e trabalho duro.</p>



<p style="text-align:left">Independente da sua area de atuação, não insista em agradar a todos, não repita o que todos os homens de sucesso fizeram, &#8211; até porque muitos nem sabiam como estavam fazendo, e vários apenas acreditavam em seus sonhos, sabiam o que queriam fazer! </p>



<p style="text-align:left">Gosto de citar uma frase da escritora Joyce Meyer: &#8220;muitas pessoas não estão vivendo seus sonhos porque estão vivendo seus medos&#8221;, o medo de errar, de se frustrar, medo de decepcionar o outro, desagradar, de não ser capaz, de tentar, de não conseguir &#8211; verdadeiramente o medo nos paralisa.</p>



<p style="text-align:left">Estamos nós a altura deste cargo, desta tarefa? Ter medo de qualquer coisa aniquila todas as possibilidades criativas que estão disponíveis?</p>



<p style="text-align:left"> Acredito que basta vasculhar a caixola de forma persistente e pegar todo este conhecimento que se recebe, seja de forma academica ou secular, usando sua verdadeira personalidade, a individualidade, identidade única de cada ser para se tornar mais criativo.</p>



<p style="text-align:left">Silenciar por um instante todas as vozes da mídia, sociedade, grupos sociais&#8230; e perceber que o que é realmente necessário já foi colocado dentro de cada um, arregaçar as mangas e mãos à obra!<br></p>



<p><br></p>
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		<title>O Fazer artístico na Encadernação</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Jun 2019 20:07:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 003]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[caderno artesanal]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[encadernação]]></category>
		<category><![CDATA[processo criativo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bodoque Artes & ofícios Quem acompanha nosso trabalho, é artista ou tem amigos artistas, sabe que o ato criador transita – em muitos casos – entre o rigor técnico e os infindos caminhos conceituais que podem ser abordados. Todas as etapas do processo criativo caminham para transformar um amontoado de materiais em uma proposição … </p>
<p class="link-more"><a href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/06/30/o-fazer-artistico-na-encadernacao/" class="more-link">Leia mais<span class="screen-reader-text"> "O Fazer artístico na Encadernação"</span></a></p>
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<p>por: Bodoque Artes &amp; ofícios</p>



<p class="has-drop-cap">Quem acompanha nosso trabalho, é artista ou tem amigos artistas, sabe que o ato criador transita &#8211; em muitos casos &#8211; entre o rigor técnico e os infindos caminhos conceituais que podem ser abordados. Todas as etapas do processo criativo caminham para transformar um amontoado de materiais em uma proposição artística eloquente. </p>



<p>No caso da encadernação não é diferente. Nosso atelier surgiu com a proposta de utilizar o caderno como suporte para criação artística, o que nos apresenta um tremendo desafio: explorar de maneira consciente e corajosa, os limites dos conceitos de encadernação/caderno e o que pode vir a ser uma obra de arte.</p>



<p>Abaixo você pode conferir uma de nossas pesquisas em Artes visuais sobre o caderno. A arte da capa da encadernação foi feita inspirada nas obras da artista Fayga Ostower, que teve por meio de sua produção artística uma importante presença no cenário das artes no Brasil, deixando relevante contribuição.</p>



<p>Confira clicando <a href="https://www.youtube.com/watch?v=05vzxs-NooQ&amp;t=37s">aqui!</a></p>



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<p>Você pode ter um de nossos cadernos acessando nossa <a href="https://www.artebodoque.com">Loja Virtual!</a></p>
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		<title>Acalmanocaos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Jun 2019 18:21:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 003]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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<p><em>por: Kariston França</em></p>



<p class="has-drop-cap">Eu não sou pintor, talvez o tenha sido quando, na terceira série, tive de pintar um mosaico em tons de azul&#8230; ou quando pintei um prato em branco com um desenho pré fabricado.</p>



<p>Fora isso eu talvez tenha pintado o sete.</p>



<p>Me lembro de fazer o mosaico, e com muito custo, e muitos &#8220;reparos&#8221;, eu reorganizei o meu mosaico, com tons bem diferentes dos que desejava na escola.</p>



<p>Minhas linhas retas ganharam curvas de culpa e fracasso em tons mais fortes de azul.</p>



<p>Não que me compare a nenhum grande referencial do cubismo ou surrealismo, mas, de certa forma, em cada processo de criação temos o desgaste, a respiração fora do compasso natural, a exaustão do olhar, dos músculos… </p>



<p>Retas passam a se curvar ante a finitude de seus criadores.</p>



<p>Medo, receio, vergonha e um acesso de ira nos consomem e nos exaurem ainda mais.</p>



<p>Até que nada sobra.</p>



<p>Nos tornamos o medonho e desesperador vazio ou nos tornamos a plena calma desse mesmo vazio que nos apavora?</p>



<p>Gosto de pensar na arte de um dia criar minhas crianças, com um joelho melhor que o meu, um pulso menos torto, ou talvez, com curvas e contornos tão peculiares que alguns parecerão criações de alguma queda.</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="439" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6735b-desenho-ibarcos-pescando-no-oceano.jpg?resize=589%2C439&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-329" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6735b-desenho-ibarcos-pescando-no-oceano.jpg?w=589&amp;ssl=1 589w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6735b-desenho-ibarcos-pescando-no-oceano.jpg?resize=300%2C224&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 589px) 100vw, 589px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>A imperfeição da criação é reflexo da intensidade de sentimentos que a obra carrega oriunda de seu criador, seja ele uma criança da terceira série do fundamental de Leopoldina (Minas Gerais), ou Guernica.</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="315" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17e72-images-1.jpeg?resize=600%2C315&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-330" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17e72-images-1.jpeg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17e72-images-1.jpeg?resize=300%2C158&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Guernica, PabloPicasso</em></figcaption></figure>



<p>Prédios, esculturas, pontes, obras infindáveis no mundo possuem suas imperfeições e tem mostrado a perfeição da arte quando as mesmas encontram sua finitude, se encontram no vazio sereno e caótico e se tornam eternas por se ausentarem de si e se tornarem propriedades de cada geração e observador.</p>
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