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	<title>Arquivos mimimi - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Convenção das Mimizentas</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Feb 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 031]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Alícia Vito</p>
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<p class="has-drop-cap">Quando saí da maternidade, fui enrolada em uma mantinha felpuda rosa. Era confortável mas ninguém me disse que a partir daquele momento aquela deveria ser minha cor favorita, porque remete à delicadeza e é como preciso ser, afinal de contas, sou menina.</p>



<p>Como toda criança, parte bem importante do meu desenvolvimento era brincar. E como eu tinha energia para gastar e curiosidade para explorar o mundo! Mas meus brinquedos eram quase sempre panelinhas, bonecas e mamadeiras e me diziam que essa era a forma apropriada de me divertir, pois sou menina.</p>



<p>Minha percepção sobre minha própria sexualidade não veio como um incentivo a vivê-la em plenitude e sim como algo que eu deveria reprimir e me preocupar porque isso certamente define meu valor como pessoa/mulher.</p>



<p>Toda a minha parte emocional foi altamente estimulada, o que foi imprescindível para que eu aprendendesse a sintetizar meus próprios sentimentos, mas ninguém me disse que eu seria julgada por expressá-los e explicitamente desautorizada a tomar decisões técnicas e racionais, porque todos sabem, sou louca, sou mulher.</p>



<p>Meu corpo sofreu diversas alterações ao longo da vida, muitas das quais refletindo o meu próprio estado interior. Lidei com desequilíbrios hormonais, perdi e ganhei peso, ganhei marcas e cicatrizes e por vários momentos o único cuidado ao qual me reservei foi existir. Mas ninguém aprovou e me aceitou por isso, porque eu tinha padrões impostos pela mídia de uma perfeição neurótica a qual deveria perseguir, afinal, sou mulher.</p>



<p>Estudei, me capacitei, venci desafios acadêmicos e aguentei pressões para ascender social e profissionalmente na vida, para me garantir a pequena satisfação dos bens materiais. E administro com responsabilidade e maestria minha vida financeira, garantindo assim meu sustento e independência. Porém sou tida como um fracasso, uma vez que não constituí uma família e nem tenho um homem ao meu lado, porque isso é que se espera de uma mulher.</p>



<p>Sou cobrada injustamente pelo dever de exercer a maternidade, pelos meus relacionamentos, pelo meu comportamento, pela minha liberdade, pela minha voz ecoando firme no ambiente, pela minha segurança. E quase sempre preciso reinvindicar o meu direito ser humana. Mas não pensem que vou ser vítima e me calar, afinal sou mulher, mas não sou frágil e nem a única.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong>Alícia Vito </strong></strong></strong>Capricorniana, meio adulta e preocupada com as causas sociais. Ama os animais, a escrita e cheirinho de incenso. Seu principal passatempo é fazer os amigos rirem e descobrir novos becos na cidade.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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