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	<title>Arquivos descolonização - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Colonização da Arte: Um Ensaio Sobre Processos de Composição Musical.</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 19:12:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[descolonização]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[originalidade musical]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Pensar em originalidade musical me remete ao Papa Gregório na Alta Idade Média (século VI) e é daqui que partiremos para pensar processos de composição musical. Gregório trouxe para o âmbito daquilo que era a expressão máxima do divino – a saber a Instituição Igreja – uma prática pública que era constantemente associada às devassas camponesas, por exemplo. As continuidades em vista de deveras transformações são claras: a originalidade converte, se passa de auto explicação e amplia sua atuação. Do profano ao sagrado, a música entrou nos templos pela porta da frente, sendo agora ferramenta de uso devocional, com suas devidas regras e estilísticas, ao mesmo tempo em que a manutenção de seu uso fora dos templos era feita pelos degredados do paraíso.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75237-imagem-trama-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1309" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/46a9b-imagem-trama-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1310" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A música encontrou lar plural pela capacidade de adaptação. De fato, a sua existência parte do princípio de que há uma demanda pela tradução dos sentidos presentes nas relações humanas e, até mesmo, com o divino. Ao fim e ao cabo, música é uma moldura composta por diferentes expositores. Pessoas criam música. Pessoas dão nome a sua arte. A arte é plural.</p>



<p>Uma arte que não respeita sua regra máxima, a saber, a proposta da originalidade, abdica de uma identidade própria e desconfigura ainda aquele que a expõe. Música enquanto processo artístico possui o seu lugar ao sol, possui função social e, por isso, mais do que demanda, mas tem por ímpeto uma autenticidade em todo o seu processo de construção, tendo em vista que esta responde a afirmação de identidades, marginalizadas ou não, ao longo da própria história.</p>



<p>A partir da metade do século XVIII, nota-se que o cenário musical começava a se sobrepujar dos grandes templos e respondia, de forma pública e comercializável, os anseios daqueles que queriam contatar essa arte, seja para apreciá-la de uma forma &#8220;inofensiva&#8221; ou para buscar nelas respostas para os grandes blocos de dúvidas existenciais que sempre nos cercaram.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/652ab-imagem-trama-6.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1311" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Wolfgang Amadeus Mozart</em></figcaption></figure></div>



<p>Fazendo um grande salto no tempo, faço referência ao século XX enquanto um tempo de profundas transformações e respostas sociais, políticas e econômicas sobretudo no ocidente. De forma mais precisa, a indústria fonográfica brasileira teve o seu auge gestado pelas novas demandas do século citado. Muda-se o ouvinte, portanto, muda-se os seus questionamentos, incertezas, desconfortos e indagações com o presente. Assim, um aspecto importante que esmiuçarei é: muda-se o “fazedor” da arte, portanto, muda-se os seus questionamentos, incertezas, etc infinita… muda-se o seu propósito de composição e, consequentemente, produção. Sobrevivemos ao século das possibilidades e entramos no XXI, tendo como perspectiva, novos horizontes. Estamos em 2019 e a demanda mercadológica se sobressai àquilo que, de fato, nos mobilizava nos processos de composição: a autenticidade. Em análise macro dos temas musicais mais apreciados pela sociedade contemporânea, nota-se uma sequência rítmica e um vocabulário padronizado, que é julgado a partir de uma mercadologia excludente.</p>



<p>Como visto inicialmente, música não perde sua função pela falta de autenticidade, ela se adapta para responder o que de mais distinto há. Todavia, perde e desconfigura sua essência, ou melhor, a essência daquele que a cria. Perder-se no processo e abdicar-se de uma identidade própria é um dos fatores mais comuns que se faz de forma inconsciente, e, triste é perceber o descarte identitário feito de forma consciente para atender um mercado. Nesse sentido, atender a um mercado cristalizado não é um pecado capital para o artista (quem sobrevive de arte sabe o valor que o reconhecimento tem). Seu maior pecado é medir arte pela suficiência ou insuficiência de sua produção, rendendo-se ao molde e tornando-se só mais um.</p>



<p style="background-color:#d0a01b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background">Se a escrita demanda um estudo linguístico e a construção melódica uma teoria musical, penso se de fato expomos nossos trabalhos por representação e compromisso, ou se as prisões criativas tornaram tudo enfadonho, a ponto de nos expor a pior das situações: o plágio consciente.</p>



<p>É necessário descolonizar a nossa arte das pressões e índices externos que nos condicionam a um processo de criação que não é articulado por nós, porque, enquanto existir uma subserviência explícita a uma regra para exposição artística, haverá um óbito criativo que – em linha reta – guiará ao abismo da não-criação, e que ao contrário de criar algo, consistirá em repetição, nos tornando, assim, insensíveis para o que, de fato, a música tem como função, a saber, anunciar as minúcias da vida e as relações que a cercam.</p>



<p><strong>Descolonize sua arte!</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cc5-publicidade-atena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" data-recalc-dims="1" /></figure>
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