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	<title>Arquivos intenção da obra literaria - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Não Julgue a Capa Pelo Livro</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 21:12:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 010]]></category>
		<category><![CDATA[capa de livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Paulo Soares</p>
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<p class="has-drop-cap">Quantas vezes não ouvimos a expressão <em>não julgue um livro pela capa</em>, ainda hoje assinada como um provérbio chinês, que já ganhou várias adaptações e traduções pelo mundo afora. Entretanto, na possibilidade de uma divagação histórica, ela poderia ter sido criada na era moderna ocidental (romantismo), já que a preocupação com elementos ilustrativos e pictóricos em capas de livros é um fato recente que remonta ao início do século 19. Os livros no período clássico, tinham sua apresentação em couro, com no máximo, inscrições do nome do autor e título na lombada o que determinava A priori a necessidade do conhecimento prévio de seu conteúdo ou a curiosidade intelectual de explorá-lo.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Temos que ter em mente que a possibilidade da leitura neste período era restrita a uma elite burguesa ou religiosa que detinham o conhecimento necessário para decifrar os desenhos (letras) e suas combinações (palavras) culminando, num talvez atual, desnivelamento social grave daquela sociedade.</p>



<p>A história nos conta que a possibilidade de impressão das capas partir da utilização do papel rijo ou papelão foi um avanço que veio gradativamente ao longo do tempo. O pesquisador Gérard Genette, nos informa que umas das primeiras capas impressas foi a Ouvres Complétes de Voltarie, editado pela Baudoin em 1825. O fato é que desde então as capas têm se tornado um elemento de grande importância para a valorização, divulgação e comercialização do livro.</p>



<p>No girar da roda do tempo, a capa passa por transições que passa deter a necessidade de composições específicas, que exigem pesquisa e reflexões sobre sua execução. Os editores precisam estar atentos aos detalhes para explicitar a posição editorial de um a obra, levando em conta todos os fatores que implicarão à sua apresentação ao mercado literário. Tal preocupação ocorre a partir da necessidade de se pensar uma capa, com diferenciais para sair do lugar comum, seja em uma publicação simples ou até numa coleção, segundo Genette:</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“Uma simples escolha de cor para o papel da capa pode indicar por si só, e com muito vigor, um tipo de livro. No início do século 20, as capas amarelas eram sinônimos de livros franceses licenciosos: “Lembro-me do ar escandalizado com que um clérigo interpelava, uma estrada de ferro britânica, uma de minhas amigas: ‘Senhora não sabe que Deus a vê enquanto lê esse livro amarelo!’ Essa significação maldita, indecente, é de fato a razão pela qual Aubrey Beardsley-1 chamara sua revista de The Yellow book (Genette, 2009, p.28).”</p>



<p>No editorial contemporâneo, a capa tem merecido uma pesquisa intensa por parte dos editores e designers, para que além das cores, ela detenha um significado que possa dialogar com os sentidos do público consumidor, para tal é necessário que se obtenha informações do autor, de sua bibliografia, de sua intenção com a obra. É necessário que se pesquise sobre as cores, imagens e caracteres que serão utilizados para despertar como, já dito, os sentidos do público consumidor. Na maioria das vezes, a produção de uma capa exige um estudo aprimorado, pois são diversos croquis previamente desenvolvidos pelo designer para se alcançar o objetivo primeiro de uma boa obra literária: o encantamento.</p>



<p>Infelizmente o que percebemos é que, em grande parte das vezes, as capas têm sido tratadas como elementos menores no universo editorial ou nem são levadas em conta enquanto ferramentas de marketing. Podemos ver exemplos grosseiros, como o de se utilizar tons escuros numa literatura infantil que sequer detém na sua temática qualquer alusão a categoria de uma história de suspense ou terror que pudesse justificar certa ousadia. Podemos perceber também uma total ausência de pesquisa e conhecimento da obra, principalmente quando se determina a utilização de uma imagem desconexa com o conteúdo literário pelo simples apelo pessoal e emocional do editor ou do próprio autor. O fato é que existe a implícita necessidade do conhecimento e das técnicas de designer para a construção de um elemento que não somente envolve o livro, mas tem que ser capaz de conquistar o leitor, para que ele tenha a vontade de pelo menos folhear suas páginas na busca de um conteúdo que possa até superar à apresentação.</p>



<p>Não julgue a capa pelo livro, pois tantas foram as histórias, as possibilidades escritas que se perderam pelo simples fato de não conseguir conquistar pelo olhar e, assim, fazer florescer a vontade de apreender, de se ter curiosidade e, enfim, chegar ao conhecimento. Talvez hoje possamos nos isentar, alegando que não mais nos preocuparemos, pois o mundo digital já começou e nele o papel, a impressão, não fará mais a diferença … talvez possam ter alguma razão, mesmo no universo digital a imagem ainda se faz muito presente, o que concerne a necessidade de se replicar, além do texto, sua referência primeira, a capa, elemento primaz da curiosidade humana.</p>



<p><strong>Referências</strong>:<br>Genette, Gérard – Paratextos editoriais; Trad. Álvaro Faleiros: Ateliê Editorial, Cotia – SP, 2009.</p>



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<p><strong>Paulo Soares</strong> é graduado em Geografia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Especialista em Processos Estratégicos, Comunicação e Novas Tecnologias, pela Faculdade de Comunicação da UFJF e Mestre em Letras pelo CES/JF-PUC- Minas. Com ampla experiência prática, nas áreas de comunicação e artes visuais, com ênfase em fotografia. Suas atuais áreas de pesquisa, estão ligadas principalmente aos estudos dos processos de geração e concepção dos diversos elementos que possam vir a se constituir em objetos de memória.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://thewaterproject.org/why-water/poverty"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-CAROL12.png?fit=606%2C585&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1687" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Nearly one billion people do not have access to clean, safe water &#8211; that&#8217;s the equivalent of 1 in 8 people on the planet</em>.                                                                 <strong>The Water Project.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL!</strong></figcaption></figure>
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