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	<title>Arquivos Jesus é rei - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Jesus é Rei &#8211; por Kanye West.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 020]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“Não viva mais pela cultura, não somos escravos de ninguém” </p>



<p class="has-drop-cap">Eu costumava frequentar a mesma loja no centro do Rio de Janeiro. Todas as vezes que precisava ir ao centro, minha última parada era na rua 1o de Março. A Godspell era a maior loja de discos especializada em música cristã do Rio &#8211; pelo menos para mim. Era início dos anos 2000, eu tinha entre 14 e 15 anos, e todos os trocos dos lanches da escola que eu conseguia juntar, invariavelmente, se tornavam novos discos na minha coleção. Eu era um adolescente que ainda descobria o rock. Nascido e criado nos subúrbios do Rio, minha formação musical é diversa: passa pelo funk de Mc Marcinho e Furacão 2000, o pagode 90, o rock dos Engenheiros do Havaí e o rap/hip-hop. De berço evangélico, tudo que experimentei na música, em algum momento, se voltava para a temática religiosa. Justo por isso, quando conheci a Godspell, a elegi como uma espécie de paraíso. Títulos de variedade infinita e uma coleção inimaginável de estilos que versavam sobre fé, salvação e Jesus estavam ali ao alcance da minha mão &#8211; e ao alcance do bolso, se eu pudesse dispor, em média, uns R$22. Lembro que no fim dos anos 90, quando ainda era criança, a música que ouvia na igreja, no momento dos cultos, tinha uma forte influência teológica e estética da música negra norte-americana. Adhemar de Campos era o que tínhamos no Brasil como nosso Ron Kenoly. Ron Kenoly, se você não conhece ou não se lembra, foi um dos artistas cristãos mais importantes da gravadora Hosanna Music &#8211; um departamento voltado para música congregacional dentro da gigante Integrity Music. “I See The Lord”, que em português ficou conhecida como “Vejo o Senhor” &#8211; possivelmente a música que contém o solo e linha de baixos mais espetaculares dos últimos 25 anos &#8211; foi, em todos os sentidos, um hino que marcou essa transição dos anos 90 para os anos 2000 &#8211; quiçá foi o hino de toda uma década. Depois de Ron Kenoly, outros nomes foram se somando ao panteão da música cristã. Ouvir a palavra gospel no Brasil do início do século XXI, ainda era algo que representava uma segmentação, que se traduzia por tudo que fosse religioso. Sendo assim, não era difícil termos uma enorme loja &#8211; e distribuidora de títulos incríveis &#8211; bem no coração do Rio de Janeiro dedicada à esta segmentação musical. Além dos títulos, outro diferencial me fazia não querer sair de dentro da Godspell: todos os títulos distribuídos pela BV Films &#8211; a distribuidora que funcionava dentro da própria loja -, o que significa dizer que eram todos os títulos das grandes gravadoras americanas, estavam dispostos para que você pudesse ouvir. E era isso que eu fazia: passava horas escolhendo todos os títulos que queria ouvir, juntava a minha pequena pilha de uns 8 a 10 discos, os colocava sobre o balcão do caixa, onde ficava o aparelho e o fone para que pudéssemos ouvir, e ouvia todos os discos. Entrava na loja, na maioria das vezes, no meio da tarde, por volta das 15h, e saía quando o dia já se despedia &#8211; e a loja se preparava para fechar. Ouvi e conheci muita bandas de rock, muitas cantoras pop, mas naquela época, o que fazia a cabeça dos músicos da igreja era um outro som: a música negra. R&amp;B, rap, hip-hop, soul, funk(não o carioca, o que é de certo modo é de se lamentar) eram os sons que serviam como objeto de desejo de cantores, instrumentistas e compositores cristãos. Eu amo música e suas possibilidades. Movido por esse sentimento, mergulhei nesse universo e fui brindado com a alegria de se apresentado a nomes como Mary Mary, Yolanda Adams, Kirk Franklin e Fred Hammond. E é justo esse último nome citado que vai fazer a conexão entre Rio de Janeiro, 2005 a 2011 (quando a Godspell existia) e os Estados Unidos de 2019. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-dark-gray-color has-cyan-bluish-gray-background-color">Se você gosta de música, se é ligado ao universo dos lançamentos de disco, se
interessa pelo universo pop ou se apenas, ao longe, tem algum interesse em assuntos que
estão em alta na mídia voltada para celebridades, suponho que tenha tomado
conhecimento do lançamento que tem dado o que falar desde os seus rumores até a sua
realização: o novo disco “gospel” do rapper, cantor, compositor e produtor americano Kanye
West. Se não sabe de quem estou falando, posso refrescar memória, ou tentar refrescar,
citando o famoso caso ocorrido na edição de 2009 do Video Music Awards (VMA), prêmio
produzido pela MTV. Quando chamada ao palco para receber o prêmio de Melhor Vídeo do
Ano, Taylor Swift subiu ao palco, recebeu a sua estatueta de astronauta &#8211; que é o troféu que
todo artista vencedor do VMA recebe &#8211; e quando se preparava para dizer as primeiras
palavras do seu discurso de agradecimento, teme o microfone tomado de sua mão e o seu
discurso brevemente interrompido por um Kanye West revoltado com o resultado, ainda que
tenha parabenizado Taylor inicialmente, dizendo que o prêmio deveria ser entregue À
Beyoncé. Isso ocorreu há dez anos, mas ainda assim, é um fato pelo qual Kanye é
lembrado boa parte das pessoas que não estão ligadas ao mundo da música. Seria justo
dizer que Yeezy &#8211; como também é conhecido &#8211; é famoso somente por esse fato e por ter
casado com a socialite, empresária e personalidade &#8211; seja lá o que “personalidade”
signifique nesse mundo dos famosos &#8211; Kim Kardashian? A resposta é clara: Não!
</p>



<p>Kanye Omar West foi um menino de classe média, nascido em Atlanta, estado da
Georgia. Filho de Ray West, fotojornalista e ex-membro do movimento Pantera Negra, e de
Donda West, professora de Inglês da Clark Atlanta University, Kanye não teve uma história
que convencionou-se como característica dos rappers famosos pelo estilo ​<em>gangsta. </em>Não foi
um menino crescido nas ruas, que tenha se envolvido com o crime ou que tenha feito fama
por suas músicas versando sobre contravenções e ostentação. O menino de classe média
gostava de produzir seus ​<em>beats </em>​em casa, enquanto conciliava a música e vida escolar.
Chegou a iniciar seus estudos acadêmicos ​<em>American Academy of Art</em>​, em Chicago, mas
desistiu dos estudos para tentar a carreira musical. O sucesso como produtor veio após a
produção do disco ​<em>The Blue Print</em>,​ do também mundialmente conhecido Jay-Z. O disco foi
sucesso de crítica e vendas e alavancou o nome de Kanye como produtor dentro da
<em>Roc-A-Fella Records</em>​, fundada pelo próprio Jay-Z. Consolidado como produtor, Yeezy
queria alçar voo próprio como artista. Enfrentou a ceticismo da cena ​<em>rap/hip-hop </em>por não
ser um sobrevivente da vida difícil das ruas e chegou a ser visto como um burguês por
outros rappers. ​<em>The College Dropout </em>f​ oi sua resposta. O álbum foi um sucesso estrondoso e
colocou Kanye definitivamente na cena como um artista promissor. Mas a criatividade de
Kanye o fez um pouco maior do que uma promessa: talvez Keane seja o artista mais
relevante e influente da sua época. Tanto talento e sucesso, sem qualquer dúvida, abrem
portas, mas são um também um fardo. Já no primeiro disco, ele escreve ​<em>“</em>​<em>I want to talk to
God,butI&#8217;mafraidbecauseweain&#8217;tspokeinsolong”.</em>“​QueroconversarcomDeus,mastenho
medo porque faz tempo que não nos falamos”. Kanye queria a grandeza, a grandeza que lhe
soa tão peculiar, que faz com que se auto intitule Deus, mas parecia buscar ajuda divina para
isso. Os anos passaram, as polêmicas vieram, Kanye perdeu a mãe, sofreu, se perdeu, tenta se
achar ainda e recorre ao divino outra vez. Em 2019, a grandeza criativa, estética e o talento de
Yeezy já são realidade. A novidade é modo como ele põe tudo isso em voga outra vez.
</p>



<p>Em Abril deste ano, bem no domingo de páscoa, Kanye West apresenta, no meio do
<em>Coachella Festival </em>-​ um dos maiores festivais de música do mundo &#8211; o ​<em>Sunday Service. </em>​Uma
banda, um coral ​<em>gospel </em>e um repertório de músicas inéditas e releituras de clássicos do rock e
do pop com letras sobre fé. O mundo voltou os olhos para entender o que era aquela
manifestação exuberante em estética e execução. Era Kanye anunciando sua nova empreitada:
sua incursão nos caminhos da fé. Meses depois, após anúncios de datas e falhas na entrega,
rumores se confirmam, nasce o nono disco da carreira, o primeiro com a temática ​<em>gospel </em>​<em>Jesus
is King.
</em></p>



<p>A essa altura você pode estar se perguntando: Mas e o Fred Hammond, cadê? Fred, um dos artistas mais proeminentes da safra do gospel do início do século, divide a nova faixa do disco com Kanye. Sim, um artista ​<em>gospel </em>​, amado pela igreja brasileira, autor da maravilhosa <em>“You are”</em>,​ que eu cantei tanto em cultos e em especiais de natal, está ao lado de um dos artistas mais controversos politicamente, que ainda é visto de forma cética por muita gente, apesar do talento, que ainda é questionado e contestado, que por vezes chega a ser tomado por idiota. Fred e Kanye, lado a lado, cantando. ​<em>Hands On </em>​pode ser o coração desse disco &#8211; e a melhor música para um artista como Hammond estar envolvido. Sabe por quê? Eu vou deixar que eles mesmo se justifiquem e expliquem o porquê: </p>



<pre class="wp-block-verse"><em>Desligue todas as luzes, Ele é a luz<br> Fui parado na blitz, vi as lanternas<br> O que você está fazendo na rua à noite?<br> Me pergunto se eles vão ler seus direitos<br> Décima Terceira Emenda, três infrações<br> Virei à esquerda quando eu deveria ter virado à direita Disse a Deus que seria a última vez na vida<br> Disse ao diabo que estou entrando em greve<br> Disse ao diabo que quando o vir à vista<br> Estive trabalhando para você minha vida inteira<br> Disse ao diabo que estou entrando em greve<br> Estive trabalhando para você minha vida inteira<br> Nada pior que um hipócrita<br> Mudança, ele não é realmente diferente </em> <br> <em>Ele nem tenta obter permissão<br> Pede conselhos e eles o desrespeitam<br> Disse que eu finalmente vou fazer um álbum gospel<br> O que você tem ouvido dos cristãos?<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Fazendo parecer que ninguém me ama<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Estou sentindo como se ninguém me amasse<br> Disse às pessoas que Deus era minha missão<br> O que você tem ouvido dos cristãos?<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Fazendo parecer que ninguém me ama<br> Fazendo você se sentir sozinho no escuro e você nunca verá a luz Cara, você nunca verá seu lar e nunca verá as redomas<br> Eu posso sentir quando escrevo, esse é o ponto de viver na virtude Se eles apenas vêem os erros, nunca ouvem as músicas<br> Só ouvir é uma luta, mas você me elegeu para a luta<br> É tão difícil se dar bem se eles apenas veem um ínfimo<br> Do amor da religião<br> O que você tem ouvido dos cristãos?<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Fazendo parecer que ninguém me ama </em> <br> <em>Eu não estou tentando levá-lo ao dinheiro Mas se eu tentar te levar a Jesus<br> Somos chamados de crentes meia-boca Apenas Efésios semi-letrados </em><br> <em>Ao menos se eles soubessem o que eu sei, uh Eu nunca fui novo até conhecer<br> O Deus vivo e verdadeiro, Yeshua<br> O Deus vivo e verdadeiro </em><br> <em>(Alguém ore por mim)<br> [Fred Hammond]<br> Mostre pra eles<br> Mãos para o alto, mãos erguidas, mãos erguidas Mãos erguidas, mãos para cima </em><br> <em>Na sua cara, a razão<br> Mãos erguidas, sim, erguidas<br> [Fred Hammond e Kanye West]<br> Eu mereço todas as críticas que você tem<br> Se esse é todo o amor que você tem, então é isso<br> Para cantar de mudança, você acha que estou brincando<br> Para louvar o nome Dele, você pergunta o que eu estou fumando Sim, eu entendo sua relutância, sim<br> Mas eu tenho um pedido, você vê </em> <br> <em>Não me rejeite, coloque suas mãos em mim Por favor ore por mim<br> Me seguro na morte<br> Me mantenho de pé, todos caídos </em><br> <em>Alguém ore por mim<br> [Fred Hammond]<br> Mostre pra eles<br> Mãos para o alto, mãos erguidas, mãos erguidas Mãos erguidas, mãos para cima </em><br> <em>Na sua cara, a razão<br> Mãos erguidas, sim, erguidas </em> </pre>



<p>Kanye se associou a Donald Trump. Kanye disse, em um de suas últimas apresentações
do ​<em>Sunday Service </em>​que a escravidão era uma “escolha”. Kanye é questionado, contraditório,
controverso. E os cristãos, o que pensam sobre isso? Fred e Kanye disseram nos versos acima.
Mas há muito mais a ser dito. É necessário deixar claro que o estilo ​<em>gospel </em>​é um produto da
escravidão. É o estilo que nasce das ​<em>work songs</em>,​ que eram as canções que os escravos
cantavam enquanto estavam no campo, como forma de dar ritmo ao trabalho e, por vezes,
também denotarem protesto. Quando livres, os escravos não eram bem recebidos nas
comunidades de fé cristãs, majoritariamente brancas. Uma vez negado o direito de exercerem
sua fé, os escravos que conseguiram comprar sua liberdade, se uniram para formar uma
comunidade de fé negra. Em 1817, na Filadélfia, nasce a Igreja Metodista Episcopal Africana &#8211; a
primeiraigrejaprotestanteindependentecriadapornegros.A​<em>worksongs</em>​ea​s​<em>spiritualsongs
</em>foram as bases da música que fazia parte dos cultos. Assim nascia o ​<em>gospel</em>:​ um estilo musical
que tem sua raiz as marcas da luta por direitos, da guerra contra a segregação racial. Do ​<em>gospel
</em>vieram o ​<em>jazz, o blues </em>e​ também rock. Nomes como Sister Rosetta, Nina simone e Mahalia
Jackson são sempre lembrados como símbolos de um estilo que cantava a esperança em meio
aos conflitos e a dor. Mahalia se uniu a Martin Luther King Jr., na luta contra a segregação racial
e fez de suas músicas hinos de protesto. Fica evidente que quando se fala em ​<em>gospel </em>como
estilo, se fala da história negra, se fala da fé negra, se fala de origens. Quando Kanye decide
fazer um álbum gospel, ele vai de encontro a tudo isso. Mas estaria Kanye sendo o Kanye do
furacão Katrina, que não mediu palavras para criticar George Bush dizendo que o presidente
não se importava com o povo negro? Ou estaria Kanye tentando criar uma política entre negros
e os ideais conservadores republicanos?
</p>



<p>Duasmatériasdarevista​<em>VICE</em>s​ãoimportantesparatermosumnorteparaconstruirmos
qualquer opinião. A primeira é de 2018 e tem o seguinte título: “Igrejas negras nos EUA estão
considerando armar seus fiéis”. ​<em>“Não posso falar por igrejas de outras etnias, mas como líder de
uma igreja negra, fico muito preocupado. Desde que nove pessoas foram mortas em Charleston,
nossa igreja instalou câmeras de segurança e tudo mais, porque já tivemos indivíduos entrando
e sentando no meio do culto, e depois se levantando e indo embora sem mais explicações.” </em>​As
palavras são do Reverendo James Cokley, da igreja Batista Missionária Cherry Hill. O medo de
instaurou após o ataque na Igreja Metodista Episcopal Africana em Charleston, no ano de 2015.
Apesar de não serem a favor do porte de armas, medidas drásticas passaram a ser pensadas
como solução para defesa do povo negor e do exercício de sua fé, sem a ameaça de
supremassistas brancos como Dylann Roof. Em outra matéria com o título “Falamos com
especialistas em religião sobre o novo álbum de Kanye West, ‘Jesus is King’”, o questinamento
posto é sobre o quão genuína é a conversão de Kanye ou se ele está apenas fazendo marketing
usando a religião. Apesar de concoradrem que não é possível julgar o quão genuína seja a fé de
Kanye, os professores doutores Xavier Pickett, da Universidade de Nova York, e Jay-Paul
Hinds, professor assistente do Semminário Teológico de Princeton, veem a aproximação de
Kanye com a igreja negre de um modo complexo. ​<em>“Se você quer fazer alguma coisa com os
negros neste país, você ainda precisa passar por uma igreja negra” </em>diz Hinds. Com as eleições
americanas se aproximando, o caminho de Kanye pelas igrejas negras com seu ​<em>Sunday Service
</em>pode significar uma ponte política entre negros e Donald Trump. Pode ser também que Kanye
queira reduzir o impacto negativo de suas alegações anteriores e esteja buscando uma espécie
de perdão por parte dos negros, mostrando que é também um deles, ao ssumir sua fé e
propagar o ​<em>gospel </em>com a força que o nome de Yeezy culturalmente tem. Kanye foi tema de
cursos nas univerisdade Washington University e na Georgia State University. Sua letras e seus
discrusos &#8211; e até o episódio com Taylor Swift no VMA &#8211; foram os temas centrais das matérias.
Isso mostra o quão relvante Kanye West é. Mas, uma observação feitas por Hinds e Pickett é
muito perspicaz: questionados se o que Kanye com ​<em>Jesus is King </em>​é fé ou marketing, a resposta
é a mesma: ele não faz nada diferente do que os televangelistas, que vendem a palavra.
</p>



<p class="has-background has-cyan-bluish-gray-background-color">Quando kanye West fala sobre cultura, ele fala sobre si mesmo. Ele é parte da cultura
que ele mesmo critica. Dialética em seu supra-sumo. Como artista, como parte da cultura,
Kanye vende ao mesmo tempo Jesus e rap. Isso não o coloca como um vilão, nçao reduz sua
grandiosidade, nem esvazia de sentido a sua fé. Mas, olhando para a comparação entre Kanye
e os televangelistas, Emicida, em “​<em>Hoje Cedo”</em>,​ já dizia: ​<em>“Se a sociedade vendeu Jesus, porque
não ia vender rap?”
</em></p>



<p>Que o ​<em>Jesus is King </em>é um excelente disco e que, como quase tudo que Kanye se
envolve, traz esse alto dialético, isso é incontestável. Mas, se posso finalizar esse texto com um
conselho, eu digo: não seja como os cristãos da letra de ​<em>Hands On. </em>Seja o Fred Hammond d
Kanye, sente e o escute. Kanye e Mv Bill nunca colaboraram, mas, em suma, dizem o mesmo:
só Deus pode me julgar.
</p>



<p>Independente de tudo isso, ​<em>Jesus is King! </em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na Imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3e4db-julia-sa-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3417" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/jeus-e-rei-por-kanye-west/">Jesus é Rei &#8211; por Kanye West.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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