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	<title>Arquivos Jongo - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Corpo e Espírito são Soberanos</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
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		<category><![CDATA[Laura Kasemiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“&#8230;o único propósito com o qual se legitima o exercício do poder sobre algum membro de uma comunidade civilizada contra a sua vontade é impedir o dano a outrem. [&#8230;] Sobre si mesmo, sobre o seu próprio corpo e espírito, o indivíduo é soberano.”</em></p>



<p class="has-drop-cap">Esta frase pode ser atribuída, por qualquer desses neoconservadores que agora se consideram os guardiões da moral que reconduzirá o Brasil ao caminho do progresso, e que ora se arvoram no Poder na figura de Jair Bolsonaro, a um militante radical filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que tem o sobrenome Guarani Kaiowá no Facebook, que usa touca de crochê e fuma maconha em qualquer Institudo de Ciências Humanas (ICH) dos muitos espalhados pelo Brasil.</p>



<p>Muito provavelmente, não se dá muita importância a essa citação nesses “think thanks” da direita, como os institutos Mises ou Millenium, ou quando muito o interpretam à luz do controle do Estado sobre a economia.</p>



<p>De fato, aí está contido o viés liberal do controle estatal sobre as transações e especulações realizadas por quaisquer indivíduos livres e suas empresas, justamente porque esta é uma máxima do liberalismo. Seu autor é o norteamericano, protestante e conservador John Stuart Mill, que deixou, no século XIX, um dos mais importantes alicerces do liberalismo do século XX, sobre o qual se construiria as atuais sociedades nortamericana e europeia.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Entretanto, tais incautos ignoram, conscientes ou não, o forte argumento sobre moral e costumes circunscrito à afirmação. Quando Mill faz a defesa da liberdade do corpo e do espírito, tece uma argumentação que vai muito além do dinheiro, refletindo sobre a sociedade necessária para que fluam os capitais livremente, contribuindo para o crescimento da economia e o enriquecimento das nações, no escopo lançado por Adam Smith.</p>



<p>Ou seja, quando se discute Stuart Mill nos dias de hoje, evoca-se seu desejo de que o ser humano decida sobre o seu corpo e espírito sem a interferência de outras pessoas e, sobretudo, sem o Estado. Ora, se esse indivíduo é homem ou mulher, negro, branco, ou índio, se sua identidade e gênero é A, B ou H, isto diz respeito apenas e unicamente a ele, indivíduo, não cabendo o julgamento de outrem. Em que pese que, no contexto da época, isso se referisse às questões abolicionistas e de emancipação da mulher na sociedade americana do pós Guerra Civil, essa premissa reivindica, de forma ampla, que a moral e o Estado não sejam barreira para a inclusão que visa à produção e ao consumo, fazendo girar de forma mais eficaz a roda do capitalismo.</p>



<p>Portanto, quando tais grupos do Brasil atual, que se dizem liberais, atacam minorias raciais ou de gênero, ou dão suporte à censura como ocorreu em 2017 na exposição Queermuseu do Rio Grande do Sul, ou atacam artistas, como se passou esta semana com a charge de Carlos Latuff exposta por ocasião do Dia da Consciência Negra no Congresso Nacional (em que o desenho de um negro assassinado por um Policial Militar foi depredado por um deputado federal do PSL), negam uma das principais premissas do liberalismo: a soberania do indivíduo sobre o corpo e o espírito.</p>



<p>O Brasil de hoje é regido por um casamento de liberalismo econômico com conservadorismo nos costumes que desfigura os fundamentos mais importantes da organização social nos países mais lembrados pela classe média como exemplos de sociedade. Isso vale, inclusive, para a guerra às drogas que sustenta o genocídio da população negra das periferias, denunciada por Latuff e atacada no Congresso. Isto porque, na venda e consumo de drogas, nada mais há que uma relação entre dois indivíduos, um interessado em vender e outro em comprar um produto que, se há de lhe fazer mal, isso não diz respeito aos demais, a menos que resulte em ameaça à ordem social. A julgar pelo amplo consumo de maconha nas classes médias e, menor, porém igualmente considerável, de cocaína nos núcleos mais abonados da pirâmide social, nota-se que a sociedade continua de pé.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">E, se o argumento é de que o uso indiscriminado de determinadas drogas por grande parcela da sociedade, aí sim, ameaçaria a ordem social, neste caso a resposta é de que há de se investir em educação e conscientização para a não procura por essas substâncias. E se ela há de ser proibida, há de ser quebrada toda a estrutura que a mantém circulando no país. Não há de simplesmente ser morto o vendedor que é o ponto final de sua cadeia, o qual recorre a esse produto porque há quem queira comprar, e não muito quem esteja disposto a correr os riscos de vender, restando esta tarefa a quem nasceu pobre e não considera ter muito a perder.</p>



<p>Enquanto essa for a estrutura social do Brasil e o contexto da circulação das drogas no país, não se pode não conceber o tráfico como resultado das relações de troca entre corpos e espíritos soberanos e, se a parte mais frágil dessa relação é perseguida e assassinada pelo Estado, a crítica de Latuff é pertinente. E, ainda que não o fosse, seu espírito seria soberano, inclusive no erro. Não devendo, pois, ter sua charge atacada.</p>



<p>Assim reza o postulado liberal de John Stuart Mill, revisitado no Brasil do século XXI.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Arte não Pede Licença</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Jongo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Caroline Stabenow</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Intervenção Urbana, é o nome que se dá da interação de algum objeto (geralmente em espaço público ou monumento), com as ideias do ser criativo. É uma proposição artística juntamente com algo já pré existente, que tem como objetivo lançar novas percepções sobre o espaço, cenário ou que simplesmente visa questionar e/ou transformar significados e expectativas da sociedade e seu senso comum. Geralmente, vem sempre seguida de um caráter ideológico, político ou social.</p>



<p>Na década de 70, no bairro de Bronx em Nova Iorque, surgia o então conhecido estilo musical Hip Hop. O jamaicano Kool Herc, então DJ àquela época, realizou uma festa em que decidiu tocar apenas a parte instrumental e os breaks de músicas de funk e soul daquela. James Brown, Jamens Clinton faziam parte do repertório. A partir daí, o Hip Hop se tornou uma grande potência, não só presente no ramo musical, mas compondo as fileiras da moda, arte e dança. Depois da década de 90, as intervenções urbanas no Brasil tomaram grande forma, principalmente após a formação dos coletivos artísticos.</p>



<p>Assim como <em>Break Dance</em> é uma linguagem dentro da cultura Hip Hop, outra expressão artística advinda é o <em>Grafitti</em>. Basicamente, o Grafite são pinturas feitas à mão sobre um muro, parede, monumento, estátua, ou qualquer elemento que esteja na via pública. Na maioria da vezes, sua produção é voltada para uma crítica social.</p>



<p>Norman Mailler, um consagrado escritor norte-americano, definiu o grafite como: &#8220;uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial&#8221;.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Sinto que tenho alguns privilégios como fotógrafa. Privilégios esses, que na maioria das vezes sobrevêm com máxima sutileza. É preciso estar atenta para perceber e receber tais dádivas. Ter a oportunidade de entrar no íntimo e pessoal de tantas pessoas, seus costumes, seus cheiros, olhares, histórias, contos, causos, suas amarguras e deleites, pra mim, sem dúvida é a maior das dádivas.</p>



<p>Parecia-me tudo esquematizado. O precedente bate papo com a comunidade. A procura pelo lugar certo. A preparação do material, (que tenho a audácia de dizer, uma das minhas partes preferidas). Repleto de inquietação era o cuidado envolvido na escolha das cores. Logo se ouviu o famoso e irreverente barulho da lata de spray sendo balançada. Em seguida, o cheiro forte da tinta e mais fortes ainda eram os traços que iam se criando. Formas, contornos e linhas. Um dança com passos medidos por cheiro, cor e suor do corpo. Externizava-se a arte através dos poros.</p>



<p>A criança, o velho, a dona de casa. Olhos ativamente curiosos. O passo apertado era diminuido para contemplar os murais coloridos. E da boca saia: &#8211; Ei, tem um muro lem casa! Quando vai pintar lá? Em poucos minutos a tinta virou arte, eternizou-se em meio a periferia. Encravou. Transmitiu. Disseminou. Inquietou a mente de quem passava.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Ronaldo Gentil, um dos pioneiros na arte do grafite no estado do Espírito Santo diz &#8221; Estamos em busca de uma identidade e algo que poderíamos afirmar que é nosso. Pode parecer mania mas é pertencimento. Buscamos o máximo da nossa relação com o lugar que nos criou. Não somos só indivíduos em uma cidade, somos parte dela. Por isso sorrimos em todos os lugares&#8221;.</p>



<p>Por fim, os autores e artistas com sua obra terminada, ao olhar em volta, orgulhosos, sorriram.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c4b1c-photo5102616474626926612.jpg?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5104" width="950" height="633" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926611.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5105" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926610.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5106" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926609.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5107" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926608.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5108" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926607.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5109" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926606.jpg?fit=682%2C1024&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5110" width="682" height="1023" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926605.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5111" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926604.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5112" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926603.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5113" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926602.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5114" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926601.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5115" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926600.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5116" width="969" height="646" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Caroline Stabenow</strong> é Médica Veterinária por formação. Fotógrafa, humanista, voluntária. Amante de leitura, música, vira latas e um bom café preto.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg3_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4979" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Consciência: Um Lugar de Memória Negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Nov 2019 20:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Jongo]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Kasemiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Laura Kasemiro</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Pinheiral é uma cidade localizada na região do Vale do Paraíba, no interior do estado do Rio
de Janeiro. O pequeno município conta com menos de 25 mil habitantes e uma alcunha
notável: é considerada a capital estadual do Jongo. ​No ano de 2015, foi fundado nas ruínas
da antiga fazenda de café, o ​Parque das Ruínas da Fazenda São José do Pinheiro (Ruínas
do Casarão), que abriga um memorial na forma de uma roda de jongo. O projeto do artista
visual André de Castro conserva a memória de uma vivência afrodescente da cidade em
uma exposição a céu aberto, contando a história da fazenda e da época da pós abolição na
região.
</p>



<p>A Fazenda de São José do Pinheiro pertenceu ao Comendador José de Souza Breves,
construída em 1851, se destacava pela impotência e pela soberba de suas dependências,
sendo citada por escritores como Emílio Zaluar como “um palácio elegante e suntuoso
como qualquer palacete da Corte”. O casarão contava com oficinas, capelas, um hospital,
salões e os tradicionais terreiros de café. Durante seu período de atividade, existiram na
propriedade dois mil escravos, dos quais 30 eram destinados ao serviço doméstico. Além
disso, ficou famosa a existência de uma orquestra formada por negros que aprenderam a
arte da música com um professor contratado pelo comendador. Contudo, nos anos de 1986
e 1990, a construção original foi destruído por incêndios, resultando em um prédio em
ruínas e algumas lendas locais sobre fantasmas, barulhos de correntes e objetos que se
movem. Hoje o espaço comporta um Instituto Federal (Colégio Agrícola Nilo Peçanha), e o
Parque das Ruínas, uma nova atração turística.
</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Além da exposição, o memorial conta com a atuação do projeto Passados Presentes, que
tem como objetivo reconhecer as histórias do povo negro e estimular o turismo de memória
no Rio de Janeiro. Foram desenvolvidos um aplicativo para celular que permite a interação
com o monumento, e quatro roteiros que possibilitam ao visitante transitar por outras
exposições do projeto em outras cidades.
</p>



<p>“O projeto Passados Presentes foi elaborado a partir do Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil, &#8211; um trabalho coordenado por Hebe Mattos, Martha Abreu e Milton Guran, no Laboratório de História Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense (LABHOI/UFF), com apoio do Projeto Rota do Escravo, da Unesco, em 2014.” &#8211; ​<a href="http://passadospresentes.com.br/site/Site/index.php">http://passadospresentes.com.br/site/Site/index.php </a></p>



<p>Eu cresci em Pinheiral e estive presente no dia da inauguração do Parque das Ruínas, que foi celebrado com uma roda de capoeira e uma de jongo, além de um cortejo em celebração a Nossa Senhora de Santana e o lançamento e exibição do documentário “Conta um ponto”, que homenageia a história dos jongueiros. Com as fotografias que fiz neste dia (26/07/2015), elaborei uma colagem figurativa que adotou o formato de uma negra de turbante. O uso do turbante para as culturas afro-americanas e afro-brasileiras é um símbolo, além de resistência contra o racismo, também de afirmação de uma identidade coletiva. A partir disso, busquei criar um diálogo entre a construção de uma identidade afrodescendente, e o papel de consciências políticas, sociais e culturais ao combater mecanismos opressores como a invisibilização, a intolerância e o racismo. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8b047-turb.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4946" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>“Somos um dos poucos municípios onde o Jongo nunca ficou adormecido. Nós herdamos esta herança dos negros que foram escravizados aqui e esta tradição vem sendo passada de geração a geração desde a época da escravidão. Então a gente tem muito orgulho de preservar esta tradição e levar isso para o Brasil inteiro, pois nossos trabalhos não são feitos apenas aqui e nos municípios vizinhos, mas a nível nacional – disse Fatinha lembrando que, além do Dia Estadual do Jongo, Pinheiral é o único município que tem um Dia Municipal do Jongo. “O Jongo é a verdadeira história do povo negro e representa a luta pela liberdade na época da escravidão” &#8211; Maria de Fátima Silveira Santos (Representante do Creasf &#8211; Centro de Referência Afro do Sul Fluminense) &#8211; <a href="https://diariodovale.com.br/cidade/ruinas-de-casarao-em-pinheiral-sao-transformadas-em-memorial/">https://diariodovale.com.br/cidade/ruinas-de-casarao-em-pinheiral-sao-transformadas-em-memorial/ </a></p>



<p>A tentativa de silenciar as heranças deixadas pelos africanos é perpetuada por ideologias
nos tempos modernos, estas que muitas vezes são fruto da ingenuidade e da ignorância.
Por outro lado as tradições culturais e religiosas afro brasileiras são preservadas e
imortalizadas em diversos núcleos e cidades do país. ​A preservação dessas práticas
antepassadas resistem ao tempo, à intolerâncias ideológicas e à violências de todas as
formas. Que nós encontremos nossa força para combater as novas mordaças, no
conhecimento, na legitimação de vivências negras e na reverência de nossa ancestralidade.
</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/eaaad-dsc_0631.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4948" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6b9f1-03.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4949" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7a93e-dsc_0661.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4947" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Laura Kasemiro</strong> é estudante de artes, mas adoraria ser uma contadora de histórias </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/PUBLI-BODOQUE3.png?fit=970%2C970&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Sobre a artista: </strong></p>



<p>Amanda Oliveira iniciou sua jornada com a Fotografia em 2005 e tem como norte em seu trabalho a cultura e a religião afro-brasileira na Bahia. Seu principal foco é relacionar essas duas vertentes com as comunidades litorais do estado baiano, como em uma das suas pesquisas autorais sobre os festejos populares para o orixá Yemanjá, divindade africana conhecida como rainha do mar.&nbsp;<br>Profissional desde 2009, recebeu o prêmio de 1o lugar no VIII Salão de Fotografia da Marinha do Brasil, possui obras permanentes no Memorial Pierre Verger da Fotografia Baiana e participou de 25 exposições, dentre elas: as internacionais &#8220;The Fifth Annual Exposure Photography Award&#8221;, no Museu do Louvre, Paris e &#8220;Scope International Conteporary Art Show&#8221; em Miami; &#8220;Olhares Afro Contemporâneos&#8221;, em São Paulo (BRA) e &#8220;IBEJI ERÓ&#8221;, em Salvador (BRA).&nbsp;<br>Além das exposições, é contribuinte do Coletivo Everyday Brasil, teve publicações no site da National Geographic Brasil e em outros veículos, como na revista alemã SportBild e na revista brasileira Amarello; participou de eventos de fotografia, como facilitadora de oficina no Festival Os Brasis em SP (Red Bull Station, São Paulo), no Simpósio de Comunicação Reconexo (Cachoeira, Bahia) e na Semana de Fotografia da Bahia na Caixa Cultural de Salvador.</p>



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