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	<title>Arquivos escrita - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O verão de 85</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/06/18/o-verao-de-85/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jun 2023 18:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 168]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta]]></category>
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		<category><![CDATA[insólito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Irka Barrios</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Com uma trajetória premiada, autora gaúcha prepara três novos livros e organiza nova coletânea; escritora evidencia as temáticas do corpo e da sexualidade das mulheres em suas obras, enxergando a arte como expressão e luta, em sintonia com os horrores dos tempos atuais</em>. </p>



<p>Se a escritora Irka Barrios (<a href="https://www.instagram.com/irkabarrios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@irkabarrios</a>) pudesse resumir suas personagens em uma frase, responderia que são sempre mulheres em estado de fuga. Abordando<strong> corpo e sexualidade como temas centrais de suas obras</strong>, a escritora se consolida na literatura latinoamericana escrita por mulheres que se segmentam nos estilos que bebem do<strong> insólito, do terror e do horror</strong>.&nbsp;</p>



<p>“Nós, mulheres, precisamos nos manter vigilantes. Todos os dias. Criar e nos manter vigilantes, criticar e nos manter vigilantes. A arte está aí como expressão e luta, em sintonia com os horrores de nossos tempos”, frisa Irka, que já venceu os <strong>Prêmios Brasil em Prosa (Amazon/Jornal O Globo, 2015) e Odisseia da Literatura Fantástica (2022) e foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020 </strong>com seu romance de estreia, “<a href="https://www.caoseletras.com/lauren/p" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lauren</a>” (2019, 228 pág.), publicado pela Caos &amp; Letras.&nbsp;</p>



<p><strong>Atualmente, Irka prepara mais dois romances e um livro de contos, todos em negociação com editoras. Também organiza a coletânea </strong><a href="https://www.catarse.me/incorpa" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>“In Corpa”</strong></a><strong>, financiada coletivamente e com previsão de lançamento pela editora O Grifo para maio.</strong></p>



<p>Já na obra mais recente da escritora, a<a href="https://loja.umlivro.com.br/jupiter-marte-saturno-6247479/p#description" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> “Júpiter, Marte, Saturno”</a> (104 pág.), lançada em 2022 pela editora Uboro Lopes, Irka apresenta 14 narrativas que transitam no contexto “do fantástico, do invertido, do maravilhoso, do sobrenatural”, como define a escritora mineira Adriane Garcia, que assina a orelha. O livro —que inclui o conto “O coelho branco” <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/livros/o-coelho-branco-de-irka-barrios-17408277" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(leia na íntegra)</a>, vencedor do Prêmio Brasil em Prosa &#8211; Amazon, em 2015 — também conta com textos de Morgana Kretzmann e mariam pessah para a quarta capa.&nbsp;</p>



<p>“Júpiter, Marte, Saturno é um passaporte de viagem para um mundo expandido, um portal que só a imaginação pode abrir e, ao mesmo tempo, traz personagens reais, em situações fincadas na sociedade, cultura e política reconhecidas como nossas”, para a autora, o romance foi mais desafiador para escrever porque desejava que a obra tivesse elementos do terror, que a história se passasse no Brasil atual e que tratasse de questões sexuais de uma adolescente. &#8220;Foi a minha terceira escrita de romance, e a que resultou num livro com condições de ser publicado”, revela. “Já os contos são de diversas épocas, eu tentei unir os que melhor conversavam. O romance, em minha criação, veio primeiro, o conto depois. Mas o conto, a forma com que ele se manifesta, é mais natural em mim.”&nbsp;</p>



<p><strong><em>Confira um trecho do conto “<strong>O verão de 85</strong></em></strong> <strong>&#8220;</strong></p>



<p>O caso era que havia, dentro do terreno de um próspero fazendeiro, um açude onde proliferaram peixes carnívoros. Ninguém sabia a origem e nenhum biólogo se interessou a estudar o fenômeno. Ou se interessou e não houve recurso da universidade. Naqueles anos não existiam muitas universidades, as informações eram precárias, os boatos corriam, assumindo um tom de verdade difícil de contestar. Uns diziam que eram criaturas escuras, de deslizantes corpos alongados e guelras pegajosas que se abriam ao largo, enormes, feito asas. Outros diziam que os peixes possuíam duas ou três camadas de dentes afiadíssimos e maxilares que se fechavam num encaixe perfeito, para nunca mais abrir. Alguns defendiam a teoria que os bichos nada mais eram que descendentes de um réptil pré-histórico que sobreviveu aos milênios evolutivos e encontrou as condições necessárias naquela água lodosa. E havia, ainda, os mais entusiastas, bairristas ao extremo, que insistiam que os bichos eram originários de uma cruza de peixe com cobra, uma espécie ainda não catalogada, exclusiva do açude do seu Darlan. Mas todos, absolutamente todos concordavam quando o assunto era o ataque das criaturas. Um desavisado que resolvesse pescar ou molhar os pés ali jamais sobrevivia. Os animais destroçavam o corpo em segundos. A coisa era tão feia que os parentes optavam por realizar os enterros com caixão lacrado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Brincávamos naquelas terras, mas nunca nos aproximávamos do açude. Algumas vezes a curiosidade nos tomava de assalto e jogávamos pedras, a partir de uma distância bem calculada. Espiávamos de longe a movimentação da superfície, cada um com seu palpite sobre a forma e o tamanho das criaturas. Alimentavam-se do quê? Dos bois e cavalos que paravam para beber água? De pássaros, lagartos? Ou tinham reservas no corpo, como as cobras, que se alimentam e demoram meses digerindo a presa?&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Era dezembro, início do verão de 85, quando nossa curiosidade tomou as proporções mais elevadas. Alguém contou para outro alguém que os peixes haviam destroçado uma nova vítima e que desta vez não havia restado um pedaço sequer. Devoraram tudo. Não poderíamos perder mais tempo, precisávamos ver, investigar, descobrir. Organizamos um grupo, juntamos pacotes de salgadinhos, duas garrafas térmicas com limonada, seis sanduíches de presunto e queijo, e montamos guarda nas proximidades do açude. Roubamos uma fita e medimos dez metros de distância a partir da margem. Sabe-se lá, talvez por conta de algum relato mais preciso, achávamos que os peixes conseguiam saltar essa distância durante o dia. Combinamos que a cada duas horas um novo olheiro deveria se apresentar no posto de observação. Mas o fascínio era tanto que ninguém queria arredar o pé da guarita improvisada. Só aceitávamos desmontar acampamento e ir para casa quando anoitecia. Vai que os monstros criassem patas e saíssem para se alimentar durante a noite?&nbsp;</p>



<p>Após quinze dias de observações frustradas, peles ardidas e rostos descascados pela onipresença do sol de dezembro, uma tempestade mudou o rumo de nossos trabalhos. Perdemos um dia inteiro de investigação e quando tentamos retornar ao local, o terreno todo havia se modificado. Um enorme pântano se formara, impedindo-nos de caminhar na direção do açude. Resignados, subíamos no portão da casa do seu Darlan e espiávamos a vasta extensão de terras alagadas.&nbsp;&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Irka Barrios</strong> (<a href="https://www.instagram.com/irkabarrios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@irkabarrios</a>) </p>



<p>é Doutoranda em Escrita Criativa. Venceu os Prêmios Brasil em Prosa (Amazon/Jornal O Globo, 2015) e Odisseia da Literatura Fantástica (2022). Seu romance “Lauren” foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020. Escreve para a Revista Ventanas, Ministra Oficinas na GOG, atua no Coletivo Mulherio das Letras e é mediadora do Clube de Leitura Escuro Medo. Organizou as coletâneas “O Novo Horror”, “Vigílias”, “Tudo soma zero” e “In Corpa”&nbsp;</p>
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		<title>Pensamentescrita: crônica, notas de passagem </title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/10/16/pensamentescrita-cronica-notas-de-passagem/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2022 18:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 142]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diego Esteves</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há algo em Gilbert Simondon que me anima a leitura e solicita-me a escrita. Digo Simondon, este filósofo francês que, por hora, seus textos estudo, mas poderia dizer Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo brasileiro cujo <em>Metafísicas Canibais</em> também tem sido objeto de leitura e escrita, assim como <em>Exercícios de bioenergética</em>, do terapeuta Alexander Lowen. O que importa é que essas leituras me levam a escrever, e isto é digno de nota: penso que cabe a nós, aqueles e aquelas que por um motivo ou outro escrevem, tentar compreender esta força que nos move os pensamentos; sobretudo no que estes pensamentos são elaborados no seu decurso textual, isto é, pela escrita que possibilita certos pensares. Mas como compreender esta força insuspeita que nos move a cada vez? Digo força, pois desconfio que se trata mais de uma expressão e seus efeitos (físicos) do que do conteúdo e suas causas (abstratas).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Bem dizer, talvez seja o modo desconcertante – ao menos para um leitor acadêmico brasileiro médio do século XXI (seja lá o que isto signifique) – de como Simondon escreve, afirmativo, discorrendo sobre a problemática eleita, praticamente sem citar ninguém, sem referenciar origens, sem localizar o meio e o fim. Eu, leitor sempre na iminência da escrita (inicialmente na borda do livro), sinto estar lidando com um fluxo de pensamentos (que em determinado momento já não sei se é dele ou meu). Eminente solicitação de escrita que resulta, de modo análogo, do encontro com o conceito de perspectivismo, retomado por Viveiros de Castro de Gilles Deleuze (que, por sua vez, o toma de Leibniz). São citações, recitações, suscitações e ressuscitações que povoam os pensamentos e produzem excitações corporais que, por sua vez, engendram uma dinâmica pensar-escrever. Poderia também citar a ideia, presente no texto de Lowen, de que um corpo saudável é um corpo vibrante, convergindo-a com a especulação, de minha parte, de que estes textos repercutem no corpo da leitura, fazendo-o vibrar, numa dinâmica transdutiva que vai do olho ao pensamento e deste à mão que escreve.&nbsp;</p>



<p>Se tais textos me animam (diria que movem minha alma, se não soasse clichê) é por haver, penso, um incerto ponto de encontro justamente ali onde a escrita se conjura com o pensamento. Tecnicamente falando, a escrita aqui não opera como meio de comunicação, outrossim, ela informa o pensamento – torna-o capaz de ser pela dramaturgia do texto – e o formaliza em grafia – trans-forma: isto é, transduz o informe do pensar na forma da letra. Tecnologicamente, não se trata de informação e comunicação, mas de experimentação e composição.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Na sua tese principal, <em>A individuação à luz das noç</em><em>ões</em><em> de forma e informação</em>, lá pela página 500 (se me lembro bem), Simondon distingue o técnico do especialista. O primeiro, segundo ele, cumpre uma função na sociedade que é a de acessar algo no indivíduo técnico que não é possível aos demais – que ignoram o modo de existência destes objetos técnicos –, e que, não sendo capaz de compreendê-los, podem apenas, quando muito, manejá-los. O técnico é o oposto do “indivíduo comum”, no sentido de que ele vê, nos artefatos tecnoculturais, por assim dizer, aquilo que os segundos são incapazes de notar – menos ainda de entender. Eis aqui uma pergunta que me ocorre agora: seria a ferramenta, como é costume afirmar, uma extensão do humano ou, ao contrário, seria este humano, ignorante de sua história tecnológica – de si em sua constituição social pela lógica da técnica –, uma extensão da ferramenta? Pois, se ele é conjurado pelo trabalho que executa, e pelos dispositivos técnicos que &#8220;consome&#8221;, sendo alheio ao devir do sistema no qual se insere, não é tão ferramenta quanto as demais? É o tal do recurso humano. De sistema, leia-se capitalista: simplificando, é bem verdade, a problemática enunciada, mas que nos vale para evidenciar o destaque que a técnica ganha no pensamento simondoniano (atualizado no pensamento da minha leitura, dos meus estudos e escritas).&nbsp;</p>



<p>O especialista, por outro lado, é aquele que segue protocolos, intervém como um repetidor de gestos, antevê modelos e prevê sua réplica. O especialista segue informações, no sentido de sinais que precisam ser replicados, conforme os manuais – daí a tão anunciada &#8220;profissão do futuro&#8221;, aos trabalhadores da tecnologia da informação e comunicação. O técnico, em contraponto, segue a informação, no sentido simondoniano, como a tomada de forma: segue a individuação em seu devir. Um técnico age pelas evidências, segue os indícios do devir do indivíduo técnico que tenta, por ocasião, consertar. Ele é também uma espécie de detetive ou médico, pois que projeta uma cura – ou o conserto – pela semiótica própria à tecnicidade com a qual lida, ou, no caso do indivíduo humano, a organicidade, seus órgãos e sistemas – de acordo com o <em>viés</em> anatomofisiológico. Mas assim como há, para seguirmos com a distinção, o médico técnico, que segue indícios e denota uma causa prévia no devir da complexidade de um corpo humano, há aquele que é especialista, seguindo protocolos: se há febre ele indica um antitérmico, e isto deve bastar. O técnico assume uma consciência da historicidade daquele corpo, o especialista resolve o problema tal qual lhe aparece, em sua emergência. Não há, assim, no especialista, a necessidade de se conectar com o corpo do paciente em sua singularidade, em sua complexidade individual, cabendo lidar com sua especificidade, como espécie humana. Os protocolos garantem tanto uma suposta isonomia quanto projetam uma impessoalidade. Pouco importa se o corpo vibra, desde que não tenha dor. Mas como viver sem dor numa sociedade que adoece?&nbsp;</p>



<p>Nós, humanos, compartilhamos a agência no mundo com estes corpos técnicos. Coagidos a agir, muitas vezes.&nbsp; Mas e o que isto tem a ver com a escrita de Simondon e minha leitura dela? Intuo ter algo a ver com uma espécie de crônica do pensamento. Me parece que Simondon, como filósofo, devém técnico: isto é, não segue protocolos de uma escola filosófica, nem afirma ser detentor de amplo arcabouço teórico – obrigação de um bom especialista. Seu movimento de escrita parece seguir os processos de individuação – sobre a individuação e em individuação –, em sua tese principal, e a semiótica da tecnicidade em seu processo histórico e seus efeitos contemporâneos, na sua tese complementar – <em>Do modo de existência dos objetos técnicos</em>. Cabe notar que indivíduos e técnicas agem em reciprocidade, entremeios no qual ocorrem transduções, uma vez que a individuação – ao menos no âmbito social – se dá num meio tecnogeográfico que definimos, socialmente, como os espaços da indústria, do laboratório, do comércio, da escola, da universidade. Nosso corpo é conjurado pelo meio tecnogeográfico no qual se constitui, no território no qual faz casa, faz vida, faz mundos – e os faz pelas técnicas.&nbsp;</p>



<p>Talvez o que eu esteja aqui fazendo é argumentar, usando Simondon como um aliado, em prol de uma crônica do pensamento-escrita (num envolvimento indiscriminado pensamentescrita), no sentido de que ela (a escrita que nota o pensamento) se dá no âmbito do cotidiano. Escritoras e escritores deste naipe, que notam o dia-a-dia (dos textos dos livros aos contextos do mundo), precisam lidar com as imprevisões do porvir, com o inesperado, e mesmo com o imponderável. Escritores e escritoras deste naipe, meio curingas que são, não disfarçam as dúvidas, hesitações e os fracassos – muito pelo contrário, às vezes os enaltecem. Numa sociedade de especialistas, que aparecem por seu suposto sucesso – e consequente número de &#8220;seguidores&#8221; –, estes outros, <em>Jokers</em>, jogam enquanto desaparecem sob a máscara que performam. As escritas ficam, mas eles são passageiros: insurgem aqui ou acolá, mas logo desaparecem, não há rostos nas <em>selfies</em>. Assumem uma perspectiva, que não é a do sujeito, mas a do lugar de observação, a vista de um ponto – e não o ponto de vista. Rechaçando opiniões, alheios às comunicações informativas, assumem um lugar da escrita (mais certo é dizer que são assumidos por tal lugar), não necessariamente um lugar de fala: anotam aquilo que notam, deixam <em>grafos</em> desta passagem e seguem passando. É uma espécie de hodografia: uma escrita do caminho.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A crônica, como gênero, lida com o passar do tempo (com a cronologia da vida, daí seu nome). Passagem esta que é ocupada pelo pensamento que se atualiza em técnicas de escrita, sendo estas possibilitadas por indivíduos técnicos: do papel e caneta, computador ou celular, da cadeira do escritório, banco da praça ou da cafeteria. Pensamentescrita, neologismo de pouco charme: seria uma pensar a mente pela escrita? Talvez, desde que a mente não seja sinônimo de cérebro, mas repouse no coração, conforme se diz no <em>Yoga Sutras</em> de Patanjali. Não somos intelectuais, somos corporais, numa composição heterogênea mais ou menos improvável, engendrados pelas coisas, pelas tecnologias, pelo cosmos, pelo caosmos.&nbsp;</p>



<p>Há muito para ser visto, e muito disto é imprevisto: precisamos de uma ciência da imprevisão. Nos dotarmos de uma atenção aos cantos: para que metaversos se há tantos infraversos que nossa desatenção não nota? Assumir nossa frágil condição, percebendo que somos coagidos por uma sociedade do consumo e do cansaço, que convoca nossa atenção para todo tipo de processo especializado. Assumir que somos ridículos, isto é, passíveis de riso, e começar por aí, pelo meio. Uma crônica (filosófica?) do pensamento, neste sentido, teria algo a ver com o ensaio, mas seria potencialmente mais irreverente, temperada com ironia. A ironia sendo esta espécie de distância de si e do acontecimento, que faz da crônica um pensar sobre o próprio pensar, tomado por uma força extática, num distanciamento que nos coloca por dentro. Somos, nós, exógenos. Já não importa quem é que lê Simondon (ou Viveiros de Castro, ou Lowen, ou Patanjali): quem escreve, em reciprocidade com a leitura, é o pensamento e a técnica – o indivíduo é passageiro na individuação. </p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Diego Esteves</strong> é artista, professor e pesquisador. É doutorando em Educação pela UFRGS, graduado em Educação Física &#8211; UNISC e estudante de História &#8211; UFPel/UAB. É fundador do Núcleo de Experimentações Cênicas e Transversalidades &#8211; NECITRA (<a href="https://necitra.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://necitra.com</a>), da Canto &#8211; Cultura e Arte (<a href="https://canto.art.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://canto.art.br</a>) e cofundador do UNOEGO &#8211; criações transmídia (<a href="http://unoego.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://unoego.com</a>). Tem pesquisado e publicado sobre educação, escrita, poética,&nbsp; técnicas,&nbsp; tecnologias, jogos, improvisação, experimentações e composições.&nbsp;</p>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://www.instagram.com/vianablack/"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/VIANA.png?resize=94%2C113&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26893" width="94" height="113" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/VIANA.png?w=335&amp;ssl=1 335w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/VIANA.png?resize=249%2C300&amp;ssl=1 249w" sizes="(max-width: 94px) 100vw, 94px" data-recalc-dims="1" /></a></figure></div>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://www.instagram.com/atenabookstore/"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/atena-logo-transparente.png?resize=74%2C71&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26891" width="74" height="71" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/atena-logo-transparente.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/atena-logo-transparente.png?resize=300%2C287&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/atena-logo-transparente.png?resize=768%2C735&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 74px) 100vw, 74px" data-recalc-dims="1" /></a></figure></div>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><a href="https://www.instagram.com/cafe.libertas/"><img loading="lazy" decoding="async" width="842" height="595" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/libertas_logo_Transparente.png?resize=842%2C595&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26892" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/libertas_logo_Transparente.png?w=842&amp;ssl=1 842w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/libertas_logo_Transparente.png?resize=300%2C212&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/libertas_logo_Transparente.png?resize=768%2C543&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" data-recalc-dims="1" /></a></figure></div>
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		<title>A Escrita como Processo Criativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2019 20:13:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 009]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[processo criativo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bodoque Artes e ofícios</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nos videos anteriores da série da Bodoque sobre o ato criativo, vimos o que é de fato a criatividade e demonstramos 05 maneiras como você pode ser mais criativo.</p>



<p>Hoje, abordaremos a importância da escrita para esse processo, e sua contribuição para o desenvolvimento intelectual do ser humano!</p>



<p>Confira o vídeo clicando <a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1cPYLn-ZG4">aqui!</a></p>



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<p><strong>A Bodoque Artes e ofícios</strong> é um atelier de encadernação artística, restauro e soluções artesanais criativas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>Solidão, Artistas e Pessoas Altamente Sensíveis</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/07/07/solidao-artistas-e-pessoas-altamente-sensiveis/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jul 2019 18:48:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 004]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[ghost writer]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[solidão]]></category>
		<category><![CDATA[writer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Enrique Coimbra</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por: Enrique Coimbra</em></p>



<p class="has-drop-cap">Você passa dias trancado, escrevendo ou criando no seu ateliê, a ponto de&nbsp;nem&nbsp;perceber o sol morrendo do lado de fora? Prefere a companhia da arte aos papos efêmeros dos relacionamentos sociais?&nbsp;</p>



<p>Você não tá sozinho – ao menos não dessa vez.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Além de escrever artigos como&nbsp;ghost-writer, escrevo, reviso, produzo&nbsp;<a href="http://www.enriquecoimbra.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">e lanço livros independentes na internet</a>, e também mantenho&nbsp;<a href="http://youtube.com/enriquesemh" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o canal Enrique Sem H</a>&nbsp;com vídeos semanais que vão desde minimalismo e viagens, à depressão, bem-estar e comportamento – o que significa que de segunda a segunda passo entre 6 e 16 horas por dia de frente pro computador, criando arte e conteúdo&nbsp;<em>sozinho</em>.&nbsp;</p>



<p>Apesar de ter bons amigos, nossos encontros não são frequentes porque&nbsp;tô&nbsp;sempre ocupado com um projeto que me inflama de paixão, e por cima disso fica a frustração de não ter dentre esses amigos&nbsp;<em>nenhum</em>&nbsp;que trabalhe com arte, internet ou criação – o que significa que além de me sentir solitário, também me sinto&nbsp;<em>isolado</em>.&nbsp;</p>



<p>Esse assunto é tão alienado que só de comentar da ponta desse iceberg numa conversa de bar, sou abordado imediatamente com a pergunta de um milhão de dólares:&nbsp;</p>



<p><em>“Se a solidão te incomoda, por que você não sai mais?”</em>&nbsp;</p>



<p>E então preciso respirar fundo e explicar rápido, de um jeito resumido, pra não perder a atenção dos meus interlocutores:&nbsp;</p>



<p><em>“A solidão não me incomoda, gosto de estar só. O que me incomoda é ser tão apaixonado pelo que faço, pelos mundos que invento, pelas informações que compartilho, que fico triste por não ter um amigo próximo que esteja tão atolado no vício de criar quanto eu. Fico incomodado por sentar numa mesa de bar pra falar de coisas que vão desaparecer da sua cabeça depois de algumas horas, em vez de estar trocando experiências sobre nossos próximos textos, ou de estarmos inventando alguma coisa mágica juntos.”&nbsp;</em>&nbsp;</p>



<p>É sério, a solidão não me incomoda. O que incomoda é sentir que sou a única pessoa num raio de centenas de quilômetros fazendo o que faço – ou curtindo um tipo de prazer que não é fácil de dividir, que não é um entretenimento popular (nem um “entretenimento” de maneira alguma).&nbsp;&nbsp;</p>



<p><em>“Por que não faz amigos artistas na internet? Por que não procura grupos de escritores online?”</em>&nbsp;</p>



<p>Porque companhia virtual é o que já tenho: bato ótimos papos com meus clientes (pra entender que tipo de texto querem que eu produza), tenho meus personagens e as insanas aventuras que me arrastam pra viver com eles dentro do computador, e falo frequentemente com várias das 200 mil pessoas que seguem meus vídeos.&nbsp;</p>



<p>Pra um artista,&nbsp;<em>pra</em>&nbsp;<em>solidão</em>&nbsp;<em>de um artista</em>, o mundo virtual não é suficiente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A fisicalidade; a materialidade de um relacionamento – os olhares, os tons da conversa, as falas do corpo&nbsp;–&nbsp; é&nbsp;insubstituível pra quem se alimenta de (e é dado de alimento para as) experiências humanas.&nbsp;</p>



<p>A solidão do artista é diferente da solidão dos mortais: ela não é ruim, nem boa – mas é constante. E dela nascem não só as frustrações esperadas desse substantivo (assustador pra maioria), mas também grande parte do que torna cada criador único; do que torna cada expressão de arte&nbsp;<em>singular</em>.&nbsp;</p>



<p>Alguns estudiosos vão além e afirmam que a solidão é requisito básico para enorme parte dos líderes bem-sucedidos, dos gênios indomáveis e, indiscutivelmente, dos artistas mais significativos da história. Por quê? Porque o cérebro dessas pessoas funciona num ritmo que não é melhor nem pior que o ritmo dos outros – mas que funciona de um jeito&nbsp;<em>introspectivo</em>.&nbsp;</p>



<p>Posso falar por mim, que além dos dramas de ser o único escritor-criador da minha região carioca – ao menos o único que usa isso como fonte integral de renda e se mantém público na internet – sou o que estão chamando de “pessoa altamente sensível”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Basicamente a maioria dos artistas que você ama e admira é (ou foi) o que o os norte-americanos chamam de&nbsp;<em>highly&nbsp;sensitive&nbsp;person</em>, ou, na língua dos cientistas, alguém que tem “transtorno de sensibilidade sensorial” – pois é, artistas são mesmo&nbsp;<em>transtornados…</em>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quem tem um cérebro “hipersensível” sente as coisas com intensidade tão exclusiva que o mundo interior dessa pessoa acaba sendo muito mais interessante que o mundo exterior que conhecemos.&nbsp;</p>



<p>Gente altamente sensível também é muito mais afetada pelas artes, se sente sobrecarregada por informações com facilidade, tem dificuldade de realizar tarefas quando são observadas, é consciente sobre as sensações do corpo, é capaz de observar as menores mudanças no ambiente em que vive, e é capaz de transformar coisas ordinárias em grandes experiências filosóficas, profundas e existenciais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Se identificou?&nbsp;</p>



<p>A causa dessas sensações intensificadas tá no sistema nervoso, que é facilmente excitável – não só pelos dramas e belezas no comum, mas também pelo excesso de barulho ou de luz, por exemplo – e também tá na hiperatividade da região insular do cérebro, o que explica a percepção aumentada e a sensibilidade física de maneira geral.&nbsp;</p>



<p>Além de grandes artistas, empatas, e ótimas pessoas pra conversar, quem possui esse traço também tem pré-disposição a depressão e ansiedade descontrolada, o que pode estar ligado à baixa produção de serotonina nesse organismo em constante alerta e questionamento.&nbsp;</p>



<p>Ou seja, a solidão de alguém envolvido com arte pode ser dolorosa não pela solidão em si, mas&nbsp;pela&nbsp; sensação&nbsp;de impotência ou pela falta de compreensão das outras pessoas sobre as coisas que um artista sente diferente – com mais consciência e imersão. Por isso é mais fácil pra alguém assim focar na criação, no trabalho, do que desperdiçar energia alimentando a esperança de encontrar um “igual” pra dividir esse fardo em algum momento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Sobra pro artista viver nessa dimensão particular sozinho, analisando o que é percebido e sentido, para enfim cuspir numa obra o excesso de informações e diálogos internos, convertendo um elemento emocional num elemento físico de um jeito que permita aos outros verem de relance um pedaço do universo que esse artista decifra em isolamento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>E até hoje há quem diga que viver de arte é coisa de vagabundo preguiçoso… É&nbsp;mole?!&nbsp;</p>



<p>Se a solidão é parte inerente da sua rotina – e se ela te incomoda – continue fazendo o que você tem feito: crie coisas!&nbsp;</p>



<p>Uma vez pronta, uma obra de arte comunica com assertividade tudo aquilo que até então você nem sabia como falar. Se não for suficiente, dê um passo além e tente identificar e reunir os artistas da sua região. Não é tarefa fácil, mas a companhia de outros artistas sempre pagará o esforço inicial, vai por mim.&nbsp;</p>



<p>O principal é entender que assim como o labor do educador depende do convívio com outras pessoas pra se suceder, o labor do artista depende de um relacionamento intenso consigo. É uma soma básica.&nbsp;</p>



<p>Como supostamente Henri&nbsp;Lacordaire&nbsp;disse:&nbsp;</p>



<p><em>“É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas e anima o gênio.”</em>&nbsp;</p>



<p>Apesar de odiá-la quando há muito pra ser dividido, comentado e sentido apenas por mim, é graças à solidão que encontro novos caminhos no labirinto obscuro da mente – e de lá eu volto à superfície com mais de mil novas histórias pra contar.&nbsp;</p>



<p>E você? O que você traz dos mergulhos ao seu abismo?&nbsp;</p>
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		<title>Dois Poemas Praianos</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 01:14:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Fred Spada</p>
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<p><em>por: Fred Spada</em></p>



<p>    ARREBOL</p>



<pre class="wp-block-verse">Caminhas como quem pisa a areia e não sente o peso do mundo. <br>Úmida ainda, pouco ou nada permite gravar em si dos passos<br>que sobre ela dás enquanto segues o contorno do mar.<br>Os pés, todavia, marcam o ritmo da tua solidão,<br>e enquanto o sol se põe só o marulho habita a costa<br>e o teu coração. <br><br><br>***</pre>



<pre class="wp-block-verse">BEIRA MAR<br><em>             para Camila Assad</em></pre>



<pre class="wp-block-verse">já não recordava a última vez<br>em que tinha pisado a areia de uma praia,<br>mesmo indo com frequência ao Rio há alguns anos.<br>hoje, enquanto caminhava pelo calçadão de Ipanema,<br>me lembrei do que você me havia dito<br>em uma de nossas primeiras conversas:<br>que as pessoas em São Paulo não pisam a grama<br>– e eu confessava que fazia tanto tempo ou mais<br>que pusera os pés descalços na grama verde.<br>então tirei tênis e meia e fui sentir a areia novamente,<br>enquanto o sol se punha<br>por detrás do morro Dois Irmãos.<br>não era grama, não entrei no mar,<br>sequer molhei os pés,<br>apenas o pôr-do-sol ficou guardado na fotografia.<br>ainda assim<br>há muita vida<br>nessas pequenas experiências sensoriais.</pre>



<p>__________<br>FRED&nbsp;SPADA&nbsp;é poeta, tradutor e editor das Edições Macondo.</p>
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