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	<title>Arquivos Design gráfico - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Design Gráfico Brasileiro e os Cartazes Culturais dos Anos 60</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[anos 60]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Coutinho</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/design-grafico-brasileiro-e-os-cartazes-culturais-dos-anos-60/">Design Gráfico Brasileiro e os Cartazes Culturais dos Anos 60</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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<p class="has-drop-cap">Imagino que muitos leitores da Trama já devem saber que a década de 60 foi um período muito fértil para a arte brasileira, no geral. Vale lembrar que no âmbito internacional, foram nos anos 60 que os movimentos sociais, de contracultura e as rupturas do mundo artístico “moderno” atingiram seu auge. O modo de pensar e criar modernista começa a dar lugar para uma abordagem mais contemporânea, que viria a contemplar e valorizar a mistura e apropriações de linguagens (inclusive a moderna), bem como assimilar e fazer uso das inovações tecnológicas da época. E o Brasil não ficou para trás nesse processo.</p>



<p>Considerado um período de revolução cultural no país, a década de 60 nos proporcionou produções e experiências interessantes nos campos das artes visuais, cinema, música, teatro, dança, literatura, moda, e claro, no design. Juntamente com artistas visuais, designers foram responsáveis em “dar a cara” e determinar a linguagem visual de produções na música, teatro, cinema e de importantes movimentos musicais como a Tropicália, cujo principal designer/artista visual foi Rogério Duarte (sobre quem espero poder falar, em breve, aqui na Trama).</p>



<p>Os anos 60 foram muito ricos em acontecimentos no Brasil e no Mundo, tornando difícil a tarefa em tentar relatar e contextualizar tudo o que se passava. Porém falando sobre design gráfico brasileiro, comentar rapidamente sobre alguns dos trabalhos icônicos da época e que de alguma forma falam sobre o que se passava no período. Para tal me limitei a comentar sobre alguns cartazes culturais, cujo objetivo era divulgar espetáculos teatrais, filmes e exposições. Para essa escolha me apoiei na curadoria do livro <a href="https://elaineramos-estudiografico.com.br/Linha-do-tempo-do-design-grafico-no-Brasil">Linha do tempo do design gráfico no Brasil</a> de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos, que inclusive recomendo a leitura.</p>



<p>No livro citado, o autor cita o cartaz da 6ª Bienal de São Paulo (1961), projetado por Luís Osvaldo Vanni, que abre a década com total irreverência. A limpeza e concisão modernistas, presentes nos cartazes das bienais anteriores, são deixadas “por meio da tematização da desordem escondida sob o parente sistema de ordem do padrão de retículas” (MELO, 2008, p.49). Homem de Melo comenta que é possível dizer que o cartaz antecipa o uso do ruído e da sujeira como recursos gráficos, fato que ganharia força nas décadas seguintes.</p>



<p>Em contraponto à desordem do cartaz de Vanni, a linguagem modernista ganha força no cartaz da bienal novamente em 1967. Projetado por Goebel Weyne para a 9ª Bienal de São Paulo, o cartaz demonstra um caráter altamente sistêmico, toda a composição gráfica foi cuidadosamente calculada, um ponto fora do lugar desestabilizaria toda a estrutura comunicativa desenvolvida no cartaz.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c179f-6-bienal.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3146" data-recalc-dims="1" /><figcaption>6ª Bienal de São Paulo, 1961 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24719-9-bienal.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3147" data-recalc-dims="1" /><figcaption>9ª Bienal de São Paulo, 1967 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Nesses dois exemplos já é possível perceber a riqueza cultural produzida nos anos 60, numa mesma década, dois cartazes produzidos para um mesmo evento – Bienal de São Paulo – admitem dois tipos de linguagem gráficas bem contrastantes entre si. O choque e a convergência das estruturas racionais modernistas e da complexidade instável contemporânea se tornam bastante comuns nos trabalhos de design gráfico, a partir de 1960.</p>



<p>O cinema nos trouxe mais exemplos dessa confluência de linguagens tão divergentes, apresentando cartazes com as mais diferentes soluções gráficas. Temos o cartaz do filme “Os Fuzis (1964)”, de Ziraldo, que além de mostrar o poder de seu traço, mostra como uma ilustração pode funcionar como design gráfico. Neste caso, sua ilustração “[&#8230;] estrutura a peça, cria impacto, estabelece uma relação magnética com o leitor, trabalha na escala do cartaz. Se pensarmos na presença da ilustração no design brasileiro, este cartaz é peça obrigatória.” (MELO, 2008, p.54). Ziraldo também foi capaz de encontrar outras soluções gráficas, que fugiam de seu estilo de ilustração tradicional. Um bom exemplo é o cartaz do filme “O assalto ao trem pagador (1962)”, onde o designer toma como referências os jornais populares sensacionalistas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a9415-fuzis-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3149" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Os fuzis, 1964 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce0d-assalto-trem-pagador.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3150" data-recalc-dims="1" /><figcaption>O assalto ao trem pagador, 1962 Fonte: Linha do tempo do design gráfico no brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<p>Temos também o cartaz feito para o filme de Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)”, cujo designer é Rogério Duarte. Talvez um dos cartazes mais emblemáticos já criados na história do design gráfico brasileiro, a peça gráfica faz uso de uma estrutura geométrica e racional, mas discute a complexidade e “trata-se de uma crítica ao design modernista feita por quem o conhece por dentro.” (MELO, 2008, p.51)</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/deus-diabo-terra-sol.jpg?fit=606%2C913&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3153" /><figcaption>Deus e o diabo na terra do sol, 1964 Fonte: Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, 2011</figcaption></figure>



<p>O psicodelismo vinha ganhando força nos anos 60, principalmente entre os jovens. Esse movimento influenciou fortemente o design gráfico e a publicidade da época e ele carrega a demanda pela complexidade advinda da chegada da televisão. O trabalho do designer Rogério Duarte para a Tropicália bebeu dessa fonte. Com o discurso da complexidade e fazendo uso de referências vindas da cultura de massa, da art pop e do psicodelismo, o trabalho de Duarte desenvolve universo de grande riqueza visual. Um dos resultados dessas referência aparece no cartaz para o filme Meteorango Kid &#8211; O Herói Intergalático (1969), de André Luiz Oliveira.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/meteorango-kid.jpg?fit=606%2C897&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3151" /><figcaption>Meteorango Kid, 1969 Fonte: Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, 2011</figcaption></figure></div>



<p>Infelizmente com a crescente e rica produção cultural no Brasil nos anos 60, veio também o recrudescimento das forças conservadoras sempre existentes no país, o que culminou no golpe militar de 64, manobra política que rompeu com boa parte do que melhor se produzia em cultura no país e que nos deixou máculas. Algumas que até hoje, principalmente em nosso contexto político, precisamos urgentemente superar!</p>



<p>Por hoje, paramos aqui, mas espero poder continuar discutindo design e gerando provocações para pensarmos o design de ontem e o de hoje enquanto meio de manifestação social, cultural, política e econômica.</p>



<p>Até mais!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>&nbsp;<strong>Gabriel Coutinho</strong> é um não designer, vira-lata, vivendo uma distopia.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#ac7e00" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-normal-font-size has-very-light-gray-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c7388-menino-poccca7o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2231" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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