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	<title>Arquivos lives - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A memória e o poder: reflexões sobre o esquecimento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[lives]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/14/a-memoria-e-o-poder-reflexoes-sobre-o-esquecimento/">A memória e o poder: reflexões sobre o esquecimento</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Temos um longo caminho teórico e reflexivo quando optamos por falar de memória. Era noite quando refleti sobre o que havia estudado há dois anos. O primeiro movimento é desgarrar o conceito de memória que, culturalmente, se atrela a história e, nesse sentido, mobilizo alguns autores para dialogarem conosco.</p>



<p>François Hartog irá traçar os fios dentro da modernidade nos quais encontramos os conceitos. Dirá, em linhas gerais, que a memória se entrelaça pelas semelhanças e, a história, dado a seu procedimento de redução &#8211; no sentido de ampliação do objeto a ser investigado -,pelas diferenças<a href="#_ftn1">[1]</a>. Somado ao último autor, Pierre Nora irá explorar não só a teorização dos conceitos, mas como, pela diferença, são explorados socialmente; desta forma, memória &#8220;é a vida, assumida sempre por grupos vivos (&#8230;) aberta à dialética da lembrança e amnésia, inconsciente de suas sucessivas deformações, vulnerável a todas as utilizações e manipulações, suscetível de longas latências e de revitalizações repentinas.&#8221; E continua &#8220;(&#8230;) a memória brota de um grupo, cuja união é garantida por ela, (&#8230;) a história pertence a todos e a ninguém, o que lhe confere vocação para o universal.&#8221; (NORA, 1984, p 19-20). Temos ainda Ricoeur, que analisará a memória pelo seu poder de testemunho, o que deveria conferir a ela o posto de matriz da história<a href="#_ftn2">[2]</a> e não um mero objeto desta última.</p>



<p>Podemos perceber que o debate é cercado de complexidades por se tratar de um espaço vívido de apego social. Não cabe, neste ensaio, a decisão sobre quem é mais importante; mas cabe destacar a memória, mediante a sua função de enraizamento e reconhecimento coletivo, como uma ferramenta que está, constantemente, sendo explorada como espaço de hierarquização do poder.</p>



<p>Fala-se daquilo que se lembra, e o que se lembra é construído por uma narrativa daqueles que, por leis socialmente ampliadas e aceitas acriticamente, detém o poder de legitimação. Vejamos: o patriarcado rege e organiza o pensar e agir por uma força milenar de reprodução consciente e/ou inconsciente onde se desliga a mulher, ao fim e ao cabo, dos direitos inalienáveis ao cidadão. Questiona se: &#8220;O que se considera cidadão?&#8221;; &#8220;É possível a igualdade de gênero apenas pela via jurídica?”. A Declaração de&nbsp; Independência datada de 1776, do então recém independente Estados Unidos da América, tem como frase basilar (e pop atualmente) a seguinte proposta: &#8220;<em>Consideramos estas verdades como autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes são vida, liberdade e busca da felicidade.</em>&#8221; Nota se a associação do uso de &#8220;homem&#8221; com o que poderíamos interpretar como &#8220;cidadão&#8221; contemporaneamente pelo próprio gênero do documento. Logo, o cidadão deveria usufruir do que, &#8220;autoevidentemente&#8221;, o dignifica para habitar naquela terra: vida, liberdade e busca da felicidade. Façamos as perguntas iniciais com um suporte contraposto: o voto feminino nos Estados Unidos foi promulgado na chamada Emenda Dezenove, apenas em 1919, sendo que, além da Declaração, houve a promulgação da Constituição já em 1787. E mais, quando mudou-se o tom das reivindicações na primeira metade do século XX de &#8220;direitos feministas&#8221; e &#8220;direitos femininos&#8221; para &#8220;direitos da raça humana e democracia&#8221;, foi quando ocorreram essas mudanças. Percebe-se que o cerne estará vinculado ao que, temporalmente, se compreende sobre os conceitos e, esses mesmos, são desenvolvidos &#8211; e, por isso, aceitos socialmente &#8211; por quem está no topo da hierarquia de poder.</p>



<p>Ivone Gebara analisará um aspecto interessante sobre como é incorporada a lógica capilarizada entre os gêneros. Diz: &#8220;Conta-se, por exemplo, que no mito das amazonas para portar o arco de maneira confortável elas cortavam um dos seus seios. O uso bélico próprio dos homens deforma o corpo feminino. <strong>Ao copiarem o modelo masculino, mulheres se mutilam</strong>. A ordem política está fundada sobre a violência e a guerra, com o sacrifício do próprio corpo. Por isso a absolutização do modelo masculino que destrói a diferença é catastrófica nas relações humanas.&#8221; (GEBARA, 2017, p 41). O uso do movimento é um exemplo visível das estruturas invisíveis que pairam sobre a mulher e a oprimem, não só na colonização de seus corpos, mas nas mentes, no sentido daquilo que se disponibiliza, atualmente, sobre a produção e atuação feminina ao longo da história.</p>



<p>Cabe a mim discorrer sobre como a memória, cotidianamente, é utilizada para a via do apagamento e marginalização daqueles que, de fato, estão na história &#8211; e isso é irrevogável -. No entanto, sua participação passará pelo crivo daqueles que regem e organizam um determinado grupo. Reflito, assim, sobre como a intolerância &#8211; entre mil outros aspectos segregatórios &#8211; tem impulsionado o esquecimento e marginalização de indivíduos históricos por sua própria atuação no presente. A memória é uma ferramenta de poder e, quem a controla, define o futuro do espaço que, hierarquicamente, distingue quem assume o topo. Temos ainda, a polarização e o fanatismo na arena pública e privada que delibera, descaradamente, sobre quem tem o direito e/ou espaço de fala, mas isso é conversa para o próximo ensaio.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> para maiores detalhes, ver: HARTOG, Fraçois. <strong>Regimes de historicidade &#8211; Presentismo e experiências do tempo</strong>. 1. ed. [<em>S. l.</em>]: Autêntica, 2013.</p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> para maiores detalhes, ver: PAUL, RICOEUR.&nbsp;<strong>A Memória, a História, o Esquecimento</strong>. 1. ed. [<em>S. l.</em>]: Editora da Unicamp, 2018.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil. </p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/bordados.indelicados/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1127c-rebeca-lesbians.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8790" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>A live sou eu.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/19/a-live-sou-eu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 041]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[lives]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Existem perguntas que se acumulam quando entramos em silêncio. Daí a alta demanda por uma resposta a elas. O erro, no entanto, nunca estará na tentativa de responder a essas perguntas, mas no fato de que, assim como elas &#8211; as perguntas &#8211; demoraram para se efetivar e serem construídas, as respostas certamente também deverão demandar tempo de reflexão. </p>



<p>A ideia de que algo de grande magnitude pode ser resolvido em minutos desconstrói ainda mais o ser humano da pós modernidade, que já não se sente obrigado a pensar em alternativas que dialogam com suas necessidades; afinal, existem pessoas, robôs &#8211; e talvez aliens &#8211; disparando procedimentos mágicos que, como massas prontas de bolo, serão misturas num indivíduo -complexo por natureza- e após um tempinho de forno, sairão belas, fofinhas e com cheiro de lar. Balela. </p>



<p>&#8220;Na era da informação, a invisibilidade é equivalente a morte&#8221;, já diria Zygmunt Bauman. E eu concordo. Em tempos de quarentena, as famosas &#8220;lives&#8221; borbulham informação de todo tipo, de toda forma, de todo segmento, altura e profundidade, e esse texto não é uma crítica a esse movimento &#8211; afinal, se relacionar, mesmo que a opção seja virtual, é uma demanda humana.  Esse texto, sim, é um ponto de reflexão sobre o gigante coador de todos os problemas (existenciais, filosóficos, teológicos, religiosos, políticos, econômicos) do mundo que essa ferramenta tem se tornado nas mãos de uns e outros. </p>



<p>Queremos ser os mais rápidos, os com maior aptidão e com melhor argumentação &#8211; não que essa última signifique o uso de ferramentas teóricas -, mas importa que nos posicionemos, segundo quem? Não tem; é legal ver essa corrida de ego, mas ao mesmo tempo, cabeças rolam, e elas representam os cancelados desse reino construído e alimentado sobretudo nesse período de COVID &#8211; 19. Visibilidade então, se torna um impulso para, literalmente, dois destinos: fada sensata ou cancelada. </p>



<p>O <em>boom</em> das lives (e digo de situações específicas onde tenta se ofertar um conteúdo que não se domina e nem ao menos oferece mecanismos justos de análise, como por exemplo jornais, dados, sites oficiais, enfim) demonstra toda essa necessidade suscitada acima; no entanto, ele fala também de uma necessidade vinculada à própria existência, que se desdobra, ainda, na ideia de silêncio e no que se concebe sobre ele. </p>



<p>O saber é plural, basta lermos as obras de Paulo Freire para concluirmos isso com o autor. Todavia, não é nesse aspecto que analiso o saber, pois, indo ainda mais fundo: o que é ou, o que constitui o saber? Ele parte da identificação e troca, sendo, portanto, antes de mais nada, uma experiência. Quando recortamos o fenômeno das lives e analisamos, vemos que a necessidade de uma resposta a nível &#8220;fada sensata&#8221; não diz de um conhecer prévio, mas de uma associação rasa e que pouco dialoga com o seu entorno mas se constitui como uma fórmula mágica que, em teoria, deveria auxiliar todos os viventes da terra. Penso em dois pontos quando vejo algo assim: primeiro, o senso crítico das pessoas irá excluir essa possibilidade absurda; segundo, o senso crítico foi cooptado no palco político, portanto, alguns abriram mão dele. Alguns irão consumir o absurdo. </p>



<p>Mediante a isso, penso: a live sou eu. Ela revela quem eu quero ser, mesmo quando não há um currículo que me possibilite a tal cargo. Alguns tentam pela força da adesão e reconhecimento público, outros pela distorção do conhecimento, outros falando com palavras inacessíveis no vocabulário popular mas que no final não fazem bulhufas de sentido (mas ainda assim taxados como sábios, inteligentes, pessoas fora da bolha, etc). Alguns são um pouco de tudo isso, também. Mas há um lado positivo em pensar que, quem se mantém vivo e vivendo ao dizer não as balelas virtuais, sou eu. Faça live sim, se você quiser, mas faça consciente de que você transborda a qualquer achismo e &#8220;diquinha sensata&#8221; da quarentena.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/bordados.indelicados/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1127c-rebeca-lesbians.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8790" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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