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	<title>Arquivos fantasia - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 18 Jun 2023 15:33:15 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O verão de 85</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jun 2023 18:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 168]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta]]></category>
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		<category><![CDATA[insólito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Irka Barrios</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/06/18/o-verao-de-85/">O verão de 85</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Com uma trajetória premiada, autora gaúcha prepara três novos livros e organiza nova coletânea; escritora evidencia as temáticas do corpo e da sexualidade das mulheres em suas obras, enxergando a arte como expressão e luta, em sintonia com os horrores dos tempos atuais</em>. </p>



<p>Se a escritora Irka Barrios (<a href="https://www.instagram.com/irkabarrios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@irkabarrios</a>) pudesse resumir suas personagens em uma frase, responderia que são sempre mulheres em estado de fuga. Abordando<strong> corpo e sexualidade como temas centrais de suas obras</strong>, a escritora se consolida na literatura latinoamericana escrita por mulheres que se segmentam nos estilos que bebem do<strong> insólito, do terror e do horror</strong>.&nbsp;</p>



<p>“Nós, mulheres, precisamos nos manter vigilantes. Todos os dias. Criar e nos manter vigilantes, criticar e nos manter vigilantes. A arte está aí como expressão e luta, em sintonia com os horrores de nossos tempos”, frisa Irka, que já venceu os <strong>Prêmios Brasil em Prosa (Amazon/Jornal O Globo, 2015) e Odisseia da Literatura Fantástica (2022) e foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020 </strong>com seu romance de estreia, “<a href="https://www.caoseletras.com/lauren/p" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lauren</a>” (2019, 228 pág.), publicado pela Caos &amp; Letras.&nbsp;</p>



<p><strong>Atualmente, Irka prepara mais dois romances e um livro de contos, todos em negociação com editoras. Também organiza a coletânea </strong><a href="https://www.catarse.me/incorpa" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>“In Corpa”</strong></a><strong>, financiada coletivamente e com previsão de lançamento pela editora O Grifo para maio.</strong></p>



<p>Já na obra mais recente da escritora, a<a href="https://loja.umlivro.com.br/jupiter-marte-saturno-6247479/p#description" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> “Júpiter, Marte, Saturno”</a> (104 pág.), lançada em 2022 pela editora Uboro Lopes, Irka apresenta 14 narrativas que transitam no contexto “do fantástico, do invertido, do maravilhoso, do sobrenatural”, como define a escritora mineira Adriane Garcia, que assina a orelha. O livro —que inclui o conto “O coelho branco” <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/livros/o-coelho-branco-de-irka-barrios-17408277" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(leia na íntegra)</a>, vencedor do Prêmio Brasil em Prosa &#8211; Amazon, em 2015 — também conta com textos de Morgana Kretzmann e mariam pessah para a quarta capa.&nbsp;</p>



<p>“Júpiter, Marte, Saturno é um passaporte de viagem para um mundo expandido, um portal que só a imaginação pode abrir e, ao mesmo tempo, traz personagens reais, em situações fincadas na sociedade, cultura e política reconhecidas como nossas”, para a autora, o romance foi mais desafiador para escrever porque desejava que a obra tivesse elementos do terror, que a história se passasse no Brasil atual e que tratasse de questões sexuais de uma adolescente. &#8220;Foi a minha terceira escrita de romance, e a que resultou num livro com condições de ser publicado”, revela. “Já os contos são de diversas épocas, eu tentei unir os que melhor conversavam. O romance, em minha criação, veio primeiro, o conto depois. Mas o conto, a forma com que ele se manifesta, é mais natural em mim.”&nbsp;</p>



<p><strong><em>Confira um trecho do conto “<strong>O verão de 85</strong></em></strong> <strong>&#8220;</strong></p>



<p>O caso era que havia, dentro do terreno de um próspero fazendeiro, um açude onde proliferaram peixes carnívoros. Ninguém sabia a origem e nenhum biólogo se interessou a estudar o fenômeno. Ou se interessou e não houve recurso da universidade. Naqueles anos não existiam muitas universidades, as informações eram precárias, os boatos corriam, assumindo um tom de verdade difícil de contestar. Uns diziam que eram criaturas escuras, de deslizantes corpos alongados e guelras pegajosas que se abriam ao largo, enormes, feito asas. Outros diziam que os peixes possuíam duas ou três camadas de dentes afiadíssimos e maxilares que se fechavam num encaixe perfeito, para nunca mais abrir. Alguns defendiam a teoria que os bichos nada mais eram que descendentes de um réptil pré-histórico que sobreviveu aos milênios evolutivos e encontrou as condições necessárias naquela água lodosa. E havia, ainda, os mais entusiastas, bairristas ao extremo, que insistiam que os bichos eram originários de uma cruza de peixe com cobra, uma espécie ainda não catalogada, exclusiva do açude do seu Darlan. Mas todos, absolutamente todos concordavam quando o assunto era o ataque das criaturas. Um desavisado que resolvesse pescar ou molhar os pés ali jamais sobrevivia. Os animais destroçavam o corpo em segundos. A coisa era tão feia que os parentes optavam por realizar os enterros com caixão lacrado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Brincávamos naquelas terras, mas nunca nos aproximávamos do açude. Algumas vezes a curiosidade nos tomava de assalto e jogávamos pedras, a partir de uma distância bem calculada. Espiávamos de longe a movimentação da superfície, cada um com seu palpite sobre a forma e o tamanho das criaturas. Alimentavam-se do quê? Dos bois e cavalos que paravam para beber água? De pássaros, lagartos? Ou tinham reservas no corpo, como as cobras, que se alimentam e demoram meses digerindo a presa?&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Era dezembro, início do verão de 85, quando nossa curiosidade tomou as proporções mais elevadas. Alguém contou para outro alguém que os peixes haviam destroçado uma nova vítima e que desta vez não havia restado um pedaço sequer. Devoraram tudo. Não poderíamos perder mais tempo, precisávamos ver, investigar, descobrir. Organizamos um grupo, juntamos pacotes de salgadinhos, duas garrafas térmicas com limonada, seis sanduíches de presunto e queijo, e montamos guarda nas proximidades do açude. Roubamos uma fita e medimos dez metros de distância a partir da margem. Sabe-se lá, talvez por conta de algum relato mais preciso, achávamos que os peixes conseguiam saltar essa distância durante o dia. Combinamos que a cada duas horas um novo olheiro deveria se apresentar no posto de observação. Mas o fascínio era tanto que ninguém queria arredar o pé da guarita improvisada. Só aceitávamos desmontar acampamento e ir para casa quando anoitecia. Vai que os monstros criassem patas e saíssem para se alimentar durante a noite?&nbsp;</p>



<p>Após quinze dias de observações frustradas, peles ardidas e rostos descascados pela onipresença do sol de dezembro, uma tempestade mudou o rumo de nossos trabalhos. Perdemos um dia inteiro de investigação e quando tentamos retornar ao local, o terreno todo havia se modificado. Um enorme pântano se formara, impedindo-nos de caminhar na direção do açude. Resignados, subíamos no portão da casa do seu Darlan e espiávamos a vasta extensão de terras alagadas.&nbsp;&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Irka Barrios</strong> (<a href="https://www.instagram.com/irkabarrios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@irkabarrios</a>) </p>



<p>é Doutoranda em Escrita Criativa. Venceu os Prêmios Brasil em Prosa (Amazon/Jornal O Globo, 2015) e Odisseia da Literatura Fantástica (2022). Seu romance “Lauren” foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020. Escreve para a Revista Ventanas, Ministra Oficinas na GOG, atua no Coletivo Mulherio das Letras e é mediadora do Clube de Leitura Escuro Medo. Organizou as coletâneas “O Novo Horror”, “Vigílias”, “Tudo soma zero” e “In Corpa”&nbsp;</p>
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		<title>Contos de Fadas: Histórias Para Vida Adulta</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/08/18/contos-de-fadas-historias-para-vida-adulta/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 20:36:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 010]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[paixão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Muito me admira a maneira como os contos de fadas dialogam em todas as faixas etárias na vida do ser humano.</p>



<p>É como ver a animação de <em>Toy Story 4</em>, ou ainda Rei Leão, onde os adultos lotaram cinemas para chorar e relembrar as batalhas,  as aventuras da infância e início da adolescência.</p>



<p>No entanto, essas animações não são o melhor da fantasia e nem o mais &#8220;indicado&#8221; para a vida adulta. Poderíamos optar por leituras como as de um grupo de pequenos homens que são impulsionados a salvar uma &#8220;terra de gigantes&#8221;, ou como o sapo que não se torna príncipe mesmo após o beijo.</p>



<p>De certa forma, aqui, o fantástico e a fantasia sempre despertam um ar de nostalgia e de esperança em cada espectador dessas histórias, talvez pelo fato de não termos realizado as fantasias que criamos, ou ainda porque não lidamos bem com os percalços e desgastes da vida adulta, abarrotada de compromissos tediosos e bem abaixo do que podemos &#8211; ou deveríamos &#8211; viver. Será?!</p>



<p style="background-color:#b38300" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Poderíamos dizer que a rotina da vida adulta tem nos tornado insensíveis e desesperançosos de um futuro melhor ou de que teremos um dia melhor em algum momento.</p>



<p>Não falo de <em>coach</em> e nem de pensamento positivo. Falo da perspectiva de que as dificuldades são relacionadas ao mundo fantástico e belo que vivemos, (essa é uma característica que o conto de fadas nos ensina a perpetuar como adultos), vide Senhor dos Anéis de Tolkien, onde temos um mundo de fantasmas e belas criaturas, e, dentro dele, ainda temos caos e desordem.</p>



<p>Se na vida adulta tudo se repete na rotina de acordar cedo, tomar café, correr atrasado para o trabalho (isso parece inerente à vida adulta), almoçar algo nada saudável, fazer hora extra, sair tarde e cansado para o <em>happy hour </em>e ainda chegar na madrugada em casa e não dormir diretamente pois temos que lembrar das contas e as tarefas atrasadas; na fantasia, recuperamos a ótica do maravilhamento das coisas, observamos como coisas singelas são preciosas e parte importante da harmonia do mundo.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">O contato com o conto de fadas, pode ser comparado a limpar as janelas do carro durante uma viagem pelo interior, caso contrário, deixamos de observar a beleza ao nosso redor e nos preocupamos apenas com a estrada à frente.</p>



<p>Ao observarmos as coisas e animais como um Pégaso, o <em>nôitbus</em>, e as águias mágicas, vemos então os cavalos como seres exuberantes em nosso mundo, encontramos prazer em viajar de ônibus e observar o mundo pelas suas janelas, as águias ganham um status mais belo e místico do que nosso imaginário já as designou.</p>



<p>A beleza no conto de fadas nos desperta uma nova paixão pelo mundo a nossa volta.</p>



<p>Essa paixão nos motiva a olhar o caos da vida real, a sua deterioração e a sua brevidade e ainda assim, sonhar com um mundo melhor, mas não apenas sonhar, o conto de fadas nos impele a uma mudança coletiva, um heroi só é heroi se houver um coletivo dando suporte, se houver por quem lutar.</p>



<p style="background-color:#b38300" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Ninguém é heroi por lutar por si mesmo, mas é nomeado herói pelo sacrifício coletivo, e porque terceiros reconhecem sua jornada. A ótica do pertencimento então é extremamente importante para o nosso dia a dia.</p>



<p>Sendo assim, o conto de fadas nos gera além do olhar apaixonada, do senso de pertencimento, uma última característica importante: a esperança!</p>



<p>Em meio a futuros distópicos e previsões devastadoras para o nosso mundo real, temos a oportunidade de desfrutar a esperança assim como na literatura fantástica.</p>



<p>A esperança somada as outras duas características já citadas geram uma equação de resultados, mas separadas, a esperança se perde como o rei de Rohan estava definhando por magias que roubaram seus três pilares.</p>



<p>Precisamos aceitar que os contos de fadas possuem finais felizes, mas não perfeitos.</p>



<p>O anel só é destruído graças a cobiça do <em>gollum</em>, afinal a corrupção está passível a qualquer um de nós, tanto na fantasia quanto na vida real.</p>



<p>A realidade não deve ser escondida de nossas crianças assim como nós adultos não devemos fugir dos contos de fadas, mas precisamos ser como um soldado que feito prisioneiro, tem esperança, paixão e senso de pertencimento para com o mundo exterior.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Kariston França</strong> é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.un.org/sustainabledevelopment/poverty/"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-CAROL11.png?fit=606%2C585&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1665" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>More than 700 million people, or 10% of the world population, still live in extreme poverty and is struggling to fulfil the most basic needs like health, education, and access to water and sanitation, to name a few. The majority of people living on less than $1.90 a day live in sub-Saharan Africa.</em>      <strong>Sustainable Development Goals UN.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL!</strong></figcaption></figure>
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