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	<title>Arquivos escravidão - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>DJONGA, CORRA: UMA BREVE E MUSICAL ANÁLISE HISTÓRICA DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Feb 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 031]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[djonga]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
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		<category><![CDATA[renegados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Diogo Tomaz</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;Prof. Me. Diogo Tomaz</em></p>



<p><strong>SÓ PRA COMEÇAR &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Pra eles nota seis é muito</em><em><br>Pra nóis nota dez ainda é pouco<br>Pros meus qualquer grana é o mundo<br>Pros deles qualquer grana é troco </em><strong><em></em></strong></p>



<p class="has-drop-cap">Tentar estabelecer artistas ou musicas como definidoras de uma época é sempre algo arriscado. Mas, cedendo a essa pretensão, podemos afirmar que hoje no Brasil o Rap é o gênero mais relevante e crítico &#8211; uma prateleira que foi ocupada durante muito tempo pelo Rock, que tem se mostrado cada vez mais comercial e conservador em suas letras e atitudes (claro, existem alguns sopros de esperança que são exceções) -. Por ser professor, convivo diariamente com alunos e alunas entre 12 e 18 anos e, algo que me chamou a atenção nesse convívio, foi descobrir alguns nomes que até então para mim eram meros desconhecidos musicais. BK, Baco Exu do Blues, Rincon Sapiência, Flora Matos, Drik Barbosa, Djonga&#8230; seus nomes e letras circulavam pelas minhas aulas e redes sociais. Mas eu não tinha ideia de quem eram.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aos poucos o interesse e a curiosidade por aquele som foi surgindo. Comecei pelos clássicos que já conhecia: Rael, Emicida, Criolo, Racionais&#8230; Gostei! As rimas, a batida, as críticas ao racismo, à pobreza, às injustiças e a todo autoritarismo existente me atraiu. Fazia jus ao significada da palavra <em>rap</em>, que nada mais é do que uma sigla para <em>rhythm and poetry – </em>ritmo e poesia. Uma palavra que remonta ao século XIV, referindo-se a algo como “bater” ou “criticar” e que se popularizou entre os negros de algumas cidades dos Estados Unidos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como todo bom historiador e amante de música, passei a ouvir aqueles novos artistas – pelo menos para mim eram – de forma crítica e atenta. Todos muito bons, mas, o que mais me chamou atenção foi o Djonga. Por isso, tive a ideia de escrever esse texto sobre a excelente música <em>Corra </em>analisando-a de forma histórica.</p>



<p><strong>MAS QUEM É DJONGA?</strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se você não conhece e nem ouviu o Djonga, fica a dica: Vai no Youtube! &#8211; ou continua lendo esse texto -. Gustavo Pereira Marques, um mineiro de Belo Horizonte que trancou a faculdade de História da Universidade Federal de Ouro Preto para seguir com o Rap, recebeu esse apelido de um amigo, que fazia trocadilhos com as palavras “djonga” e “bironga”. Na véspera do lançamento do primeiro single, Gustavo ainda não tinha um nome artístico e foi justamente o “djonga de bironga” que lhe veio à cabeça.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Suas músicas são estimulantes, agressivas e conscientizadoras das dificuldades de uma grande parte da sociedade brasileira que foi abandonada pelo poder público. Seus trabalhos colocam o dedo – ou dedos – na(s) ferida(s) que a maioria dos artistas brasileiros preferem fingir que não veem. Seu álbum “Heresia” de 2017 foi considerado um dos melhores do ano pela revista Rolling Stone. “O Menino Que Queria ser Deus” de 2018 foi muito bem recebido pela crítica, e é nesse álbum que se encontra a música central desse texto.</p>



<p><strong>CORRA!</strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fazendo referência ao filme de terror “Corra” de 2017, dirigido por Jordan Peele, a sétima música do álbum fala sobre racismo estrutural desde a colonização do Brasil pelos portugueses até os dias atuais. A música possui um pouco mais de quatro minutos e parece ser um diálogo entre um casal negro sobre o racismo e escravidão.</p>



<p><em>“Amor, olha o que fizeram com nosso povo. Amor, esse é o sangue da nossa gente. Amor, olha a revolta do nosso povo. Eu vou, juro que hoje eu vou ser diferente”.</em><em></em></p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A escravidão foi uma prática tão antiga quanto cruel e aplicada de formas diferentes entre os povos que a adotaram. Os árabes adquiriam africanos para negociá-los no Mediterrâneo muito antes dos europeus. “Estima-se que entre 650 e 1600, os árabes escravizaram 4.820.000 escravos” <a href="#_ftn1">[1]</a>. Na Europa, os portugueses foram pioneiros no comércio de escravos africanos através do Oceano Atlântico, brevemente seguido por holandeses, franceses e ingleses. O tráfico negreiro realizado pelos europeus a partir do século XVI uniu interesses de grupos escravistas em três continentes: África, Europa e América. Formava-se assim, um comércio triangular, os navios europeus levavam produtos das colônias e da metrópole para a costa africana, que eram trocados por escravos. Em seguida, esses escravos eram vendidos para os colonos americanos, que os utilizavam em suas lavouras, minas ou outras atividades.</p>



<p>“Éramos milhões, até que vieram vilões / O ataque nosso não bastou / Fui de bastão, eles tinham a pólvora / Vi meu povo se apavorar / E às vezes eu sinto que nada que eu tente fazer vai mudar”.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">            Com o tráfico, milhões de africanos eram arrancados a força de sua terra e transformados em escravos. As estimativas sobre o total de escravos trazidos para o Brasil variam muito, pesquisadores dizem algo por volta de 3 e 5 milhões entre os séculos XVI e XIX, nenhum outro lugar no mundo recebeu tantos escravos quanto o Brasil. </p>



<p>Ao longo de mais de três séculos, navios portugueses ou brasileiros embarcaram escravos em quase 90 portos africanos, fazendo mais de 11,4 mil viagens negreiras. Dessas, 9,2 mil tiveram como destino o Brasil. Para toda a América estima-se entre 10 a 20 milhões de escravos entre os séculos XVI e XIX. Os dados são da <a href="http://www.slavevoyages.org/"><em>The Trans-Atlantic Slave Trade Database</em></a>, um esforço internacional de catalogação de dados sobre o tráfico de escravos &#8211; que inclui, entre outros, a Universidade de Harvard <a href="#_ftn2">[2]</a>.</p>



<p><em>Aquela noite eu te ensinei coisas sobre o amor / Durante o dia eu só tinha vivido o ódio</em><em></em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As viagens que traziam os africanos escravizados ao Brasil eram longas e exaustivas: “do continente africano até a Bahia levavam cerca de 40 dias no mar; até o Rio de Janeiro, cerca de dois meses” <a href="#_ftn3">[3]</a>. Devido às péssimas condições do transporte e os maus-tratos, calcula-se que entre 5 e 25% dos escravizados morriam durante a viagem. Por isso, os navios foram apelidados de tumbeiros, uma referência a tumba ou túmulos.</p>



<p><em>Querem que eu me contente com nada</em><em> / Sem meu povo tudo não existiria / Eu disse: Óh como cê chega na minha terra / Ele responde: Quem disse que a terra é sua?</em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aos que sobreviviam, mais uma difícil jornada, reconstruir suas vidas em um novo continente. Muito entravam em uma profunda depressão associada à violência da escravidão e à saudade de sua terra natal. Esse estado psicológico ficou conhecido como <em>banzo</em> e provocava apatia, inanição e a morte. Costumavam ser diferenciados pelos colonos de acordo com o trabalho que desempenhavam: eram classificados como escravos de ganho, do eito ou domésticos. Os de ganho eram aqueles que viviam nas cidades e realizavam trabalhos temporários em troca de um pagamento, que normalmente era revertido para o seu dono. Os escravos do eito trabalhavam nas lavouras ou minas. Pelo excesso de trabalho e pelos castigos, faleciam depois de cinco a dez anos de trabalho forçado. Os escravos domésticos eram escolhidos pelos senhores para trabalharem em suas casas como jardineiros, babás, cozinheiras, etc.</p>



<p><strong>SÓ PRA FECHAR</strong></p>



<p>Após essa breve análise de pontos específicos da letra, percebemos que quando “pensamos historicamente”, notamos que a realidade social é construída pelos seres humanos. Não é por um acaso do destino, mas sim uma construção cultural dinâmica, mutável e aberta a novas possibilidades. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Diante disso, ESTUDEM HISTÓRIA. Ao fazer isso, podemos despertar a consciência em cada um de nós para construir uma sociedade mais justa, com menos desigualdades entre as pessoas, independentemente da idade, gênero, origem, cor e religião.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para finalizarmos nosso assunto, gostaria de apresentar alguns dados estarrecedores, extraídos do site da Revista Carta Capital <a href="#_ftn4">[4]</a>, que mostram o abismo racial no Brasil. “Segundo dados do IBGE, mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos, sendo que a cada dez pessoas, três são mulheres negras. Só em 2089, ou seja, daqui a 69 anos, brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil. A projeção é da pesquisa <em>“A distância que nos une – Um retrato das Desigualdades Brasileiras</em>” da ONG britânica Oxfam, dedicada a combater a pobreza e promover a justiça social. Segundo a pesquisa, em média, os brasileiros brancos ganhavam, em 2015, o dobro do que os negros: R$1589, ante R$898 mensais. Os cálculos foram feitos com base dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), considerando rendimentos como salários, benefícios sociais, aposentadoria, aluguel de imóveis e aplicações financeiras, entre outros.</p>



<p>Homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de&nbsp;<a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil/resolveuid/9ffa1a28e83f4afd89e16391b81b7df2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mortes violentas</a>&nbsp;no País. A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, de acordo com informações do Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras.&nbsp;Brasil abriga a quarta maior&nbsp;<a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil/resolveuid/b7c1b80b1a9e453d840d46fe85cc488a" target="_blank" rel="noreferrer noopener">população prisional&nbsp;</a>do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia. Tratam-se de 622 mil brasileiros privados de liberdade, mais de 300 presos para cada 100 mil habitantes. Mais da metade (61,6%) são pretos e pardos, revela o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).</p>



<p>Na contramão dos demais países, porém, a taxa de aprisionamento no Brasil não está diminuindo. Entre 2004 e 2014, o índice cresceu 67%. A taxa de superlotação por aqui também é maior: 147% no Brasil, ante 102% nos Estados Unidos e 82% na Rússia”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enfim, quando vemos um acréscimo nos debates nacionais e internacionais de combate ao racismo, evidenciamos também uma crescente opressão e violência por fatores étnicos. É necessário conhecer as formas de estruturação do racismo, só assim poderemos pensar em maneiras eficientes de combatê-lo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> SILVA, Alberto da Costa e. <em>A enxada e a lança</em>: a África antes dos portugueses. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p.671.</p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> Disponível em: <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45092235">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45092235</a></p>



<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> BOXER, Charles R. Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola (1602 – 1686). São Paulo: Nacional, 1973, p.244.</p>



<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> Disponível em: <a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil/">https://www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil/</a></p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong>Diogo Tomaz </strong> é professor e mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, ilustrador quanto tem tempo e headbanger a todo momento.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg7_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6944" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/01/2004/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2019 21:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 012]]></category>
		<category><![CDATA[brasil colonial]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Raizza Prudêncio]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Raizza Prudêncio</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão, é uma exposição permanente do Museu Afro Brasil na cidade de São Paulo, localizado no complexo do Parque Ibirapuera. Em meio às discussões sobre a questão do Trabalho no Brasil, e toda a esfera de direitos trabalhistas sendo modificada no momento político em que nós vivemos, é válido ressaltar o acervo, a história e memória que essa exposição nos revela. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Nesse acervo encontramos a reescrita de uma história brasileira, mostrando e valorizando a contribuição negra no desenvolvimento de artefatos e tecnologias que deram sustentação para o sistema escravocrata brasileiro, e que as mazelas de sua estrutura ainda permanecem enraizados em nossa cultura e nas relações de trabalho no Brasil.</p>



<p>Podemos encontrar também a aproximação do conceito de Design para demonstrar como as contribuições dos povos escravizados foram sucateadas a idéia de uma narrativa cultural em que os mesmos não possuíam conhecimento próprio, rompendo com a mesma e valorizando toda uma inteligência e uma preocupação estética na construção projetual no período colonial.</p>



<p>Abaixo algumas imagens do Arquivo Pessoal do Acervo:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/IMG_20190621_164314029.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" data-id="2013" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=2013" class="wp-image-2013" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/IMG_20190621_164518321-2.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" data-id="2014" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=2014" class="wp-image-2014" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/IMG_20190621_165258491.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" data-id="2015" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=2015" class="wp-image-2015" /></figure></li></ul>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Raizza Prudêncio</strong> é graduada em Artes e Design pela Universidade Federal de Juiz de Fora e graduanda em Design Gráfico e Design de Produto<em>&nbsp;</em>pela Universidade Federal de Juiz de Fora.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Quer receber as próximas edições da Trama por e-mail? Cadastre-se e receba gratuitamente!</p>





<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/06d43-lacunas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1764" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91ea2-rafael-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1777" data-recalc-dims="1" /></figure>
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		<title>Processo civilizatório?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/06/11/processo-civilizatorio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 00:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 001]]></category>
		<category><![CDATA[atlântico negro]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[PROCESSO CIVILIZATÓRIO]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Tarcísio Greggio</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No último dia 13 de maio, o Memorial da República Presidente Itamar Franco inaugurou a exposição “Reminiscências: danças populares e processo civilizatório no Brasil”. </p>



<p>Com fotografias, textos, esculturas e vídeos, a exposição reúne uma pequena mostra da riqueza política, cultural e estética dos muitos cortejos, alguns dos quais centenários, ainda hoje espalhados pelo interior do país, assunto cuja beleza só rivaliza mesmo com sua importância para a experiência histórica brasileira. </p>



<p>O texto abaixo integra a exposição.</p>



<p><strong>Processo civilizatório ?&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9cc4a-fazenda.jpg?resize=817%2C630&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-134" width="817" height="630" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9cc4a-fazenda.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9cc4a-fazenda.jpg?resize=300%2C232&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 817px) 100vw, 817px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Sem título, c. 1865, Rio de Janeiro. Georges Leuzinger. Instituto Moreira Salles. Reprodução</em></figcaption></figure>



<p style="text-align:left"><em>por: Tarcísio Greggio</em></p>



<p class="has-drop-cap">O conceito de civilização como processo de refinamento de condutas e realizações culturais é uma novidade do século XVIII, resultado de uma série de tensões históricas e linguísticas, as quais, naturalmente, merecem um texto à parte. A palavra,&nbsp; no entanto, deriva do latim civilis &#8211; isto é, o que diz respeito ao cidadão &#8211; e, apesar dos diferentes contextos históricos nos quais se inscreve, o uso que gregos e romanos fizeram termo civilização parece ter sobrevivido à ação do tempo: bárbaro é o outro!&nbsp;</p>



<p>No correr do século XIX, em contato com o ideal de progresso, a noção de civilização ajudou a parir o conceito de raça, tão abjeto quanto o século XX não deixa esquecer, para finalmente encontrar, a serviço da mais pura barbárie, o paroxismo de sua instrumentalização. Mas essa já é a história de nosso tempo, em dia com as reminiscências por meio das quais, em cada uma de suas escolhas, essa exposição procura fazer a memória de nossos esquecimentos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6473-senhora-na-liteira.jpg?resize=742%2C445&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-135" width="742" height="445" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6473-senhora-na-liteira.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6473-senhora-na-liteira.jpg?resize=300%2C180&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 742px) 100vw, 742px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Sem título, c. 1860, Bahia. Autor desconhecido. Instituto Moreira Salles. Reprodução</em></figcaption></figure>



<p>Caravelas portuguesas à frente, os europeus travaram contato com dois mundos inteiramente novos, inteiramente outros, aos quais restou, contra o peso de seu passado milenar, a violência da colonização &#8211; do latim colonus, pessoa instalada em um lugar novo -, essa sim uma palavra que teve de esperar a modernidade para conhecer toda a extensão de seu significado. Europeus e africanos de todas as nações passaram então a dividir a terra de tupiniquins, tupinambás, tamoios, caetés, potiguaras e tabajaras e, num par de séculos, viram nascer o que talvez tenha sido o maior mercado de escravos que o mundo já conheceu.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" width="600" height="800" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/437a0-mina.jpg?resize=600%2C800&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-136" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/437a0-mina.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/437a0-mina.jpg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Sem Título, c. 1885, Minas Gerais. Marc Ferrez. Instituto Moreira Salles. Reprodução</em></strong></figcaption></figure>



<p>Bárbaros, selvagens, feiticeiros, desalmados, inferiores e agora mercadorias, iorubás, cabindas, minas, axantis e tantos outros acabariam por encontrar, nos ecos de sua ancestralidade, os meios de inverter os símbolos que &#8220;legitimavam&#8221; o açoite, evitando, tanto quanto possível, o abismo de tornar-se, nessa terra tão estrangeira quanto sua, um outro de si mesmo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/Cris-4.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-137" /></figure>



<p>História que não deixa de ser a das Congadas, Maracatus, Moçambiques, Reisados e demais folguedos populares que, espalhados sobretudo pelo interior do Brasil, ainda hoje embalam a memória de um passado que insiste em não ceder. É, igualmente, a história de Kimpa Vita, a congolesa de origem nobre cujos milagres, considerados kindoki, decidiram seu destino de herege, e de Chico Rei, o ex-escravo que alforriava os seus e que, segundo consta, está na origem das Congadas em Minas Gerais.&nbsp;</p>



<p>É a história, enfim, de &#8220;todas as gerações do cativeiro, da liberdade, da esperança e a empoderada &#8211; agregadas nas gerações do espetáculo &#8211; [que] se encontram nas festas do tempo presente&#8221; (MONTEIRO, 2016, p. 37).&nbsp;</p>



<p>Bárbaro é o outro!&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>BERT, Jean-François. “Éléments pour une histoire de la notion de civilisation”. Vingtième Siècle. Revue d&#8217;histoire, Paris: Presses de Sciences Po, 2010/2, n° 106., pp. 71-80.&nbsp;</p>



<p>MONTEIRO, Lívia Nascimento. A congada é do mundo e da raça negra: memórias da escravidão e da liberdade nas festas de congada e moçambique de Piedade do Rio Grande-MG (1873-2015)”. Niterói: Universidade Federal Fluminense (tese de doutorado), 2016.&nbsp;</p>



<p>ELIAS, Norbert. Processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1993, 2v.&nbsp;</p>



<p>RODRIGUES, Raymundo Nina. Os africanos no Brasil. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010.&nbsp;</p>



<p><strong>Kimpa Vita&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="522" height="678" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2126f-kimpa-vita.jpg?resize=522%2C678&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-142" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2126f-kimpa-vita.jpg?w=522&amp;ssl=1 522w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2126f-kimpa-vita.jpg?resize=231%2C300&amp;ssl=1 231w" sizes="(max-width: 522px) 100vw, 522px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-drop-cap">Líder de uma seita que ficou conhecida como ‘antonionismo’, movimento religioso com importantes desdobramentos políticos no início do século XVIII, Kimpa Vita é considerada a mãe da revolução africana. Congolesa de origem nobre, Kimpa Vita contava entre “18 e 20 anos quando, acometida de forte doença, disse ter falecido e depois ressuscitado como Santo Antônio [&#8230;]. Africanizando o catolicismo, ‘a Santo Antônio congolesa’ dizia que Cristo nascera em São Salvador, a verdadeira Belém, e recebera o batismo em Nsundi, a verdadeira Nazareth. Afirmava ainda que a Virgem Santíssima era negra, filha de uma escrava ou criada do Marquês de Nzimba Npanghi e que São Francisco pertencia ao clã do Marquês de Vunda [&#8230;]. Organizou para tanto uma verdadeira igreja antoniana, um clero, onde pontificavam outros santos, como São João, e uma plêiade de sacerdotes denominada de ‘os antoninhos’ que saíam a pregar a excelência da nova igreja e o poder taumatúrgico e apostólico ‘da Santo Antônio’ que a chefiava [&#8230;].&nbsp;</p>



<p>Kimpa Vita foi presa, arguida pelo capuchinho Bernardo Gallo e condenada a morrer na fogueira como herege do catolicismo. A sentença foi executada em 1708 e na fogueira arderam Kimpa Vita e seu ‘anjo da guarda’ &#8211; o Santo Antônio e o São João do catolicismo congolês”.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>VAINFAS, Ronaldo &amp; SOUZA, Marina de Mello e. “Catolização e poder no tempo do tráfico: o Reino do Congo da conversão coroada ao movimento antoniano, séculos XV-XVIII”. Niterói. Revista Tempo, nº 6, 1998, pp. 95-118, p. 106-107.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b3b64-220px-negro_do_congo_-_litografia_de_m._rugendas_-_seculo_xix..jpg?resize=276%2C368&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-138" width="276" height="368" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Negro do Congo &#8211; <em>Litografia de M. Rugendas</em> &#8211; século XIX.</figcaption></figure></div>



<p><strong>Chico Rei&nbsp;</strong></p>



<p class="has-drop-cap">“As explicações para as origens do ritual do congado em Minas Gerais, segundo relatos orais e escritos, enfatizam os temas do aparecimento de Nossa Senhora do Rosário no ‘mar’, numa ‘gruta’, numa ‘lapa’ ou num ‘barreiro’, nos tempos antigos da escravidão, e o papel de um Rei Africano que contam ter se tornado muito conhecido em Vila Rica pela alcunha de Chico Rei &#8211; e cujo nome de batismo cristão ora é relatado como Francisco da Natividade, Francisco Lisboa da Anunciação ou ainda Francisco Lázaro. Esta personagem ‘lendária’ é descrita como um rei tribal congolês que foi trazido para o Brasil como escravo e levado para as Minas Gerais, onde, forçado a trabalhar na lavra de ouro, conseguiu com esforço braçal comprar a sua liberdade. Além disso, com astúcia e a solidariedade dos ‘irmãos de mesa’ da Irmandade religiosa da qual se tornou membro, também logrou alforriar tantos outros cativos. Este ato heróico valeu ao ex-escravo a coroação simbólica como Rei Congo do Brasil, e a oportunidade de promover a primeira ‘festa do congado’, em homenagem aos santos católicos padroeiros da Irmandade e protetores dos africanos e dos seus descendentes, e também em louvor à maior divindade da cosmovisão africana congolesa: ‘Zambi-Apungo’”.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>SILVA, Rubens Alves da. “Chico Rei Congo do Brasil”. In: SILVA, Vagner Gonçalves da (org.). Imaginário, Cotidiano e Poder: Memória afro-brasileira. São Paulo: Selo Negro Editores, 2007, pp. 43-86, p. 45</p>
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