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	<title>Arquivos gay - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Memória</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:22:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[memoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>— Então é isso. Você está realmente decidido? — Ele me pergunta com um tom tão firme que me leva de volta para todos os anos que vivemos juntos em apenas alguns segundos. Ele percebe que sua voz saiu um pouco do planejado. </p>



<p>O Vinicius sempre teve o hábito de manter sua postura o mais turva possível para os outros; a transparência de sua verdadeira personalidade só era vista em poucas ocasiões. Quase sempre eu era testemunha ocular de seus desvios, que arranhavam superficialmente a porcelana daquela imagem impecável.</p>



<p>— Desculpa. Não quis falar assim, você sabe. — Silêncio. — Sabe, não sabe? Ei, eu te amo, Caio. Preciso que você pense no que você vai estar fazendo comigo quando tomar sua decisão.</p>



<p>— Com você? Já parou pra pensar no que eu estou fazendo comigo? Melhor, o que você está fazendo comigo. Você mora dentro de mim há tanto tempo que não lembro mais do meu silêncio. Você plantou raiz por aqui, e agora eu preciso do jardim de volta, Vinicius.</p>



<p>— Será que precisa mesmo? Talvez essa grama sintética toda seja espaço o bastante pra nós dois, você não acha?</p>



<p>É muito difícil argumentar quando queremos estar errados. A batalha entre dizer minha verdade ao mesmo tempo em que ela é tudo que eu quero esquecer é uma das mais dolorosas que já enfrentei até então. </p>



<p>Conheci Vinicius faz dez anos. Desde o primeiro momento, ele foi meu porto seguro. Nossa primeira troca de olhares aconteceu na escola. Tínhamos, os dois, 15 anos de idade. Ele me mandou um bilhete no meio da aula de história, dizia que achava meus olhos bonitos. Aquela idade em que tudo é difícil demais, mesmo não sendo de verdade. Desculpe, isso não é justo. Não devíamos minimizar as dores adolescentes só porque somos adultos; afinal, só conseguimos suavizá-las depois que já passamos por elas. A verdade é que nem sei se sou tão adulto assim. Muitas vezes, percebo meus reflexos de adolescência tomando o controle das minhas ações, principalmente na presença do Vinicius.</p>



<p>Começamos a namorar com 16 anos. Nenhum de nós dois era assumido para a família na época, o que foi um grande evento. Um grande evento nas nossas cabeças: pra ser justo, ambas as nossas famílias já sabiam antes de ouvir de fato. Nem tudo precisa de palavras, isso é outra coisa que aprendi com ele. Aos 16 anos, tudo parece que vai durar pra sempre. Todos os bons momentos eram cristalizados em uma moldura imaginária que visitaríamos anos mais tarde, bem como todos os momentos ruins &#8211; que, por vezes, ainda parecem pequenas giletes dentro de um ciclone de sentimentos mal resolvidos.</p>



<p>Que pena que tantas molduras se perderam no meio do caminho. Muitas das giletes se soltaram com o vento e acabaram pousando em terrenos distantes também. Nossa memória não é tão boa quanto gostaríamos que fosse. O ser humano tem uma tendência estúpida de se superestimar em coisas banais. Quantas vezes eu estive em uma conversa e disse para mim mesmo “Eu nunca vou esquecer esse momento” e no dia seguinte já não me lembrava de mais do que seis palavras daquela linda interação. Será mesmo que foi linda? Difícil dizer. Tudo que sobrou foi um ingresso de cinema.</p>



<p>— Não tem mais espaço, Vinicius. Não tem. Olha bem pra esse quarto, as caixas, as paredes. Tá tudo cheio de você, e você me dói. Você não percebe o quanto você me dói, talvez esse tenha sido o problema esse tempo todo.</p>



<p>— Você também me dói, Caio. Você me dilacera, me queima, me arranca pedaço por pedaço e eu estou aqui. Eu estou dentro do quarto, das caixas, pendurado pelas paredes. Mesmo assim, mesmo com tudo isso, eu nunca ameacei ir embora.</p>



<p>Isso não era verdade. Três anos antes, tivemos uma briga daquelas que eu achava eu só podia ver em filmes independentes e conceituais que, de alguma forma, conseguem amenizar e dramatizar romances ao mesmo tempo. </p>



<p>Por muito tempo, minha personalidade sempre foi comparada ao fogo. Explosivo, difícil, incontrolável. Agressivo é o adjetivo que me faz encolher pra dentro de mim mesmo e selar o mundo contra o meu desequilíbrio. Naquele dia de agosto, parecia que Vinicius tinha seu discurso pronto e decorado contra mim. Ele chegou no nosso apartamento com uma lista mental de todas as vezes que eu fui a grande decepção desse relacionamento. Todas as vezes que estar comigo foi difícil demais. Naquela noite, ele disse que ia embora, eu implorei para que ele ficasse. Talvez eu devesse ter ficado quieto. Ele se foi sem dar explicações, deixando apenas um bilhete amarelo que lia: “Eu te amo, mas preciso de tempo”.</p>



<p>Vinicius voltou na manhã seguinte com cheiro de cachaça e perfume de outro homem. Eu o recebi de braços abertos, lágrimas nos olhos e um sorriso no rosto. Nunca mais falamos sobre aquele dia; talvez por isso mesmo ele esteja tentando apagá-lo da nossa história nesse momento. De quem é a culpa se nenhum de nós dois viu a curva no acostamento enquanto dirigíamos há 80km/h? A culpa é de quem dirige ou de quem distrai o motorista?</p>



<p>— Caio, me escuta. As coisas podem ser diferentes. Não precisa queimar tudo que a gente já viveu.</p>



<p>— Precisa. Se não queimar vai ficar guardado, acumular poeira. Pior, se ficar guardado eu vou revisitar e revisitar o tempo inteiro. Tudo sempre igual, imortalizado ali, sem crescer, sem sair do lugar.</p>



<p>— Então a gente cresce. É isso que você quer? Crescer? A gente cresce. A gente cresce até o céu, ultrapassa todas as nuvens, se encontra com gigantes de terras imaginárias e anjos celestiais que tentam se esconder de nós.</p>



<p>— Essa responsabilidade não é só minha, é nossa. Não adianta a gente querer separado. Era tudo muito bonito, só não é mais.</p>



<p>Silêncio.</p>



<p>— Você se lembra de quando eu viajei pra Gramado sozinho? Eu te trouxe algumas folhas daquelas que parecem a bandeira do Canadá. Nunca vi ninguém sorrir tão bonito por causa de folha. Olha como elas estão agora, Caio. Você deixou secar, quebrou tudo.</p>



<p>— Só algumas. As que estão nas caixas quebraram, mas algumas ainda estão presas em alguns cantos.</p>



<p>— Isso é verdade. Vai deixar elas ali, ou vai tirar também?</p>



<p>— Existe uma coisa engraçada sobre presentes. Mesmo que a gente saiba quem foi que deu eles pra gente, nem sempre eles trazem memórias. Essas folhas inteiras são isso, um presente oco, virou só decoração.</p>



<p>— A quebrada não?</p>



<p>— A quebrada me faz lembrar de você. Sei que não deveria resumir 10 anos nesses pequenos estilhaços secos mas é maior do que eu. É tanta folha, Vinicius. Parece que vai me enterrar qualquer dia desses.</p>



<p>Não consigo me lembrar exatamente o momento que comecei a chorar, mas agora meus olhos já estão vermelhos e minha visão duplicada pelo reflexo das lágrimas nos meus óculos. Estão na minha frente todos os ingressos de cinema e teatro. Todas as cartas, recados, bilhetes. Toda a memória de papel. Que frágil é o nosso passado. Separo os ingressos dos melhores filmes e peças. Retiro as entradas de grandes shows e eventos. Essas lembranças não são só nossas, são minhas. Eu vivi todos esse momentos, não preciso de você para sorrir ao relembrá-los.</p>



<p>Todo resto é uma pilha de papel com tinta de caneta. Tantas palavras, tantas promessas, planos, frases bonitas que um dia me fizeram acreditar naquele para sempre adolescente. Continuo ouvindo sua voz falando na minha cabeça; a voz me pede para não desistir. </p>



<p>Você saiu pela porta da frente dois anos atrás e eu ainda tenho diálogos com você dentro de mim. Acendo o fósforo. Vejo a tinta virar cinza, os selos das cartas começarem a derreter. Sua voz começa a ser substituída pelo trepidar do fogo. O fogo não apaga a memória assim, na hora, mas apaga minhas chances de revisitá-las. Logo, logo, só vão sobrar algumas palavras dos últimos 10 anos. Não é mais você quem controla as sementes, eu sou o que sobrou de nós dois. Eu sou o que transborda da nossa separação. </p>



<p>Obrigado, e adeus.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no <a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a> e no <a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>. </p>



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		<title>“índio e gay”: corpo de luta</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/28/indio-e-gay-corpo-de-luta/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Neimar Kiga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Neimar Kiga</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Desde a infância, eu sabia que era diferente das crianças ao meu redor; mas eu escondia quando percebia que não era visto como algo bom. Na escola, muitas vezes fui motivo de piadas ofensivas por ter gostos que eram somente meus, desejos diferentes do as pessoas queriam ver. Em casa, eram os meus trejeitos que eram observados; mas eu sempre tinha os meus momentos para ser eu de verdade.</p>



<p>Na escola, principalmente, uma das minhas dificuldades era em relação à minha identidade. Não sabia a diferença entre o que seria “de menino” ou o que seria “de menina” &#8211; o que eu via era simplesmente um brinquedo, sem gênero. Como uma criança, independente do que, eu queria brincar e ser criança. Porém, muitas vezes, o que eu tinha ou queria não era visto com bons olhos por outras pessoas. Comunidade, amigos e até mesmo a família, muitas vezes pelo desconhecimento, me impediam de ser livre, por fugir do que seria o “certo”.</p>



<p>Na Escola Estadual Indígena Sagrado Coração de Jesus, onde terminei o ensino médio, nunca tive problemas em relação a minha identidade enquanto indígena, uma vez que todos éramos indígenas. Mesmo sabendo da minha identidade, de ser indígena, de ser Boe, a valorização em relação a quem eu sou nunca foi uma prioridade; eu não tinha a noção da importância de ser indígena e ser Boe. Agora, eu sei da importância e valor de tudo que eu sou e de tudo que eu tenho.</p>



<p>Com o tempo, eu já não conseguia esconder ou disfarçar minha sexualidade. Foi na minha adolescência que descobri o que eu realmente era, mas foi um dos piores momentos da minha vida. Nessa época, tive o contato com outros jovens homossexuais da minha aldeia e percebi que eu também era homossexual. Foi um período muito difícil, por diversos motivos. Minha família muitas vezes não me apoiava, não me entendia e não me aceitava. Creio muito que a religião Católica influenciou nessa resistência, por minha família ser fortemente religiosa cristã (naquela época), principalmente minha mãe. </p>



<p>Ainda na adolescência, um jovem seminarista que morava na minha aldeia e estudava para ser padre me disse que eu não deveria seguir com a minha orientação sexual e que eu deveria ter dignidade, me respeitar, chegando até a dizer “o que você tem no meio das pernas”? Com todas as informações que eu recebi naquele dia, me senti totalmente fraco, errado, incapaz, confuso e indigno do respeito das pessoas. Até mesmo pensei em cometer suicídio. Então escondi, por muito tempo, das pessoas e de mim mesmo, o que eu era.</p>



<p>Minha mãe descobriu que eu era homossexual &#8211; sim, descobriu! Na aldeia, as informações correm muito rápido por ser um lugar pequeno, e chegou aos ouvidos da minha mãe que eu era homossexual; eu nunca tive a coragem de me assumir. Levei uma surra por ser gay e, desde então, meu convívio com minha mãe só piorou; nunca mais tive uma vida “normal” em relação a minha orientação sexual . Numa dessas discussões que sempre tínhamos, eu fui para a BR (que fica a 6 km da aldeia) com o intuito de me suicidar (jogando-me na frente de qualquer carreta que passasse por lá); chegando à estrada, um vendedor que vai à aldeia me viu e pediu para eu voltar, para eu não cometer esse erro, pois eu ainda era jovem. Eu voltei com ele.</p>



<p>Algumas vezes, fui embora de casa; e o meu melhor lugar era fora dela. Morei por algum tempo com minhas irmãs. Minhas melhores companhias eram os amigos e um lugar em que me sentia obrigado a estar,  na escola. Lá, eu pensava em me tornar independente, para superar as dificuldades que a vida me propunha com mais facilidade; então na escola era onde eu deveria estar. A educação transforma e ela foi capaz de me transformar e de transformar muitas pessoas que viviam e vivem ao meu redor.</p>



<p>A educação sempre foi uma prioridade que me acompanhava. No ano de 2011, em busca de uma educação diferenciada, &#8211; visto que na aldeia a escola estava passando por algumas dificuldades -, uma prima e eu resolvemos morar em Rondonópolis/MT com uma tia. Depois de alguns meses, voltamos para aldeia por não conseguirmos ficar na cidade; éramos muito jovens. Voltando pra aldeia, demos continuidade aos estudos.<br>Quando voltei pra aldeia, tentei estudar em uma vila próxima, Paredão Grande/MT, por acreditar que a escolaridade seria melhor. Era uma escola com a maioria de pessoas não indígenas. Conheci várias pessoas, fiz algumas amizades, mas eu não me sentia completo. Existiam pessoas que me impediam de ser quem sou, ou que faziam brincadeiras ofensivas que me fizeram voltar a estudar na aldeia novamente.</p>



<p>No final do ano de 2015 eu prestei o vestibular pra UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), no curso de Design (que eu sempre tive vontade de fazer), depois de tentar em outra Universidade, mas não conseguir a nota exigida &#8211; eu era muito jovem e inexperiente. Deixei de apanhar na escola e em casa e fui apanhar da vida. Assim comecei meu trajeto na universidade. Às vezes, chego a pensar que a minha vinda para Campo Grande foi pela não aceitação de algumas pessoas da comunidade sobre minha sexualidade, tentando me afastar e ser feliz.</p>



<p>Em 2016, quando chego a Campo Grande, um lugar até então desconhecido, me deparo com algumas diferenças em relação à minha vida e rotina anterior. A primeira expressão em relação a cidade foi “nossa, que cidade grande”, e eu nem imaginava que se tornaria um lugar que traria grandes conquistas e diversas experiências &#8211; não só no âmbito acadêmico, como também para minha vida pessoal, visto que foram alguns anos dedicados aos estudos. Mas, além disso, eu vivia e tinha minhas particularidades como qualquer outra pessoa.</p>



<p>De início tive que me adaptar à Universidade, lugar em que eu estaria sempre presente. E as Universidades, por mais que passem a ideia de vários universos, muitas vezes não cumprem com essa noção (quase sempre, diria). É um local elitista, burguês, competitivo, onde o acesso e os privilégios são distintos; e a UCDB, por ser privada, deixa essa diferença de classes sociais e financeiras ainda mais nítida, e muitas vezes eu não me sentia acolhido. Porém, ela foi um espaço muito construtivo, onde pude conhecer novas pessoas e ter novas perspectivas em relação à vida.</p>



<p>Depois de perceber como seriam meus dias,  as coisas foram ficando menos complicadas e eu entendi um pouco mais sobre o espaço acadêmico. Ainda assim, precisava me adaptar às pessoas que ali frequentavam. Na universidade e principalmente no meu curso de Design, muitas pessoas tinham perfis diferentes do meu, dificultando um pouco a aproximação. Acredito que, por desconhecimento, muitos tinham alguns pré-conceitos em relação ao “indígena” e algumas vezes chegavam a fazer comentários como “brincadeira” carregados de ofensa e preconceito. </p>



<p>Para exemplificar essas falas, trago a seguinte experiência: em certo período, a UCDB estava passando por algumas reformas em sua estrutura e, em alguns locais, a passagem dos acadêmicos estava limitada. O curso de Design tinha aulas em diferentes blocos da Universidade, então seria necessária a transição nesses espaços. Um dia, junto de dois colegas, passamos em um lugar de difícil acesso; nesse espaço, tinha uma parte limpa, já construída, e outra suja, sem ainda ter terminado. E eu optei por passar na parte limpa já terminada, então um desses colegas questionou o porquê de eu não passar na parte que estava suja, já que eu era “índio”. Eu logo respondi que não passaria na parte suja, pois não seria ele que lavaria o meu sapato. A outra colega interviu dizendo que ele estava sendo preconceituoso, e ele me pediu “desculpa amigo”.  “Amigo não, colega. Meus amigos não tem esse comportamento”. Porém, esse não foi um caso isolado, e não acontece somente no espaço acadêmico; em outros espaços, o preconceito em relação aos indígenas é perceptível. Muitas falas discriminatórias estavam presentes na cidade à qual eu me adaptava. </p>



<p>Viver em um local totalmente diferente do anterior, com muitas pessoas, de diferentes perfis e classes, foi uma ruptura com o que eu vivia antes. Mas eu tinha que ignorar tudo o que era presenciado para que eu pudesse seguir os estudos. Na aldeia, todos éramos conhecidos e, de certa forma, somos pares, por sermos indígenas; então, nossa etnicidade nunca foi um problema. Mas estar na cidade e ser indígena são outras questões. E eu, um ser com um corpo com esses marcadores sociais, muitas vezes me sentia obrigado a desconstruir, informar, educar novos corpos que desconhecem nosso verdadeiro ser.</p>



<p>Muitas vezes, essas indiferenças aconteciam entre pessoas que eu queria próximas, como colegas, amigos e parceiros. Muitas vezes, vinham de onde mais havia repressão. Pessoas do meio LGBTQIA+, principalmente Gays, muitas vezes me enxergavam com olhar pejorativo, de superioridade, por terem melhores condições financeiras que nós indígenas  &#8211; o que era muito entristecedor, por vir de pessoas que muitas vezes passam por experiências negativas semelhantes e que poderiam construir um diálogo.</p>



<p>Depois de um tempo, isso deixou de me incomodar. Eu entendi a importância que tenho para o meu povo, para outros povos, bem como para o meio LGBTQIA+ (ao qual também pertenço); então, não me sentia inferior a ninguém. Simplesmente achava desnecessário esse comportamento. Os preconceitos na cidade, em sua maioria, foram por ser indígena, e não por ser gay. Por ser um espaço onde havia outros gays, de certa forma, eu passava despercebido enquanto tal, e outras pessoas sofriam isso junto comigo. A marca de ser indígena e estar ocupando espaços que não eram considerados nossos foi mais cruel. No entanto, eu não desisti, e essas barreiras que a sociedade me impunha foram superadas. </p>



<p>Sempre quis terminar o meu curso e continuar a carreira acadêmica, mostrar para essas pessoas o que somos de verdade, enquanto “índio e gay”. Durante a graduação, fui absorvendo todas as informações necessárias para poder me defender dessas ofensas, que muitas vezes eram consideradas somente brincadeiras. Atualmente, vejo que mudei em relação ao pensamento de incapacidade que por muito tempo tive em relação a Universidade e sobre minha auto-estima. Hoje, sou muito mais do que pensavam que eu era; sou capaz de realizar as mesmas funções que outras pessoas da sociedade. Sinto-me mais preparado para tomar minhas decisões pessoais. Participo de movimentos sociais pelo direito a cultura, pela igualdade, como ser indígena, do meio LGBT e Indígena LGBT. E tudo isso me move, me faz pensar em construir uma sociedade melhor usando o meu corpo para fazer esse movimento. Falando por mim, para que outros gozem do que eu construir, mesmo que seja pouco.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Neimar Leandro Marido Kiga</strong> é um homem gay cisgênero, indígena do povo Boe Bororo. Nascido em 1996, mora na aldeia Meruri (morro da raia), pertencente ao município de General Carneiro/MT. Designer, graduado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e mestrando no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGAS) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Participa de movimentos sociais pelo direito a cultura, pela igualdade, como ser indígena e LGBT. Também é um dos fundsdores da mídia Tibira, <a href="http://instagram.com/indigenaslgbtq">@indigenaslgbtq</a>.</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



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</div></div>



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		<title>Eu Sou.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[drag]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Uiara Cardinally]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Marcos Lima</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Houve um tempo em que eu tentava não ser tão pintosa. Houve um tempo em que eu queria resistir, insistir em não me tornar um transformista. Houve um tempo em que eu não queria, de forma alguma, ser chamado de Drag Queen.</p>



<p>Mas por que eu tinha essa resistência e esse pensamento?</p>



<p>Por medo!</p>



<p>Medo?</p>



<p>Sim.</p>



<p>Medo de uma sociedade que nos julga a todo momento. Medo de um preconceito que existe dentro da própria comunidade LGBTQIA+, e não só de fora. Medo dos julgamentos que as pintosas, transformistas, Drag Queens sofrem todos os dias. Medo de ficar sozinho simplesmente por ser quem eu sou, por gostar de fazer o que faço e por expressar uma arte que admiro.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/a75ef-capa-uiara.jpg?resize=750%2C750" alt="" class="wp-image-10585" width="750" height="750" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Marcos e Uiara</figcaption></figure></div>



<p>Hoje, tenho orgulho em dizer que sou artista Drag e de me expor com orgulho. De não tentar esconder isso de ninguém &#8211; pois se é para gostar de mim, tem que gostar do que sou por inteiro, e não só de uma parte, aquela que tende a agradar a sociedade!</p>



<p>Um dia desses, ouvi uma frase que fez muito sentido pra mim: &#8220;está na hora de abraçar a letrinha do lado, e não de julgar e/ou apontar o dedo&#8221;. Então, se você faz parte da sigla LGBTQIA+, abrace, apoie e respeite as outras letras; e se você não faz parte dessa sigla, respeite quem faz!</p>



<p>Fazemos parte de uma comunidade que diz lutar pelo respeito do outro, mas que muitas vezes não respeita o outro! Então que tal pensarmos um pouquinho se nós mesmos não estamos sendo preconceituosos, e perpetuando a opressão? </p>



<p>Faço parte do G da sigla, mas sou irmão do L, do B, do T, do Q, do I, do A, e de todos os outros representados nessa sigla pelo +. Todos temos sentimentos, e está na hora de aprendermos a ter empatia. Sou gay, sou Drag, sou artista, mas acima de tudo sou um Ser humano!</p>



<p>Eu sou o Marcos. Profissional de Educação Física, que paga imposto como todo mundo, que trabalha, que paga contas, que vive, que sente, que tem momentos bons e ruins, e que está sempre em busca de um crescimento pessoal, com base no respeito ao próximo. </p>



<p>Eu também sou o Marcos. Artista que dá vida a Uiara Cardinally, personagem, drag, transformista. (Ainda sim, gay! &#8211; não confunda drag com trans!)</p>



<p>Estando em Drag ou &#8220;Out of Drag&#8221;, eu não peço que me aceitem. Peço que me respeitem!</p>



<p>Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+ por um ato marcante, mas podemos e devemos ter orgulho de quem somos todos os dias!</p>



<figure class="wp-block-video wp-block-embed is-type-video is-provider-videopress"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="VideoPress Video Player" aria-label='VideoPress Video Player' width='800' height='1000' src='https://video.wordpress.com/embed/frJ45k9a?preloadContent=metadata&amp;hd=1&amp;cover=1' frameborder='0' allowfullscreen></iframe><script src='https://v0.wordpress.com/js/next/videopress-iframe.js?m=1633526814'></script>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Marcos Lima </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é um homem gay cisgênero. Bailarino, Bacharel em Educação Física, dá vida a Uiara Cardinally, Miss Zona da Mata Gay 2017.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/bc053-begaleria6-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10815" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Fluxo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[Fluxo]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[Pablo Abritta]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Victor Soares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Pablo Abritta e Pedro Soares</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>LADO A &#8211; CONSTELAÇÃO (A DOR)</p>



<p class="has-drop-cap">Eu quase consigo contar todos os quadriculados da mesa. Passo meu dedo no seus<br>perímetros azuis, um por um. Acho que eu levaria um tempo para finalizar essa contagem de quadrados se o tempo do café não fosse tão curto, mas o silêncio ocupa minha mente. E a dela também. O que, confesso, ajuda a concentrar na minha contagem quase infinita de quadrados no café da manhã. Ela, como em todas as manhãs desde que descobriu minha sexualidade, só tem um tipo de ação: andar e silenciar. Não se dirige a mim como se fosse algo do qual valha a pena quebrar seu silêncio ou tentar entender o porquê de ele ocupar tantos espaços na sua mente.</p>



<p>Ela arruma seu mamão na mesa. Organiza as frutas. Pica elas de forma quase monótona,<br>sem dizer uma palavra. Não precisa dizer, já está subentendido. Eu continuo no meu processo infinito de contar quadrados na mesa do café, mas me canso. Quando sinto minhas lágrimas me acusando por tanto silêncio, me retraio. Mudo de posição e descubro uma nova ocupação mais confortável para meu cérebro processar as indiferenças que estou sendo obrigado a construir. Olho para o meu prato. O restante das migalhas pousava bem na minha frente como se dissesse: &#8220;me explora vai&#8221;. Juntei algumas delas e formei constelações que aprendi na escola um tempo atrás. O Cruzeiro do Sul estava incompleto: faltava uma estrela para dar continuidade à constelação. Arrumei da forma que minha mente recordava dos livros do ensino fundamental e passei a montar as três Marias, o que foi relativamente fácil;  afinal, são apenas três pontinhos contínuos. Três pontinhos contínuos…</p>



<p>A chapa ainda estava ligada; parece que um dos meus pães havia sido esquecido lá,<br>em brasas. Não muito diferente de todas as pessoas que já se esqueceram de mim e me<br>deixaram queimar. Minha mente me atormenta, e não consigo vê-lo sofrer assim, não depois de atribuir características minhas para ele. Desligo a chapa e tiro o pão lá de dentro. Penso então em todas as vezes que me perdi em mim mesmo, e também em todas as vezes que me salvei, sozinho. Não preciso da ajuda de ninguém pra isso. Com algumas poucas exceções, claro. E ela? Ela continuava em sua infinita ocupação de silêncio, enquanto cortava mamões, dispunha mel em um pratinho e picava bananas para se deleitar com um ótimo café da manhã que só ela proporcionava a si mesma. O queijo ainda borbulhava na chapa quente, e pude ver todas as diferentes formas com que algo pode se transformar quando está sendo queimado. As formas eram variadas; iam do mais extenso ao mais ínfimo da dilatação. Mas mudava, estava em constante mudança. Comia o mamão, penso no queijo, comia a banana, penso nas migalhas, lambuzava-se de mel, enfio minha cara na chapa quente.</p>



<p>Descubro, enfim, o porquê dos três pontinhos contínuos…</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72917-constelacao-foto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10642" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>LADO B &#8211; CACHINHOS (A DELÍCIA)</p>



<p class="has-drop-cap">Acordei com um pequeno feixe de luz sobre o meu rosto, mas não abri os olhos.<br>Aparentemente, ainda era cedo, pois não se ouvia a turbulência da rua zunindo em meu<br>ouvido; apenas um canto de passarinhos quase ínfimo, próximo a janela, cheio de<br>vitalidade. A luz do sol naquele pequeno feixe em meu rosto me acordou em um dia que<br>não me costumo levantar cedo, mas foi bom. Sempre é bom começar um domingo com cheiro de lavanda no lençol e um barulho de mar a alguns quilômetros do meu apartamento. As ondas batem no rochedo e formam confrontos estrondosos, eu quase conseguia vê-las oscilando. </p>



<p>Lembro de ir à praia quando criança. Construía enormes palácios de areia, e jurava morar lá um dia com alguém que eu amasse. Até a onda vir e desmoronar cada grão de areia &#8211; o que não me impedia de tentar de novo. Construía um ainda maior, mesmo sabendo que não duraria. Acho que, no final das contas, eu cresci querendo construir sonhos maiores em cima de outros sonhos, já enormes em si mesmos. </p>



<p>Queria eu ter uma vida comum, onde todas as minhas relações fossem aceitas pela sociedade; mas estava longe disso. Era como se eu visse um castelo desmoronando todas as vezes que sentia medo ao dar as mãos para o meu namorado na rua. Não só por eles, mas por mim. Acho que cresci em uma família que não sabia que o afeto é algo que não se força. A gente sente na pele quando ama, pulsa. Eu sempre sonhei em ter o meu lar. Sempre disse que a partir de agora seria &#8220;minha casa, minhas regras”, e de fato é. Ouço um barulho próximo a mim, e finalmente abro os olhos. Ele está trazendo uma bandeja de café da manhã. Sento na cama e dou um beijo nele. Nos olhamos com felicidade, porque sabíamos que seria mais um dia para a gente se descobrir e se reinventar. A pele não esquece o toque.</p>



<p>Ele se senta ao meu lado, põe a bandeja na cama e começa a falar sobre como conseguiu acordar mais cedo que eu em um dia como aquele. Ele falava, e eu só conseguia estampar um sorriso na cara e encarar aqueles olhos castanhos mais profundos que o rochedo. Sempre almejei estar com alguém que beijasse meus defeitos e que gargalhasse minhas qualidades. Que passasse a mão em meus cabelos até eu dormir, e que se sentisse seguro quando eu o abraçasse. Lembro das vezes que respiramos juntos nas horas que o segurava pela cintura e o colocava na cama, selando nosso amor com um beijo quente após um banho de verão. Eu sempre sonhei em ter um lar, para poder nunca mais derrubar nenhum castelo de areia. </p>



<p>As ondas estão perto. Estamos sentados na beirada do lençol, olhando a vista da janela de mãos dadas. O mar é ofuscado pela beleza do seus cachinhos pretos e seu olhar doce, no nosso enfim, castelo de afetos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bd63b-cachinhos-foto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10643" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Pablo Abritta </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é um homem gay cisgênero, das Artes Cênicas desde 2014. Quando pequeno, escrevia poemas e contos, mostrando seu amor pela escrita. Atualmente, se arrisca na dramaturgia para cenas teatrais e nos contos poéticos, no qual tem se dedicado na área de forma sútil e despretensiosa. Sempre buscou melhorar o mundo. Acredita que achou esse caminho nos pequenos grandes afetos que a arte proporciona.</p>



<p><strong>Pedro Victor Soares</strong> é um homem gay cisgênero. Graduado em jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2017) e com experiência no ramo audiovisual, trabalhando na área desde 2013. Produziu, dirigiu, roterizou e montou um documentário curta-metragem chamado &#8220;Vida de Estradeiro&#8221; como projeto de conclusão do curso da faculdade, rendendo diversos prêmios e indicações. Na fotografia, se arrisca nos autorretratos e fotografia de rua, já que a sua grande paixão é mostrar sua visão do mundo através da câmera.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/81ea3-begaleria12-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10827" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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