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	<title>Arquivos George Floyd - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Dog Whistle</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na vida e na arte nem tudo é exatamente o que parece. Nossa capacidade de atribuir significados ao que nos cerca geralmente vai muito além das impressões lógicas, já concebidas no imaginário coletivo em geral. Isso quer dizer que, em linhas gerais,  o significado do que vemos, nem sempre se reduz às definições do senso comum.</p>



<p>Sendo assim, logo podemos perceber que nossas ações, roupas e objetos pessoais, carregam significados que vão além da sua utilidade habitual. Em alguns casos, alguns desses objetos, comportamentos ou roupas, podem ser utilizados por grupos para simbolizar algo maior, algo em comum.</p>



<p>Com o fim da segunda guerra mundial, os nazistas foram perseguidos e a ideologia nazista criminalizada. Por outro lado, na modernidade, outros símbolos foram levantados para manter o culto ao ego supremacista vivo nas alcovas da sociedade. </p>



<p>Na Alemanha nazista de Hitler, Joseph Goebbels fazia reuniões incentivando os participantes a beberem leite. Segundo historiadores, o gesto simbolizava o reinado do povo ariano sobre os outros povos, e não por acaso também foi utilizado pelos defensores do <em>apartheid</em> na África do Sul, onde as ideias racistas se baseavam também na capacidade de digerir a lactose.</p>



<p>No cinema, vários filmes se apropriaram do consumo de leite por vilões para abrir interpretações capazes de caracterizar a influencia do pensamento nazista em comportamentos de violência extrema, supremacia branca e ideologias hoje acolhidas pela extrema direita no espectro político moderno.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5da59-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10273" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/53d64-image-3.png?w=950" alt="" class="wp-image-10275" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ff1b0-image-5.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10277" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Hans Landa, personagem nazista de Bastardos Inglórios / Crédito: Divulgação</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9a595-image-6.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10279" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Cena de Rose Armitage em Corra / Crédito: Divulgação</figcaption></figure>



<p>Nesse sentido, movimentos neonazi se aproveitam da suposta ingenuidade contida em um copo de leite para realizar o que conhecemos como Dog whistle, ou &#8220;Apito de cachorro”. Caso você não saiba, a prática do Dog Whistle consiste em uma mensagem política que emprega uma linguagem em código que parece ter determinado significado para o senso comum ou para a população em geral, mas que esconde um significado específico e diferente para um subgrupo alvo. </p>



<p>Por isso, desconfie de pronunciamentos políticos que possuem um copo de leite adornando sua mesa, rodeado de sorrisos largos. Nem sempre as coisas são o que aparentam ser.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/renatadore/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/83c9d-dorea2-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10119" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Editorial &#8211;  Arte e posicionamento político</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/07/editorial-arte-e-posicionamento-politico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[minneapolis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Dias atrás, recebi uma mensagem de uma seguidora dizendo que marcas não deviam se posicionar politicamente. Segundo ela, a admiração que fazia com que ela fizesse propaganda dos produtos artísticos de nossa instituição cultural arrefeceu após a abertura de espaço para o debate político. Segundo ela, posicionar-se implica em afastar &#8220;o outro lado”.</p>



<p>Pois bem, nesse sentido, acho que cabe uma resposta pública ao recorrente imbróglio, visto que já sofremos ataques anteriormente e, certamente, sofreremos muitos outros ainda.</p>



<p>Em primeiro lugar, não somos uma empresa ou uma marca. Somos uma Instituição Cultural. E em tempos de cólera, a Cultura, a arte e a classe intelectual se levantam para apontar as agruras da vida em sociedade através do pensamento crítico.&nbsp;</p>



<p>Basta olhar, à luz da historia cultural, como se deram esses levantes, denunciando abusos políticos, fissuras sociais, os horrores da guerra e o messianismo barato de políticos que flertam descaradamente com ideologias nazifascistas. De Picasso a Banksy.</p>



<p>No ponto em que estamos no espectro político internacional, &#8220;o outro lado&#8221; demonstra desapreço pela vida humana e completo desrespeito com as instituições democráticas.</p>



<p>Por esse motivo, como estudiosos que somos por formação e por convicção, atuando como pesquisadores no âmbito acadêmico, sabemos bem como a história lembrará dos tempos em que vivemos. Mais do que isso, sabemos como surgem regimes autoritários e como se dão esses processos no âmbito social, político e econômico. Sendo assim, podemos dizer, com tranquilidade, que nos orgulhamos muito de apoiar iniciativas como a revista Trama que, através de seus autores, contribui para a qualificação do debate político através da produção de conhecimento.&nbsp;</p>



<p>E só pra deixar bem claro, para que não haja qualquer margem para dúvidas ou interpretações dúbias: esse &#8220;o outro lado&#8221;, ao qual ela se referiu, insiste em banalizar a morte de mais de 35 mil brasileiros vitimados pela pandemia, deixando o cargo de ministro da Saúde em vacância por mais de 20 dias (lembrando: durante a maior crise sanitária da história recente da humanidade). Incentivando a quebra do distanciamento social (única medida comprovadamente eficaz contra a proliferação do vírus, adotada em TODOS os países que registraram casos). Recomendando o uso de medicamentos sem eficácia comprovada cientificamente (inclusive, indo contra estudos que indicam efeitos colaterais que podem ser letais e orientações e diretrizes dos órgãos internacionais de saúde). Participando ativamente de manifestações antidemocráticas e supremacistas, provocando aglomerações. Avançando diariamente na redução da transparência das informações sobre a crise de saúde através da ocultação de dados e dificultando o acesso à informações oficiais sobre a pandemia no país.</p>



<p>Além disso, esse &#8220;outro lado”, ao qual ela se referiu, inunda as redes na internet com informações falsas e distorcidas, tendo como objetivo manter seu projeto de poder. Isso sem considerarmos o uso do aparelhamento da Policia Federal para interesses próprios e para proteção familiar. Nem a distribuição de cargos com orçamentos bilionários para figuras conhecidas como Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto, ambos condenados por corrupção. Nem a relação, publicamente conhecida, com milícias do RJ, diretamente relacionadas ao assassinato de Marielle Franco e Anderson. Nem o empregamento de funcionários fantasma desde os tempos de vereador. Nem o superfaturamento de notas fiscais ao longo de mais de 27 anos, enquanto ocupava o cargo de deputado. E sem considerar nem mesmo aquilo que é o principal para nós: o completo desprezo pela Cultura, pela Educação e pelo conhecimento.</p>



<p>Portanto, que fique claro: se existe uma rachadura no chão nos dividindo nesse sentido, ficamos felizes e seguimos com a consciência (e as mãos limpas) por &#8220;estarmos do lado de cá&#8221;. Afinal de contas, como diz o célebre texto de Dias Gomes: <em><strong>&#8220;Há um mínimo de dignidade que um homem não pode negociar. Nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol&#8221;.</strong></em></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/renatadore/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/5257f-dorea2-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10119" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Editorial &#8211;  Sobre o que nos separa de nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[minneapolis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Enquanto eu assistia a transmissão ao vivo do lançamento de dois homens em um foguete, rumo à estação espacial internacional (ISS), pensei no possível alívio que um cosmonauta deve sentir ao deixar o planeta atualmente.</p>



<p>A Live, feita pela empresa de tecnologia espacial norte-americana, SpaceX em parceria com a NASA, cobriu minuciosamente todas as etapas do processo, desde a preparação para o lançamento, até o momento em que o módulo se acoplava à estação, integrando os dois cosmonautas americanos à gigante estrutura de aço, que flutua placidamente em meio ao vazio.</p>



<p>Eu não conseguia parar de pensar nas agruras da vida moderna ao ver aquelas imagens, sobretudo em tempos de pandemia, e em um país onde ideologias neonazistas se escondem atrás de copos de leite na mesa do Presidente da República. Pensei na possibilidade de haver um distanciamento social tão eficiente quanto o daqueles que habitavam o pálido ponto branco solto no vazio da imensidão escura do universo.</p>



<p>No tempo em que vivemos, os aparatos tecnológicos que foram desenvolvidos para diminuir as distâncias entre cada pessoa ao redor do globo, também foram responsáveis por pulverizar discursos que insistem em nos separar. A diversidade de pensamentos não foi entendida como um recurso rico e admirável, mas sim como celeuma de processos históricos segregacionistas, onde a conduta beligerante marcou verdades provisórias inquestionáveis em nossas peles.</p>



<p>Enquanto o módulo se afastava cada vez mais da terra, pelas pequenas janelas arredondadas do módulo, os dois mais novos heróis americanos não puderam enxergar qualquer linha que demarcasse qualquer fronteira entre as nações. Enquanto nós, aqui, diante da pequena janela retangular que dispomos em nossos bolsos, enxergamos muros intransponíveis, construídos ao longo das eras para impedir que ameaças externas invadissem nossas supostas propriedades. Como somos tolos. Não percebemos que, na realidade, fomos nós que ficamos presos dentro.</p>



<p>Além de toda a barbarie que cerca as comunidades humanas desde o princípio dos tempos, o que me impressiona de fato é a facilidade com que encontramos motivos para odiarmos uns aos outros. E claro, a banalidade desses motivos. Aparentemente, a hierarquia de nossos capitais simbólicos sempre fornecerá elementos para que nos posicionemos dentro de estruturas de poder em nosso meio social. Uma pena esse posicionamento sempre se constituir como uma luta para ocupar o trono do opressor.</p>



<p>Quando a missão caminhava para seu fim, e os cosmonautas se encontraram com os outros integrantes da estação, as fronteiras que eles não podiam ver pelas janelas estavam presentes em cada olhar. Todos homens brancos e héteros. Não haviam negros. Não haviam mulheres. A diversidade era representada entre homens brancos e paredes brancas e frias de metal. Não tive como não pensar na morte de João Pedro, alvejado por policiais pelas costas, no Rio de Janeiro. Em George Floyd, asfixiado covardemente pela polícia em Minneapolis, nos Estados Unidos. Não tive como não pensar em tantos outros que perderam suas vidas e sequer foram lembrados. Parece que o potencial de realização da humanidade demonstrado na transmissão a partir da união de suas forças, é um devaneio lisérgico de quem acredita nas promessas de campanha de seu político de estimação.</p>



<p>Por outro lado, a angústia de uma vida sufocada pela opressão, serviu de combustível para a explosão de um movimento em protesto contra a violência policial nos Estados Unidos. A ignição foi a morte de George Floyd, mas, hoje, os protestos não se restringem mais à Minneapolis e se espalharam por todo território Norte-americano</p>



<p>Nesse sentido, me parece haver algo jocoso nessa história toda. Nossas noções de identidade podem servir para dominar ou para resistir. Nossas acepções sobre território podem nos limitar ou nos expandir. A violência que esmaga e oprime é a mesma que luta por liberdade e justiça. O ar de superioridade do olhar de cima para baixo, é o mesmo que desaparece para quem estende a mão. No final das contas, somos todos cosmonautas solitários na imensidão do vazio de nossas almas, e as fronteiras que traçamos são cicatrizes abertas prestes a serem compartilhadas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/inspireoutras/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/b0227-camile-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-9848" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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